“A revolução dos bichos” de Orwell: quem são os porcos?

Obra do jornalista e escritor britânico aborda a revolução soviética de forma satírica. Apesar de ter sido escrito nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial, romance segue mais atual do que nunca, 75 anos depois.

Cartaz promovendo a versão animada de “Animal Farm”

A fábula de George Orwell se passa numa fazenda: “O Sr. Jones, proprietário da Granja do Solar, fechou o galinheiro à noite, mas estava bêbado demais para lembrar-se de fechar também as vigias”.

É com palavras simples que o britânico George Orwell (1903-1950), cujo nome verdadeiro era Eric Arthur Blair, começa sua narrativa sobre os animais de uma fazenda que planejam uma revolução contra o proprietário explorador. O mestre da crítica social jamais poderia imaginar que A revolução dos bichos se tornaria um clássico da literatura política.

Orwell escreveu o livro entre fins de 1943 e 1944. Em seu país natal, porém, ele não encontrou nenhuma editora que o publicasse, pois o que a princípio parecia uma história infantil inofensiva era, na verdade, uma sátira sombria e uma dura acusação contra a ditadura de Stalin na União Soviética.

E como a URSS era aliada do Reino Unido contra a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial ainda em curso, a publicação de tal história não parecia nada oportuna. Em 1945, Animal Farm foi finalmente lançada pela Secker & Warburg.

Alguns são mais iguais que os outros

E de que trata a fábula? Com um discurso impressionante, o idoso e respeitado javali Velho Major abre os olhos dos animais da fazenda para a incompetência do proprietário Sr. Jones, um fazendeiro constantemente bêbado, e classifica os humanos como exploradores que precisavam ser expulsos por uma revolução. Mas ele também adverte sobre o risco de se tornar igual aos humanos: “Todos os animais são iguais, independentemente de sua força ou inteligência.”

Quando o Velho Major morre logo após o discurso, os animais aproveitam a oportunidade para expulsar o fazendeiro Jones da fazenda, sob a liderança dos porcos Napoleão e Bola de Neve. No começo, todos os animais governam juntos e tudo fica melhor: eles trabalham duro porque trabalham para si próprios e são solidários uns com os outros.

A Granja do Solar é então rebatizada Granja dos Bichos. Os espertos porcos, porém, logo assumem o comando e gradualmente transformam sua supremacia em ditadura, ofuscando tudo aquilo de que os animais queriam se livrar. Os porcos justificam seu poder com o slogan: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.

As diferenças entre humanos e porcos como governantes se diluem no final do romance – também de forma visual. Os outros animais da fazenda não conseguem mais reconhecer quem é gente e quem é porco, ou quem é capitalista e quem é socialista.

A revolução dos bichos descreve o curso de uma revolução condenada ao fracasso. Orwell acreditava que as revoluções são capazes de mudar o poder de mãos. As estruturas sociais básicas, entretanto, permanecem intocadas: os poucos poderosos continuam a explorar uma maioria sem direitos.

O Grande Irmão está de olho em você! Ator John Hurt em cena de uma adaptação cinematográfica de “1984”

CIA compra direitos do filme

A revolução dos bichos foi estritamente proibida na União Soviética e seus Estados-satélites. E no entanto George Orwell era um esquerdista convicto: membro do Partido Trabalhista Independente inglês, que na Guerra Civil Espanhola chegou a lutar nas fileiras do Partido Operário de Unificação Marxista (POUM), um grupo comunista visto como concorrência pelo stalinismo soviético.

A primeira tradução alemã do livro apareceu em 1946. Na República Democrática da Alemanha (RDA), no entanto, o livro extremamente desconfortável permaneceu censurado até a queda do Muro de Berlim e a dissolução da Alemanha Oriental, em 1989, assim como outra obra de Orwell, 1984.

Após a morte de Orwell, em 1950, o serviço americano de inteligência CIA comprou os direitos do filme para ganhar vantagem contra a União Soviética na Guerra Fria. O desenho animado A revolução dos bichos foi produzido no Reino Unido entre 1951 e 1954 por John Halas e Joy Batchelor.

Embora guiando-se basicamente pelo original, o enredo desemboca numa segunda revolução contra o domínio dos porcos. Afinal, em plena Guerra Fria, a CIA dificilmente deixaria capitalistas e socialistas em condição de pé de igualdade, como Orwell fez no final do romance.

Cena do desenho animado “A Revolução dos Bichos”, de 1954

Na adaptação cinematográfica de 1999, John Stephenson mudou o enredo consideravelmente ao incorporar o colapso da União Soviética em 1989 e terminar com um final feliz próprio para crianças: após anos sob o domínio dos porcos, novos humanos reassumem o controle da fazenda. Os animais gritam: “… e finalmente ficamos livres!”

Com seus livros, o jornalista e escritor britânico George Orwell queria chamar a atenção para as mazelas políticas, muitas vezes empregando para tal a forma de sátira. A revolução dos bichos e 1984, publicado em 1949, estão entre suas obras mais famosas. Neste último, ele também demonstrou o que significa viver num Estado autoritário em que há vigilância total e onde os cidadãos são manipulados pela propaganda.

A revolução dos bichos é uma fábula que se encaixa em qualquer sistema totalitário. E que, apesar de seus 75 anos de existência, permanece tristemente atual.

Aquecimento Global; Um verão desastroso no Ártico

Na Sibéria, no final de maio, o degelo do permafrost causou o colapso de um tanque de armazenamento de petróleo, levando ao maior derramamento de óleo já ocorrido no Ártico russo.

A remota cidade siberiana de Verkhoyansk, a cinco mil quilômetros a leste de Moscou e a seis milhas ao norte do Círculo Polar Ártico, há muito mantém o recorde, com outra cidade siberiana, do lugar mais frio e habitado do mundo. O recorde foi estabelecido em 1892, quando a temperatura caiu para noventa abaixo de zero Fahrenheit, embora atualmente as temperaturas do inverno sejam notavelmente mais amenas, pairando em torno de cinquenta abaixo. No último sábado, Verkhoyansk reivindicou um novo recorde: a temperatura mais quente já registrada no Ártico, com uma observação de 100,4 graus Fahrenheit – a mesma temperatura foi registrada naquele dia em Las Vegas. Miami só atingiu cem graus uma vez desde 1896. “Esta é uma primavera incomumente quente na Sibéria”, disse Randy Cerveny, relator de clima e extremos climáticos da Organização Mundial de Meteorologia. “A coincidência falta de neve subjacente na região, combinada com o aumento global da temperatura global, sem dúvida ajudou a desempenhar um papel crítico na causa desse extremo”. A Sibéria, em outras palavras, está no meio de uma onda de calor surpreendente e histórica.

A mudança climática antropogênica está fazendo com que o Ártico aqueça duas vezes mais rápido que o resto do planeta. Os modelos climáticos previram esse fenômeno, conhecido como amplificação no Ártico, mas não previram a rapidez com que o aquecimento ocorreria. Embora Verkhoyansk tenha visto temperaturas quentes no passado, o recorde de 100,4 graus de sábado segue um ano muito quente em toda a região. Desde dezembro, as temperaturas no oeste da Sibéria estão dezoito graus acima do normal. Desde janeiro, a temperatura média na Sibéria é de pelo menos 5,4 graus Fahrenheit acima da média de longo prazo. Como relatou o meteorologista Jeff Berardelli para a CBS, o calor que caiu na Rússia em 2020 “é tão notável que coincide com o que é projetado para ser normal até o ano 2100, se as tendências atuais nas emissões de carbono capturadoras de calor continuarem”. Em abril, devido ao calor, os incêndios florestais na região eram maiores e mais numerosos do que na mesma época do ano passado, quando o governo russo finalmente teve que enviar aviões militares para combater grandes incêndios. A escala dos atuais incêndios florestais – com altas nuvens de fumaça visíveis por milhares de quilômetros em imagens de satélite – sugere que este verão poderia ser pior. Por causa da pandemia de coronavírus, eles também serão mais complicados de combater.

