Eles pararam de reclamar dos governos – e estão usando o celular para melhorar a política

Dois jovens brasileiros estão rodando o mundo e conquistando cada vez mais clientes no país e no exterior com duas empresas que buscaram numa ferramenta simples – o celular – a chave para um desafio complexo: melhorar o trabalho do governo.

Epitrack MGovOnício Neto (à esq.) e Guilherme Lichand criaram empresas que usam o celular na busca do aprimoramento das políticas públicas

O biomédico Onicio Neto cria aplicativos para detectar surtos de doenças antes mesmo das autoridades de saúde.

O economista Guilherme Lichand ajuda a melhorar políticas públicas usando SMS e chamadas automáticas de voz, aquelas em que o usuário responde por uma sequência de teclas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Com poucos anos de mercado, as empresas de ambos já atraíram fundos e parceiros no exterior, foram finalistas em uma disputa internacional de empreendedorismo social, levaram suas propostas a diferentes países e bateram a casa do milhão de reais em faturamento.

E no Brasil eles sonham alto, com objetivos como acabar com a propagação de epidemias em grandes eventos e revolucionar a comunicação entre escolas e famílias.

Crowdsourcing da saúde

A rotina do pernambucano Onicio, de 29 anos, começa por volta das 7h, quando deixa a filha de 5 anos na escola no Recife. Em seguida, ele nada 1.300 metros antes de ir para a Epitrack, a start-up que criou em 2013 ao lado do cientista da computação Jonas Albuquerque, seu ex-orientador de mestrado e primeiro guia pelo mundo da tecnologia em saúde.

Aluno e professor hoje são sócios numa empresa de 13 funcionários e faturamento bruto de R$ 2,5 milhões em 2015. Receita do sucesso? Ser uma ponte eficaz entre a saúde pública e o potencial colaborativo da internet.

EpitrackOnício Neto em São Francisco, nos EUA, uma das cidades onde foi divulgar o trabalho da Epitrack

A Epitrack (Epi, de epidemia + track, rastrear em inglês) cria plataformas de vigilância participativa em saúde. A partir da colaboração do cidadão (e usuário da internet), que informa sobre seus sintomas em aplicativos específicos, a empresa constroi mapas de ocorrência de doenças infecciosas, como sarampo, dengue e gripe.

Quando chega ao escritório, Onício costuma assistir a 20 minutos de algo que inspire a criatividade: comerciais, músicas, webséries. Isso talvez mostre por que é um biomédico (profissional que pesquisa microrganismos que causam doenças) distante do trabalho em laboratórios e indústrias, típico da profissão.

Acabou no mestrado em saúde pública na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) do Recife, onde conheceu um grupo que usava a informática para melhorar processos e a coleta de dados em saúde. Um exemplo era um aplicativo que substituía o bloquinho de papel do agente de saúde, transmitindo em tempo real dados coletados em campo.

“Pessoas começaram a perguntar: quanto custa fazer isso?”, lembra Onício, sobre os sinais de que havia demanda por soluções tecnológicas naquela área.

Mão na massa

O primeiro teste de fogo da Epitrack foi na Copa do Mundo de 2014 – grandes eventos e aglomerações são um prato cheio para o aparecimento de epidemias. Com financiamento da Tephinet, uma rede internacional de capacitação em epidemiologia, a empresa criou o app Saúde na Copa.

Quase 10 mil pessoas baixaram a ferramenta de notificação, em tempo real, de sintomas como febre, dores de cabeça e diarreia. Em dois meses, foram mais de 47 mil registros – e, felizmente, nenhum surto detectado.

“Essas plataformas conseguem identificar uma possibilidade de surto até duas semanas antes das fontes tradicionais. Porque um doente só se torna um caso oficial quando chega ao sistema, procura um posto de saúde – e nem todos fazem isso. Com o aplicativo ele pode reportar esses sintomas e essa lacuna é preenchida”, afirma Onício.

EpitrackInterface de aplicativo da Epitrack: aposta no potencial colaborativo da internet para detecção rápida de surtos de doenças

Como os dados reportados por usuários não passam pelo crivo de médicos, a validação ocorre quando começam a aparecer casos semelhantes no mesmo território e ao mesmo tempo.

O Ministério da Saúde aprovou o trabalho do Saúde na Copa e contratou um monitoramento permanente à Epitrack. O resultado é o app Guardiões da Saúde, que terá versão em seis línguas e espera agregar 100 mil colaboradores durante a Olimpíada do Rio.

Outro cliente importante é a Skoll Global Threats Fund, fundação de Jeffrey Skoll, ex-presidente do e-Bay, que passou à Epitrack a missão de reformular oFluNearYou.org, uma plataforma com 70 mil usuários ativos que monitora desde 2011 a proliferação do vírus influenza nos EUA e no Canadá. “Com o Vale do Silício no quintal, optaram por uma start-up do Recife”, comemora Onício.

FluNearYou
A empresa de Onício Neto gerencia a plataforma FluNearYou.org, que faz mapeamento colaborativo de casos de influenza nos Estados Unidos e no Canadá

O baterista e amante de blues, jazz e soul agora se prepara uma viagem aos Estados Unidos, onde disputará com outros 15 empreendedores uma parte de um prêmio de US$ 1 milhão, dentro de um concurso global patrocinado por uma marca de bebidas.

Somará, assim, mais um destino na lista de países aos quais a Epitrack já o levou: EUA, Inglaterra, Suécia, Itália, Austrália e República Dominicana.

“Velha” tecnologia

A rotina de Guilherme Lichand não é menos puxada. A segunda-feira, por exemplo, começa com uma reunião para definir prioridades da semana. Depois há um encontro geral para acompanhar status dos projetos, alinhar prioridades e ouvir equipe. Na sequência, reuniões específicas para cada produto. À tarde, conversas com clientes, parceiros e público-alvo, pesquisas, leituras.

Guilherme é um prodígio acadêmico que leva a mão à massa. Aos 30 anos, acabou de concluir um doutorado em Economia Política e Governo pela Universidade de Harvard (EUA), uma das melhores do mundo. Cursou a primeira turma da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (SP), fez mestrado na PUC-Rio e trabalhou com redução da pobreza e gestão econômica no escritório do Banco Mundial em Brasília.

No Banco Mundial, Guilherme conheceu ferramentas inovadoras, como o uso do celular para monitorar efeitos de políticas sociais para tribos isoladas na África. Daí veio a ideia para a MGov, empresa que usa soluções mobile – leia-se o telefone celular – para aprimorar políticas públicas.

