Os super-ricos e o clube exclusivo do Brasil no coração de um hotspot de coronavírus

A conexão entre Covid-19 e a elite mundial de ricos no país destaca o abismo entre ricos e pobres em uma das sociedades mais desiguais do mundo. É o clube mais exclusivo do Brasil – um santuário de privilégios, para o qual apenas 0,00041% dos cidadãos do país têm as chaves.

Pelo menos 60 dos 850 membros exclusivos do Country Club do Rio de Janeiro foram declaradamente atingidos pelo Covid-19. Foto: Nicoló Lanfranchi / O Observador

Mas o Country Club do Rio de Janeiro – fundado por executivos britânicos em 1916 e freqüentado desde então pelo crème de la crème da sociedade carioca – foi lançado em luto pela pandemia de coronavírus, provocando um debate nacional sobre classe e desigualdade em uma das mais sociedades economicamente desequilibradas na terra.

Pelo menos 60 dos 850 membros do clube que trotaram o globo foram derrotados com o Covid-19, enquanto um – a empresária septuagenária Mirna Bandeira de Mello – morreu e foi deixada para descansar durante um funeral no qual ninguém compareceu ao filho.

Anna Maria Ramalho, colunista da sociedade que conhece a vítima desde a escola, disse que foi forçada a se despedir fazendo login em uma missa online. “Perdi uma amiga ao longo da vida”, disse ela. “Ela era uma pessoa tão especial, muito realista.”

O coronavírus parece ter violado os portões de madeira branca do clube de campo – a poucos metros da praia de Ipanema, embora exatamente como agora seja um tópico de amarga disputa.

A praia de Ipanema está deserta depois que o governador do Rio de Janeiro ordenou que os moradores ficassem longe das praias. Foto: Nicoló Lanfranchi / The Guardian

Horas antes, descendentes da antiga família real do Brasil haviam se reunido em uma mansão próxima para brindar o noivado de Pedro Alberto de Orléans e Bragança, 31 anos, tataraneto do último imperador do Brasil, Pedro II, e seu filho. parceira de um ano, Alessandra Fragoso Pires.

Entre os convidados estavam a mãe e o padrasto de Pires, que haviam chegado de casa em Londres e outros da Bélgica, Itália e Estados Unidos.

Mais da metade das pessoas com mais ou menos 70 anos no almoço foram positivas para Covid-19, incluindo o pai e o avô da noiva e a tia do noivo. Três permanecem no hospital, em estado grave. “É simplesmente horrível”, disse um membro da família que participou da celebração e pediu para não ser identificado. “Ninguém poderia imaginar que o vírus atacaria com tanta força devastadora.”

Após o almoço, vários convidados passaram a tarde no “país” – provocando especulações de que haviam causado seu aglomerado de coronavírus – algo negado com veemência por um amigo da antiga monarquia brasileira. “Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, insistiram. “Ninguém sabe o que aconteceu – quem trouxe o vírus e quem não o fez. Eles ficaram surpresos com isso.

Seja qual for a verdade, dois dias depois, em 9 de março, o coronavírus continuou a contaminar a associação ilustre do clube. Em uma assembléia lotada – supostamente convocada para discutir uma disputa entre sua velha guarda e uma nova geração de associados que carecem dos sobrenomes tradicionais dos membros anteriores, mas não de seus bolsos profundos -, cruzam palavras e trocam beijos e abraços.

“Muitas pessoas perderam suas fortunas na crise financeira – pessoas que fedia muito e acabaram sem nada – então tiveram que vender seus membros”, disse uma importante socialite do Rio sobre o cabo de guerra geracional no clube em que os membros são escolhidos por votação secreta e custa em torno de £ 70.000 para participar.

A audiência de 270 pessoas também incluiu pessoas que estavam na comemoração da família imperial – alimentando ainda mais as suspeitas de que eles eram culpados pelo surto.

“Foi uma reunião tensa, grandes nomes dos negócios estavam lá”, disse a fonte da alta sociedade. “Várias pessoas deixaram a reunião infectadas.”

O country club não é o único oásis de prosperidade e influência brasileira tocado pelo coronavírus. Uma estrela pop, uma atriz e a filha de um alto funcionário do governo foram infectadas durante um casamento de celebridade em um resort de praia que se orgulha de ser “concebido com a filosofia da exclusividade”. Alguns hóspedes abastados teriam vindo de férias na Europa e Aspen, Colorado.

O palácio presidencial do Brasil também foi atingido, com mais de 20 membros de uma delegação que voaram para encontrar Donald Trump em seu teste de propriedade Mar-a-Lago positivo para Covid-19. O presidente, Jair Bolsonaro, afirma ter tido um resultado negativo, mas se recusou a divulgar esses resultados.

A conexão entre a disseminação do coronavírus e os super-ricos do Brasil provocou discussões sobre seu papel na introdução da doença no Brasil – e o abismo entre ricos e pobres em uma das sociedades mais desiguais do mundo.

