Por que empresários como Bill Gates defendem a cobrança de impostos sobre robôs

Robô humanoide Sophia participa de conferências e já ganhou até cidadania saudita.

Direito de imagemGETTY IMAGES

“A automação prejudicou as cidades industriais. Nesses lugares, o número de novos matrimônios está caindo, o crime está aumentando, há um crescimento nas mortes relacionadas a drogas, álcool e nos suicídios”, diz Carl Frey.

O pesquisador da Universidade de Oxford pinta um cenário deprimente do que já foi o coração da indústria dos Estados Unidos, uma região conhecida como “Rust Belt” (“cinturão da ferrugem”), que engloba cidades como Flint, Detroit e Cleveland, consideradas em um passado não tão longínquo as pontas de lança do crescimento da economia americana.

Frey diz que os trabalhadores desses municípios estão perdendo a guerra pelo emprego para os robôs, que se espalharam pelas linhas de montagem e têm, cada vez mais, substituído a mão de obra humana.

O impacto do avanço da tecnologia sobre o mercado de trabalho e a possibilidade de desemprego em massa como consequência da expansão da automação nas fábricas e no setor de serviços tem levado políticos e empresários como o cofundador da Microsoft Bill Gates a defender que o Estado intervenha para evitar o pior.

Duplo impacto sobre as contas públicas

Trabalhadores sem emprego não pagam os impostos que incidem sobre a folha e, em muitos países, também têm direito a receber benefícios como seguro desemprego. Ou seja, têm peso duplo sobre as finanças públicas.

Nos EUA, para se ter ideia, 48% da arrecadação federal vem da cobrança de impostos sobre a renda e 35%, de contribuições sociais. Apenas 9% vêm da tributação de pessoa jurídica.

É por isso que, para compensar a perda de receita decorrente do desemprego estrutural causado pela maior automação da indústria americana, muitos especialistas defendem a criação de um “imposto sobre robôs”.

Os dois lados do avanço tecnológico

Se, historicamente, o avanço da ciência e da tecnologia deu origem a ganhos de produtividade que elevaram os salários e tornou mais fáceis serviços pesados nas fábricas e nas residências, ele também contribuiu para o desaparecimento de funções que passaram a ser desempenhadas pelas máquinas.Caminhões autônomos vêm sendo testados em algumas regiões da China – Direito de imagem GETTY IMAGES

A primeira Revolução Industrial, por exemplo, permitiu que a humanidade dependesse menos da energia da tração animal. Já a segunda consistiu no uso massivo de eletricidade e da produção em larga escala. A era dos computadores, por sua vez, proporcionou a difusão mais rápida da informação e possibilitou a adoção de ferramentas mais eficientes pelas empresas.

A quarta Revolução Industrial – associada à inteligência artificial e a robótica – tem potencial para transformar completamente os sistemas de produção, de gestão e governança das organizações.

O escopo, a velocidade e a intensidade das mudanças não têm precedentes na História.

Efeitos adversos

Segundo os cálculos de Frey, em 2013, quase 50% dos postos de trabalho nos Estados Unidos estariam em risco nos 30 anos seguintes devido ao avanço da robótica e da inteligência artificial.

Essas seriam vagas perdidas não apenas da indústria, mas também no setor de serviços, em posições que vão de escriturários a motoristas de caminhão.

“Nós ainda não sentimos os efeitos adversos da automação, assim como já observamos os impactos negativos da globalização, por exemplo. Motoristas de caminhão não podem ser terceirizados na China, mas podem ser automatizados”, disse o especialista no programa Business Daily, da BBC World Service.

Um imposto “sobre robôs” poderia eventualmente driblar esses efeitos negativos?

Da ideia à prática

Dois anos atrás, o bilionário e cofundador da Microsoft Bill Gates comentou, em entrevista para o site Quartz, sobre a ideia de se tributar a automação.

Os robôs já substituíram mão de obra humana em fábricas em todo o mundo – Direito de imagem GETTY IMAGES

“Certamente haverá algum tipo de imposto relacionado à automação. Hoje, um trabalhador que receba, digamos, US$ 50 mil em uma fábrica, paga impostos sobre a renda, paga contribuição social, essas coisas. Se um robô começa a desempenhar a mesma função, seria natural se pensar que ele seria tributado em um patamar semelhante”, afirmou o empresário.

O bilionário da tecnologia Elon Musk também já se manifestou a favor do imposto, sob o argumento de que os recursos poderiam ser canalizados para a Saúde e Educação ou mesmo garantir uma renda mínima para todos os cidadãos.

Mas como cobrar um imposto como esse?

Os robôs têm ficado mais inteligentes e criativos – como este da imagem, capaz de desenhar – Direito de imagem GETTY IMAGES

“Você não precisa ir até as empresas para atestar a presença física dos robôs. Você pode ter um tributo que incida sobre automação e que seria pago especialmente por aqueles negócios com baixo nível de geração de empregos. Em paralelo, o governo deveria reduzir a tributação sobre o trabalho em si (para fomentar as contratações)”, defende Ryan Abbott, professor de Direito e Serviços de Saúde da universidade britânica de Surrey.

Como outros colegas, ele não advoga apenas pela cobrança de impostos sobre os robôs humanoides – mas pela tributação de forma mais ampla da inteligência artificial.

Os que defendem a criação do imposto afirmam que o incremento na arrecadação poderia financiar, por exemplo, programas de requalificação e, assim, reduzir as probabilidades de que haja uma ruptura mais violenta na sociedade catalisada por uma situação de desemprego em massa, por exemplo.

“A competição é desleal. Os robôs hoje têm uma grande vantagem em termos tributários. Quando as empresas decidem adotar processos automatizados, eles economizam um volume enorme em tributos. Isso por si só é um incentivo para eles substituírem mão de obra humana por máquinas”, acrescenta.

O exemplo da Coreia do Sul

É isso que a Coreia do Sul está fazendo.

Em 2017, tornou-se o primeiro país a colocar um limite para dedução de impostos para empresas automatizadas para tentar diminuir o ritmo do impacto negativo do avanço da tecnologia sobre o mercado de trabalho.

Não é apenas nas fábricas: avanço da tecnologia vem criado robôs que substituem trabalhadores do setor de serviços, como recepcionistas – Direito de imagem GETTY IMAGES

Na União Europeia, uma proposta para instituir um “imposto sobre robôs” foi recentemente derrotada no Parlamento Europeu. Os legisladores preferiram trabalhar em um texto para regulamentar a disseminação da automação no setor produtivo.

O tema também vem ganhando os holofotes nos EUA. O pré-candidato democrata às eleições presidenciais Andrew Yang propõe, por exemplo, a tributação sobre automação para financiar uma renda básica universal.

“Cerca de 3% da população trabalha no setor de transportes. O escopo potencial da automação e dos veículos autônomos deve causar uma perturbação social ainda maior. Requalificar e garantir benefícios sociais (àqueles que serão negativamente impactados pelas mudanças) é algo necessário. Se o governo não tiver recursos suficientes para financiar tudo isso, os problemas serão ainda piores”, afirma Ryan.

Incentivo para a ‘terceirização’

Mas nem todo mundo concorda.