Com quatro anos de estrada, a empresa soma 19 funcionários, faturamento anual de R$ 1 milhão e um portfólio robusto: avaliou programa de distribuição de leite no Rio Grande do Norte, ajudou produtores afetados pela seca no Ceará, entrevistou professores baianos sobre material didático, deu orientação financeira a beneficiários do Bolsa Família, organizou o orçamento participativo de Boston (EUA) e o engajamento entre pais e escolas públicas de São Paulo, entre outros projetos.

Em meio a um mundo cada vez mais digital, a aposta de Guilherme é simples: usar a tecnologia analógica para coletar informações de interesse social para gestores públicos. A escolha pelo “velho” não é difícil de entender: embora o celular esteja presente em 90% das casas no Brasil, quase 80% das linhas continuam sendo pré-pagas.

Guilherme Lichand
Em 2014, Guilherme Lichand foi indicado pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets) como um dos jovens de menos de 35 anos mais inovadores do Brasil

A empresa concluiu, portanto, que não dava para confiar em planos de dados para manter contato com beneficiários de políticas públicas. As tradicionais mensagens de texto e voz, no entanto, cumpriam bem o serviço.

No programa-piloto, por exemplo, Guilherme e equipe avaliaram a eficácia do Leite Potiguar, programa social que distribui leite diariamente a 150 mil famílias no Rio Grande do Norte. O governo suspeitava que beneficiários estivessem vendendo o leite para complementar a renda, e o desafio era alcançar um público-alvo humilde, em áreas remotas e com sinal de telefonia precário.

Responder a pesquisa não é algo que agrada a todos, mas na plataforma da MGov o participante não pagava pela mensagem enviada e ainda recebia créditos de celular pela participação. Respondia, por exemplo, se o leite estava chegando na hora e com qualidade – e também recebia informações úteis, como alerta de atrasos na distribuição.

Em três semanas foi possível comprovar a baixa eficácia da iniciativa (60% dos beneficiários já tinham acesso a leite por meios próprios), o que ajudou o governo do Estado a planejar a descentralização do programa no ano seguinte.

“Em um país como o Brasil ainda é preciso ser analógico (para fazer políticas públicas). A ideia é que o público possa participar pelos canais mais naturais para ele”, diz ele, que em 2015 representou o Brasil no mesmo concurso mundial de empreendedorismo que Onício participa neste ano.

Novos desafios e crise

Guilherme acaba de ser indicado para ser professor de economia na Universidade de Zurique, na Suíça, em uma cátedra patrocinada pela Unicef, o braço da ONU para infância e juventude. Conciliará a docência com as novas empreitadas da MGov, que inclui uma plataforma de comunicação entre pais e escolas que está sendo usada por alunos de 360 instituições públicas no Estado de São Paulo – e pretende atingir 100 mil estudantes em breve.

Pela plataforma, batizada EduqMais, a escola pode enviar SMS aos pais sobre prazos, eventos, atividades e desempenho dos alunos. A instituição registra as informações na plataforma e um sistema automatizado faz os envios. A plataforma também manda dicas aos pais com sugestões de atividades simples para estreitar a relação com o filho e apoiar seu desenvolvimento.

Eduqmais
A plataforma EduqMais é uma via de comunicação via SMS entre pais e escolas, e pretende atingir 100 mil alunos em breve

No primeiro piloto, os resultados foram promissores: a participação dos pais em atividades aumentou e o desempenho dos alunos melhorou, bem como a porcentagem de estudantes que diziam querer concluir o ensino médio e entrar na faculdade. Entre os país, 83% afirmaram que gostariam de continuar recebendo as mensagens.

Exemplos de brasileiros que preferem agir a reclamar do governo, Guilherme e Onício falam sobre a crise atual com certo pesar, movidos, talvez, pela constatação de que o país possa estar perdendo tempo em face dos inúmeros desafios pela frente.

“(Com o impeachment) estávamos muito avaliando resultados (do governo): a economia está ruim, a qualidade dos serviços também. Mas esse é o tipo de coisa que se resolve em eleições. Acho que houve pouco cuidado em preservar a qualidade institucional, uma certa frustração com a democracia por ter que esperar as eleições e o gestor público ter dificuldades para responder rapidamente às demandas dos cidadãos”, afirma Guilherme, cujo trabalho vem sendo exatamente “turbinar” a performance do poder público por meio da tecnologia.

“Acho que não podemos assumir isso como o fim de tudo. Toda vez que vejo uma situação como essa me dá mais força para fazer algo relevante para ajudar as pessoas. E algo que não necessariamente dependa do governo”, conclui Onício.
Thiago Guimarães/BBC

Celulares e biometria acabarão com o dinheiro físico?

Celular e biometria devem substituir cédulas e moedas, dizem especialistas. Um quarto da população do Quênia já usa celular como ‘minibanco’. Uso da impressão digital incluiria analfabetos no sistema financeiro.

Biometria e Celular substituirão o dinheiro 01

Homem envia dinheiro usando o serviço M-Pesa, em Nairóbi, no Quênia.
(Foto: Tony Karumba/AFP)

O brasileiro compra cada vez mais com cartão de crédito ou débito, faz transações bancárias e compras na internet e anda com menos dinheiro no bolso. Especialistas dizem acreditar que, com a evolução da tecnologia e a expansão dos pagamentos para o celular e até a biometria, o “dinheiro vivo”, em papel ou moeda, pode estar com os dias contados.

A população já se acostumou a andar com pouco dinheiro na carteira, segundo o Banco Central. Em 2007, 61% dos brasileiros diziam andar com até R$ 20 no bolso em notas, número idêntico ao verificado em 2005, quando o BC fez a mesma pesquisa.

O uso de cartões de débito e crédito, porém, disparou no país. De 2003 a 2014, a quantidade de transações com cartões de débito cresceu 217%, enquanto as com cartão de crédito subiram 129%, mostram dados do BC. Já as transações bancárias pela internet subiram 42% entre 2006 e 2014, enquanto as transações nos caixas eletrônicos subiram 11%. Nas agências, o movimento subiu 3%.

Biometria e celular

[ad name=”Retangulo – Anuncios – Esquerda”]Especialistas dizem que tecnologias como o celular e a biometria podem fazer com que seja possível fazer pagamentos eletrônicos em todos os lugares, tornando o dinheiro vivo cada vez menos importante. E isso pode ocorrer mesmo em países pobres, que podem “pular” a fase dos cartões de crédito, por exemplo.

Dave Birch, diretor da consultoria britânica Hyperion, prevê a expansão do uso do celular para pagamentos. “Para não precisarmos mais de dinheiro ou cartões, precisamos que os pagamentos eletrônicos estejam disponíveis em todo lugar, e não só nas lojas”, diz.