No final de maio, quando o sol parou de cair no horizonte, o calor continuou. Na cidade de Khatanga, ao norte do Círculo Polar Ártico, a temperatura atingiu setenta e oito graus Fahrenheit, ou quarenta e seis graus acima do normal, superando o recorde anterior em vinte e quatro graus. O calor e os incêndios também estão acelerando a dissolução do permafrost da Sibéria, terra eternamente congelada que, quando descongelada, libera mais gases de efeito estufa e desestabiliza dramaticamente a terra, com graves conseqüências. Em 29 de maio, fora de Norilsk, a cidade mais setentrional do mundo, o degelo se deteriorou, causando um colapso do tanque de armazenamento de petróleo e vomitando mais de cento e cinquenta mil barris, ou vinte e um mil toneladas de diesel. Rio Ambarnaya. O derramamento foi o maior que já ocorreu no Ártico russo.

Norilsk, que foi construído na década de 1930 pelos prisioneiros de um campo Gulag nas proximidades, Norillag, já era um dos lugares mais poluídos do mundo. A maioria dos seus cento e setenta e sete mil residentes trabalha na Norilsk Nickel, a empresa proprietária do tanque de óleo em colapso. Somente seu complexo maciço de mineração e metalurgia vale dois por cento do PIB da Rússia. A cidade contribui com um quinto do suprimento global de níquel e quase metade do paládio do mundo, um metal usado na fabricação de conversores catalíticos. As fábricas ondulam incessantemente nuvens de dióxido de enxofre, e a chuva ácida resultante transformou a cidade e seus arredores em um terreno baldio industrial, sem espaços verdes ou parques, apenas terra e árvores mortas. A expectativa de vida em Norilsk é vinte anos mais curta do que nos Estados Unidos. A última vez que a cidade divulgou as notícias, antes do derramamento de óleo, foi há exatamente um ano, quando um urso polar emaciado, refugiado de sua casa em decomposição, foi fotografado vasculhando o depósito de lixo da cidade.

Os executivos da Norilsk Nickel tentaram contornar a responsabilidade pelo derramamento de óleo, culpando o degelo permafrost – ou, como um comunicado à imprensa afirmou, “um afundamento repentino dos pilares do tanque de armazenamento, que funcionou sem acidentes por mais de trinta anos”. Mas o degelo não aconteceu inesperadamente, do nada. Os edifícios em Norilsk entraram em colapso por causa do terreno caído. Especialistas russos e internacionais estão cientes dos riscos que o degelo rápido do permafrost representa há mais de uma década. Um relatório de 2017 de um grupo de trabalho do Conselho do Ártico disse que “as comunidades e a infraestrutura construídas em solos congelados são significativamente afetadas pelo degelo do permafrost, um dos impactos mais econômicos das mudanças climáticas no Ártico”. Eles descobriram que o degelo do permafrost pode contaminar a água doce, quando os resíduos industriais e municipais congelados anteriormente são liberados, e que a capacidade de sustentação das fundações das construções diminuiu de quarenta a cinquenta por cento em alguns assentamentos siberianos desde os anos noventa e sessenta. Eles também observaram que “o vasto campo de gás de Bovanenkovo ​​no oeste da Sibéria registrou um aumento recente de deslizamentos de terra relacionados ao degelo do permafrost”. Os autores de um artigo de 2018, publicado na Nature Communications, descobriram que “45% dos campos de extração de hidrocarbonetos no Ártico russo estão em regiões onde a instabilidade do solo relacionada ao degelo pode causar danos graves ao ambiente construído”. O documento continuou: “De maneira alarmante, esses números não são reduzidos substancialmente, mesmo que os objetivos de mudança climática do Acordo de Paris sejam alcançados”

No início de junho, o presidente Vladimir Putin declarou uma emergência nacional e censurou as autoridades locais por sua lenta resposta ao derramamento. O Kremlin supostamente descobriu o vazamento dois dias após o fato, a partir de fotos de um rio vermelho postado nas mídias sociais. Embora o Ministério Público russo tenha concordado, em uma conclusão preliminar, que o degelo permafrost foi um fator que contribuiu para o derramamento, os investigadores também disseram que o tanque de armazenamento de combustível precisava de reparos desde 2018. Eles prenderam quatro funcionários da usina sob acusações violar os regulamentos ambientais. Norilsk Nickel negou as acusações, mas disse que a empresa está cooperando com as agências policiais e lançou “uma investigação completa e completa”. “Aceitamos totalmente nossa responsabilidade pelo evento”, disse a empresa em comunicado ao Guardian.

Vladimir Potanin, presidente da Norilsk Nickel e o homem mais rico da Rússia, disse que a empresa pagará o custo total do desastre, que ele calculou em dez bilhões de rublos, ou cento e quarenta e seis milhões de dólares. (Um órgão ambiental russo, Rosprirodnadzor, pagou o custo em cerca de um bilhão e meio de dólares.) Putin, enquanto isso, criticou publicamente Potanin pelo desastre, enfatizando que foi a negligência de sua empresa que levou ao derramamento. “Se você os substituísse a tempo”, disse Putin, em uma vídeo chamada no início de junho, referindo-se ao tanque de armazenamento de petróleo em envelhecimento, “não haveria danos ao meio ambiente e sua empresa não precisaria carregar esses custos “.

Os esforços de resposta inicial da empresa – barreiras flutuantes para conter o vazamento – falharam amplamente. Em 9 de junho, o petróleo havia entrado no lago Pyasino, com 68 quilômetros de extensão, que faz fronteira com uma reserva natural e deságua no rio Pyasino. “Uma vez que entra no sistema fluvial, ele não pode mais ser parado”, disse Rob Huebert, especialista do Ártico da Universidade de Calgary. “O petróleo poderia então chegar ao Oceano Ártico.” Em 11 de junho, o comitê de investigação da Rússia acusou o prefeito de Norilsk de negligência criminal por sua resposta frustrada ao desastre. Na sexta-feira passada, em outra vídeo chamada, o ministro de emergências de Putin relatou que as equipes de resposta coletaram 3,6 milhões de pés cúbicos de solo poluído e 1,1 milhão de pés cúbicos de água contaminada. A empresa construirá um oleoduto para bombear a lama contaminada para locais de descarte não especificados. Mas a região continuará sendo tóxica. O óleo diesel penetra nas margens do rio. Mesmo se o óleo estiver contido no lago, a contaminação nunca poderá ser totalmente removida. Algumas delas passarão pela cadeia alimentar. A vida selvagem – peixes, pássaros, renas – pode sofrer por décadas. “Você nunca pode realmente limpar um vazamento”, disse Huebert. Putin, na chamada, enfatizou que o trabalho deve continuar até que o dano seja sanado. “Obviamente, o desastre trouxe conseqüências terríveis para o meio ambiente e impactou severamente a biodiversidade nos corpos d’água”, disse ele. “Vai levar

Rita: A assitente virtual desenvolvida pela Rússia para auxiliar pilotos do novo caça MiG-35

Uma aeronave MiG-35 exibida no fórum econômico Rússia-África na cidade de Sochi em 24 de outubro de 2019.

Foto Ilyá Pitaliov / Sputnik

“Rita fala com uma voz calma e agradável, mesmo que acenda um incêndio no motor do avião”, elogiou um piloto de teste envolvido no projeto.

