Senado é um teatro onde o povo não suporta mais os péssimos atores

“Não há defeitos que não sejam menos desculpáveis que os meios de que nos servimos para os ocultar.”
La Rochefoucaud

Os Tupiniquins, não aguentamos mais a pantomima peripatética, peripatética por ambulante — para que não se confunda essa corja de bufões com a  escola de Aristóteles — , desses privatistas de interesses escusos, porém escancarados no cinismo, que ousam se declarar homens públicos.

Os senadores fazem do fundo do poço apenas um estágio.

O editor

Teatro do Senado mostra do que é feito um senador.

A pesquisa Datafolha veiculada no último final de semana gritara para o Senado: Há uma fome de limpeza no ar.

Nada menos que 74% dos brasileiros defendem o afastamento de José Sarney –por renúncia (38%) ou licença (36%).

Descobriu-se que, na opinião de 66% dos patrícios, Sarney está envolvido nos malfeitos que o noticiário acomoda sob seu bigode.

Nesta quarta (19), nas pegadas do ronco do asfalto, o Conselho de (a)Ética reúne-se para decidir o que fazer com Sarney.

Não é uma decisão banal. Os senadores dirão ao país de que matéria-prima eles são feitos. O palco foi armado para o arquivamento.

Respirava-se na noite passada uma atmosfera de jogo jogado.

Ensaiava-se a manutenção na gaveta de 12 ações –11 contra Sarney e uma contra Arthur Virgílio.

Na época das Diretas-Já, o brasileiro bradava por liberdade.

Refeita a democracia, imaginou-se que o voto resolveria tudo. Não resolveu.

A reincidência dos escândalos, um se sucedendo ao outro, expôs a cara de um monstro medonho: a impunidade.

Mais recentemente, o país animara-se com o STF.

Ao arrastar 40 mensaleiros para o banco dos réus, o Supremo parecia informar aos políticos que tentaria fazer da cleptocracia brasileira uma democracia real.

Sobreveio novo desalento. O processo se arrasta. Estima-se que não será julgado antes de 2011. Flerta-se com a prescrição.

Agora, Sarney. Não é um transgressor original. Apenas mimetiza, com variações, depravações já cometidas.

Assemelha-se a Renan ‘Bois Voadores’ Calheiros e a Jader ‘Sudam’ Barbalho. Evoca a imagem de Antônio Carlos ‘Fraude no Painel’ Magalhães.

Há uma diferença, contudo. Jader, ACM e Renan optaram por poupar os colegas do enfrentamento da tragédia. Renunciaram à presidência e/ou aos mandatos.

Com Sarney é diferente. Ele prefere levar o delírio às suas últimas conseqüências. A renúncia, no seu caso, é carta fora do baralho.

Deve-se louvar a teimosia de Sarney. Graças a ela, o país está na bica atestar uma suspeita latente.

Confirmando-se a pantomima do arquivamento coletivo, os senadores informarão à nação que eles são feitos de insensatez.

O Senado, ficará demonstrado, é feito de uma maçaroca em que se misturam a conivência e o compadrio. Não há culpados no prédio. Só inocentes e cúmplices.

No fundo do poço, o Senado decidiu continuar cavando. Lula, salva-vidas de Sarney, festeja a opção pela cova.

Enquanto fornece enxadas à bancada do PT, Lula ilude a malta com discursos pseudomoralizadores.

Discursos como o que pronunciou nesta terça (18), num pa©mício realizado no Rio. Disse que seu governo está mudando a forma de “fazer política” (assista lá no rodapé).

Lula perguntou à platéia: “Vocês sabem por que tem tanta coisa de corrupção na televisão e nos jornais?”

Respondeu: “É porque a corrupção só aparece nos jornais quando você está investigando”.

Louve-se a esperteza de Lula. Graças a ela, o país dá de cara com a política real de um Brasil gelatinoso.

Um país feito de inércia, de bigodes viscosos, da grandeza da vista curta, da sofreguidão dos interesses mesquinhos.

Com a ajuda de Lula, o Senado ganha a forma de um estômago gigantesco. É feito de tripas que engolem e digerem a paciência da platéia, saboreando o eterno poder sem propósito.

