O terno dourado de Ronaldo

Ronaldo Fenômeno,Blog do MesquitaNo Brasil, virar tema de escola de samba equivale a ganhar um Prêmio Nobel.

É o reconhecimento final. Coisa para poucos, para as unanimidades… bem, alguns arrivistas também já foram lembrados, mas em geral homenageado de escola de samba faz por merecer. Gente como Tom Jobim, Pixinguinha e, agora, Ronaldo.

Sim, o Fenômeno, que tão cedo deixou o Brasil, escolheu ser melhor do mundo na Europa, voltou em fim de carreira para se tornar ídolo e se consagrar com a camisa do Corinthians, foi o homenageado pela Gaviões da Fiel, a escola da famosa torcida organizada do Timão.

De terno cor de ouro, Ronaldo teve sua vida cantada em prosa e verso no Anhembi. Estava emocionado. Com razão.

O desfile de Ronaldo celebrou duas instituições tipicamente brasileiras – o carnaval e o futebol. Não inventamos nem um nem outro. Ambos vieram de fora. Foram importados por este país no qual “nada é estranho porque tudo o é”, como disse um pensador genial, Paulo Emilio Salles Gomes. Quer dizer, importamos quase tudo que compõe nossa cultura, mas trabalhamos o material estranho à nossa maneira, até torná-lo tão nosso como se aqui houvesse nascido.

Foi assim com o futebol, que veio da Inglaterra e em poucas décadas tornou-se brasileiro da gema. E também o carnaval, que é festa linda em Veneza e em outras cidades.

Mas pergunte a um europeu o que é o carnaval e ele terá uma palavra de três letras na ponta da língua para defini-lo: Rio.

Carnaval e futebol têm origens semelhantes e desenvolvimentos comparáveis no interior da história brasileira. Vieram de fora, caíram no gosto do público e aqui se aclimataram.

De início, práticas de elite (como nos corsos carnavalescos) foram apropriados pelas camadas pobres da população.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

No início, o futebol era praticado em clubes fechados. Negros não entravam. Mas havia a rua, e carnaval e futebol começaram a ser praticados pela população em geral, tanto pelos ricos como pelos pobres. Veio destes a chama maior de criatividade, que transformou carnaval e futebol em artes maiores, tipicamente brasileiras.

Desse arranjo saíram obras-primas da cultura nacional como a seleção de 1958 e a Estacão Primeira de Mangueira, para ficar em dois exemplos. Do ponto de vista individual, a trajetória de Ronaldo representa a de muitos outros garotos saídos do nada e que se tornaram ricos e famosos por meio do futebol.

Num país em que a ascensão social é quase impossível, o jogo da bola continua a ser uma as poucas opções de sucesso de que dispõe um garoto pobre e talentoso. Pelé, Zico, Ronaldo, Robinho, Neymar e tantos outros, no passado e no presente, safaram-se de condições desfavoráveis para se tornarem ícones do sucesso individual em um país injusto.

Ao se desenvolverem, futebol e carnaval tornaram-se presas dessa mesma vocação para o sucesso. Apropriado pelos pobres, o futebol parece retornar à elite de onde saiu. Os estádios “padrão Fifa” não foram planejados para abrigar pessoas do povo. Neles, os jogadores, muitos deles saídos da pobreza, se exibirão para um público que pode pagar caro pelo ingresso e esteja apto a consumir nas butiques da “arena”.

São esses os consumidores que interessam, e não aqueles antigos, meio desdentados, que assistiam aos jogos em pé, espremidos contra os alambrados e agarrados à bandeira do clube. Isso é coisa do passado. Do mesmo modo, o desfile das escolas de samba do Rio tornou-se gigantesco espetáculo midiático, que mobiliza fortunas em transmissão pela tevê, publicidade e venda de ingressos aos turistas.