A Hyperion é especializada em estudar meios eletrônicos de pagamento e organiza anualmente o Digital Money Forum (Fórum do Dinheiro Digital), no Reino Unido. “Os celulares significam que ninguém precisa de dinheiro vivo. Os telefones vão se tornar um terminal pessoal de pagamentos, com o qual todos podem pagar e receber pagamentos de todos”, diz Birch.

Biometria e Celular substituirão o dinheiro 02

Homem fala ao celular em loja do serviço M-Pesa em Nairóbi, no Quênia
Foto: Tony Karumba/AFP

Sucesso no Quênia

Para demonstrar que a ideia pode dar certo, o especialista cita o caso do Quênia, nação africana onde existe o sistema M-Pesa. Quem tem celular da operadora Safaricom pode abrir uma “conta” M-Pesa, fazendo depósitos em dinheiro em um dos 12 mil agentes autorizados do sistema, como lojas da operadora, postos de combustível e supermercados.

Depois, o dinheiro pode ser sacado nesses mesmos locais, transferido a outros usuários de celular ou usado para pagar contas e comprar produtos. Não é preciso ter conta no banco nem ter o crédito aprovado; para se cadastrar é só apresentar um documento de identidade. Todas as transações são feitas no menu do aparelho celular ou por SMS.

Segundo a Safaricom, o M-Pesa tem 7,5 milhões de usuários (em um país de cerca de 31 milhões de pessoas) e já foram transferidos 230 bilhões de shillings quenianos (R$ 5,3 bilhões) pelo sistema desde seu lançamento, em 2007.

Recentemente, o serviço se expandiu para permitir envio de dinheiro de imigrantes quenianos do Reino Unido para parentes que ficaram na África. Com o sucesso, o M-Pesa “migrou” para a vizinha Tanzânia em 2008, onde já contabiliza 1 milhão de usuários.

Experiência no Brasil

No Brasil, o pagamento por celular também já existe: várias operadoras já têm programas para pagamento de compras usando o próprio aparelho, que só precisa ser aproximado de um terminal para completar a transação.

O aparelho pode ser associado a um cartão de crédito, débito ou cartão pré-pago. “Apostamos que haverá uma nova geração que vai preferir fazer compras por meio do celular, assim como há uma geração que prefere comprar pela internet”, diz Percival Jatobá, diretor-executivo de produtos da Visa.

Outro exemplo do uso do celular como meio de pagamento é o serviço Paggo, da operadora Oi. Trata-se de um sistema que permite compras em lojas físicas e pela internet com confirmação por SMS.

Inclusão

Martinho Isnard Ribeiro de Almeida, professor da FEA-USP (Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade da Universidade de São Paulo), acha que a solução para expandir os pagamentos eletrônicos é criar contas bancárias mais simples.

“Os maiores custos para os bancos são a manipulação do dinheiro e o crédito. Portanto, para reduzir o custo, os bancos poderiam oferecer contas com um cartão com chip só com função de débito, sem saque ou crédito”, diz ele.

E para incluir até mesmo os analfabetos, a verificação, hoje feita normalmente por senha, poderia usar a biometria, como a leitura da palma da mão, por exemplo, diz o professor da FEA-USP.

Birch diz que a inclusão dos mais pobres é muito importante, já que o dinheiro vivo “discrimina contra os pobres”, segundo ele. “Os ricos podem pesquisar na internet para comprar coisas mais baratas e pagar suas contas eletronicamente. Já os pobres têm que pegar um ônibus para ir pagar suas contas”, diz o especialista.

Mesmo para valores pequenos, os especialistas dizem que é vantajoso economicamente eliminar as cédulas e moedas. No Brasil, o Banco Central já gastou R$ 762 milhões em 2009 para produzir cédulas e moedas. No início de novembro, havia R$ 112,12 bilhões em circulação em cédulas e moedas no país.
Paulo Leite/G1

Eleições 2014: Lei quer controlar campanha na internet

Marco Civil,Tecnologia da Informação,Censura,Internet,Blog do MesquitaOs analfabetos mentais que infestam a política brasileira cometeram mais uma asneira coletiva.

Aprovaram projeto de lei com “normas” que pretendem regular a campanha eleitoral na web. Esses nefelibatas já ouviram falar em Twitter, FaceBook,Google+,SMS, YouTube, Instagran, WhatsApp e “otras cositas mas” sobre as quais não há como ter controle? Ainda nessa semana havia um Twitter de Senador – para evitar complicações jurídicas não cito o nome – que somente na terça feira é que foi identificado como falso. Mesmo retirado do ar o Twitter falso já foi lido e gravado por um número incalculável de internautas, que por sua vez podem repassá-lo para outros inúmeros usuários do Twitter.

No âmbito desta lei, imaginemos a seguinte situação:
Um candidato A é adversário do candidato B, então, pede a um conhecido, por exemplo, na Tailândia – país que não possui acordos judiciais com o Brasil nessa área – que crie um blog tendo com autor o candidato B, “descendo a lenha” no próprio candidato A. O candidato A vai ao judiciário e denuncia o candidato B. Aí eu pergunto: o candidato B será declarado culpado pela existência do blog? Como que fica isso?
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A tentativa de controlar a Internet, foge do poder até das mais ferrenhas ditaduras e regimes autoritários. Querem exemplo melhor que o recentemente acontecido no Irã? O governo dos Aiatolás proibiu qualquer divulgação, pela Internet, das manifestações de protestos pela possivelmente fraudada eleições presidenciais no Irã. O que adiantou? Nada! A Turquia já agora proibiu o Twitter e em menos de uma semana desistiu. O mundo inteiro recebeu notícias e imagens via telefones celulares, e das formas mais cruas possíveis. Se, por exemplo, o governo brasileiro bloqueasse totalmente a internet no Brasil, quem possuísse telefonia via satélite continuaria alimentando sites e blogs. Ou bastava se dirigir a uma cidade da fronteira e captar uma rede aberta num país vizinho.

A internet é a única invenção na história que não possui botão de desligar. Quem é o dona da Internet? Ninguém! A rede foi criada exatamente para ser impossível de ser eliminada. Leia aqui sobre a história da internet.

Para informação dos desavisados digitais informo, que assim como existem paraísos ficais nos quais é possível abrir uma conta bancária sem necessidade de identificação, assim também existem lugares onde é possível se obter um IP sem necessidade de identificação do usuário. Como rastrear tal IP para identificar a localização do PC que tenha colocado um site apócrifo na Internet? E e-mails criados em centenas de “proxis” anônimos em centenas de países?

