Tópicos do dia – 18/06/2012

14:06:58
STF adia votação do caso Demóstenes

O ministro Dias Toffoli (STF) concedeu nesta segunda (18) uma liminar determinando que a votação do relatório no Conselho de Ética do Senado sobre o processo disciplinar contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) só ocorra em três dias úteis após a apresentação do mesmo no colegiado. O teor da liminar ainda não foi liberado, mas o andamento processual confirma a decisão do ministro. “Defiro em parte o pedido liminar para que seja garantido ao impetrante que a deliberação acerca do parecer final do processo disciplinar contra ele aberto seja realizada em sessão que deve ocorrer em no mínimo três dias úteis de interstício contados após a divulgação pública da ‘primeira parte’ do parecer do relator”, diz a decisão do ministro. O relator do processo, senador Humberto Costa (PT-PE) apresenta na tarde de hoje, o seu parecer contra Demóstenes por quebra de decoro parlamentar, pelo envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira.


[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Caixa2 e mensalão: As confissões de Pagot

Em entrevista à ISTOÉ, o ex-diretor do DNIT, hoje consultor, denuncia caixa 2 na campanha do PSDB e conta que, em 2010, quando estava na direção do órgão, arrecadou junto às empreiteiras para a campanha do PT.
por Claudio Dantas Sequeira 

“Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o
Rodoanel financiava a campanha do Serra”
Luiz Antônio Pagot

Desde o início do ano, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot tem prestado consultoria em projetos de navegação fluvial. Os negócios vão bem, mas a incursão no setor privado ainda não foi suficiente para apagar a mágoa que guarda pela maneira como deixou o governo, no rastro do escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes. Casado, pai de uma filha, o economista, que é oficial reformado da Marinha, considera-se um técnico competente, de confiança, e diz que nutria pelo governo uma fidelidade quase canina. Mas a demissão, que classifica como “traição mortal”, alimenta agora um sentimento de vingança. E motivou Pagot, nos últimos dois meses, a fazer uma série de depoimentos à ISTOÉ. Em três encontros com a reportagem num hotel em Brasília, todos gravados, Pagot contou detalhes sobre a forma como, no exercício do cargo, foi pressionado pelo governo de José Serra a aprovar aditivos ilegais ao trecho sul do Rodoanel.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A obra, segundo ele, serviu para abastecer o caixa 2 da campanha de José Serra à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse Pagot. Nas conversas com ISTOÉ, Pagot também afirmou ter ouvido do senador Demóstenes Torres um pedido para que o ajudasse a pagar dívidas de campanha com a Delta com a entrega de obras para a construtora. Mas nem o aditivo de R$ 260 milhões para o trecho sul do Rodoanel foi liberado pelo DNIT – embora tenha sido pago pelo governo de São Paulo – nem o favor a Demóstenes foi prestado, segundo Pagot. Porém, ele não resistiu ao receber uma missão do comitê de campanha do PT durante as eleições de 2010. Pagot disse que, quando ocupava a diretoria do órgão que administrava bilhões em obras públicas em todo o País, recebeu do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), um pedido para arrecadar recursos junto às empreiteiras. “Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações, no entanto, teriam sido feitas pelas vias legais, de acordo com o ex-diretor do DNIT.

CAIXA 2
Segundo Pagot, empreiteiro confirmou que 8% da verba para o trecho
sul do Rodoanel era desviada para a candidatura de Serra ao Planalto

Os segredos que Pagot guardava até agora ajudam a explicar por que a CPI do Cachoeira adiou deliberadamente sua convocação. Ele diz que está pronto para falar tudo e desafia: “Duvido que me chamem. Muitos ali têm medo do que posso contar.” Nas entrevistas à ISTOÉ Pagot forneceu detalhes dos encontros com o tesoureiro do PT, José De Filippi. Ele contou que, em meados de 2010, foi chamado ao QG petista, no Lago Sul, onde foi apresentado a Filippi, que lhe pediu ajuda para passar o chapéu entre as empreiteiras. Dias depois, revelou, os dois voltaram a se reunir no DNIT, onde Pagot lhe apresentou uma lista com cerca de 40 empreiteiras médias e grandes que tinham contrato com o órgão. Ao analisar hoje a prestação de contas da campanha, Pagot identifica ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a pedido seu: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia. Elas doaram cerca de R$ 10 milhões, segundo a prestação de contas apresentada pelo PT ao TSE. Filippi disse à ISTOÉ que realmente foi apresentado a Pagot no comitê da campanha durante o primeiro turno da eleição. “Mas a conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi, que negou ter recebido boletos de depósitos. “Num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral”, admite Filippi.

