Bolsa ditadura já “torrou” R$2,5 bilhões

Brasil: da série “Acorda Brasil”!

Sabe aonde vai parar o seu, o meu, o nosso sofrido dinheirinho? Entre outros sumidouros, para no que está sendo chamado de “bolsa ditadura”.

A mamata, destinada aos coitadinhos “perseguidos” pelo governo militar, já destinou a “mincharia” de R$ 2,5 bilhões para pulhas como Ziraldo, Jaguar, Carlos Heitor Cony, a viúva do eco chato Chico Mendes e outros mais.

Os supostos “perseguidos” ou “prejudicados” pela ditadura, são regiamente contemplados pelo ervanário graciosamente liberados por uma “Comissão de Anistia do Ministério da Justiça“.

A famigerada comisão — será que recebe alguma comissão por ser tão graciosa? —, segurem a carteira, examinou apenas 38 mil dos 60 mil pedidos. Uma simples conta de divisão entre o montante liberado e o número de beneficiados revela que se a divisão fosse igualitária, cada nababo teria ganho R$ 65 mil de indenização.

Existem alguns casos em que os “pobrezinhos” dos “perseguidos”, foram contemplados individualmente com até com R$ 2 milhões.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Alguns cínicos beneficiados, como Jaguar, Cony e Ziraldo, ainda tem a cara de pau de criticar malfeitorias com o dinheiro público. Ziraldo e Jaguar receberam, cada um do bolsa anistia, R$ 1,2 milhão e R$ 1 milhão respectivamente.

Mas, nem tudo está perdido.

O grande Millor Fernandes, que também amargou, censura, cerceamento de trabalho e até prisão durante o regime militar, recusa qualquer tipo de boquinha e ainda fulmina:
“…então eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento?”

Outro gesto decente contra a famigerada bolsa anistia é o do Fundador do PT, o jornalista Hélio Doyle que é contra enormes indenizações. Lembra que suas cinco prisões políticas não o impediram de trabalhar.

Tópicos do dia – 04/03/2012

09:25:54
Projeto da tolerância zero de álcool será debatido no dia 20 de março
O debate em torno de penas mais duras para motoristas que dirigirem sob o efeito de álcool ou outras drogas será levado, no dia 20 de março, ao Comitê Nacional de Mobilização pela Saúde, Segurança e Paz no Trânsito. O comitê, formado por representantes da sociedade e do Poder Público, deverá se manifestar principalmente sobre o Projeto de Lei que criminaliza o ato de dirigir sob o efeito de qualquer concentração de álcool no sangue. O assunto será discutido na reunião a pedido do relator do projeto na Comissão de Viação e Transportes, deputado Edinho Araújo (PMDB-SP). O resultado da discussão, que terá também a participação de juristas e de técnicos em segurança de trânsito, deverá ajudar o relator na elaboração do texto final da proposta.

16:12:57
Assisti a reprise agora, e continuo incrédulo.
Miriam Leitão apresentando documentário contra, eu disse contra, regime militar. Falta só o Casoy e Alexandre Garcia se declararem petista desde criancinha. Ah o poder!


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Cadê o liberal que estava aqui?

Liberais em falta
por:Sandro Vaia ¹
blog do Noblat

Houve um tempo, mais precisamente durante o vintênio militar, que ser de direita no Brasil não era apenas de bom tom, como era praticamente obrigatório, sob pena de ser mal visto, na mais benigna das hipóteses, ou de ser preso e torturado, na mais policialesca e brutal das hipóteses.

O partido do governo, a Arena, que juntava direitistas natos e convictos, oligarcas do atraso, coronéis dos grotões e oportunistas de toda espécie (partidos que apóiam o governo no Brasil costumam atrair mais arrivistas do que os postes de luz atraem mariposas) chegou a ser proclamado “o maior partido do Ocidente” pelo seu então presidente,o inesquecível Francelino Pereira.

As inacreditáveis alquimias políticas do Brasil foram transformando a face da Arena.

