Paul Valéry – Versos na tarde – 15/03/2017

O SILFO
Paul Valéry¹

Entrevisto e esquivo,
eu sou esse aroma
finado mas vivo
que no vento assoma!

Entrevisto e incerto,
acaso ou talento?
Mal se chega perto,
concluiu-se o intento!

Entrelido e oculto?
Que erros, ao arguto,
foram prometidos!

Entrevisto e alheio
lapso nu de um seio
entre dois vestidos!

¹Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry
* Paris, França – 30 de Outubro de 1871 d.C.
+ Paris, França – 20 de Julho de 1945 d.C.

Filósofo, escritor e poeta francês, da escola simbolista. Seus escritos incluem interesses em matemática, filosofia e música. Realizou os estudos secundários em Montpellier na França, e iniciou sua carreira em Direito em 1889.

Publicou seus primeiros versos, fortemente influenciados pela estética da literatura simbolista dominante na época. Em 1894 se instalou em Paris, onde trabalhou como redator no Ministério de Guerra. Depois da Primeira Guerra Mundial se dedicou inteiramente a literatura e foi aceito pela Academia Francesa em 1925. Sua obra poética foi influenciada por Stéphane Mallarmé que conseqüentemente influenciou outro francês Jean-Paul Sartre.

Mallarmé – Versos na tarde – 04/07/2013

A vendedora da roupas
Mallarmé¹

O olho vivo com que vês
Até o seu conteúdo
Me aparta de minhas vestes
E como um deus vou desnudo

¹Stephane Mallarmé
*
Paris, França – 18 de Março de 1842 d.C
+ Valvins, França 09 de Setembro de 1898 d.C

>> Biografia de Mallarmé


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Stéphane Mallarmé – Versos na tarde – 18/02/2013

Brisa Marinha
Stéphane Mallarmé ¹

A carne é triste, sim, e eu li todos os livros.
Fugir! Fugir! Sinto que os pássaros são livres,
Ébrios de se entregar à espuma e aos céus imensos.

Nada, nem os jardins dentro do olhar suspensos,
Impede o coração de submergir no mar
Ó noites! nem a luz deserta a iluminar
Este papel vazio com seu branco anseio,
Nem a jovem mulher que preme o filho ao seio.
Eu partirei! Vapor a balouçar nas vagas,
Ergue a âncora em prol das mais estranhas plagas!

Um Tédio, desolado por cruéis silêncios,
Ainda crê no derradeiro adeus dos lenços!
E é possível que os mastros, entre ondas más,
Rompam-se ao vento sobre os náufragos,
sem mastros, sem mastros, nem ilhas férteis a vogar…
Mas, ó meu peito, ouve a canção que vem do mar!

Tradução: Augusto de Campos

¹ Stéphane Mallarmé
* Paris, França – 18 de Março de 1842 d.C
+ Valvins, França – 09 de Setembro de 1898 d.C


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Mallarmé – Versos na tarde

Angústia
Mallarmé ¹

Não vim domar teu corpo esta noite, ó cadela
Que encerras os pecados de um povo, ou cavar
Em teus cabelos torpes a triste procela
No incurável fastio em meu beijo a vazar:

Busco em teu leito o sono atroz sem devaneios
Pairando sob ignotas telas do remorso,
E que possas gozar após negros enleios,
Tu que acima do nada sabes mais que os mortos:

Pois o Vício, a roer minha nata nobreza,
Tal como a ti marcou-me de esterilidade,
Mas enquanto teu seio de pedra é cidade.

De um coração que crime algum fere com presas,
Pálido, fujo, nulo, envolto em meu sudário,
Com medo de morrer pois durmo solitário.

(Tradução de Humberto de Campos)

Stéphane Mallarmé
* Paris, França – 18 de Março de 1842 d.C
+ Valvins, França – 09 de Setembro de 1898 d.C

Stéphane Mallarmé é um importante nome do simbolismo na poesia francesa. Influenciado por Charles Baudelaire, valoriza o artifício de inverter a sintaxe das frases para ressaltar a dificuldade como elemento principal.


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