Tópicos do dia – 06/05/2012

07:53:17
Socialismo à moda de Ipanema
Chico Buarque vai receber uma ajuda financeira indireta do Ministério da Cultura, comandado pela irmã Ana de Hollanda. O empurrão financeiro vai ajudá-lo a vender livros no mercado asiático.

Que maravilha viver retoricamente o socialismo moreno ipanemense.
Aliás, até hoje não entendi por que esse tão ardoroso “fanzoco” do Fidel Castro preferiu comprar um partamento em uma das regiões mais caras e elitistas, Avenue Foch à parte, da decadente capitalista Paris – Marais – podendo fazê-lo na efervescente, desenvolvida e socialista praia de Varedero em Cuba.
PS. Continuo posicionamentos divergentes políticos à parte, admirando e considerando Chico Buarque como um dos 10 maiores compositores da MPB de todo os tempos. “Sabiá”, parceria com Tom Jobim é uma peça sifônica da mais alta qualidade poética e musical. Mas, tem sempre um, mas né?, ele não precisaria incorporar à sua discografia a monocórdica e primária “A Banda”, que ao lado da não menos pueril “Pra não dizer que não falei de flores”, do Vandré, reputo como as duas mais chatas canções da MPB.

07:54:14
Bolsa Família: diminui número de famílias assistidas
Desde a criação do Bolsa Família, no fim de 2003, até setembro deste ano, 5,856 milhões de famílias deixaram de receber as transferências de renda do governo federal. Os motivos para a saída do programa são os mais variados, mas cerca de 40% dos ex-beneficiários fazem parte de núcleos familiares que aumentaram sua renda per capita e não se enquadram mais na atual faixa de pagamento do benefício, destinado a grupos com renda mensal de até R$ 70 por pessoa ou rendimento individual mensal na faixa que vai de R$ 70 a R$ 140.

Outras dezenas de razões justificam o cancelamento da transferência no período, como por exemplo o não cumprimento de condicionalidades na área de educação e saúde (117 mil famílias), revisão cadastral não concluída (613,1 mil famílias) e até mesmo decisão judicial (20 mil famílias).

Nas contas do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o estoque de famílias que tiveram as transferências canceladas por aumento de renda per capita é de 2,227 milhões nos últimos oito anos. Esse universo é composto principalmente por pessoas dentro do grupo que foram beneficiadas pela atual política de valorização do salário mínimo. Ao conseguir um trabalho formal elas podem ser identificadas pelos gestores municipais ou a partir da base de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho. Além disso, também se destacam pequenos empreendedores que montaram negócios e quem foi alcançado pela aposentadoria rural ou pelo Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC), que pagam um salário mínimo para ex-trabalhadores rurais, idosos e deficientes.
Por Luciano Máximo | VALOR

11:25:46
Após deixar prisão, Cacciola estuda propostas de emprego
O ex-banqueiro ítalo-brasileiro Salvatore Alberto Cacciola, de 68 anos, revelou que está se “adaptando à liberdade” e estuda propostas de emprego no Brasil e na Itália um mês após conseguir a extinção completa de sua pena na Justiça do Rio.

Mesmo livre da punição de 13 anos de prisão, ele não pode atuar pelos próximos dez anos em atividades sob a área de fiscalização do Banco Central (BC), por condenação da própria autoridade monetária. As informações foram publicadas no jornal O Globo .

Cacciola foi preso sob a acusação de ter cometido gestão fraudulenta no Banco Marka. Juntamente com o banco FonteCindam, o Marka sofreu grandes prejuízos com a desvalorização do real ante ao dólar em 1999 e recorreu ao Banco Central (BC).

