Ao liberar biografias, STF dá lição ao Congresso

Com seu parecer simples, objetivo, corretíssimo e sem firulas linguísticas que só atrapalham, a nobre ministra Carmem Lúcia, por extensão, deu uma tacada de aleijar a imoralidade petista do tal de “controle social” da mídia.
Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos enfiaram a viola no saco, tendo que se conformar com o óbvio. 
É incrível que essas pessoas fossem a favor da censura, mas, quando pisaram no calo deles, defenderam a censura. E tinham a coragem de cantar “É proibido proibir”!
O Editor


Pela enésima vez, o Supremo Tribunal Federal foi chamado a suprir um direito que o Congresso Nacional se absteve de prover.

Ao considerar inconstitucional a censura a biografias não autorizadas, os ministros do STF deram uma nova lição aos congressistas. Ensinaram que não se deve brigar com o óbvio.

Vale a pena ouvir um trecho do voto da relatora do processo, a ministra Carmén Lúcia:

— Vida é experiência de riscos. Riscos há sempre, em tudo e para tudo. Mas a vida pede de cada um de nós coragem perante os riscos e solução para o que vier a se concretizar. O direito dita formas de se fazer com que sejam reparados os abusos. A saber, por indenização a ser fixada segundo o que se tenha demonstrado como dano. O mais é censura. E censura é forma de cala-boca. Pior: cala a Constituição, amordaça a liberdade, para se viver o faz de conta de se deixar de ver o que ocorreu. […] Cala boca já morreu. É a Constituição do Brasil que garante.”[ad name=”Retangulos – Direita”]

O Congresso discute há pelo menos nove anos a inadequação dos artigos do Código Civil brasileiro que condicionam a publicação de biografias à autorização prévia dos biografados ou de seus herdeiros. Sob a omissão dos congressistas, proliferaram os casos de censura disfarçada de direito à privacidade.

No caso mais noticiado, o cantor Roberto Carlos obteve na Justiça a proibição de obra sobre sua vida. Familiares do jogador Garrincha e do poeta Vinicius de Moraes também se converteram em estorvo antibiográfico. Até um filme de Glauber Rocha em homenagem a Di Cavalcanti foi barrado pela família do pintor.

Foi contra esse pano de fundo que o Congresso esbarrou no óbvio, tropeçou no óbvio e passou adiante, sem se dar conta de que o óbvio é o óbvio.

Foi preciso que o STF proclamasse: “Ali está o óbvio. Ele se chama censura. É inconstitucional.”
Blog Josias de Souza

Jovem guarda – Pro dia nascer melhor – 02/03/2015

Lembranças de velhos tempos das jovens tardes de domingo


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Roberto Carlos e Erasmo Carlos – Versos na tarde – 24/09/2014

Você Não Sabe
Roberto Carlos/Erasmo Carlos

Você não sabe quanta coisa eu faria
Além do que já fiz
Você não sabe até onde eu chegaria
Pra te fazer feliz

Eu chegaria
Onde só chegam os pensamentos
Encontraria uma palavra que não existe
Pra te dizer nesse meu verso quase triste
Como é grande o meu amor

Você não sabe que os anseios do seu coração
São muito mais pra mim
Do que as razões que eu tenha
Pra dizer que não
E eu sempre digo sim
E ainda que a realidade me limite
A fantasia dos meus sonhos me permite
Que eu faça mais do que as loucuras
Que já fiz pra te fazer feliz

Você só sabe
Que eu te amo tanto
Mas na verdade
Meu amor não sabe o quanto
E se soubesse iria compreender
Razões que só quem ama assim pode entender

Você não sabe quanta coisa eu faria
Por um sorriso seu
Você não sabe
Até onde chegaria
Amor igual ao meu

Mas se preciso for
Eu faço muito mais
Mesmo que eu sofra
Ainda assim eu sou capaz
De muito mais
Do que as loucuras que já fiz
Pra te fazer feliz


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Roberto Carlos e a rádio que montou na época da ditadura

Roberto Carlos em ritmo de ditadura. Como, no auge de suas boas relações com o regime militar, o cantor ganhou a concessão de uma rádio em 1979.

