Pré-candidato à Presidência dos EUA usa seguidores falsos no Twitter

Por aqui na Taba dos Tupiniquins tão aética conduta jamais aconteceria.

Afinal o que temos de sobra por aqui são políticos avessos a fraudes e falcatruas. não é mesmo?

O Editor


Neste domingo, o pré-candidato à Presidência dos EUA Newt Gingrich usou um novo argumento para explicar porque deveria ser o representante do Partido Republicano na disputa do ano que vem contra Barack Obama: ele é o pré-candidato com mais seguidores no Twitter.

Um antigo funcionário de Gingrich, no entanto, anunciou que o ex-chefe comprou seus seguidores no microblog, e que apenas 10% deles seriam, de fato, reais.

Neste domingo, Gingrich reclamou que a imprensa estava ignorando sua popularidade no Twitter.

O republicano tem 1.3 milhão de seguidores, seis vezes mais que os outros candidatos de seu partido juntos.

Mitt Romney e Michele Bachmann, por exemplo, ainda não alcançaram nem a marca dos 100 mil.[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]

Mas se Gingrich está ganhando as prévias do Partido Republicano no Twitter, é por uma fraude eleitoral.

Um ex-funcionário do republicano confessou que o ex-chefe contratou uma empresa especializada para aumentar sua popularidade no microblog.

Cerca de 80% de seus seguidores são perfis inativos, criados pelas tais empresas de consultoria online, e apenas 10% equivalem a pessoas reais que são pagas pelo pré-candidato à Presidência americana.

Os outros 10%, bom, esses sim são pessoas que por vontade própria seguem o republicano no Twitter.

A campanha de de Gingrich não quis comentar o episódio.

Mas, se confirmada, a compra de seguidores pode justificar porque ele tem o dobro deles no Twitter que sua polêmica colega de partido e opositora na disputa pela Presidência Sarah Palin.

O Globo

Eleições 2010: Constituição é desrespeitada pela Lei Eleitoral

Os constituintes de 1988, egressos de um período de forte censura por parte dos governos militares, com medo de que um novo Estado forte pudesse reaparecer, terminaram por fazer uma legislação que se mostra ultrapassada e tão ou mais censória que a carta anterior.
Ao longo dos anos, sempre de afogadilho, um sem número de leis foram aprovadas, sempre as vésperas das eleições. As mudanças das regras eleitorais visam sempre resolver questões pessoais, e são feitas quase sempre por pressão e não por acordos no Congresso. Sem uma ampla reforma política permanecerá a mesma estrutura de poder. Os constituintes derivados parecem não adotar a máxima de que o “Direito modifica a sociedade e a sociedade modifica o Direito”.
Contra a censura. Sempre! Antes que Chávez.
O Editor


Ao censurar, lei eleitoral agride Carta (Editorial)

É provável que a explicação esteja no longo período do mais recente apagão institucional na história da República brasileira, ocorrido de 1964 a 1985, pouco mais de duas décadas. Não se sai incólume de tanto tempo de autoritarismo, mal que se entranha em todo o arcabouço jurídico.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Promulgada em 1988 a Constituição da volta à democracia, ainda restaram dispositivos herdados da ditadura militar, o chamado “entulho autoritário”. Talvez o mais daninho tenha sido a Lei de Imprensa, assinada em 1967 por Castello Branco, o primeiro dos presidente militares daquele ciclo, e só extinta no ano passado, por decisão do Supremo Tribunal Federal.

A mais alta Corte do país aceitou o argumento de que o dispositivo constitucional garantidor da liberdade de imprensa e expressão não requer regulamentação. Logo, aquela lei era inconstitucional. Mas há outros absurdos jurídicos em vigor, como a lei eleitoral, de n 9.504. Sequer ela pode ser enquadrada como “entulho autoritário” legítimo, pois é de 1997.

