Síria, guerras “boazinhas” e hipocrisia; Rambo perdeu a utilidade.

Rambo Blog do MesquitaSíria, a falácia de guerras humanas, e o cinismo global.

Nunca existiu guerra suave nem ditador humanista. O mais é hipocrisia. Tá na história.

Qual a diferença entre ser morto por tiro de metralhadora, bomba de mísseis Tomahawks, ou sufocado por gás Sarin?

O genocídio que está acontecendo na Síria, tem em contra partida o cinismo das declarações, e atitudes do chamado mundo livre. Evidente que os USA não pretendem cometer o mesmo erro cometido no Iraque, na Líbia e no Egito. Trocar ditaduras carniceiras por ditaduras teocráticas carniceiras.

O impasse da impossibilidade de ocupação militar é que leva os USA a declarar que não irá usar infantaria para exterminar o regime de Assad, mas optar pelo uso asséptico bombardeio por mísseis teleguiados, e provavelmente “Drones“, que são aviões controlados por controle remoto, capazes de entregar uma bomba com mais precisão que uma encomenda da FedEx.

O alvo primário é Irã! Israel não quer o Irã com bomba atômica. O Irã é o inimigo de Israel. Irã, pois, naturalmente, é o inimigo dos EUA. Assim fogo com os mísseis contra o único aliado árabe do Irã que é a Síria.

Alguns estrategistas conhecedores de entrelinhas, afirmam que um ataque à Síria servirá apenas para abrir um corredor por onde passariam os caças-bombardeiros israelenses a caminho do Irã. Confira no mapa abaixo.

Mapa Síria Oriente Médio Blog do Mesquita

A Síria possui uma defesa antiaérea eficiente e moderna, o que seria um entrave para que aviões reabastecedores israelenses permitissem aos caças de Israel ter autonomia para bombardear os reatores Iranianos, e liquidar com o sonho nuclear dos descendentes de Xerxes.

O enrosco passa evidentemente pelas encrencas étnicas. A Síria está como recheio de sanduíche na briga pelo comando do Islã. De um lado a Turquia, aliada inconteste do USA, sonhando em se transformar em potência hegemônica no mundo islâmico. A Turquia é território predominantemente sunita. Do outro lado, território majoritariamente xiita está o Irã, às portas de fazer parte do clube das potências nucleares, e que por isso, ou por causa disso também deseja o comando do Islã.

Com ou sem intervenção, que palavrinha “sofismática”, dos USA  a encrenca que acontece no Iraque hoje – Xiitas x Sunitas quando as duas etnias se reuniram para derrubar Saddam Hussein – e depois da intervenção militar dos USA, a luta entre as duas etnias voltou ao ancestral morticínio, que para muitos é muito pior do que quando Saddam estava no poder.

Noves fora todos os considerandos, em minha opinião a briga real é por água. Pelas nascentes do Rio Jordão – ficam nas colinas de Golan – que foram tomadas à Síria por Israel em uma das “trocentas” guerras travadas por lá. Sem a água do Jordão nada por lá será viável.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Hoje a globalização também chegou aos conflitos, que de locais passaram a globais, pois os interesses do complexo industrial militar – como bem definiu o ex-presidente presidente Dwight D. Eisenhower, em seu discurso de despedida, ao deixar a presidência – é quem realmente define os destinos do mundo. 

Voltando ao matadouro do Assad. Muito bem. Houve uso de armas químicas. Agora respondam; que as usou? Aí o buraco, ou o sufoco é mais embaixo, pois fica impossível definir quem foi o autor. A CBN divulgou que a Rússia teria provas de que os mísseis com gases tóxicos partiram dos redutos adversários de Assad.

E mais; o que acontecerá quando um míssil teleguiado explodir um depósito de armas químicas?

Quem se opõe ao Assad – será que é por isso que o carniceiro gosta de ‘assar’ os opositores – é uma facção da Al-Qaeda. Se tirarem o cabeçudo, assume como no Egito, a turma da bomba na cintura. Eis aí o impasse.

Os USA não temem encrenca com o ex-KGB Putin, que dirige uma Rússia insignificante – econômica e militarmente –  mas que com esse blá, blá, blá “embromático” colocou a terra dos Czares e das “troikas” de volta no tabuleiro das grandes potências. Para o Putin – finge que está Putin. Trocadilho infame, mas pertinente – esse salamaleque todo virou um suculento quibe.