Na Rússia, está sendo desenvolvido um “sistema especialista que ajudará o piloto em muitas situações”, disse o piloto de teste do consórcio aeronáutico MiG Dmitri Selivánov, em entrevista à RIA Novosti.

O novo avião de combate MiG-35 já possui um comunicador de voz, informou o aviador. “Nós a chamamos de Rita”, acrescentou ele, e essa voz feminina “fala agradável, calma, mesmo que ocorra um incêndio no motor”, mas “nem sempre fala, só oferece conselhos se o avião estiver se aproximando de certos limites”. A presença também é mantida durante o combate, disse Selivánov.

De acordo com a experiência que o aviador compartilhou com a agência de notícias, no novo caça “tudo visa ajudar o piloto”, que em uma situação crítica pode receber conselhos sobre a melhor maneira de agir.

O caça multiuso MiG-35 é um avião leve pertencente à geração 4 ++, que foi projetado para substituir aeronaves MiG-29 na Força Aérea Russa. A aeronave tem uma faixa de ação de 3.000 quilômetros e seus dois motores de empuxo vetoriais permitem atingir velocidades supersônicas de até 2.400 quilômetros por hora.

Há um ano, as Forças Armadas russas receberam suas duas primeiras aeronaves deste novo modelo.

Os criadores do avançado caça russo MiG-35 patenteiam seu sistema de pouso automático.

Um caça MiG-35 multiuso no campo de teste da planta aeronáutica de Voronin na região de Jujovitsi, província de Moscou.
Kiril Kalinikov / Sputnik

Os engenheiros da empresa russa MiG já receberam a patente por seu sistema de aterrissagem em modo automático, o que é muito importante para reduzir o tempo de descida e o desempenho em condições climáticas difíceis.

Os avançados caças MiG-35 russos poderão pousar no modo não tripulado e a tecnologia para isso já foi desenvolvida e patenteada, relata a RIA Novosti, referindo-se ao serviço de imprensa da empresa MiG que faz parte da Unified Aeronautical Corporation of Russia.

O novo sistema digital consiste em vários blocos inovadores, aumenta a segurança do piloto em condições climáticas adversas, permite que o piloto entre na trajetória de vôo e continue descendo até a altitude de visibilidade no solo.

Segundo o CEO da empresa, Iliá Tarasenko, o sistema está planejado para ser instalado em aeronaves modernas da marca MiG. Além do MiG-35, esses sistemas seriam recebidos pelos caças MiG-29M / M2.

Os benefícios do novo sistema já foram confirmados em vôos de teste, disse o MiG.

Aviação – Tudo sobre o PAK DA, bombardeiro furtivo de sexta geração

Protótipo não oficial Bombardeiro PAK DA

As Forças Aéreas da Rússia começarão a substituir os bombardeiros Tu-160, Tu-22M3 e Tu-95 com os novos PAK DA já em 2021. Screenshot PowerRossiya/YouTube

A United Aircraft Corporation começou a montagem do novo avião bombardeiro furtivo de sexta geração PAK DA, segundo o jornal estatal russo Rossiyskaya Gazeta.

O trabalho está sendo realizado como parte do programa estatal “Complexo de Aviação do Futuro”.

A empresa já recebeu todos os materiais necessários para a construção do avião e começou a montagem da cabine da aeronave.

O vice-ministro da Defesa russo, Aleksêi Krivorutchko, já havia confirmado que o projeto conceitual da aeronave tinha sido aprovado. Segundo a Rossiyskaya Gazeta, o avião PAK DA será entregue às Forças Aéreas da Rússia em 2021.

O novo avião de combate desenvolvido pela United Aircraft Corporation e pelo escritório de engenharia Túpolev, substituirá os atuais bombardeiros operacionais estratégicos Tu-22-3M, Tu-95 e Tu-160.

A aeronave será construída em forma de “asa voadora”. Este tipo de veículo não possui cauda e a fuselagem será achatada e reduzida verticalmente. Assim, toda ela possuirá função de asa, e, dentro dela, ficarão alojados a tripulação e o armamento.

O PAK DA poderá voar a velocidades subsônicas, de até 1.190 km/h, ou seja, significativamente menor que a velocidade do bombardeiro estratégico atual Tu-160, que atinge até 2.200 km/h.

“Os bombardeiros estratégicos da geração anterior, como o Tu-160, foram criados para romper o sistema de defesa aérea do inimigo. Graças a sua velocidade supersônica e às características de voo, eles podem subir para a estratosfera e, assim, evitar os caças e lançar bombas sobre o território inimigo. A aeronave da nova geração PAK DA poderá disparar mísseis nucleares sem sair do espaço aéreo da Rússia”, explica o professor da Academia das Ciências Militares da Rússia, Vadim Koziúlin.

As Forças Aéreas da Rússia já receberam novos mísseis de longo alcance X-555 e X-101, que podem voar a uma distância de até 5.000 km. Assim, não há mais necessidade de bombardeiros de longa distância.

Segundo Koziúlin, o PAK DA poderá levar até 40 toneladas de armamentos, como a maioria dos modernos bombardeiros estratégicos. “Ele terá todos os tipos de bombas nucleares e convencionais”, disse.

A tecnologia “stealth” também será amplamente utilizada na construção da máquina. O novo bombardeiro terá formas angulares, com linhas irregulares para dissipar os sinais de detecção dos radares inimigos.

O PAK DA poderá voar durante 30 horas sem reabastecer.

Por que alguns russos (e não apenas eles) são obcecados por Ladas?

A queda do regime soviético enfim permitiu que os russos importassem carros. No entanto, quase 30 anos depois, muitos ainda preferem a marca que nasceu na URSS.

Eugene Odinokov/Sputnik

O primeiro Lada foi lançado em 1970 em Togliatti, uma cidade industrial na União Soviética. Os engenheiros soviéticos trabalharam em conjunto com a montadora italiana Fiat para criar o famoso Lada “2101”. O carro foi um grande sucesso para o mercado soviético e até internacional, e vários outros modelos vieram depois.

Quando a União Soviética entrou em colapso em 1991, o mercado internacional de automóveis se abriu para os russos, e desde então podem escolher entre uma grande variedade de marcas estrangeiras.

No entanto, para muitos russos, aqueles carros velhos e enferrujados fabricados na União Soviética e também os modelos mais novos da mesma marca causam sentimentos contraditórios: alguns pensam ser sinônimo de lixo da União Soviética, enquanto outros acreditavam que esses eram os melhores carros do mundo. Mas, afinal, o que está por trás dessa obsessão dos russos pela famosa marca soviética?

Quem ama um Lada?

A marca soviética de carros (agora considerada “russa”) é um assunto perpétuo de memes na internet, e os russos costumam chamá-los com desprezo de ‘caçambas de ferrugem’. Mesmo assim, segundo dados recentes, a marca Lada vende mais carros novos na Rússia do que qualquer estrangeira presente no país.

Alexander Guschin/Sputnik

Reza o estereótipo popular que os Ladas são especialmente queridinhos dos moradores das repúblicas caucasianas, como a Tchetchênia, o Daguestão e o resto dos distritos federais do sul e do Cáucaso do Norte.

Há um quê de verdade nisso. Quem já esteve no sul da Rússia e no Cáucaso percebeu que os nacionais Ladas são vistos com mais frequência nessa parte da Rússia – sobretudo, o modelo Priora preto, que tornou-se um símbolo implícito da região.

Legion Media

“No Daguestão, as pessoas têm uma abordagem específica para compras: se você gasta uma certa quantia de dinheiro, deve comprar o melhor produto por aquele preço. Um Lada Priora novo custa semelhante a um Hyundai Accent, ou qualquer carroça, se não mais barato. Estar ao volante de um Hyundai mostra a todos que você dirige um carro de fabricação estrangeira, mas é um carro m**** e isso não é legal. Dirigir um Priora, por outro lado, diz a todos que você ainda não está disposto a pagar muito por um carro, mas conseguiu o melhor pelo dinheiro que tinha e dirige um bom carro”, explica Amirkhan Kurbanov, que é natural da região russa.