“Teve uma reunião no DNIT. O Paulo Preto (diretor da Dersa) apresentou a fatura de R$ 260 milhões. Não aceitei e começaram as pressões”
Luiz Antônio Pagot

PRESSÃO
Em 2009, o então diretor da Dersa, Paulo Preto, solicitou
uma audiência no DNIT. Queria um aditivo para o Rodoanel

Com os tucanos paulistas foi diferente. Os pedidos eram para um caixa 2 e ele se recusou a atendê-los. Pagot contou à ISTOÉ que recebeu pressões para liberar R$ 264 milhões em aditivos para a conclusão do trecho sul do Rodoanel. Segundo ele, em meados de 2009, o então diretor da Dersa, empresa paulista responsável pelas estradas, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, solicitou uma audiência no DNIT. Levou assessores, engenheiros e um procurador para tentar convencer Pagot a liberar a quantia. Até então, a obra tinha consumido R$ 3,6 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão em repasses da União. Acompanhado do diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron, Pagot disse que o governo não devia mais nada à Dersa. Quarenta dias depois, houve nova reunião, no Palácio dos Bandeirantes, na qual tentaram recolher sua assinatura num Termo de Ajuste de Conduta (TAC), apresentado pelo Ministério Público Federal. “A partir daí começaram as pressões”, diz Pagot. Ele diz que recebia telefonemas constantes, não só de Paulo Preto, mas do deputado Valdemar Costa Neto (PR/SP), do ministro Alfredo Nascimento e de seu secretário-executivo, hoje ministro Paulo Sérgio Passos. O caso foi parar no TCU, que autorizou a Dersa a assinar o TAC, condicionando novos aditivos à autorização prévia do tribunal e do MP. Pagot recorreu à AGU, que em parecer, ao qual ISTOÉ teve acesso, o liberou de assinar o documento.

ARRECADAÇÃO PETISTA
De acordo com Pagot, o tesoureiro do PT, José De Filippi,
pediu para ele arrecadar junto às empreiteiras

Em meados de 2010, almoçando uma dobradinha no tradicional restaurante Francisco, em Brasília, o procurador de uma empreiteira adicionou para Pagot um elemento novo à já suspeita equação do Rodoanel. O interlocutor, segundo o ex-diretor do DNIT, revelou que no convênio haveria um percentual para abastecer a campanha de Serra. “Aquele convênio tinha um percentual ali que era para a campanha. Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do Serra”, disse. Consulta ao TSE mostra que o comitê de Serra e do PSDB receberam das empreiteiras que atuaram no trecho sul do Rodoanel quase R$ 40 milhões, em cifras oficiais. O representante de uma empreiteira que participou do Rodoanel confirmou à ISTOÉ que manteve contatos com Pagot reivindicando o aditivo.
Questionado por ISTOÉ, Valdemar Costa Neto confirmou os contatos. Disse que atua “junto à administração pública em favor da liberação de recursos para investimentos que beneficiem” sua região. Nascimento, por sua vez, admitiu ter sido procurado por dirigentes do governo de São Paulo para discutir o aditivo, mas garante que refutou o pedido. Passos negou qualquer pressão.

“Apresentei para Filippi (tesoureiro do PT) uma lista de 40 empresas. Tinha que ter volume”
Luiz Antônio Pagot

RESPALDO
A AGU, de Luis Adams, liberou o DNIT de assinar o aditivo para obra em São Paulo

A metralhadora giratória acionada por Pagot também atinge a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Ele diz que, em 2010, quando Ideli era candidata ao governo de Santa Catarina, ela pediu uma audiência no DNIT para tratar de três convênios do órgão no Estado, e, ao final do encontro, solicitou que a ajudasse também na arrecadação de recursos. “Ela queria que eu chamasse as empreiteiras e pedisse para pôr dinheiro na campanha dela”, afirma. Como se negou a ajudá-la, Pagot acha que Ideli ficou ressentida e passou a miná-lo quando chegou ao Planalto. Por meio de nota, Ideli negou que tenha recorrido a Pagot para solicitar recursos.