A operação de socorro do BC aos dois bancos, no valor de R$ 1,5 bilhão, foi considerada irregular pela Justiça. Condenado por gestão fraudulenta e peculato (desvio de dinheiro público), chegou a ser preso provisoriamente, mas, depois de conseguir um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF), fugiu para a Itália. Em 2007, foi preso no Principado de Mônaco e, posteriormente, extraditado para o Brasil.
Jornal do Brasil

14:26:30
Au revoir Sarkozy: Hollande eleito Presidente da França.
Harris Interactive: 53% Hollande – 47% Sarkozy
Sofres: 53% Hollande – 47% Sarkozy
Opinion Way: 52,5% Hollande – 47,5 % Sarkozy
CSA: 52,5% Hollande – 47,5 % Sarkozy

22:07:49
Dilma e o fantasma da Delta
Guilherme Fiuza

Dilma Rousseff pediu a sua assessoria um pente-fino nos contratos da construtora Delta com o governo federal. A presidente da República quer saber se há irregularidade em alguma dessas obras. O Brasil assiste embevecido a mais uma cartada moralizadora da gerente. Mas o ideal seria ela pedir a sua assessoria, antes do pente-fino, uns óculos de grau. Se Dilma não enxergou o que a Delta andou fazendo com seu governo, está correndo perigo: pode tropeçar a qualquer momento num desses sacos de dinheiro que atravessam seu caminho, rumo às obras superfaturadas do PAC.

Como todos sabem, até porque Lula cansou de avisar, Dilma é a mãe do PAC. Por uma dessas coincidências da vida, a Delta é a empreiteira campeã do PAC. Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), as irregularidades nas obras tocadas pela Delta vêm desde 2007. A mãe do PAC teve pelo menos cinco anos para enxergar com quem seu filho estava se metendo. E a Delta era a principal companhia do menino, andando com ele Brasil afora num variado roteiro de traquinagens. Mas as mães de hoje em dia são muito ocupadas, não têm tempo para as crianças.
Felizmente, sempre tem uma babá, uma vizinha, uma amiga atenta para abrir os olhos dessas mães distraídas. Dilma teve essa sorte, em setembro de 2010. A CGU, que vive controlando a vida alheia – uma espécie de bisbilhoteira do bem –, deu o serviço completo: contou a Dilma e Lula (a mãe e o padrasto) que o PAC vinha sendo desencaminhado pela Delta.

Superfaturamento, fraudes em licitações, pagamento de propinas e variadas modalidades de desvio de dinheiro público – inclusive com criminosa adulteração de materiais em obras de infraestrutura – estavam entre as molecagens da empreiteira com o filho prodígio da então candidata a presidente.

De posse do relatório da CGU, expondo a farra da Delta nas obras do PAC, o que fez Dilma Rousseff? Eleita presidente, assinou mais 31 contratos com a Delta.

Talvez seja bom explicar de novo, para os leitores distraídos como a mãe do PAC: depois da comunicação à administração federal sobre as irregularidades da Delta, a empreiteira recebeu quase R$ 1 bilhão do governo Dilma. Agora, a presidente anuncia publicamente que passará um pente-fino nesses contratos, e a plateia aplaude a faxina. Não só aplaude, como dá novo recorde de aprovação a esse mesmo governo Dilma (64% no Datafolha), destacando o quesito moralização. Infelizmente, pente-fino não pega conto do vigário.

A presidente corre o risco de tropeçar de repente num saco de dinheiro que atravessa o governo rumo ao PAC
Mas o show tem de continuar. E, já que o público está gostando, a presidente se espalha no picadeiro. Depois da farra da Delta, que teve seu filé-mignon no famigerado Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Dilma diz que quer saber se a faxina no órgão favoreceu Carlinhos Cachoeira.

Tradução: depois de ter de demitir apadrinhados de seus aliados porque a imprensa revelou suas negociatas, Dilma quer ver se ainda dá para convencer a plateia de que o escândalo foi plantado pelo bicheiro. É claro que dá: se Lula repete por aí que o mensalão não existiu (e não foi internado por causa disso), por que não buzinar a versão de que o caso Dnit foi uma criação de Cachoeira?