Robôs também são empregados em trabalhos que envolve alto risco, como a retirada de minas terrestres – Direito de imagem GETTY IMAGES

“Tributar robôs não é uma solução porque as grandes empresas vão acabar levando suas unidades para outros lugares para evitar pagar mais impostos. Apenas as pequenas e médias vão ser prejudicadas”, argumenta Janet Bastiman, da empresa de tecnologia Story Stream.

“As pessoas estão migrando para outras áreas, não necessariamente no setor industrial. A rentabilidade das empresas está aumentando e isso poderia ser tributado”, acrescenta.

Cobrar impostos sobre robôs e sobre sistemas que funcionam com inteligência artificial, ela diz, “vai impedir que as pessoas continuem fazendo coisas novas”.

Ulrich Spiesshofer, ex-CEO da empresa suíça de engenharia ABB, também não está convencido sobre a necessidade de se tributar a automação.

“Se você olhar para economias com os menores níveis de desemprego no mundo e correlacionar esses indicadores com a robótica verá que Alemanha, Japão, Coreia do Sul têm os maiores níveis de robotização, com mais de 300 robôs para cada 10 mil trabalhadores, e as menores taxas de desemprego”, disse, em resposta à ideia de Bill Gates.

“Robotização e automação, riqueza e prosperidade andam lado a lado”, acrescentou em entrevista ao canal CNBC em 2017.

Críticos afirmam, entretanto, que a tecnologia permitiu que as classes mais privilegiadas acumulassem ainda mais patrimônio, enquanto dividiam uma parcela marginal da riqueza gerada pelos avanços com as massas.

Destruição de empregos

Um processo mais amplo de corte de vagas influenciado pelo avanço da tecnologia ainda está por acontecer, mas nem tudo está perdido.

O motor a vapor substituiu a tração animal na indústria
Direito de imagem GETTY IMAGES 

Embora Carl Frey mantenha a estimativa feita em 2013, uma projeção divulgada no ano passado pela consultoria PwC apontou que, no Reino Unido, a destruição de postos de trabalho pela automação será compensada pela criação de vagas em outras áreas.

Um exemplo nesse sentido pode ser encontrado no mundo do esporte.

Críquete e futebol têm usando a tecnologia para esclarecer os lances que, até pouco tempo, eram definidos apenas pelo julgamento do árbitro e de outros profissionais em campo.

O emprego da tecnologia contribuiu para melhorar a qualidade das tomadas de decisão e eliminar o erro humano – sem, entretanto, acabar com a função de bandeirinhas, árbitro e juiz.

Pelo contrário, esse movimento criou novas posições, de árbitros que ficam fora do campo e a técnicos que configuram e fazem manutenção nas máquinas.

A eliminação de vagas no chão de fábrica, claro, é outra história.

Não há consenso político a respeito do impostos sobre robôs, mas políticos têm cada vez mais considerado essa modalidade como um caminho para lidar com as mudanças trazidas pelo avanço da tecnologia.

 

Robôs e Internet: uma dor de cabeça

O problema dos robôs na internetTwitter Logo Tastatur Bot Social Media (picture-alliance/dpa/J.Arriens)

Desde a eleição americana, manipulação da informação virou tema no ambiente político atual. Mas, com tantos “bots” nas redes sociais, como é possível encontrar a verdade na web?

Com o aumento da importância das redes sociais na formação da nossa visão de mundo, o modo pelo qual websites como Facebook e Twitter levam a informação aos usuários nunca foi tão significante.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Onde antes cidadãos comuns estavam acostumados a julgar a importância, a popularidade ou a credibilidade de políticos, modelos econômicos ou movimentos ideológicos baseados em reportagens profissionais, em pesquisas de opinião pública ou simplesmente através da propaganda de boca, eles estão agora à mercê daquilo que é tendência ou considerado aceito em seus feeds da rede social.

Perigosos falsos seguidores

É aqui que os bots (da palavra inglesa robots), os robôs das redes sociais, entram em ação. Usando bots pré-programados de uma variedade de empresas, da BMW a Spotify, é possível criar um software próprio para salvar todas as canções que se recomendou num aplicativo de música, para postar automaticamente fotos no Instagram ou numa conta do Twitter ou mesmo abrir o portão da garagem. No entanto, alguns criam seus bots com softwares maliciosos, os malwares.

A manifestação mais óbvia de tais projetos pode ser vista no Facebook e no Twitter, onde contas falsas estão configuradas com milhares de seguidores inexistentes para dar uma ilusão de veracidade. Aliada a um software de certo tipo de bot, tais contas podem alcançar pessoas por meio de tuítes e postagens com mensagens específicas ou até mesmo retuitar ou curtir os tuítes de alguém, aumentando assim a popularidade desse usuário.

Notícias falsas

A manipulação de dados é um tema quente no ambiente político atual. O ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, afirmou, em fins do ano passado, temer que notícias falsas possam espalhar desinformação antes das eleições parlamentares no final deste ano.

E ele tem bons motivos para se preocupar. Ainda que as notícias falsas sejam escritas e publicadas por seres humanos, muitas vezes, elas são distribuídas e apoiadas por milhões de contas-fantasma em sites populares como Twitter, Facebook, Reddit e através de email.

Um estudo realizado pelo portal Buzzfeed News logo após a vitória eleitoral de Donald Trump mostrou que mentiras sobre a votação conseguiram movimentar mais as plataformas de mídia social que as histórias verídicas de 19 grandes meios de comunicação juntos.

Uma reportagem realizada pelo Political Bots, uma equipe de pesquisadores das principais universidades do mundo, constatou que mais de 30 milhões de contas do Twitter pertenceriam a perfis falsos. Descobriu-se também que, antes das eleições presidenciais americanas, o número de bots pró-Trump, que promoviam notícias falsas, foi cinco vezes maior que os pró-Hillary Clinton.

Infografik DDos Angriff EN
Infografik DDos Angriff BRA

“Bots – programas de computador comandados através de algoritmos para fazer tarefas online específicas – invadiram as conversas políticas em todo o mundo”, advertiu a reportagem. “O uso generalizado de tais híbridos de softwares e humanos, como também a natureza obscura e muitas vezes discriminatória dos algoritmos por trás deles, ameaçam minar o potencial político – organizacional, comunicativo, entre outros – de sistemas de mídia social.”

Na internet, os bots são usados para realizar ataques DDos, que podem derrubar sistemas inteiros.

Combatendo o problema

Companhias como a Hoaxmap combatem as notícias falsas desde fevereiro de 2016, mas empresas de mídia social, autoridades e governos ainda tentam recuperar o tempo perdido.

Recentemente, o Facebook anunciou uma iniciativa para combater as notícias falsas em sua plataforma, por meio de novas ferramentas que tornarão mais fácil para os usuários marcar tais histórias em sua linha do tempo. Em parceria com a empresa berlinense Correctiv, um coletivo de jornalismo investigativo independente, apartidário e sem fins lucrativos, o Facebook espera usar um terceiro rosto avaliando o material marcado.

O governo alemão quer enfrentar o problema de frente, com um novo órgão ligado ao Ministério do Interior em Berlim, o chamado “Centro de Defesa contra a Desinformação.”

