Reinaldo Azevedo e a Lava Jato

[ad name=”Retangulo – Anuncios – Esquerda”]Fosse eu que escrevesse tal, os paranoicos anti-petistas aqui desse pedaço de órfãos da razão, descer-me-iam a borduna.

O ex-comunista e expoente mor do Batalhão Mussolini, jornalista Reinaldo Azevedo, criticou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos coordenadores da Lava Jato, por ter recebido R$ 137 mil em diárias, fora os demais auxílios, em 2016;”Trago esses números no esforço de que esses procuradores sejam vistos por aquilo que são: funcionários que ganham os maiores salários da República, que recebem privilégios só equiparáveis àqueles de que dispõem os juízes e que não têm razão nenhuma para posar como os heróis sem interesses ou os mártires da República”, escreveu Reinaldo.
E é? Então tá.

Lava Jato – Moro e a direita da direita com medo da seringa

Não há inocentes no jogo político, tando os atores principais, como os coadjuvantes, em época alguma, em nenhum lugar ou em qualquer parte do espectro ideológico.

Já cansei de escrever aqui que, pior que um comunista de boutique, tipo Roberto Freire, é menos nocivo do que um anti-comunista convertido ao fascismo. Esse é um equilibrista.

Nota-se claramente, a enxurrada de ‘direitopatas‘, ou patos, que de repente não mais que de repente, como cantava o poetinha, abrem espaço em suas colunas e blogs declaradamente anti-PT, uma súbita epidemia de “Lavajatus corruptus” estranho e pernicioso vírus que infesta a nação Tapuia.

Abaixo um texto do mais festejados adoradores do, hahaha, vá lá que seja – Estado Liberal, e guardião Templário de poleiros e aves plumadas de azul Yves Klein, – revela-se um crítico ácido e contumaz do novo “Bezerro de Ouro” dos contaminados pelo também letal Vírus ‘direitauspatus’. O articulista criador do neologismo “petralha”, estará sofrendo, ainda, das sequelas de um aneurisma que teve em 2016? Difícil saber.

Já há algum tempo, Reinaldo Azevedo vem, digamos metaforicamente – tenho sempre, infelizmente que explicar metáforas elementares – escorregando para a esquerda, atacando o tão antes incensado MBL, a Lava Jato, o juiz Sergio Moro, os conservadores, e agora chegou a endossar até o desarmamento dos cidadãos de bem. O que se passa?

Reconheço, por não ser um cego intelectual, a capacidade de sua argumentação, sua memória, seu embasamento cultural. O problema tem sido mesmo o mau uso dessa habilidade toda.
Por que essa inversão tão radical, de 180 graus, sem aviso prévio ou sinais que pudessem insinuar a guinada?

“Alguns louvam de manhã o que criticam de noite, mas têm sempre por certa a última opinião.” Alexander Pope


Nem Moro esmagou Lula nem o inverso. Mas só um feriu a lei ontem

Infelizmente, a maioria das perguntas do juiz nada tinha a ver com processo no qual depunha o petista. Isso é ruim para a democracia e bom para as esquerdas

Os dias andam agitados demais. Coisas em excesso, demandas as mais variadas. Mas vamos lá. É claro que eu iria, como faço agora, escrever um texto com a minha avaliação sobre o depoimento prestado pelo ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro, em Curitiba.

A minha síntese? Pois não! Sem poder apresentar as provas, que deveriam ter sido fornecidas pelo Ministério Público Federal, de que o tríplex pertence a Lula, Moro optou por uma condução da audiência que fez picadinho do devido processo legal.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Acho que o apartamento é de Lula? Acho. Mas não sou juiz. E o meu achar é irrelevante. No estado de direito, condena-se com provas. E Moro não as tinha. Ao contrário, as evidências materiais apontam que o imóvel pertence à OAS.

Sem ter como dar o xeque-mate ou deixar o depoente numa sinuca, Moro optou por um comportamento lamentável, que agride o devido processo legal. Resolveu fazer perguntas a Lula que diziam respeito aos quatro outros inquéritos a que o petista responde.

Entre as perguntas impróprias, a maioria buscava demonstrar que o petista, afinal, era o verdadeiro chefe da estrutura criminosa que operava na Petrobras.

Observem: no inquérito em questão, há três contratos da OAS com a estatal sob suspeita; eles teriam gerado a propina que o MPF diz ter sido paga a Lula na forma do apartamento de Guarujá e do transporte e armazenamento de seu acervo. Não! Moro não se referiu a nenhum deles em particular.

Na verdade, ele tratava Lula como o chefe da organização criminosa. Ora, posso até concordar com isso. Mas esse é o inquérito que tramita no Supremo.

Mais: o juiz insistiu em fazer indagações sobre o sítio — afinal, as obras nesse imóvel e no apartamento estariam ligadas. Tudo indica que estão mesmo. Mas por que há, então, um inquérito para cuidar de cada caso? Por que não estão juntos?

Mais: o juiz demonstrou incômodo com a liderança política de Lula, o que é um despropósito. Quis saber por que o ex-mandatário emitiu juízos contraditórios sobre o… mensalão!!! O que a dita Ação Penal 470 tinha a ver com o apartamento de Guarujá? Nada!