Pelo que revelam as escutas telefônicas da Polícia Federal, o bicheiro operava com a Delta na corrupção de agentes públicos. Dilma e o PT são candidatos a vítimas desse esquema – daí Lula ter forçado a CPI do Cachoeira. O problema na montagem dessa literatura é que a Delta, mesmo depois da revelação do esquema e da prisão do bicheiro, continua recebendo dinheiro do governo Dilma – R$ 133 milhões só em 2012, e através do Dnit…

A atribulada mãe do PAC não notou a Delta, não percebeu Cachoeira, engordou o milionário esquema deles no Dnit durante anos por pura distração – e agora vai moralizar tudo isso com seu pente-fino mágico. Na próxima rodada das pesquisas de opinião, o vigilante povo brasileiro saberá reconhecer mais essa faxina da mulher destemida, dando-lhe novo recorde de aprovação.

Nesse ritmo, a CPI do Cachoeira acabará concluindo que até o escândalo do mensalão foi provocado pelo bicheiro (essa tese já existe). E Dilma conquistará para o PT o monopólio da inocência.
(Fonte: revista Época)


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Líbia: o cinismo do bombardeio salvador

Após dividirem o Sudão – norte e sul, sendo que no sul estão as reservas de petróleo – os libertários” neocolonialista tentam destronar o ditador Kadaffi, sentado que está em “zilhões” de barris de petróleo.

“E la nava va!”

O Editor


Delenda Kadafi: A última Guerra Neocolonial

Perderam a vergonha e o senso comum.

Antes justificavam a guerra como necessária para salvar civis inocentes, agora dizem que estão lutando pelo futuro da Líbia. Mas quando foi, nos últimos mil anos, que eles pensaram por um segundo nos civis e no futuro da Líbia?

Agindo descaradamente como lobistas de seus aviões e outras armas ou como espertos politiqueiros de olho nas próximas eleições, Obama, Sarkozy, o pilantrinha francês, e Cameron, o cínico premiê britânico, escreveram, a seis mãos (que ridículos) um artigo que está sendo do publicado hoje na França.

O título sujestivo: “Com Kadafi a Líbia não tem futuro”.

O subtítulo poderia ser: O último berro de um neocolonalismo que está sendo atropelado pela História.

Como já disse várias vezes, mas é bom repetir sempe, não estou aqui para defende este Kadafi, um ditador grotesco nem melhor nem pior que dúzias de tiranos que, há trinta anos, vem sendo cinicamente sustentados pelos EUA e pela Europa, na África e no Oriente Médio.

Mas não posso deixar de lembrar que foi em defesa da Civilização e do futuro da África e do Oriente Médio que esta corja colonial e neocolonial vem, nos últimos 500 anos, destruindo, com método e esmero, este continente e esta região.

Enfim, são canalhas para a História que não esquece nem perdoa.

por: Chico Barreira
blog fatos novos nova ideias

Petróleo e o surgimento, “súbito”, de ditadores

No reino da hipocrisia e dos interesses, nunca disfarçados, do complexo industrial militar — expressão usada pela primeira vez por Eisenhower —, cada vez se torna mais incisiva uma outra expressão: “é a economia, estúpido”. Essa citação de James Carville, assessor de Bill Clinton durante a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca em 1992, é util para explicar o inexplicável que está acontecendo nesse momento nas arábias.

Que outra maneira de entender porque durante décadas chefes de Estado tenham confraternizado com ditadores e cleptocratas aos abraços e beijos?

De repente, não mais que de repente, os democratas ocidentais “descobriram” que existem ditadores sentados sobre reservas estratégicas de petróleo, e que agora, tais ditadores, não são mais confiáveis. Simples assim!

O Editor


De volta à guerra

O ataque das potências às tropas de Kadafi modifica a situação da revolta nos países árabes. O objetivo, agora, é assegurar que as reservas de petróleo da Líbia permaneçam em mãos seguras. Antes, era Kadafi quem dava essa segurança aos governos da Italia, da Inglaterra, da França.