Outra informação trata de como os mecanismos de buscas trabalham. Google, Youtube, etc., utilizam-se de programas que possuem o que se costuma chamar de “tolerância fonética”. Tal recurso permite que a grafia do termo usado em uma busca seja aceita mesmo contendo erros. Experimentem fazer uma busca no Google digitando, por exemplo, ciscarelli. O buscador, corrigindo a grafia certa para Cicarelli, retorna com links para sites sobre a modelo.

Assim não importa se a palavra digitada está em maiúsculas, minúsculas, se tem erros de acentuação, repetição de letras etc. O máximo que uma autoridade pode fazer é exigir que o buscador impeça que seja apresentada qualquer informação que tenha relação com a palavra digitada. Vocês já imaginaram de quantas maneiras uma palavra pode ser digitada?

Só rindo.

As “otoridades” de todas as instâncias e matizes, ainda não aprenderam que a internet não tem controle. Como fazer com que um site hospedado em um provedor de um país, que não tenha nenhum acordo com o Brasil, seja obrigado a retirar do ar uma propaganda, positiva ou negativa, de um candidato a cargo político? O site pode inclusive existir à revelia do candidato, que nesse caso, penso, não pode ser responsabilizado pelo ato ilícito.

Se alguém difama ou divulga algo que está proibido, em jornal, rádio ou televisão, é fácil ir até a sede do órgão e identificar o responsável. Como identificar um blog que está hospedado no Japão, que remete pra outro hospedado na Tailândia, que remete a outro hospedado na Nova Zelândia… como chegar ao responsável? Na mídia comum, todos sabemos os endereços das sedes dos jornais, rádios e televisões. Qualquer coisa é só ir ao endereço e pronto. Como saber em que lugar está um computador cujo IP é mascarado em outros infinitos IPs?

Transcrevo:

“A peculiaridade da Sociedade da Informação é o fato de que as pessoas e as organizações dispõem de meios próprios para armazenar conhecimento e também possuem uma capacidade quase sem limites para acessar a informação gerada pelos outros membros do sistema e ainda potencial de ser um disseminador de informação para os demais. Essa capacidade já existia, porém com acesso limitado, seletivo e precário, já na Sociedade da Informação o que a diferencia é a possibilidade de obter informação e conhecimento de forma ampla e ilimitada. É justamente essa mudança que possibilita facilidades no acesso à informação que é o principal fator que provoca uma série de transformações sociais de grande alcance. O avanço tecnológico ao disponibilizar novas ferramentas de acesso e armazenamento de informação provoca alterações nas formas de atuar nos processos. E quando várias formas de atuar sofrem modificações, resultam em mudanças inclusive na maneira de ser. As novidades tecnológicas transformam os valores, as atitudes e o comportamento e, por conseqüência, a cultura e a própria sociedade.”[1]

E mais:

A resistência ao novo é uma reação normal do ser humano e das corporações, é uma forma inclusive de proteção natural contra o desconhecido, contudo, essas barreiras com o tempo tendem a ser quebradas, e como afirma Kaminski (2006): “Forçosa e paulatinamente teremos que nos acostumar com a tecnologia em nossas vidas profissionais e pessoais. É um caminho sem volta”.[2]

[1]DANTAS, Marcos. A lógica do capital informação: monopólio e monopolização dos fragmentos num mundo de comunicações globais. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.
[2]KAMINSKI, Omar et al. (Org.). Internet Legal: O Direito na Tecnologia da Informação. Curitiba: Juruá Editora, 2003. 292 p.

Eleições 2012: propaganda eleitoral gera bloqueios nas redes sociais

Por excesso de propaganda eleitoral, usuários bloqueiam amigos na web
Anúncio de candidato ‘polui’ timeline do Facebook, reclama internauta.
Rede social divulga cartilha com ‘melhores práticas’ para candidatos.

Paulo Suzuki, professor de pilates, diz já ter apagado dois contatos do Facebook por causa de propaganda eleitoral (Foto: Flavio Moraes/G1)

Facebook vem se tornando campo fértil para a propaganda eleitoral, mas os usuários que insistem em fazer campanha para um candidato acabam sendo bloqueados ou até mesmo excluídos pelos amigos. É o que dizem internautas e especialistas ouvidos pelo G1.

“Eu já eliminei dois contatos, porque a propaganda fica poluindo a minha timeline do Facebook. Os candidatos divulgados não são nem da minha cidade”, conta Paulo Suzuki, de 30 anos, que trabalha como professor de pilates e vota em Santos, no litoral de São Paulo.

Suzuki lembra que começou a ver as propagandas “poluindo” seu Facebook há cerca de dois meses. “Tudo me irrita nesse tipo de propaganda, principalmente a quantidade, com pessoas colocando as mesmas fotos e frases várias vezes seguidas”, explica.

Já a administradora Silvana Puccinelli Tomé, de 27 anos, bloqueou dois amigos que estavam fazendo propaganda política no Facebook – ela decidiu não eliminar os contatos, apenas fez com que as atualizações deles não apareçam mais em sua timeline. “Eles ficavam postando para eu votar nos candidatos”, lembra. “Eu até aceito quando o pessoal comenta política, faz críticas e tudo mais, mas ficar fazendo propaganda é ruim.”[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Os dois veem outros tipos de uso para o Facebook. “O Facebook para mim é relacionamento, eu uso para manter contato com outras pessoas”, diz Suzuki. “Para mim, o Facebook é para lazer, descontração, encontrar amigos ou outras coisas úteis”, completa Silvana.

Aos que querem divulgar seus candidatos em plataformas sociais, Silvana aconselha a divulgar ideias e propostas, sem copiar e colar o que é propalado pelos candidatos.

Suzuki é mais radical: “Não divulgue, porque você está incomodando outras pessoas”. O professor de pilates conta que não baseia seu voto em propagandas, e sim no histórico e nos projetos dos candidatos.

A pesquisadora Mel Oliveira, que trabalha com publicidade, conta que não vê problemas em pessoas divulgarem nas redes sociais o que quiserem sobre seus candidatos, desde que não sejam ligadas a partidos. “O militante, como pessoa física, vai defender o que é dele. Uma das vantagens das redes sociais é que você pode ter voz”, conta. “Eu sou a favor da militância.”

Mas quem é ligado aos candidatos ou partidos precisa tomar cuidados e evitar alguns “erros”, defende Oliveira. Segundo ela, um dos problemas dos políticos brasileiros é querer pedir voto na internet.

“É importante que, nas redes sociais, eles sejam neutros. Eles precisam apresentar seus projetos, mas não de forma invasiva ou muito incisiva”, explica a pesquisadora.