Teve o desplante de dizer, ainda que o tenha feito de forma interrogativa, que o depoente, ao processar um delegado, um procurador e um juiz (sim, ele próprio: Moro!), estava tentando intimidar as pessoas encarregadas da investigação.

Trata-se de uma afirmação absurda. Apresentar petições ao poder público — e isso inclui recorrer à Justiça — é um direito fundamental das democracias. Vejam a Primeira Emenda da Constituição Americana, por exemplo.

Na era da pós-verdade e das verdades alternativas, versões se espalham na cloaca do capeta: as redes sociais. Petistas dizem que seu líder esmagou Moro. Os fanáticos do juiz sustentam o contrário.

Vamos botar os pingos nos is. Lula não esmagou ninguém. Deu-se mal, por exemplo, ao explicar suas relações com Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, e deste com João Vaccari, tesoureiro do PT. E digo que se deu mal porque se atrapalhou.

Sergio Moro esmagou, sim, o devido processo legal, mas não o petista, que não foi confrontado com nenhuma prova inequívoca.  Mais: nós o vimos obrigando-se a dizer que nada tem de pessoal contra o presidente e de que nunca foi verdadeira a máxima “Lula vai ser preso amanhã”.

Ao tentar explicar por que fazia perguntas que nada tinha a ver com o processo, o juiz apelou, mais de uma vez, ao “contexto”. Não pode ser. A ser assim, a gente precisa ensinar o teorema de Pitágoras a partir do Big Bang. Já recomendava o poeta latino Horácio: não conte em seu poema a origem das musas…

Moro vai condenar Lula? A sua condução da audiência indica que sim. Se nada de novo aparecer, vai fazê-lo com base na convicção formada a partir do depoimento de delatores, sem as provas. É claro que isso é um mau exemplo.

Reação posterior de um procurador que é estrela da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos, evidencia que a própria Lava Jato avalia que Lula venceu o embate também no tribunal. Na ocupação das ruas, já havia vencido.

A Lava Jato, com o apoio entusiasmado da direita xucra, está, acreditem, cometendo erros em penca. E isso tem seu preço: fortalecimento da esquerda.

Sim, eu considero que Lula era o chefe máximo de um monstrengo criado para assaltar os cofres e a institucionalidade. Acho que tem de ser investigado, processado, julgado e condenado por isso.

Mas que as coisas se façam segundo o devido processo legal. Não darei nem a Moro nem a ninguém a prerrogativa de se comportar e de decidir ao arrepio da lei.

Reinaldo Azevedo: Um espanto! Deltan antecipa a sentença de Lula e até a condenação

Contem comigo para aplaudir todos os acertos da Lava Jato e todas as suas virtudes. E são enormes! Mas jamais partam do princípio de que vou condescender com absurdos praticados por seus protagonistas, pouco me importam os seus alvos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Deltan Dallagnol, o coordenador da força-tarefa, e Carlos Fernando dos Santos concederam entrevista coletiva e disseram coisas assombrosas. Vamos ver.

Bem, querido leitor, você acha que qualquer meio é lícito para combater seus inimigos ou adversários? Então aplaudam a dupla. Um é impetuoso além do limite da responsabilidade. O outro deixa claro que se sente membro do Poder dos Poderes, mal disfarçando o solene desprezo que nutre não por deputados e senadores, mas pelo Parlamento.

Prendam bandidos — em vez de ficar atraindo delatores com bala de açúcar e penas mínimas, e eu apoio — se estiver dentro da lei. Recuperem dinheiro roubado. E cá estou eu, de pé, a dar vivas de entusiasmo. Desbaratem as quadrilhas que tomaram conta do estado. De novo, “hip, hip urra!”.

Dallagnol
Mas há coisas que um procurador não pode fazer, a menos que seu ódio pessoal e sua militância se coloquem à frente de suas funções constitucionais. E ele não pode, por exemplo, antecipar o conteúdo da sentença de um juiz e anunciar quando ela será proferida.

Por incrível que possa parecer, Dallagnol fez isso. Assegurou que a sentença de Sérgio Moro, o juiz, sobre um dos processos que tem Lula como réu, sairá até julho. O contexto deixava claro que será uma condenação. É espantoso isso!

Lula é hoje, do ponto de vista legal, um cidadão como qualquer um de nós. Mas não se ignore que compõe a elite política do país e governou Banânia duas vezes. Como vão a Justiça e o Ministério Público Federal num país em que um procurador, que compõe a força que investiga, antecipa o conteúdo da sentença, com data, da força que julga? Se os medalhões passam por isso, estarão os pobres mais bem servidos?

É claro que isso é inaceitável. “Ah, mas e tudo o que Lula fez?” Mesmo se admitindo ter sido tudo verdade, então estamos bravos com ele porque descumpriu leis, certo? Seremos nós, seus adversários, a fazê-lo? “Ah, Reinaldo, o ingênuo…” Não! Reinaldo e só aquele que diz não à barbárie por princípio.

O ousado foi mais longe. Recomendou, ainda que com palavras indiretas, que a população não confie no Poder Judiciário.

Carlos Fernando
O companheiro de Dallagnol foi direto. Na prática, entende-se que o Congresso existe apenas com o propósito de sabotar a Lava Jato. Afirmou: “Basta uma noite no Congresso para derrubar a Operação Lava Jato. Revelamos a extensão da corrupção. As provas estão aí, para que todos nós possamos vê-las”. Vale dizer: acusou uma conspiração que não existe contra a operação.