Outros modelos, porém, parecem mais adequados para motoristas de outras partes do país. O novo Lada Vesta é, por exemplo, um carro comum em Moscou, onde os jovens preferem evitar os antigos modelos soviéticos; e o Lada Niva 4×4 é popular entre caçadores e pescadores que residem em regiões mais remotas do país.

Portanto, seria um eufemismo dizer que os russos adoram Lada – acontece que muitos deles também admiram os carros da marca. Até o presidente Putin é dono de um.

Elegante, acessível e fácil de consertar

O preço é um dos principais fatores pelos quais muitos russos optam pela marca nacional. Um Lada Granta novo custa o equivalente a US$ 5.200 – uma fração do preço que qualquer revendedor estrangeiro cobra por seus modelos. Os carros usados ​​são comercializados por um preço ainda mais baixo. É possível comprar um Lada antigo por apenas algumas centenas de dólares norte-americanos – atraindo iniciantes prematuros ou que acabaram de atingir a idade necessária para dirigir legalmente.

Sergei Vedyashkin/Moskva Agency

“Eu tinha um Playstation, que eu vendi por 30.000 rublos (cerca de US$ 400). Meu pai sugeriu gastar o dinheiro em um par de rodas para perambular no inverno”, conta Serguêi, que comprou o primeiro Lada com seu pai aos 13 anos.

Além disso, diversos jovens russos apreciam o estilo retrô desses modelos, que podem causar impressão se devidamente personalizado.

Outra vantagem que os Ladas têm sobre carros estrangeiros na Rússia é que eles são fáceis de consertar. É comum que os proprietários de carros importados mais caros enfrentem longo período de espera para que peças de reposição cheguem do exterior.

Pavel Kuzmichev

É exatamente o oposto do que ocorre com um Lada. As peças de reposição são abundantes em todas as lojas especializadas do país. Não há necessidade de esperar nem um dia, e a maioria das peças é extremamente barata. O mais importante é que esses carros não requerem muito conhecimento técnico para o conserto, e a maioria dos proprietários aprendeu a fazê-lo por conta própria..

“Com o passar do tempo, mais modelos começaram a ficar desatualizados, sua qualidade se deteriorou, e isso ficou evidente. Mas, em compensação, você pode comprar peças baratinhas e consertar tudo sozinho”, diz Protas Bardakhanov.

A moscovita Iúlia, que possuía um Lada 2105 branco quando era estudante, afirma também que o carro lhe proporcionou uma experiência de condução inestimável. “Era muito barato consertar. Não ganhava nada na época, mas não tinha problema para manter o carro. Com ele, aprendi a lidar com câmbio manual: um Audi teria morrido rapidamente sob tanta pressão, mas esses carros perdoam erros de novatos”, brinca.

Não apenas na Rússia

A Lada também vendeu inúmeros carros no exterior durante a União Soviética e continua a fazê-lo hoje. Muitas pessoas que vivem na Europa, na África e na América Latina, incluindo o Brasil, também têm boas lembranças desses carros, porque seus pais costumavam possuí-los.

Angola

S. Frolov/TASS
“Meu pai tinha um Niva. Era um carro que eu gostava quando garoto. Durou bastante e em estradas terríveis”, lembra Mohamed Lamin Sesay, de Freetown, em Serra Leoa.

Musa Tamba, da Gâmbia, conta que costumava chamar o Lada de “o carro da África”. “Os modelos Lada [na Gâmbia] eram o 2104, 2105 Combi e Niva 4×4. Nós os chamávamos de ‘carro para todos os terrenos’, por causa do excelente desempenho. O motor é fantástico, e o corpo é quase revestido de blindagem”, diz Musa.

Além disso, o modelo incomum e personalizado de limusine do Lada 2101 é um popular veículo de táxi em Cuba, e o Lada Niva tem fama na França.

Censura,Liberdade,Blog do Mesquita 07

A mordaça na era ditital; Há governos que querem desconectar seus cidadãos da Internet, e alguns já têm seu botão vermelho

A web está deixando de ser global. China, Rússia e Irã, entre outros, usam sua infraestrutura digital para vigiar e censurar seus cidadãos. Bem-vindo à ‘balcanização’ da Internet

Ilustração de Diego Quijano – Foto: Getty Images

Na Davos de 1996, o visionário John Perry Barlow já dizia aos “Governos do mundo industrial, cansados gigantes ​​de carne e aço”, que deixassem a Internet em paz. Sua famosa Declaração de Independência do Ciberespaço estabelecia: “O espaço social global que estamos construindo é por natureza independente das tiranias que vocês procuram nos impor. (…) Seus conceitos legais sobre propriedade, expressão, identidade, movimento e contexto não se aplicam a nós. Eles são baseados na matéria”.

A Rede queria ser livre, e os protocolos TCP/IP, a cola universal que unia todas as suas peças, haviam sido projetados para que as informações encontrassem sempre o caminho mais curto, mais seguro e mais barato para alcançar seu destino, alheios às fronteiras políticas e geográficas do mundo “real”. Desde então, sua ânsia de liberdade se deparou com diferentes graus de resistência dos Governos, que costuma administrar a expressão de dissidência com apagões seletivos, leis da mordaça e campanhas de propaganda ou desinformação. Uma nova estratégia se configura este ano: a independência. No final das contas, a Internet era sim matéria e começa a se desintegrar.

Apenas dois dias depois de a Internet completar 50 anos, em 29 de outubro, a Rússia declarou sua independência com uma lei de soberania digital. A legislação autoriza seu regulador de telecomunicações local a bloquear conteúdos, serviços ou aplicativos que considere uma ameaça à segurança do Estado, sem ordem prévia, processo ou notificação. Os critérios sobre o que constitui uma ameaça são tão opacos quanto seu plano de execução. E o conteúdo parece ser a Internet como um todo. A lei contempla a necessidade de um botão vermelho para bloquear a Web quando incomodar e um sistema próprio de gestão de domínios para “proteger os cidadãos russos de serem contaminados por conteúdos tóxicos” e a sua infraestrutura de ataques cibernéticos no exterior.

A mordaça na era digital

O sistema de gerenciamento de domínio, ou DNS, é o que diz o que cada coisa significa na Internet, o diretório administrativo que conecta o nome de um site (exemplo: brasil.elpais.com) ao endereço IP do servidor em que se hospeda fisicamente o conteúdo ao qual está associado. É um dos pilares fundamentais da rede globalizada e foi criado em 1983 como um sistema hierarquizado, descentralizado e global. Com um sistema próprio administrado por seu Governo, os cidadãos russos não poderão mais usar redes privadas virtuais (VPNs, na sigla em inglês) para acessar conteúdos controlados ou se comunicar com o exterior.

BRICS, o supergrupo

A Rússia não está sozinha no caminho da autodeterminação digital. “Devemos respeitar o direito de cada país de governar seu próprio ciberespaço”, declarou o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, durante a Segunda Conferência Mundial da Internet, em Wuzhen, em 2015: “Nenhum país deveria buscar a ciberhegemonia ou interferir em assuntos internos de outros Estados”.

A China não possui seu próprio DNS, mas a famosa muralha digital chinesa propiciou um sistema de crédito social baseado na vigilância e punição de seus cidadãos e, também, a expansão de suas três gigantes tecnológicas: Baidu, Alibaba e Tencent. E a do WeChat, um aplicativo que faz tudo (reúne as funções do Facebook, Instagram, Uber, Tinder, YouTube e Skype, entre outros) e serve para pagamentos com o celular e até dar esmolas para os sem-teto. É inegável que o modelo soberanista serve de incentivo para a economia local. A crise do coronavírus, por outro lado, é uma lição sobre suas consequências.