Muitos temem que, enquanto a primeira onda de coronavírus tenha caído sobre a elite política e econômica branca do Brasil, são as massas pobres e principalmente as negras que mais sofrerão – sem o luxo de poder se isolar em casa ou recorrer a recursos caros. hospitais particulares.

Uma das primeiras mortes registradas no Brasil foi a de Cleonice Gonçalves, uma empregada doméstica de 63 anos que teria sido infectada por seu rico empregador quando voltou de férias na Itália. “É desnecessário dizer que as mais vulneráveis ​​sempre serão as mais afetadas, independentemente de haver uma pandemia ou não”, escreveu recentemente a intelectual feminista negra Djamila Ribeiro no jornal Folha de São Paulo. “Essas são questões estruturais.”

Outros, incluindo alguns membros de clubes de campo, se perguntam se alguns dos pacientes com coronavírus com dinheiro do Brasil exporam outros à doença por não se isolarem ou colocarem em quarentena adequadamente – talvez acreditando que seu status econômico significasse estar acima de tais medidas mundanas.

Um magnata brasileiro está sendo investigado pela polícia por supostamente ter voado seu jato particular para a praia no mês passado, apesar de ter sido positivo para o Covid-19. O homem – um banqueiro de investimentos que nega as acusações – é acusado de infectar pelo menos dois moradores de Trancoso, uma cidade litorânea fascinante do estado da Bahia.

O Rio de Janeiro – que até agora sofreu 1074 casos de coronavírus e 47 mortes – está em confinamento desde o final de março, forçando uma sucessão de saraus da alta sociedade a serem descartados.

Metade dos casos de coronavírus do Uruguai foi atribuída a um único convidado em uma festa da sociedade

Entre os eventos abortados, houve uma festa para 1.000 pessoas no hotel Copacabana Palace, em frente à praia, para comemorar o casamento de Alexandre Birman, um designer de calçados milionário que faz sapatos de crocodilo e pele de cobra para as estrelas de Hollywood.

Policiais patrulham a praia de Ipanema, em meio ao bloqueio por coronavírus. Foto: Lucas Landau / Reuters

Um confidente da família Orléans e Bragança disse ter preocupações mais urgentes com dois parentes ainda em terapia intensiva. “Eles se sentem tristes, apreensivos e preocupados … Eles estão assustados com toda essa repercussão”, disseram eles.

Alguns apontaram um dedo acusador para as elites brasileiras de importarem a doença após aventuras no exterior caríssimas, com um site de esquerda anunciando na semana passada: “Os ricos e famosos espalharam o coronavírus pelo Brasil”.

Outro blog declarou: “Os ricos contaminaram o Brasil”.

Mas um convidado do fatídico almoço da família real disse que era errado bode expiatório dos ricos por uma doença desinteressada na classe social. “Tanto os pobres quanto os ricos estão morrendo em todo o mundo”, disseram eles. “As pessoas que viajam mais podem ter pego primeiro, mas o vírus não escolhe suas vítimas. Pode atacar qualquer um.

A concentração da riqueza e a iminência da convulsão social

Blog do Mesquita PLFB - Economia - USA Crise financeira Tio Patinhas NaniEstudos da ONG britânica Oxfam apontavam que, há cinco anos, a riqueza de 388 pessoas era equiparada com a quantidade de capital que a metade mais pobre da população mundial possuía.

Hoje, este número caiu para 62 pessoas.

Neste grupo de 62 pessoas que possuem riqueza equivalente ao que possui a metade mais pobre da população mundial, estão dois brasileiros.

Todos os dois ganharam dinheiro nesses últimos cinco anos especulando no mercado financeiro. Um deles tinha uma casa de câmbio medíocre em Santos.

O outro quebrou duas vezes entre os anos 70 e 80, e se recuperou ganhando dinheiro no mercado financeiro.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O que significa que esses dois não ganharam dinheiro dando emprego ao povo, e sim sangrando o povo.

Somente 62 pessoas que possuem riqueza equivalente ao que possui a metade mais pobre da população mundial.

Dos outros 60 que têm riqueza que se equipara ao que possui a metade da população mais pobre do mundo, a grande maioria também deve ter ganhado dinheiro no mercado financeiro, que é o mundo sem trabalho, onde os ricos faturam explorando o valor do dinheiro, o que significa sacrificando o povo.

Com este cenário, não há dúvida de que as previsões mais lógicas são as seguintes: ou o mundo financeiro quebra nos próximos anos, podendo dar sinais já no segundo semestre deste ano, ou a invasão que a Europa vem sofrendo dos desempregados miseráveis, basicamente do Oriente, vai proporcionar claramente uma guerra, um confronto mundial.

Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos a mesma coisa que acontece num país de 200 milhões de habitantes onde os ricos ganharam dinheiro corrompendo ou no mercado financeiro.

O que se percebe é que a crise social neste país está chegando.

Basta ver a pérola que o FMI, com seus doutos sociólogos e financistas, diz: o mundo tem três grandes problemas, o não crescimento da China, a crise social dos países do Oriente e o Brasil.

Imaginem os senhores, o Brasil passou a ser ofensor do mundo.
Com dados do JB