Dallagnol também apontou o dedo contra o Legislativo. Segundo ele, sociedade e Parlamento têm “propósitos divergentes”. E emendou: “As discussões sobre anistia ao caixa dois são apenas uma cortina de fumaça para a discussão real da anistia à lavagem de dinheiro”.

Dallagnol não reconhece o Parlamento como representação do povo.

Bem, então o ataque é dirigido até a seu chefe, Rodrigo Janot, procurador-geral da República, que já deixou claro que vai distinguir o caixa dois com dinheiro sujo daquele sem.

Nunca existiu proposta de anistia. Ocorre que o MPF queria que todo recebimento de caixa dois fosse caracterizado como lavagem de dinheiro e corrupção. E, bem…, sem ter de provar nada. E ainda quer.

E Carlos Fernando foi mais longe: “Não existe essa discussão [sobre caixa dois] sem corrupção e lavagem de dinheiro. Esse discurso só interessa a quem cometeu os atos de lavagem. É um benefício da classe política para si mesma. É inconstitucional e imoral”.

Pois é… Só que a legislação diz outra coisa. Essa é a lei de Carlos Fernando. O Supremo certamente exigirá que o MPF apresente as provas de que o caixa dois envolveu necessariamente corrupção e lavagem.

Esse debate é de um absurdo atroz! Não há lei possível, não importa o que seja votado, que impeça o MPF de denunciar uma pessoa por um crime qualquer e o Judiciário de avaliar essa denúncia.

O que o doutor queria é o seguinte: “O delator disse que deu grana pelo caixa dois. Pouco importa o que diga o delatado. Trata-se de corrução e lavagem”.

As falas são inaceitáveis. Mas fazem com que a ignorância urre de satisfação.

O critério de inenarrável qualidade moral é o seguinte:
“Quando a acusação atinge um dos nossos, é claro que se trata de sacanagem, conspiração, safadeza e perseguição político-ideológica. Quando pega os nossos adversários, é evidente que nada existe de errado e que os que reclamam estão fazendo mi-mi-mi”.

Passei mais de 20 anos combatendo tal espírito. Seus protagonistas eram os petistas — ainda hoje severamente combatidos por mim.

Assim, não me peçam para aplaudir aquele mesmo espírito, agora com sinal trocado.

Joaquim Barbosa X Reinaldo Azevedo

Ética Blog do MesquitaQuando o poder sobe à cabeça, as pessoas não mudam, mas se revelam.

Cansei de escrever  logo inicio do julgamento do mensalão, sobre o risco da deificação feita pela mídia aquele a quem chamei de neopaladino.

Alertei que a Constituição Federal, e o Direito Processual estavam sendo “pisados”, o que iria proporcionar uma chuva de recursos.

O adjetivo pejorativo mais “delicado” que ganhei por conta desses escritos foi o de petista. Logo eu?

Sou mais sabido que os demais? Não!

Apenas fiz um curso de Direito em uma Faculdade de comprovada excelência, UniChristus, e fui privilegiado com professores excepcionais, de altíssima qualidade jurídica e intelectual. Estudei direitinhos os livros didáticos, os paradidáticos, a doutrina e a jurisprudência. Também nunca coloquei nenhum “adendo” ao Vade Mecum para “auxiliar-me” nas provas.

Agora o jornalista Reinaldo Azevedo, o mais empedernido anti-petista das plagas Tapuias – autor do consagrado O País dos Petralhas, e blogueiro de maior audiência no Brasil (média de 300 Mil acessos dia) – escreve devastadora reflexão, funcional, política, jurídica e ética, sobre a atuação do ministro Joaquim Barbosa à frente do STF.

Ps. 1. E vem mais por aí. Como ficou comprovado no julgamento – daí as condenações, mesmo com a aplicação da famigerada Teoria do Domínio do Fato – que houve compra de votos, irei aguardar os processos que arguirão a anulação de todas as sessões nas quais leis foram aprovadas na Câmara Federal, a época em que o balcão de compra de apoio aos projetos de lei de interesse do governo, estava com o guichê de pagamentos a pleno vapor. Pela lógica e pela lei, tais atos são nulos de direito.

Ps. 2. Não bastassem todos os danos causados, a entrevista do ministro ainda serve para fornecer munição aos que acusaram, e acusam o viés político do julgamento do mensalão.

Ps. 3. De um ministro da Suprema Corte o que se espera é discrição. Mas, parecem todos disputando uma vaga na próxima novela das oito.

Ps. 4. Ah, e o ministro não perdeu o prazo para filiação partidária. Como presidente do STF tem até 6 meses antes da eleição. Leis n.º 9.096 e 9.504.

Link => blog do Reinaldo Azevedo


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Reinaldo Azevedo : Joaquim Barbosa não é essa Brastemp toda que se pensava

Os despropósitos de Joaquim Barbosa: ele admite pretensões eleitorais e ataca sistema político. Está tudo fora do lugar!
Blog Reinaldo AzevedoBlog do Mesquita Juristas - Ministro Joaquim Barbosa STF

Não fosse um absurdo em essência, seria o caso de recomendar ao ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo e relator da, como é mesmo?, “Ação Penal 470”, que não desse mole a mensaleiros. Como, no entanto, ele errou no mais, o menos vem de troco.