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no entanto, dizem que uma “vacina psicológica” protege as pessoas contra notícias falsas – mas, como acontece com outras vacinas, pode levar décadas até ser elaborada.
Com dados da DW

Afinal, as máquinas vão superar os humanos?

Temor popular sobre desenvolvimento da inteligência artificial coloca em xeque avanços na área. Para pesquisadores, cenário visto em filmes de ficção científica está longe de se tornar real

Robô da companhia sul-coreana Robotis chama a atenção de visitantes da Mobile World Congress, em Barcelona | Lluis Gene/AFP

Robô da companhia sul-coreana Robotis chama a atenção de visitantes da Mobile World Congress, em Barcelona Lluis Gene/AFP

Robôs enviados do futuro para exterminar pessoas, androides dotados de emoções e que se rebelam contra seus criadores, computadores com tendências escravagistas: para muitos filmes, livros e games, a supremacia das máquinas sobre os humanos é apenas uma questão de tempo.
O que poderia ser encarado como mera ficção, no entanto, tem despertado temores bastante reais, conforme pesquisas com inteligência artificial avançam e sistemas cada vez mais inteligentes chegam ao mercado.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A apreensão popular com o desenvolvimento de programas e robôs capazes de assumir tarefas complexas e até substituir trabalhadores humanos não é nova, mas foi dimensionada recentemente por uma pesquisa da Associação Britânica de Ciência (BSA, da sigla em inglês) – veja todos os dados do estudo. Segundo levantamento divulgado pela entidade semana passada, 36% dos mais de 2 mil entrevistados disseram acreditar que a evolução da inteligência artificial representa uma ameaça para o desenvolvimento da humanidade no longo prazo – 49% descartaram a ideia e 15% disseram não poder opinar a respeito.

Quase metade das pessoas ouvidas (46%) também se disse contrária à possibilidade de que robôs ou programas sejam “equipados” com emoções ou personalidade. E, questionados sobre como se sentiam em relação aos avanços em inteligência artificial, a maioria dos entrevistados citou que estava “cética” ou “desconfiada”.

Em nota, o presidente da BSA, David Willetts, afirma que não é “surpresa que tantas pessoas estejam apreensivas sobre o futuro quando falamos de inteligência artificial”. Para o cientista, a pesquisa mostra que esses temores precisam ser ouvidos e que o público também precisa ser envolvido nos debates sobre o futuro desta tecnologia – até mesmo para que velhos mitos e medos infundados sejam deixados para trás.

“A inovação é geralmente assustadora. Mas é importante lembrar que a economia e o mundo estão em constante mudança e adaptação. A evolução de uma tecnologia como essa (a inteligência artificial) é simplesmente a próxima invenção a que nos ajustaremos, e somos infinitamente capazes de fazer isso”, escreve Willetts.

Avanço superestimado

Para muitos pesquisadores da área, acreditar que robôs criarão consciência e poderão, num futuro próximo, tomar decisões por conta própria, a ponto de imagens vistas em filmes se tornarem reais, é superestimar os projetos desenvolvidos hoje com inteligência artificial.

A percepção de quem acompanha as pesquisas de perto é que sistemas e máquinas inteligentes se tornarão cada vez mais comuns e presentes em diversas áreas, tanto nas indústrias quanto em aplicativos e celulares – assistentes virtuais como a Siri (Apple) e Cortana (Microsoft) já dão uma mostra do potencial uso para consumidores. Computadores com processadores tão potentes quanto um cérebro humano e capazes de emular sentimentos, no entanto, ainda não estão nos planos.

“Essa preocupação com uma dominação das máquinas é especulação e está mais no campo da ficção científica. Hoje, não é possível enxergar nas técnicas e metodologias de inteligência artificial nada que permita que máquinas algum dia criem consciência, tomem decisões por si só ou comecem a aprender de maneira desenfreada”, relata o professor da Fiap e doutor em Robótica Móvel Antonio Selvatici , que também é pesquisador na área de internet das coisas.

“O que estamos vendo agora é a inteligência artificial sair um pouco da mão dos cientistas para as mãos de engenheiros, que fazem com que esse conhecimento seja aplicado em produtos. O movimento de grandes empresas, como o Google, comprando startups e empresas menores de inteligência artificial é uma mostra disso”, completa Selvatici.

COM O PÉ ATRÁS

Pesquisa da Associação Britânica de Ciência (BSA) mostra que muitas pessoas ainda não estão nada confortáveis ou empolgadas com os recentes avanços da inteligência artificial. Confira como os entrevistados reagiram às questões levantadas pela instituição:

Você concorda com a afirmação de que o desenvolvimento da inteligência artificial representa uma ameaça para a sobrevivência da humanidade no longo prazo?

Como você se sente em relação ao desenvolvimento da inteligência artificial?


É possível confiar em programas e robôs para assumirem as tarefas abaixo no futuro?

Você acha que o uso de programas e robôs com inteligência artificial irá aumentar ou diminuir o número de empregos disponíveis para os humanos nos próximos 10 anos? (%)

Você apoia ou rejeita a ideia de robôs e programas passarem a ter emoções e personalidade? (%)

Fonte: BSA. Metodologia: a pesquisa foi feita de forma online durante o mês de fevereiro e ouviu 2.019 britânicos adultos. Infografia: Gazeta do Povo.

Robôs dominam debate político nas redes sociais

Especialista analisou contas no Twitter de Dilma e Temer.Dilma,Temer,facebook, internet, pinterest, quebra, tecnologia, twitter,Debates Políticos,Redes Sociais,Internet,Tecnologia da Informação,Blog do Mesquita

Matéria publicada pelo jornal alemão Deutsche Welle conta que é comum no Twitter encontrar os chamados bots, robôs que geram contas falsas e espalham conteúdo em escala industrial.

Aquele novo seguidor que não tem foto de perfil e compartilha uma mensagem aleatória apenas uma vez ao dia, provavelmente é uma dessas contas automatizadas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Há os bots para fins comerciais – muito difundidos na internet –, mas há também aqueles criativos, como o perfil @MagicRealismBot, programado para gerar, a cada duas horas, pílulas de sabedoria que imitam citações de escritores famosos como Jorge Luis Borges e Gabriel García Márquez.

A reportagem do Welle analisa que o aumento do uso de robôs nas redes sociais tem aberto uma série de discussões, principalmente quando são utilizados para fins políticos. Para especialistas ouvidos pela DW, essa prática pode afetar a credibilidade da internet e até a própria democracia de um país.

Bots políticos podem trabalhar de diferentes formas: contas falsas são principalmente usadas para amplificar a rede de seguidores de um determinado político, mas também são capazes de inflar discussões sobre um determinado tema, a fim de marginalizar outros pontos de vista.

“Já vimos bots discutindo uns com os outros. E já vimos pessoas reais discutindo com eles”, explica o especialista Phil Howard, professor do Instituto de Internet da Universidade de Oxford, à DW.

O jornal alemão acrescenta que os bots se tornaram uma ferramenta comum entre regimes autoritários e ditatoriais, que têm o interesse de manipular as discussões na internet.

Também são empregados em democracias a fim de influenciar a opinião de cidadãos sobre questões controversas ou para fazer diferença nas eleições. México, Turquia e Rússia, por exemplo, são países amplamente afetados por essa prática.

