Revista feminina mais lida do Chile proíbe Photoshop; editora explica por quê

Para anunciar sua nova política, a revista Ya publicou um ensaio de capa com fotos sem retoques digitais.

Ensaio da revista Ya (Ulises Nilo)
Paula Escobar Chavarría¹/BBC
Em janeiro deste ano, a revista Ya, do jornal El Mercurio, a publicação feminina mais lida do Chile, resolveu parar de retocar as fotos de modelos com a ajuda do programa Photoshop.
A editora de revistas do jornal, Paula Escobar, explica as razões da mudança e as reações provocadas por ela:

Uma contradição passou a rondar as reuniões de pauta da revista Ya.

Por um lado, queríamos falar de temas relevantes sobre a mulher moderna e com pés no século 21, como prova nossa cobertura de assuntos da atualidade, de questões sociais e de entrevistas com mulheres influentes, como a empresária e ativista Sheryl Sandberg, a presidente Michelle Bachelet, várias ministras e reitoras de universidades, economistas e empreendedoras.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mas as páginas de moda e beleza – as seções mais tradicionais de uma revista feminina – iam contra esse princípio: com frequência, exibiam modelos muito jovens e magras que eram assim de verdade ou, pior, que eram rejuvenescidas ou “perdiam peso” com as técnicas do Photoshop que alguns de nossos fotógrafos externos usavam, apesar de pedirmos para não fazerem isso.

Começamos a persuadir estes fotógrafos e as agências a nos enviar modelos mais velhas e com corpos mais saudáveis e que suas fotos não fossem alteradas digitalmente.

Mesmo assim, não funcionou completamente, porque muito têm uma visão de estilo e beleza que está ligada aos corpos mais jovens e andróginos.

Sua ideia de beleza, por assim dizer, é sem curvas, sem rugas, sem carne ou sem marcas do tempo. Sem humanidade.

Que liberdade é essa?

Ao mesmo tempo, tanto no Chile como em outras partes do mundo, duas epidemias avançam: os problemas alimentares e a cirurgia plástica, ambos consequências desta cultura que impõe um ideal de beleza tão inalcançável quanto irreal e muitas vezes perigoso para a saúde.

Se não se pode nem comer ou envelhecer, qual é a liberdade que estamos propondo para essas mulheres?

É paradoxal que o século 21, quando as mulheres têm mais direitos do que nunca, seja o século onde prevaleça a ideia de que, para ser bela, deve-se ter um determinado tipo de corpo que não o seu próprio e, além disso, um tipo que requer privação de alimentos.

Por esse motivo, os corpos anoréxicos dizem muito sobre nossa sociedade, que diz que mulheres têm uma liberdade sem limites, e ao mesmo tempo impõe essa rejeição de seu próprio corpo.

Exemplos internacionais

Depois de muito buscar, nos inspiramos em várias iniciativas internacionais.

Primeiro, estudamos o projeto de 2008 da deputada francesa Valerie Boyer, que, mesmo não tendo sido promulgado, deu início ao debate. Roselyne Bachelot, então ministra da Saúde da França, assinou a “Carta de Compromisso voluntário sobre a imagem corporal e contra a anorexia”.

Alguns anos antes, o governo havia começado um movimento parecido na Itália para regular a idade e o peso da participação de modelos nos eventos em Milão, a capital da moda italiana, e recomendar que não fossem contratadas jovens com um índice de massa corporal (IMC) inferior a 18,5 – determinado por uma proporção entre o peso e a altura – ou menores de 16 anos.

Também foi muito útil a recente lei aprovada em Nova York que estende a modelos menores de 18 anos os benefícios de qualquer outra criança que trabalha no mundo dos espetáculos.

Essa lei impõe limites rígidos de tempo e horário de trabalho e cria um processo burocrático que busca desestimular o uso de meninas como modelos.

Mudança cultural

Tendo em vista estes exemplos e nosso compromisso com nossas milhares de leitoras, criamos a Campanha de Boas Práticas.

Numa iniciativa de autorregulação inédita no Chile, nos comprometemos em nossas páginas editoriais a contratar modelos maiores de 18 anos e com um índice de massa corporal acima de 18,5, que é o estabelecido internacionalmente como um peso normal, certificado por um médico; a não usar o Photoshop para alterar a imagem real de uma pessoa; e a promover a reflexão sobre a imagem da mulher nos meios de comunicação, por meio de um seminário anual e fóruns com mulheres líderes nos meios de comunicação de nosso país.

