José Dirceu: basta de ilegalidades

Tá lá no blog do guerrilheiro do palavreado

Basta de ilegalidades!

Tenho insistido, aqui neste blog, sobre a necessidade de as investigações policiais observarem o devido processo legal e o respeito ao direitos constitucionais do cidadão. Entre estes, um dos mais caros é o direito à privacidade. O combate ao crime e à corrupção tem que ser firme e contínuo, mas não pode ser feito utilizando recursos ao arrepio da lei, sob pena de se comprometer todo o processo – em benefício dos acusados.

Mais uma vez, integrantes da Polícia Federal (PF) recorrem ao vazamento de gravações sob sigilo. E mais uma vez um órgão de imprensa publica o vazamento, tornando-se co-autor da quebra de sigilo. Não importa que desta vez, supostamente, o vazamento seja para provar eventuais excessos da PF que teria grampeado conversa do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), como revela matéria publicada por VEJA no final da semana.

O grava e vaza tem que ter um basta, da mesma forma que a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) não pode ceder seus agentes para participar de operação da PF, sem que isso seja feito formalmente mediante solicitação ou acordo. A cessão informal de agentes, como parece ter ocorrido na Operação Satyagraha, apesar dos desmentidos do diretor da ABIN, delegado Paulo Lacerda, é uma afronta ao Estado de Direito.

No que se refere a mim, a informação publicada por VEJA referente ao arrombamento do meu escritório de advogado, na Vila Clementino, em São Paulo, é verdadeira. De fato, meu escritório foi invadido em um fim de semana (15 ou 16 de março deste ano, fiz o Boletim de Ocorrência na manhã da 2ª feira, 17.03). Obra de profissionais. A porta não foi arrombada e levaram apenas a CPU do computador. Os “ladrões” não se interessaram por mais nada.

Minha desconfiança sobre a natureza do arrombamento se transformou em certeza quando soube por um amigo advogado, que ouviu de policiais que queriam me envolver, a qualquer custo, na Operação Satyagraha. Daí o roubo. Daí o grampo em meu telefone e no de familiares. Não encontraram nada que me comprometesse, como não vão encontrar nada.

Daniel Dantas, Cacciola e um monte de perguntas

Brasil: da série “perguntar não ofende”.

Mais perguntas do que respostas
Do blog da Lucia Hippolito

Continuo cheia de dúvidas a respeito deste caso Daniel Dantas.

Se eu preencher um cheque de mais de R$1.000,00, tenho que dizer para quem é o cheque, assinar atrás. E recebo um telefonema da minha gerente me perguntando se o cheque é meu mesmo.

Isto acontece comigo, com você e com todos os correntistas de bancos sérios.

Entretanto, há mais de uma semana, o noticiário diz que um dos maiores bancos do país não prestou informações sobre uma movimentação financeira de dezenas de milhões de reais, e de um de seus proprietários.

Independentemente do devido processo judicial, o que aconteceu na esfera administrativa? O que as autoridades responsáveis pela regulação têm a dizer?

A resposta a esta denúncia é muito simples e demora no máximo dois dias: o Opportunity entregou ou não entregou as informações? Se não entregou, quais foram as sanções aplicadas? Como o banco continua funcionando?

Os responsáveis deveriam ter sido sumariamente afastados até o final do processo, ou mesmo presos.

Só o Opportunity deixou de enviar informações ou outros bancos também escolhem o que informar e o que não informar, ao mesmo tempo em que exigem que seus clientes prestem as informações?

O fato é que alguém falhou gravemente neste caso. Ou a Polícia Federal está equivocada ou autoridades do governo federal devem prestar contas à sociedade: Coaf, Banco Central, CVM, entre outros órgãos reguladores do sistema financeiro. Todos falharam gravemente e continuam devendo explicações.

Finalmente, uma dúvida sobre Salvatore Cacciola, que acaba de desembarcar no Brasil. Há outros condenados junto com ele no mesmo processo.

Mas enquanto não se chega à última instância, os “colegas” de Cacciola aguardam em liberdade, trabalhando livremente. Por que só Cacciola deve ir preso, se foi o único até agora que passou algum tempo na cadeia — dez meses em Mônaco?