VERBA PARA A CAMPANHA
Então candidata ao governo de Santa Catarina,
Ideli Salvatti também teria recorrido a Pagot

Mas as pressões em cima do diretor do DNIT não vinham apenas do PT e do PSDB. Outra confissão de Pagot diz respeito a um jantar que teve com Demóstenes (ex-DEM) e a cúpula da construtora Delta no ano passado. Ao final do encontro, Demóstenes teria chamado Pagot para uma conversa privada, num cômodo de sua casa. Na conversa, Demóstenes disse que estava com dívidas com a Delta e que precisava “carimbar alguma obra para poder retribuir o favor” que a construtora fez para ele na campanha. Como se vê, o DNIT era um tesouro cobiçado por muita gente.

Procurador Gurgel terá de depor na CPI, porque ele tem muito a explicar

O procurador-geral da República Roberto Gurgel pensou que havia escapado de depor na CPI do Cachoeira. Sua justificativa foi uma aula de criatividade.

Disse que não poderia prestar depoimento, porque isso faria com que não pudesse intervir nos processos envolvendo as quadrilhas de Cachoeira, que são múltiplas.

O presidente e o relator da CPI engoliram o argumento de Gurgel, até que a comissão realmente iniciou os trabalhos e houve o primeiro depoimento, prestado pelo delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques Sousa, colocando gravíssimas dúvidas quanto à atuação do procurador.

O delegado explicou que as investigações da Operação Vegas, que apurou o esquema do contraventor entre 2008 e 2009, foram paralisadas no momento em que se depararam com parlamentares.

Eles detêm foro privilegiado e, portanto, só podem ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Disse então ter enviado em setembro de 2009 um pedido para que Gurgel investigasse o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e outros deputados por suspeita de envolvimento com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Por fim, o delegado federal explicou que quem paralisou a investigação foi a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio, mulher de Gurgel, que ele designou para avaliar os elementos da investigação. Ela informou não ter encontrado indícios de envolvimento dos parlamentares para justificar que se levasse adiante as investigações.

Agora, Gurgel terá de explicar tudo isso à CPI. A comissão vai votar na quinta-feira o requerimento de convocação do procurador-geral da República, e não há como evitar a aprovação, caso contrário a CPI estará desmoralizada.

Os parlamentares governistas têm defendido a convocação do procurador, enquanto a oposição afirma que a motivação dos governistas é política. O real interesse seria constranger e fragilizar o responsável pela acusação contra os réus do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal).

“Convocá-lo não depende do desejo de ninguém, depende da lei. Seria demiti-lo da função que exercerá ao denunciar os acusados”, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), como se nao existissem outros procuradores para tocar o processo.

O senador tucano defende a antecipação da sessão administrativa para a quarta-feira. Assim, a convocação do procurador seria decidida um dia antes dos depoimentos dos procuradores que acompanharam as operações Vegas e Monte Carlo.

E O MENSALÃO?

Em entrevista coletiva na última quarta-feira, Gurgel disse que as críticas que recebe partem de “pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão”. E acrescentou que essas críticas são apoiadas por pessoas que tiveram problemas com o Ministério Público ao longo da carreira, numa referência indireta ao senador Fernando Collor (PTB-AL).

RELATOR TENTA ALIVIAR

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), diz considerar desnecessária a convocação do procurador-geral. E propõe que Gurgel envie as explicações por escrito.

Era só o que faltava. O procurador precisa se questionado duramente e a mulher dele também deveria ser convocada. Como explicar a leniência em relação a tão importantes denúncias. Como se dizia antigamente, o povo quer saber…

Nos últimos dias, integrantes da comissão, em sua maioria petistas, questionaram o procurador-geral por não ter investigado Demóstenes em 2009 e defenderam sua convocação pela CPI.

Gurgel acusou os críticos de agirem para intimidá-lo, numa tentativa de proteger os réus do processo do mensalão, em que ele é responsável pela acusação.

O caso pode ser julgado neste ano pelo Supremo Tribunal Federal.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

Tópicos do dia – 10/05/2012

09:01:07
Mensalão: Gurgel tem cinco horas para apresentar denúncia contra réus
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta quarta (9) que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, terá cinco horas para apresentar denúncia contra todos os réus envolvidos no processo do mensalão. O relator, ministro Joaquim Barbosa, levou ao plenário do Supremo uma questão de ordem, na qual afirmou que o tribunal precisa estabelecer algumas questões práticas antes que o julgamento aconteça.