Foi a nossa maneira de resolver essas contradições entre o discurso a favor da mulher e certas práticas da fotografia de moda e beleza.

Tem sido um caminho complexo, com vários obstáculos, mas também com aliados.

A principal dificuldade é cultural: é preciso pensar as reportagens por outra lógica e especialmente romper com a ideia de que o corpo mais bonito é magro e jovem.

Desconstruir de certa forma a própria ideia do que é belo e dar a ela um novo significado, de acordo com a realidade chilena. E também evitar o tom de regra aos conselhos de beleza: fugir da armadilha de dizer que as mulheres “devem” consumir certas coisas para “serem” aceitas.

Nas revistas de estilo masculinas, o tom é mais lúdico e divertido. Estão orientadas ao prazer, não ao “dever ser”. Aí está outra inspiração.

Mesmo que alguns fotógrafos tenham me considerado exagerada ou dogmática, muitos se uniram com gosto à nossa campanha, porque estavam fartos do excesso de retoques digitais, que, ao serem mal usados, fazem com que a fotografia verdadeira seja criada no computador e não na realidade.

Por fim, várias agências de modelos quiseram participar e enviar suas modelos a uma consulta médica para obterem o certificado de idade e peso normal.

Muitas mulheres influentes e formadoras de opinião também apoiaram nossa campanha.

Agora, estamos próximos de realizar nosso primeiro seminário sobre o tema.

Convidaremos a uma reflexão sobre as mulheres e sua representação nos meios de comunicação, não só nos jornais e nas revistas, mas também na televisão, no cinema e outros.

Sabemos que é só o começo, mas isso nos enche de esperança de que seja possível ajudar para que nossas filhas deixem de sonhar em ser bonecas quando crescerem e aceitem-se como são.

¹A jornalista Paula Escobar Chavarría é editora de revistas do El Mercurio e autora de três livros. Em 2006, foi eleita uma das 100 mulheres líderes do Chile e nomeada Jovem Líder Global pelo Fórum Econômico Mundial

Imprensa e a cobertura dos malfeitos

Mídia Manipulação Pinochio Blog do MesquitaUm suposto eventual escândalo

Um exercício interessante na observação da imprensa é vasculhar velhos arquivos, com palavras-chave tiradas do noticiário atual. Esse exercício permite constatar, por exemplo, as diferenças de pesos e medidas aplicadas a notícias sobre temas assemelhados, que podem mudar conforme os protagonistas e segundo os interesses de cada veículo no período.

O caso mais evidente é a maneira cautelosa como a maioria dos jornais e algumas revistas tratam, as investigações sobre o histórico de fraudes que atrasam e encarecem as obras do transporte sobre trilhos em São Paulo, e o tsunami de condenações a priori feitas desde 2005 aos réus do caso conhecido como “mensalão”.

Nos jornais dos últimos dias, pode-se identificar uma profusão de expressões do tipo “suposto cartel”, ou “suposto pagamento de propina”, num caso em que denúncias documentadas evidenciam a ocorrência de corrupção sistemática e continuada que remete a financiamento partidário, pelo desvio de verbas que deveriam ser destinadas a melhorar a mobilidade urbana em São Paulo.

O discurso é completamente diferente daquele que acompanhou o chamado “mensalão”: de junho de 2005, quando surgiu a primeira denúncia de pagamentos irregulares a parlamentares da base aliada, até agosto de 2007, quando começou efetivamente o julgamento no Supremo Tribunal Federal, a imprensa nunca usou uma condicionante ao veicular todo tipo de acusação.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Já na primeira semana em que o assunto apareceu nos jornais, a Folha de S. Paulo adotou a expressão usada pelo então deputado Roberto Jefferson, do PTB, dando como verdadeiro tudo que dizia o acusador. A partir daí, todas as dúvidas foram eliminadas e as redações passaram a aceitar como fundamentada qualquer declaração contrária aos acusados.

Embora Jefferson nunca tenha envolvido diretamente o então presidente Lula da Silva nas denúncias, jornais e revistas passaram quase todo o primeiro semestre de 2006, ano de eleições presidenciais, tentando envolvê-lo no escândalo. Embora já se soubesse, na ocasião, que o mesmo esquema havia sido utilizado pelo PSDB em Minas Gerais, a imprensa procurou concentrar as denúncias no caso que incriminava políticos do PT.