Há queixas de que as comunidades têm sido progressivamente excluídas para dar lugar a destaques da moda, celebridades locais e gringos que nunca deram um passo de samba, mas podem comprar a lembrança inesquecível de haverem desfilado um dia por uma grande escola. A composição social das arquibancadas da Marquês de Sapucaí parece muito semelhante à que teremos nas novas arenas da Copa do Mundo.

O terno dourado de Ronaldo contém uma simbologia evidente.
LUIZ ZANIN – O Estado de S.Paulo

Tópicos do dia – 15/02/2012

08:52:48
Mantega: ministro fritando na manteiga.
Oposição aposta no envolvimento de Mantega
A oposição acusou de improbidade administrativa o ministro Guido Mantega (Fazenda), em representação feita ontem ao procurador-geral da República, na expectativa de que as investigações revelem a extensão do seu envolvimento com o ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci, que teria recebido propinas de US$ 25 milhões no exterior. A Receita Federal e a Polícia Federal investigam Denucci.
Claudio Humberto

14:04:56
CCJ da Câmara Federal aprova uma aberração.
Brasil: da série “só doi quando eu rio”.
Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, aprovou um tal de Estatuto da Juventude. Mais um. A marmota, pasmem, define um conjunto de direitos específicos para jovens entre 15 e 29 anos. Assim um marmanjo estudante com somente 29 aninhos terá direito, inclusive, à meia-entrada em eventos artísticos e de entretenimento e lazer em todo o território nacional. Nessa marcha, quando sair-se do Estatudo da Juventude já se está a tempo de usufruir dos direitos do estatuto do Idoso. Argh!

14:15:02
STF decide sobre a Lei da Ficha Limpa.
Começa julgamento da validade da anterioridade da Lei da Ficha Limpa. Em juízo, entre outras questões constitucionais, está o respeito ao Princípio da Presunção da Inocência, um dos pilares da segurança jurídica. Ministro Tóffoli, em voto que está apresentando nesse momento, canal 04 NET, cita voto do ex-ministro Eros Grau: “a existência de um processo não é, ainda, indicativo de maus antecedentes.”
Espero, que em nome de se ouvir “a voz rouca das ruas”, o STF não rasgue a CF.

16:21:04
Ronaldo fenômeno diz que estádios são mais prioritários que hospitais.
O Ronaldo, ex-jogador, afirmou, vejam que estupidez, que: “Não se faz Copa do Mundo com hospitais e sim com estádios.
A divisão de investimentos existe, mas temos que ver o que é prioridade”.
Já o grande jogador Sócrates já havia sentenciado, com toda a propriedade: “O Brasil ainda não tem condições moral de sediar uma copa do mundo.” Gol!


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Ronaldo fenômeno e a aposentadoria

Aposentadoria permite reinvenção, dizem artistas e executivos a Ronaldo

Parada forçada ou precoce pode abrir caminho para sucesso em nova área.

Planejar saída com antecedência evita maiores sofrimentos no futuro.

Não são apenas jogadores de futebol como Ronaldo que se veem obrigados a sair de cena e “pendurar a chuteira” antes do pretendido. A aposentadoria precoce ou forçada atinge também outros profissionais que acabam sendo forçados a buscar novos rumos para suas carreiras. E são vários os casos de sucesso e de reinvenção.

Da esquerda para direita, em sentido horário: João Carlos Martins, Fábio Azevedo, Armando Barcellos, Ana Paula Oliveira, Danilo Talankas e Fernando Figueiredo (Foto: Montagem sobre fotos/Divulgação)

Problemas de saúde que prejudicaram os movimentos de suas mãos fizeram com que o maestro João Carlos Martins abandonasse a carreira de pianista clássico sete anos atrás.

O amor à música, porém, fez com que ele continuasse trabalhando com melodias, mas na posição de maestro.

Atualmente, aos 70 anos, é regente da Filarmônica Bachiana Sesi/SP e vai ser o homenageado do desfile da escola de samba de São Paulo Vai-Vai no Carnaval 2011.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

saiba mais
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“Quando você tem barreiras que o destino lhe impõe, tem que ter humildade para reconhecer que não dá mais”, afirma Martins. Para o maestro, Ronaldo conseguirá encontrar um novo caminho além do futebol. Martins revelou que vai convidar Ronaldo para também desfilar pela Vai-Vai.