Procurado pelo G1, o Facebook diz ter divulgado uma cartilha para que os políticos façam o melhor uso de sua plataforma (leia aqui, em inglês).
Mel Oliveira, publicitária que pesquisa o uso das redes sociais em
eleições no Brasil (Foto: Divulgação) 

Oliveira também vê problemas nos candidatos que querem entrar no Twitter e, imediatamente, estarem engajados com o público. “Não é assim que acontece, é preciso tempo. É preciso trabalhar isso pelo menos desde um ano antes das eleições”, conta.

A publicitária diz ainda que o envio de SMS para os eleitores pode ser mal visto. “Muitos dos candidatos não fazem o trabalho de perguntar se a pessoa aceita receber as mensagens”, conta. “Eles também chegam a usar o telefone, para enviar uma mensagem gravada de áudio e isso invade a privacidade do eleitorado.”

Conselhos dos EUA
A publicitária conta que a eleição de Barack Obama, nos Estados Unidos, em 2008, foi um marco sobre o uso das mídias sociais em eleições. “Isso mostrou para as pessoas que as redes podiam ser usadas”, conta. “De lá pra cá, o mercado político começou a acordar sobre o uso das redes sociais para as eleições.”

Zachary Green, que trabalha como CEO na 140Elect, construiu seu negócio em cima da tendência do uso de mídias sociais nas eleições. Baseado nos Estados Unidos, ele conta que sua empresa rastreia as eleições usando o Twitter.

É recomendado que os candidatos respondam aos comentários do público”
Zachary Green, CEO da 140 Elect, que monitora as eleições dos EUA no Twitter

Segundo ele, é preciso que os candidatos entendam os níveis em que é possível usar o microblog.

“Se você quer usar o Twitter da melhor maneira, recomendo explorar essa comunicação em várias direções. É recomendado que os candidatos respondam aos comentários do público e coloquem sua mensagem no Twitter”, conta. Ele explica que a criação de um canal de comunicação humaniza o candidato, deixando ele com menos “cara de produto”.

Green explica que, nos Estados Unidos, o Twitter já é muito usado para as “conversas nacionais”.

Já o pesquisador Daniel Gayo, que estudou o impacto do Twitter nas eleições americanas de 2008, afirma que não há muito o que os “americanos possam ensinar aos brasileiros” quando o assunto é política e redes sociais.

“Não houve um debate efetivo político com os cidadãos nas mídias sociais em 2008”, afirma. “Foi mais uma guerra de slogans e os usuários tendem a seguir outros usuários que compartilham da mesma ideologia”, conta, completando que “nesse ponto, as redes sociais não são tão diferentes de comícios políticos”.

Gayo conta que gostaria de ver uma nova abordagem na governança digital e uma tentativa séria de explorar as preocupações da opinião pública a partir das redes sociais. “Também é preciso levar em conta que os usuários de redes sociais não são toda a população”, diz.

Facebook recomenda que os candidatos criem conteúdos que possam ser compartilhados (Foto: Reprodução)

Regras do TSE
A propaganda eleitoral na internet está permitida desde o dia 5 de julho, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Nas condições propostas pela lei, ela também pode ser feita por meio de blogs, redes sociais e sites de mensagens instantâneas, sendo ela feita pelo candidato, por partidos ou por qualquer outra pessoa.

Apesar disso, a publicação de mensagens ofensivas pode gerar polêmicas, como a decisão de um juiz em Santa Catarina que, em agosto, determinou o bloqueio do Facebook por 24 horas. A ação foi gerada porque a rede social não cumpriu a decisão de suspensão de uma página, acusada de ofender um candidato – a rede social recorreu e o bloqueio foi suspenso.

Continua sendo reconhecida a livre manifestação de pensamento na internet, mas não se admite o anonimato”
Carlos Henrique Braga, secretário-geral do TSE

Segundo Carlos Henrique Braga, juiz e secretário-geral do TSE, se a mensagem publicada pelo usuário nas redes sociais for ofensiva, ele poderá responder por acusações de injúria, difamação e calúnia. “Continua sendo reconhecida a livre manifestação de pensamento na internet, mas não se admite o anonimato”, afirma o juiz.

Sobre mensagens de e-mail ou celular enviadas aos eleitores, o secretário-geral do TSE diz que elas são permitidas, desde que tragam mecanismos que permitam o descredenciamento do destinatário. “Após o eleitor pedir que seu número de celular ou e-mail seja removido da lista, o candidato tem um prazo de 48 horas para tirar”, explica. “Se forem enviadas mensagens após o período de 48 horas, existe uma multa de R$ 100 por mensagem.”

Braga afirma que qualquer cidadão pode denunciar práticas irregulares durante as eleições. Para fazer isso, é possível procurar o juiz eleitoral da cidade, os partidos políticos ou até mesmo a polícia local. Feita a denúncia, a investigação e a retirada da propaganda irregular ficam a cargo da Justiça Eleitoral.

A retirada de propaganda eleitoral também se aplica à internet, segundo o relato do ministro Henrique Neves, do TSE. “Se for comprovada a irregularidade eleitoral, a Justiça Eleitoral pode, por meio de decisão fundamentada, determinar a suspensão de conteúdo veiculado na internet”, diz o texto, disponibilizado no site do órgão.
Amanda Demetrio/G1

Redes Sociais: Constrangimento e Morte

O uso inadequado de ferramentas digitais está virando uma arma perigosa. Literalmente.

Em alguns casos mais graves que outros. Tem matado.

Menos complicado quando é de vergonha. Mas em muitos casos é tirando mesmo a vida das pessoas.

Pesquisadores da Universidade de Utah (EUA) dizem que uso do celular enquanto se dirige é quase tão perigoso quanto uma pessoa alcoolizada no volante.

Eles mostraram que aliar celular e direção quadruplica o risco de acidente.

A isso se soma uma enxurrada de outros tipos de constrangimentos: mensagens postadas no ardor de uma insatisfação profissional ou pessoal; desabafos tornados públicos depois de uma briga; opiniões compartilhadas com o teor de doses etílicas, vazamento de dados estratégicos.

O fato é que o tema merece um debate maior. Por vergonha, profissionalismo ou por amor à vida, é bom começar a prestar mais atenção nesses desdobramentos.

Esta semana a imprensa mostrou um filme em que adolescentes se dividem entre dirigir o carro e enviar torpedos no celular.

A sequência pavorosa que se segue ao descontrole do carro “dirigido” pela dona do celular está se tornando comum em várias estradas: carros batendo, capotando, gente quebrada, sangrando e morrendo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O Programa “Mais Você” mostrou esse vídeo chocante e abordou o tema esta semana: http://glo.bo/itCixe

O alerta é vermelho. Não se trata mais só de usar a parte de voz do celular ao volante – vício mais antigo, perigoso e passível de multa – e sim de se tentar acessar conteúdos mais complexos, enviar SMS e postar nas redes sociais, preterindo a estrada.