Com a revolta, e a possibilidade de que a principal riqueza do país caia em outras mãos, as potencias européias querem chegar a um entendimento com as forças capazes de formar um novo governo. Passaram a combater Kadafi depois de protegê-lo ao longo dos anos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O argumento de que se pretende salvar vidas humanas e proteger a população civil é bom demais para ser verdade. A população da Líbia tem o direito de livrar-se de um ditador corrupto, sem compromissos com a democracia nem com o bem-estar da maioria. É uma luta heróica e justa.

Não custa lembrar, contudo, que considerações humanitárias ou democráticas não fazem parte dos argumentos reais das potencias que iniciaram os ataques.

Se fosse assim, estes mesmos governos teriam agido para impedir, por exemplo, os ataques da aviação israelense à população civil de Gaza no final de 2008, não é mesmo?

Em tempos recentes, também poderiam ter agido contra o rei amigo do Barheim ou contra o ditador do Iemen.

As causas dessa intervenção na Libia devem ser procuradas na situação interna dos países envolvidos.

Sob o risco de ser expulso da Casa Branca em 2012, Barack Obama vê na operação uma oportunidade raríssima para se recompor. Já perdeu apoio entre eleitores jovens e democratas que garantiram a vitoria em 2008 e agora tenta seduzir aquela fatia de conservadores que não se deixa convencer pelos argumentos extremistas de republicanos no estilo Tea Party e talvez possa ser arrebatada para apoiar um candidato centrista. Não sei se Obama será capaz de realizar tamanha ginástica — mas esta é sua estratégia.

A Inglaterra tem uma longa folha de serviços prestados à Kadafi e enxerga nessa ação uma oportunidade para formar novos aliados junto a um país com matéria prima tão preciosa e necessária. As relações entre Londres e Tripoli foram muito além do interesse comercial. Chegaram ao mundo acadêmico inglês, onde intelectuais prestigiados recebiam recompensas graudas para fazer a defesa da ditadura de Kadafi num serviço que hoje adquire a fisionomia de escândalo ético.

Nicolas Sarkozy, o presidente frances, anda tão por baixo que as pesquisas informam que teria menos votos do que uma candidatura fascista nas próximas eleições.

A raiz da guerra é esta: petróleo e votos.

Conhecido por sua indepedência de pensamento num universo onde não faltam autores à soldo, o professor Edward Luttwak, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington, adverte para as chances de se abrir um novo conflito — sem solução à vista. Num artigo publicado em 10 de março, com o sugestivo titulo “Intervencionite” ele se deu ao trabalho de reunir várias razões capazes de explicar por que uma ação militar na Líbia só poderia dar errado.

Uma das principais é a falta de apoio internacional. “Boa parte da opinião mundial não pode conceber que um governo seja suficientemente humanitário e generoso para derramar sangue e gastar dinheiro para ajudar cidadãos estrangeiros de forma desinteressada que, além disso, professam outra fé,” escreve Luttwak, sem esconder a ironia.

Lembrando a experiência do Iraque, ele recorda que a invasão daquele país teve a capacidade de unir aliados e adversários de Saddam Husein, pois colocava em questão um tema sempre delicado em qualquer ponto do planeta, que é a soberania nacional. O mais duro adversário dos soldados americanos, hoje, é um lider muçulmano cujo pai foi assassinado pelos homens de Saddam.

Paulo Moreira Leita/Época

Kadafi e sinuca de bico

Assim com o mumificado Mubarack, o genocida Kadafi armou a tenda da hipocrisia nos jardins cínicos das potências ocidentais. Foi preciso que tais nefandas figuras emergissem da sarjeta para que o mundo tomasse conhecimento que existem ditadores do bem, e ditadores do mal.

Essa despudorada classificação varia em função dos interesses econômicos.

Dona Hilária Clinton continua, por seu (dela) turno, a fingir que o maluquete que habita a antiga Núbia chegou ao poder ditatorial somente na semana passada. Antes, ao longo de 40 anos, Kadafi era a cópia beduína de Madre Tereza?