Com a China não é precisa nada além de um afago diplomático, pois se o ocidente fechar a torneira das compras de porcarias manufaturadas, e fechar a fonte do fornecimento de matérias primas, para tudo na carniçaria criada pelo genocida Mao. Ou seja; a China não irá optar pelo confronto militar, mas pela manutenção do mercado. “É a economia estúpido”, como disse o assessor de Mr. Bill Clinton, respondendo a uma indagação feita pelo abestado marido de dona Hilária.

Parodiando Foster Dulles, ex-secretário de Estado dos USA, as nações não têm amigos. Têm Interesses.

O negócio é sempre prometer um futuro melhor. Seja para quem e ao que for.

Ps. –  O Nobel da Paz, isso mesmo da paz, o egípcio ElBaradei vejam só, apoiou o golpe militar fratricida no Egito. As grandes potências são de um cinismo inominável. Fingem que estão fazendo alguma coisa somente para consumo da plateia.

Ps. 2 – Tehani al-Gebali, vice-presidente do Supremo Tribunal Constitucional do Egito, acusa o queniano Malik Obama, irmão por parte de pai de BO, de ligações com a organização fundamentalista Irmandade Muçulmana.

A mídia e as ditaduras amigas

O que vem acontecendo no Egito mais que expor a realidade, até aqui disfarçada, de uma ditadura que já se preparava para virar dinastia, serve para demonstrar a inacreditável desfaçatez com que a mídia tradicional embota a opinião pública mundial.

Até então, a serviço das grandes negociatas transnacionais, ditaduras haviam no Irã, Líbia, Coréia do Norte, Cuba, etc., mas jamais se falou que Hosni Mubarak era um ditador, com um tempo de “reinado’ capaz de deixar, por longevo, com inveja os grandes Faraós que reinaram no Egito.

Da mesma forma cínica e manipuladora, o ditador da China, Hu Jintao, é hipocritamente chamado de presidente.

Para o professor Reginaldo Nasser da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), e especialista em relações internacionais no Oriente Médio, “falta apoio internacional para que seja derrubado de uma vez o governo ditatorial de Muhammad Hosni Said Mubarak, há 30 anos no poder.”

E continua:

“Os Estados Unidos têm papel dúbio, para não dizer hipócrita”, e o Brasil está igual aos Estados Unidos… Diz que torce para as coisas saírem bem e pronto”.

O Editor
PS 1.  Obama diz, pasmem, que Mubarak é um “patriota”! Putz! Por analogia, Fidel, Kim Jong Il, Kadafi, Rei Abdullah, Hu Jintao, Chaves…, também o são. Ou não?
PS 2. Sei que novamente levarei um ‘puxão de orelhas’ seguido do inevitável “é a economia, estúpido”!


Ignacio Ramonet/Carta Maior

Uma ditadura na Tunísia? No Egito, uma ditadura? Vendo os meios de comunicação se esbaldarem com a palavra “ditadura” aplicada a Tunísia de Bem Alí e ao Egito de Moubarak, os franceses devem estar se perguntando se entenderam ou leram bem.

Esses mesmos meios de comunicação e esses mesmos jornalistas não insistiram durante décadas que esses dois “países amigos” eram “Estados moderados”?

A horrível palavra “ditadura” não estava exclusivamente reservada no mundo árabe muçulmano (depois da destruição da “espantosa tirania” de Saddam Hussein no Iraque) ao regime iraniano? Como? Havia então outras ditaduras na região?

E isso foi ocultado pelos meios de comunicação de nossa exemplar democracia? Eis aqui, em todo caso, um primeiro abrir de olhos que devemos ao rebelde povo da Tunísia.

Sua prodigiosa vitória liberou os europeus da “retórica hipócrita de ocultamento” em vigor em nossas chancelarias e em nossa mídia. Obrigados a tirar a máscara, simulam descobrir o que sabíamos há algum tempo (1), a saber, que as “ditaduras amigas” não são mais do que isso: regimes de opressão.

Sobre esse assunto, os meios de comunicação não têm feito outra coisa do que seguir a “linha oficial”: fechar os olhos ou olhar para o outro lado confirmando a ideia de que a imprensa só é livre em relação aos fracos e aos povos isolados.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Por acaso Nicolás Sarkozy não teve a altivez de assegurar que na Tunísia “havia uma desesperança, um sofrimento, um sentimento de angústia que, precisamos reconhecer, não havíamos apreciado em sua justa medida”, ao se referir ao sistema mafioso do clã Ben Alí-Trabelsi?

