Ronaldo Cunha Lima – Versos na tarde – 12/01/2013

Os olhos de nós dois
Ronaldo Cunha Lima ¹

Que meus olhos te vejam todo dia,
em uma hora qualquer, qualquer momento,
como pode te ver meu pensamento
que por teu corpo quando quer, vadia.

Que a minha boca encontre a ousadia
de beijar tua boca e que esse intento
aconteça suave como o vento,
despertando a paixão, que obsedia.

Que eu te veja e me vejas novamente.
Nossos olhos, postados frente a frente,
talvez permitam amanhãs, depois.

Quem sabe, então, o teu olhar me veja
com o olhar de quem quer, de quem deseja
ver a vida com os olhos de nós dois.

¹ Ronaldo José da Cunha Lima
* Guarabira, PB. – 18 de Março de 1936 d.C
+ João Pessoa, PB – 7 de julho de 2012 d.C


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Ronaldo Cunha Lima – Versos na tarde – 18/12/2012

O medo e a falta
Ronaldo Cunha Lima ¹

Você me faz medo,
mas você me faz falta.

A diferença entre o medo e a falta
é que o medo você sabe quando tem,
e na falta você sente que não tem.

A falta, com o medo, sobressalta.
Entre o medo que você me traz
e a falta que você me faz,
você é o medo que me falta.

¹ Ronaldo José da Cunha Lima
* Guarabira, PB. – 18 de Março de 1936 d.C
+ João Pessoa, PB – 7 de julho de 2012 d.C


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Ronaldo Cunha Lima – Versos na tarde

O silêncio dos amantes

Ronaldo Cunha Lima ¹

Amantes, dos amores mais sentidos,
viveram fugas de abissal tormento
unidos nas visões do pensamento,
no pensamento e nas visões unidos.

Vivendo ausências, tempos esquecidos,
a liberdade plena de um momento,
colhendo brisas no passar do vento,
resolveram viver de amor ungidos.

Convence-a, de vez, as fugas dantes.
As ausências do amor de alguns instantes
a um poeta do amor, de vez, convence-o.

E conceberam prosseguir amantes,
permutando os encontros conflitantes
pela comodidade do silêncio.

¹ Ronaldo José da Cunha Lima
* Guarabira, PB. – 18 de Março de 1936 d.C


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Ronaldo Cunha Lima – Versos na tarde

Habeas Pinho

Na Paraíba, alguns elementos que faziam uma serena foram presos. Embora liberados no dia seguinte, o violão foi detido. Tomando conhecimento do acontecido, o renomado poeta paraibano, e ex-senador Ronaldo Cunha Lima, enviou uma petição ao Juiz da Comarca, em versos, solicitando a liberação do instrumento musical.

Senhor Juiz.
Roberto Pessoa de Sousa

O instrumento do “crime”que se arrola
Nesse processo de contravenção
Não é faca, revolver ou pistola,
Simplesmente, Doutor, é um violão.

Um violão, doutor, que em verdade
Não feriu nem matou um cidadão
Feriu, sim, mas a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade
O crime a ele nunca se mistura
Entre ambos inexiste afinidade.

O violão é próprio dos cantores
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam mágoas que povoam a vida
E sufocam as suas próprias dores.

O violão é música e é canção
É sentimento, é vida, é alegria
É pureza e é néctar que extasia
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório.
Mas seu destino, não, se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Ele, Doutor, que suave lenitivo
Para a alma da noite em solidão,
Não se adapta, jamais, em um arquivo
Sem gemer sua prima e seu bordão

Mande entregá-lo, pelo amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno acoite
De suas cordas finas e sonoras.

Liberte o violão, Doutor Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
Derramando nas praças suas dores?

Mande, pois, libertá-lo da agonia
(a consciência assim nos insinua)
Não sufoque o cantar que vem da rua,
Que vem da noite para saudar o dia.

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento
Juntada desta aos autos nós pedimos
E pedimos, enfim, deferimento.

Versos na tarde – Ronaldo Cunha Lima.

O medo e a falta
Ronaldo Cunha Lima¹

Você me faz medo,
mas você me faz falta.

A diferença entre o medo e a falta
é que o medo você sabe quando tem,
e na falta você sente que não tem.

A falta, com o medo, sobressalta.
Entre o medo que você me traz
e a falta que você me faz,
você é o medo que me falta.

 ¹Ronaldo José da Cunha Lima
* Guarabira, PB. – 18 de Março de 1936 d.C
O poema acima está no CD
“50 Canções de amor e um poema de espera”,
recitados pelo autor.

Opinião – Enfim alguém da elite abre mão de privilégios?

O ex-Govenador da Paraíba e atual Deputado Federal Ronaldo Cunha Lima – PSDB,PB – apresentou hoje renúncia ao mandato.

Quando Governador, Ronaldo Cunha Lima tentou assassinar, em 1993, o ex-Governador Tarcísio Burity, desfechando-lhe dois tiros, quando o mesmo se encontrava em um restaurante de João Pessoa.

Cunha Lima não aceitou as duras críticas que Burity fez ao seu filho Cássio Cunha Lima, que na época do fato era superintendente da antiga SUDENE. Tarcísio Burity ficou vários dias em coma, mas conseguiu sobreviver ao ataque, vindo a falecer dez anos depois no dia 8 de julho de 2003, vítima de falência múltipla dos órgãos e de parada cardiocirculatória.

Ronaldo Cunha Lima surpreendeu à todos com esse rompante de violência, pois sempre foi uma pessoa afável, e reconhecido poeta e trovador da cultura nordestina. Com a renúncia, ele abdica de ter foro privilegiado para o julgamento que seria feito no Supremo Tribunal Federal, tendo como relator o Ministro Joaquim Barbosa.

Sem o foro privilegiado – tinha direito constitucional ao foro porque à época da tentativa de homicídio era Governador – o processo seguirá para a primeira instância estadual na qual são julgadas as pessoas comuns.

Leia, abaixo, trecho da carta de renúncia de Ronaldo Cunha Lima.

– “Em caráter irrevogável e irretratável, renuncio ao mandato de deputado federal, representando o povo da Paraíba, a fim de possibilitar que esse povo me julgue, sem prerrogativa de foro como um igual que sempre fui”.

Ps. Alguns juristas identificam uma manobra “esperta” para jogar o julgamento para as calendas.