Um carniceiro como o ditador da China, Hu Jintao, é tratado como presidente, e o carcomido Fidel Castro continua sendo um ditador.
Continuam na lista de ‘ditadores do bem’;
os paleolíticos ‘xeiques’ da Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Bashar al-Assad da Síria, um monte de ditadores carniceiro africanos;

na lista de ‘ditadores do mal’:
Hugo Chaves e Armadinejad – esses, vá lá, eleitos em eleições livres e universais – o maluquete da Coreia do Norte Kim Jong-II, Isayas Afewerki da Eritréia, Gurbanguly Berdymuhammedov do Turcomenistão, Islam Karimov do Uzbequistão, Raúl Castro de Cuba, Teodoro Obiang Nguema da Guiné Equatorial, Aleksandr Lukashenko de Belarus, Meles Zenawi da Etiópia, Idriss Déby do Chade, King Mswati III da Suazilândia, Paul Biya de Camarões. Ufa.

Quando eu já concluía que não há vida inteligente na comprometidissima imprensa mundial, eis que me deparo com um texto lavrado por um jornalista com o uso de neurônios em perfeito estado de funcionamento. Salve!
Confira aí abaixo.

O Editor
PS 1. Não esqueçam que até há duas semanas a Líbia fazia parte do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
PS 2. Kadafi foi quem agenciou a prostituta marroquina para o grotesco Silvio “Belisconi”.


Muamar Kadafi colocou o Ocidente em uma sinuca de bico.

De “cachorro louco do Oriente Médio” a parceiro de negócios confiável, o líder líbio parece ter aprendido direitinho as lições de hipocrisia de seus adversários.

Sua reação imediata à resolução do Conselho de Segurança da ONU foi impecável, do ponto de vista tático.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Se o será estrategicamente, esta é outra história ainda a ser contada.

Enquanto era cozinhada a decisão política na Organização das Nações Unidas, Kadafi intensificou seus ataques aos rebeldes, cortando suas linhas de suprimento.

Na prática, estão encurralados em Benghazi, e parece ser difícil para eles ameaçar Trípoli sem assistência mais objetiva externa, como fornecimento de armas.

No meio-tempo, britânicos e franceses desenharam um plano para instalar uma zona de exclusão aérea -o que enseja bombardeios.

O cronograma favoreceu o ditador líbio. Independentemente do que vai acontecer, especialmente se fala a verdade, o primeiro movimento do jogo foi dele.

Ao dizer “Ok, ONU, eu aceito o cessar-fogo”, Muamar Kadafi esteriliza diplomaticamente os ataques e ganha tempo.

A secretária de Estado Hillary Clinton pode afirmar o que quiser, mas resolução da ONU não diz nada sobre remover o sujeito do poder.

E mesmo que as bombas estejam a cair durante essa leitura ou antes, e Gaddafi venha a ser apeado, novamente ficará a impressão de que o Ocidente manipula as regras a gosto.

Isso porque a resolução da ONU fala em proteção a civis.

Não faz sentido achar que a população estará salva caso a Líbia esteja partida em dois, mas nem por isso há provisões para a eventualidade de o ditador resolver fazer o serviço lentamente.

Se o Ocidente atacar, por meio da França e do Reino Unido, a resolução terá sido interpretada a seu contento e só.

Não que isso seja exatamente inédito.

Se decisões da ONU fossem levadas a sério, hoje haveria dois Estados na antiga Palestina sem oposição árabe e o Iraque nunca teria sido invadido pelos EUA.

Não é o caso de esquecer agendas domésticas: Paris quer se livrar da associação com o dinheiro líbio que teria financiado a campanha de Sarkozy, e Londres prefere esquecer que soltou o terrorista que ajudou a explodir um Jumbo em 1988 sobre seu território a troco de negócios petrolíferos.

Assim, o filme segue, mas a primeira cena acabou roubada pelo velho ditador.

Igor Gielow/Folha de S.Paulo

O estranho mundo de Arnaldo Jabor

O MUNDO DE JABOR, a julgar pelos seus textos, é sombrio. Nele, o Brasil “está evoluindo em marcha à ré”, para usar uma expressão de sua coluna.
por: Paulo Nogueira ¹

“Só nos resta a humilhante esperança de que a democracia prevaleça”, diz ele.