Li Wenliang, o oftalmologista do Hospital Central de Wuhan que primeiro denunciou a irrupção da epidemia, foi silenciado pelas autoridades e detido em 1º de janeiro por “disseminar rumores maliciosos” na Web. Sua morte no mesmo hospital, no dia 6 de fevereiro, mostrou que a densa rede de vigilância chinesa não servia para conter a propagação do vírus, pelo contrário. Naquela manhã, uma hashtag começou a se destacar no Weibo, a versão local do Twitter: “Exigimos liberdade de expressão”. À tarde tinha sido eliminada pelo regime. O coronavírus segue sua expansão letal, mas não haverá outra Tiananmen.

“A China está construindo sua própria Internet focada em seus próprios valores e está exportando essa visão da Internet para outros países”, lamentou Mark Zuckerberg em seu recente discurso de Georgetown. “Há uma década, quase todas as plataformas da Internet eram americanas. Agora, seis das dez primeiras são chinesas”. Em 2018, o cofundador do Google, Eric Schmidt, havia alertado em um evento em San Francisco: “A grande muralha da China nos levará a duas Internets diferentes: uma asiática, dominada pela China, e outra ocidental, dominada pelos EUA”.

Nos últimos meses, o Conselho de Segurança da Federação Russa também anunciou a criação de uma “infraestrutura de rede independente”, junto com a China, o Brasil, a Índia e a África do Sul, o supergrupo de grandes economias emergentes conhecido como BRICS. Se for levada adiante, essa outra Internet ocuparia 25% da superfície planetária e serviria a mais de 40% da população mundial.

“Na verdade, esse espaço utópico e cosmopolita nunca existiu”, explica por email Evgeny Morozov, ensaísta bielorrusso e autor de The Net Delusion: The Dark Side of Internet Freedom. “As teorias que formaram nossa percepção da Internet –a aldeia global, o ciberespaço sem lei, o internauta como um cidadão desvinculado do Estado nacional– estão muito longe da realidade”, acrescenta. “Era um pouco como acreditar que o mercado universal, uma vez alcançados todos os cantos do mundo, teria um efeito homogêneo em todos os lugares.”

De fato, vários dos países que abriram a década com a explosão de otimismo da primavera árabe a encerram com apagões, repressão e censura. A Internet não é apenas matéria, mas pode acabar sendo como as reservas de petróleo; em princípio, deveria melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, mas, quando brota nas democracias mais frágeis, transforma-se em maldição.

O bloco halal

“Observando os dados, não vemos uma incidência maior no número de bloqueios, mas em sua magnitude e gravidade”, explica Alp Toker, diretor da Netblocks, uma organização que observa os bloqueios, restrições e ataques cibernéticos em tempo real. A Índia tem o recorde de apagões, com 134 cortes em 2018, e a Caxemira está sem Internet desde agosto de 2019, exceto por uma centena de páginas que o Governo indiano desbloqueou há três semanas. O Paquistão vem logo atrás, seguido pela Síria e a Turquia. Mas a incidência mais notável ocorreu em 15 de novembro, quando o Irã bloqueou o acesso à Internet a 97% de sua população.

O Irã fez isso no momento em que começaram as manifestações em massa por causa do aumento do preço do combustível. Exceto por algumas contas do Governo, foi um blecaute total (Internet, telefone, dados, SMS). Um evento sem precedente. Embora tenham ocorrido milhares de apagões, nunca um país inteiro havia saído da Rede. Enquanto a mídia tenta verificar durante o apagão o número de mortes que ocorreram nos protestos, os engenheiros tentam elucidar como conseguiram retirar da Internet 80 milhões de pessoas de uma vez.

O fato é que o Governo trabalha há anos em uma Internet halal, alinhada ao islã: a National Information Network. “O país não tolera uma rede social que tem sua chave nas mãos dos Estados Unidos”, disse o aiatolá Ahmad Khatami há dois anos.

Obviamente, existe um nicho de mercado para uma Internet muçulmana. Para além dos valores religiosos, segundo Katherine Maher, diretora-executiva da Wikimedia Foundation, há mais de 350 milhões de pessoas que falam árabe no planeta, mas seu idioma ocupa menos de 1% da web. Em 2016, a start-up malasiana Salam Web Technologies lançou um navegador restritivo alinhado aos valores islâmicos, chamado SalamWeb, que atende usuários da Malásia e da Indonésia, mas quer expandir-se por todo o mundo islâmico. Inclui seu próprio agregador de notícias, rede social e sistema de mensagens, o SalamChat.

“Isso não é necessariamente ruim. Ter a própria infraestrutura pode promover um ecossistema econômico próprio e introduzir alternativas locais às plataformas multinacionais”, diz Toker. E acrescenta: “Mas quando isso é feito às custas da conectividade mundial, é um problema de direitos humanos e liberdade de expressão. E não há ninguém vigiando. Estamos tão focados em nossos debates internos que o ecossistema digital está se decompondo e com ele a possibilidade de debate mundial”.

Uma nova guerra fria

Há aspectos do divórcio que transcendem o colonialismo cultural, a perda de diversidade e a polarização do debate. De acordo com o relatório do Oxford Internet Institute sobre propaganda e desinformação, o Irã é um dos sete países que implementam operações de influência estrangeira, junto com China, Rússia, Índia, Paquistão, Arábia Saudita e Venezuela. Sua relação com a guerrilha digital é intensa e pós-traumática: foi o alvo do primeiro ataque cibernético projetado para destruir a infraestrutura industrial.

O Stuxnet foi um vírus insidioso que destruiu mil centrífugas em seu centro de enriquecimento de urânio em 2010 e abriu um mundo de possibilidades aterrorizantes para a guerra cibernética. De acordo com o arquivo de documentos de Snowden, naquele momento o Irã era o país mais vigiado do mundo, tanto pelos EUA quanto por Israel.

O Irã aprendeu a lição: a Rede Global permite causar muitos danos com poucos recursos. Agora, o país “tem a capacidade e a tendência de lançar ataques destrutivos”, declarou recentemente Christopher C. Krebs, diretor de segurança cibernética e infraestrutura do Departamento de Segurança Interna dos EUA. “É preciso ter a consciência de que qualquer ataque poderá ser o definitivo”, acrescentou. Sua divisão lhe atribuiu muitos ataques, incluindo o dos seis principais bancos dos Estados Unidos.

O malware iraniano destruiu 35.000 computadores da companhia estatal de petróleo Saudi Aramco em 2012. Foram necessários dezenas de milhões de dólares para reconstruir o sistema. Desde então, especializou-se em atacar infraestrutura industrial – um terapeuta chamaria isso de compulsão de repetição– entre os vizinhos mais próximos, como sua arqui-inimiga Arábia Saudita.

“A segurança é um espaço multidimensional no qual diferentes objetivos e diferentes atores competem”, explicou David D. Clark, arquiteto-chefe da Internet nos anos 80 e autor do recente e imprescindível Designing an Internet, em uma conferência na sede do Google há pouco mais de um ano. “Para construir uma Internet segura, você deve firmar um compromisso pelo qual todos e cada um dos atores desejem que a sua solução sobreviva”, acrescentou. Mas o que acontece quando esse compromisso desaparece e duas visões antagônicas ocupam o seu lugar?