Até bem pouco, o Senado era o império do privado disfarçado de interesse público. Agora, sonega-se à bugrada até a delicadeza da dissimulação.

Os senadores já não se preocupam em maneirar.

blog Josias de Souza

Senado é um balaio de gatos. Lula amansa PT, Renan acua oposição e Sarney fica

Pelo navegar tranquilo em águas turbulentas, apesar de provocar tsunamis por onde passa, o senador José Sarney parece ter “lastro” para afundar porta-aviões. Cabe aos Tupiniquins entender, e não esquecer, que foi o DEM o principal eleitor do marimbondo de fogo à presidência do senado. Mas, a geléia é geral. Portanto não esqueçam os “nominhos e as figurinhas” exibidas e citadas abaixo, quando forem votar em 2010.

O editor

Passou a fase do heroísmo afirmativo no Senado. Vive-se agora a etapa da covardia, só exposta no recôndito dos gabinetes, com o buraco da fechadura tapado. Entre quatro paredes, ouve-se das vozes que tem peso uma opinião unânime: José Sarney fica.

Sarney Oposição Mansa

É uma unanimidade à moda de Nelson Rodrigues. Uma unanimidade que, por ululante, “está a um milímetro do erro, do equivoco, da iniquidade”. Sarney trata de virar a página: “Todo mundo deseja que o Senado volte a seus trabalhos, à convivência…”

Todos desejam que o Senado “possa realmente realizar as reformas pendentes”, dizia o morubixaba do PMDB na manhã de quinta (13). Ao final de uma semana em que tentara pôr de pé a tese da inevitabilidade do desarquivamento de uma ação contra Sarney, Aloizio Mercadante prostrou-se.

“Fiquei totalmente isolado. Estou tomando porrada sozinho. Sumiu todo mundo”, desabafou, na tarde de sexta (14), o líder do PT. Mercadante falava a um amigo, pelo telefone. Parecia rendido à evidência de que, no PT, o pior tipo de solidão é a companhia dos companheiros de bancada.

Ideli Salvatti, Delcídio Amaral e João Pedro, os petês que votam no Conselho de (a)Ética recusam-se a levar adiante os planos de Mercadante. Pior: acusam o líder de fazer jogo de cena. Sabe que Sarney safou-se. Mas faz média com o eleitorado esclarecido de São Paulo.

Mercadante Oposição Mansa“O partido tinha apoiado a minha tese. Retirou o apoio. Fiquei numa situação difícil”, Mercadante se lamuriava ao amigo. Ele antevê as manchetes do dia seguinte: “Se o Sarney caísse, a culpa seria minha. Se o Sarney fica, a culpa é do PT”.

Logo o PT, que, na refrega de fevereiro, oferecera ao plenário do Senado um nome alternativo ao de Sarney: Tião Viana. O que mais exaspera Mercadante é o timbre do noticiário: “Arrancaram a oposição do debate. Os jornais só falam do PT. Não mencionam o jogo de cena da oposição”.

O petismo tornou-se vítima de uma frase de José Agripino Maia: “Nós estamos nas mãos do PT”, repete à exaustão o líder do DEM. Logo o DEM que, com seus 14 votos, foi decisivo no placar que impôs ao Senado a terceira presidência de Sarney.

A semana de Agripino começara tensa. Recebera a visita do ex-senador Jorge Bornhausen, presidente de honra do DEM. A pedido de Sarney, seu velho amigo, Bornhausen encareceu a Agripino que não impusesse à bancada ‘demo’ um fechamento de questão contra Sarney.

Agripino Oposição MansaAgripino disse que não há, tecnicamente, um fechamento de questão. Mas foi claro: no Conselho de (a)Ética, entregaria a mercadoria que combinara com o PSDB. Os três votos ‘demos’ no colegiado opinariam a favor de desengavetar as ações contra Sarney. Na quarta (12), Agripino recebeu telefonema de Renan Calheiros.

O líder do PMDB, chefe da milícia congressual que quebra lanças por Sarney, pediu um encontro reservado. Agripino o recebeu à noite, em seu apartamento. Renan sondou Agripino sobre os votos do DEM. Ouviu o mesmo que Bornhausen: os ‘demos’ votarão pelo desarquivamento. Perdendo, o partido recorrerá ao plenário.