Explico-me. Na sua intervenção no congresso promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), na PUC-Rio, ele confirmou que tem, sim, pretensões políticas, mas não para já.

Durante um bom tempo, muita gente especulou — especialmente os que o acusavam de perseguir os pobres réus do mensalão — de atuar movido por intenções políticas.

Chegou a ser apontado como pré-candidato, e seu nome foi testado por todos os institutos de pesquisa. Reproduzo trecho (em vermelho) da reportagem da VEJA.com:

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Pela primeira vez, o presidente do STF disse que refletirá sobre a possibilidade de entrar para a política após deixar a Corte. Barbosa também afirmou que tem intenção de se afastar do Tribunal antes dos 70 anos, quando se aposentaria compulsoriamente. O ministro tem 59 anos. ‘Refletirei sobre isso (ingressar na política), mas só depois de deixar o Supremo. Acho difícil ficar na Corte até os 70 anos. No momento, não tenho nenhuma intenção de me lançar candidato. No futuro, a médio prazo, terei tempo para pensar’, disse. Quando perguntado sobre onde estará em 2018, o ministro respondeu em tom de brincadeira: ‘Na praia’, dando uma pista da data em pretende deixar o STF.

Retomo
Não dá! Alguém imagina um membro da Suprema Corte dos EUA a especular sobre a própria candidatura? Ou da Alemanha? Ou da França? Ou aqui pertinho, do Chile? Isso é coisa típica, lamento constatar, de republiqueta, em que as autoridades não se dão conta do papel de que estão investidas e não prestam atenção ao peso que têm suas respectivas funções.

Ora, a partir de agora, confessada a pretensão, é justo que os que não gostam (e até os que gostam) da atuação de Barbosa a vejam segundo o horizonte que admitiu para si mesmo. Ainda que alimentasse (alimente) pretensões políticas, é um despropósito que as revele. “Ah, isso é mais honesto!” Não! Isso é apenas imprudente. Vai contribuir para lançar sombras de suspeição sobre suas decisões, seja essa desconfiança justa ou injusta.

Foi mais longe, informa a VEJA.com. Mais uma vez, fora dos autos, como livre pensador, o que ele não é, deu-se a inconveniências. Reproduzo (em vermelho):
Em sua participação no debate da Abraji, Joaquim Barbosa criticou o sistema político brasileiro e até aos candidatos à presidência da República. “O quadro político partidário não me agrada nem um pouco”, disse, respondendo se via algum candidato com simpatia. O ministro também afirmou que política e o judiciário brasileiros. No “pequeno catálogo dos problemas da política”, segundo ele, estão o voto obrigatório, a impossibilidade de candidatura avulsa, o “assombroso” número de partidos políticos, a “mercantilização” das legendas e “o coronelismo e mandonismo” na estrutura interna de certos partidos políticos. “O povo tem sido ignorado e colocado à parte das decisões políticas no país”, avaliou.

Volto
Não é a fala de um juiz. É a fala de um político. Não é a fala de um presidente do Supremo. É a fala de um político. Não é fala do chefe máximo de um Poder que tem também as características de Poder Moderador. É a fala de um político. E, agora, não é um mensaleiro que está a dizê-lo, mas um jornalista que acha que aquela turma tem de ir para a cadeia: é em outro prédio que se fala assim, não no Palácio da Justiça.

Nem me estendo sobre o mérito das decisões de Barbosa no caso do mensalão — eu acho que ele teve uma boa atuação, mas isso, reitero, não está em pauta. Foi ele quem decidiu investir na confusão nesta segunda. Não gosto quando lideranças políticas fazem essas avaliações genérico-apocalípticas, na base do “nada funciona”, “tudo é mesmo uma porcaria”, “olhem que lástima”… Essas coisas tem o inegável sabor da demagogia barata. Como se diz em Dois Córregos, “nem diminói nem contribói”. Esse tipo de intervenção só serve para colocar sob suspeição sua própria atuação.

Não é o primeiro a fazê-lo. Luiz Roberto Barroso também já se entregou a essas especulações. Como esquecer aquele 28 de agosto em que negou provimento a um embargo de declaração impetrado pela defesa de José Genoino com uma crítica demolidora ao sistema político, relevando, no entanto, as qualidades morais e a biografia do condenado?

O Regimento Interno do Supremo deveria ser acrescido de um suplemento sobre decoro e boas maneiras. Quando ministros do Supremo começam a se comportar como políticos, os políticos se assanham e começam a querer se comportar como juízes, e tudo fica fora do lugar.