Outro exemplo recente é o patético uso que os jogadores de futebol começaram a fazer do Twitter.

Historicamente mal preparados para a comunicação, na rede eles repetem o comportamento: postam desde insatisfação com o banco de reservas até rixas clubísticas que tem incendiado chefes de torcidas nas arquibancadas.

E fica o pior: ajudam a aumentar o patamar da beligerância que voltou a tomar conta do clima dos jogos de futebol, com brigas violentas que são marcadas antecipadamente pelas torcidas, em comunidades nas redes sociais. Tem sido recorrente.

Há também situações vexatórias que algumas instituições – e empresas – têm vivido com “acidentes” na publicação de comentários pessoais em perfis corporativos.

Casos constrangedores recentes envolveram os senadores José Sarney e Aécio Neves. E, aí, danou-se. A rede não “conjuga” o verbo “apagar”. Vira manchete na rede e no offline.

No âmbito privado a confusão não tem sido menor. As demissões se multiplicam por justa causa. Nos EUA chegam a 7% do total. Motivo? Vazamento de dados estratégicos.

Seria diminutivo creditar esses problemas à ampliação do uso das redes sociais e do celular no país. A questão está mais no patamar da educação: em casa, institucional e corporativa.

São pais permissivos com seus filhos conectados e sem limites; profissionais mal orientados pelos clubes e empresas; cidadãos que não são punidos com o necessário rigor porque usam seus lindos smartphones enquanto dirigem.

São, enfim, profissionais sem preparo que são responsáveis por publicar conteúdos em redes que representam posicionamentos oficiais de empresas e instituições sérias. E que precisam zelar por sua reputação também no ambiente digital.

As redes sociais e os celulares se transformaram em grandes conquistas recentes que a tecnologia trouxe para melhorar nossa vida.

Transformá-los em arma de morte e constrangimento é uma estupidez e uma distorção que precisa ser debatida e tratada. Afinal, a inclusão digital é um caminho irreversível.

Blog do Noblat/Risoletta Miranda é jornalista e diretora executiva da FSB PR Digital
Website: http://www.fsb.com.br

Mensagens de texto: o fim do telefone para falar?

Avanço das mensagens de texto gera verdadeira fobia ao telefone

No ano de 1876, quando Graham Bell patenteou o telefone, teve início um hábito que cresceu exponencialmente entre os terráqueos.

Durante muitos anos, falar ao telefone se tornou uma mania mundial, além de ser a forma mais prática, útil e rápida de se comunicar. Mas, com a popularização das mensagens de texto via celular (SMS), e-mails convencionais, Direct Messages no Twitter, correio eletrônico pelo Facebook, mensagens instantâneas (via Gtalk, MSN, AIM, ICQ e outros), o comportamento está mudando, o que pode levar à morte das conversas telefônicas, sejam elas por aparelhos fixos ou móveis.

De acordo com a consultoria Nielsen Media, mesmo no universo dos celulares, os gastos dos usuários com chamadas por voz têm despencado, ao passo que o dispêndio com mensagens de texto vem subindo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, espera-se que o valor dessas formas de contato não vocais ultrapasse o das ligações de voz nos próximos três anos.

Este comportamento não surpreende, se considerarmos apenas a faixa etária das crianças e, sobretudo, a dos adolescentes. No entanto, segundo artigo de Pamela Paul no “New York Times” (vide <nyti.ms/telefone_morreu>), nos últimos cinco anos, uma amostragem considerável de adultos aparentemente desistiu de falar ao telefone. Muitos chegam a odiar.

‘Tenho problemas até para pedir pizza’

Vários são os casos de pessoas que adoravam telefonar, mas que mudaram para o oposto, chegando até a reações extremas. Fabiana Carvalho, de 30 anos, contadora, residente em Varginha (MG), é um exemplo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Hoje tenho problemas até para pedir pizza. Faço a ligação e passo o telefone para quem estiver por perto para falar por mim – Fabiana Carvalho

– Quando mais jovem, eu exagerava no telefone. Meus pais tinham que me controlar. Mas depois da internet, por algum motivo, peguei quase um pavor de telefone fixo – conta. – Hoje tenho problemas até para pedir pizza. Faço a ligação e passo o telefone para quem estiver por perto para falar por mim. E fico ditando meu pedido. Minha família me diz que estou com “telefonofobia”. Até concordo. Já me escondi ao ouvir o toque do fixo, deixando que outra pessoa atendesse o chamado e me procurasse pela casa. E quando ouvi o “ela não está”, senti o maior prazer e fiquei aliviada.

Outros, que também já falaram muito ao telefone, hoje não mais o fazem.

– Não converso mais por telefone. Apenas rapidamente para marcar algum encontro presencial com minha equipe de trabalho, a maioria pelo Skype, mesmo que meu interlocutor esteja no mesmo bairro que eu – diz Antônio Kleber Araujo, 59 anos, gestor de conhecimento que vive entre o Rio e seu “tecnoparaíso rural” em Glicério, na serra de Friburgo. – E quando sou obrigado a falar ao celular, utilizo sempre um fone de ouvido.

AKA, como é conhecido, não hesita quando recebe chamadas de voz provenientes de números ocultos, aqueles de empresas ou aparelhos que não identificam a chamada:

– Atendo e identifico. Se não interessar, desligo no ato. A recíproca de tratamento é sempre verdadeira.

Fernanda Costalonga, 37 anos, jornalista carioca, também se sente incomodada, com sua privacidade invadida, por telefonemas em celular.

– Nessa coisa de celular, o que mais me incomoda é que virou obrigação estar 24 horas por dia conectada ao mundo. Outro dia, alguém ligou para meu celular insistentemente por cerca de duas horas. Não me encontrou e me mandou um e-mail. Como não obteve resposta imediata, não hesitou em enviar uma segunda mensagem me acusando de estar me recusando a atendê-la, entre outros impropérios. Duas horas! E eu estava no meu trabalho, onde nem sempre o celular tem sinal e, portanto, não posso checar caixa de e-mail ou voz. Essa necessidade imediata de contato me irrita. Tenho saudades do mundo em que a gente mandava carta e deixava recado com o vizinho para as pessoas que não tinham telefone fixo em casa.

Quanto à velha regra de etiqueta de jamais ligar para alguém depois das 22h, os avessos a telefonemas têm verdadeiros chiliques quando recebem chamados tarde da noite.