09:10:16
Procurador Gurgel foi traído pela mulher, mas no bom sentido (apenas profissionalmente)

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tentou de todas as formas se livrar de depoimento na CPI do Cachoeira, mas terá de ser convocado. Sua própria dignidade agora está em jogo, devido às declarações do delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques Sousa, colocando gravíssimas dúvidas quanto à atuação do procurador.
A sessão era secreta, mas antes mesmo de o depoimento do delegado acabar já corria no Congresso a informação que desonra Roberto Gurgel. Ou ele era cúmplice ou foi traído profissionalmente pela própria mulher.

Os fatos são os seguintes, indesmentíveis:
1) O delegado enviou em setembro de 2009 um pedido para que Gurgel investigasse o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e outros deputados por suspeita de envolvimento com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
2) As investigações da Operação Vegas, que apurou o esquema do contraventor entre 2008 e 2009, foi paralisada no momento em que se depararam com parlamentares. Eles detém foro privilegiado e, portanto, só podem ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
3) Quem paralisou a investigação foi a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio, mulher de Gurgel, que ele designou para avaliar os elementos da investigação. E ela então informou não ter encontrado indícios de envolvimento dos parlamentares para justificar que se levasse adiante as investigações.
Caramba! O que será mesmo que essa procuradora classificaria de “indícios”? Que procuradoria é essa, Francelino Pereira? Com isso, é claro que voltará a ganhar força a disposição de se ouvir na CPI o procurador-geral.
Como se sabe, Gurgel só abriu investigação contra Demóstenes e três deputados federais envolvidos com Cachoeira, Sandes Junior (PP-GO), Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Stephan Nercessian (PPS-RJ), quando o envolvimento dos quatro se tornou público a partir de escutas telefônicas divulgadas pela imprensa.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

09:37:57
Esquema era ‘verdadeira metástase’, afirma delegado da Operação Vegas
O delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques Sousa classificou na noite de terça-feira, 8, no depoimento reservado à CPI do Cachoeira, como “verdadeira metástase” a atuação do grupo comandado pelo contraventor.
Nas seis horas de reunião com os parlamentares, Sousa detalhou a forma de agir do grupo, que, aos moldes das máfias, pagava regularmente propina a servidores públicos por informações e não admitia que os integrantes se apropriassem de recursos do esquema de jogos ilegais.

Segundo parlamentares que acompanharam o encontro, Sousa afirmou que a Operação Vegas, que comandou, teve 55 alvos entre 2008 e 2009. Foram realizadas 61.803 ligações, num total de 1.388 horas de gravação durante os 60 dias de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

Isso dá, nas contas do delegado, 1.030 ligações feitas por dia. O chefe do esquema, Carlinhos Cachoeira, teve 234 horas de conversas interceptadas, uma média de quatro horas diárias no período.

Segundo Sousa, o “grupo poderoso”, principalmente seu líder Carlinhos Cachoeira, tinha grande preocupação com o vazamento de informações. Por precaução, Cachoeira sempre trocava de telefones.

O delegado admitiu aos integrantes da comissão que essas constantes trocas dificultavam a continuidade das apurações. Mas a sorte virou quando o grupo passou a usar os famosos Nextel. Esses aparelhos não são imunes à interceptação dos áudios, apenas os registros das ligações são apagados.
Ricardo Brito, Estadão.com.br

11:27:45
Barrichello e Schumacher: a ultrapassagem polêmica no GP da Áustria de 2020
Nesta semana lembraremos dez anos de uma das mais polemicas chegadas de corridas de todos os tempos, quando no GP da Áustria de 2002, Rubens Barrichello foi obrigado a ceder a vitória para Michael Schumacher na pista de A1-Ring.

Na ocasião, o resultado foi exaustivamente contestado por torcedores, dirigentes e demais envolvidos com a categoria, sendo defendido pelo time italiano alegando que naquele momento pensava no campeonato. No pódio, Schumacher fez questão de colocar Barrichello no local destinado ao vencedor e este ato gerou uma ação da FIA, que rendeu uma multa de US$ 1 milhão, sendo que metade dela foi paga e a outra metade só seria cobrada se a atitude se repetisse.

Rubens Barrichello conversou com a revista Playboy e disse que durante as voltas finais da prova em Speilberg ouviu uma ameaça que o obrigaria a pensar na sua vida.