A despedida forçada, entretanto, nunca é fácil. Para Ana Paula Oliveira, de 35 anos, falar sobre o assunto ainda é difícil. Bailarina profissional desde os 14 e integrante do Grupo Corpo, de Belo Horizonte, ela foi forçada a se separar da dança em 2010, após 20 anos de dedicação exclusiva. O motivo foi o rompimento de um ligamento entre o fêmur e a bacia na perna esquerda.

No início, não imaginou que seria algo sério, tanto que cumpriu toda a temporada da companhia de dança. Ana Paula passou por cirurgia, sessões de fisioterapia, tentou um retorno, mas percebeu que o corpo não aguentava mais a carga exigida de uma bailarina. “Fui me mexer na cama e não consegui. Senti uma dor de contratura muscular. Era um sinal do meu organismo dizendo ‘para’”, lembra.

Hoje, cerca de um ano e meio depois, Ana Paula tenta encontrar na arte novas inspirações. Não se afastou do grupo e hoje se propõe a um novo trabalho, na área de comunicação da companhia. “Fiquei de luto. São coisas da vida que acontecem sem razão nem para quê. O que me conforta é saber que fiz o que mais amei na vida”, afirma.

Osmar Santos descobriu nova paixão na pintura

Oscar Ulisses, irmão de Osmar Santos, lembra que o locutor esportivo ficou revoltado e entrou em depressão após ter a carreira interrompida. Um grave acidente de carro, em 1994, afetou a fala e parte das funções motoras de uma das vozes mais famosas do Brasil.

“Uma vez ele me falou: ‘Olha, tive um acidente sério, perdi muito do que tinha, mas muito do que tinha também ficou. Agora tenho dois caminhos. Ou reclamo ou vivo o que sobrou. Vou viver o que sobrou’”, lembra o irmão. Para superar as adversidades, Osmar Santos, hoje aos 61 anos, trocou o microfone pelo pincel e agora se dedica à pintura. “Nunca havia pintado na vida. Ele se dedica muito a essa atividade, tem aulas com caras bons de pintura. Algo que era uma terapia virou quase uma profissão”, diz o irmão, que também é locutor.

Tinha receio de sair e ficar burro, parar de exercitar, ter contato com um público diferente.”
Fábio Chiappetta, empresário

Mas nem sempre a aposentadoria precoce é por motivo de lesão ou saúde. Em 2006, Fábio Chiappetta de Azevedo, então com 34 anos, decidiu deixar o alto cargo que tinha em um banco de investimento para comandar franquias de restaurantes e também lojas próprias no ramo gastronômico, no Rio de Janeiro. “Foi difícil porque eu gostava do trabalho. Apesar de ser estressante, estudei para aquilo”, afirma o empresário, formado em economia e com duas pós-graduações na área. No caso dele, a decisão foi baseada em qualidade de vida.

“Tinha receio de sair e ficar burro, parar de exercitar, ter contato com um público diferente. Os profissionais do banco eram pessoas formadas, graduadas, na loja são pessoas sem formação, é mais difícil de lidar”, explicou Fábio, pai de duas filhas, uma de 4 anos e outra de 6 meses. Para matar a saudade do mercado financeiro, ele se encontra pelo menos a cada dois meses com os amigos economistas. O empresário elogiou a decisão de Ronaldo.“Acho que estava na hora mesmo de parar, porque é uma pessoa que já esteve super lá em cima, foi super ídolo, um fenômeno, mas não tinha mais o mesmo desempenho”, disse.