Um estilo muito diferente pode ser apreciado no caso que envolve políticos do PSDB em São Paulo, e que não tem origem em declarações, mas em documentos oficiais de variadas fontes.

Se a imprensa tivesse interesse real em revelar as causas profundas da corrupção no Brasil, investiria nas conexões entre os variados escândalos, dispensando a todos eles o rigor acusatório que aplicou no chamado “mensalão”.

Tirando da cena

Tudo que foi dito até aqui é de amplo conhecimento, porque a imprensa nunca tratou de dissimular suas preferências. No entanto, não é tão fácil entender certas variações no ânimo dos jornais e revistas para desvendar os enredos da corrupção.

Em novembro de 2000, cinco anos antes de eclodir o chamado “mensalão”, por exemplo, a Folha de S. Paulo (ver aqui) denunciava um “poderoso esquema de arrecadação de fundos” na campanha para a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso, ocorrida em 1998. O chamado “caixa dois”, admitido pelo então coordenador de campanha, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, tinha como principal operador, segundo o jornal, o ministro da Secretaria da Comunicação de Fernando Henrique, Andrea Matarazzo.

Dias depois de publicada essa denúncia, a revista Veja retomou o assunto (ver aqui), afirmando que “a Folha de S. Paulo atirou num ninho de cobras e acertou uma manada de elefantes”. No texto, como se pode observar, Veja comenta que a denúncia foi esvaziada pela ação de representantes do PSDB, alegando que a prática do “caixa dois” era uma rotina generalizada em todos os partidos e todas as campanhas eleitorais.

Na impossibilidade e na falta de interesse em investigar o assunto, aquilo que havia sido demonstrado em planilhas pela Folha acabou desaparecendo do noticiário.

Na quinta-feira (15/8), o Estado de S. Paulo traz reportagem sobre o escândalo que envolve o governo paulista, citando uma conta bancária mantida no exterior para o pagamento de propinas, que já havia aparecido em investigações da Procuradoria da República em 2004, acerca de remessas de divisas para um ex-diretor do Banco do Brasil no governo de Fernando Henrique Cardoso.

O Estado lembra que o ex-ministro de Fernando Henrique, Andrea Matarazzo, foi indiciado na ocasião, o que abre a possibilidade de uma conexão entre o “caixa dois” de 1998 e a relação suspeita entre sucessivos governantes de São Paulo e empresas que atuaram em obras do metrô.

Mas não há sinais de que essa pista venha a ser explorada pela imprensa. Já se pode detectar um movimento diversionista semelhante ao que ocorreu há treze anos, após a revelação do caso do “caixa dois”.

Na quinta-feira (15), o Globo volta a desviar o noticiário sobre o “suposto pagamento de propinas” para a possibilidade de as mesmas empresas envolvidas no cartel em São Paulo terem participado de licitações fraudulentas em outros Estados.

Faz sentido ampliar o alcance das reportagens, se há suspeitas de que o cartel funcionou em todo lugar onde há obras de transporte sobre trilhos, mas o histórico da imprensa levanta suspeitas de que o que se pretende é criar um desvio do escândalo principal.

Só no âmbito do Ministério Público de São Paulo foram abertos 51 inquéritos para apurar a vinculação entre o cartel confessado pela empresa Siemens e o pagamento de propinas a autoridades paulistas.

No fim desse trilho já se pode vislumbrar o seguinte contexto: o noticiário se dilui em dezenas de casos e personagens, e o núcleo original das denúncias é retirado da cena principal.
Por Luciano Martins Costa/Observatório da Imprensa

Demissão de Danuza Leão e Nelson Mota é emblema da crise estrutural da mídia

Demissão da colunista de elite da Folha de S. Paulo vem acompanhada de dezenas de cortes no jornal da Barão de Limeira; Editora Abril pronta para iniciar processo de enxugamento de até 10% de seu pessoal; Estadão, onde o também demitido Nelson Motta acusou internautas de “relincharem”, definha em praça pública; Valor, joint venture Folha-Globo, diminui redação; com monopólio no Rio, família Marinho preserva as Organizações Globo, mas não se sabe até quando.

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As torres de papel da mídia tradicional estão caindo. Uma a uma. A informação livre em circulação pela internet, mídia que todos os números e pesquisas apontam como a de maior e mais rápida ascensão entre o público brasileiro, fustiga os alicerces nada sólidos daquela que já foi chamada “grande imprensa”.