“Foram oito voltas de guerra. É muito raro eu perder a calma, mas, naquele rádio, saiu gritaria. Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele passar. Até que eles falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla, não era contrato. Era uma situação que deixou no ar… Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar”, declarou o atual piloto da KV Racing na Fórmula Indy.
blog Amigos da velocidade


[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Até agora, pelo menos 13 parlamentares terão de se explicar na CPI do Cachoeira

Oportuna reportagem de Vinicius Sassine e Adriana Caitano, no Correio Braziliense, mostra que a rede do bicheiro Carlinhos Cachoeira já inclui pelo menos 13 parlamentares que deverão dar explicações na CPI instalada no Congresso, em algum momento da apuração.

Mas até agora, os desdobramentos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, só motivaram a abertura de procedimentos de investigação contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), no Conselho de Ética do Senado; contra os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Rubens Otoni (PT-GO), na Corregedoria da Câmara; e contra o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), no Conselho de Ética da mesma Casa.

Esses parlamentares começaram a ser investigados pelo Congresso antes mesmo do início dos trabalhos da CPI.

O Correio apurou que o suposto envolvimento de outros deputados federais e de dois suplentes de senador — com chances reais de assumir o mandato — no esquema de Cachoeira é bem maior do que o apontado até agora pelos próprios suspeitos.

É o caso do deputado federal Leonardo Vilela (PSDB-GO), que admitiu ter pedido a Cachoeira emprego à filha farmacêutica e ter solicitado ao bicheiro um jantar com Demóstenes.

As conversas telefônicas gravadas para a Monte Carlo mostram que o parlamentar, pré-candidato do PSDB à Prefeitura de Goiânia, participou de diferentes jantares com o senador e, nessas ocasiões, foi alvo dos interesses comerciais de Cachoeira.

O bicheiro, que atuava para a Delta Construções, estava insatisfeito com a compra de uma área em Águas Lindas (GO), no Entorno, pela Construtora Queiroz Galvão.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A empreiteira seria a responsável pelo lixão do município.

“O Leonardo Vilela, do Meio Ambiente de Goiás, tem condição de travar”, disse Cachoeira a Cláudio Abreu, então diretor da Delta no Centro-Oeste, num diálogo gravado em 26 de abril do ano passado.

Ao Correio, Leonardo Vilela disse não ter recebido nenhum pedido para interromper uma obra da Queiroz Galvão.

Já sobre o contrato de inspeção veicular, o deputado afirmou que recebeu “dois ou três grupos” interessados em atuar na área.

“Não lembro quem são esses grupos.”

Segundo o tucano, o edital para a contratação da empresa responsável pela fiscalização da emissão de poluentes não foi adiante. Leonardo Vilela confirmou ter participado “algumas vezes” de jantares com Demóstenes.

“Eu me lembro do Cachoeira presente uma vez”.

Um dos denunciados, o deputado federal Thiago Peixoto (PSD-GO), secretário de Educação do governador goiano Marconi Perillo, está fugindo dos jornalistas.

Peixoto se comporta igualzinho ao governador Sergio Cabral e ao ministro Fernando Pimentel, que não podem nem ver jornalistas por perto.

Até quando vão conseguir se esconder?
Tribuna da Imprensa 

João Paulo Cunha nega mensalão e diz que houve ‘erro político’ do PT

Deputado Federal PT Mensalão João Paulo Cunha

Às vésperas do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), um dos réus deste processo, disse que o maior escândalo do governo Luiz Inácio Lula da Silva foi um erro cometido e já corrigido pelo PT.

Em entrevista ao site Consultor Jurídico (Conjur), o deputado nega a existência do mensalão e alega que o que houve foi “financiamento irregular de campanha” do PT e seus aliados.

E, no seu entender, o processo no qual é réu é uma questão para o Código Eleitoral, enquanto o esquema envolvendo o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e parlamentares, como o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), se enquadra no Código Penal.

Para o parlamentar, os dois casos podem ser resumidos da seguinte maneira: “É o paradigma da lei: do Código Eleitoral para o Código Penal”.

Segundo ele, o erro cometido – e corrigido – pela direção do PT no episódio denominado de mensalão foi, fundamentalmente, um erro político já admitido pelo PT por conta do sistema de financiamento de campanha que existe no Brasil.