Enquanto isso, peço a atenção de vocês para algumas questões que estão me intrigando:

1. por que um delegado que estava no comando da mais importante investigação de crimes financeiros (com evidentes ramificações políticas) já ocorrida no país pede afastamento sem ter terminado o trabalho para… freqüentar um curso de aperfeiçoamento??!!!

2. por que ainda não se conhece o conteúdo dos CINCO HDs encontrados um nicho escondido em uma parede falsa na residência do banqueiro Daniel Dantas? Afinal, este material foi recolhido há dias.

3. existe alguma conexão entre o que se espera (ou se teme) encontrar nos HDs e o súbito e irresistível desejo do delegado Protógenes Queirós de prosseguir seu aprimoramento funcional e intelectual num cursinho de aperfeiçoamento, que não pode esperar o final das investigações?

Muitas perguntas e, até agora, pouquíssimas respostas.

Ex-marido divulga cenas de sexo com a mulher na internet. Poderá ser enquadrado na Lei Maria da Penha

A vingaça cibertnética à traição conjugal. O célebre adereço, que enfeita a testa dos traídos, virará antena virtual?

Caruaru em polvorosa
Do blog do Noblat

Insatisfeito com o iminente fim de seu casamento, o programador Márcio André Avelino do Vale resolveu se vingar: pôs na internet cenas de sexo com a própria mulher, que também trabalha na área de informática. As imagens foram parar em sites de relacionamentos, DVDs vendidos na feira e até telefones celulares. O caso acabou na polícia, onde o webdesigner está para ser enquadrado na Lei Maria da Penha. É a primeira vez no estado que a legislação para crimes domésticos se aplica àqueles cometidos pela rede. O assunto virou tema de conversa na feira, nos bares e nas ruas de Caruaru, a 130 quilômetros de Recife.

– Foi um choque muito grande, pensei que não ia agüentar. Porque você chega em uma repartição, vai tirar um documento e as pessoas lhe apontam dizendo “essa é a mulher do vídeo”. Quando ando no ônibus ou de mototáxi, os comentários são sempre os mesmos. É horrível – desabafou ela a emissoras de rádio e televisão, embora sem mostrar o rosto para não se expor mais ainda. A mulher confirmou que as gravações tiveram sua permissão.

– Pensei que fosse coisa de homem. Ele disse que ia gravar as cenas, para assistir quando desse vontade. Depois, recebi dele um e-mail, dizendo: “Não deu para resistir, botei tudo na internet” – contou a mulher, que nesta terça-feira voltou à delegacia para ser ouvida, porque testemunhas disseram que o acusado tem antecedentes violentos, seria um hacker e havia violado a conta bancária dela via computador. O acusado tem 28 anos e a mulher, 21.

Olhe essa – PSDB e DEM teriam apoiado terroristas da Colômbia?

Quando da ação de forças da Colômbia em território do Equador, caracterizando claramente um atentado à soberania de uma nação, no caso o Equador, colocou-se panos quentes no ato hostil, na justificativa de que tinha sido uma ação contra as Farc, esses, terroritas e narcotraficantes.

Aqui no Brasil, sem percepção do que implica atos dessa natureza nas relações internacionais, algumas ex-celências se manifestaram favoráveis à violação do território equatoriano. Nada como o desenrolar da história para dizer quem é quem nessa história e mostrar a face sombria do governo de Álvaro Uribe.

Do blog do Campello

Parlamentares do PFL(DEM) e do PSDB fizeram algumas manifestações de apoio ao governo da colômbia na invasão do equador.

Trinta e um terroristas foram presos na Colômbia. Todos eles diretamente ligados ao Presidente Álvaro Uribe, imposto pelos Estados Unidos da América.

Em depoimento à Justiça daquele país o ex-Diretor do Departamento de Segurança denunciou, nominalmente, a ex-Ministro do Governo Uribe, Sandra Suárez, na infiltração de forças paramilitaeres de direita no aparelho do Estado.

Forças do Governo Álvaro Uribe invadiram há menos de dois meses o território do Equador.

Em tempo: a Colômbia tem uma larga fronteira com o Brasil.

Saiu na mídia – Não é só para Dilma Roussef que a chapa tá esquentando…

Poie é, né? E os tupiniquins que pensavam que quadrilha de colarinho branco só existia em Brasília. Lêdo (Ivo) engano. Tem mutreta farroupilha e também na taba dos Alencar.