PROXIMIDADE Roberto Carlos é condecorado pelo general Humberto de Souza Mello.  Ele foi listado  entre “artistas  que se uniram  à Revolução”  (Foto: Folhapress)Roberto Carlos é condecorado pelo general Humberto de Souza Mello. Ele foi listado entre “artistas que se uniram à Revolução” (Foto: Folhapress)

Em 1979, um cantor circulava pelos corredores de Brasília causando alvoroço entre as secretárias. Roberto Carlos, aos 38 anos, cabelos cacheados, fazia visitas pontuais a autoridades do governo. Seus passeios pelo Planalto tinham um propósito: conseguir a concessão para uma emissora de rádio. “Ouvi gritos no corredor e, de repente, entrou o Roberto Carlos em meu gabinete. Tomei um susto. Ele tinha vindo fazer uma visita de cortesia. Isso não era necessário, porque as concessões eram dadas pessoalmente pelo ministro ou pelo presidente. Eu cuidava apenas da documentação burocrática”, diz Rômulo Furtado, na época secretário-geral do Ministério das Comunicações. O ministro era o capitão da Marinha Quandt de Oliveira. O presidente era o general Ernesto Geisel.

Roberto Carlos andava em companhia do radialista Cayon Gadia, seu sócio na empreitada. O governo distribuía concessões de rádio e restavam poucas faixas na frequência FM. Entre as grandes capitais brasileiras, havia um espaço atraente em Belo Horizonte. Na época, a distribuição das emissoras não obedecia necessariamente a critérios técnicos. “O nome de Roberto Carlos e o prestígio dele já eram credenciais suficientes para garantir a concessão”, diz Rômulo. O trabalho de lobby só deu resultado mais de um ano depois. No princípio do governo de João Baptista Figueiredo, Roberto Carlos conseguiu autorização para montar a Rádio Terra, que manteve durante 15 anos em Belo Horizonte – sem que o público nem mesmo os empresários do setor soubessem de sua participação.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

PROXIMIDADE Roberto Carlos é condecorado pelo general Humberto de Souza Mello.  Ele foi listado  entre “artistas  que se uniram  à Revolução”  (Foto: Folhapress)

Essa passagem desconhecida da biografia de Roberto Carlos foi o ponto culminante de suas boas relações com o poder ao longo de duas décadas de ditadura no país. Nos anos de chumbo, ele foi condecorado com a Medalha do Pacificador, ocupou cargos em conselhos do governo, livrou-se da censura com a ajuda do ministro da Justiça e foi contratado pelo Exército para atuar em inúmeros shows em homenagem à Revolução. Embora sempre tenha levado uma carreira de empresário paralela à de músico – na época da ditadura, ele tinha boate, postos de gasolina e uma locadora de automóveis –, a rádio foi um negócio bastante vantajoso, já que não teve de pagar nem um centavo pela concessão.

Seu sócio na emissora, Cayon Gadia, morreu em 2007. A mulher dele, Regina Blanco Ferreira, de 72 anos, relembra o caso. “Eles iam a Brasília falar com o presidente Figueiredo e com o Golbery (do Couto e Silva). Cayon ficou impressionado de ver o prestígio de Roberto ”, diz. Roberto Carlos nega. Em resposta  a ÉPOCA por e-mail, ele informa que apenas aceitou o convite recebido pelo sócio e que não se lembra da ajuda de nenhum político ou militar para conseguir a concessão. “Que eu saiba não. Quem tratou de tudo foi o próprio Cayon Gadia”, diz.

Roberto Carlos já era funcionário do Ministério da Educação e Cultura quando os militares tomaram o poder, em 1964. Tinha 23 anos e trabalhava como assistente de relações-públicas na rádio MEC, no Rio de Janeiro. “Ele fazia serviços diversos. Pegava endereços que eu precisava ou ligava quando eu tinha de falar com alguém. Logo pedia para ir embora, porque precisava fazer seus shows”, diz a jornalista Noemi Flores, sua chefe na época, hoje com 92 anos. Depois que mudou de função, Noemi diz que nunca mais viu Roberto Carlos por lá. O nome dele continuou constando como funcionário até que sua exoneração fosse publicada, em 1970.