Desapego

Eu fui ver se as pessoas investiriam em mim ou no meu sobrenome corporativo e recebi muito apoio.”
Carlos Miranda, empresário

O empresário Carlos Miranda também saiu no auge de sua carreira de 21 anos na consultoria Ernst & Young, onde chegou a ser sócio, para tocar um negócio próprio. Em 2010, ele era responsável no Brasil e na América do Sul pela área de mercados em crescimento da empresa e decidiu criar um fundo de investimentos para empresas que desejavam crescer. “Podia me acomodar e continuar lá até a aposentadoria, tinha um salário superbom, mas sempre tive esse espírito mais empreendedor”, afirma. Miranda diz que a palavra de ordem para ele foi desapego. “Muita gente tem medo de perder prestígio, o glamour daquela empresa, daquele cargo. Eu fui ver se as pessoas investiriam em mim ou no meu sobrenome corporativo e recebi muito apoio.” Corintiano, ele pensa que Ronaldo ainda insistiu muito em brigar com o corpo.

Para Armando Barcellos, 45 anos, ex-triatleta que representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney e abandonou o esporte no auge da carreira, em 2001, o lado psicológico também deve ter pesado na decisão de Ronaldo. “Trinta e quatro anos ainda está muito novo. Eu entrei em forma no melhor da minha vida aos 36. Acho que ele se precipitou. Mas a gente está de fora e essa opinião é superficial”, disse.

Barcellos afirma ter deixado o mundo do esporte para ter estabilidade financeira e construir uma família. “A única coisa que me levou a parar foi questão financeira, porque a gente vive de patrocínio. Então é uma insegurança emocional muito grande. Se o patrocínio não desse o dinheiro, ia fazer o quê?”, desabafa ele, que é pai de um menino de 15 e uma menina de 4 anos. Ele decidiu abrir uma loja de bicicletas e artigos para triatlo em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Agora tem três lojas, além de uma distribuidora de materiais esportivos. “Sofrido sempre é porque você está fazendo uma coisa que você tem um destaque”, confessa.

Planejamento da aposentadoria

De acordo com a consultora Ana Fraimam, que trabalha há 30 anos com preparação para a aposentadoria, a interrupção de carreira costuma ser sempre um momento muito dramático, principalmente para as pessoas com maior projeção. “A pessoa muda todo um estilo de vida. Para alguns é como mudar de planeta”, diz. Entre as mudanças, ela cita a perda de relacionamentos e grupos de referência. “Mas o maior risco é a pessoa não encontrar o que fazer, porque nunca parou e acha que não sabe fazer outra coisa”, diz. Por isso, segundo ela, o projeto de aposentadoria deve ser planejado com pelo menos cinco anos de antecedência.

A transição costuma ser mais tranquila para aqueles que conseguem planejar a mudança de rumo antes da aposentadoria repentina. O consultor e professor do INPG (Instituto Nacional de Pós-Graduação), Danilo Talankas, surpreendeu a muitos quando decidiu antecipar sua despedida do mundo corporativo, em 2008. Na época, ele era presidente da Otis do Brasil, estava no cargo há 5 anos e tinha 59 anos.

Quando você não tem mais o cartão de visitas, perde algumas coisas, alguns benefícios. Em compensação, você passa a ter uma vida muito mais autêntica.”
Danilo Talankas, consultor

“A carreira de executivo me daria mais uns 3 anos. Já a vida acadêmica me dá uma sobrevida de pelo menos mais uns 10 anos”, explica. Ele ressalta, porém, que vinha há 10 anos buscando uma aproximação com o mundo acadêmico e que o encerramento da carreira de 18 anos como CEO foi apenas uma antecipação de um projeto bem planejado ao longo da carreira.

Ele conta que a transição aconteceu de forma automática. “No meu caso foi como trocar de emprego”, afirma. De acordo com ele, o ritmo de trabalho não mudou muito. Em compensação, pode abrir mão de atividades que funcionavam apenas como obrigação do cargo que ocupava como CEO de uma multinacional. “A gente acaba descobrindo que há vida após os 60 anos”.