Proteger-se do outro

“O Irã é um dos atores mais sofisticados”, diz por telefone Bruce Schneier, autor, consultor e um dos maiores especialistas em segurança cibernética. “Ataca empresas, ataca bancos, ataca usinas elétricas, ataca indivíduos. Mas não acho que a balcanização seja principalmente um problema de segurança, acho que o principal problema é de controle e propaganda. A Rede global acabou. Isso já é ruim o bastante.” E complicado. Como se gerencia o divórcio quando a infraestrutura de uma das partes ocupa grande parte da outra? Como nos protegemos de uma China que se torna independente da mesma Rede que depende do 5G da Huawei? “Bem, teremos que ver como isso se desdobra”, ironiza Schneier. “Como não há um ditador da Internet capaz de impedir esse tipo de coisa, tudo pode acontecer.”

Entre os especialistas, há nuances. “No momento, o que estão criando são Internet separáveis, e não separadas”, explica Ángel Gómez de Ágreda, coronel da Força Aérea espanhola, ex-chefe de cooperação do Comando Conjunto de Defesa Cibernética e autor do recente Mundo Orwell: Manual de Supervivencia para un Mundo Hiperconectado. “Isso nos prejudicará no crescimento porque vai fraturar os mercados e, do ponto de vista da segurança, é o equivalente ao escudo antimísseis: ‘Eu posso atirar em você, mas você não pode atirar em mim.’ Estamos criando um mundo medieval, de castelos, onde as vulnerabilidades de uns e de outros serão diferentes.” Entre os dois modelos antagônicos da Rede –global e soberano–, um espectro de países parece não ter voz nem voto nessa separação. “Nós estaremos com o padrão americano e isso não significa que seja perfeito.” Permaneceremos no bloco de uma Rede dominada por plataformas comerciais, um modelo de negócio baseado na exploração maciça de dados que produziu sua própria família de patologias.

“É fácil atacar a ideia da balcanização da Rede argumentando que os maus querem controlar a Internet. Mas, o que aconteceria se fossem os países democráticos, como aconteceu com o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) ou com o direito de ser esquecido?”, argumenta Morozov. “Não estou preocupado com a balcanização da Rede, pois, de qualquer forma, trata-se da desvinculação da esfera econômica e digital controlada pelos Estados Unidos. Os meios de comunicação, por exemplo, possuem regulações diferentes, mesmo dentro da União Europeia –o que é aceitável na Noruega, pode não ser na Itália, e vice-versa. Por isso não acho que devamos nos preocupar com discordâncias na esfera digital só porque nossa concepção original da Internet é um mito de universalismo impossível.”

“A Espanha sozinha não tem margem de manobra”, diz o coronel Gomez de Ágreda, “o que temos, sim, que fazer na Europa é nos perguntar se queremos pertencer a um dos sistemas que estão sendo montados ou ter o nosso sistema separável”. De certa forma, a Europa já faz isso. O RGPD de 2018 separa legalmente os usuários europeus daqueles do restante do mundo. “Podemos criar uma Internet com nossas próprias regras”, conclui Gómez de Ágreda. “Um núcleo de países com os quais compartilhamos uma série de valores.” E esclarece que não se refere estritamente à União Europeia. Isso também começou a se romper.

“Estamos vivendo a primeira crise econômica do antropoceno”

Antropoceno, a era geológica marcada pela ação humana.

Se toda a história da Terra fosse condensada em apenas um dia, estaríamos nos últimos 20 segundos. Não se engane: não faz muito tempo que habitamos este planeta!

A exploração dos recursos fósseis provocou o nascimento de uma nova era geológica na Terra – uma proeza levada a cabo pelas nações industrializadas e por suas elites, as quais basearam sua supremacia em trocas ecológicas desiguais.

Apesar de os seres humanos não habitarem a Terra há muito tempo, já deixaram uma marca difícil de apagar.

O que está em jogo é a troca entre atividade econômica e morte. Não podemos dizer que não fomos avisados. Desde o famoso relatório Limites ao Crescimento, realizado pelo clube de Roma em 1972, especialistas vêm destacando as forças naturais que podem interromper o caminho triunfante do crescimento econômico.

Esqueça o efeito borboleta, este é o efeito morcego – nossa influência sobre a natureza desencadeou o surto de coronavírus. E a pandemia está nos forçando a repensar como administrar nosso mundo em rede.

Todo mês de abril, Washington DC recebe as reuniões da primavera do FMI e do Banco Mundial. Mas, no mês passado, a diretora administrativa do FMI, Kristalina Georgieva, se dirigiu a seus colegas em vídeo. O mundo estava enfrentando, declarou ela, uma “crise como nenhuma outra”. Pela primeira vez desde o início dos registros, toda a economia mundial está se contraindo, tanto os países ricos quanto os pobres.

Mas não é apenas o impacto imediato que torna essa crise econômica sem precedentes. É a sua gênese. Isso não é 2008, que foi desencadeado por um colapso do setor bancário do Atlântico Norte. E não é a década de 1930; um terremoto que se originou nas linhas de falha deixadas pela primeira guerra mundial.

A emergência econômica Covid-19 de 2020 é o resultado de um grande esforço global para conter uma doença desconhecida e letal. É uma demonstração surpreendente de nosso poder coletivo de parar a economia e um lembrete chocante de que nosso controle da natureza, sobre o qual repousa a vida moderna, é mais frágil do que gostamos de pensar. O que estamos vivendo é a primeira crise econômica do Antropoceno.

Esta é a época em que o impacto da humanidade na natureza começou a nos afetar de maneira imprevisível e desastrosa. A grande aceleração que definiu o Antropoceno pode ter começado em 1945, mas em 2020 estamos enfrentando a primeira crise em que o blowback desestabiliza toda a economia. É um lembrete de quão abrangente e imediato é esse desafio. Enquanto a linha do tempo da emergência climática tende a ser medida em anos, o Covid-19 circulou o mundo em questão de semanas.

E o choque é profundo. Ao questionar nosso domínio da vida e da morte, a doença sacode a base psicológica de nossa ordem social e econômica. Coloca questões fundamentais sobre prioridades; altera os termos do debate. Nem na década de 1930 nem depois de 2008, havia qualquer dúvida de que levar as pessoas de volta ao trabalho era a coisa certa a fazer.

Salientar a natureza sem precedentes do choque do Covid-19 não significa que os problemas expostos pela crise financeira de 2008 ainda não estão conosco hoje. Com o aumento da pandemia em março de 2020, a fragilidade dos mercados financeiros ficou aparente demais. Se os bloqueios forem seguidos por uma recessão prolongada, como é mais do que provável, os bancos sofrerão danos graves. A ênfase na singularidade do choque covarde também não implica que as tensões geopolíticas entre a China e os EUA não importem. Eles fazem. O conflito sino-americano coloca o futuro da economia mundial em questão e isso é ainda mais alarmante, à medida que crescem as tensões sobre a política do vírus todos os dias.

Mas o ponto crucial é que a estabilidade financeira e a geopolítica estão agora entrelaçadas com um desafio que, como afirmou o presidente francês Emmanuel Macron, é antropológico: o que está em jogo é a troca entre atividade econômica e morte. Uma mutação casual na panela de pressão ambiental da China central colocou em risco toda a nossa capacidade de realizar nossos negócios diários. É uma versão maligna do efeito borboleta. Chame isso de efeito morcego.Desespero … trabalhadores da saúde protestando na região de Piemonte, na Itália. Fotografia: Alberto Ramella / AGF / REX / Shutterstock

Como circulou pelo mundo, o Covid-19 escalou a linha do tempo do progresso. Hospitais sofisticados na China, Itália e EUA foram reduzidos ao desespero caótico e impotente. As enfermeiras de Nova York passaram a se embrulhar em sacos de lixo. Máscaras faciais foram fabricadas à mão em máquinas de costura. Empilhamos os mortos em caminhões de geladeira.