Internet ameaça a mídia tradicional

Se há algo que nunca consegui assimilar, por ser absolutamente incoerente, é o fato de jornalistas que escrevem furibundamente sobre, e contra, a corrupção do governo do PT, e que têem – enquanto tiver poder sobre o que escrevo, não adotarei reforma ortográfica determinada por decreto – seus salários pagos, em parte, ou no todo, por veículos de comunicação que possuem significativa parte de suas receitas oriundas de publicidades de órgãos e empresas desse mesmo governo corrupto. Por dedução lógica, devo concluir que parte dos salários desses jornalistas, é dinheiro fruto da corrupção que denunciam. Assim, fica estranho que tais jornalistas tenham o discurso midiático apartado do que praticam.
José Mesquita – Editor

PS. 1 – Essas são questões avessas, ou mesmo rebeldes, à confrontação meramente analítica, mais próximas do embate dialético e à persuasão retórica.
PS. 2 – Estou exercendo o mesmo direito constitucional de livre expressão que os jornalistas citados.
PS. 3 – Não há no ordenamento jurídico brasileiro nenhuma norma que obrigue jornalistas e órgãos de imprensa a ser coerentes.
PS. 4 – A corrupção no governo do PT e o aparelhamento do Estado são fatos incontestáveis. 


Força da internet já assusta mídia tradicional

Foto: Edição 274

Nesta semana, Veja circula com oito páginas do Ministério da Educação e uma dos Correios; no entanto, blogueiro da Abril, Reinaldo Azevedo, condena publicidade em meios que fazem “um troço parecido com jornalismo”; nesta quarta-feira, foi arquivado o inquérito contra Erenice Guerra, aquela que Veja ajudou a detonar, com um amontoado de mentiras

José Serra comprou uma briga inglória. Ao propor uma ação judicial contra a publicidade oficial em blogs de dois jornalistas que o criticam, Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif, tudo o que ele conseguiu foi uma hashtag #SerraCensor que despontou entre os assuntos mais comentados do dia, além de um artigo de seu porta-voz informal, Reinaldo Azevedo.

O blogueiro da Abril publicou artigo em que condena publicidade em sites que fazem “um troço parecido com jornalismo” (leia mais aqui). Mas disse, no entanto, que veículos tradicionais, como Veja, por exemplo, não devem renunciar à publicidade oficial – já que ela está aí. Veja, de fato, não renuncia a ela. Na edição desta semana, seu maior anunciante é o Ministério da Educação, com oito páginas. Além disso, há também uma página dos Correios.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O movimento de Serra e Reinaldo, na verdade, não ocorre isoladamente. Trata-se de algo organizado. Antes deles, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tratou do tema numa coluna no Estado de S. Paulo. Depois, foi seguido por Eugênio Bucci, que, além de consultor de Roberto Civita, presidente da Abril, foi também citado na decisão do juiz Tourinho Neto que quase soltou Carlos Cachoeira – na decisão, Tourinho, sabe-se lá por que, determinou que o contraventor, em liberdade, não poderia se aproximar de dois jornalistas: Policarpo Júnior e o próprio Bucci.

Enquanto estiveram no poder, os tucanos jamais se incomodaram com a questão da publicidade oficial. Andrea Matarazzo, braço direito de Serra, foi um ministro da Secretaria de Comunicação de FHC muito querido por donos de empresas de mídia. Reinaldo Azevedo, quando foi empresário, teve apoio da Nossa Caixa e do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, mas o projeto da revista Primeira Leitura acabou naufragando.

O que os incomoda, na verdade, é a nova realidade da informação no Brasil e no mundo. Antes, havia quatro ou cinco famílias relevantes no jogo da informação no Brasil. E os barões da mídia mantinham uma postura aristocrática, cuja cornucópia era alimentada por boas relações no setor público.

Hoje, com a internet, há muito mais vozes. O novo mundo é polifônico. E não apenas os governos, mas também as empresas privadas, já estão abraçando essa nova realidade. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, por exemplo, a publicidade na web é muito maior do que nos jornais impressos. Na rede, a relação investimento/retorno é muito mais eficiente, além de mais transparente.

Um troço parecido com jornalismo

A investida do PSDB, com apoio de Reinaldo Azevedo, no entanto, veio em má hora. Nesta quarta-feira, os jornais noticiaram o arquivamento da denúncia contra a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, por absoluta falta de provas.

Antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2010, Veja fez uma denúncia sobre a entrega de malas de dinheiro na Casa Civil, a partir de um diz-que-diz em off, e a Folha de S. Paulo denunciou um lobby bilionário no BNDES feito por um personagem que não passaria pela catraca de segurança da sede do banco na Avenida Chile, no Rio de Janeiro.

Não era jornalismo. Era um troço parecido com jornalismo, que ajudou a levar as eleições presidenciais de 2010 para o segundo turno.

Pode-se discutir a qualidade do jornalismo na internet, assim como nos veículos impressos.

Mas o que a mídia tradicional busca é apenas uma reserva de mercado. E demonstra medo crescente diante da força da internet.

O resto é conversa fiada.
blog 274 

Quebra de sigilo.Lúcia Hippólito, quem diria acusada de petista por Reinaldo Azevedo

Agora embolou de vez. Assim como o PT, que é, prosaicamente, acusado de ter mais alas que uma escola de samba, agora é a turma do outro lado que bate cabeça. E boca!

De um lado a socióloga e jornalista Lúcia Hippolito reconhecidamente uma pessoa “muiiiiiiiito” ligada ao sistema, e habitual palestrante para auditórios, digamos, não muito faforáveis aos candidatos do PT. Do outro lado, Reinaldo Azevedo, o clone, mal feito, de Paulo Francis.