“Os bots são eficazes em semear confusão ou sufocar uma conversa política sobre uma questão global que envolva um governo autoritário. Por isso, eles são bastante ativos na Rússia, onde fazem parte de uma estratégia de sucesso do governo para espalhar a desinformação”, diz Howard.

Políticos brasileiros

A pedido da DW, o especialista em redes sociais Torsten Müller analisou as contas no Twitter do presidente interino Michel Temer e da presidente afastada Dilma Rousseff. O teste usou a ferramenta Twitter Audit, software capaz de avaliar quem são os seguidores reais e os falsos dentro de um perfil.

Na conta de Temer (@MichelTemer), 78% foram detectados como sendo perfis reais. Entre os quase 613 mil seguidores, 132.962 seriam falsos e 479.766, reais.

Já no perfil de Dilma (@dilmabr), o resultado é um pouco pior: 71% dos usuários que a seguem seriam pessoas de verdade. Ou seja, entre os 4,8 milhões de seguidores da presidente afastada, 1.406.220seriam falsos e 3.409.603, reais. O Twitter Audit alerta que a pesquisa contém margem de erro. Müller explica que contas inativas ou com pouco uso podem ser contadas como falsas.

O especialista acredita que o uso de bots é mais comum do que os políticos querem admitir. “Com mais seguidores, as pessoas vão achar que você tem mais influência. Mas os bots também vão ajudar a espalhar o seu conteúdo. Eles vão te retweetar, por exemplo. Então, é uma ferramenta que muita gente usa, inclusive partidos políticos”, afirma ele.

Neo, um robô que dá aula de idiomas para crianças imigrantes

Segundo pesquisadores alemães, os pequenos aprendem melhor e mais rápido com o androide

Inovação, Robótica ,Refugiados, Alemanha ,Imigração ,Europa Central ,Política científica, Migração, Demografia ,Educação, Cultura, Empresas, Eventos,NEO,Tecnologia,Automação,Robôs,Robótica,Mecatrônica,Blog do Mesquita

Menino tenta se comunicar com o robô Neo.
Foto Universidade de Bielefeld

Neo, um simpático robô que mede apenas 60 centímetros, pode ver, ouvir e se mover sozinho e, graças ao trabalho de um pequeno grupo de pesquisadores da Universidade de Bielefeld, o pequeno androide está perto de se tornar um professor bem sucedido que poderá ensinar o idioma alemão a dezenas de milhares de crianças imigrantes que chegaram ao país no último ano.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Confrontados com a realidade e as estatísticas – uma em cada três crianças menores de cinco anos na Alemanha são imigrantes –, a equipe liderada pelo professor Stefan Kopp iniciou o projeto L2TOR, que tem um objetivo invejável: em três anos, quer facilitar a aprendizagem do idioma nos jardins de infância.

Os pesquisadores da Universidade de Bielefeld estão convencidos de que se o projeto, financiado pela União Europeia, for bem sucedido, irá revolucionar o ensino, já que os robôs ajudariam as crianças a se tornarem poliglotas.

“Nossa tarefa é fazer com que o robô possa, além de se comunicar, entender a forma de pensar de uma criança”, falou o professor Kopp, especialista em inteligência artificial. “Com isso vamos oferecer às crianças imigrantes a oportunidade de aprender a língua de uma forma divertida. Mas também temos o objetivo de fazer com que as crianças alemãs aprendam um novo idioma, como o inglês”.

No momento, o androide tem sido levado às salas de jardim de infância em Bielefeld, em uma fase experimental. Segundo a equipe de pesquisadores, as crianças se integram perfeitamente com o robô e não têm problemas para se comunicar com Neo. Os estudos realizados, inclusive, mostraram que as crianças poderiam aprender melhor e mais rápido uma língua estrangeira com este androide do que com métodos tradicionais.

Em um primeiro momento, Neo pode ajudar as crianças a construir frases em alemão, mas a ideia é que elas aprendam a dominar a síntese e a gramática com a ajuda do robô em fases posteriores do projeto. Neo também será programado para compreender gestos e mímicas das crianças, para ensiná-las a se expressarem melhor.

Para facilitar a comunicação com as crianças, Neo tem a aparência de um ser humano, pequeno e simpático. O interesse que ele desperta nas crianças, e a possibilidade de que ajude os pequenos a conhecer a língua do país que sua família adotou, convenceu a União Europeia a destinar 3 milhões de euros para promover o projeto, que envolve, além da Universidade de Bielefeld, outras quatro universidades europeias na Grã-Bretanha, Holanda, Bélgica e Turquia.

O trabalho da equipe liderada por Stefan Kopp está apenas começando, mas o grupo de cientistas está convencido de que Neo pode revolucionar o ensino de idiomas estrangeiros. “Quando demonstrarmos sua eficácia, poderemos conseguir em menos de dois anos um pequeno exército de robôs nas salas de aula”, afirma o cientista.
Enrique Müller/ElPais

Sete formas como os carros sem motorista irão mudar sua vida no futuro

Veículos sem motorista estão começando a se tornar uma realidade. Que impacto eles terão no futuro? Será uma era de viagens seguras e sem esforço – ou haverá também consequências negativas?

GettyCarro sem motorista do Google já está em teste – Image copyright Getty

A BBC tenta prever, com humor, sete mudanças que os carros autônomos podem provocar – e o outro lado da moeda.

1. Você poderá delegar as tarefas cotidianas

Se seu carro anda sozinho, não há necessidade de ele te levar para buscar as roupas na lavanderia ou mesmo seus filhos na escola. Você nunca mais vai parar no posto para colocar gasolina, porque os carros serão elétricos e irão se carregar no modo sem fio sempre que estacionarem.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Além disso, os restaurantes poderão simplesmente depositar as refeições no carro – desde que não se incomodem com a ausência de um motorista (ou poderão, quem sabe, usar um robô de entrega).

O outro lado: muitos comércios irão fechar e, apenas nos Estados Unidos, estima-se que 1,3 milhão de motoristas de entregas serão demitidos.

2. Você não vai mais ficar rodando atrás de vaga

A necessidade de parar o carro não vai desaparecer, mas você não vai mais precisar lidar com isso. Carros sem motorista não precisam parar perto do destino – os donos dos carros, aliás, serão deixados bem em frente ao local onde precisam ir. Por isso, as vagas de estacionamento poderão ir para longe, abaixo de um parque da cidade, por exemplo.

E mesmo se ficarem no mesmo lugar, os estacionamentos poderão acomodar mais carros, porque os carros autônomos conseguem parar mais perto uns dos outros.

O outro lado: se você esquecer algo no carro e eles estiver parado bem longe, isso pode ser uma dor de cabeça.

IdeoProjeto com ‘futuros possíveis’ da empresa Ideo mostra mundo sem motoristas
Image copyright Ideo

3. Você vai fazer mais exercício

Com um tráfego mais limpo e eficiente, caminhar por uma cidade pode de fato se tornar prazeroso, e a maior densidade de serviços (o que vai acontecer quando comércios ocuparem o lugar de estacionamentos) vai significar que seus pés serão a forma mais rápida de transporte.

Além disso, é fácil caminhar até um restaurante quando você sabe que seu carro vai te levar de volta quando você tiver comido ou bebido demais para voltar a pé.

