O “pensamento sem corrimão” de Hannah Arendt

Em tempos de fake news e histerias de massa nas redes sociais, exposição em Berlim propõe a desobediência da filósofa teuto-americana, uma das maiores pensadoras do século 20, como antídoto.

É longa a lista das controvérsias que Hannah Arendt desencadeou ou incentivou

Lá está ela, pensativa, de queixo apoiado na mão, cigarro aceso entre os dedos: Hannah Arendt (1906-1975), já não tão jovem, numa fotografia em preto-e-branco tirada de ângulo ligeiramente baixo. E, impressa por cima, a enigmática frase: “Nenhum ser humano tem o direito de obedecer.”

Com esse cartaz, com atraso forçado pelo coronavírus, o Museu Histórico Alemão (DHM) de Berlim convida a uma exposição sobre a grande pensadora teuto-americana do século 20. A mostra acompanha o olhar subjetivo de Arendt em 16 capítulos acessíveis, com fotos, documentos em áudio e filme, objetos de seu espólio pessoal e empréstimos internacionais.

A intenção é apresentar, de uma forma nova, pontos de cristalização da história do século 20. E a obra da filósofa de fato se presta muito bem a isso, pois ela escreveu sobre temas centrais da época, como antissemitismo, colonialismo, racismo, nacional-socialismo e stalinismo, com um gosto de julgar notavelmente rigoroso, refletindo tanto prazer quanto ousadia.

Sobre a banalidade do mal

É longa a lista das controvérsias que a intelectual de origem judaica desencadeou ou incentivou. A mais intensa foi, certamente, a sobre seu livro Eichmann em Jerusalém, a qual se espalhou por todo o mundo e também toma bastante espaço na mostra em Berlim.

Em 1961, ela participou como repórter do julgamento do ex-tenente-coronel da SS Adolf Eichmann, que fora responsável pela deportação de milhões de judeus para campos de concentração e extermínio. A reportagem sobre o processo foi publicada dois anos mais tarde pela revista The New Yorker e, como livro, com o subtítulo Um relato sobre a banalidade do mal.

Mostra acompanha o olhar subjetivo de Arendt com fotos, documentos em áudio e filme e objetos de seu espólio pessoal

Lá, Arendt descreve o criminoso nazista como um tecnocrata sem convicções, que se apresentava como mero instrumento de seus superiores. A brutalidade do mal banal consiste em sua falta de reflexão e responsabilidade, observava ela, e a obediência “incondicional” repetidamente evocada por Eichmann é, em princípio, a expressão dessa atitude mental.

O estopim da controvérsia em torno do livro de Arendt não foi apenas a questão da “banalidade”, já lançada no título, mas também a postura dos “conselhos judaicos”. Será que os participantes dessas instituições foram culpados de colaboração?

“Deixamos à disposição do espectador os veredictos de Hannah Arendt sobre temas do século 20”, explica a curadora da exposição, Monika Boll. “Não porque acreditemos que ela sempre estivesse certa, de forma alguma. Mas, ao também transferir e delegar aos espectadores esse gosto de julgar, queremos que também eles formem seu julgamento.”

Uma decisão bem no espírito de Arendt, para quem julgar era uma atividade eminentemente política. Segundo Boll, para a filósofa, o nazismo não significou apenas o colapso de todos os valores morais, mas também o colapso da capacidade de julgar. Porque o julgamento fora cooptado pelo sistema, porque se dizia “nós”, e não “eu”. Dessa maneira, porém, também a questão da responsabilidade pessoal ficava delegada a instâncias impessoais.

“Pensamento sem corrimão”

Arendt nasceu próximo a Hannover em 1906, filha de judeus laicos, e cresceu nos meios cultos de Königsberg (hoje Kaliningrado, Rússia). Em 1924, começou a estudar Filosofia, tendo Teologia como cadeira secundária, primeiro em Marburg, mais tarde em Freiburg e Heidelberg. Por intermediação do filósofo Martin Heidegger, doutorou-se em 1928 sob a orientação de Karl Jaspers.