“Não havíamos apreciado em sua justa medida…” Em 23 anos…Apesar de contar, neste país, com serviços diplomáticos mais prolíficos que os de qualquer outro país…Apesar da colaboração em todos os setores da segurança (polícia, inteligência…) (2).

Apesar das estâncias regulares de altos responsáveis políticos e midiáticos que estabeleciam ali descomplexadamente seus locais de veraneio…

Apesar da existência na França de dirigentes exilados da oposição tunisiana, mantidos marginalizados como pesteados pelas autoridades francesas e com acesso proibido durante décadas aos grandes meios de comunicação…

Democracia ruinosa…

Na realidade, esses regimes autoritários foram (e seguem sendo) protegidos de modo complacente pelas democracias européias, que desprezaram seus próprios valores sob o pretexto de que constituíam baluartes contra o islamismo radical (3).

O mesmo argumento cínico usado pelo Ocidente durante a Guerra Fria para apoiar ditaduras militares na Europa (Espanha, Portugal, Grécia e Turquia) e na América Latina, pretendendo impedir a chegada do comunismo ao poder.

Que formidável lição das sociedades árabes revolucionárias aqueles que, na Europa, os descreviam em termos maniqueístas, ou seja, como massas dóceis submetidas a tiranos orientais corruptos ou como multidões histéricas possuídas pelo fanatismo religioso.

E agora, de repente, elas surgem nas telas de nossos computadores e televisores (conferir o admirável trabalho da Al-Jazeera), preocupadas com o progresso social, não obcecadas pela questão religiosa, sedentas de liberdade, cansadas da corrupção, detestando as desigualdades e reclamando democracia para todos, sem exclusões.

Longes das caricaturas binárias, esses povos não constituem de modo algum uma espécie de “exceção árabe”, mas sim se assemelham em suas aspirações políticas ao resto das ilustradas sociedades urbanas modernas. Um terço dos tunisianos e quase um quarto dos egípcios navegam regularmente pela internet. Como afirma Moulay Hicham El Alaoui: “Os novos movimentos já não estão marcados pelos velhos antagonismos como anti-imperialismo, anticolonialismo ou antisecularismo.

As manifestações na Tunísia e no Egito são, até aqui, desprovidas de todo simbolismo religioso. Constituem uma ruptura geracional que refuta a tese do excepcionalismo árabe. Além disso, esses movimentos são animados pelas novas metodologias de comunicação da internet. Eles propõem uma nova versão da sociedade civil, onde o rechaço ao autoritarismo anda de mãos dadas com o rechaço à corrupção” (4).

Especialmente graças às redes sociais digitais, as sociedades da Tunísia e do Egito se mobilizaram com grande rapidez e puderam desestabilizar o poder em tempo recorde. Ainda antes de os movimentos terem a oportunidade de “amadurecer” e favorecer a emergência de novos dirigentes entre eles.

É uma das raras ocasiões onde, sem líderes, sem organizações dirigentes e sem programa, a simples dinâmica da exasperação das massas bastou para conseguir o triunfo da revolução. Trata-se de um momento frágil e, sem dúvida, as grandes potências já estão trabalhando, especialmente no Egito, para que “tudo mude sem que nada mude”, segundo o velho adágio de O Leopardo.

Esses povos que conquistaram sua liberdade devem lembrar a advertência de Balzac: “Se matará a imprensa assim como se mata um povo, outorgando-lhe a liberdade” (5).

Nas “democracias vigiadas” é muito mais fácil domesticar legitimamente um povo do que nas antigas ditaduras. Mas isso não justifica sua manutenção. Nem deve ofuscar o ardor de derrubar uma tirania.

A derrocada da ditadura na Tunísia foi tão veloz que os demais povos magrebinos e árabes chegaram à conclusão de que essas autocracias – as mais velhas do mundo – estavam na verdade profundamente corroídas e não eram, portanto, mais do que “tigres de papel”. Esta demonstração está ocorrendo também no Egito.

Daí esse impressionante levante dos povos árabes, que leva a pensar inevitavelmente no grande florescimento das revoluções européias de 1848, na Jordânia, Iêmen, Argélia, Síria, Arábia Saudita, Sudão e também no Marrocos.

Neste último país, uma monarquia absoluta, na qual o resultado das “eleições” (sempre viciado) é decidido pelo soberano, que designa segundo sua vontade os chamados ministros “da soberania”, algumas dezenas de famílias próximas ao trono continuam controlando a maioria das riquezas (6).

