Campanha pela digitalização de pagamentos ganha força

Esta semana, a rede Starbucks uniu forças à Square, uma empresa estreante de tecnologia que permite que os usuários paguem suas compras usando um smartphone.

Vinda de uma empresa que parece ter cafés em toda esquina, a decisão parece representar um poderoso endosso. Será que isso significa que o celular em breve substituirá a carteira?

Não é tão simples, porque qualquer empresa que ofereça sistemas móveis de pagamento enfrenta um grande desafio: convencer as pessoas de que pagar com o celular é mais seguro e conveniente do que pagar com dinheiro ou um cartão de crédito.

Mas a parceria criará muito mais visibilidade para a Square, uma empresa de San Francisco que tem cerca de 300 funcionários, e para o conceito de pagamentos com aparelhos móveis.Loja da Starbucks na Filadélfia; rede se juntou à Square para que clientes paguem usando smartphones
Foto de Matt Rourke – Loja Starbucks na Filadélfia; rede se juntou à Square para que clientes paguem usando smartphones

A Square ainda não está nem perto de conseguir o grande número de adesões de que necessita para substituir as carteiras por celulares no mercado de massa. No momento, 75 mil estabelecimentos comerciais utilizam sua tecnologia para aceitar pagamentos. A empresa não revela o número de consumidores que utilizam o aplicativo Pay With Square, presumivelmente porque ele não é grande o bastante para que possa se vangloriar.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

BARREIRAS

“A maior fricção envolve os locais de pagamento”, disse Jack Dorsey, fundador da Square (e do Twitter), em entrevista. Ele disse que dado o grande número de empresas que estão tentando ingressar no mercado, pagar com o celular vem sendo uma experiência “fragmentada”. Mas a parceria com a Starbucks pode ampliar especificamente o uso do Square, disse.

De fato, empresas de todos os tipos, entre as quais grandes companhias como Google, Microsoft e Sprint e companhias iniciantes como GoPago e Scvngr, esperam lucrar com os pagamentos móveis –se conseguirem descobrir o que seria necessário para atrair os consumidores e os comerciantes.

O Google desenvolveu um aplicativo para pagamento com celular que usa a chamada tecnologia NFC, de comunicação em campo próximo, que permite que o celular estabeleça comunicação com uma caixa registradora próxima. A GoPago tem um aplicativo que permite que os clientes façam um pedido antes de chegar a uma loja; o pedido aparece em um tablet que o estabelecimento comercial tem no balcão.

A Square oferece um software para empresas que usa o iPad para mostrar fotos dos clientes presentes no estabelecimento que disponham de celulares equipados com o app Pay With Square, e com isso a pessoa só precisa dizer seu nome para pagar uma compra.Imagem do site da Square, empresa de pagamentos usando smartphones, que fez parceria com a rede de cafeterias Starbucks
Imagem do site da Square, empresa de pagamentos usando smartphones, que fez parceria com a rede de cafeterias Starbucks

As lojas da rede Starbucks começarão a aceitar uma versão menos ambiciosa do sistema de pagamentos Square no final do ano; o usuário exibirá no caixa um código de barras da Square que surge na tela de seu celular. A empresa antecipa que sete mil de suas lojas nos Estados Unidos estarão equipadas para usar o novo sistema antes da temporada de festas.

A Starbucks já vem aceitando pagamentos com celulares, usando um aplicativo de código de barras desenvolvido por ela mesma. Com um milhão de transações semanais usando esse sistema, a rede representa o mais bem sucedido exemplo de um sistema de pagamentos móveis, até o momento, de acordo com Denee Carrington, analista do grupo de pesquisa Forrester. Ela diz que a nova parceria deve fazer da Square a líder nos pagamentos móveis.

“Eles estavam trabalhando com pequenas lojas e cafés, empresas familiares, e coisas assim, e o novo acordo certamente lhes dá um novo nível de presença no mercado”, disse Carrington. “Agora, além do café do bairro, haverá um sistema Square em cada esquina de Nova York”.