Depois do final da ditadura tentou se tornar mais palatável com o nome de PDS-Partido Democrático Social.

Uma costela dele,cansada do desgaste de ter que administrar os detritos políticos da ditadura, separou-se do corpo e mudou para PFL – Partido da Frente Liberal – que nasceu para apoiar o candidato da oposição Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mais tarde, entrou no condomínio de poder com o PSDB no governo Fernando Henrique, até vir a se transformar em Democratas, apelido DEM, uma espécie de partido liberal ma non troppo, que perdeu seu passado e em compensação também não achou seu futuro e está à beira de um ataque de nervos em busca de sua própria identidade.

Num dia desta semana ,o DEM ,depois de uma desastrada performance sob a presidência do jovem Rodrigo Maia, amanheceu sob nova direção.

Seu novo-velho presidente, José Agripino, fez questão de dizer, como é de praxe nos momentos atuais, que o DEM “não é um partido de direita”.

Mas o que é, então, o DEM nessa geléia partidária brasileira ?

Desde o final da ditadura e depois do tumultuado período de Collor,o Breve, a narrativa política brasileira tornou hegemônico o discurso esquerdista,e mais precisamente os ideais de uma certa e vaga social democracia, defendida em variados matizes por PT,PSDB e vários outros partidos-satélites.na contramão dos ventos históricos que varreram o mundo depois da derrocada do Muro de Berlim.

Ok, ser de direita é de mau gosto, deselegante até, quase uma ofensa nos círculos contemporâneos do bem pensar.

Disgusting.

Mas então quem é que vai representar as pessoas que continuam achando que a melhor forma de liberdade e de avanço social é representada por uma economia de mercado, aberta, livre e competitiva?

Quem é que vai se opor ao avanço do Estado não só sobre o bolso do contribuinte, mas também na demarcação dos territórios onde o indivíduo exerce seu livre arbítrio?

No mercado de idéias políticas do país há alguns milhões de desamparados à espera de alguém que tenha a coragem de assumir a representação de um pensamento político liberal e democrático.

O DEM não parece muito disposto a vestir a camisa liberal e assumir a defesa desses sem-partido.

Na verdade, como em suas origens arenistas, parece ter mais apetite por projetos de poder do que por um projeto de País.

¹ Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

Eleições 2010: Por que Serra não ataca Dilma de terrorista?

A Constituição brasileira, entre outros, consagra o princípio da presunção de inocência. A par disso, e sem entrar no mérito das preferências eleitorais de cada um, não consta em nenhum inquérito da época do regime militar, que dona Dilma tenha participado de alguma ação armada, e também não foi julgada nem foi condenada por isso. Parece claro que o PSDB prefere não abordar, na propaganda eleitoral, o passado ‘terrorista’ de Dilma Rousseff.
Qual a razão?
Leiam abaixo reportagem de Vera Rosa no Estado de São Paulo.
O Editor


PT mira tucanos da luta armada

Mas ofensiva só irá para o programa de TV se Serra vincular Dilma a ações terroristas

A cúpula da campanha de Dilma Rousseff (PT) coletou dados sobre tucanos que, a exemplo da candidata do PT à Presidência, participaram de organizações conhecidas por pregar a luta armada na ditadura militar. A ofensiva só irá para o programa de TV, no entanto, se o candidato do PSDB, José Serra, recorrer à estratégia de vincular a ex-chefe da Casa Civil a ações terroristas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será acionado, em caso de emergência, para dizer que já foi vítima do que o PT chama de “tática do medo”.

O resgate da história põe na berlinda o concorrente do PSDB ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira, ex-chefe da Casa Civil quando Serra era governador de São Paulo e ex-secretário-geral da Presidência na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Além dele são mencionados o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, morto em 1998, e o deputado José Aníbal (SP).

Aloysio ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN), que pregava a luta armada, nos anos 60. Tal como a candidata do PT, adotou codinomes na ditadura: era chamado de “Beto” e “Mateus”. Motta, por sua vez, entrou na Ação Popular (AP), grupo de influência católica que abrigou o próprio Serra. Ao contrário do presidenciável, que se exilou no Chile depois do golpe militar de 1964, ficou no Brasil e foi preso em 1965.

