Soros e os parlamentares da União Européia

Vazamento inédito: quase um terço dos deputados europeus têm ligações com Soros

Financista bilionário George Soros (foto de arquivo)

Graças ao primeiro-ministro húngaro e ao seu partido, foi tornada pública uma lista de políticos que trabalham para os interesses do financista bilionário George Soros nas instituições europeias. O registro enumera os membros do Parlamento Europeu que promovem projetos do magnata através de emendas na legislação da UE.
George Soros, o presidente americano de origem húngara da Soros Fund Management
© AFP 2017/ ERIC PIERMONT

A ideia de que o bilionário George Soros estaria interferindo ativamente na política mundial e que poderá controlar países inteiros geralmente foi considerada uma das típicas teorias da conspiração.No entanto, a questão veio à tona de novo quando o deputado Hollik Istvan anunciou perante o parlamento húngaro que o financista já controla pelo menos um terço dos deputados do Parlamento Europeu.

Istvan se baseou em um enorme registro de documentos internos de George Soros, revelado pelo portal DCLeaks, que enumera os deputados europeus e determina quem é patrocinado por organizações filiadas na Open Society Foundation, entidade chefiada por Soros. No total, nessa lista aparecem 226 dos 751 deputados do Parlamento Europeu.

George Soros testemunhando no Capitólio em Washington
© AP PHOTO/ KEVIN WOLF

Entre as ideias que se recomenda promover estão a democracia, a igualdade social e a de gênero, a abertura das fronteiras à imigração, a aproximação da Ucrânia à UE e, claro, a luta contra quaisquer de seus laços com a Rússia.Esta “rede” europeia da Open Society Foundation inclui políticos de baixo calibre, mas também outros de grande peso, como o presidente do Parlamento Europeu entre 2012 e 2017, Martin Schulz, o premiê da Bélgica entre 1999 e 2008, Guy Verhofstadt, e o atual líder do grupo socialista europeu, o italiano Gianni Pittella.

“A partir desses arquivos e documentos, podemos descobrir que a rede de George Soros tem uma influência significativa sobre os líderes da União Europeia residentes em Bruxelas”, disse o político aos deputados húngaros.

De acordo com os documentos, nas vésperas das eleições europeias de 2014, o financista doou 6 milhões de dólares (cerca de 20 milhões de reais) a 90 organizações não governamentais para que influenciassem a tomada de decisões conforme a linha da fundação.

O magnata George Soros chega para discursar no Clube Rússia Aberta em Londres, em 20 de junho de 2016 (foto de arquivo)
© REUTERS/ LUKE MACGREGOR

O caso mais recente foi protagonizado pela Comissão das Liberdades Civis, Justiça e Assuntos Internos (LIBE) do Parlamento Europeu, que adotou uma proposta favorável à imigração apesar da oposição do Grupo de Visegrad (Hungria, Polónia, República Tcheca e Eslováquia).A maioria dos membros da LIBE está na lista de Soros, observa o político. Os documentos apontam para a contribuição especial de Sylvie Guillem, dos socialdemocratas franceses, e de Jean Lambert, dos verdes britânicos, sendo ambos ardentes promotores da reforma imigratória na UE que prevê uma maior aceitação dos refugiados.

“O assassino em massa mais procurado no Paquistão, acusado de 70 assassinatos pelas autoridades, foi capturado na fronteira do sul da Hungria. Apesar disso, ele conseguiu receber o status de refugiado na Grécia e chegar à fronteira com a Hungria”, contou Istvan com indignação.

Hollik Istvan é membro do movimento político Fidesz, do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban.

Já faz muito que o dirigente húngaro vem tentando combater os projetos de interferência de Soros em seu país. Desde março de 2017, não cessam os litígios para encerrar a Universidade Central Europeia, fundada graças ao dinheiro de Soros em Budapeste e que formou várias gerações de elites políticas da UE. 

Corruptos: Temer é meio e Meirelles é total

O presidente Michel Temer não é um sujeito totalmente ruim, nem totalmente corrupto, nem totalmente mal intencionado. Como quase todo mundo, está na média.