Escrevia para o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung e se ocupou de Rahel Varnhagen von Ense, uma intelectual judia do Romantismo, cuja história era considerada um exemplo de assimilação cultural bem-sucedida. Arendt, em contrapartida, via com ceticismo a ideia da assimilação em nome da igualdade de todos os seres humanos, a qual considerava politicamente ingênua. E ela causou escândalo com essa posição.

Antes de muitos outros observadores, já em 1931 Arendt partia do princípio de que os nazistas assumiriam o poder. E, ao contrário da maioria dos alemães, já em 1933 defendia a opinião de que o regime devia ser combatido ativamente.

Naquele mesmo ano, emigrou para a França, trabalhou em organizações sionistas e como pesquisadora em Paris até fugir em 1941, com o marido e a mãe, para Nova York, após passar por Lisboa. E ela se transformou numa apaixonada cidadão americana.

Coronavírus atrasou abertura da exposição no Museu Histórico de Berlim

Por toda a vida, permaneceu fiel a si mesma, sem nunca seguir uma determinada escola, tradição ou ideologia. Seu pensamento é difícil de classificar, e por isso tão interessante, comenta a curadora Boll: “Pode-se encontrar repetidamente nesse pensamento tanto componentes liberais como conservadores e de esquerda, de forma que ela é bem difícil de situar numa ala política.”

A própria Hannah Arendt definia essa atitude como “pensamento sem corrimão”. Além disso, era uma excelente escritora, e tudo isso a torna tão viva, “por isso mesmo dá tanto prazer se ocupar dela”, elogia Boll. De fato: quer se trate de suas reportagens sobre a Alemanha do pós-guerra, ou suas declarações sobre a questão dos refugiados, o racismo nos Estados Unidos, o movimento estudantil internacional, ela sempre consegue surpreender.

Na mostra no DHM de Berlim, a venerável filósofa continua estimulando os visitantes a questionarem seus próprios pontos de vista, e provando a importância de ter uma opinião própria fundamentada. A curadora Boll dá uma dimensão atual à questão: justamente em tempos de fake news e histeria de massa produzida pelas redes sociais, Hannah Arendt é um maravilhoso antídoto.

Dachau

Apps de relacionamento: saiba como se proteger de golpes

Encontrar uma nova amizade ou um parceiro ideal pode estar a um match de distância. É por esse motivo que apps de relacionamento, como o Tinder e o Happn, figuram entre os mais instalados nas lojas de aplicativos.

Com a impossibilidade de realizar encontros físicos, devido às medidas para combater o avanço do coronavírus, a busca por esses recursos ganhou ainda mais força.

Segundo um levantamento realizado pela Match Group, empresa responsável pelo Tinder e outros apps do segmento, em abril, a quantidade de mensagens diárias enviadas foi 27% superior, se comparada à última semana de fevereiro. Em todo o mundo, os aplicativos líderes no ranking também registraram um crescimento no número de usuários e interações.

Ao redor do mundo, a estimativa é que cerca de 330 milhões de usuários estarão conectados nestes apps até 2023. Créditos: Unsplash

Apelidado pelo público de “carentena”, o período de isolamento social demanda o fortalecimentos das relações pessoais. Assim, qualquer recurso tecnológico que nos auxilie no desenvolvimento da vida afetiva é válido. No entanto, é preciso ter cautela. Golpistas continuam a enxergar esse tipo de aplicativo como mais uma oportunidade para manipular as vítimas.

Daniel Cunha Barbosa, especialista em segurança da informação e pesquisador da ESET no Brasil, alerta para vulnerabilidade de usuários que se deixam levar pela ansiedade em conhecer alguém especial. “É justamente nesses momentos que os cibercriminosos se aproveitam, tirando vantagem em conquistar a confiança da pessoa que está do outro lado da tela e, com isso, ter acesso a informações pessoais sigilosas, como endereço, círculo familiar e de amizade da vítima e até dados bancários”, comentou.

