Brasil: A chantagem da mídia econômica internacional

Economia,Brasil, Blog do MesquitaNa segunda 7 de abril, o jornal O Globo repercutiu um texto do jornal britânico Financial Times (FT) onde esta publicação dá “sentença de morte” para o modelo econômico brasileiro.

Quem acompanha meus artigos neste blog há quase nove anos sabe o quanto sou crítico do governo de coalizão, incluindo o modelo de Bismarckismo Tropical, onde o governo federal se associa aos capitais oligopolistas, favorecendo campeões nacionais e seus pares estrangeiros.

Ressalto que minha crítica por esquerda não tem relação com este mecanismo de chantagem e criação de factóides oriundas do centro do capitalismo e em particular da retro-alimentação do cassino financeiro.

O último ataque contra a economia brasileira tem origem na nota rebaixada da agência de análise de risco Standard & Poor’s (S&Ps), passando o país de BBB para BBB-.

A previsão de longo prazo desta agência indica certa “instabilidade”, mas ainda não retira o grau de investimento (investment grade).

Por incrível que pareça, a recomendação desta empresa privada condiciona a compra dos papeis da dívida pública brasileira, porque os grandes fundos globais têm nas suas regras de funcionamento tal avaliação prévia terceirizada.

Se a agência não recomendar a compra, os gerentes de operações e analistas não podem comprar títulos de um país, o que resulta numa rebaixa violenta.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O chamado “efeito de manada” pode começar numa venda combinada – como foi o caso da Grécia – ou então numa nota rebaixada.

Parece piada, mas é farsa. A S&Ps deu nota AAA (máxima) para a fraudulenta Enron (antes da empresa de energia falir) e para os bancos de investimento Lehman Brothers e Bear Stern – co-responsáveis pela bolha financeira – semanas antes da quebradeira de 2008.

Somente este dado já seria o suficiente para colocar em dúvida a lisura destas agências e o mecanismo de análise.

Para piorar, tanto o FT como o The Economist e o Wall Street Journal (do “impoluto” Rupert Murdoch) tomam como fontes autorizadas, a operadores da jogatina global igualmente cúmplices pela bolha e a crise subseqüente de 2008.

Ora, quando uma matéria toma como fato gerador um índice duvidoso e ouve apenas especialistas diretamente interessados no tema, o texto fica no mínimo sob suspeita.

A suspeição se confirma quando aplicam o recurso do sujeito oculto, ouvindo “o mercado” ou consultando “a maioria dos economistas” para confirmar o argumento central.

Isto é uma chantagem, tentando condicionar a decisões soberanas do Brasil diante dos especuladores globais.
¹ Bruno Lima Rocha é professor de relações internacionais e de ciência política.
(www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@gmail.com)

Tópicos do dia – 20/12/2011

07:43:35
TST admite “Big Brother” como prova para demissão por justa causa.
A 5ª Turma do TST considerou “lícita” filmagem feita pela Águas Amazonas S.A., fora do local de trabalho, para mostrar que um empregado não estava incapacitado para o serviço, como alegara ao pedir licença.
O rapaz, acidentado em 2005, ficou fora até 2008.

Depois, apesar de já considerado apto, continuou sem trabalhar e acabou demitido por justa causa.

O trabalhador entrou na Justiça, alegando “violação de direitos”.
Aí, a empresa, para “comprovar a justa causa”, passou a filmá-lo até em frente de casa.

O empregado descobriu a bisbilhotice e pediu indenização de R$ 100 mil. Não levou.
Segundo o TST, a empresa “não teve a intenção de prejudicar o trabalhador nem de atentar contra sua honra ou imagem”.

07:56:38
Ah, a semântica
Dona Dilma chama as peripécias nada republicanas de seus (dela) ministros de “malfeito”. Que gracinha! Nos meus tempos de criança, malfeito, por exemplo, era lamber o glacê do bolo antes do aniversário. Meter a mão no butim do Estado tem outro nome, nobre senhora.