Onde ele se revela absolutamente deletério é na sua entrega total, pelas mãos de Henrique Meirelles, à banca interna e internacional. Como é ignorante em economia, seguiu a onda dos neoliberais, notadamente dos tucanos, e entregou a economia brasileira a Henrique Meirelles. Acho que Temer se afundaria de qualquer forma. Mas essa entrega precipita sua queda.
Meirelles é um mandanete do capital vadio. Assim como Temer, assim como Antônio Palocci, assim como Joaquim Levy, não é economista. Fez lá algum curso de ciências afins em universidade de direita norte-americana e, certamente valorizado pela perícia na manipulação de dinheiro vadio, saltou para uma gerência de banco, onde, pelas mãos de Palocci e do vigarista Mário Garnero, foi apanhado por Lula – outro que nada entende de economia -, para o mais proeminente posto na economia brasileira, a presidência do Banco Central.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
Ali Meirelles encontrou o mais perfeito ambiente para manipulação financeira em favor da banca privada. Fora preparado por Armínio Fraga, assessor de Soros, o mega-especulador que quase quebrou a Inglaterra. Com o falso propósito de defender as reservas internacionais, Armínio inventou o swap cambial para ajudar a financiar a campanha presidencial tucana em 2001. Esse jogo, conforme explicarei, seria aproveitado pelo não menos vigarista que o sucedeu, agora com propósito exclusivamente privado.
Você sabe o que é swap cambial ou swap cambial reverso? Certamente não. Eu próprio não sabia até ser advertido por jovens do BC revoltados com a tramoia. Espantando com o prejuízo que a operação estava dando ao país, resolvi dar conhecimento dela ao vice-presidente José Alencar. Ele já estava doente, com dificuldade de concentração mental. Não entendeu. Decidi propor aos funcionários do BC que me acompanhassem para denunciar a operação na Polícia Federal e na Procuradoria da República. Eles foram comigo.
Mas vamos à operação. Ela é relativamente simples. É um jogo com um dado de apenas dois lados: um é a taxa de juros, outro a taxa de câmbio. Combinando as duas, você ganha ou perde. Até aí tudo bem. Há swap no mundo inteiro. Acontece que, diferentemente do mundo onde o jogo é entre dois privados – e se um ganha, o outro perde -, aqui o jogo é com o BC, que arbitra direta ou indiretamente a taxa de juros e a taxa de câmbio. Assim, ele escolhe quem ganha e quem perde no jogo de cartas marcadas.
Esse jogo tem dado prejuízo de centenas de bilhões de reais ao Brasil. Não há nada parecido em qualquer despesa pública no mundo real. Eventualmente, com Meirelles no BC, o jogo aparentemente virou. Mas virou com carta marcada, porque a virada atingiu exclusivamente o setor produtivo, e não setor financeiro. Dessa forma quase foram para o vinagre a Sadia, a Aracruz e a Votorantim, grandes grupos produtivos brasileiros atingidos brutalmente pelo swap. Saiu no lucro, do outro lado, a banca e os especuladores.
Normalmente, esses prejuízos seriam absorvidos pelo próprio BC na gestão da política monetária. Entretanto, Meirelles manejou para que fosse assinada uma medida provisória que transferia ao Tesouro – como está transferido até hoje – o prejuízo com o swap cambial. A Fazenda aceitou com a aparente resistência de Nélson Barbosa, mas que nada fez. Quanto a mim, que na época era assessor do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, tive exigida minha cabeça por Meirelles, que acabou sendo segura com a intervenção de Gilberto Carvalho.
Para contornar ainda mais o perfil de “nosso” ministro da Fazenda, convém dizer que as operações de swap continuam à solta. O senador Capiberibe entrou com requerimento no Senado nesta semana para uma investigação sobre o assunto. Espero que tenha sorte. Na minha tentativa, embora pelo menos dois senadores tenham sido procurados por mim, ninguém se atreveu a enfrentar o poderoso Meirelles, mesmo porque não entenderam a operação. Agora, junto com a de Meirelles, acho que também a cabeça de Temer está no jogo perde-ganha do swap.
Diante disso tudo, há alguma coisa a mais a fazer senão propor ao povo ocupar ruas e praças para limpar o Brasil da corrupção institucionalizada e de sua entrega à banca e às petroleiras internacionais?
José Carlos Assis