– Fico louca da vida. Altas horas, eu deitada vendo meu filme na TV e o telefone toca? Não atendo e ainda xingo a mãe do infeliz que perdeu a noção. Bem, a não ser que seja uma ligação que eu esteja esperando – desabafa Gisele Petry, 39 anos, assessora de condomínios, de Porto Alegre.

Notícias dos amigos pelas rede sociais

Gustavo Guimarães, gerente de operações morando no Rio, é daqueles que acham ligação via voz bastante inconveniente.

– A gente tem que parar para atender quando a pessoa do outro lado acha mais adequado – justifica-se. – Minha conta de telefone indica que eu uso muito mais SMS do que voz. Afinal, mensagem de texto, a gente recebe na hora, lê na hora, mas responde quando dá. Se é urgente eu respondo de imediato.

Alguns antitelefônicos estendem sua aversão aos encontros pessoais, mas os motivos de Gustavo para a raridade dessas ocasiões é outro:

A verdade é que as redes sociais já trazem para o nosso conhecimento bastante da vida dos amigos – Gustavo Guimarães

– Encontro pouco sim, mas não exatamente por aversão. A verdade é que as redes sociais já trazem para o nosso conhecimento bastante da vida dos amigos.

Gustavo cita um encontro cara-a-cara com um amigo num barzinho para ele contar uma viagem que fez:

– Quando ele começa o relato, eu digo que já vi as fotos. Ele vai contar alguma coisa do filho, e eu completo a história. Comenta que não está mais com aquela namorada, e eu digo que já vi até o perfil da nova com quem ele está saindo. Ou seja, se não fosse o chope e as batatinhas, a gente nem estaria ali.

Unanimidade no quesito ódio telefônico são as ligações de telemarketing. Não há quem as aguente. Uns as ignoram, desligando na cara. Outros, porém, elaboram um pouco mais na retaliação. É o caso do fotógrafo Jorge Vismara, nascido em Buenos Aires, naturalizado baiano e morando em Los Angeles:

– Tenho à mão uns áudios digitais em MP3 com gemidos eróticos e sensuais. Quando recebo uma chamada de telemarketing, ponho o telefone no viva-voz e deixo a criatura se deliciando com a trilha sonora.

Mensagens escritas são instrumentos de mal-entendidos’

Segundo a psicóloga Júnia de Vilhena, professora do Departamento de Psicologia da PUC-Rio e psicanalista do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro, o enfraquecimento do hábito de falar ao telefone está acontecendo porque as pessoas estão ficando afetivamente cada vez mais distantes umas das outras, muito embora, com as novas tecnologias, elas pareçam até estar mais próximas do que nunca.

– Pelo telefone, a conversa demanda uma certa profundidade. Você sempre vai mais além quando está conversando. Só que, atualmente, nem todo mundo quer esse aprofundamento.

Júnia vê nessa tendência algo típico da contemporaneidade, em que tudo é rápido e não tão profundo. Diz ela que estamos no meio de uma enorme quantidade de informações, mas muitas vezes não paramos para discutir sobre elas, nem por telefone, nem pessoalmente, o que seria muito melhor.

– Além disso, as mensagens escritas enviadas via rede ou celular são um dos maiores instrumentos de mal-entendidos que existem. Como e-mail e SMS não têm o tom de voz, e qualquer comunicação depende do emissor e do receptor, as pessoas estão tendo menos contato com suas próprias emoções – complementa Júnia. – Todo mundo se expõe, publica detalhes de sua vida em blogs e no Facebook, e a invasão consentida do privado é incrível. Mas, ao mesmo tempo, existe muito pouca possibilidade de a pessoa ser escutada e de trocar esses afetos.

Muitos estudiosos desse abandono das conversas faladas por telefone atribuem a tendência ao fato de a sociedade conectada estar mais sujeita à superficialidade. Mas a psicóloga discorda em parte:

– Não podemos esquecer que esse conceito de superficialidade é um juízo de valor. Para a garotada atual plugada, por exemplo, ele não faz nenhum sentido. Para eles, esse pouco aprofundamento é natural. É essa coisa mais fugaz, mais volátil. Nós, mais velhos, que fomos socializados de uma outra forma, conseguimos perceber o contraste. Mas crianças e adolescentes não.

Carlos Alberto Teixeira/O Globo

Mídias Sociais e política

Midias sociais teriam impacto na vida política

Estudo nos Estados Unidos diz que a internet fomenta engajamento em grupos diversos.

A imagem do internauta costumava ser a de uma pessoa que se escondia atras do computador, com um perfil individualista. Hoje, com as redes sociais e o Twitter, esse conceito caiu por terra. Pesquisa recente do Pew Research Center nos Estados Unidos com

2.303 pessoas a partir de 18 anos revelou que 80% dos usuários da grande rede participam de grupos e organizações voluntarias de caráter social, politico ou religioso. Entre os que tem Facebook (ou outra rede social) e Twitter, esse numero sobe para 82% e 85%, respectivamente.

Cinquenta e três por cento dos internautas membros de um grupo acreditam que as mídias sociais os ajudaram a influenciar na politica, levando um candidato a ser eleito, e 46% acham que as interações on-line levam a maior conscientização sobre um assunto.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Outros 38% dizem que a internet pode trazer mudanças a sociedade, e 33% acreditam que a atuação dos grupos na rede torna mais fácil levantar dinheiro para uma causa.

De todos os ouvidos, 75% dos internautas afirmaram que a rede tem um grande impacto na comunicação entre os membros de um grupo, e 68% disseram que as mídias sociais ajudam os grupos a chamar a atenção para um assunto. A conexão com outros grupos

também se torna mais dinâmica, bem como a organização de atividades, segundo 67% e 65% dos usuários ouvidos, respectivamente. Ja 64% acreditam que esse fenômeno tem alto impacto social.

Mais da metade (55%) dos internautas entrevistados diz que as mídias sociais permitem recrutar novos membros para os grupos com maior rapidez, enquanto 35% opinam que os grupos com recursos on-line tem menos problemas em encontrar pessoas para assumir funções de liderança.

Uso de Facebook e Twitter promove interação maior

As mídias sociais também permitem acesso em tempo real a noticias e informações sobre os grupos, segundo 53% dos pesquisados, enquanto 36% se sentem mais propensos a convidar amigos para fazer parte das associações.

O uso de Facebook, Twitter e mensagens SMS do celular só faz aumentar a interação dentro dos grupos e com outros grupos. Sessenta e dois por cento dos internautas do estudo estão no Facebook, 74% mandam SMS regularmente e 12% recorrem ao Twitter.

Entre os usuários ja envolvidos em grupos diversos, 48% dizem que essas associações tem perfis no Facebook, enquanto 30% montaram blogs e 16% se comunicam bastante através do Twitter.