Ele reconhece, entretanto, que o padrão de vida acaba mudando. “É uma vida, digamos, mais difícil. Quando você não tem mais o cartão de visitas, perde algumas coisas, alguns benefícios. Em compensação, você passa a ter uma vida muito mais autêntica”, diz.

Mas como consultor em gestão e estratégia, ele avalia que a chave para a sabedoria é saber quando parar. “Cada um, seja atleta, seja um executivo, tem que saber o momento a partir do qual a extensão da carreira começa a atrapalhar”.

O ex-vice-presidente da Basf para a América do Sul, Fernando Figueiredo, de 62 anos, se desligou da empresa no ultimo mês de dezembro em um processo negociado com antecedência de 2 anos com a multinacional.

Ele conta que chegou a pensar em planejar uma carreira pós-aposentadoria, ligada à empresa e marketing esportivo criada pelo filho, mas chegou a conclusão que, por enquanto, não precisa voltar a trabalhar. Graças ao plano de previdência angariado em 32 anos de Basf.

Assim que aposentei, fiz a melhor coisa que qualquer pessoa pode fazer, fui para a Bahia e fiquei lá por 25 dias”, diz com orgulho. Segundo ele, o segredo para a fase seguinte à aposentadoria é saber viver cada fase da vida. “Valeu cada segundo que trabalhei, mas coloquei um propósito de não sentir saudade. Viver só de lembranças não dá.”

G1 – Com reportagem de Carolina Lauriano, Darlan Alvarenga, Flavia Cristini, Luciana de Oliveira, Paulo Toledo Piza

Fernando Veríssimo: 2009 ‘tchau’

O pai do ano foi o presidente do Paraguai e ex-bispo Fernando Lugo, que reconheceu a paternidade de todos os filhos que disseram que eram seus, inclusive alguns mais velhos do que ele.

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As voltas do ano: Ronaldo ao Corintians, Adriano ao Flamengo e Collor ao noticiário.

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Madonna esteve no Brasil e namorou um Jesus. A relação, imagina-se, foi ainda mais ardente pela sugestão de incesto.

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Entreouvido na Itália:

– Atiraram o Duomo de Milão no Berlusconi.

– Oba!

– Era uma miniatura.

– Ah…

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Moda do ano: meias elásticas “Dem”, para carregar propina.

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Cineasta do ano: Durval Barbosa.

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Mãe do ano: o governo americano, que deu bilhões para grandes bancos americanos não quebrarem, com a recomendação de não gastarem tudo em gratificações de fim de ano.

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Mão do ano: a do Henry Thierry.

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Ivete Sangalo engravidou. Fernando Lugo apressou-se a declarar que não esteve nem perto da cantora.

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Barack Obama tomou posse como o primeiro presidente quenio-havaio-americano dos Estados Unidos, e provavelmente o último.

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Barack Obama recebeu o premio Nobel da paz numa cerimonia em Oslo. Não é verdade que tenha sido revistado na entrada porque podia estar armado.

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O campeão de golf Tiger Woods revelou-se um sexólatra compulsivo. Pior serão as piadas sobre tacos e buracos que vem aí.

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Buuuu do ano: para os alunos que hostilizaram a menina Geisy numa universidade paulista só porque estava com um vestido curto, para os torcedores do Grêmio que hostilizaram jogadores do seu time por terem se esforçado contra o Flamengo, para o Piquet que simulou um acidente a pedido no Grand Prix de Cingapura, para o Ahmadinejad e para a gripe suina.

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Fernando Lugo, explicando seus filhos, disse que tudo se deve à restrição da sua igreja ao uso da camisinha.


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Ronaldo fenômeno, João Carlos Martins e a resiliência

Por Gilberto Dimentein

O Fenômeno Ronaldo.

O desempenho do jogador nos últimos jogos provocou interesse e gerou especulações de uma vaga na seleção.