Yeda Crusius na linha de tiro. Ferve a política gaúcha.
Do blog da Lucia Hippolito

Estimulada por dois amáveis freqüentadores do blog (ou será um só?), fui pesquisar sobre a situação política no Rio Grande do Sul. Realmente, ficamos todos muito voltados para Brasília – e, às vezes, para São Paulo e Minas – que ficamos dependentes de informações de comentaristas e ouvintes para analisar situações de outros estados.

Foi um ouvinte, por exemplo, que me chamou a atenção para a verdadeira “casa da sogra” em que se transformou o governo do Ceará, com o governador Cid Gomes (PSB) levando a sogra de jatinho alugado para passear na Europa, às custas do “rico”(?) contribuinte cearense. Comentei o assunto algumas vezes na Rádio CBN e na Rádio Globo.

Agora, vou até o Rio Grande do Sul. O que consegui apurar?

Existe suspeita de grossa falcatrua no Detran-RS, envolvendo uma Fundação (sempre elas!), a Fundação para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae), que elaborava e aplicava os exames para a emissão das carteiras de motorista no estado. Uma CPI foi instalada na Assembléia Legislativa.

Pois, no mesmo dia em que a governadora Yeda Crusius rompeu o contrato com a tal Fundae, o secretário de Planejamento do estado, Ariosto Culau, não encontrou nada melhor para fazer do que tomar chope, à noite, na praça de alimentação do Shopping Total, com empresário Lair Ferst, um dos principais suspeitos de operar a fraude que teria desviado mais de R$ 40 milhões do Detran. Ferst foi apanhado pela Operação Rodin da Polícia Federal.
Flagrados pelo jornal Zero Hora, os dois tentaram disfarçar. Alegaram que são amigos e companheiros de partido (PSDB). Mas o estrago estava feito.

Yeda se recusa a demitir o secretário Ariosto (pelo menos até hoje de manhã). Segundo declarações da governadora, “Ariosto é um dos mais qualificados quadros do governo e é um homem íntegro e probo.” E declarou que Lair Ferst é um homem livre e o encontro do secretário foi com “um companheiro de partido”.

Tudo bem até aqui? Então, vamos em frente, porque tem mais.

Outros secretários tucanos são da opinião de que Ariosto deve demitir-se, para não criar constrangimentos para a governadora.Mas Yeda decidiu prestigiar Ariosto e o manteve em sua companhia em eventos oficiais na sexta-feira.

Enquanto isso, na CPI do Detran na Assembléia Legislativa, a bancada tucana se sentiu traída com o encontro entre o secretário Ariosto Culau e o empresário (e também lobista?) Lair Ferst.

Suas Excelências, membros da CPI, ficaram indignados com a divulgação do encontro pela Rádio Gaúcha. A oposição (leia-se PT) já queria convocar Ariosto Culau para depor na CPI. Em seguida, a presidência da CPI solicitou todas as imagens captadas por câmeras de segurança nas dependências do Shopping Total, em Porto Alegre.

Mas a bomba mais mortífera sobre Yeda Crusius ainda estava por ser lançada.

Na mesma sessão extraordinária da CPI, o delegado Luiz Fernando Tubino, ex-chefe da Polícia Civil gaúcha, afirmou que Lair Ferst teria dado R$ 400 mil para ajudar a governadora Yeda Crusius a comprar uma casa no bairro Vila Jardim.

Segundo o delegado, a Operação Rodin, da PF, teria identificado o cheque.Não apresentou provas, mas a palavra de um ex-chefe da Polícia Civil, pronunciada diante de uma CPI, vale muito.

Lair Ferst foi um dos coordenadores da campanha vitoriosa de Yeda Crusius ao governo do estado em 2006. Segundo tucanos gaúchos, era responsável pela agenda da candidatura, inclusive por encontros com empresários.

Não é só para Dilma Roussef que a chapa está esquentando…

Saiu no blog – O dever de casa que a CPI do Cartão não faz

Fica cada vez mais patente que suas (deles) ex-celências, buscam mais os holofotes que a eficiência. Qualquer assunto tratado pelos parlamentares se transforma em nada e perde o efeito fiscalisador, pela banalidade em que se transforma.