Agripino gere uma bancada cujo ânimo anti-Sarney tem a consistência de um pote de gelatina. Porém, decidido a acomodar todas as culpas no colo do PT, acautelou-se.

Heráclito Fortes, um dos ‘demos’ com assento no conselho, disse que não vota contra Sarney. Agripino encomendou a ausência de Heráclito, que assentiu. No lugar dele, vai votar Rosalba Ciarlini.

Suplente no conselho, a senadora é unha e cutícula com Agripino, que planeja fazer dela governadora do Rio Grande do Norte. Eliseu Resende, outro ‘demo’ do conselho, também balança por Sarney.

Agripino chamou-o aos brios. Lembrou-o de que assinara os recursos pró-desarquivamento. Disse a Eliseu não ficaria bem votar contra os papéis que traziam o seu jamegão. E obteve do liderado claudicante a promessa de se manter firme.

Na manhã de quinta (13), Agripino tocou o telefone para o tucano Sérgio Guerra. Contou ao parceiro de oposição o teor da conversa que tivera com Renan. Presidente do PSDB, Guerra disse os dois votos do tucanato no conselho se mantêm inalterados, pelo desarquivamento.

Tasso Jereissati Oposição MansaA oposição dos subterrâneos contrasta com a oposição dos holofotes. O fora Sarney sumiu do plenário. Ali, ainda ecoam as escusas de Tasso Jereissati.

O grão-tucano cearense escalara a tribuna na terça (11). Desculpara-se com a sociedade brasileira pelos pontapés retóricos que trocara com Renan. O “coronel de merda” assegurou que manteria o embate com a tropa do “cangaceiro de terceira categoria”. Seguiu-se, porém, um embainhar coletivo de espadas.

O dissidente peemedebista Jarbas Vasconcelos passou a semana defendendo o bloqueio das votações. Pregou no deserto. Pedro Simon, outro desgarrado do PMDB, ainda fala de renúncia. Não de Sarney, que já engoliu e digeriu. Simon ameaça agora abdicar do próprio mandato.

Renan também trocou a boca do palco pelas coxias. Amainara o discurso do tucano Arthur Virgílio, levando-o à grelha do Conselho de (a)Ética. Constrangera Tasso, Guerra e Álvaro Dias plantando denúncias no noticiário. E submergiu.

Antes de reunir-se com Agripino, fora a Lula, na terça (11). Queixara-se de Mercadante. E ouvira palavras tranqüilizadoras. O petismo, o presidente lhe assegurara, não abandonaria Sarney.

Lula repetiria o mantra ao senador que não merece ser tratado como cidadão comum. À noite, na Granja do Torto, diria a Sarney que o governo não lhe faltaria. Na conversa telefônica desta sexta (14), Mercadante acusou o golpe:

“O governo veio com a mão pesada pra cima da bancada. Os partidos da base, inclusive o PT, não sustentaram a nossa posição. O PMDB radicalizou. A oposição sumiu do cenário”.

Acordão? Sim. Um acerto tácito e silencioso, que dispensa conversas. A conveniência reuniu-se com o compadrio e concluiu que o melado do Senado já escorrera o bastante. Ou fechavam-se os dutos ou todos seriam engolfados. Mercadante recordou uma interrogação que ouvira de Sarney: “Por que só eu?”

Em privado, Agripino Maia pronunciou, na noite de sexta, uma frase que ainda não ousa ditar aos gravadores e às câmeras de TV: “O Sarney fica. Mas será um presidente em farrapos. Renovação do Senado, só na eleição de 2010”. As manchetes, Mercadante lamenta, estão contratadas: “A culpa é do PT”.

blog Josias de Souza
Fotos: ABr, Folha e Ag.Senado

A baixaria da segunda-feira se repetiu e muito mais grave

O senador Renan Calheiros pretendia agredir hostilizar e enquadrar o senador Artur Virgílio. Mas sabia que poderia falar no máximo 20 minutos. Então decidiram que esperaria o senador assumir a Mesa, usaria o tempo que quisesse.