Veja como se proteger:

Não forneça dados privados, como seu endereço residencial ou de trabalho;
Faça uma breve pesquisa na web para se certificar da veracidade das fotos/vídeos recebidos;
Desconfie caso as informações ditas pela pessoa não corresponde àquelas compartilhadas nas redes sociais;
Fique atento se houver manifestação de sentimentos profundos após um curto período de conversa;
Não envie nenhuma foto/vídeo que poderia te comprometer posteriormente.
Recomendações para o seu dispositivo:
Instale uma solução de segurança no seu computador pessoal, smartphone e em qualquer outro equipamento que você usa em casa ou no trabalho;
Mantenha atualizado o sistema operacional;
Utilize a autenticação de dois fatores em aplicativos que dispõem deste recurso;
Não clique em links suspeitos.

Redes Sociais e o fascismo de Trump

Quando o presidente dos Estados Unidos propôs no Twitter a suspensão das eleições de novembro, ele deixou claro que a tarefa em mãos é mantê-lo no cargo de outra forma.

“Com a votação por correspondência universal (não a votação de ausência, o que é bom), 2020 será a eleição mais imprecisa e fraudulenta da história. Será um grande constrangimento para os EUA. Atrase a eleição até que as pessoas possam votar de forma adequada, segura e segura ??? ” Isso é o que o presidente dos EUA, Donald Trump, escreveu em uma mensagem no Twitter em 30 de julho de 2020.

O que significa para o presidente dos Estados Unidos propor a suspensão das eleições de novembro? O tweet de Trump proclama que a próxima eleição será “imprecisa e fraudulenta“. No entanto, na medida em que os americanos têm problemas para votar, eles são culpa do presidente e de seus aliados. Trump está fabricando uma crise: criando um problema, culpando os outros por ele e usando-o para reivindicar o poder.

Metade dos estados americanos aprovou recentemente leis que parecem ter o objetivo de dificultar a votação dos americanos não brancos. Qualquer pessoa que desejasse que os Estados Unidos fosse uma democracia representativa iria reverter isso. Nos últimos meses, mais americanos do que nunca se conscientizaram do racismo que exclui as vozes negras da política. No entanto, longe de buscar uma solução para esse problema, Trump usou os protestos como desculpa para colocar uma nova polícia secreta americana nas ruas.

Quando em 2019 o Congresso aprovou um projeto de lei que teria acabado com esses abusos e facilitado o voto de todos os americanos, ele foi bloqueado pelo Senado, que é controlado pelo partido de Trump, os republicanos.

A maior fonte de imprecisão e fraude na democracia americana é a privação de direitos dos eleitores negros

Uma segunda ameaça às eleições de novembro é a intervenção estrangeira. Aqui, novamente, Trump é a fonte do problema e o tornou pior. Nas eleições de 2016, Trump conscientemente ganhou vantagens com uma campanha russa na Internet destinada a torná-lo eleito. A Rússia divulgou e-mails de seu oponente, Hillary Clinton, e a Rússia influenciou as conversas políticas nas redes sociais. Uma importante cientista política, Kathryn Hall Jamieson, concluiu que eles provavelmente levaram a eleição para Trump. Como sabemos pelo novo livro do historiador David Shimer, Rigged: America, Russia and 100 Years of Covert Electoral Interference, a administração Obama acreditava que a Rússia em 2016 também tinha a capacidade de intervir diretamente na contagem dos votos.

No cargo, Trump negou que nada disso tenha acontecido e puniu aqueles que chamaram a atenção para o curso real dos negócios. Agora sabemos que Trump no cargo continuou a solicitar ajuda de governos estrangeiros para ser reeleito. Ao perdoar seu aliado Roger Stone, que serviu como intermediário entre a campanha de Trump e a Rússia em 2016, Trump enviou um sinal óbvio de que espera se beneficiar da intervenção russa em 2020. O Congresso aprovou um projeto de lei que foi criado para tornar o sistema eleitoral americano mais defensável da Rússia ou qualquer intervenção estrangeira. Isso também foi bloqueado pelo Senado controlado pelos republicanos.

A questão que Trump menciona no tweet, a alta taxa de votação por correspondência, também é resultado de suas próprias ações. É importante notar, entretanto, que não há nada de errado em votar pelo correio. O próprio Trump vota pelo correio, assim como muitos de seus conselheiros mais próximos. Votar em papel é muito mais seguro do que votar digitalmente.