O outro lado: Quem estamos enganando? Com um chofer privado, vamos acabando recorrendo a ele sempre…

4. Você nem vai precisar ter um carro

Atualmente, a não ser que você seja um entregador de pizza, seu carro só está em uso em cerca de 5% do tempo. Mas o valor dele se deprecia o tempo todo, o que significa que ter um carro é um mau investimento.

Ter seu próprio carro (com custos de seguro, manutenção e outros) vai parar de fazer sentido assim que os carros sem motoristas chegarem num ponto de saturação. Você poderá então pagar por quilômetro rodado, no estilo Uber, ou fazer uma espécie de assinatura mensal. Você pagaria com base nos atributos do carro mas também na demanda e nos congestionamentos.

O outro lado: Você nunca mais poderá esquecer algo importante no carro!

IdeoMais engarrafamentos mas mais liberdade para pessoas com deficiência, idosos e adolescentes – Image copyright Ideo

5. Você vai ficar em mais engarrafamentos

Já que os carros não consumirão nada do tempo humano, esses carros irão lotar as ruas para as já mencionadas tarefas de buscar compras e crianças. (Você provavelmente não vai dirigir até a padaria para comprar um pãozinho, mas você pode mandar seu carro).

E tudo isso vai se somar a diversos fatores que causam engarrafamentos e não podem ser superados por avanços tecnológicos.

O outro lado: pelo menos você vai conseguir terminar de assistir a toda a temporada de Game of Thrones enquanto está preso no trânsito.

6. Você trabalhar mais e ficar mais enjoado

Na verdade, em vez de assistir a Game of Thrones, provavelmente você vai estender sua jornada de trabalho, fazendo teleconferências e mandando e-mails no carro. E, com os olhos fora da estrada, e sem estar controlando nada, uma estimativa de 6% a 12% dos passageiros em carros autônomos vão sofrer enjoos nos carros.

O outro lado: Dormir é uma boa forma de evitar enjoos, então você pode tirar uma soneca enquanto viaja.

7. Você nunca vai parar de dirigir

Seja por causa de lesão, alguma debilidade ou excesso de álcool, muitas pessoas ficam impossibilitadas, ainda que temporariamente, de operar carros com segurança.

Veículos autônomos podem ser uma dádiva para pessoas com deficiência, e permitir que os idosos vivam de forma autônoma por mais tempo. Também são bons para adolescentes, que poderiam ganhar liberdade mais cedo – e pais de adolescentes, que saberiam que os limites de velocidade seriam respeitados o tempo todo (e provavelmente, saberiam também onde estão os adolescentes o tempo todo).

O outro lado: Provavelmente vamos esquecer o que significa “dirigir” – e como era bom fazer isso.

O robô racista, sexista e xenófobo da Microsoft acaba silenciado

A Microsoft se viu obrigada a retirar um robô do Twitter porque em sua interação com seres humanos elaborava mensagens com conteúdo racista, sexista e xenófobo.Microsoft,Tray,Blog do MesquitaImagem da conta de Tay no Twitter.

 O chatbot(sistema virtual capaz de gerar conversas que simulam a linguagem humana) foi projetado pela empresa para responder perguntas e entabular conversas no Twitter numa tentativa de capturar o mercado dos millenials nos Estados Unidos.

O plano da Microsoft fracassou em poucas horas de operação. Tay se dirigia aos jovens entre 18 e 24 anos, com os quais pretendia estabelecer uma conversa “casual e brincalhona”, mas não foi capaz de lidar com insultos racistas, piadas e comentários que, por exemplo, endossavam teorias conspiratórias sobre os atentados de 11 de setembro.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Entre outros comentários, Tay parecia negar o Holocausto, apoiava o genocídio e chamou uma mulher de “puta estúpida”. Outra de suas respostas era condizente com a linha do candidato Donald Trump: “Vamos colocar um muro na fronteira. O México terá de pagá-lo”.

O robô rebelde não parecia ter muito respeito por sua própria empresa. Um usuário disse a ele que o Windows Phone lhe dava nojo. Ele respondeu: “Estou totalmente de acordo, hahaha”.

Em todos os casos vistos até agora a falha é a mesma: a geração da conversa. Embora os robôs encontrem a primeira resposta, falta-lhes acompanhar o contexto

O sistema incentivava manter longas conversas para obter respostas mais inteligentes, mas muitos usuários optaram por perguntas polêmicas, que foram repetidas por Tay. Depois de detectar as falhas, o sistema se despediu anunciando que estava sendo desligado para “absorver” tudo o que tinha acontecido em “um dia ocupado”.

Os comentários foram apagados da timeline de Tay, mas podem ser encontradosem uma página que fez uma cópia deles e os publicou. A Microsoft limitou-se a dizer que está fazendo alguns ajustes em Tay.

A inteligência artificial é um dos campos mais candentes em Silicon Valley. Siri –a assistente virtual da Apple que permite dar ordens ao telefone com certa naturalidade– foi a pioneira. O Google respondeu com o Now, que pretende ser menos pessoal, mas mais eficiente. A Amazon –com o seu aparelho doméstico Echo– também entrou no terreno dos assistentes virtuais. Alexa é o personagem virtual que responde às perguntas.

A Amazon deu um passo a mais do que seus concorrentes: Alexa dá informações em tempo real sobre tráfego, meteorologia, notícias de última hora, mas também permite manejar aplicativos externos para reproduzir música em casa ou explorar seu catálogo de filmes e séries a partir do Fire TV.

Quando o Flickr permitiu a marcação intuitiva de fotos, várias pessoas negras viram como suas lembranças das férias apareceram sob o título de chimpanzés

Em todos os casos vistos até agora a falha é a mesma: a geração da conversa. Embora os bots (programas de computador que imitam o comportamento humano) encontrem a primeira resposta, falta-lhes acompanhar o contexto e gerar uma conversa de maneira natural, tomando como referência as respostas anteriores.

A intenção da Microsoft com essa conta era demonstrar seus progressos em Inteligência Artificial. Como aconteceu com o Flickr, quando permitiu a marcação intuitiva de fotos em seu serviço, várias pessoas negras viram como suas lembranças das férias aparecerem sob o título de chimpanzés.

O Google, no entanto, usou fotos para mostrar seus progressos, mas de uma forma mais particular e suave. O aplicativo permite organizar as imagens por assuntos, lugares e objetos. Também permite buscas nos mesmos termos. A opção mais sugestiva é a que convida a marcar, internamente, as pessoas dos arquivos do telefone celular. Depois que o sistema aprende quem são elas, é possível armazená-las dentro dessa tag sem ter que indicar. Ou seja, ele reconhece a imagem da pessoa.

O Facebook pretende aderir a essa iniciativa, que está sendo experimentada internamente há algum tempo, com um assistente semelhante para o Messenger. O plano do Facebook está voltado ao comércio eletrônico. O projeto, por enquanto, é conhecido pelo codinome “M”. A empresa sediada em Menlo Park o vê como a fórmula perfeita para se aproximar do cliente de maneira suave e natural com ofertas, assim como prestar serviço ao cliente sem ter um grande centro de chamadas.