Aprovada quando o país já transitava em pleno estado de direito democrático, esta legislação, no entanto, padece de séria intoxicação de cultura ditatorial. Um dos seus piores efeitos é, na prática, baixar a censura nos programas humorísticos de TV e rádio, além de engessar a cobertura jornalística dos pleitos.

A proibição de “trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato ou coligação” serve de base para a Justiça impedir, por exemplo, o “Casseta & Planeta” (TV Globo), “CQC”(Bandeirantes) ou “Pânico na TV” (Rede TV) de usarem as eleições como fonte de inspiração. No arsenal jurídico, há multas pesadas e até o poder de retirar o infrator do ar.

Seria impensável na mais pujante democracia, nos Estados Unidos. Lá não se impede o humorista de explorar as eleições como matéria prima. Vale relembrar o sucesso dos “Saturday Night Live” inspirados em Hillary Clinton e Sarah Palin. A própria Hillary, com grande fairplay, apareceu em um dos programas da NBC.

Há um evidente excesso no Brasil. O professor de Direito Constitucional da UERJ, Gustavo Binenbojm, em entrevista ao GLOBO, disse entender que o objetivo da lei seja garantir a lisura das eleições, ao impedir candidatos de cometerem excessos na propaganda obrigatória.

Como a lei foi redigida e é interpretada, porém, ela amordaçou os programas humorísticos e manifestações artísticas. E assim derrapou para a inconstitucionalidade, pois a liberdade de expressão não pode ser sobrepujada por outro diploma legal.

A legislação incorre no equívoco de discriminar os meios de comunicação, em prejuízo dos eletrônicos, sob o argumento frágil de que estes dependerem de concessão pública para difundir imagens e som. A concessão, no entanto, se deve a um imperativo técnico — impedir a interferência entre as ondas de transmissão —, e não pode servir de pretexto para a censura de qualquer conteúdo de programas de rádio ou TV.

É tão discriminatória a legislação que os sites na internet dos meios eletrônicos sofrem as mesmas restrições, ao contrário das versões digitais dos meios impressos. Binenbojm fez duas propostas: o Congresso editar nova norma, corrigindo a atual, ou o Tribunal Superior Eleitoral baixar outra interpretação das restrições — este o caminho mais rápido.

Nunca é tarde para se cumprir a Constituição, demonstrou o STF ao revogar a Lei de Imprensa.

O Globo

A era Obama

Paul Krugman é colunista do ‘The New York Times’

A maior parte dos debates pós-eleitorais provavelmente será sobre o que os democratas devem fazer com o seu mandato. No entanto, eu gostaria de fazer uma pergunta diferente, igualmente importante para o futuro da nação: o que a derrota significará para os republicanos? Poderíamos pensar, quem sabe até esperar, que os republicanos embarcassem numa busca por sua identidade, perguntando a si mesmos se eles perderam o contato com o americano médio, e como isso teria acontecido. Contudo, não acredito que isso vá ocorrer tão cedo.

Ao invés disso, o partido que restar será o que vai aos comícios de Sarah Palin, nos quais a multidão grita: “Vote McCain, e não Hussein!”. Será o partido representado por Saxby Chambliss, senador da Geórgia que, ao observar o grande número de eleitores negros participando da votação antecipada, alertou a seus partidários dizendo que “os outros sujeitos estão votando”. Será o partido que cultiva fantasias ameaçadoras sobre as raízes marxistas – ou seriam islâmicas? – de Barack Obama.

DIREÇÃO

Será que o Partido Republicano se tornará mais radical, e não menos? As projeções sugerem que essa eleição vai tirar do Congresso muitos dos republicanos moderados remanescentes, ao mesmo tempo mantendo a linha dura do partido.

Larry Sabato, analista eleitoral, prevê que sete vagas no Senado, atualmente em poder dos republicanos, passarão para os democratas. Segundo a classificação liberal-conservadora, elaborada pelos cientistas políticos Keith Poole e Howard Rosenthal, cinco dos senadores prestes a perder a vaga são mais moderados do que o senador republicano médio. Assim, a parte do partido que permanecer no Congresso será de orientação ainda mais à direita. O mesmo deve ocorrer com os deputados.