Se Lúcia aumenta o conteúdo do cofre com cachês de palestras e com o trabalho jornalístico – além da TV Globo, é comentarista da rádio CBN e tem coluna de opinião publicada em diversos jornais – , Reinaldo Azevedo é colunista semanal da Veja, é um iracundo e mal educado crítico de Lula e do PT, costuma desqualificá-los chamando-os de ´Petralhas´- e mantém um blog hospedado sob o guarda chuvas da editora Abril.

A revista Veja, basta folheá-la, tem uma considerável receita oriunda de publicidade, cujas fontes são as verbas publicitárias de empresas estatais e do governo que Azevedo, de forma contumaz, chama de corrupto. Por dedução, então parte do salário de Azevedo é formado com dinheiro de corrupção

Para arguir independência ambos, Lúcia Hippolito e Azevedo, que agora se entre devoram, deveriam retirar seus blogs da confortável sombra dos grandes grupos de comunicação e sobreviverem por conta própria.
O Editor
Abaixo as “amenidades” trocadas pelos dois articulistas.


PATRULHA DA LAMA ME ATACA NOVAMENTE – MAS NÃO VAI ME VENCER
Por Lúcia Hippólito
Quarta-feira, dia 1º, fui a São Paulo para duas palestras, em dois bancos de investimentos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Meu marido, que tinha uns negócios a ver em São Paulo, foi comigo. No hotel, antes da primeira palestra, que era às 20h, conversamos sobre o teor do meu comentário na CBN às 18,32h.

Expus minhas incertezas a respeito dos últimos acontecimentos. Quebra de sigilo pipocando a toda hora, uma notícia atrás da outra, cheiro de amadorismo no ar. Tudo isso às vésperas do primeiro turno.

Como tenho pavor de gente que, depois dos 50 anos, só tem certezas (desconfio sempre), eu me permiti ter dúvidas. Mas os fanáticos de direita e de esquerda não têm dúvidas, sabemos disso.

Fiz o comentário, e meu marido até comentou depois, elogiando mais uma vez minha capacidade de expressão, e fomos para a palestra.

Ao final, posso dizer sem falsa modéstia que fui muito aplaudida por cerca de 400 convidados do banco. Depois disso jantamos e voltamos para o hotel.

No dia seguinte, logo cedo, outra palestra para outros 200 convidados de outro banco. Dessa vez, analisando o cenário econômico estava o economista José Roberto Mendonça de Barros. Nós dois nos saímos muitíssimo bem, também bastante aplaudidos.

Meu marido e eu aproveitamos o fato raro de estarmos juntos em São Paulo e nos demos de presente um excelente almoço no ótimo restaurante Parigi. No final da tarde, tomamos o avião e voltamos para casa.

Quando abri o meu computador, encontrei uma enxurrada de lixo, proporcionada por um cidadão(?) que escreve na Veja e não tem o menor escrúpulo em atirar lama na biografia de pessoas honestas.

E o pior é que atiçou a tigrada e o lúmpen que compõem esta patrulha da lama que vive na internet a infernizar a vida alheia e a entupir a caixa postal da gente.

Mas se eles pensam que vou desistir, podem tirar o cavalo da chuva. Estou na estrada há muito tempo e pretendo continuar.

Um bom feriado a todos(as).


Melhor não cantar o Hino Nacional, querida!
Por: Reinaldo Azevedo

Outro dia circulou um áudio no Youtube — e eu não escreveria nada a respeito se ela própria não tivesse explicado o que aconteceu — em que a comentarista Lúcia Hipólito, da CBN, desandava a dizer coisas sem sentido sobre o “Programa Nacional-Socialista dos Direitos Humanos”. Parecia a Vanusa cantando o Hino Nacional. As duas deram a mesma explicação: tomaram “remédios muito fortes” e ficaram meio trelelés. Acontece.

Não tratei do assunto aqui nem publiquei o áudio porque, de vez em quando, eu também consumo “remédios muito fortes”. Compreensível. Só que tomo o cuidado de não cantar o hino, não escrever nem opinar sobre política. Minha mulher diz que sempre quero dançar, mas ela me demove da idéia (quase sempre).

Lúcia comentou ontem, na CBN, a violação do sigilo fiscal de Verônica Serra.

Na primeira parte do seu comentário, afirmou que a Receita parecia a casa-da-mãe-joana e coisa e tal. Enquanto ouvia, perguntava-me: “Estarei percebendo certo esforço para, ainda que com aparência crítica, endossar a versão de Otacílio, o Cartaxo do PT, segundo a qual tudo não passa, assim, de lambança, desorganização, bagunça, mas sem conotação política?” Deixei a suspeita de lado: “Pô, Reinaldo, seja um homem bom! Ouça até o fim”. Ouvi.

A partir, no entanto, de 1min31s, as coisas se complicaram. Eu transcrevo aqui em vermelho a sua fala, com intervenções minhas em azul:

“O outro aspecto que tem de ser visto nessa história, Nonato, é que, é, é…, a gente não sabe o que dizer a esse respeito”.

Bem, quando a gente não sabe o que dizer, o melhor mesmo é ficar de boca fechada. É o que ela deveria ter feito. Sigamos.

Se for verdade, se for verdade, que isso seria uma reedição do caso dos aloprados, isto é uma maluquice, Nonato! Não é possível que imaginaram que fossem fazer tudo outra vez. É de uma incompetência assombrosa.