Os custos de operação, as dificuldades logísticas e a falta de visão de presente e futuro dos líderes de negócios dos jornais e revistas – obnubilada na fixação pelo passado — formam o conjunto responsável pela debacle.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Um processo acelerado pela miopia ideológica da famílias detentoras aplicada às linhas editoriais de cada veículo, todas elas convergentes a um conservadorismo pulverizado em praticamente todas as seções jornalísticas – Política, Economia, Cidades, Esportes etc. Um atraso que quebra a sincronia das rotativas com a visão de mundo mais ampla e plural do leitor atual. Um fracasso contratado.

A demissão da colunista de elite Danuza Leão, da Folha, revelada nesta quinta-feira 6, é emblemática da situação de crise estrutural da mídia de papel. Em seus livros, Danuza sempre se apresentou como uma socialite cheia de bons conselhos a dar, mas, pouco a pouco, em seu espaço no diário da família Frias, foi empunhando a pá ideológica que cavuca o fosso sempre profundo que separa ricos de pobres, emergentes de quatrocentões.

Foi perdendo, a cada golpe, atratividade de leitura, acumulando adversários entre os leitores, diminuindo, assim, pelas opiniões isoladas do resto do mundo, sua razão de estar ali, tratada a pão-de-ló por 12 anos. Não precisava, neste sentido, a colunista ter troçado dos leitores, reclamando da democratização das viagens pelo exterior, de modo a lamentavelmente ser possível encontrar o porteiro de seu próprio prédio em lazer em Paris (aqui)!

DESCOLAMENTO DO PÚBLICO

Danuza, no entanto, não é a única a padecer neste momento. Entre jornalistas, comenta-se que ela apenas entrou no corte de cerca de 40 profissionais promovido pela Folha ao longo desta semana. Um “passaralho”, como se diz na categoria profissional, que vai sendo baixando aos poucos, já há alguns meses, na redação do concorrente Estadão. Ali, um famoso colunista que rodou foi o crítico musical Nelson Motta. O mesmo fenômeno de descolamento em relação ao público ocorreu com ele.

Ao longo de sua história de quase 50 anos em torno da música e do entretenimento, Nelsinho, como é chamado, construiu uma imagem de simpatia. Bastou, porém, ter seu próprio espaço emoldurado num jornal conservador, para se deixar contaminar pelo entorno. Ao comentar os posts de leitores de 247, onde a expressão é livre e aberta, de modo a que cada posição seja conhecida e, nessa medida, respeitada e discutida, Nelsinho registrou que só ouvia “relinchos”. Foi escorraçado nas mídias sociais (aqui). Sem escalas, trocou uma posição de queridinho por tantos para a de ridicularizado por muitos mais. Dançou.

HORA DA ABRIL

Na maior editora de revistas da América Latina, a situação promete ser ainda mais dramática. Reconhecia-se entre a diretoria, meses antes da morte do presidente Roberto Civita, a necessidade de promover mudanças internas que produzissem uma economia de até R$ 100 milhões anuais em custos. Civita, ciente da imagem de superioridade que a Abril sempre prezou, barrou até o final as propostas de profundos cortes de pessoal que pousaram em sua mesa. Agora, porém, sob a direção de seu filho Giancarlo, o prognóstico entre os profissionais da empresa é que se inicie uma verdadeira Noite de São Bartolomeu, na qual até 10% dos mais de nove mil funcionários da organização poderão ser degolados. Com 52 revistas em seu portfolio atual, habitando um prédio com mordomias como piscina que lhe custa estimados US$ 1 milhão mês, a Abril só encontra lucro em uma ou outra operação, jamais em todas. É provável, assim, que títulos desapareçam. No carro-chefe Veja, cuja redação quintuplicou de tamanho nos últimos quinze anos, sem que o mesmo acréscimo tivesse se dado em seu conteúdo jornalístico, ao contrário — há cada vez menos notícia, cada vez mais editorialização –, as aparências devem ser mantidas. Isso, entretanto, ainda é incerto.