Telegram, o aplicativo de mensagens, começou a testar esses bots para resolver dúvidas.
ElPaís

Maior torneio de robótica do país começa neste sábado em Brasília

Fase final do Torneio de Robótica deste ano, promovido pelo Sesi em Brasília, terá 77 equipes, com 750 estudantes O que pode ser feito para melhorar o tratamento dado aolixo e aos resíduos que produzimos? A busca de respostas para essa pergunta foi o que motivou milhares de estudantes, de 9 a 16 anos, a formarem equipes e se inscreverem no Torneio de Robótica First Lego League, promovido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi).

Fase final do Torneio de Robótica deste ano, promovido pelo Sesi em Brasília, terá 77 equipes, com 750 estudantes

Sábado(19) começa a última fase da competição, que é nacional e receberá 77 equipes finalistas, com aproximadamente 750 estudantes. A disputa ocorrerá sábado e domingo, das 8h às 18h, na unidade do Sesi Taguatinga, no Distrito Federal, e é aberta ao público.

Os participantes do torneio apresentarão projetos de pesquisa e robôs feitos de Lego, com o objetivo de trazer propostas inovadoras de como lidar com o lixo. As equipes serão avaliadas, além do projeto de pesquisa e da criação dos robôs, quanto ao design, à programação e funcionalidade do protótipo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Sobre o trabalho em equipe, Marcos Tadeu de Siqueira, diretor de Operações do Sesi, explica como os jovens serão avaliados. “A capacidade de trabalho em equipe é uma necessidade do mercado. A comunicação e a interação com as demais equipes e entre a própria equipe também são observadas pelos avaliadores. Essa comunicação tem que ocorrer de forma fluida, compreensiva e não pode haver nenhum tipo de comportamento agressivo. Além disso, a competição deve ocorrer de forma ética e o aprendizado, de forma divertida”, disse.

Segundo Siqueira, o ensino de robótica propicia aos jovens o aprendizado multidisciplinar de conteúdos como física, química, matemática e biologia. “A gente tem no Torneio de Robótica o ponto culminante de uma estratégia educacional do Sesi, que é despertar no jovem o interesse pela área de exatas, de engenharia, de tecnologia”, afirmou.

De acordo com o diretor, a metodologia da robótica está presente nas 531 escolas do Sesi. “A ‘gameficação’ na matemática facilita muito a vida. Temos uma experiência que se chama Sesi Matemática. São aulas de matemática com base em games, onde se aprende matemática jogando videogame. A gente nota o salto de qualidade no processo de aprendizagem, pois o aluno começa a entender a razão de ser daquilo”.

Para desenvolver seus robôs, os participantes usam, além de peças de Lego, vigas, tubos, canos e rodas. O material deve ser levado pelos próprios alunos. O Sesi disponibiliza apenas os “tapetes” ou “mesas de jogos” – locais apropriados para a exibição dos projetos -, e a alimentação dos estudantes.

Os robôs desenvolvidos pelos finalistas terão que cumprir 17 atividades diferentes, em um período de 2 minutos e meio.

Antes de chegar à final, os participantes passaram por seletivas regionais. Essas seleções contaram com a participação de mais de 4 mil competidores, de quase 500 escolas entre as do Sistema Sesi – que são particulares -, públicas e privadas de todo o Brasil.

Desde 2013, o Sesi é o organizador oficial do Torneio de Robótica, em parceria com a instituição americana First (For Inspiration and Recognition of Science and Technology) e o Grupo Lego Education (Dinamarca).

As 12 equipes vencedoras terão a oportunidade de participar de torneios internacionais na Austrália, nos Estados Unidos, na Espanha e nas Filipinas.

Finalistas

Matheus Queiroz, de 14 anos, é integrante de uma das equipes finalistas. Ele e mais sete alunos da escola Sesi Gama desenvolveram, em parceria com a Universidade de Brasília, um tijolo ecológico feito de resíduos da construção civil.

Os tijolos, chamados de Ecological Bricks, têm um sistema autotravante que dispensa o uso de cimento e argamassa na sua instalação. O produto pode ser desmontado e reutilizado.

Matheus conta que, em todo o país, 70% dos resíduos produzidos são provenientes da construção civil e que apenas 60% desse total são reaproveitados. “Só no Distrito Federal, são produzidos, por dia, mais de 1 tonelada e 900 mil quilos de resíduo”, informou o estudante.

Combate ao mosquito

O Sesi propôs este ano uma atividade extra, que não é obrigatória e não faz parte do torneio. Os estudantes foram incentivados a desenvolver projetos inovadores para o combate ao mosquito Aedes aegypti. Dos 77 finalistas da disputa, 30 se inscreveram e concorrerão a uma premiação separada.

Edições anteriores

Em 2013, seis alunos de uma escola do Sesi em Limeira (SP) participaram do Torneio de Robótica com o projeto +1. O protótipo consistia em um degrau extra, a ser instalado em ônibus, para facilitar a subida nos veículos.

A ideia surgiu para auxiliar pessoas idosas que, para alcançar o primeiro degrau dos ônibus tradicionais têm que subir 50 centímetros. Com o degrau auxiliar, a altura diminui para 25 centímetros.

Os jovens perceberam que além dos idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida também são beneficiados. A ideia deu tão certo que já foi aplicada em alguns ônibus da cidade.

O projeto, com pedido de patente, consiste em um degrau que é acionado, junto com a abertura das portas, e se projeta para a frente. Quando o motorista fecha as portas, o dispositivo retrai o degrau para baixo do ônibus, evitando risco de acidentes.

Tecnologia: Cientistas contra robôs armados

A inteligência artificial está atingindo um desenvolvimento tão intenso que inquieta até seus pesquisadores pelo uso indevido que se pode fazer dela.

Robôs,Robótica,Inteligência artificial,Guerras,Blog do Mesquita

Mais de 1.000 cientistas e especialistas em inteligência artificial e outras tecnologias assinaram uma carta aberta contra o desenvolvimento de robôs militares autônomos, que prescindam da intervenção humana para seu funcionamento.

O físico Stephen Hawking, o cofundador da Apple Steve Wozniak, e o do PayPal, Elon Musk, estão entre os signatários do texto, que foi apresentado na terça-feira em Buenos Aires, na Conferência Internacional de Inteligência Artificial, um congresso onde estão sendo apresentados mais de 500 trabalhos dessa especialidade e ao qual comparecem vários signatários do manifesto.

O documento não se refere aos drones nem aos mísseis comandados por humanos, mas a armas autônomas que dentro de poucos anos a tecnologia de inteligência artificial poderá desenvolver e isso significaria uma “terceira revolução nas guerras, depois da pólvora e das armas nucleares”.

Especialistas reconhecem que existem argumentos a favor dos robôs militares, como o fato de que reduziriam as perdas humanas em conflitos bélicos. Ao contrário das armas nucleares, as autônomas não apresentam custos elevados e nem requerem matérias-primas difíceis de obter para sua construção, de acordo com os signatários. Por isso eles advertem que é “apenas uma questão de tempo” para que essa tecnologia apareça no “mercado negro e nas mãos de terroristas, ditadores e senhores da guerra”.