Do blog do Noblat

Que os senhores deputados e senadores da CPI do Cartão Corporativo nos poupem do ridículo de certas “descobertas” que fazem ao examinar as despesas pagas com cartão corporativo por ministros e funcionários da alta administração pública durante os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula.

Eles têm mais é que examinar os gastos, sim. E identificar irregularidades se por acaso elas existirem. E dar publicidade a tudo que de fato seja absurdo.

Mas daí a conferir ares de escândalo ao que não passa de mixaria? E o que às vezes é plenamente justificável? É jogar para a arquibancada. Querer faturar alguns minutos de duvidosa fama.

Divulgou-se que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu abastecia seu gabinete com frutas e queijos frescos. Se fossem frutas passadas e queijos com validade vencida podia?

O ex-ministro tomava danoninho. E daí?

Divulgou-se também a compra em 2001 por R$ 48,90 de um “tucano de pedras quartzo azul e quartzo verde” para possivelmente decorar o gabinete do então ministro Pimenta da Veiga, das Comunicações.

O que de mais importante poderia resultar da CPI seria a proposta de uma legislação que regulasse o uso de verbas públicas para pagamento de despesas de autoridades. Pelo jeito, a proposta não sairá.

Como não sai proposta alguma que moralize os próprios gastos de deputados e senadores.

Saiu no blog – Estudo mostra como a Constituição de 1988 foi fraudada

O que já se comentava desde à época da constituinte em 1988, agora é revela no blog do Políbio Braga. Confira abaixo:

“Não dá para compreender por que razão a totalidade da mídia gaúcha ignorou o seminário que a Ajuris [Associação dos Juristas do Rio Grande do Sul] promoveu para discutir o trabalho de Adriano Benayonb¹ e Pedro Antonio Dourado de Rezende intitulado “Anatomia de uma fraude à Constituição”.

Pois os dois estudiosos produziram um alentado trabalho de 28 laudas, baseado em pesquisas profundas efetuadas sobre a totalidade dos anais da Constituinte de 1988, concluindo que o atual ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o então deputado federal do PTB, Gastone Righi, fraudaram a Constituição.

Na qualidade de relator de verdade (o relator formal foi Bernardo Cabral), Nelson Jobim introduziu dispositivo que não foi aprovado pelos constituintes, modificando o artigo 166, parágrafo 3º, Inciso II, alínea B, que trata do serviço (pagamento) da dívida externa, o que causou prejuízos estimados em R$ 55 bilhões ao País, apenas em 1989. O artigo beneficiou os credores (bancos) internacionais da dívida externa. Houve dolo”.

¹Adriano Benayon é professor de economia política na Universidade de Brasília, advogado, doutor em economia, diplomata e consultor legislativo da Câmara Federal e do Senado.

Saiu no blog – Piquenique na beira do abismo

Suas (deles) ex-celências, não brincam em serviço. Adeptos do “fazemos qualquer negócio”, os deputados federais querem a permanência do balcão de compra e vendas de votos, para que o processo político brasileiro continue a bagunça que é.

Do blog da Lucia Hippolito

Está prontinho para ir a voto na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara um projeto que, se aprovado, pode botar a perder todo o esforço de se conferir alguma racionalidade e disciplina à política brasileira.

O tal projeto anula a resolução do TSE que determinou que os mandatos eletivos pertencem aos partidos e não aos eleitos.

Vamos recordar. Numa sessão histórica, em 27 de março de 2007, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que são os partidos, e não os políticos, os verdadeiros donos dos mandatos.

E as razões são simples e perfeitamente compreensíveis.

Primeiro, a legislação brasileira não contempla a hipótese de uma candidatura avulsa. Os candidatos são escolhidos em convenções partidárias, utilizam os recursos do Fundo Partidário e beneficiam-se do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, concedido aos partidos e não aos candidatos.

Se tudo isto ainda não bastasse, uma singela conta coloca um ponto final na discussão. Para ficarmos apenas nas duas últimas eleições, em 2002, dos 513 deputados federais, apenas 33 foram eleitos com os próprios votos. Os 480 restantes foram eleitos com votos da legenda, da coligação e das sobras eleitorais.