Na mídia especializada, como o jornal Valor Econômico, a crise estrutural também já se achega. Produzir a partir do zero, todos os dias, redigir, editar, diagramar, imprimir e distribuir um jornal custa muito caro, até mesmo para um veículo que, na prática, detém o monopólio da publicidade legal no País. Quando a coluna do lucro começa a ter números encolhidos, a alternativa empresarial é, salvo raríssimas exceções, enxugar a folha de pagamentos. É o que está acontecendo lá, onde vagas estão sendo congeladas e vínculos empregatícios formais vão sendo substituídos por mão de obra sazonal.

Barbeiragens empresariais se somam ao grave momento da mídia tradicional. Na Record que tirava quadros da Globo a preço de ouro e bateu a emissora dos Marinho na cara disputa pelas Olimpíadas de Londres, a conta chegou na forma de 400 demissões apenas esta semana.

INTERNET QUEBRA RECORDES

Enquanto isso, a audiência na internet quebra recordes dia a dia, provocando uma saudável disseminação de informações por meio de jornais, revistas, tevês e blogs especialmente criados para este veículo de alta velocidade, farta concorrência e vasto acesso. Cria-se aqui um ambiente de briga de mãos limpas, honesta, onde os “sem rotativa” e os “sem antena” passam a ter iguais condições de disputar o interesse do leitor, a atenção das fontes, o respeito do mercado publicitário e, sobretudo, adquirem influência no circuito que nasce com bases populares e alcança os formadores de opinião.

Os tempos estão mudando. A mídia tradicional descobriu, na última hora, que o passado não mais é capaz de corrigir seus excessos corporativos, erros gerenciais e choques com uma nova e numerosa classe de leitores. Pagam pelo desastre comercial provocado pela soberba os profissionais que ajudaram a construir cada uma dessas máquinas. É o capitalismo em estado bruto mostrando sua velha e vincada face assustadora.
Brasil 247

Internet ‘engole’ a mídia tradicional

Pinóquio Blog do MesquitaLeio que o Jornal o Estado de São Paulo demitiu 20% dos profissionais da redação.

A mídia tradicional agoniza, em parte por inépcia ante a Internet, e em parte por questões ideológicas ditando as linhas editoriais.

Acontece que a mídia tradicional não acordou a tempo para a internet. Nos anos 90, a pedido, preparei um projeto de um portal para um jornal local, que não só não foi implantado – não significa que fosse perfeito e eu um gênio, mas era uma tentativa oriunda de alguns jornalistas visionários – que foi barrada pela direção do jornal, como se quer tiveram a gentileza de darem retorno. O portal, não o do meu projeto, foi implantado de forma capenga, e alguns anos depois.

Some-se agora, o fato da mídia, por ser parcial – o que é um direito de cada qual. Só observo o fato, não condeno a opção – continua perdendo leitores que não estejam na vertente ideológica do veículo de comunicação. Assim, por exemplo, quase que por unanimidade, a Veja atrai leitores que são anti-PT, e a Carta Capital somente é lida por quem tem simpatia pelo PT.
Ambas perdem o leitor que busca a informação despida de parcialidade.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Somos diariamente bombardeados por notícias mentirosas, e/ou informações claramente dirigidas para que o leitor seja induzido a acreditar serem essas versões as únicas verdadeiras. É claro nas linhas editorias, com qualquer que seja o viés ideológico, a intenção de deturpar a realidade visível.

Por isso a audiência, e a credibilidade vão diminuindo de forma exponencial, a ponto da mais celebrada revista semanal oferecer, na ‘bacia das almas’, via ‘spams’, inúmeros e diários, renovação de assinaturas com descontos de 50%.

Fica tecnicamente impossível, e também por questões de estrutura, competir com redes sociais e blogs. Hoje todo portador de um celular é um repórter.

Por último, mas não por fim, convém repetir Joseph Pulitzer, que no final do Sec.XIX alertou:
“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”

Ps. Quem quiser entender melhor o que é manipulação, existem dois filmes, já em DVD, interessantes:
“O Quarto Poder” e “Mera Coincidência”, ambos com Dustin Hoffman.

Newsweek se despede das bancas com referência ao Twitter

Após 80 anos, a revista americana Newsweek divulgou a capa de sua última edição impressa.
A partir de 2013, a tradicional publicação passa a ser veiculada somente na internet.

 Capa da Newsweek (Foto Divulgação)
Última capa impressa da Newsweek

A capa exibe uma foto em preto e branco da sede do grupo, em Manhattan, e uma manchete que faz referência aos marcadores que permitem a classificação de assuntos na rede de microblogs Twitter: #lastprintissue (#ultimaedicaoimpressa, em português).