Os telegramas divulgados por Wikileaks revelaram que a corrupção chega a níveis de indecência descomunal, maiores que os encontrados na Tunísia de Ben Alí, e que as redes mafiosas teriam todas como origem o Palácio. Trata-se de um país onde a prática da tortura está generalizada e o amordaçamento da imprensa é permanente.

No entanto, como na Tunísia de Ben Alí, esta “ditadura amiga” se beneficia da grande indulgência dos meios de comunicação e da maior parte de nossos responsáveis políticos (7), os quais minimizam os sinais do começo de um “contágio” da rebelião. Quatro pessoas se imolaram, incendiando suas próprias vestes.

Produziram-se manifestações de solidariedade com os rebeldes da Tunísia e do Egito em Tânger, Fez e Rabat (8).

Acossadas pelo medo, as autoridades decidiram subvencionar preventivamente os artigos de primeira necessidade para evitar as “rebeliões do pão”. Importantes contingentes de tropas do Saara Ocidental teriam sido deslocados aceleradamente para Rabat e Casablanca. O rei Mohamed VI e alguns colaboradores teriam viajado a França no dia 29 de janeiro para consultar especialistas em ordem pública do Ministério do Interior francês (9).

Ainda que as autoridades desmintam as duas últimas informações, está claro que a sociedade marroquina está seguindo os acontecimentos da Tunísia e do Egito, com excitação. Preparados para unir-se ao impulso de fervor revolucionário e quebrar de uma vez por todas as travas feudais. E para cobrar todos aqueles que, na Europa, foram cúmplices durante décadas dessas “ditaduras amigas”.

NOTAS

(1) Ler, por exemplo, de Jacqueline Boucher “La société tunisienne privée de parole” e de Ignacio Ramonet “Main de fer en Tunisie”, Le Monde Diplomatique, de fevereiro de 1996 e de julho de 1996, respectivamente.

(2) Quando Mohamed Bouazizi se imolou incendiando-se em 17 de dezembro de 2010, quando a insurreição ganhava todo o país e dezenas de tunisianos rebeldes continuavam caindo sob as balas da repressão, o prefeito de Paris, Bertrand Delanoé, e a ministra de Relações Exteriores, Michèle Alliot-Marie consideravam absolutamente normal ir festejar alegremente em Tunis.

(3) Ao mesmo tempo, Washington e seus aliados europeus, sem aparentemente medir as contradições, apoiam o regime teocrático e tirânico da Arábia Saudita, principal sede do islamismo mais obscurantista e mais expansionista.

(4) http://www.medelu.org/spip.php?article711

(5) Honoré de Balzac, Monographie de la presse parisienne, Paris, 1843.

(6) Ler Ignacio Ramonet, “La poudrière Maroc”, Mémoire des luttes, setembro 2008.
http://www.medelu.org/spip.php?article111

(7) Desde Nicolas Sarkozy até Ségolène Royal, passando por Dominique Strauss-Kahn, que possui um “ryad” em Marrakesh, os dirigentes políticos franceses não têm o menor escrúpulo em passar suas férias de inverno entre estas “ditaduras amigas”.

(8) El País, 30 de janeiro de 2011- http://www.elpais.com/../Manifestaciones/Tanger/Rabat

(9) Ler El País, 30 de janeiro de 2011 – http://www.elpais.com/..Mohamed/VI/va/vacaciones y Pierre Haski, “Le discret voyage du roi du Maroc dans son château de l´Oise”, Rue89, 29 de janeiro de 2011.

http://www.rue89.com/..le-roi-du-maroc-en-voyage-iscret…188096http://www.elpais.com/../Manifestaciones/Tanger/Rabat

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer.

Irã será um novo Iraque?

Ainda existem os inocente(?) ou beócios que acreditam que o complexo industrial militar não conduz a política internacional. A historia está lotada de casos em que a panaceia de manutenção da paz escamoteia os reais interesses econômicos que permeiam as ações pseudo libertárias das grandes potências.

Apesar disso,e, por causa disso, não devem ser descartadas as reais más intenções dos maluquetes tipo Ahmadinejah, Chaves e cia.

O Editor


Assim como no Iraque…

A comunidade internacional dispõe de todos os motivos para desconfiar das intenções do Irã, que apesar de haver assinado acordo com o Brasil e a Turquia, continuará enriquecendo urânio a 20% ou mais em seu território. Desconfia-se, também, que o presidente Ahmadinejah permanece disposto a fazer a bomba atômica.

É preciso cuidado e vigilância, apesar de nenhuma reação registrar-se diante da evidência de que Israel possui artefatos nucleares.