Em maio de 1967, Roberto Carlos já era uma espécie de unanimidade nacional, quando foi recebido para uma audiên­cia a portas fechadas com o ministro da Justiça, Luiz Antônio da Gama e Silva. Ele era um revolucionário ardoroso, redator e locutor do AI-5, medida mais dura do regime. Precisamente em 1968, ano do AI-5, o cantor lançou seu primeiro filme, Roberto Carlos em ritmo de aventura. O longa-metragem de ação não trazia nenhuma referência crítica ao regime, mas seu trailer foi barrado pela Censura, por questões burocráticas. Os produtores não conseguiram enviar a tempo uma cópia integral do filme, pré-requisito para que o trailer fosse liberado. Diante do impasse, o ministro Gama e Silva enviou um telegrama urgente à Divisão de Censura da Polícia Federal, que atuava sob seu comando. Ele pedia ao chefe da Censura para “abrir uma exceção” e liberar o trailer sem assistir ao filme. “Se trata de uma história cujo protagonista é o mais admirado e popular artista brasileiro”, afirmou o ministro. O trailer foi liberado no dia seguinte.

Em 1971, Roberto Carlos mandou um telegrama de condolências ao ministro da Aeronáutica, marechal Márcio Melo, lamentando a morte de três militares num acidente, durante um show da Esquadrilha da Fumaça. Nesse mesmo ano, um comunicado do Serviço Nacional de Informações (SNI) criticava a imprensa por “atingir a honra” de diversos artistas por meio de “noticiário difamatório”. “A incidência deste desgaste recai seguidamente sobre determinados artistas que se uniram à Revolução de 1964 no combate à subversão e outros que estão sempre dispostos a uma efetiva cooperação com o Governo”, diz o informe. Entre os artistas, aparece o nome de Roberto Carlos e de seu empresário na época, Marcos Lázaro.

Roberto Carlos realizou shows durante as Olimpíadas do Exército, em 1971 e 1972, na Presidência do general Emílio Garrastazu Médici. Os jogos serviam para aproximar os militares da população, enquanto o regime iniciava ações duras contra opositores. O ano de 1972 marca a desarticulação da Guerrilha do Araguaia, que deixou 62 mortos na região amazônica. Foi também o ano em que Roberto Carlos ganhou sua primeira nomeação no governo, para participar da Comissão Nacional Anti-Tóxico, do Ministério da Educação e Cultura. O objetivo da comissão era elaborar projetos para o combate às drogas. A escolha dos integrantes foi feita pelo então coronel Jarbas Passarinho, ministro da Educação na época. Com 31 anos, Roberto Carlos era o integrante mais jovem. “Nos reuníamos periodicamente em Brasília, para que cada conselheiro apresentasse sua proposta. Não vi o Roberto Carlos em nenhuma reunião”, diz Lygia Maria Bastos, hoje com 94 anos, então deputada estadual pela Arena, o partido do governo.

Em 1973, Roberto Carlos foi agraciado com a Medalha do Pacificador, honraria concedida a militares ou civis que de alguma forma contribuíam com o Exército. Mais tarde, a medalha ficou famosa por homenagear os torturadores do regime. Ele a recebeu em São Paulo, das mãos do general linha-dura Humberto de Souza Mello. Segundo a justificativa publicada no Boletim do Exército, a medalha foi concedida “pela inestimável colaboração prestada ao Exército”, em especial durante a realização de sua IV Olimpíada. Os jogos aconteceram no Recife naquele ano, e Roberto Carlos foi a grande atração do show de encerramento. Depois de receber a medalha, ele se apresentou durante a exposição O Brasil de hoje, que enumerava as realizações do governo ao longo de nove anos de ditadura. O músico Martinho da Vila também participou do evento.

Dois anos depois, o jornalista Vladimir Herzog foi torturado até a morte nas instalações do Exército em São Paulo. Sua morte desencadeou uma onda de insatisfação na classe média. Também em 1975, no mês de março, Roberto Carlos apareceu cantando num programa de televisão comemorativo ao 11º aniversário do golpe militar, transmitido em cadeia nacional. O programa contou com pronunciamento de vários políticos ligados à Arena. Também participaram do programa os músicos Jair Rodrigues e Eliseth Cardoso.