Ao longo das últimas oito décadas, a Newsweek tornou-se a segunda maior revista de notícias dos Estados Unidos, ficando atrás apenas da Time.

Ela deixará de circular em papel a partir de 2013 – tornando-se uma publicação digital – por causa de uma queda no número de leitores e da receita com publicidade, que a levaram a registrar persistentes perdas financeiras.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Segundo a editora-chefe da revista, Tina Brown, a mudança marca “um novo capítulo” na história da publicação. Em um editorial desafiador, ela defendeu que a Newsweek não é “convencional”, nem “inflexível”.

“É nesse espírito que estamos fazendo nossa mais recente mudança, abraçando um meio digital que todos os nossos concorrentes um dia precisarão abraçar com o mesmo fervor. Estamos à frente da curva”, argumentou Brown.

História

Newsweek foi criada em 1933, e ganhou destaque na década de 1960 por sua cobertura dos movimentos de defesa dos direitos civis nos EUA.

Em seu auge, a revista chegou a ter uma tiragem de 3 milhões, mas nos últimos anos, com o número de leitores e de anúncios publicitários em declínio, começou a ter prejuízo.

Em 2010, a Newsweek foi vendida por US$ 1 pela Washington Post Company para o empresário e editor Sidney Harman.

Três meses depois a revista foi integrada ao site de notícias The Daily Beast.

Brown tornou-se editora da Newsweek depois dessa fusão. Em 2008, ela ajudou a fundar o Daily Beast e, antes disso, trabalhou como editora das revistas Vanity Fair e New Yorker.

No Twitter, Brown comentou a divulgação da última capa da revista da seguinte maneira: “Agridoce. Desejem-nos sorte.”

Um leitor opinou que, com a referência ao Twitter na manchete, a revista estava “usando seu último suspiro para identificar seu assassino”.

Tornando-se uma publicação digital, a Newsweek poderá cortar custos de impressão e distribuição. Mas ela perderá os recursos provenientes dos anúncios impressos – em geral mais bem pagos que os anúncios na internet.

Logo que a edição final da revista começou a ser impressa, o Daily Beastconfirmou que haverá demissões em sua equipe.
BBC 

Revista Veja presta desserviço aos dependentes de álcool

15 de Dezembro de 2009

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A carta abaixo foi escrita por um membro de AA e enviada à “Veja” em resposta a absurda reportagem sobre os Alcoólicos Anônimos publicada nesta semana:

“Pasmados! Sim, pasmados com a publicação da matéria com o título “É Preciso Dar Mais Do Que Doze Passos”!

Primeiramente, a chamada de página “VÍCIO” está errada, porque o alcoolismo – segundo também a Organização Mundial de Saúde (OMS) – é uma doença física e não simplesmente um vício.

Surpresos, também, pela Irmandade de Alcoólicos Anônimos (AA) não ser ouvida e fazer parte da reportagem, como manda a ética jornalística de se ouvir as partes envolvidas.

O que se constata é uma crítica infundada a AA, totalmente desprovida de bom senso. Os 257 dependentes de álcool enviados ao AA, evidente que poucos resultados apresentariam, comparecendo ao menos uma vez ao mês.

Primeiro motivo: AA tem como uma das suas principais máximas o “EVITE O PRIMEIRO GOLE”, enquanto o PROAD mantém como linha de tratamento a “CONTENÇÃO DE DANOS”, ou seja, o indivíduo pode beber ou usar drogas, mas com o comprometimento de ir diminuindo com o passar do tempo.

[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]Ora, se bebendo ou usando drogas a pessoa perde sua autocensura e suas barreiras morais – como comprovado -, jamais desejará parar de usar álcool ou as drogas; ainda mais apoiado por um órgão “específico”. Lembrem-se que os indivíduos, antes de irem a AA, já faziam parte do Proad.

Em segundo lugar: Nenhum dependente – doente alcoólico, adicto ou cruzado – fará um tratamento sério, como em AA, se tem a permissividade estabelecida por um profissional de saúde.

AA nunca foi contra nenhum tipo de tratamento psiquiátrico, desde que seja necessário e que quem o atenda seja um profissional com profundos conhecimentos do alcoolismo e drogas – raríssimos -, pois a maioria visa somente lucros e nunca deixou o consultório, emaranhando-se em pretensas pesquisas para justificar as grandes verbas de incentivo dos órgãos governamentais.