Bem, vamos aos fatos. Primeiro, e acima de tudo, se não vivêssemos numa democracia plena os artigos de Jabor não seriam publicados e ele não teria vida tão tranquila para fazer palestras tão bem remuneradas em que expõe às pessoas seu universo gótico, em que brasileiros incríveis como ele devem se preparar para a guerra caso queiram a paz. Esta é outra expressão do texto de hoje.

Já escrevi muitas vezes que o Brasil sob Lula perdeu uma oportunidade de crescer a taxas chinesas ou mesmo indianas. FHC deixou preparado o terreno para um grande salto. Não veio. Mas que o Brasil progrediu é inegável. Somos hoje um país respeitado globalmente. Passamos muito bem pela crise financeira global que transtornou tantos países e deixou bancos enormes de joelhos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Temos problemas para resolver? Claro. Corrupção é um deles? Sem dúvida. Mas entendamos: a rigor, onde existe política, a possibilidade de corrupção é enorme. No Brasil. Na China. Na França. Nos Estados Unidos. Na Inglaterra. Na Itália. Em todo lugar. Citei estes países apenas porque, recentemente, grandes escândalos sacudiram seu mundo político. Na admirada França, o presidente Sarkozy é suspeito de ter recebido dinheiro irregularmente da dona da L’Oreal.

O problema na corrupção política é a falta de punição. Não me parece que seja o caso do Brasil. Antes, sim. No governo militar, a corrupção era muito menos falada, vigiada e punida. Um governador acaba de ser preso. A chefe da Casa Civil, ainda que não haja prova de seu envolvimento pessoal no favorecimento de familiares, perdeu o cargo e está submetida a um linchamento moral que ninguém sabe ainda se é merecido.

A choradeira de Jabor — um pouco mais literata e dramática do que a de uma alma gêmea sua, Clóvia Rossi, da Folha — não ajuda a causa que ele defende. Jabor representa o liberalismo econômico, a direita política. Para persuadir as pessoas de que suas idéias são corretas, são necessários argumentos melhores do que os que ele apresenta.

O primeiro ponto é que muito pouca gente acredita que o Brasil descrito por Jabor é o Brasil de verdade. Basta tirar os olhos de sua coluna e colocá-los na rua. A realidade é diferente. Há sol onde na prosa jaboriana parece só existir treva. Jabor se dá ares de dissidente cubano quando tem padrão de vida — e de liberdade — escandinavo.

Caso Dilma vença, Jabor parece estar preparado não para a guerra, mas para permanecer no papel enfadonho e ranzinza de mártir, de vítima impotente de um país que, se fosse tão ruim assim, ele já teria trocado por outro, como fez Paulo Francis. Esse papel pode ser bom para palestras. Segundo um site que agencia palestras, “o palestrante Arnaldo Jabor mostra-se extremamente habilidoso ao aliar citações eruditas a uma visão crítica da realidade brasileira”.

Mas a choradeira não é boa sequer para a própria causa que ele defende — uma economia tatcherista em que o mercado não tenha freios ou limitações. Para erguer esse universo, são necessários argumentos inteligentes — e não pragas como esta de hoje. “Malditos sejais, ó mentirosos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, e vos devorem a alma.”

Tenho a sensação de que os editores de Jabor no Estado e no Globo não conversam com ele sobre o que ele vai escrever. Acho que deveriam. Às vezes um simples “calma, está tudo bem” resolve. Uma conversa prévia seria útil para Jabor,a causa, o leitor e o debate.

¹ Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.