EXCEÇÃO O trailer do filme Roberto Carlos em ritmo de aventura (cartaz à esq.) foi liberado pela Censura após intervenção do ministro da Justiça (abaixo) (Foto: Reprodução)

Em 1976, Roberto Carlos recebeu a Ordem do Rio Branco, reconhecimento do governo brasileiro pelos serviços prestados à nação. Quem entregou a medalha foi o presidente Ernesto Geisel. Naquele mesmo ano, ganhou seu segundo cargo no governo, desta vez no Conselho Nacional de Direito Autoral, que dava a palavra final em disputas relativas a direitos autorais no país. Os conselheiros participavam de reuniões quinzenais em Brasília. Recebiam passagem aérea, hospedagem e um jeton por reunião. Roberto Carlos ficou três anos na função. “Ele não ia a todas as reuniões, mas era um conselheiro frequente. Não abria a boca. Enquanto os outros conselheiros discutiam, ele apenas se sentava na cadeira. No final ia embora, sem falar praticamente nada”, diz Divaina Borges, então secretária do conselho. Um dos projetos apresentados por Roberto Carlos sugeria a criação de uma entidade que representasse os compositores de jingles publicitários. Os pareceres assinados por ele não foram preservados pelo ministério. “Ele olhava as questões com olhos de grande arrecadador que era, já que recebia direitos autorais como compositor, intérprete e editor”, diz o jurista Carlos Fernando Mathias de Souza, então presidente do conselho.

Roberto Carlos continuava na função quando criou a sociedade Rádio Terra Ltda., em fevereiro de 1979. Segundo o contrato de fundação, as transmissões teriam propósito educativo, cultural e informativo, mas também “cívico e patriótico”. O documento diz que a empresa poderia abrir sucursais ou filiais em todo o país. “Nos corredores do ministério, sabia-se que o desejo deles era criar uma rede de emissoras de rádio em algumas capitais brasileiras”, diz Rômulo Furtado, ex-secretário-geral do ministério. A concessão foi publicada no Diário Oficial em agosto de 1980. Os dois sócios conseguiram apenas uma emissora e levaram quatro anos para colocá-la no ar. Antes disso, Cayon Gadia saiu do negócio. “Ele não gostava de falar muito do assunto. Dizia apenas que pessoas próximas ao Roberto Carlos ficaram com ciúme da sociedade”, diz sua viúva, Regina Blanco. Sua parte foi vendida para José Carlos Romeu, radialista que apresentava shows de Roberto Carlos, e Sérgio Orensztejn, sócio de Roberto Carlos em uma locadora de automóveis.

Roberto Carlos foi à missa de inauguração e praticamente não voltou à rádio, que também não tocava músicas suas. “Ele queria deixar claro que era um negócio do empresário, não do artista”, diz Marco Aurélio Jarjour, que entrou na sociedade e hoje é o dono da emissora. Roberto Carlos vendeu sua parte em 1994. “Não houve motivo especial. Marco Aurélio se interessou em comprar  minha parte, e aceitei a proposta”, disse Roberto Carlos por e-mail.

Roberto Carlos nunca fez músicas exaltando o regime, como a dupla Dom e Ravel. Ao longo da ditadura, manteve uma postura apolítica. Para o governo, era uma posição conveniente. “O perfil do Roberto Carlos era avaliado como positivo pelo regime. Se os militares conseguissem colar sua imagem à de um grande ídolo popular como ele, que ainda por cima não criticava a ditadura, seria interessante para eles. Mas isso não chega a constituir um apoio ou conivência. Houve ingenuidade política”, diz o historiador Carlos Fico. Uma concessão como a Rádio Terra, nos dias de hoje, vale em torno de R$ 2 milhões, segundo a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão.
MARCELO BORTOLOTTI/Revista Época

 

José Alencar, mito, caráter e paternidade

… ou a vida como não deveria ser.
O Editor


Professora que diz ser filha de José Alencar nunca conseguiu que ele fizesse teste de DNA.

Agora, pede que o meio-irmão faça o exame, também não consegue.

E tinha gente que considerava José Alencar um exemplo.

O empresário José Alencar, vice-presidente de Lula duas vezes, era simpático e coisa e tal.

Sua batalha contra o câncer emocionava o país, sua morte em março foi muito sentida.

Porém, a mais longa batalha que ele travava nada tinha de meritória.

Há mais de dez anos, Alencar vinha lutando para evitar que a professora Rosemary de Morais, hoje com 56 anos, fosse reconhecida como filha dele.