Agora tem um problema: não fosse o país dos aiatolás um dos maiores produtores de petróleo do mundo, seria tão grande assim a má vontade das potências nucleares, com os Estados Unidos à frente?

Afinal, de verdade ou de mentirinha, o governo de Teerã assinou um tratado comprometendo-se a enviar 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido para a Turquia e a receber, dentro de um ano, 120 quilos enriquecidos a 20%, de uso limitado a atividades energéticas e de medicina.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Estariam os gaviões atômicos empenhados apenas em impedir o Irã de ingressar no seu clubinho?

Ou andam de olho no petróleo do país, hoje exportado para o mundo inteiro, mas pode ser que amanhã, não, por iniciativa de um dirigente radical qualquer?

É bom não esquecer o que aconteceu no Iraque. Saddam Hussein teria sido deposto e condenado à morte por possuir armas de destruição em massa, que afinal não possuía, ou por haver prometido trocar o dólar pelo euro, nos negócios petrolíferos sob sua supervisão?

Hoje, quem comanda as operações de extração e comercialização do petróleo iraquiano, senão as grandes empresas americanas e inglesas?

Não cogitam, por enquanto, da invasão armada do Irã, mas que ela se encontra minuciosamente planejada, não há que duvidar. Assim como no caso da invasão do Iraque, argumentos e pretextos não faltam. Saddam invadiu os poços de petróleo do Kwait, foi posto para fora e ficou marcado para morrer. Ahmadinejah que se cuide.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Pré-sal, Quarta Frota Americana e Saddam Hussein

Quando o maluco das arábias tentou mandar no petróleo que tinha sob os pés, torceram-lhe os “grugumí”*!

Tá no Globo – Coluna Panorama Político

MINA – O crescimento da exploração de petróleo no mar do Atlântico Sul será o mais expressivo nos próximos 25 anos. Os dados foram apresentados pelo economista Antônio Barros de Castro em seminário do Ministério da Fazenda.

As estimativas não incluem todo o potencial do pré-sal brasileiro.

Vendida como humanitária, a reativação da Quarta Frota americana tem como principal objetivo garantir a produção de petróleo nessa região.

*Em cearancês significa pescoço.

Direitos Humanos:Tareq Aziz, a bola da vez

Do blog do Wálter Maierovitch

No Iraque e ao tempo do sanguinário ditador Saddam Hussein, o segundo na hierarquia de poder era Tareq Aziz. De bom trânsito no Ocidente, Aziz, vice-primeiro ministro, foi o único católico a ocupar cargo durante o regime de Saddam.

Em fevereiro de 2003, quando já era iminente a invasão do Iraque, Aziz foi recebido em audiência pelo papa João Paulo II. No dia 24 de abril de 2003, foi preso na sua residência pelas tropas norte-americanas.

O processo contra Aziz só foi instaurado cinco anos depois da sua prisão, ou seja, em 29 de abril deste ano de 2008. Ele é acusado de ter mandado matar 42 comerciantes iraquianos que, em 1992 e por ocasião do embargo ao Iraque, especulavam com preços de produtos.

Na audiência de abril passado, Aziz não teve a assistência de advogado. O advogado que constituiu passou a ser ameaçado de morte e fugiu para a Jordânia, onde pediu asilo.

A segunda audiência ocorreu em 20 de maio passado Aziz poderá ser, indefeso, condenado à morte, por enforcamento, como ocorreu com Saddam, em 30 de dezembro de 2006.

A Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas entendeu que a prisão de Azis é “ilegal, ilegítima e arbitrária”.

Na Europa, dado ao bom trânsito de Aziz, já começam movimentos para impedir a sua execução. Muitos lembram da moratória (suspensão) da pena de morte, aprovada em Assembléia da Organização das Nações Unidas (ONU), só que sem força vinculante aos estados-membros. Trata-se de proposta apresentada pela Alemanha, rejeitada por vários países como EUA, China, Arábia Saudita, etc. A referida moratória durará até a ONU, em assembléia, enfrentar a questão da pena-capital por meio de uma convenção.

Aziz, do cárcere, já acompanhou a condenação à morte de vários integrantes da ditadura de Saddam. Ali Químico (Ali Hassan al Majid), ministro do Interior, foi condenado à morte em junho de 2007 pelo extermínio de curdos, no final dos anos 80.

