O Senador e a lógica do faça o que eu digo…

Mais um artigo que pretende desnudar a justiça social brasileira. O mesmo bla-blá-blá do mesmo senador.

O salário mínimo sobe 5% e o Congresso aumenta os salários da politicalha em 60%.

Contudo gostaria de saber do senador autor do artigo reproduzido abaixo: o senhor irá pagar do próprio bolso os cinco anos de imposto de renda sobre os 14º e 15º salários, não recolhidos pelo Senado à Receita Federal, ou vai deixar a conta pros Tupiniquins?
José Mesquita – Editor


A lógica cruel que perpassa nossas relações sociais
Por: Cristovam Buarque

O Brasil começa com um gesto de generosidade invertida: civilizar os índios, explorando sua mão de obra e obrigando-os a converter suas almas a uma religião que lhes era estranha.

Depois de quatro séculos, o Brasil começou a ser generoso com os escravos africanos: fez a Lei do Ventre Livre. Os filhos de escravos seriam libertos, mas as mães continuavam escravas.

Houve generosidade também com os velhos escravos, quando já não poderiam mais trabalhar.

A Lei Áurea foi outra de nossas generosidades: os escravos já não poderiam ser vendidos nem obrigados ao trabalho forçado, mas não lhes demos terra para produzir a própria comida nem escolas a seus filhos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mais recentemente, quase no quinto centenário da existência do país, fomos generosos estabelecendo um salário mínimo.

Mas tão mínimo que sempre foi insuficiente para cobrir os custos básicos dos serviços e dos bens essenciais. Para não ficar sem trabalhadores, houve outra generosidade: o vale-refeição.

As famílias ficavam sem comida, mas os trabalhadores recebiam a comida que o salário não permitia.

Durante a escravidão, fomos generosos oferecendo “casa” para os escravos: as senzalas fétidas e insalubres.

Quando a industrialização pôs os trabalhadores morando distante do lugar do trabalho e o salário não permitia pagar a passagem de ônibus, oferecemos, generosamente, o vale-transporte, mesmo que, no fim de semana, ele e a família não pudessem visitar parentes ou passear no centro da cidade.

Generosidade

Temos sido generosos ao oferecermos uma renúncia fiscal no cálculo do Imposto de Renda para financiar escolas particulares, dos filhos de ricos, num valor superior ao gasto médio anual por criança na escola pública, dos filhos dos pobres.

Generosamente, oferecemos Bolsa Família, mas não nos comprometemos em emancipar os pobres da necessidade de bolsas. Generosamente, não oferecemos creches e pré-escolas para nossas crianças, provocando desespero em milhares de mães.

Generosamente, oferecemos também cotas para facilitar o ingresso de jovens negros na universidade, mas não fazemos o esforço necessário para erradicar o analfabetismo, que tortura cerca de 11 milhões de brasileiros, em sua grande maioria, negros e pardos.

Somos generosos facilitando o endividamento das famílias da classe C para comprar carros a serem pagos em até cem meses, sem IPI, mas não eliminamos impostos sobre a cesta básica nem melhoramos o transporte público para todas as classes, inclusive a D e a E.

Nossa generosidade chega ao cúmulo de gastarmos muitos bilhões de reais para fazer no Brasil a Copa e a Olimpíada, às quais nossos pobres vão assistir pela televisão, e não adotamos o compromisso de investir os royalties do petróleo na educação de nossas futuras gerações.

Somos um país coerente com cinco séculos de generosidade seletiva invertida ou pervertida.

Dom Quixote de Ferrari

A figura gentil de Cristovam é tão tocante quanto a da criação de Cervantes.
Por: Fernanda Torres

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O Senador Cristovam Buarque declarou à Receita que seu mais precioso bem é uma biblioteca no valor de R$ 400 mil. Fernando Collor de Mello possui o carro mais caro de todo o Congresso: uma Ferrari que custa cerca de R$ 700 mil.

Não condeno o dispendioso gosto automobilístico do ex-presidente.

Afinal, Collor teve recursos para adquirir o bólido. O que me comove é o tesouro de Cristovam Buarque.

O senador lembra o herói de “As Invasões Bárbaras”, o filme canadense que aborda o fim do humanismo. Nele, um intelectual com câncer em estado terminal se despede do mundo sob os cuidados dos companheiros de juventude, todos eruditos e de esquerda, e do filho, um jovem economista neoliberal.

Pragmático e atencioso, o rapaz administra a morte do pai como quem comanda o fechamento do balanço de uma empresa. Sem o filho, o velho comunista acabaria seus dias em uma versão canadense do SUS. Com ele, morre confortavelmente irritado com a constatação de que todos os seus anseios juvenis de igualdade foram para o ralo.

Um abismo separa o idealismo do progenitor da praticidade mercantil do rebento. A mesma discrepância que distancia a Ferrari de Collor da biblioteca de Cristovam Buarque.

Cristovam foi a Marina da última disputa presidencial, na qual se engajou com o objetivo de chamar a atenção para um tema que considerava crucial: a educação.

Marina também atrela seu discurso à educação, mas as bandeiras de sua campanha, a ecologia e a sustentabilidade, são os assuntos do momento.

Eles estão presentes tanto em filmes-catástrofes de Hollywood como em livros extraordinários como “Colapso”, de Jared Diamond. E seu candidato a vice é um empresário que soube transformar o discurso verde e rosa em lucros e dividendos.