Em 2006, a situação não foi diferente. Dos 513 deputados federais, apenas 39 alcançaram o quociente eleitoral dos seus estados, sendo os demais 474 eleitos com votos da legenda, da coligação e das sobras eleitorais.

Portanto, amparado na legislação, o TSE decidiu – e o STF ratificou – que, do presidente da República ao vereador, todos os cargos eletivos estão vinculados aos partidos.

E os políticos que trocarem de partido fora de um determinado prazo devem devolver seus mandatos.

Mas suas Excelências não engoliram a decisão do TSE. Assim como no caso da verticalização das alianças, em que o TSE decidiu pela verticalização e o Congresso aprovou, a toque de caixa, uma lei que acabava com a verticalização.

Assim como no caso da farra do excesso de vereadores em milhares de Câmaras Municipais, que o TSE decidiu encerrar, e já estão querendo restabelecer o frege de antes. Agora, também a toque de caixa e muito discretamente, vai se armando na Câmara uma tentativa de restabelecer aquele troca-troca quase pornográfico do início e do final de cada legislatura.

Durante o auge do mensalão, criou-se na Câmara dos Deputados a figura do deputado pré-pago, que recebia algumas benesse$ para passar alguns dias ou mesmo algumas horas em uma legenda partidária.

Esta classe política brasileira é mesmo da pá virada, como se dizia antigamente. Não aprendeu nada e não esqueceu nada. Os políticos brasileiros continuam gostando de viver perigosamente, de fazer piquenique na beira do abismo.

Depois, não reclamem.

Opinião dos outros – A justiça das pedras

A mais contundente análise sobre o desvairo de uma sociedade que, em busca de justiça, opta pela intolerância, insuflada pela espetaculosa mídia brasileira.

A justiça das pedras
Do blog do Aydano

Tem hora que desanima!

O que foi, Deus do céu, aquele espetáculo de histeria, na porta do 9° DP, em São Paulo, durante o depoimento do pai e da madastra da menina Isabella, na sexta-feira? A multidão em fúria, a clamar por linchamento, a xingar e pichar muros com acusações e ofensas aos suspeitos e, pior, a todos os seus parentes, amigos e advogados, só feriu mesmo – profundamente – a noção de estado democrático de direito, que, a gente constata a cada evento do tipo, ainda engatinha, sem a menor firmeza, no Brasil. Tristeza, muita tristeza.

Atiraram uma pedra, no carro que conduzia o pai e principal suspeito pelo crime terrível, e acertaram nossa sociedade inteira, cada vez mais mergulhada numa intolerância que jamais conduzirá à virtude. Foi gente de perto e de longe, berrar por justiça, se esgoelar pelo martírio dos réus que já condenaram, no rito mais sumário. Ninguém quer esperar, todo mundo tem pressa. Pouco importa se não houver certeza absoluta de que a verdade é o que reivindica a maioria.

E o poder público fez sua parte – montou cordões de isolamento e até instalou banheiros químicos, para garantir à platéia as melhores condições na hora de assistir ao espetáculo. Teve, inacreditável, bolo e parabéns pelo aniversário da menina assassinada – além, claro, do protocolar comércio informal de comes e bebes, obrigatório em aglomerações de todo tipo. O circo armou-se completo, em pleno dia útil da maior cidade da América do Sul.

A lição que não interessa a ninguém ensina que o bafafá da sexta-feira paulistana descreve, de maneira eloqüente, como vai mal o Brasil. Temos motivos de norte a sul para nos revoltar – sem sair do assunto, morrem duas crianças, como Isabella, coitada, assassinadas por dia no país. E mais milhares de jovens, principalmente pobres, principalmente pretos, nos guetos de nossas metrópoles. Mas por eles e por elas, só choram seus parentes e amigos. Ninguém mais liga a mínima.

Os brasileiros escolheram a intolerância. Picham a casa dos pais dos suspeitos, como se eles fossem responsáveis pelo crime que lhe atravessou as vidas, levando a neta de apenas cinco anos. Entendem como ofensa a democrática presunção de inocência – aquela, do “todo mundo é inocente até prova em contrário” – e, ao berrar por justiça, clamam, na verdade, por justiçamento.