Temos que enfrentar a possibilidade de estarmos vivendo em um intervalo encantador. No século desde a gripe espanhola de 1918-19, o aumento entrelaçado da globalização e dos estados de bem-estar nacional ocorreu no contexto de condições de doenças relativamente benignas. Graças à melhoria da nutrição, saneamento e habitação, saúde pública, farmacologia e medicina de alta tecnologia, observamos um progresso notável na expectativa de vida humana. A conquista da varíola em 1977 foi emblemática.

A sensação de que doenças infecciosas eram coisa do passado sustentava uma promessa de proteção. Com o Covid-19, o custo dessa proteção aumentou bastante. Em uma horrível distorção da mente, as economias avançadas de repente se vêem diante dos tipos de dilemas habitualmente enfrentados pelos países pobres. Nós não temos as ferramentas. No mundo pobre, o resultado diário é que as crianças são atrofiadas e as famílias empobrecidas. Milhões morrem por falta de tratamento. O Covid-19 entregou uma amostra disso ao mundo rico.

Não podemos dizer que não fomos avisados. Desde o famoso relatório Limites ao Crescimento, realizado pelo clube de Roma em 1972, especialistas vêm destacando as forças naturais que podem interromper o caminho triunfante do crescimento econômico. Após os choques do petróleo na década de 1970, o esgotamento de recursos foi uma grande preocupação. Nos anos 80, a crise climática assumiu o controle. Mas, no mesmo momento, o choque do HIV / Aids despertou a consciência de um tipo diferente de blowback da natureza: a ameaça de “doenças infecciosas emergentes” e, especificamente, as geradas por mutações zoonóticas.

Partindo de uma famosa conferência na Universidade Rockefeller em 1989, foi argumentado repetidamente que isso não é coincidência. É o resultado da incorporação incansável da humanidade da vida animal em nossa cadeia alimentar. HIV / Aids, Sars, gripe aviária, gripe suína e Mers podem ser atribuídos a esse apetite perigoso. Como a crise climática, as epidemias não são meramente acidentes da natureza. Eles têm drivers antropogênicos.

Recomendo a leitura. Assim se aprende o que o Antropoceno

As implicações desta análise são radicais. Mas os médicos e epidemiologistas que o fazem não são revolucionários. O que eles insistentemente pediram é uma infraestrutura global de saúde pública proporcional aos riscos que a globalização acarreta. Se quisermos manter enormes estoques de animais domesticados e invadir cada vez mais profundamente os últimos reservatórios remanescentes de vida selvagem; se vamos nos concentrar em cidades gigantes e viajar em números cada vez maiores, isso traz riscos virais.

Meio Ambiente,Fauna,Flora,Agrotóxicos,Abelhas,Vida Selvagem,Poluição.Agricultura,Alimentos,Crimes Ambientais,Natureza,Blog do Mesquita Se desejamos evitar desastres, devemos investir em pesquisa, monitoramento, saúde pública básica, produção e armazenamento de vacinas e equipamentos essenciais para nossos hospitais.

Obviamente, isso exigiria considerável coordenação política e algum investimento. Mas sempre ficou claro que a recompensa seria enorme. A pandemia de gripe de 1918, que se acredita ter matado 50 milhões de pessoas, define um nível alto. Se uma pandemia surgisse e tivesse que ser contida em quarentena, era sempre óbvio que os custos chegariam aos trilhões de dólares.

Com a crise climática, sabemos o que impede uma reação adequada. Os combustíveis fósseis são essenciais para o nosso modo de vida. Poderosos interesses comerciais têm um grande interesse na negação do clima. Os interesses estratégicos dos EUA, Arábia Saudita e Rússia são todos investidos em petróleo. A descarbonização é cara, tecnicamente complicada e os benefícios são difusos e de longo prazo.Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Em relação à política global de saúde, existem rivalidades burocráticas entre diferentes agências nacionais e globais. Existem diferenças de abordagem entre especialistas em segurança global em saúde e humanitários biomédicos. A indústria farmacêutica não investirá em medicamentos, a menos que obtenha lucro. Os hospitais preocupados com os custos querem minimizar os gastos com camas. Mas tudo isso parece cerveja pequena em comparação com os riscos envolvidos.

Embora se possa razoavelmente dizer que estruturas gigantes como o capitalismo e a geopolítica impedem a crise climática, o mesmo não ocorre com Covid-19. O custo de vacinar o mundo inteiro é estimado em cerca de US $ 20 bilhões. Isso equivale a aproximadamente duas horas do PIB global, uma pequena fração dos trilhões que a crise está custando. O fato de esse vírus ter se tornado uma crise global não é explicável em termos de interesses opostos em massa. É antes de tudo um fracasso do governo.

 Acontece que podemos fazer uma pausa na economia mundial. Mas agora enfrentamos a incrível responsabilidade de reabri-lo

Por serem relativamente baratos e a escala do risco ser enorme, todos os principais países tinham, de fato, preparativos para uma pandemia. Nenhuma era tão ampla quanto poderíamos desejar agora. Mas em lugares como Coréia do Sul, Taiwan e Alemanha, eles trabalharam. Fazer bons planos, segui-los e fazer as coisas básicas corretamente acaba importando. Enfrentar a crise climática coloca o grande desafio de desacelerar todo o sistema. O que Covid-19 ensina é que não é apenas a grande figura que importa. O nosso sistema global é tão unido que pequenas falhas de governança em alguns nós cruciais podem afetar todos no planeta.

O mais notável do Covid-19 é que ele traz os riscos do Antropoceno para cada um de nós individualmente. Os bloqueios não foram simplesmente uma medida governamental de cima para baixo. Foram as próprias pessoas que decidiram em massa sua própria resposta à ameaça, frequentemente à frente de seus governos. Isso se refletiu mais dramaticamente nos mercados financeiros, que começaram uma corrida global pela segurança. Foi isso que acionou primeiro os bancos centrais e depois os parlamentos e governos. Acontece que somos capazes de pausar a economia mundial.

Mas agora enfrentamos a incrível responsabilidade de reabrir. Se Georgieva está certo de que esta é uma crise como nenhuma outra, o mesmo ocorre com o problema do reinício. As apostas dificilmente poderiam ser maiores. Por um lado, estão os enormes riscos médicos; por outro, uma crise econômica desastrosa. Como podemos fazer o trade-off? É tentador rejeitar a escolha como impossível ou falsa. Não apenas isso não é verdade, mas também nega o fato de que, em circunstâncias normais, nos envolvemos rotineiramente em trocas de vida e morte. Mesmo nas sociedades mais ricas, são tomadas diariamente decisões motivadas financeiramente que decidem as chances de morte devido a acidentes de trabalho, poluição, acidentes de carro, financiamento hospitalar, aquisição de medicamentos e seguro de saúde.

Mas nunca antes a questão foi colocada em termos tão diretos para nações inteiras. O resultado é previsivelmente divisivo. Atualmente, os EUA estão embarcando em um teste de colisão, com estados republicanos do sul, como a Geórgia, avançando apesar dos testes inadequados ou do apoio médico. Incitadas pelo próprio presidente, milícias armadas ocupavam a capital do estado de Michigan exigindo “libertação” do bloqueio. Enquanto isso, na Alemanha, Angela Merkel reprisou seu papel na crise da zona do euro, tentando reprimir qualquer discussão. Não foi um momento para “orgias de debate sobre reabertura”, ela insistiu. Margaret Thatcher “não há alternativa” era, mais uma vez, a ordem do dia.