Aníbal foi companheiro de Dilma na organização revolucionária marxista Política Operária (Polop), em Belo Horizonte. “Dilma e eu nos separamos, em maio de 1969, porque eu achava que aquele caminho estava equivocado”, disse o deputado. “Mas citar isso na propaganda, sem contextualização, é um rebaixamento político da campanha. O PT quer esconder o mensalão e fica agora fazendo ameaças.”

Jogo de risco. Lula assistiu à pré-estreia do programa de Dilma na noite de segunda-feira, um dia antes do início do horário eleitoral gratuito. Foi uma sessão reservada, no Palácio da Alvorada, com a participação da candidata e de coordenadores da campanha. Em uma das propagandas, Dilma fala do seu passado como mulher que combateu a ditadura. De ex-guerrilheira, apareceu como guerreira. Era um “antídoto” contra eventual ataque do PSDB.

Em conversas reservadas, no entanto, Lula disse não acreditar que Serra recorra a esse tipo de expediente. No diagnóstico do Planalto e do comitê petista, trata-se de um “jogo de extremo risco” e o tucano teria mais a perder do que a ganhar. Em primeiro lugar, porque companheiros seus também participaram de organizações que defendiam a luta armada. Sem contar que ele próprio foi obrigado a viver clandestinamente no exílio.

Estilizada. Na tentativa de reforçar a identidade de Dilma como ex-guerrilheira, o coordenador das redes sociais da campanha, Marcelo Branco, pôs na internet imagem estilizada da candidata, em várias cores, para ser usada como fundo de tela do computador. Ela reproduz a foto que consta do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), quando Dilma foi presa, aos 22 anos.

“É um movimento de solidariedade, por tudo o que ela passou”, comentou Branco. Na prática, sua ideia é jogar os holofotes sobre a resistência da candidata na luta contra a ditadura, nos anos 60 e início dos 70. “Isso aproxima Dilma da militância dos partidos aliados”, insistiu ele. “A repercussão é positiva.”

No comando político da campanha, porém, não foram poucos os que torceram o nariz para a iniciativa. Motivo: não querem esticar um assunto com grande potencial de desgaste.

Guerrilha do Araguaia: Major Curió revela o que sabe

Curió abre arquivo e revela que Exército executou 41 no Araguaia

Até hoje eram conhecidos 25 casos de guerrilheiros mortos; relato do oficial confirma e dá detalhes da perseguição

Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, o oficial vivo mais conhecido do regime militar (1964-1985), abriu ao Estado o seu lendário arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Os documentos, guardados numa mala de couro vermelho há 34 anos, detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia. Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados, quando não ofereciam risco às tropas.

Até a abertura do arquivo de Curió, eram conhecidos 25 casos de execução. Agora há 16 novos casos, reunidos a partir do confronto do arquivo do major com os livros e reportagens publicados. A morte de prisioneiros representou 61% do total de baixas na coluna guerrilheira.

Uma série de documentos, muitos manuscritos do próprio punho de Curió, feitos durante e depois da guerrilha, contraria a versão militar de que os mortos estavam de armas na mão na hora em que tombaram. Muitos se entregaram nas casas de moradores da região ou foram rendidos em situações em que não ocorreram disparos.

Os papéis esclarecem passo a passo a terceira e decisiva campanha militar contra os comunistas do PC do B – a Operação Marajoara, vencida pelas Forças Armadas, de outubro de 1973 a janeiro de 1975. O arquivo deixa claro que as bases de Bacaba, Marabá e Xambioá, no sul do Pará e norte do Estado do Tocantins, foram o centro da repressão militar.

O que foi a guerrilha do Araguia

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Bahia – Documentos da ditadura militar serão abertos.