Se você ouvir o áudio, vai perceber que aquele segundo “se for verdade” é dito de forma cantada, evidenciando que a comentarista está muuuito desconfiada. O raciocínio já começa a caminhar por aquelas larguezas da irracionalidade. Na opinião de Lúcia, “não é possível” porque seria “muita incompetência”. Isso não é um raciocínio lógico, isso não é um raciocínio ilógico, isso não é um raciocínio dialético, isso não é um raciocínio linear. Isso não é um raciocínio.

Há um contador que já apareceu, chamado Antônio Carlos de Tal, que já declarou ao jornal O Globo que sim, que foi ele que falsificou a procuração, que foi ele que violou o sigilo fiscal da filha de José Serra a pedido de não sei quem… É de uma incompetência que faz até a gente desconfiar de que não seja verdade. Eu acho que é preciso ir com muito cuidado neste caso, ir com muita seriedade, porque é tão incompetente, mas tão incompetente, que fica até parecendo uma armação, sabe, Nonato? Fica parecendo uma coisa armada sei lá por quem para tumultuar esse processo no final da corrida eleitoral…

Vamos por partes. A desinformação de Lúcia Hipólito é constrangedora:

1 – Antônio Carlos de Tal não confessou a falsificação; disse que atendia a um cliente;

2 – como a suspeita recai sobre o PT, Lúcia desconfia que tenha havido uma violação porque a operação foi “muito incompetente”. Isso nos leva, logicamente, à constatação de que ela acredita que o PT só faz coisas competentes — inclusive as safadezas. Por competentes, então não seriam descobertas. Logo, ninguém nunca flagraria uma sacanagem feita pelo partido, que passaria incólume por qualquer investigação — não porque santo, mas porque “competente”;

3 – quando Lúcia faz essa maravilha de comentário, o cartório já havia informado que Verônica não tinha firma lá, que o reconhecimento era falso, que a assinatura era falsa;

4 – ao afirmar que fica “parecendo uma armação”, ela sugere, evidentemente, que seria uma “armação tucana”, repetindo a tese petista que tenta transformar a vítima em ré;

5 – a violação aconteceu em setembro do ano passado; vai ver os tucanos já estavam planejando tudo com antecedência para poder culpar agora o PT;

6 – Lúcia ignora que, comprovadamente, o sigilo de Eduardo Jorge estava com petistas e que dados da declaração de Verônica circulavam já em blogs petistas e no texto de um ex-jornalista que participava da turma de Luiz Lanzetta;

7 – segundo a tese desta pensadora, porque há uma corrida eleitoral, então o fato deixa de ser um fato para ser uma armação. Mais um pouco.

… porque é amador demais! E quando é, sabe?, amador demais, todo mundo começa a desconfiar, porque é muito incompetente, é muito incompetente demais (sic). Eu acho que a gente precisa ir com calma, não pode tirar conclusões apressadas, é preciso investigar e saber o que é que tá acontecendo e o que foi que realmente aconteceu nessa história, Nonato…

É evidente que esta senhora está flertando com a acusação petista de que tudonão passaria de uma conspiração tucana!!! O trecho acima ilustra o que é a banalidade, a tolice, o nada, mas com entonação convicta. Destaco o “muito incompetente demais”. O único a quem a língua deu licença para coisas assim foi Tom Jobim: “Meu amor por você é enorme demais…”.

Lúcia é que não sabia o que estava acontecendo. Quando ela fazia essa magnífica intervenção, já estava claro também que a Receita havia armado uma versão, que se desmoralizou. Notem que ela não diz um “a” sobre o fato de um órgão do governo ter posto para circular uma procuração com claros sinais de fraude. Aliás, já sabia tratar-se de uma fraude. Invadiram o sigilo de um grupo de tucanos e da filha do candidato do PSDB. As informações circulavam nos subterrâneos da campanha de Dilma. Mas Lúcia Hipólito está “muuuuito” desconfiada.

Não dá! O que aconteceu é grave demais para que mereça esse tratamento ligeiro, beirando a irresponsabilidade. É a Constituição que está sendo agredida. Não se trata de uma pequena bagunça no almoxarifado. Não é aceitável que se lancem especulações como essas, contra os fatos.

Há coisas que são o retrato de um tempo. Vocês acabam de ouvir o “som” de um tempo. Não vou perguntar se Lúcia Hipólito havia tomado de novo aquele remédio. De todo modo, eu lhe recomendo que não cante o Hino Nacional. Vanusa até pode ser a Lúcia Hipólito do iê-iê-iê, mas convém que Lúcia não seja a Vanusa da análise política.

Reinaldo Azevedo e o patético censor Franklin Martins

A fúria censória dos atuais detentores do poder, e seus aliados, vide o “tesoura” Hélio Costa querendo censurar blog, tem origem atávica, e mal, muito mal, intencionada. Os stalinistas do PT esquecem que somente a liberdade de imprensa e a democracia é que permitem a figuras patéticas como Franklin Martins — foi membro do grupo que sequestrou o embaixador americano no Brasil nos anos do regime militar — ter o direito de falar todo tipo de asneira. Esse mesmo ex-global comentarista, e atual ‘ministro da propaganda’ de Lula, tem o desplante e o descaramento de mandar bilhetinhos para a turma do Casseta, “recomendando” o não uso do presidente Lula em piadas nos programas de TV. Imaginem o que virá se dona Dilma, outra stalinista, for eleita.
Contra a censura. Sempre! Antes que Cháves!
O Editor
PS. Hélio Costa e Franklin Martins são ‘ex-poentes’ da TV Globo. Como não acredito em coincidência…


Franklin não se cansa nem descansa: ele quer vingança

Lembram-se do siricutico de Franklin Martins quando o presidenciável José Serra apontou as iniciativas do governo Lula de censurar a imprensa?