A razão pela qual os americanos desejam votar pelo correio em 2020 é sua própria segurança. O país está no meio de uma pandemia que já matou 150.000 pessoas. A escala do sofrimento, da morte e do medo é resultado das próprias decisões de Trump: contestar a ciência, enviar o sinal de que as pessoas não devem usar máscaras, se opor ao teste sistemático que é uma condição necessária para o tratamento e para impedir a propagação da doença.

Na medida em que o serviço postal dos EUA não pode lidar com a correspondência extra, isso também é claramente culpa de Trump. Ele vem atacando o serviço postal há anos e recentemente nomeou um doador não qualificado como chefe dos correios. O novo postmaster general tomou decisões que parecem destinadas a fazer o serviço postal funcionar mal. Os americanos já notaram que seu correio está atrasado.

Trump deixou claro que a tarefa em mãos é mantê-lo no cargo de alguma outra forma que não seja pela eleição.

Dadas essas contradições, que não são segredo para ninguém, como Trump pretendia que sua mensagem fosse entendida? Trump não é tolo. Ele sabe que tem poucas chances de vencer a eleição em novembro por meios normais. Ao enviar esta mensagem, ele está concedendo a eleição a seu rival democrata Joe Biden e iniciou a busca por outra forma de permanecer no cargo. Seu tweet se destina não àqueles que discordam dele, mas àqueles que estão dispostos a segui-lo para a tirania.

Em seu tweet, Trump deixou claro que a tarefa em mãos é mantê-lo no cargo de alguma outra forma que não seja por eleição. Ele sabe que não tem poder para atrasar as eleições. O que ele busca com este tweet são aliados nos Estados Unidos, ou no exterior, que ajudem a criar uma situação em que uma eleição parece impossível.

O tweet de 30 de julho é, portanto, um ponto de viragem. Antes dessa data, os apoiadores de Trump podiam dizer a si mesmos que estavam envolvidos em uma campanha presidencial normal. Após essa data, os apoiadores de Trump devem enfrentar sua alegação aberta de que a eleição de novembro não contará. Isso levanta a questão de o que significa agora estar do lado do presidente dos Estados Unidos. É claro que significa ser contra a democracia e a favor do autoritarismo.

Qualquer pessoa que apoiar Trump depois de 30 de julho fez uma escolha moral: por uma pessoa e contra a constituição americana. Todos que trabalham para a campanha de Trump, doam dinheiro ou planejam votar nele foram avisados: agora são todos atores de uma charada, mantendo as aparências até novembro, fornecendo cobertura para a ação real, que será em algum lugar outro. Esses três pontos de interrogação no final do tweet são um sinal de que alguém deve encontrar uma maneira não democrática de manter Trump no poder. Há um consenso notável entre os pensadores americanos, desde um importante intelectual público de esquerda a um importante professor de direito de direita, que o tweet de Trump foi “fascista”.

Eu mesmo escrevi nessa linha. Mas isso pode ser profundamente verdadeiro em um sentido que até agora foi esquecido. Como mostrou o historiador inglês Ian Kershaw, o estilo nazista era “trabalhar em direção ao Führer”: entender uma mensagem de um líder não como uma série de proposições lógicas ou observações empíricas, mas como um guia de como o mundo deveria ser, como uma dica de para o que os seguidores devem fazer. Nesse caso, a dica é que as eleições devem ser estragadas: uma dica que pode ser aproveitada pelo postmaster geral de Trump, ou por legislaturas estaduais republicanas, ou por americanos armados.

Qualquer um que tentar cumprir as ordens de Trump e estragar a eleição se arrependerá

É improvável que prevaleçam, entretanto. Demorou um pouco, mas agora muitos americanos, mesmo que não entendam bem o significado mais profundo do estilo de Trump, estão cientes de que precisam estar preparados para uma eleição diferente de qualquer outra. Qualquer um que tentar cumprir as ordens de Trump e estragar a eleição se arrependerá. Esse é o outro significado desses três pontos de interrogação: Trump espera que outra pessoa infrinja a lei para que ele possa permanecer no poder, mas não tem intenção de assumir a responsabilidade pelo que acontecerá a seguir. Ele deixará para outros a tarefa de paralisar a democracia americana para que ele possa viver com conforto. Se a Rússia tentar isso, quase certamente enfrentará toda a ira de um governo Biden. Se os americanos tentarem “trabalhar para o Führer”, seu líder os trairá no final.