“O erro político foi utilizar recursos não contabilizados, ou ”caixa dois”, para fazer campanha eleitoral ou preparação de processos eleitorais”, justificou João Paulo Cunha.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Para o deputado, outra diferença é que no mensalão não houve enriquecimento ilícito dos acusados.

“Não há, entre todos os réus do mensalão, um acusado de apropriação particular de recurso.

O único caso, que, por causa disso, está fora do processo, é o caso do Silvio José Pereira, o Silvinho, acusado de ter recebido uma Land Rover de um construtor da Bahia. Em resumo: cometemos infrações de caráter administrativo e eleitoral. No caso Demóstenes/Cachoeira parece que não é a mesma coisa”, acrescentou.

Ao negar a existência do mensalão e justificar o episódio como “financiamento irregular de campanha”, Cunha diz: “Foi um financiamento irregular de campanha do PT e dos aliados.

Funcionou com recursos não contabilizados, não declarados, para o PT e para os partidos aliados. Não tem nenhuma prova do mensalão (como esquema de compra de apoio no Congresso).

Ninguém aponta onde entrou o dinheiro e onde ele influenciou em alguma votação. Isso não foi mostrado.”

De acordo com o deputado, o PT cresceu com o processo e se corrigiu.”Podemos ter errado em uma época, mas não podemos continuar no caminho errado.

O problema seria permanecer no caminho errado. Nós já corrigimos isso, que foi um erro, causado pela busca exacerbada pelo holofote, pela aparição fácil, da nossa sociedade do espetáculo”, disse.
Daiene Cardoso, da Agência Estado

Delúbio Soares e a burrice

É malcheiroso o odor que emana dos suntuosos tapetes que se esparramam sobre os pisos palacianos do planalto central dessa pobre e depauperada Taba dos Tupiniquins.
De todos os podres poderes.

Estamos todos aguardando que espécie de água verterá pela caudalosa cachoeira, que transformou o senador Demóstenes Torres em doença contagiosa, e vai contaminando Marconis, Agnelos e sabem-se lá mais quantos estarão no caminho da enlameada enxurrada.

A população parece já acostumada com a banalização das CPIs inúteis. A última, a do mensalão, nos presenteou com um filósofo da “quadratura intelectual” de um Delúbio Soares, que continua nos brindado com porções diárias de cinismo explícito. Quem virá agora, ao depor, dizer que tudo será uma grande piada de salão?
José Mesquita – Editor


Malfeitos, mal feitos e bem feitos
Nelson Mota/O Globo
Ao contrário de Lula, a oratória não está entre as qualidades da presidente Dilma, suas dificuldades de expressão prejudicam a comunicação de suas ideias, planos e ações ao público.

Não que a oratória seja uma qualidade em si, grandes canalhas e farsantes, como políticos palanqueiros e advogados safados, são os que melhor a usam com os piores objetivos.

É como dizia o grande psicanalista e poeta mineiro Hélio Pellegrino (1924-1988), um dos fundadores do PT: a inteligência voltada para o mal é pior do que a burrice.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mas a avassaladora popularidade da presidente comprova que os brasileiros estão aprendendo a entender o intrincado dilmês.

Não se sabe se foi por falta de melhor expressão, se por imprecisão vocabular, ou se foi uma escolha consciente e bem pensada da presidente e do marqueteiro João Santana, mas a palavra “malfeito” se tornou uma marca de sucesso do governo Dilma.

Mais leve, flexível e genérica do que corrupção, ladroeira, gatunagem, banditismo, falcatrua, rapinagem, maracutaia, que poderiam ser associadas ao governo anterior, onde se originaram muitos malfeitos ora condenados, serve na medida para a presidente designar qualquer coisa entre a incompetência, a lambança, o erro técnico, o tráfico de influência, a fraude, o suborno e o roubo de dinheiro público.

Projetos mal feitos não ficam de pé, mas não são necessariamente corruptos, embora com boas chances de sê-lo, se feitos em algum órgão público.

O mensalão é um malfeito ou foi apenas mal feito, porque foi descoberto? E os aloprados, foram pilhados porque fizeram mal um malfeito?

E os malfeitos de Durval Barbosa, não foram bem feitos?

Arruda e Cachoeira foram para a cadeia?

Bem feito! Receber por palestras que não foram dadas é um malfeito ou só um não feito?