Foi o que aconteceu. Falou mais de uma hora, várias vezes o presidente, “seu tempo está esgotado”, mas nada de esgotava, a não ser a paciência dos presentes.

Depois de mais de uma hora, o ex-presidente (renunciante) deu por encerrada a sua palavra, que declarou CONSTRANGIDA.

E PASMEM, se assombrem, se estarreçam: começou novo episódio de BAIXARIA, mais abrangente do que a de segunda-feira. Com palavrões, baixo calão, enterrando o senado, sem velório, sem direito a CREMAÇÃO ou RESSURREIÇÃO.

É impressionante como podem cair cada vez mais. O subterrâneo, para alguns senadores, tem a profundidade da dignidade deles mesmos.

Hélio Fernandes – Tribuna da Imprensa

Senadores: suplentes reinam sem votos

Brasil: da série “O tamanho do buraco”!

Pois é Tupiniquins. A coisa tá feia.
Sarney usando Sêneca – esse, deve estar revirando-se no túmulo – pra se defender do indefensável, e uma cambada de suplentes, e de suplentes de suplentes de senadores, chegam ao senado sem um mísero voto, comandando a nau dos insensatos.

O Editor

Pau prá toda obra

O senador João Pedro (PT-AM), suplente do ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, preside a CPI da Petrobrás.

O senador Paulo Duque (PMDB-RJ), suplente do suplente do governador Sérgio Cabral, preside o Conselho de Ética do Senado.

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG), suplente do ministro Hélio Costa, é um dos mais proeminentes membros da tropa de choque do senador Renan Calheiros.

O senador Gim Argello (PTB-DF), suplente do ex-senador Joaquim Roriz, que renunciou ao mandato para não ser cassado por corrupção, é homem forte da tropa de choque de Renan Calheiros e o mais próximo e poderoso conselheiro da ministra Dilma Rousseff.

É fascinante a meteórica ascensão de Gim Argello. De início vinculado a Roriz como acusado de grossa corrupção, não foi submetido ao Conselho de Ética porque os senadores entendem que atos anteriores ao mandato não são analisados pelo Conselho de Ética.

Salvo por esta interpretação, Gim Argelo galgou rapidamente os degraus até a tropa de choque de Renan Calheiros, subiu a rampa do Palácio do Planalto e hoje é vice-líder do governo e conselheiro de Dilma Rousseff.

Os senadores citados acima são os mais notórios entre os 17 suplentes de senador atualmente exercendo o mandato. Por morte, renúncia ou licença do titular.

Todos aqueles que se preocupam com a vitalidade das instituições democráticas, com a boa prática política, em suma, com a moral e os bons costumes, sabem muito bem que a figura do suplente de senador é uma excrescência.

Políticos sem um único voto assumem cadeira no Senado da República e decidem sobre nossas vidas.

Disputam parcelas do Orçamento, votam nomeações de indicados do presidente da República para cargos na administração, aprovam tratados internacionais.

Tudo isto regado a fartas doses de privilégio, altos salários, cotas de gasolina, apartamento funcional ou auxílio-moradia, plano de saúde vitalício, centenas de funcionários, gabinete privativo e convívio com figurões do governo, da alta finança e do empresariado.

Ah, e também o direito de empregar toda a parentela, amante e filho de amante, assessor de coisa nenhuma.

Que vida boa! E tudo isso sem ter que fazer o esforço de captar um mísero voto.

Por essas e outras é que quem tem por ofício analisar a política nacional e o comportamento dos políticos não tem a menor ilusão.

O suplente de senador não vai desaparecer.

Não tendo que se submeter ao escrutínio do eleitorado, o suplente pode dar as costas à opinião pública. Por isso, é usado pelos cardeais do Senado para fazer todo tipo de trabalho.

Desde o mais impopular até o mais antiético.

Serve para presidir Conselho de Ética e arquivar processos contra senadores poderosos.

Serve para assar pizza em CPI.

Serve para participar de tenebrosas transações onde se negocia tudo e todos.

Em suma, o suplente de senador é utilíssimo!

Sua sobrevivência está garantida no Brasil.

blog da Lúcia Hippolito

Eduardo Azeredo, CPI, Petrobras, Pizzas, Foro Privilegiado e auxílio moradia

A coisa “tá de lascar o cano!” Só enumerando!