NA NOITE da quarta-feira passada, Ronaldo voltava a brilhar com a camisa do Corinthians, enquanto o João Carlos Martins conseguia tocar piano com os dedos da mão esquerda. O jogador com o pé e o pianista com a mão, em ambientes tão distintos, com o barulho do estádio de futebol e a silenciosa sala de concertos, foram cercados pela admiração da plateia. Especialista em educação, o psiquiatra Içami Tima diz que foram mostrados, naquela noite, dois exemplos de resiliência, a capacidade de superar adversidades -a resiliência, na visão dele, deveria ser um dos principais pontos a serem debatidos por pais e professores se quiserem ver a prosperidade de seus filhos e alunos. “Um dos nossos males é a falta de resiliência dos jovens, a fragilidade para lidar com a frustração.”

O desempenho de Ronaldo nos dois últimos jogos do Corinthians provocou um interesse em todo o país, em meio a especulações de que talvez, quem sabe, ele tenha uma vaga na seleção -uma hipótese impensável até poucos dias atrás. Ronaldo sofreu três contusões e, por muito tempo, ficou no limbo, lembrado mais por seu peso ou por escândalos sexuais. Para voltar a mexer os dedos da mão esquerda, João Carlos se submeteu a dolorosas operações. Não faz muito tempo, aquele que era considerado um dos melhores intérpretes perdeu o movimento das mãos e, como Ronaldo, teve seu nome ligado a escândalos -no caso do pianista, a ligação era com verbas escusas das campanhas de Paulo Maluf. Tantas operações e escândalos teriam acabado com muitas carreiras, mas o jogador e o pianista são salvos por um heroísmo pessoal de quem não se deixa abater -apesar de perder as batalhas. Assim, na quarta-feira, João Carlos estava executando a “Heroica”, de Beethoven -um compositor que, apesar de perder a audiência, não perdeu a música.

Para Içami Tiba, a resiliência não é um traço genético, mas um comportamento aprendido, a começar na convivência familiar. Parte dessa percepção se deve à sua herança japonesa. “Entre os japoneses, é normal se falar a palavra aguentar.” A resiliência dos imigrantes e migrantes diminui, porém, quando as novas gerações já nascem cercadas de conforto e a garra se dilui.

Para o psiquiatra, o problema estaria se agravando, com um excesso de indulgência dos pais e educadores. “O pior que um pai poder fazer pelo filho é tentar fazer tudo por ele. Será um adulto fraco e com pouca habilidade de lidar com a frustração.” Volta-se à discussão sobre os perigos da falta de limite.

A psicóloga Rosely Sayão concorda com a ideia de que a resiliência é essencialmente construída. Trabalhando com pais e estudantes, ela tem observado que aqueles que desenvolvem desde cedo a autonomia também são mais resilientes.

“Isso explica as dificuldades de crianças mimadas quando se tornam adultas.” Ela está espantada como muitos educadores nem sequer sabem o significado da palavra resiliência, há décadas um objeto de estudo de psicólogos. Há dez anos, na minha coluna da quarta-feira, tenho falando de pessoas que fazem a diferença na cidade de São Paulo -ou seja, gente que, para chegar lá, apanhou de todos os lados. Um traço óbvio delas é a autonomia precoce. Na semana passada, minha personagem foi Gica Mesiara, nascida na periferia e estudante de escola pública que, para atingir seu sonho de ser paisagista, perdeu o cabelo. “É o meu troféu”, orgulha-se.

Há, na sociedade, um culto ao prazer -e um prazer em tempo real, traduzido em consumo. O aprendizado tanto dentro como fora da escola implica necessariamente desgaste e aborrecimento em nome de um projeto futuro. É mais um entre tantos obstáculos para se combater o abuso com álcool e drogas.

A reverência excessiva ao mundo das celebridades (a maioria delas nunca fez nada que preste) transmite a mensagem de que alguém vale não pelo que faz, mas por quanto aparece.
O resultado aparece, por exemplo, quando os alunos se frustram na universidade, porque, afinal, são obrigados a focar com mais profundidade no assunto. Ou na rejeição a livros e obras de artes mais complexas, que exigem raciocínio. Ou, pior, quando são obrigados a lidar com a disciplina do trabalho.