Acordo Nuclear Brasil Irã e a má vontade dos países da União Européia

Por que a mediação brasileira irritou tanto a Europa

Depois de ter assinado com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, um acordo com o Irã sobre o programa nuclear iraniano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que “a diplomacia saiu vitoriosa”. Mas essa não é a opinião dos diplomatas europeus, que, sem rejeitar o acordo de segunda-feira, fizeram caretas, dizendo que “o Irã está de novo com as cartas na mão”.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Os israelenses estão ainda mais descontentes. Eles odiaram o acordo, mas fizeram uma distinção entre os dois responsáveis. A Turquia, cujas relações com Jerusalém deterioraram-se depois da guerra na Faixa de Gaza, voluntariamente prestou-se às “manobras iranianas”.

Já Lula, “pecou pela ingenuidade”, sugerindo que o Brasil, pouco habituado aos ardis da diplomacia, caiu “na armadilha iraniana”.

Esse desânimo espanta. Na verdade, o acordo entre Brasil, Turquia e Irã reproduz o mecanismo de troca de urânio concebido em Viena em outubro de 2009 pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Na ocasião, EUA, França e Rússia consideraram o sistema engenhoso. Mas o Irã o rejeitou.

Ora, os mesmos que aprovaram esse texto, em vez de saudar a virtuosidade de Lula e Erdogan, resmungam.

À primeira vista, podemos pensar que os grandes da diplomacia mundial, simplesmente ficaram melindrados ao ver que Ancara e Brasília obtiveram de um só golpe o que os “gênios” não conseguiram. “O Irã está com as cartas na mão”, opinou o francês Bruno Tertrais, da Fundação para Pesquisa Estratégica.

“Os ocidentais devem agora empreender uma grande batalha de relações públicas.”

O nervosismo da França é mais observado contra a Turquia, que a diplomacia francesa não aprecia (Sarkozy rejeita a entrada da Turquia na União Europeia).

Muito menos visível no caso de Lula porque a França tem um velho hábito de amar o Brasil.

Lula é o chefe de Estado mais admirado pelos franceses (mais do que Barack Obama). E Sarkozy, como todos os franceses, gosta do Brasil e de Lula.

Gilles Lapouge é correspondente em Paris do O Estado de S.Paulo

Internet: parlamento da França aprova lei antipirataria

França aprova lei antipirataria que prevê bloqueio de acesso

O parlamento francês aprovou nesta terça-feira (22) a polêmica lei antipirataria que prevê punições a quem baixar arquivos ilegalmente na internet. A medida permite às autoridades investigar os responsáveis pelos downloads e puni-los com a aplicação de multas e até a proibição do acesso à internet. Foram 258 votos favoráveis e 131 contrários.

O presidente Sarkozy e o Ministro da Cultura, François Miterrand, defendem as restrições. O governo pretendia criar um órgão para tratar exclusivamente da punição aos responsáveis pelo download. Contudo, na versão final do texto, a decisão foi passada para as mãos da justiça, e a punição só pode ser aplicada depois de duas advertências. O texto prevê que quem descumprir a lei pode ficar até um ano sem internet, ou pagar multa de até 30 mil euros (R$ 78 mil).

A aprovação também torna bem-sucedida a campanha das gravadoras e produtoras de filmes pela restrição à troca de arquivos virtuais. A oposição ainda pretende reabrir a discussão sobre o assunto no parlamento.

Estadão

Nelson Jobim: o ministro ‘brameiro’

A compra dos caças, mais baratos, e o humor capenga de Nelson Jobim

A Suécia “cobriu” a proposta da França, e oferece o mesmo armamento pela metade do preço. O Ministro da Defesa, em vez de defender o interesse do Brasil resolveu fazer piada sem graça.

Chamou os jornalistas e comentou: “É curiosa essa proposta, pode ser identificada assim, compre uma cerveja e ganha 4 guaranás”.

Típico de um homem que falsificou e fraudou a Constituição e confessou.

Mais barato é perigoso?

O Ministro pareceu contrariado com a proposta da Suécia. Mas por que não resolve saber na fonte se esse preço 50 por cento mais barato é para valer?

O Presidente Lula, que na viagem em alta velocidade do presidente Sarkozy, garantiu, “O negócio está feito”, confirmado o preço, embarca para a Suécia e fecha o negócio lá.

Hélio Fernandes/Tribuna da Imprensa