Sou coordenador-geral do Grupo Girassol de Alcoólicos Anônimos e, com 29 anos de AA, só comprovei o contrário do que as pesquisas da Proad-Unifesp apontaram. Vi e comprovo, sim, que muitas e muitas vidas foram salvas por AA. Vi, também, verdadeiros “milagres” acontecerem.

E não foram só os 9% citados. Muitos membros, antes de frequentarem AA, já haviam frequentado consultórios psiquiátricos, de psicólogos, religiões as mais variadas e nada adiantava; depois de ingressarem em AA, conseguiram deter a doença e, hoje, levam uma vida de construtiva sobriedade e serenidade cotidianas.

Retomaram suas vidas, deixaram de fazer sofrer seus familiares e amigos, voltaram a ser produtivos; muitos retomaram os estudos, formaram-se e alguns tornaram-se psicólogos e psiquiatras

também.

AA FUNCIONA SOZINHO, sem nenhum auxílio de psiquiatras.

Alcoólicos Anônimos não trata de religião – cada qual tem a sua ou não a tem -, denomina como Poder Superior um deus do entendimento de cada membro, que tanto pode ser religioso ou qualquer outra coisa.

Muitos chamam de Poder Superior o próprio Grupo de AA, porém a recuperação não depende da credulidade em um Poder Superior!

AA NÃO COBRA ABSOLUTAMENTE NADA! Ao contrário do que foi dito na matéria, a maioria dos frequentadores de AA não é de classes menos favorecidas – enquanto os programas apresentados na matéria de Veja (também a maioria), são procurados por pessoas de classes muito menos favorecidas.

Deixa-se claro que, em AA não se discrimina ninguém, não há preconceito de nenhuma espécie.

Os Doze Passos de AA representam uma “ferramenta” para os membros lidarem com seus problemas do dia-a-dia. O Primeiro Passo citado é primordial para que o alcoólico se disponha a tratar-se em AA.

Nas reuniões de AA, os membros compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolvermos nosso problema em comum e ajudarmos outras pessoas a se reabilitarem da doença do alcoolismo.

As ditas “reuniões pesadas”, depende de como as pessoas as encaram, mas a grande maioria das reuniões transcorre em clima alegre e descontraído.

Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos”.

Publicidade. Internet vai ‘bater’ revistas

O investimento publicitário em internet é bem maior que o divulgado e não inclui orçamentos para conteúdo e links patrocinados. E está bem perto de superar as verbas destinadas às revistas.

Apenas entre amigos, para não arrumar mais confusão do que o costume, dizia que o investimento em internet iria passar revista este ano, mas que esta passagem não seria anunciada pelo mercado.

Há mais de dois anos eu venho defendendo que o investimento em internet é bem maior do que o divulgado.

Os tais 4% da internet brazuca só levam em conta alguns veículos. Poucos eu diria, pois a fragmentação hoje já é bem grande. Também ignora investimento em conteúdo, em palavras chave e até a venda casada/conjunta com meios tradicionais. Aqueles pacotes que levam TV ou revista + site, que são sempre contabilizados na conta do meio tradicional.

Lá fora, esta migração não contabilizada também já foi prevista. Ano passado, a empresa de pesquisa Outsell Inc. disse que 62% do investimento digital americano era feito em projetos próprios.

Mês passado, a pesquisa da agência iThink disse que o investimento online atinge 7%, se levarmos em contas links patrocinados, construção de sites, etc.

Também bate com a argumentação do Sant’lago, da MídiaClick, que mostrou que o faturamento do Google Brasil sozinho poderia dobrar o tamanho do mercado.

Como sempre, tem estimativas e tem margem de erro, mas são indícios fortes para comprovar o que venho falando por aqui desde 2007.

Além disso, talvez agora já possa dizer, de forma menos polêmica, o que antes eu só falava para os amigos mais próximos. Internet bate revista este ano no Brasil e, em poucos anos, passará também o jornal.

Ricardo Cavallini/Web Insider

Supremo mantém monopólio postal dos Correios

Exclusividade é para entrega de cartas, cartões postais e malotes.
Segundo ministros, monopólio não é válido para impressos e encomendas.

O Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quarta-feira (5) manter o monopólio postal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Em plenário, por maioria, os ministros negaram a ação protocolada pela Associação Brasileira de Empresas de Distribuição (Abraed), que pretendia restringir o monopólio postal dos Correios à entrega de cartas.

Por 9 votos a 1, os ministros se manifestaram favoráveis à exclusividade dos Correios sobre a entrega de cartas sociais. Já no que diz respeito ao monopólio sobre serviços como a entrega de boleto de cartão de crédito e malas direta, por 6 votos a 4 foi confirmada a exclusividade dos Correios.

A Abraed questionava a constitucionalidade da Lei .6.538/78, que regulamenta os serviços postais no país. A associação pedia a limitação do conceito monopólio à postagem de cartas com papel escrito, envelopado, selado e enviado a uma parte com informações de cunho pessoal, “produzido por meio intelectual, e não mecânico”. A associação alegou ainda que a Constituição prevê apenas que cabe ao estado manter o serviço postal do país, sem fazer referência a palavra monopólio.

No entanto, a maior parte dos ministros entendeu que a lei é sim constitucional. Segundo o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, “já não integra um monopólio a entrega de jornais, revistas e periódicos”. Ele lembrou que atualmente “os Correios não são exclusivos nesse serviço”.

Pela decisão, segundo o presidente do STF, Gilmar Mendes, todas as cartas, cartões postais e correspondências agrupadas (malotes) são exclusividade dos Correios. O conceito de carta engloba, além das correspondências pessoais, boletos de cartão de crédito, contas de água, luz e telefone, além de qualquer outro documento que seja de interesse pessoal do destinatário.

Durante entrevista coletiva após o término do julgamento, Mendes explicou que, conforme a interpretação da lei, só estará sujeita a punição criminal a empresa privada que realizar serviço de transporte e entrega de carta, cartão-postal e correspondência agrupada, além da fabricação e emissão de selos. Todas essas práticas constam no artigo 9º da legislação em vigor.

O advogado Dauro Dórea, autor da ação da Abraed, comemorou a decisão, apesar da derrota. “Ela [a decisão] tem cara de derrota, mas, na realidade, foi uma grande vitória, porque se definiu que as empresas de distribuição estão praticando uma atividade totalmente lícita, que é a entrega de encomendas e impressos. Foi um divisor águas”, disse ao G1.

Segundo a interpretação do advogado, qualquer encomenda poderá ser entregue pelas empresas distribuidoras, desde que não contenha correspondências pessoais. Ele citou como exemplo a possibilidade de entrega de um calendário de fim de ano ou de um produto comprado pela internet.
Plenário

No julgamento iniciado em 2005, os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello defenderam a manutenção dos serviços básicos sob exclusividade estatal, mas foram favoráveis a privatização de outros, como a entrega de boleto de cartão de crédito, material publicitário e malas diretas. Marco Aurélio Mello foi além, ao sugerir até o fim do monopólio dos Correios sobre as cartas sociais.

Na segunda-feira (3), quando o julgamento foi retomado, Carlos Ayres Britto havia acompanhado o voto dos colegas acima citados, mas, nesta tarde, após a análise ser retomada com o placar empatado, ele reapresentou seu voto, mostrando-se favorável ao fim do monopólio apenas aos impressos, como jornais e revistas.

O voto de Britto se juntou aos dos ministros Ellen Gracie, Eros Grau, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Cármen Lúcia, que se manifestaram contrários ao pleito da associação, defendendo a manutenção do monopólio em todos os aspectos. Para eles, a lei que regulamenta o serviço é constitucional, pois a Constituição prevê que cabe ao estado manter o serviço postal e o correio aéreo nacional.

Na retomada do julgamento nesta tarde, após ampla discussão em plenário, os ministros chegaram ao consenso de que o monopólio definido por lei só se aplica às cartas, cartões postais e malotes, o que exclui encomendas e impressos. Assim, a interpretação da própria lei já tiraria a possibilidade de monopólio dos Correios sobre a distribuição produtos como jornais ou encomendas comerciais.

Independentemente da decisão desta tarde, Gilmar Mendes afirmou que se mostra necessária uma nova legislação para regulamentar a questão. “Foi importante mostrar que a legislação está carecendo de atualização e retirar esse tratamento penal. As empresas reclamavam que mesmo respeitando o monopólio, os Correios suscitavam a violação que poderia dar ensejo a um inquérito criminal”, destacou.

Fonte G1