Entre educadores, imagina-se até que, com truques tecnológicos, se poderia levar o aluno a aprender como se não aprendesse, apenas se divertiria. É algo parecido a supor que se pode perder peso alegremente, sem dieta e exercício. Olhar-se no espelho e sentir o corpo esbelto dá prazer, mas a caminhada, na balança, é um sacrifício.

Prova disso é que, se Ronaldo não se esforçar no treino (e na balança), ele voltará a ser lembrado mais pelo peso do que pelos gols. E deixará de significar qualquer fenômeno.
PS – O termo resiliência foi importado da física pela psicologia -é o poder dos materiais de voltar ao estado natural depois de um choque. É uma área de estudos especialmente valiosa para sociedades que passaram ou passam pela violência. Para entender melhor, selecionei alguns artigos no meu site.

Folha de São Paulo

Ronaldo gorducho e a cerveja

A irresponsabilidade social dos formadores de opinião continua. Atores, personagens mundanos, atletas, cantores, apresentadores de TV, personalidades públicas diversas, incentivam o consumo embora tenham consciência do mal causado pela bebida alcoólica, lamentavelmente aceita como droga social.

Qual Faustos midiáticos, continuam vendendo a alma por mais uns trocados, para estimular o consumo da bebida que está presente em 90%  dos homicídios e acidentes de veículos nas ruas e estradas.

Um jogador como Ronaldo, o fenômeno (sic), seja qual for a atitude que tome, ou declaração que faça, influencia milhões de crianças em todo o mundo que o têm como ídolo.

Abaixo, contundente artigo da excelente Barbara Gancia em seu blog.

Ronaldo, o brahmeiro

“Beberraz leitor, alcoofilista leitora, vocês viram o comercial do Ronaldo? O comercial da Brahma? Para quem não viu, faço um resumo: ele aparece driblando vários obstáculos, faz um trocadilho entre o suor dele e o suor da cerveja e acaba dizendo, com um copo na mão, que é um “brahmeiro”.

Como assim? Um atleta importante fazendo comercial de cerveja? Ou pior, um atleta ainda gordo, em recuperação, fazendo comercial de cerveja? Não entendi. E não entendi porque me parece uma propaganda ruim para os dois.

Para a cerveja, porque eu, vendo o comercial, penso: “Poxa, cerveja engorda pra caramba!”. Para o jogador, porque mostra que ele não é um atleta sério. É um cara que bebe mesmo ainda estando longe da sua melhor forma.

A Brahma e Ronaldo já estiveram juntos em outros comerciais. É uma parceria antiga, desde que ele tinha 17 anos. Mas ela já foi mais sutil e inteligente. Lembro que houve uma propaganda chamada “Guerreiro” em que apenas aparecia o rosto do jogador e havia um bom texto ao fundo. Outra trazia Ronaldo como um toureiro, driblando um touro várias vezes até que o vencia e abria a garrafa nos chifres do animal.

Mas este novo comercial está bem abaixo dos anteriores. Agora há uma ligação direta entre futebol e álcool. E obviamente os dois não combinam. A campanha ainda teve o azar de vir logo depois do anúncio de aposentadoria (talvez compulsória) de Adriano, que tem seu nome associado a problemas com bebidas.

Estou longe de ser uma virgem vestal, defensor da pureza absoluta ou abstêmio radical. Até sou a favor da liberação de drogas leves (o que existe em parte, já que as bebidas alcoólicas são drogas leves), mas jogador fazer propaganda explícita de cerveja não dá. Passa da conta.

A legislação permite que as propagandas de bebidas abaixo de 13 graus GL (Gay-Lussac) sejam exibidas em qualquer horário. Por isso é que vemos comerciais de cervejas e dessas vodkas ice a toda hora. Porém, em maio de 2007, Lula assinou um decreto que classificou como alcoólica toda bebida com mais de 0,5 grau GL. Só que, inexplicavelmente, esse decreto não restringiu a propaganda de cerveja.