As redes sociais mantem os membros dos grupos informados. 65% dos que estao nelas leem constantemente mensagens e updates sobre o que esta acontecendo com a comunidade, e 30% postam noticias sobre as atividades.

Dos tuiteiros, 63% acompanham sempre os tweets sobre seus grupos, e 21% também postam sobre eles. Finalmente, 45% contam que enviam e recebem mensagens de texto com as ultimas novidades.

Nem todos concordam com as conclusões do Pew. John Biggs, editor do site Crunch-Gear contextualizou: – O estudo e uma boa noticia, mas confere a internet um poder sobre eventos sociais e políticos que ela pode ter ou não – ponderou no site.

No fim das contas, a internet e só um meio de comunicação que reduz o custo de atingir milhares de pessoas.

Para Kristen Purcell, diretora de pesquisa do Pew, o uso das mídias sociais e o ingresso em grupos afeta o comportamento das pessoas.

Uma das coisas que chamam a atenção é como as pessoas ficam mais engajadas uma vez que entram ativamente num grupo – comentou ela no estudo. – E, embora muitos gostem da dimensão social desse envolvimento, o que eles querem mesmo e obter algum impacto.

Muitos dizem que, pertencendo a um grupo, alcançaram algo que não haviam conseguido lograr sozinhos.

Andre Machado/O Globo

Mobile marketing, um mercado que não para de crescer

O mundo alcançou um marco na história da tecnologia: ao final de setembro, o número de assinantes de telefones celulares chegou a 5 bilhões de pessoas.

Esse número equivale a 73,4% da população mundial.

E no final do ano, o número chegará a 5,1 bilhões de assinaturas, aponta estudo realizado pela empresa iSuppi.

No entanto, isso não significa que 3 em cada 4 pessoas vão realmente possuir um celular – a estatística fornecida refere-se a pagamentos de serviços wireless e não apenas ao número de aparelhos.

A base real de dispositivos sem fio chegará a “apenas” 4,9 bilhões no final do ano, ainda um número impressionante.

Mas, além dos números espantosos, para que servem essas informações?[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A forma como as pessoas comunicam-se atualmente no mundo mudou completamente por causa dos celulares, que são capazes de conectar qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer momento.

A penetração de dispositivos móveis como ferramenta de comunicação tornou significativo o espaço para as atividades de marketing que são feitos sob medida para os interesses do usuário.

Com os avanços da tecnologia, várias empresas vêm adotando o mobile marketing como parte de sua estratégia de publicidade.

Há um enorme potencial no aumento das taxas de respostas positivas quando se usa o marketing móvel, principalmente quando comparado às outras formas mais tradicionais de publicidade.

Por esse motivo, mais e mais executivos estão recorrendo a esses meios para envolver seus públicos-alvo.

Estudos indicam que mensagens curtas, como SMS, MMS e WAP são bem mais eficientes do que o e-mail marketing – a publicidade via mobile é 70% mais lida do que os e-mails – e esse recurso pode construir a identidade de uma marca, além de aumentar as decisões de compra dos consumidores.

A atitude desses consumidores em relação ao marketing através de mensagens diretas influi (e muito) na decisão de compra, especialmente quando se trata de uma promoção.

Como os consumidores só podem receber mobile marketing se permitirem, a tendência é que deem mais atenção à publicidade das companhias que adotam esse tipo de plataforma do que àquelas que utilizam o e-mail.

Os aplicativos para smartphones são uma outra forma de mobile marketing. Esses apps estão muito em voga, principalmente em BlackBerrys, iPhones e Androids, e são apresentados em diferentes formas, além de cobrirem uma grande variedade de interesses. Porém, uma coisa é comum nos aplicativos móveis: todos eles estão abertos à publicidade.

Quer um exemplo?

A cadeia de fast food Burger King lançou um aplicativo para iPhone que permite aos clientes encontrarem o seu restaurante mais próximo, além de admitir que seus usuários compartilhem sua localização através do Facebook.

Como é possível perceber, todas as formas de mobile marketing estão crescendo e mudando a cada dia. É importante manter-se em dia com as tendências para maximizar seus lucros.

Quem sabe qual novo tipo de marketing será possível fazer quando conectado com novas descobertas tecnológicas?

Claudia Valls /FONTE: http://imasters.com.br

PM e bombeiros podem ser acionados por SMS

Segundo a nova resolução da Anatel, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros poderão ser acionados por meio de mensagens de texto, gratuitas, pelo celular.

O Conselho Diretor da agência reguladora aprovou nesta semana, a proposta que altera o regulamento do serviço de telefonia móvel para permitir a implantação desse mecanismo.

Segundo a conselheira Emília Ribeiro, autora da proposta, “os grandes beneficiários são os portadores de necessidades especiais”.

Uma das pendências, segundo a conselheira, é que as empresas vão ter que se adequar para fazer a identificação de onde a pessoa está evitando trotes.


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Tecnologia e cidadania: Envio de SMS para PM ainda não está liberado

O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) está cobrando da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a regulamentação do sistema que permitirá o envio de mensagens de texto via celular para a Polícia Militar e para o Corpo de Bombeiros.

A agência já foi notificada pela Justiça Federal sobre a necessidade do envio de um cronograma para a integração dos sistemas de operadoras de celular com os sistemas dos órgãos de segurança.
Em junho deste ano, o MPF-SP ingressou com uma ação civil pública pedindo a regulamentação do sistema em 60 dias.

Em agosto, o órgão comunicou à Justiça Federal que o prazo havia vencido e que a decisão liminar não havia sido cumprida, o que motivou uma nova decisão judicial.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Procurada pela Agência Brasil, a Anatel informou, primeiramente, que já tinha enviado um cronograma de implantação do sistema para a Justiça, que foi elaborado em parceria com as prestadoras de telefonia celular com com órgãos de segurança pública.

Depois, a agência negou a informação e disse apenas que “se manifestará no âmbito do processo”.

A assessoria de imprensa da Justiça Federal em São Paulo informou que a Anatel já entregou um documento depois de ser notificada, mas não soube dizer qual o teor da manifestação.

A documentação será encaminhada à juíza Diana Brunstein, da 7ª Vara Federal Cível.

O serviço de envio de mensagens pelo celular atenderá toda a população, especialmente os deficientes auditivos.

Segundo o MPF-SP, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros do estado já têm um sistema pronto para entrar em operação, mas, desde abril de 2008, pedem que a Anatel regulamente o serviço nas operadoras de telefonia celular.

A regulamentação da Anatel valerá para todo o país, mas a implementação do sistema dependerá de cada estado.