O riquíssimo dublê de empresário e político não só jamais admitiu fazer o teste de DNA, como ainda deu declarações classificando de “prostituta” a mãe de Rosemary, Francisca Nicolina de Morais, circunstância que revelou o verdadeiro caráter de José Alencar.

Na verdade, Francisca era enfermeira e o relacionamento dos dois ocorreu em 1954, quando ambos moravam em Caratinga (MG).

Na ocasião, nenhum dos dois era casado.

Dona Tita, como Francisca era conhecida, morreu de câncer, aos 82 anos, sem ver o antigo namorado reconhecer a filha.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Rosemary foi criada pelos avós, e somente há 16 anos a mãe informou quem era seu verdadeiro pai.

Ela chegou a tentar falar com Alencar quando ainda candidato ao Senado, mas não teve sucesso.

Em 2001, Rosemary desistiu de tentar falar com ele e decidiu recorrer ao Judiciário.

A Justiça em Caratinga, no Vale do Rio Doce, demorou quase 10 anos para condenar o então vice-presidente da República a reconhecer a paternidade de Rosemary, mas a sentença foi de primeira instância e Alencar apresentou recurso.

Para apressar a decisão em segunda instância, Rosemary tenta agora que Josué, filho do casamento de Alencar com dona Mariza Campos Gomes da Silva, faça exame de DNA.

Mas o suposto meio-irmão também está se recusando, o que sugere que a falta de caráter seja problema de família.

“Se ele não era meu pai, por que não fez o exame de DNA? Quando a pessoa não deve, não teme. Se não era meu pai, que fizesse o DNA, porque já ficaria livre desse tormento. E eu também” – desabafa Rosemary.

Ela diz que sempre quis conversar com ele, mas nunca conseguiu.

O caso de José Alencar mostra como as aparências enganam.

Ele procedeu exatamente como Pelé, que tinha uma filha na mesma condição, foi obrigado a reconhecê-la na Justiça, mas jamais a aceitou ou falou com ela.

Nesse particular, o grande exemplo no Brasil é Roberto Carlos, que faz logo o exame de DNA e, em caso positivo, imediatamente incorpora o novo filho à família.

Que Deus o mantenha assim, de coração sempre aberto.

Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

Encontro de reis: canção e contravenção

Assisti reportagem sobre o mercantilista desfile (sic) das escolas (sic) de samba — aliás, o grande Noel, ‘mestre’ da Vila Isabel, não poetou que “samba não se aprende na escola? — tratando da trajetória de vida de um cantor popular.

Não assisti aos desfiles, e pergunto aos que se quedaram madrugada adentro e assistiram toda a pantomima, se realmente todos os fatos da vida do celebrado cantor foram contados e cantados. Ou algum epsódio — cito como referência e não como exercício escatológico — por não ser midiático nem palatável ao ‘show’ foi varrido para baixo dos carros alegóricos? Afinal a vida não é feita de glórias e tragédias? Stalin redivivo apagando fatos inconvenientes da história?

O que vi de irônico, trágico e afrontoso, por parte de quem é um formador de opinião, na reportagem foi o aval promíscuo entre “reis”.
O Editor


À direita, Anísio. Foto: Ricardo Matsukama/Terra

do blog do Noblat

Está na Wikipédia, assim mesmo, e sem links para as operações policiais que resultaram na prisão dele:

Aniz Abraão David, mais conhecido como Anísio Abraão David ou simplesmente Anísio, é um empresário e contraventor brasileiro e presidente de honra da escola de samba Beija-Flor.

Vindo de uma família de origem libanesa, Anísio tinha mais oito irmãos (sete homens e duas mulheres), porém, recentemente um de seus irmãos faleceu, restando somente ele, o ex-prefeito Farid Abrão, o comerciante David Abrahão e mais duas irmãs.

Anísio é mais conhecido pela sua forte influência política de sua família na cidade de Nilópolis. Seu irmão Farid Abrão David é o ex-prefeito da cidade, seu sobrinho, Ricardo Abraão, foi deputado estadual, seu primo, Simão Sessim, é deputado federal e o outro sobrinho, Sérgio Sessim, foi eleito prefeito do município de Nilópolis.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Sua familia ja se mantém no poder há bastante tempo, sendo que o deputado Simão Sessim ocupou também a prefeitura. O outro irmão, o ex-deputado Jorge Sessim David, já falecido, também foi mandatário da cidade. O irmão de Anísio, o também falecido, Miguel Abrahão, deixou como herdeiro político o seu filho Abrahão David Neto (vereador em Nilópolis pelo segundo mandato consecutivo).