Além disso, a base republicana parecia estar se preparando para considerar a possível derrota não como uma condenação das medidas conservadoras, mas como o resultado de uma conspiração maligna. Uma pesquisa recente realizada pela Democracy Corps descobriu que os republicanos, em uma proporção superior a dois para um, consideram que McCain está perdendo “porque a grande mídia é tendenciosa” e não “porque os americanos estão cansados de George W. Bush”.

McCain estabeleceu os moldes para que sejam feitas as declarações de que a eleição foi roubada, ao declarar que o grupo de ativistas Acorn “está prestes a cometer a maior fraude eleitoral da história dos EUA, possivelmente destruindo o tecido da democracia”. De acordo com o site Factcheck.org, a Acorn jamais “foi considerada culpada ou sequer acusada” de ter incentivado fraudes eleitorais. Não é necessário dizer que os eleitores que a organização tenta registrar são, na maioria, os “outros sujeitos”, como diria o senador Chambliss.

Seja como for, a base republicana, encorajada pela campanha de McCain, acha que a eleição deveria refletir a opinião dos “verdadeiros americanos” – e a maioria dos leitores desta coluna provavelmente não se enquadra nessa definição.

Assim, diante de pesquisas sugerindo que Obama vencerá na Virgínia, um dos principais assessores de McCain declarou que a “verdadeira Virgínia” – a porção sul do Estado, excluídos os subúrbios da capital, Washington – é favorável a McCain. A maioria dos americanos vive atualmente em grandes áreas metropolitanas, mas durante visita a uma pequena cidade na Carolina do Norte, Sarah Palin descreveu aquela comunidade como “aquilo que eu chamo de verdadeira América”. A verdadeira América, ao que parece, é provinciana, em sua maior parte sulista, e acima de tudo, branca.

INTOLERÂNCIA

Não estou dizendo que o Partido Republicano está prestes a se tornar irrelevante. Os republicanos ainda estarão em posição de bloquear algumas iniciativas democratas, especialmente se os democratas não conseguirem obter uma maioria no Senado capaz de evitar obstruções. E essa capacidade de obstrução garantirá que o Partido Republicano continue a receber grande quantidade de dólares corporativos: este ano a Câmara depositou muito dinheiro nas campanhas dos republicanos no Senado, na esperança de negar aos democratas uma maioria suficiente para aprovar leis.

No entanto, a longa transformação do Partido Republicano em partido da direita irracional, santuário de racistas e reacionários, é um processo que será acelerado como resultado da derrota. Isso confrontará os conservadores moderados com um dilema.

Muitos passaram os anos de Bush imersos na negação, fechando seus olhos para a desonestidade e para o desprezo pela lei. Alguns tentaram manter-se mergulhados nessa negação durante as eleições deste ano, mesmo quando as táticas de McCain se tornaram cada vez mais sujas. Um dia, porém, eles serão obrigados a concluir que o Partido Republicano se tornou o partido da intolerância.

Eleições Americanas – A Conversão de Sarah

Lucas Mendes
De Nova York para a BBC Brasil

Já cobri 10 convenções – desde 68 – e nunca vi um milagre político parecido.
Há cinco dias, Sarah Palin era o pecado mortal do senador John McCain. O velho senador tinha perdido o juízo. Quem era esta mulher que passou por cima de tantos caciques do partido para o posto de candidata à vice?

A desconhecida Sarah Palin tem suas virtudes. Está fora do circuito de Washington, é uma conservadora radical, jovem, honesta, rebelde, pesca, caça e come.

Casada desde os 18 anos com o namorado que conheceu numa quadra de basquete quando estudavam juntos. No jogo, pela agressividade, ficou conhecida como Sarah Barracuda, mas hoje projeta a imagem de mãe adorável de cinco filhos. Professoral ou bibliotecária, mas adorável.