Segundo indicam as pesquisas, essas bandeiras, aliadas ao carisma da senadora, podem fazê-la chegar ao primeiro turno com quase 10% do eleitorado. Já Cristovam acabou em quarto lugar na eleição de 2006, chegando atrás até de Heloísa Helena, com apenas dois vírgula nada de votos.

Em 1995, durante seu mandato como governador do Distrito Federal, ele criou o projeto Bolsa Escola. Fernando Henrique nacionalizou a ideia e Lula transformou-a na Bolsa Família.

Por meio desse programa, o presidente distribuiu renda, aumentou o poder aquisitivo dos miseráveis e impulsionou a produção de bens de consumo.

Seria miraculoso se o mesmo resultado econômico alcançado com o Bolsa Família se desse agora com o outro objetivo do Bolsa Escola original, o que Cristovam chamava na campanha presidencial de “revolução da educação”.

O fato de a melhora do nível do ensino ser um dado não computável em pesquisas de curto prazo é uma das razões de a educação ser a mais frágil das necessidades básicas da União e, imerecidamente, uma das mais esquecidas durante as campanhas eleitorais.

O mito de que Lula teria vencido na vida sem estudar me parece enganoso. O presidente não fez faculdade, mas alcançou notório saber durante anos de prática sindical, política e convivência com intelectuais que lutaram pela democratização. Lula teve acesso à educação.

A figura gentil, sensível e delicada do senador Cristovam Buarque é tão tocante quanto a de Dom Quixote, de Cervantes. Um solitário cavaleiro visionário em meio ao violento jogo de interesses do Planalto Central.

Se homens como Cristovam tivessem a voracidade dos que pilotam Ferraris, talvez o problema educacional brasileiro estivesse mais bem encaminhado.

O Terceiro Milênio requer uma certa dose de brutalidade, de Dom Quixotes de Ferrari.

Vírus do bem – Projeto do Senador Cristovam Buarque

Este é um tipo de vírus do bem chamados de virais, porque usam a internet pra propagar uma idéia, campanha, etc.

É daqueles virais, que vagam pela internet. Só que, neste caso, a causa é do bem. Uma corrente de e-mails na rede de computadores pede apoio ao projeto 480/2007, do senador Cristovam Buarque, na sua eterna (e sempre oportuna) cruzada pela educação. Determina a “obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014”.

A ideia, claro, é obrigar os políticos a, finalmente, trabalharem pela melhoria do ensino público, após experimentar em casa as agruras que o povo pobre está cansado de conhecer. O projeto está parado desde maio do ano passado numa comissão, mas a esperança, no mundo virtual, não morre jamais.

Senador cobra transparência nas multas do Senado

Senado: Cristovam cobra transparência

Ao comentar as denúncias sobre as irregularidades no Senado, como o pagamento ilegal de horas extras e a sonegação de impostos envolvendo diretores da Casa, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que o Congresso tornou-se “uma caixa preta de poder irrelevante”. Para ele, os fatos devem ser investigados e analisados “o mais rápido possível” para que se consiga evitar uma “completa desmoralização da Casa”.

Senador, a volta dos trabalhos na Casa foi marcada por novos escândalos envolvendo servidores públicos. Os fatos merecem investigação?
Tudo deve ser investigado. O caso do pagamento ilegal das horas extras, as denúncias contra o ex-diretor-geral Agaciel Maia e também o novo caso que tomamos conhecimento hoje pelos jornais, sobre o diretor que utilizava indevidamente o apartamento funcional. Temos feito coisa errada mesmo. E essas coisas complicam a imagem do Senado Federal. Hoje somos espelho de um poder irrelevante. O Brasil é administrado por um lado pelas Medidas Provisórias e por outro lado pelas decisões judiciais. E o Senado? Acontece que ficamos desmoralizados pelos erros e pela omissão que a gente aparenta sobre vários casos. Precisamos repensar o nosso papel. Agimos como uma “grande caixa preta”.

Falta transparência ao Senado Federal?
Falta sim. Mas o problema que não é só no Senado, mas em todos os poderes do Brasil. Eu não acho que a Justiça tenha muita transparência. Ela está ausente em todo o poder brasileiro. Antigamente o político conseguia se esconder. Agora, com a evolução dos meios de comunicação, não dá mais. Se você não é transparente, em um mundo que está em total transparência, dá nisso; na completa desmoralização. Não podemos nos fechar e virar as costas para a opinião pública. Porque hoje ela está presente, ela se manifesta pela mídia. O Congresso Nacional precisa repensar como Congresso. Precisa agir como Congresso e precisa deixar de fazer as besteiras que tem feito.

coluna Claudio Humberto

PSDB e PT juntos na manutenção do sigilo financeiro dos políticos

Brasil: da série “cuméquié?”

Da Coluna Claudio Humberto

PSDB e PT se unem contra quebra de sigilo de políticos

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado adiou a votação de substitutivo do senador Pedro Simon (PMDB-RS) ao projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que suspende o sigilo bancário e fiscal de detentores de mandatos eletivos.

A matéria foi retirada de pauta pelo próprio Simon, que é relator na comissão. Mas jogaram pesado, na pressão contra o projeto, dois supostos adversários: o “coronel” Tasso Jereissati (PSDB) e o petista Aloizio Mercadante (SP).