08:08:25
A “não notícia” e a chamada “grande” imprensa
Que grande imprensa? São uns nanicos ante o rolo compressor das redes sociais. Essas, independentes e sem rabos presos à politicalha, nem aos interesses corporativos. Aquela completamente vendida e dominada por “jornalistas” atolados até o pescoço em vender a alma, corações e mentes. Desde Randolph Hearst até ao mafioso Murdoch. Nunca a “não notícia” serviu para a propagação da notícia.

Aliás, a bem da verdade, não há mais imprensa. Somente publicadores de “releases”. As inutéis e narcisistas colunas sociais continuam a praticar vergonhosamente, a despudorada indecência do “merchandaising.”

11:15:49
Príncipe saudita Alwaleed investe US$ 300 milhões no Twitter
Alwaleed tem uma fortuna pessoal avaliada em US$ 20 bilhões.
Participação no Twitter veio após ‘meses de negociação’.
O bilionário príncipe saudita Alwaleed bin Talal, que investe em algumas das maiores companhias do mundo, revelou segunda-feira (19) ter adquirido participação acionária de US$ 300 milhões no site de microblogs Twitter, o que aumenta sua influência sobre o setor mundial de mídia.
Alwaleed, sobrinho do rei saudita e detentor de uma fortuna pessoal avaliada em pouco menos de US$ 20 bilhões pela revista “Forbes”, em março, já detém participação de 7% na News Corp e quer criar um canal a cabo de notícias.
A participação no Twitter, adquirida em sociedade por Alwaleed e sua companhia de investimento Kingdom Holding Co, resultou de “meses de negociações”, segundo a Kingdom. As ações da companhia subiram em 5,7% na abertura do pregão saudita, o que expressa a aprovação dos investidores a uma transação em um setor visto como de alto crescimento.
Se for aplicada avaliação de mercado que alguns analistas utilizam para o Twitter, de US$ 8 bilhões, o investimento de Alwaleed e da Kingdom equivaleria a uma participação de 3,75%.
“Nos últimos anos, o príncipe Alwaleed está se esforçando para ampliar sua presença nos setores de telecomunicações e tecnologia”, disse Hesham Tuffaha, vice-presidente de gestão de ativos no Bakheet Investment Group, em Riad.
“Um dos poucos setores a registrar crescimento significativo de receita nos últimos três anos foi o de tecnologia, o que explica que a Kingdom tenha escolhido o Twitter para ampliar seu diversificado portfolio”, acrescentou.
O uso do Twitter ajudou na disseminação de informações na “Primavera Árabe”, a série de revoltas que abalou o Oriente Médio e o norte da África este ano.
A Arábia Saudita conseguiu controlar os primeiros indícios de insatisfação entre seus habitantes ao anunciar um pacote de US$ 130 bilhões em gastos sociais.


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Wikileaks e News of the World: democracia é também não informar

Democracia é também não informar
Por José Paulo Cavalcanti Filho ¹

.1.

O WikiLeaks ganhou tintas, perante a opinião pública, de instrumento da democracia; com seu mentor (e fundador), Julian Assange, no papel de herói. Já o jornal inglês News of the World acabou reduzido à essência de todos os males da mídia, mundana e promíscua; e seu proprietário, o australiano (naturalizado americano, para atender memoranduns da FCC) Rupert Murdoch, a vilão de faroeste italiano.

Engraçado só é que os dois casos são, em essência, rigorosamente iguais. E quem condenou um, para ser coerente, jamais poderia louvar o outro. Só que a culpa, no episódio, recai menos sobre o leitor e mais sobre a própria mídia, do novo incapaz de ver seu próprio umbigo. Nessa linha, um exame isento dos casos revelará que há, em ambos, uma mesma questão de forma e uma mesma questão de substância. A ver.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

.2.

A forma diz respeito aos meios para obtenção das informações. Dando-se que as escutas telefônicas do News of the World são tão ilegais quando o processo de acesso a documentos reservados dos governos, pelo WikiLeaks –a partir da internet, segundo consta.

.3.

Em relação à substância temos também, nos dois casos, conteúdos que não devem ser revelados. E não devem ser revelados por assim melhor corresponder ao interesse coletivo, esse o fator determinante. De resto, e caso essa reserva seja equivocada, há já processos consolidados para sua revisão.