Voltando ao comercial, que foi criado pela agência África, no texto o atacante afirma que tem orgulho de “cair e se levantar”. O redator não devia estar sóbrio quando o escreveu. É uma frase muito infeliz. Uma piada pronta.

Tanto que, na mesma hora, o amigo com quem eu via o jogo comentou: “Cair e se levantar não é grande coisa. Qualquer bêbado consegue isso”. E comparar o esforço heróico de Ronaldo para voltar três vezes ao futebol com o suor da cerveja é chamar o espectador de estúpido. É fazer troça da fantástica recuperação do jogador, que deveria falar “Eu sou artilheiro” e não “Eu sou brahmeiro”.

A publicidade brasileira, que já foi das melhores do mundo, vem piorando nos últimos anos. Mas, agora, se superou. Acho que, pelo menos, para desencargo de consciência, esta nova propaganda deveria vir com um daqueles avisos no final, algo do tipo: “O Ministério da Saúde adverte: Cerveja dá barriga e faz você confundir mulher com similares”.”

Ronaldo fenômeno inspira o senador José Agripino

Segundo o mordaz colunista Tutty Vasques, “José Agripino Maia está irredutível. Quer o mesmo tempo de Ronaldo Fenômeno com Patrícia Poeta no ‘Fantástico’ para explicar a lambança que fez na sabatina da ministra Dilma Roussef no Congresso.”

 

Ronaldo fenômeno, a fama e os fãs implacáveis

[…] A mão que afaga é a mesma que apedreja…

O verso, extraído do soneto Versos Íntimos, do poeta paraibano Augusto dos Anjos, retrata bem a relação de amor e ódio existente entre fãs e ídolos. Aquele que era, ontem, a representação sacralizada de todas as virtudes, invejas e admiração, hoje, por fato ou por boato, pode se encontrar apedrejado na sarjeta dos demônios.

Fãs zombam das desventuras de astro do futebol.Ronaldo foi pego na companhia de três travestis e os fãs não parecem dispostos a esquecer a história. Para eles, a essência do “futebol arte” é profundamente masculina.
Do blog do Noblat
De Alexei Barrionuevo e Joshua Schneyer, do New York Times

Numa cidade famosa por sua tolerância sexual, os homens que brilham nos campos de futebol são submetidos a uma ética diferente, mais machista.

Os fãs ficaram envergonhados na última segunda-feira quando o jogador de futebol brasileiro Ronaldo Luis Nazario de Lima -conhecido apenas como Ronaldo no mundo do futebol- foi interrogado pela polícia por ter chamado três travestis para um motel.

Ronaldo, atacante do clube italiano Milan AC, disse à polícia que tentou mandar os travestis embora, oferecendo dinheiro, depois de descobrir que eles eram homens. Mas um deles argumentou que não recebeu a quantia combinada, e a polícia interviu, tornando público este episódio privado que está revelando quão a sério os brasileiros levam a cultura masculina do futebol.

A prostituição é legalizada no Brasil, e Ronaldo não enfrenta nenhuma acusação criminal. Seu comportamento foi, “no máximo, imoral”, disse Carlos Augusto Nogueira, o investigador da polícia, em declarações à televisão.

Mas nem todos os fãs de futebol brasileiros parecem estar dispostos a esquecer e perdoar. As reportagens sobre a noite selvagem de Ronaldo, que terminou por volta das 8 da manhã, ganharam as primeiras páginas dos jornais.

Sinceramente, as críticas que ele está enfrentando não são nada comparadas ao escândalo que a mídia teria feito em outros países onde a prostituição é ilegal -e a moral sexual mais rígida. Ainda assim, o fato de que a desventura de Ronaldo tenha se tornado notícia de primeira página aqui por vários dias -e de que alguns cartunistas e blogs fizeram piadas sobre o jogador- é uma evidência de que os astros de futebol estão submetidos a um padrão diferente.