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Quase duas décadas depois de Estados como Pernambuco, que abriu seus arquivos sobre a ditadura há 19 anos, e São Paulo, que fez o mesmo há 18 anos, o governo baiano divulgou na edição de hoje do Diário Oficial o decreto de criação de um grupo de trabalho que tem como objetivo “localizar e tornar acessíveis” os arquivos sobre o regime militar, entre 1964 e 1985. O decreto também prevê a mobilização da sociedade para reunir acervos particulares sob a guarda de entidades privadas e pessoas físicas. Para o governador do Estado, Jaques Wagner (PT), militante estudantil na década de 1970, o decreto é histórico. “As sociedades baiana e brasileira têm o direito de conhecer seu passado.”

O projeto, chamado Memórias Reveladas das Lutas Políticas na Bahia, será coordenado pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) e terá a participação de representantes das Polícias Militar (PM) e Civil e da Fundação Pedro Calmon, ligada à Secretaria da Cultura e responsável pela gestão do Arquivo Público Estadual. O grupo ainda deverá preparar a integração da Bahia à rede nacional de cooperação para divulgação e disponibilização de dados, imagens e informações de interesse sobre o período de repressão política.

De acordo com o decreto, os trabalhos devem ser concluídos em 180 dias. Os primeiros documentos a figurar no projeto serão os reunidos nas sedes das Polícias Federal (PF), Militar e Civil, em Salvador. A expectativa é que os arquivos encontrados ajudem a esclarecer pontos controversos da atuação dos órgãos repressores durante a ditadura, mostrando os detalhes das operações. Na Bahia, há registro de 32 mortos e desaparecidos políticos.

“Tememos que muitos documentos que existiam tenham sido destruídos, em ações como a ocorrida há quatro anos, quando uma grande quantidade de dados foi queimada na Base Aérea de Salvador“, disse a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais na Bahia, Diva Santana. “Apesar disso, temos a esperança que muitos outros arquivos surjam durante os trabalhos.”

do G1

Lei de Anistia, militares e terrorismo

“Desculpa por tortura faria bem a militares”

Para pesquisadora Glenda Mezarobba, o importante não é mudar Lei de Anistia, mas interpretá-la à luz dos direitos humanos.

Ao não julgar torturadores, Brasil perde oportunidade de sinalizar que crime contra a humanidade não é mais tolerado, diz pesquisadora.

É uma “falácia” defender a não-revisão da Lei de Anistia -texto que já passou por revisões-, mas não há necessidade de mexer no texto legal. O importante, segundo Glenda Mezarobba, pesquisadora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Unicamp e autora do livro “Um acerto de contas com o futuro: a anistia e suas conseqüências”, é dar à lei uma correta interpretação, sob a ótica dos direitos humanos. Ela defende ainda que um pedido de desculpas oficial faria bem às Forças Armadas.

FOLHA – O Brasil conseguiu superar a ditadura militar?

GLENDA MEZAROBBA – Dos quatro deveres do Estado com a sociedade na passagem para a democracia após um período de repressão, o Brasil apenas tem feito reparações às vítimas. Os outros três, estabelecidos internacionalmente, ainda não avançaram. São eles: fazer justiça, processando e punindo responsáveis por crimes contra a humanidade, o direito da sociedade à verdade, com a revelação dos crimes e suas circunstâncias, e renovação de instituições. Mesmo dentro das reparações, o Brasil apenas fez pelo aspecto econômico. Há ainda o plano simbólico, com pedidos oficiais de perdão, constituição de museus e monumentos.

FOLHA – Como a sociedade pode se beneficiar com um acerto de contas?

GLENDA – Ao não julgar e processar os violadores dos direitos humanos, o Brasil perde a oportunidade de sinalizar que na democracia tais crimes não seriam tolerados. Perde a chance de deslegitimar aquela ideologia autoritária e de romper com recriminações de grupos, contra as Forças Armadas, contra os guerrilheiros. O Brasil ainda não se dedicou à questão da justiça, mas não significa que não possa se dedicar. Não há um prazo de validade, especialmente em relação a crimes contra a humanidade como a tortura, que não prescrevem e que não são passíveis de anistia.

da Folha de S. Paulo
De Ana Flor