É assim em toda a parte, a partir de Comissários da Informação (Canadá), Ombudsman e Comissões Administrativas (Suécia), Comissão de Acesso a Documentos Administrativos (França), Comissão sobre Segredo de Pesquisa (Noruega), Corte Administrativa Suprema (Finlândia), Administrative Appeals Tribunal e Ombudsman (Austrália), District Courts e Civil Service Comissions (EUA). Mesmo no Brasil, com uma “Comissão Mista de Reavaliação de Informações” (art. 35 do Projeto de Lei 219-C), formada por representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

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Em um caso temos a vida privada das pessoas. No outro, além disso, também documentos de outras naturezas. É preciso, aqui, examinar o tema com menos paixão. Porque a idéia de ser antidemocrática, toda regra que estabeleça qualquer limite ao acesso da informação, é só um mito.

Na França, para não ir longe, o prazo médio de sigilo é 30 anos. Mas são de: a) 60 anos (da data de produção do fato), para segurança do Estado e vida particular; b) 100 anos (do encerramento do caso), para assuntos jurídicos; c) 120 anos (da data do nascimento), para informações pessoais; d) 150 anos (da data de nascimento), para informações médicas. E a França, ninguém dirá o contrário, é um espaço democrático.

Em todos os países as regras são parecidas; podendo inclusive, em casos específicos, não haver esse acesso. A Suprema Corte nos Estados Unidos, a propósito, já definiu, no caso O’Connor x United States (1991), que o governo tem poder de bloquear informações que considere relevantes. Com esse acesso, indistintamente, sendo imediato; ou dando-se em alguns anos; ou “pelo tempo que requererem as considerações de Segurança Nacional” (a mão ainda treme, ao escrever essas duas palavras). Indeterminado, pois. De tudo resultando que certo distanciamento, entre fato histórico e acesso à informação, resulta em tantos casos mesmo desejável.

.5.

Sobre o jornal inglês, todos estamos de acordo. Contra. Sem contudo perceber que divulgar informações em poder do governo pode ser tão danoso, ao interesse coletivo, quanto expor detalhes da vida íntima das pessoas (protegidas pela privacidade). Tomemos, entre muitos, o exemplo banal da fórmula da Coca-Cola – que, só para lembrar, é um segredo (industrial) em poder do governo (INPI). Vem o WikiLeaks edivulga. O que acontece?, já sabemos. Em cada esquina desse país vai abrir uma fábrica de tubaína – que venderá o mesmo sabor da Coca por metade do preço (ainda menos, que quase inevitavelmente nenhuma delas pagará imposto). O que a democracia ganha com isso?

.6.

A regra, generalizada, é estabelecer reserva sobre alguns temas. Onze deles estão inclusive presentes em todas as legislações de países com democracia consolidada. Textos sobre fronteiras. Efetivos de forças armadas. Planos militares, que nenhum país divulga. Privacidade. Sigilos profissionais também, entre eles o das confissões religiosas. Outros mais. Em tudo se reafirmando uma verdade simples, e que (ainda) causa pavor à mídia – a de que democracia é informar e é também não informar.

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Então, assim ficamos. Ou não deve haver nenhum limite à informação, caso em que WikiLeaks eNews of the World devem ser tidos como mensageiros do bem. Ou podemos (e mesmo devemos) admitir limites democráticos a esse acesso à informação, sugeridos sempre pelo interesse coletivo – caso em que Murdoch e Assange acabam sendo vilões muito parecidos.

Os leitores podem escolher. Um lado ou outro. Só não podem é louvar o WikiLeaks e mandar ao inferno o New of the World. Apenas por não ser razoável. Nem coerente. E isso basta.

***

¹ José Paulo Cavalcanti Filho é advogado no Recife (PE), ex-presidente do Conselho de Comunicação Social

Brasil desenvolve primeira plataforma de notícias, áudio e vídeo, para iPad

Dois jornalistas importantes – Joaquim Castanheira e Leonardo Attuch, diretor de redação e redator-chefe da revista IstoÉ Dinheiro, respectivamente – estâo à frente do desenvolvimento de uma plataforma brasileira para notícias no iPad, a ser lançada em 2011.