Será que conquistará os votos das mulheres americanas, em especial aquelas decepcionadas com Barack Obama, que derrotou e depois desprezou Hillary Clinton como vice?

O senador McCain, um apaixonado por jogos de azar, apostou nela e hoje é tratado como gênio, uma prova de sua capacidade de decisão.

Só novelas têm tantas guinadas e surpresas em tão pouco tempo. O currículo político da ex-prefeita de Wasilla, 7 mil habitantes, eleita com 826 votos contra 255 do adversário, é mais magro do que o de qualquer um dos outros candidatos que estavam na lista.

Há dois anos foi eleita governadora e em menos de uma semana a desconhecida foi transformada numa nova líder não só da política americana, mas do mundo ocidental.

Sarah Palin fez uma viagem internacional na vida – tirou passaporte no ano passado – para visitar os soldados da Guarda Nacional do Alasca no Oriente Médio e talvez até saiba onde fica o Brasil – é ligada em petróleo- mas, pelos discursos da convenção republicana, ela está pronta para assumir a Presidência dos Estados Unidos.

Na opinião de Cindy McCain, ela é bem informada sobre a Rússia porque o Alasca é o Estado americano mais perto do país de Putin.

Em menos de dois anos, disse o prefeito Giuliani , ela se tornou a melhor governadora dos Estados Unidos e a mais popular, com 80% de aprovação ( tanto ou mais do que o governador Aécio Neves).

“Sozinha tem mais experiência do que Obama e Biden juntos. Vai sacudir Washington. Quem ousa questionar como Sarah Palin pode cuidar de 5 filhos e do país ao mesmo tempo?”, disse Giuliani, o “prefeito da América”, sobre a multiplicação dos talentos da governadora.

Os traços da ex-miss, 25 anos depois, ainda estão no rosto dela. Simpática, bonita, sexy e discreta na blusa gelo, saia preta, óculos de professora. Pinta de vice ela tem. E até mais. De professora e bibliotecária também.

No discurso mais importante da vida, com carisma e eloqüência, ela tirou nota dez. Debochou do currículo de Barack Obama – organizador comunitário que não precisa prestar contas – e do vice Joe Biden, que durante a campanha martelou o candidato democrata.

A prestação de contas dela sobre as finanças do Alasca causa inveja aos outros governadores americanos que não têm tanto gás nem petróleo e têm muito mais do que 800 mil habitantes. Alasca é o Estado com a 47ª população dos Estados Unidos. Sarah Palin ficou devendo explicações sobre os planos para resolver os problemas do país.

Houve quem criticasse a presença do filho com a síndrome de Down, adormecido no braços do marido, parte esquimó, herói do Alasca. Ele é tetracampeão da mais famosa corrida do Estado, a Iron Dog.

São 3.200 quilômetros de snowmobile, dura de 6 a 7 dias e, na última corrida, com o braço quebrado nos últimos 600 quilômetros, ele chegou em 4º lugar. Gosta de ser tratado não como Primeiro Marido, mas como Primeiro Cara – First Dude. Se a mulher for vice ele será qual Cara?

Uma família diferente na corrida para a Casa Branca. A filha adolescente solteira, grávida de 5 meses, ao lado do futuro marido recrutado às pressas no Alasca, agora também é um modelo de moça que decidiu ter o filho em vez de optar pelo aborto.

Até agora prevaleceram as virtudes da candidata, mas ela teve conexões com
lobistas e está envolvida numa investigação sobre abuso de poder. Briga de família. Vão surgir pecados e serão multiplicados pelos democratas.

O discurso mais “macho” da noite foi feito por uma mulher, disse Alex Castellano, um analista político na rede CNN mas nem ela, e nenhum outro orador da noite, teve a macheza de pronunciar o nome do presidente Bush. Este nem Santa Sarah cura.