Parágrafo que será ignorado pela insensatez que também grassa por aqui, na caixa de comentários: o blog não está defendendo a inocência de assassinos, nem tenta acobertar marginais, tampouco conforma-se com a impunidade. Não, de jeito nenhum. Só entende que da insensatez não nascerá um país justo – aquele que todo mundo de bem deveria buscar.

Chico Buarque, que sabe tudo, constatou, numa entrevista alguns anos atrás, que o Brasil vivia um certo “direitismo de salão”. Como um dia foi chique ser de esquerda, hoje é bacana ser de direita, fazer piada racista, diminuir e espezinhar os desvalidos. Foi modesto, o poeta. Vivemos, sim, uma era de individualismo, intolerância, egoísmo, covardia, preconceito. Muito além de matizes políticos.

A democracia em sua plenitude, com cidadania para todos, é algo difícil de se construir. Exige paciência, grandeza, tolerância, boa vontade, convicção. A sociedade do olho por olho, do insulfim, das grades, das guaritas, do trânsito selvagem, da agressividade nas ruas e violência nas arquibancadas – a sociedade brasileira – ainda tem um longo caminho até lá.

Saiu na mídia – Jobim: ‘Terra demarcada não é propriedade de índio’

Há propósito da questão que envolve desde a marcação de terras indígenas na Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, até a ratificação, ou não, por parte do Brasil ao Tratado Internacional dos Direitos dos Povos Indígenas. Caso ratificado pelo Presidende da República e pelo Senado Federal, abrem-se as portas para o surgimento de movimentos separatistas na Amazônia.

A esse respeito transcrevo abaixo matéria do blog do Josias de Souza.

O Ministro da Defesa revela na Câmara o que pensa sobre os índios Para ele, uma ‘demarcação não é entrega de soberania’. Sob FHC, ele editou decreto que deu voz a ‘não-índios’. No STF, suspendeu um processo de demarcação em MS. Hoje, defende debate da mineração dentro de reservas.

Suas opiniões o aproximam do general Augusto Heleno Fábio Pozzebom/ABr. Ao criticar a política indigenista do governo, o general Augusto Heleno, comandante Militar da Amazônia, provocou a ira dos defensores dos direitos dos povos indígenas. A pedido de Lula, o ministro Nelson Jobim (Defesa) convocou o general a Brasília. Reuniu-se com ele, a portas fechadas, na noite de sexta-feira (18). Depois, deu o caso por “encerrado”.

Não se sabe o que conversaram Jobim e Heleno. Sabe-se, porém, que o ministro tem, sobre a matéria, opiniões que mais o aproximam do que afastam do general. Em 1996, quando era ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, Jobim foi, ele próprio, alvo de ataques acerbos dos aliados da causa indígena. Assinou, em 8 de janeiro daquele ano, o decreto 1.1775. O documento fixa regras para os processos de demarcação das terras indígenas. Traz no artigo 9º a previsão de manifestações das partes contrariadas, os chamados “não-índios.” Há 12 dias, Jobim recordou o episódio, ao falar a deputados federais, numa reunião da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

“Quando ministro da Justiça, alterei substancialmente o fórum de demarcação de terra indígena, assegurando o contraditório”, disse ele. “[…] Apanhei por causa disso [Leia sobre a pancadaria aqui e aqui]. Todo mundo me acusou, dizendo que eu era isso, que eu era aquilo. Não dei bola, até porque não dou bola para acusação. […] Tenho couraça de crocodilo. […] Não dou a mínima bola. Hoje não se fala mais.” No encontro com os deputados, que ocorreu antes da palestra em que o general Heleno tachou de “lamentável, para não dizer caótica” a estratégia ingenista oficial, Jobim expôs raciocínios que permeiam o pensamento médio das Forças Armadas, expresso nos rompantes do comandante Militar da Amazônia.

Deu-se em resposta a observações do deputado Ruy Pauletti (PSDB-RS). O parlamentar mencionou a Amazônia. Sem citar a reserva Raposa Serra do Sol, falou especificamente de Roraima, Estado em que se encontram assentadas as terras que suscitam tanta polêmica. “Vamos perceber que as riquezas minerais, que lá são abundantes, vão estar, quase todas elas, dentro das áreas indígenas.”

Pauletti falou também do interesse internacional que a região desperta.

Na resposta, Jobim disse coisas assim:

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