  1. O mensaleiro senador do PSDB, Eduardo Azeredo, também conhecido como o “descobridor” de Marcos Valério, terá foro privilegiado no STF. O ministro Joaquim Barbosa decidiu dividir o processo criminal sobre o mensalão mineiro. A ação referente ao senador Eduardo Azeredo, acusado de ter recebido dinheiro na campanha ao governo de Minas de 1998 de um esquema irregular coordenado pelo empresário Marcos Valério, fica no Supremo.
  2. Os Tupiniquins, então, continuamos aguardando que os principais órgãos de imprensa, como a Veja, estampem na capa de uma de suas (dela) edições a fotografia do Senador Eduardo Azeredo com a tarja de “Chefe de Quadrilha”.
    Afinal não são todos Dirceus, Valérios e Delúbios?
  3. Enquanto isso, nós, o povo, vamos “degustar” mais uma pizza “sabor senado federal” assada no forno do Palácio do Planalto, tendo o apedeuta como “chef”.
  4. Olhem só que desfaçatez: o processado Senador Romero Jucá, PMDB – responde a diversos processos no STF – será o Presidente ou o relator da CPI da Petrobras. E não esqueçam que a chapa branca CPI, terá entre outros impagáveis (sic) membros, a senadora Ideli Salvati PT.
  5. O piazzaiolo chefe é o boiadeiro Senador Renan Calheiros,PMDB.
  6. O “esquecido” Senador Sarney continua, marimbondo impoluto, na presidência do senado, mesmo recebendo o indecente auxílio moradia. Em verdade, o famigerado auxílio vinha pingando na conta de Sarney desde maio de 2007. Tudo somado, chega-se a R$ 79.800. Por muito menos, na Inglaterra, o presidente da câmara renunciou ao mandato.

Argh! e Argh!

O editor

Jarbas Vasconcelos: “O PMDB é corrupto”

Brasil: da série “Só dói quando eu rio”!

Na entrevista que concedeu para a revista Veja, o senador Jarbas Vasconcelos, PMDB – Pernambuco, causa espanto, no que concerne ao PMDB.

Sua (dele) ex-celência, político de longa trajetória — deputado, prefeito, governador e agora senador , vem candidamente confessar que o partido que abriga Jáder Barbalho, Renan Calheiros e José Sarney, entre outros, é corrupto.

Desanca a honestidade de Renan Calheiros, como se o senador boiadeiro tivesse se filiado ao PMDB nesta semana. Quer dizer que quando Renan Calheiros era Ministro da Justiça tinha condições morais para o cargo e agora não tem mais? Uáu!

E o Sarney, que somente agora depois de 49 anos de atuação política, descobre o surpreso senador penambucano, “não tem compromisso com a ética”.

Uáu!

Durante todo este tempo, o nóvel senador desconhecia as estripulias dos inúmeros parlamentares que compõem o chamado maior partido do Brasil? Será que desconhecia a existência de caixa dois e de mensalinhos e mensalões, praticados de uma forma ou de outra, vá lá, mensalão não, digamos os “delubianos recursos não contabilizados”, repito, praticados por todos os partidos, todos sem exceção, quando Marcos Valério ainda era um inocente bebê?

Vestal da pureza pemedebista, desconhece o senador o assistencialismo praticado pelo partido que o abriga a vários anos? Qual a novidade assacada contra o partido que é conhecido nacionalmente como “o partido da boquinha”?

Que tal apresentar a lista de todos os cargos na administração direta e indireta por membros do partido e/ou parentes de parlamentares do PMDB, e denunciar concretamente, com prova irrefutáveis, a corrupção que denuncia retoricamente?

Vejamos se vai acontecer alguma coisa quando um senador da república acusa o próprio partido de corrupto e o presidente do Congresso Nacional de não ter ética!

O editor.

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Entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ao repórter Otávio Cabral – da Veja

O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?

É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.

Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores.

Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.

(…) O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB…

Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.

(…) Para que o PMDB quer cargos?

Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.

(…) O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso?

Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.

(…) Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.

O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.

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