Franklin Martins Ministro da Comunicação Social do Governo Lula

Pois é… O tucano fez uma intervenção realmente perfeita no seminário da ANJ (Associação Nacional de Jornais) ao apontar três frentes de ataque à liberdade de expressão: a) tentativa de censura legal; b) tentativa de asfixia econômica; c) patrulha e assédio moral por intermédio de entidades ligadas ao PT. Leiam o que vai na Folha. Volto em seguida:

“Ao lado do presidente, Franklin critica mídia
Em discurso ao lado do presidente Lula, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) criticou a imprensa e disse que os jornais e emissoras de TV vão perder o controle sobre as notícias levadas à opinião pública.

Eles participaram ontem do lançamento da TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A cerimônia reuniu cinco ministros em clima de campanha para a presidenciável Dilma Rousseff (PT), que não compareceu.
Franklin disse que o canal ajudará a internet a quebrar o poder dos “aquários”, jargão que identifica a chefia das redações dos grandes veículos nacionais. “Isso é uma revolução e incomoda muita gente que ficava no Olimpo. Mas é irreversível, e está apenas começando”.
O diretor do sindicato, Valter Sanches, disse ter planos ambiciosos para competir com as grandes redes: “Queremos fazer jornalismo investigativo de fato, sem atender interesses políticos”.
O sindicato é filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), ligada ao PT.
A TVT estréia com uma hora e meia de produção própria no canal 46 UHF na Grande SP, em outros dez Estados e na internet.
Em discurso lido, Lula disse que a emissora evita que os trabalhadores “continuem impedidos de exercer a liberdade de expressão”. “O brasileiro sabe distinguir o que é informação e o que é distorção dos fatos”, disse.
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Comento

A única boa notícia relativa a esse assunto, que não vai no texto, é esta: eles — petistas e governo — são incompetentes demais para fazer uma televisão que preste. Vejam a TV Brasil. Com uma estrutura infinitamente maior do que a do sindicato, só produziu mistificações. Como costumo dizer, fez-se uma televisão com a cara de Tereza Cruvinel e a alma de… Franklin Martins! Resultado: torrou-se uma montanha fabulosa de dinheiro e não se conseguiu sair do traço. É o que vai acontecer também com a tal TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O mais fascinante no discurso dos três valentes é a “aparente” suposição de que a TV sindical não teria viés nenhum. Escrevo que a suposição é só aparente porque idiotas eles não são. Sabem que o veículo será um mero braço do sindicato e, pois, do PT. Dinheiro não vai faltar. Afinal, o sindicato tem garantida a bufunfa do Imposto Sindical, que surrupia até mesmo dos trabalhadores não-sindicalizados. E pode gastar sem prestar contas a nenhum órgão público. Para esses bravos, o Estado tem legitimidade para bater o porrete na mesa e obrigar todo mundo a pagar o imposto, mas não a tem para verificar onde o dinheiro está sendo gasto.

A fala de Franklin é a evidência do acerto do discurso de Serra. Eis aí o terceiro item apontado pelo candidato tucano: assédio moral e patrulha, exercidos por intermédio de entidades ligadas ao PT. Nunca um partido e um governo contaram com tantas emissoras, jornais e revistas servis. Não em fase democrática ao menos. Mas Franklin ainda acha pouco. Os petistas precisam exercer permanentemente esse discurso da vítima para que possam fazer a “denúncia da manipulação”, na esperança de que os alvos da patrulha tentem provar que seus críticos estão errados — ao fazê-lo, atendem, então, à pauta do PT.

A gente sabe que Franklin é determinado no confronto com o “inimigo”. Quando lutava para implantar uma ditadura comunista no Brasil, seqüestrou um embaixador e ameaçou matá-lo caso algumas exigências não fossem atendidas. A ameaça está na carta que ele redigiu, de que tanto se orgulha. Tem em comum com Dilma o indisfarçável orgulho de ter pertencido a um grupo terrorista. Sua guerrilha, agora, é outra: quer minar o poder da “mídia”, dos “aquários”, com o apoio aos meios “independentes” de divulgação da notícia. O interessante é que essa “independência” é financiada com dinheiro público e é sempre favorável ao governo. O “sistema” aluga até blogueiros…

Dado o ânimo, caso Dilma vença a eleição, podem esperar uma penca de procedimentos oblíquos para minar a credibilidade dos grandes veículos de comunicação — não de todos; só daqueles que “atrapalharem” e insistirem em fazer jornalismo.

Nota final – A fala de Franklin acontece dois dias depois de o PT ter liderado, no Foro de São Paulo, uma verdadeira cruzada contra a imprensa livre.

blog Reinaldo Azevedo