Saudada por Hillary Clinton como exemplo global de luta pela transparência e contra a corrupção, Dilma respondeu que “quanto maior a transparência e os canais de interação, mais justa e forte a democracia”, enquanto ecoava na memória nacional o histórico aforismo de seu correligionário Delúbio Soares: “Transparência demais é burrice.”

Publicado no Globo de hoje.

Demóstenes Torres; Os outros, onde estão os outros?

Completadas duas semanas de intenso bombardeio contra o castelo de moralidade do senador Demóstenes Torres, do Partido Democratas, os jornais começam, finalmente, a apresentar ao leitor o pivô do escândalo, o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como “Carlinhos Cachoeira”.

Deveria causar estranheza a prática jornalística segundo a qual os agentes públicos envolvidos em casos de corrupção têm que ser sempre a peça central – quando não a única – no noticiário escandaloso. Na terça-feira (3/4), por exemplo, o Globo abre manchete para chamar Demóstenes Torres de “senador do bicho”.

Mas seria ele o único representante dos contraventores no Congresso? E ainda é correto chamar de “contraventores” esse indivíduos envolvidos em uma longa lista de delinquências?

E qual seria, afinal, a posição de “Carlinhos Cachoeira” na estrutura do crime organizado que, misturado a negócios legalizados, espalha-se por todo o país, infiltrando-se nas instituições públicas?

O Estado e o crime

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A julgar pelo peso que lhe dá o noticiário em torno do senador Torres, pode-se concluir que se trata de um capo de primeira grandeza, uma espécie de “poderoso chefão” capaz de envolver e seduzir um antigo baluarte da moralidade na política.

Mas ao centralizar suas reportagens no bicheiro goiano, a imprensa nacional deixa na sombra outros protagonistas dessa novela policial muito mais importantes para se entender o processo de contaminação da política por parte de organizações de delinquentes. Alguns desses criminosos circulam alegremente pelos salões do poder há décadas, poupados de escândalos pela pouca capacidade ou pouco interesse de investigação da imprensa.

O jogo do bicho deixou de ser uma atividade inocente há quase um quarto de século. No fim dos anos 1980, jornalistas brasileiros investigavam um movimento de contraventores na organização de grandes negócios de jogo, que envolviam a tentativa de legalizar cassinos e abrir as portas para a exploração de máquinas “caça-níqueis”.

Alguns dos parlamentares eleitos com ajuda da máfia da jogatina se tornaram personagens importantes da República. Os arquivos dos jornais e revistas semanais guardam registros de personalidades que apoiaram esse movimento.

Mas a estratégia dos contraventores era ainda mais ambiciosa: alguns deles estavam articulando o sistema de financiamento do tráfico de drogas. O resultado foi a contaminação das instituições públicas pelas “doações” aos caixas ilegais de campanha – que na verdade são operações financeiras pagas com o dinheiro público.

O “empresário” Walter Spinelli de Oliveira, conhecido como Marechal, foi assassinado no autódromo de Interlagos, em São Paulo, em fevereiro de 1989 porque se negava a permitir que o “negócio” do jogo, uma tradição de sua família, fosse envolvido no narcotráfico.

Ele era a última resistência, entre os chamados “barões” do jogo, na transição entre a folclórica figura do “apontador” e a do investidor oculto, aquele que faz girar a máquina do crime e reinveste os lucros em negócios da mais elevada respeitabilidade.

Sorte e política

A julgar pelo noticiário, a associação entre Carlos Cachoeira e Demóstenes Torres é resultado dessa simbiose, mas está longe de representar o núcleo do sistema de poder que coloca o Estado a serviço do crime. A notícia de que até mesmo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pode ter sido envolvido em irregularidade mostra que não há limites para as ambições desse personagem. Mas é apenas um indício de onde podem chegar essas associações.

Um dos escândalos que moveram a imprensa nos últimos anos indicava o interesse de contraventores em controlar o sistema oficial de loterias. Não há registro de que a imprensa tenha se interessado em investigar a hipótese de que algumas loterias estaduais possam de fato ter sido loteadas entre empresários da jogatina. Afinal, como ensinou o ex-deputado João Alves, essa é a maneira mais fácil de lavar dinheiro.

Aliás, o que fizeram os jornais com o dado estatístico segundo o qual Brasília lidera de longe a lista dos ganhadores das loterias oficiais, não apenas em número de sortudos como no valor dos prêmios?