A bala mágica seria uma solução médica – testes de anticorpos, tratamentos eficazes, uma vacina. Foram necessários cinco anos para desenvolver uma vacina contra o Ebola, embora recursos muito maiores estejam sendo lançados para esse problema. Mas o que estamos contando não deve ser confundido com os negócios, como de costume. Nunca desenvolvemos com sucesso uma vacina corona. Estamos apostando não na ciência normal, mas em uma maravilha moderna, um “milagre científico”. E, mesmo na melhor das hipóteses, se uma vacina for lançada em 2021, não podemos escapar da lógica da sociedade de risco. Agora sabemos o que esse tipo de ameaça pode fazer. Sabemos que perdemos uma grande fatia de 2020. Como avançamos a partir daqui?

A solução óbvia é fazer os investimentos em saúde pública global exigidos pelos especialistas desde os anos 90. Haverá obstáculos políticos e comerciais a serem superados. China e EUA estão em desacordo e parecem determinados a politizar a pandemia. Além disso, o vasto custo financeiro da crise ficará sobre nós. Dívidas enormes provavelmente incentivarão a conversa sobre austeridade. Desde a década de 1990, as políticas econômicas voltadas para o mercado no setor público enfraqueceram os sistemas de saúde em todo o mundo. Em última análise, a política será decisiva e os últimos seis meses trouxeram derrotas esmagadoras para a esquerda em ambos os lados do Atlântico. O teor político predominante da crise, até agora, tem sido conservador e nacionalista.

Diante da crise, Jair Bolsonaro e Donald Trump reduziram números absurdos. Mas eles expressam um profundo desejo de negar o significado do choque.

Quem não preferiria pensar que isso era simplesmente gripe? Diante dessa tentação, o que devemos evitar não é uma exibição aberta de negação, mas a alternativa suave. O Covid-19, como os furacões sem precedentes e os incêndios devastadores de 2019, será descartado como uma aberração da natureza. Isso é reconfortante. Será bom para os negócios no curto prazo. Mas isso nos prepara para outra crise. Se é certo que o Covid-19 é uma crise como nenhuma outra, o que deve ser temido é que haverá mais chances de ocorrer.

Artes plásticas – 15 Pintores russos

Valentín Seróv
“Garota com Pêssegos”, 1887

Filipp Maliávin.
“Retratp de E.M. Martínova”, 1897

Iliá Répin. “Lev Tolstói em uma sala sob os arcos”, 1891.

Valentín Seróv
“Retrato de G.L. Guirchman”, 1907

Konstantín Sômov
“Moça descansando”, 1909

Mikhaíl Lariônov
“Soldado descansando”, 1911

Borís Kustódiev. “Vênus Russa”, 1925

Aleksandr Deinêka
“Na varanda”, 1931

Tatiana Iablonska. “Manhã”, 1954

Gueli Korjev. “Manhã nebulosa”, 2006

Chernobil: incêndios próxios aos reatores que explodiram podem atingir depósitos radiotivos

O fogo está principalmente localizado na zona de exclusão do desastre nuclear na atual Ucrania.

Foto: Reuters

Os incidentes que atingem a zona de exclusão da catástrofe nuclear de Chernobbil podem ser encontrados a 2 km dos depósitos de resíduos radioativos, como informou Yaroslav Emeliánenko, o membro do conselho público da Agência Estatal para a Gestão da Zona de Exclusão.

“O fogo permitiu que você seguisse os quilômetros de depósitos Pidlisny, onde guardava os resíduos mais radiativos de toda a zona de Chernobbil”, Emeliánenko afirma em rede no Facebook.

Os incendios florestais na zona de exclusão da usina nuclear de Chernóbil, no norte da Ucrânia, começaram no dia 4 de abril.

A Agência Estatal para a Gestão da Zona de Exclusão, informou no domingo passado, que “é perigoso porque durante a combustão, haverá liberarção na atmosfera de resíduos radioativos que permanecem na vegetação e na cobertura superficial do solo, e são transportados a distancias consideráveis”

Sem embargo, no dia 6 de abril, no epicentro do incidente, é registrado um nível de radioatividade 16 vezes mais alto do que o normal.

As autoridades detectaram na semana passada o lugar em um povoado onde pode ter começado o incendio.

Automóveis fabricados na ex União Soviética

A indústria automobilística da União Soviética cobriu um período de 1929 a 1991.

Começou com o estabelecimento de grandes fábricas de automóveis e a reorganização da fábrica da AMO em Moscou no final dos anos 20 e início 30, comparando-o com o russo Detroit durante o primeiro plano de cinco anos, e continuou até a dissolução da União Soviética em 1991.

Mostramos para vocês com alguns dos carros e conceitos de corrida mais legais e estranhos que foram construídos na URSS.

Torpedo GAZ (1951)
Um motor de quatro cilindros com 105 hp a 4000 rpm. Velocidade máxima de 191 km / h.

GAZ TR Arrow (1954)
GAZ TR “Arrow”, com um motor a jato. A velocidade deste carro deve ser de cerca de 500 km / h, mas devido à falta de estradas e pneus de alta velocidade especialmente preparados, a velocidade máxima de acordo com o programa de chegada do teste não excedeu 300 km / h.

ZIS-112 (1951)
Em 1951, a montadora russa ZIS estreou seu primeiro Concept Car ZIS-112. O carro, conhecido como o Ciclope, foi projetado por Valentine Rostkov. O carro tinha um capota removível e era movido por um V-8 de 140 hp.

NAMI-050 “Belka” (“esquilo”) (1955)
No final dos anos 40, Yuri Dolmatovsky, irmão do poeta soviético Yevgeny Dolmatovsky, refletiu sobre os profissionais do design de carros. Foi seu envolvimento que levou desenvolver o NAMI-050, tornando-se a primeira minivan soviética de passageiros.

Moskvitch-C2 (1956)
Moskvich-G2. Um carro de corrida que quebrou recordes, projetado por I.A. Gladilin e I.I. Okunev, construído em 1956. O Moskvitch G2 estabeleceu três recordes de velocidade soviéticos em corridas de longa distância. Ele competiu no campeonato da URSS de 1959 e venceu na categoria de menos de 2500 cc. O Moskvitch G2 deixou de ser utilizado após 1960 e foi cancelado no final de 1963. Apenas dois foram construídos e ambos foram desmontados como peças de reposição.

VAZ-Porsche 2103 (1976)
Em 1975, o presidente da Porsche, Ernst Fuhrmann, reuniu-se com o ministro soviético da indústria automobilística, Viktor Polyakov, e concordou em uma parceria de três anos na qual a Porsche ajudaria a projetar Ladas. Este é o resultado com falha dessa associação. Chama-se VAZ-Porsche 2103 e foi planejado para ser um facelift para o Lada da época.

GAZ M-20 Pobeda Sport (1950)
Carro esportivo baseado no modelo de produção GAZ-20 “Pobeda”. Em 1951, três veículos foram equipados com escapamentos rotativos “Rutz”, dois carburadores substituídos por um. Com uma potência máxima que aumentou para 105 CV e uma velocidade de 190 km / h!

Pangolina (1980)
Outro projeto esportivo caseiro, desta vez a idéia do engenheiro Alexander Kulygin, que também produziu um veículo todo-o-terreno de seis rodas e um carro-conceito, ambos para o exército. O Pangolina foi construído em 1980 e com muito sucesso. Juntamente com seu criador, ele participou de várias competições de corrida soviéticas e até visitou a Exposição Internacional de Automóveis “EXPO 85” em Plovdiv, Bulgária. O carro foi usado em clipes pop soviéticos.

NAMI Okhta (1986)
O Okhta foi construído em 1986 no Laboratório de Protótipos Avançados de Veículos Leves de Leningrado pelo NAMI (Instituto Central de Pesquisa Automobilística). Este protótipo de carro tinha capacidade máxima para sete pessoas: a segunda e terceira fila de assentos eram removíveis, enquanto a parte da frente podia ser girada em 180 °. Uau!