Mas nem todo mundo está convencido de que o relacionamento entre a Square e um gigante como a Starbucks seja uma boa ideia. Seth Priebatsch, presidente-executivo da Scvngr, uma empresa iniciante que oferece um aplicativo de pagamentos móveis chamado LevelUp, afirmou que a parceria acarreta o risco de alienar outros grandes grupos de varejo.

A Square convidou Howard Schultz, presidente-executivo da Starbucks, para fazer parte de seu conselho. Isso daria à rede de cafés influência sobre o desenvolvimento do sistema de pagamentos, o que poderia dissuadir outros grandes grupos de varejo de aceitar o sistema, segundo Priebatsch.

“Se eu fosse a Dunkin’ Donuts, 7-Eleven ou Peet’s Coffee, ficaria bem longe da Square”, diz o empresário. “Oferecer a um parceiro de varejo influência indevida sobre todo um ecossistema de pagamentos é um precedente perigoso”.

Dorsey diz que não encara a situação desse ponto de vista. Ele afirmou que os varejistas que estudam adotar sistemas de pagamentos móveis se importam mais com o número de clientes equipados com o sistema e o custo geral da operação.

“Não creio que o tom estabelecido para essas conversações seja negativo”, disse. Acrescentou que outros grupos de varejo pedem conselhos à Starbucks devido ao seu tamanho e inovações.

PARCERIA

Mas se a Starbucks já é tão eficiente em convencer seus fregueses a pagar com o celular, por que entregaria o controle do sistema a terceiros? Schultz diz que usar a Square permitirá que a Starbucks no futuro reduza suas despesas nas transações pagas com cartões de crédito.

A Square diz que ganha dinheiro transferindo dinheiro de modo mais eficiente, ao eliminar intermediários e lidar com uma unidade do JPMorgan Chase para cuidar da compensação de todas as suas transações de débito e crédito, o que ajuda a reduzir custos.

Dorsey explicou que, por ser uma empresa jovem, a Square tem a vantagem de usar tecnologias mais novas a fim de melhorar o processamento de transações e economizar dinheiro. Aumentar o número de transações processadas em milhões, por conta da parceria com a Starbucks, aumentaria a eficiência e reduziria ainda mais o custo.

“Boa parte do setor opera com software que remonta aos anos 70”, disse Dorsey. “São sistemas reescritos, alterados e auditados, e isso nos permite mais agilidade e uma redução no custo geral do sistema”.
Brian X. Chen/NY Times
Tradução de PAULO MIGLIACCI

A certificação dos fatos


Por Leticia Freire, do Mercado Ético

Quem não se lembra do escândalo que envolveu a Nike, o CityGroup e a Starbucks Café? Essas empresas foram acusadas, consecutivamente, de exploração de mão-de-obra infantil, uso indevido de ativos nas bolsas de valores e propaganda enganosa, no que se refere à venda de bens certificados.

Pressionados pelo boicote de consumidores, as empresas começaram a harmonizar os interesses dos acionistas às crescentes demandas da sociedade por modelos de negócio sustentáveis. A inclusão social, redução (ou otimização) dos recursos naturais e diminuição do impacto ambiental na cadeia produtiva estava sendo exigida, tanto quanto a qualidade do bem ou serviço oferecido ao mercado consumidor.

Ainda assim, não basta a empresa falar que é socialmente responsável e ambientalmente correta. A garantia não somente da origem, mas também de práticas comerciais socialmente justas, demanda certificação. Esse foi o tema do seminário Inovação e Biodiversidade – a perspectiva da certificação, realizado quarta-feira (3/12), na FGV, em São Paulo.

O debate foi uma parceria entre o Imaflora – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola, Inobi Brasil – consultoria que visa estimular o uso sustentável da biodiversidade brasileira, Imazon – instituição de pesquisa sem fins lucrativos, cuja missão é promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia e Centro de Estudos em Sustantabilidade (GVCes), da Fundação Getúlio Vargas. Além de apresentar um panorama sobre a questão da certificação, biodiversidade e sustentabilidade no Brasil e no mundo, os organizadores convidaram empresas que lidam com essas questões para apresentarem casos concretos ao público presente.

Empresas e fornecedores – alavanca ou âncora da sustentabilidade?

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