Inclui texto, áudio e vídeo ao mesmo tempo.

Baseado nos modelos de gestão dos bancos de investimento, a plataforma, de nome ainda indefinido, prevê ainda um site noticioso, com cobertura 24 horas.

Com investimento inicial de capital brasileiro, a publicação se assemelha ao Daily, plataforma anunciada pelo magnata das comunicações Rupert Murdoch, em parceria com o CEO da Apple, Steve Jobs.


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The Times: site do jornal de NY perde 66% de visitas após iniciar cobrança por acesso

Mais um que achava que poderia ganhar dinheiro cobrando por acesso ao conteúdo on line. Deu com os burros n’água!
Perdeu dinheiro e audiência.

Após começar a cobrar, site do ‘Times’ tem queda de 66% em visitas

Diminuição de audiência perdeu força após uma semana de restrição.

Medida é acompanhada por outros grupos editoriais, que podem copiá-la.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

As visitas ao site do jornal inglês “The Times” caíram aproximadamente 66% desde que o grupo News International, seu proprietário, decidiu cobrar pelo acesso.

A informação foi divulgada pelo “Financial Times“, que lembra que a queda, no entanto, foi muito inferior aos 90% que os mais pessimistas previam.

A aposta do News International, propriedade do magnata australiano Rupert Murdoch, está sendo observada por grupos editoriais de todo o mundo.

Muitos projetam medidas similares para compensar a queda na venda de suas edições impressas e a redução na receita publicitária.

Segundo os números, elaborados pela Experian Hitwise, empresa que analisa o trânsito on-line, a queda mais significativa das visitas foi nas semanas anteriores ao início da cobrança, quando os leitores precisaram se registrar.

Nas cinco semanas entre 22 de maio e 26 de junho, o volume de visitas caiu 58%.

No mesmo período, a fatia do “Times” de todo o tráfego na web relacionado com a imprensa passou de 4,37% a 1,83%.

Uma semana depois do início da cobrança, a partir de 2 de julho, a queda perdeu força – foi para 33% do total de antes da cobrança -, embora a quantidade de visitas possa ter sido influenciada pelo início da Copa do Mundo.

G1/EFE

Twitter – empresas de mídia tentam descobrir como ganhar dinheiro com o microblog

O assunto “Twitter” foi o tema principal das discussões no evento anual de mídia e tecnologia nos Estados Unidos, que reune os principais executivos das áreas de comunicações. O diretor-executivo do Twitter, Evan Williams, foi o mais assediado quando chegou para participar da 27ª conferência de mídia e tecnologia de Sun Valley na California.

Atual fenômeno da internet, o serviço de microblog Twitter ainda gera desconfiança entre os principais executivos de mídia. Reunidos desde quarta-feira (8) na 27ª conferência anual de mídia e tecnologia de Sun Valley, nos EUA, os chefões do setor de comunicação tentam descobrir como ganhar dinheiro com o serviço de mensagens on-line.

Dois participantes do painel dedicado exclusivamente ao Twitter, realizado nesta quinta-feira (9), o veterano executivo Barry Diller e o magnata da TV a cabo John Malone reiteraram seu ceticismo sobre o potencial lucrativo do serviço de microblog.

“Acho que é um grande serviço. Só não acho que é um meio de propaganda natural”, disse Diller, que lidera o conglomerado de negócios on-line InterActiveCorp.

Malone, presidente da Liberty Media Corp, também acredita Twitter será bastante pressionado para vender publicidade no seu serviço de mensagens, sem prejudicar os usuários. E a melhor aposta do Twitter, segundo Malone, provavelmente é simplesmente fazer com que as pessoas fiquem tão viciadas no serviço que aceitem a pagar por ele.