Outro condenado à pena capital, e executado em 15 de janeiro de 2007 ( 16 dias depois do enforcamento de Saddam ), foi o juiz Awad al Bandar. Ele presidia o chamado Tribunal revolucionário e forjava provas para condenar à morte os opositores do regime. Por decisão sua, foram executados 142 islâmicos xiitas, acusados de tentar matar Saddam.

No mesmo dia do enforcamento de Awad al Bandar, foi executado Barzan Ibrahim al Hassan al Tikrit, meio-irmão de Saddam e chefe do serviço secreto iraniano. Ele foi considerado o responsável por permanentes homicídios, mais de mil, de pessoas apontadas pelos seus 007 como perigosas ao regime de Saddam.

PANO RÁPIDO. Aziz proclama inocência, mas, por evidente, não alcançará, como católico, a canonização e a elevação aos altares da igrejas.

Fome zero é exportado para o Iraque

Da Folha On Line
Iraque quer Fome Zero com produtos brasileiros

De Samy Adghirni:

O ministro do Comércio do Iraque, Abdul Falah Al Sudani, disse ontem que seu governo pretende transformar o Brasil em um dos principais fornecedores do Fome Zero iraquiano, que existe desde 1990 e depende em grande parte da importação de alimentos.

“O Brasil exporta quase todo tipo de alimento, e por isso queremos que o país se torne um dos líderes mundiais no nosso programa de fornecimento de cestas básicas à população”, afirmou Al Sudani, depois de tratar do assunto com o Ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento), em São Paulo.

Graças ao aumento das receitas obtidas com a exportação de petróleo, Bagdá vem buscando melhorar a qualidade dos nove itens da cesta básica mensal subsidiada pelo governo e distribuída a praticamente todos os lares iraquianos.

O sistema foi implementado pelo ditador Saddam Hussein (1979-2003) para aliviar o embargo econômico imposto pela ONU em 1990. Mesmo com o fim das sanções, há cinco anos, o programa continuou.

Viva a imprensa livre

Em artigo contundente, o escritor Fernando Veríssimo, com a ironia dos acostumados à dialética, desnuda os subterrâneos da Guerra do Iraque e comenta a posição da imprensa dos Estados Unidos.

Do blog do Noblat
Por Luiz Fernando Veríssimo

A imprensa americana está comentando o recém-lançado livro de Scott McClellan, que foi porta-voz da Presidência durante três anos e agora conta tudo sobre a campanha mentirosa para justificar a invasão do Iraque e outras sujeiras do governo Bush. A única novidade do relato é ser feito por alguém que estava dentro da Casa Branca e participou – muitas vezes enganado também, diz ele agora – do logro que resultou na guerra mais longa em que o país já se meteu, e cujo custo em vidas humanas continua a subir.

A imprensa americana está comentando menos outra coisa que já se sabia mas ninguém com as credenciais de McLellan tinha dito antes: a sua cumplicidade na campanha mentirosa. Com a autoridade de quem se encontrava com ela quase todos os dias, McLellan descreve uma imprensa subserviente que raramente questionava as mentiras do governo e, com poucas exceções, aceitava todas as razões da direita guerreira.

O próprio “New York Times“, besta negra dos conservadores americanos com sua linha pró-democratas e internacionalista, forneceu os exemplos mais notórios de colaboração com o engodo nas matérias de primeira página em que sua super-repórter Judith Miller transmitia as alarmantes ficções do escroque iraquiano no exílio Ahmad Chalabi sobre armas de destruição em massa do Saddam. O “Times” depois pediu desculpas aos seus leitores mas nenhum outro grande jornal americano que ajudou a promover a guerra teve o mesmo escrúpulo. McLellan chama a atitude da maior parte da imprensa com relação a Bush, antes e depois da invasão do Iraque, de “reverencial”.

Apesar de persistir nos Estados Unidos o mito de uma imprensa dominada por “liberais”, o fato é que – de novo, com exceções – a direita não tem do que se queixar dos jornais americanos. Mesmo os não abertamente reacionários como o “Wall Street Journal” preferem um centrismo não muito bem equilibrado. Agora mesmo, com as eleições presidenciais se aproximando, o desequilíbrio aparece.

Não fizeram metade do barulho com as ligações do republicano McCain com religiosos malucos mas brancos, como o que disse que Deus castigou Nova Orleans pelos seus pecados com o furacão, que fizeram com a ligação de Obama com aquele pastor radical negro. Double standards é o termo em inglês para dois pesos e duas medidas.

Como diria o Ancelmo Gois, deve ser horrível viver num país em que a imprensa age assim.