Deve haver uma explicação matemática razoável para esse fato, como a de que os brasilienses costumam apostar mais e em valores mais altos, mas qualquer notícia sobre envolvimento de bicheiros com políticos deveria aguçar a curiosidade dos jornalistas sobre os setores mais obviamente vulneráveis a tais parcerias.

O que se tem noticiado nos últimos dias é mais do que suficiente para definir o destino da carreira política de Demóstenes Torres. Mas ainda está longe de explicar como um chefete do jogo do bicho consegue ir tão fundo em suas relações com o poder público.
Por Luciano Martins Costa/Observatório da Imprensa

Demóstenes e a farsa da tribo

O erro do senador farsante foi entender tarde demais que pertence à tribo dos demóstenes

Com aplicação e competência, o ator Demóstenes Torres interpretou por muitas temporadas o papel do senador que optou pela oposição por viver permanentemente em guerra contra a corrupção impune, institucionalizada pelo governo federal.

É compreensível que tantos homens de boa fé tenham acreditado no que dizia: num país em acelerada decomposição moral, a existência de políticos sem prontuário e sem medo parece tornar menos aflitiva a paisagem vista por gente honesta. É compreensível a vontade de crer que são reais.

Igualmente compreensível, a decepção causada pela aparição do verdadeiro Demóstenes não pode estimular a ressurreição da falácia tão cara aos criminosos: é tudo farinha do mesmo saco. Conversa fiada, devem gritar em coro milhões de brasileiros que cumprem a lei, respeitam princípios éticos irrevogáveis e foram traídos pelo farsante que assimilou a metodologia dos incontáveis demóstenes que infestam o partido que virou quadrilha e a base alugada. Esses reagiram com exemplar correção à descoberta da fraude.

Em vez de vislumbrar pretextos e álibis, o país que presta enxergou com nitidez ações criminosas. Em vez de recitar que ninguém é culpado até a rejeição do último recurso, viu patifarias suficientes para condenar o autor à morte política. Ficou claro que só quem gosta de bandidagem tem bandidos de estimação.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A blindagem dos companheiros patifes é mais uma abjeção produzida pelo Brasil Maravilha que Lula inventou.

Imposta pelo afastamento dos antigos admiradores do moralizador que nunca existiu, a solidão do vigarista ampliou o abismo que separa os homens honrados dos sócios do grande clube dos cafajestes. Alertados por esse primeiro castigo, os cúmplices profissionais afundaram no silêncio, o corporativismo malandro saiu de férias, a direção do DEM livrou-se do esquizofrênico de araque, a Justiça redescobriu a agilidade e ninguém tentou o resgate improvável. Demóstenes Torres está só.

Está só por ter atraiçoado o Brasil que pensa, não leva em conta o partido a que pertencem meliantes, não crê em palanqueiros populistas, vota com independência e é inclemente com corruptos. O erro do senador foi ter transformado em gazua um cargo que conseguiu com o apoio de eleitores incompatíveis com pecadores. Deveria ter trocado de lado a tempo. Se tivesse trocado o DEM pelo PMDB, como sugeriram sua mulher e seu parceiro, Demóstenes seria acolhido calorosamente pelos coiteiros dos bandidos que infestam a aliança governista.

Nesse mundo fora-da-lei, abundam canastrões que seguem encarnando personagens tão verossímeis quanto o Demóstenes incorruptível, o Lula estadista, a Dilma supergerente ou uma tempestade de neve no Piauí. Lá, o milionário chefe da seita ainda é o imigrante nordestino que trabalha numa metalúrgica. José Dirceu, chefe da quadrilha do mensalão e facilitador de negócios entre capitalistas selvagens, circula com a farda de guerrilheiro.

Incapaz de pronunciar uma frase inteligível, Dilma Rousseff faz de conta que lê livros. Com o PAC em frangalhos, mantém a camuflagem de supergerente incomparável. Delúbio Soares, o contador do mensalão, voltou para o PT vestido de professor de matemática injustamente castigado. O partido que virou quadrilha luta sem descanso para incorporar à classe média os últimos miseráveis. Os balidos atestam que o rebanho enxerga apenas o que os pastores desenham.

Se tivesse juntado o acervo de bandalheiras numa das malocas governadas pelo morubixaba embusteiro, Demóstenes estaria engordando na tribo dos demóstenes. Com sorte, até o fim do ano viraria ministro.
Augusto Nunes/Veja