Em 2007, Anísio foi um dos bicheiros presos pela Polícia Federal na Operação Hurricane, acusado de ter ameaçado jurados para que dessem o título à sua escola de samba. além de no ano seguinte ser preso durante a Operação 1357.

Se você quiser saber o que foi a Operação Hurricane é só clicar aí. A Operação 1357, aí também.

Menos de um ano depois de ter sido preso pela Hurricane, Anísio desfilou em cima de um Carro de Bombeiros para celebrar mais um título da Beija-Flor de campeã do carnaval carioca.

Foi um dos seus momentos de glória.

O outro, certamente, foi vivido ontem ao lado do cantor Roberto Carlos, quando a Beija-Flor recuperou o título de campeã perdido há dois anos.

O Rei da canção e o Rei dos contraventores – juntos, felizes, no mesmo espaço.

Não sei não… Mas Roberto Carlos poderia ter passado sem essa.

Lula é o brasileiro mais confiável, aponta Datafolha

Com nota média de 7,9, presidente lidera ranking composto por 27 personalidades nacionais; 39% dos brasileiros lhe deram nota 10

Entre os pré-candidatos ao Planalto, Serra é o mais bem avaliado, com nota média de 6,23, e fica em 14º lugar; em 21º, Dilma tem média de 5,4:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a pessoa mais confiável para os brasileiros, segundo ranking com 27 personalidades elaborado pelo Datafolha. Lula está à frente de apresentadores de TV como William Bonner e Silvio Santos, do padre Marcelo Rossi e de cantores como Roberto Carlos e Chico Buarque.

Os 11.258 entrevistados, de 14 a 18 de dezembro, deram nota de 0 (menos confiável) a 10 (mais confiável) às personalidades apresentadas. Lula lidera a lista, com nota média de 7,9.

Além disso, 39% dos brasileiros deram nota 10 ao presidente, contra 4% que lhe deram 0.

Lula é mais admirado no Nordeste, com nota média de 8,74, contra 7,14 no Sul e 7,57 no Sudeste. O petista recebeu nota 10 de 62% dos pernambucanos, 53% dos cearenses e 48% dos baianos. Em São Paulo, recebeu 10 em 31% dos casos. No Rio Grande do Sul, onde teve pior desempenho, obteve 15% das notas máximas.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O petista é mais bem avaliado pelos mais velhos -recebeu 47% de notas 10 entre os que têm 60 anos ou mais. Entre os que têm nível fundamental e recebem até dois salários mínimos, teve 52% de notas 10.

Entre os mais escolarizados e mais ricos, o presidente fica em quinto. Nesse recorte, Chico Buarque lidera, seguido por William Bonner, Caetano Veloso e Roberto Carlos.

De todas as personalidades, apenas duas – Lula e Silvio Santos – são conhecidas por todos os entrevistados.

Maria Celina D’Araújo, professora de ciência política da PUC-RJ, diz que os primeiros lugares são ocupados por “homens de mídia”. “Lula é um grande artista, sabe se comunicar. É um aspecto das novas sociedades de espetáculo. Poucos sabem se aproveitar disso, e o Lula sabe”, diz.

Para Maria Celina, especialista nos governos Getúlio Vargas, nenhum presidente explorou tanto a comunicação de massa, principalmente via programas de rádio e TV e colunas em jornais.

Chama a atenção o fato de que, dos últimos cinco colocados, quatro são ex-presidentes: Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, este o menos confiável de todos.

Entre os pré-candidatos de 2010, José Serra (PSDB) aparece mais bem colocado. Com nota média de 6,23, ele fica em 14º lugar no ranking geral.

O também tucano Aécio Neves, governador de Minas, fica na 19ª posição, com nota média de 5,45. Em 20º, está o deputado federal Ciro Gomes (PSB), com média de 5,41, seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), com 5,40, e pela senadora Marina Silva (PV), com nota média de 5,15.

Fernando Barros de Mello/Folha de S. Paulo