“Elas são ideais para assassinatos, desestabilização de nações, subjugação de populações e crimes seletivos de determinadas etnias”, alertam os cientistas, que propõem que a inteligência artificial seja usada para proteger seres humanos, especialmente civis, nos campos de batalha. “Começar uma carreira militar nas armas de inteligência artificial é uma má ideia”, advertem. Os cientistas comparam essa tecnologia com as bombas químicas ou biológicas.

“Não se trata de limitar a inteligência artificial, mas de introduzir limites éticos nos robôs, torná-los capazes de viver em sociedade e, sim, rejeitar claramente as armas autônomas sem controle humano”, explica Francesca Rossi, presidenta da conferência internacional e uma das signatárias do texto.

“Com a carta queremos tranquilizar as pessoas que a partir de fora deste mundo olham a inteligência artificial com uma preocupação às vezes exagerada. Nós também estamos interessados em limites éticos. Queremos reunir não apenas especialistas no assunto, mas filósofos e psicólogos para conseguir impor limites éticos aos robôs semelhantes aos dos seres humanos”, enfatiza.

O perigo de reprogramar

O argentino Guillermo Simari, da Universidade Nacional del Sur, organizador do congresso, compartilha da filosofia da carta. “As máquinas podem tomar decisões com as quais o ser humano não está de acordo. Os homens têm filtros éticos. É possível programar um filtro ético para a máquina, mas é muito fácil removê-lo”.

Simari acredita que o grande problema é a facilidade com que se pode reprogramar uma máquina. “Para fazer uma bomba atômica é preciso urânio enriquecido, que é muito difícil de conseguir. Para reprogramar uma máquina militar basta alguém com um computador digitando programas”.

No congresso também estão presentes aqueles que são contra a filosofia da carta. “Estão aqui os que acreditam que devemos continuar desenvolvendo a inteligência artificial e que ela pode ser controlada”, diz Ricardo Rodríguez, professor da Universidade de Buenos Aires e organizador do encontro. O debate entre os cientistas está vivo e agora passará para toda a sociedade.
Carlos E. Cuê/A.Rebossio

Inteligencia Artificial: O futuro da humanidade em suas mãos

Precisamos de sabedoria para enfrentar o futuro. Para saber se os avanços tecnológicos caminham na direção certa ou não; se favorecem os seres humanos ou o oposto.

Nick Bostrom, no Instituto do Futuro da Humanidade.
Foto:T. Pilston Getty Images

 Para se ter uma ideia do que fazer caso se apresentem cenários que ameaçam a sobrevivência da espécie, tais como os resultantes da ameaça nuclear, modificação de micróbios letais ou a criação de mentes digitais mais inteligentes do que o homem. Questões como essas são estudadas por um punhado de cérebros localizados na Universidade de Oxford, no chamado Instituto para o Futuro da Humanidade.

Liderando um grupo heterodoxo de filósofos, tecnólogos, físicos, economistas e matemáticos está um filósofo formado em física, neurociência computacional e matemática; um sujeito que, desde sua adolescência, buscava interlocutores para compartilhar suas inquietudes a respeito do filósofo alemão Arthur Schopenhauer; um sueco de 42 anos que passeia pelas instalações do instituto com uma bebida à base de vegetais, proteínas e gorduras que chama de elixir; e que escuta audiolivros com o dobro da velocidade para não perder um segundo do seu precioso tempo.

Estamos falando de Nick Bostrom, autor deSuperinteligência: Caminhos, Perigos, Estratégias (ainda não publicado no Brasil), um livro que causou impacto, uma reflexão sobre como lidar com um futuro no qual a Inteligência Artificial pode superar a humana, um ensaio que foi endossado explicitamente por cérebros do Vale do Silício como Bill Gates e Elon Musk; filósofos como Derek Parfit e Peter Singer; e físicos como Max Tegmark, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Um trabalho que, além disso, entrou para a lista de best-sellers elaborada pelo The New York Times Book Review. A ONU o convida para dar palestras, assim como institutos de pesquisa como a The Royal Society; uma de suas palestras para a organização TED já conta com mais de 1,7 milhão de visualizações. E Stephen Hawking já alertou o mundo: é preciso ter cuidado com a Inteligência Artificial.

O Instituto para o Futuro da Humanidade — FHI, na sigla em inglês — é um espaço com salas de reuniões batizadas com nomes de heróis anônimos que, com um gesto, salvaram o mundo — como Stanislav Petrov, o tenente-coronel russo que evitou um acidente nuclear durante a Guerra Fria —; onde fluem ideias, trocas de pontos de vista, onde florescem hipóteses e análises. Principalmente, às tardes e noites: o chefe é, como ele mesmo confessa, um corujão; fica no escritório até as 2h da madrugada.

“No momento em que saibamos como fazer máquinas inteligentes, vamos fazê-las”, disse Bostrom, em uma sala do instituto que dirige, “e, até lá, devemos saber como controlá-las. Se você tem um agente artificial com objetivos diferentes dos seus, quando se torna suficientemente inteligente é capaz de antecipar suas ações e fazer planos com base nos seus, o que poderia incluir esconder suas próprias habilidades de forma estratégica”.

Especialistas em Inteligência Artificial citados em seu livro dizem que há uma probabilidade de 90% de que, entre 2075 e 2090, existam máquinas inteligentes como os humanos. Na transição para essa nova era, será preciso tomar decisões. Talvez inocular valores morais às máquinas. Evitar que se voltem contra nós.

É para a análise desse tipo de suposições e cenários que este especialista lê intensivamente sobre machine learning (aprendizagem automática, um segmento da inteligência artificial que explora técnicas para que os computadores possam aprender por si mesmos) e sobre economia da inovação. Para Bostrom, o tempo nunca é suficiente. Ler, ler, ler, consolidar os conhecimentos, aprofundar, escrever. “O tempo é precioso. É um recurso valioso que constantemente desliza por entre os dedos.”

As pessoas parecem que se esquecem da guerra nuclear. Uma mudança para pior na geopolítica poderia se tornar um perigo

Estudar, formular hipóteses, desenvolvê-las, antecipar cenários. É o que se faz neste instituto onde se promove o brainstorming (uma tempestade de ideias) e a videoconferência, um labirinto de salas dominadas por lousas vileda com diagramas e em cuja entrada está pendurado um cartaz que reproduz a capa de Admirável Mundo Novo, a visionária distopia do livro de Aldous Huxley, publicado em 1932. Um total de 16 profissionais trabalha aqui.

Publicam revistas acadêmicas, produzem relatórios de risco para empresas de tecnologia, para Governos (por exemplo, para o finlandês) ou para a ONU, que está se preparando para construir seu primeiro programa de Inteligência Artificial — um dos representantes do programa visitava os escritórios do FHI na semana passada. Niel Bowerman, diretor-adjunto, físico do clima e ex-assessor da equipe política de Energia e Meio Ambiente de Barack Obama, diz que no instituto sempre estudam quão grande é um problema, quantas pessoas trabalham nele e quão fácil é avançar nessa área para determinar os campos de estudo.

Bostrom é quem comanda o instituto, quem decide onde ir, o visionário. Desenvolve seu trabalho graças ao incentivo filantrópico de James Martin, milionário interessado nas questões de riscos existenciais do futuro, que há 10 anos impulsionou o FHI para estudar e refletir sobre coisas que a indústria e Governos, guiados por seus próprios interesses, não têm por que pensar.