É uma ideia que o YouTube, o serviço líder de vídeo na internet, talvez queira tentar. Malone disse que o bilionário investidor Warren Buffett confidenciou que ele gosta tanto de acessar o YouTube que estaria disposto a pagar US$ 5 por uma assinatura mensal do serviço.

Mas embora o YouTube esteja mais popular do que nunca, ainda não está ganhando dinheiro quase três anos depois de ter sido comprado pelo Google por US$ 1,76 bilhão.

Conversas

Os co-fundadores do Twitter, Evan Williams e Biz Stone, ainda não revelaram o seu modelo comercial, mas têm indicado que publicidade não está no alto de sua lista de prioridades. Por sua vez, a dupla tem sugerido que poderia cobrar taxas de empresas interessadas em mineração de dados sobre as preferências dos consumidores usuários do Twitter.

“É sempre bom ter atenção. Eu não sei se tem sido dada tanta atenção assim ao Twitter. Eu não tenho notado isso. Estou aqui apenas para aprender e encontrar amigos”, disse Williams, nesta quinta, que afirmou estar na conferência para discutir possíveis acordos com outros participantes do evento, mas não quis dizer quem.

Entre os participantes da 27ª conferência anual de mídia e tecnologia de Sun Valley estão Bill Gates (Microsoft), Eric Schmidt (Google), Robert Iger (Disney), Mark Zuckerberg (Facebook) e Rupert Murdoch (News Corp) – que disse na quarta que não está interessado em comprar o Twitter.

G1

Como salvar os jornais

Com o avanço da internet e principalmente dos blogs, os paquidérmicos jornalões, lerdos na divulgação dos fatos, começam a mostrar que estão ficando superados.

A agilidade necessária para acompanhar um mundo cada vez mais tecnológico, não encontra guarida no lento processo de produção de notícias impressas. A notícia surge em tempo real, na internet e principalmente nos celulares. Afinal, o celular é o único aparelho que passa 24 horas com o usuário.

Ninguém fica o tempo todo diante da TV nem do computador, mas porta o celular dia e noite. Milhares de amadores estão atentos para produzir conteúdo através das câmeras cada vez mais sofisticadas dos celulares. Daí a busca incessante para atingir o leitor através da telinha dos aparelhos que, eventualmente, servem para telefonar.

Alguns estudiosos se aprofundam na análise do problema.

O editor

Como salvar os jornais (e o jornalismo)

Walter Isaacson¹ – Estadão

Durante os últimos meses, a crise no jornalismo atingiu proporções de derretimento. Agora é possível contemplar num futuro próximo uma época em que algumas grandes cidades não terão mais seu próprio jornal e as revistas e redes de notícias empregarão apenas um punhado de repórteres.

Há, no entanto, um fato chocante e algo curioso a respeito desta crise. Os jornais têm hoje mais leitores do que nunca. O seu conteúdo, assim como o das revistas de notícias e de outros produtores do jornalismo tradicional, é mais popular do que jamais foi – até mesmo (na verdade, especialmente) entre o público jovem.

O problema é que um número cada vez menor de leitores está pagando pelo que lê. As organizações jornalísticas estão distribuindo gratuita e alegremente as suas notícias. De acordo com um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas Pew, no ano passado houve uma virada marcante: nos Estados Unidos, as notícias gratuitas disponíveis na internet foram mais procuradas do que os jornais e revistas pagos que publicavam o mesmo conteúdo. Quem pode se espantar com isso? Até mesmo eu, um antigo viciado em publicações impressas, deixei de assinar o New York Times, porque se o jornal não acha justo cobrar pelo acesso ao seu conteúdo, eu me sentiria um tolo pagando por ele.

Esse modelo comercial não faz sentido. Talvez esse sistema tenha dado a impressão de fazer sentido quando a publicidade eletrônica estava prosperando e qualquer editor parcialmente consciente podia fingir fazer parte do clã que “compreendia” as mudanças da época ao entoar o mantra de que “o futuro” estava na publicidade na internet. Mas quando a publicidade eletrônica entrou em declínio no último trimestre de 2008, o futuro do jornalismo parecia ser gratuito assim como um penhasco íngreme é o futuro de um bando de lemingues.

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