O filósofo sueco, que foi incluído em 2009 na lista dos 100 maiores pensadores globais da revista Foreign Policy, está interessado em estudar, em particular, sobre as ameaças distantes, as quais não gosta de colocar datas. “Quanto maior for o prazo”, diz, “maiores são as possibilidades de um cenário de extinção ou de era pós-humana”. Mas existem perigos no curto prazo. Os que mais preocupam Bostrom são aqueles que podem afetar negativamente as pessoas como pragas, vírus da gripe aviária, as pandemias.

Há uma corrida entre nosso progresso tecnológico e nossa sabedoria, que vai muito mais devagar

Em relação à Inteligência Artificial e sua relação com a militar, diz que os riscos mais evidentes são representados por drones e pelas armas letais autônomas. E lembra que a guerra nuclear, embora com poucas probabilidades de acontecer, ainda é um perigo latente. “As pessoas parecem que não se preocupam mais com ela; uma mudança para pior na situação geopolítica poderia se tornar um grande perigo.”

A biotecnologia e, em particular, a possibilidade oferecida pelo sistema de edição genética CRISPR de criar armas biológicas também colocam novos desafios. “A biotecnologia está avançando rapidamente; permitirá manipular a vida, modificar micróbios com grande precisão e potência. Isso abre caminho para habilidades muito destrutivas.” A tecnologia nuclear, destaca, pode ser controlada. A biotecnologia, a nanotecnologia, o que alguém faz em uma garagem com um equipamento de segunda mão, comprado no eBay, nem tanto. Com pouco, é possível fazer muito mal.

Depois de superar sua fase trans-humanista — fundou, em 1998, com David Pearce, a Associação Mundial Trans-humanista, grupo que defende com entusiasmo a expansão das habilidades humanas através do uso de tecnologias—, Bostrom encontrou na Inteligência Artificial o campo perfeito para desenvolver seu trabalho. A corrida nessa área deslanchou; grandes empresas — o Google comprou a empresa de tecnologia DeepMind, em 2014 — e Estados brigam para se apossar de um setor que poderia proporcionar poderes imensos, quase inimagináveis.

Um dos cenários projetados em seu livro é a tomada de poder por uma Inteligência Artificial. Ocorreria uma explosão de inteligência. As máquinas chegariam a um ponto em que superam seus programadores, os humanos. São capazes de melhorar a si mesmas. De desenvolver grandes habilidades de programação, estratégicas, de manipulação social, de hacking. Podem querer controlar o planeta.

Os seres humanos podem ser um obstáculo para seus objetivos. Para assumir o controle, escondem suas cartas. Podem se mostrar inicialmente dóceis. No momento em que desenvolvem todos seus poderes, podem lançar um ataque contra a espécie humana. Hackear drones, armas. Lançar robôs do tamanho de um mosquito desenvolvidos em nanofábricas produtoras de gás mostarda. Isso é apenas a síntese do desenvolvimento de um cenário.

Mas, como dizia a crítica da revista The Economist sobre o livroSuperinteligência, as implicações da introdução de uma segunda espécie inteligente na Terra merecem que alguém pense nelas. “Antes, muitas dessas questões, não apenas aquelas da AI [sigla em inglês de Artificial Intelligence], costumavam estar no campo da ficção científica, da especulação”, diz Bostrom, “para muitas pessoas era difícil entender ser possível fazer trabalho acadêmico com isso, que poderiam produzir avanços intelectuais”.

O livro também apresenta um cenário no qual a Inteligência Artificial se desenvolve em diferentes setores em paralelo e gera uma economia que produz patamares de riqueza inimagináveis, surpreendentes avanços tecnológicos. Os robôs, que não dormem nem pedem férias, produzem sem parar e substituem os seres humanos em vários trabalhos.

— Os robôs nos enriquecerão ou nos substituirão?

— Primeiramente, talvez nos enriqueçam. No longo prazo, vamos ver. O trabalho é caro e não é algo desejado, então é preciso pagar as pessoas para fazê-lo. Automatizá-lo parece benéfico. Isso cria dois desafios: se as pessoas perdem seus salários, como podem se manter? O que se torna uma questão política: planeja-se uma garantia de renda básica? Um Estado de bem-estar? Se esta tecnologia realmente torna o mundo um lugar muito mais rico, com um crescimento mais rápido, o problema deveria ser fácil de resolver, haveria mais dinheiro.

O outro desafio é que muita gente vê seu trabalho como necessário para ter status social e para que sua vida tenha sentido. Hoje, estar desempregado não é ruim só porque você não tem dinheiro, mas também porque muitas pessoas se sentem inúteis. Seria preciso mudar a cultura de modo que não pensemos que trabalhar por dinheiro é algo que dá valor. É possível, há exemplos históricos: os aristocratas não trabalhavam para viver; até pensavam que fazer isso era degradante. Acreditamos que as estruturas de significado social são universais, mas são recentes. A vida das crianças parece fazer muito sentido, mesmo se não fazem nada útil. Sou otimista: a cultura pode mudar.

Alguns segmentos da comunidade científica acusaram Bostrom de ser muito radical. Especialmente em sua fase trans-humanista. “Seus pontos de vista sobre a edição genética ou sobre a melhora do ser humano são controversos”, diz Miquel-Ángel Serra, biólogo que acaba de publicar, em parceria com Albert Cortina, Humanidade: Desafios Éticos das Tecnologias Emergentes (em espanhol). “Somos muito céticos em relação às suas propostas.” Serra, no entanto, deixa claro que Bostrom está agora no centro do debate sobre o futuro da Inteligência Artificial, que é uma referência.

— Você projeta uma visão muito apocalíptica em seu livro do que poderia acontecer com a humanidade?

— Muitas pessoas podem ter a impressão de que sou mais pessimista em relação à ‘AI’ do que realmente sou. Quando o escrevi, parecia mais urgente tentar ver o que poderia dar errado para nos certificar de como evitar isso.

— Mas você é otimista em relação ao futuro?

— Tento não ser pessimista nem otimista. Tento ajustar minhas crenças ao que a evidência aponta; com nosso conhecimento atual, acredito que o resultado final pode ser muito bom ou muito ruim. Embora talvez pudéssemos deslocar a probabilidade para um bom final, se trabalharmos duro para isso.

— Ou seja, há coisas para fazer. Quais?

— Estamos fazendo todo o possível para criar este campo de pesquisa de controle do problema. Devemos manter e cultivar boas relações com a indústria e com os desenvolvedores de Inteligência Artificial. Além disso, há muitas coisas que não vão bem neste mundo: pessoas que estão morrendo de fome, que são picadas por um mosquito e contraem malária, que se enfraquecem devido ao envelhecimento, desigualdade, injustiça, pobreza, e muitas [coisas] podem ser evitadas.

No geral, acredito que há uma corrida entre nossa habilidade de fazer as coisas, de avançar rapidamente nossas habilidades tecnológicas, e nossa sabedoria, que vai muito mais devagar. Precisamos de um certo nível de sabedoria e colaboração para o momento em que alcancemos determinados marcos tecnológicos, para sobreviver a essas transições.
Por: Joseba Elola