Essa é a única maneira pela qual Trump é perfeitamente consistente: tudo se refere a ele e todos devem ser sacrificados a ele. Ao contrário dos fascistas tradicionais, ele não sonha com uma causa grande e terrível. Ele simplesmente espera que outros sofram por ele.

Timothy Snyder é o professor Levin de História na Universidade de Yale e membro permanente do Instituto de Ciências Humanas de Viena. Ele é o autor, mais recentemente, de On Tyranny e The Road to Unfreedom. Seu novo livro, Our Malady, será publicado em setembro.

Tecnologia,Crimes Cibernéticos,Internet,Redes Sociais,Hackers,Privacidade,Malware,Stalkware,WhatsApp,Facebook,Instagram,Twitter

O dia em que as grandes empresas de tecnologia deixaram de ser intocáveis

Os CEOs da Apple, Amazon, Google e Facebook testemunham juntos pela primeira vez nesta quarta-feira perante o comitê antitruste do Congresso dos EUA.

Chefes do Facebook, Mark Zuckerberg; do Google, Sundar Pichai; Apple, Tim Cook e Amazon, Jeff Bezos, testemunharão juntos pela primeira vez no comitê antitruste do Congresso dos EUA.

 BERTRAND GUAY TOBIAS SCHWARZ ANGELA WEISS MARK RALSTON / AFP

A regulamentação, o principal medo das grandes empresas de tecnologia, está se aproximando todos os dias. Após um ano de investigação, dezenas de entrevistas e centenas de milhares de documentos, os 15 membros do comitê antitruste do Congresso dos Estados Unidos estão prontos para seu maior exame: interrogar os presidentes executivos das quatro principais empresas de tecnologia nesta quarta-feira. Jeff Bezos, da Amazon; Tim Cook da Apple; Sundar Pichai, do Google, e Mark Zuckerberg, do Facebook, terão que se explicar e se defender sobre se suas empresas prejudicam a concorrência e os consumidores. Além do espetáculo, sua capacidade de condenação dependerá em parte se eles merecerem que novas leis regulem suas práticas.

Eles aparecerão juntos, mas o interrogatório será virtual, o que evitará a parafernália emblemática pela qual outras indústrias passaram ao se defender: empresas de tabaco, empresas farmacêuticas ou bancos, após a última crise. A maioria dos americanos acredita que o poder da tecnologia é excessivo e a sensação é de que algo deve ser feito: 77% acreditam que têm muito poder ou 60% acreditam que fazem mais para dividir a sociedade do que para uni-la, de acordo com dados de Gallup.

No entanto, quando perguntados sobre cada empresa em particular, quase todos obtêm uma boa nota, de acordo com dados anuais do meio digital The Verge: cerca de 70% dos americanos confiam na Netflix, Apple e Google, que estão atrás da Microsoft (75% ) e Amazônia (73%). Dos quatro primeiros, apenas o Facebook suspende com 41% de confiança.

O problema dessa longa batalha pela regulamentação não é apenas decidir se o poder de mercado dessas empresas prejudicou os consumidores e limitou seus rivais, mas como remediar a situação sem piorá-la. A principal solução que surge, por ser a mais simples, é quebrá-los: separar o WhatsApp e o Instagram do Facebook, o YouTube do Google ou o Amazon Web Services da Amazon. A situação recente mais semelhante foi a Microsoft há duas décadas e não deu em nada. Mas as soluções que acabam aparecendo também podem ser mais criativas. Nesta quarta-feira, às 18h00, uma longa batalha começou. Acima de tudo, é algo que até agora eles tinham pouca preocupação. Mas os tempos de crescimento como o único guia terminaram.Tecnologia,Internet,Redes sociais

Entre os que aparecem, estará a pessoa mais rica do mundo, Jeff Bezos, e o sétimo, Mark Zuckerberg, de acordo com a lista da Forbes. Zuckerberg também será o mais novo, aos 36 anos e, ao mesmo tempo, o mais velho veterano de aparições no Congresso. Será a quarta vez após suas declarações devido à interferência eleitoral e à privacidade. Para Pichai, 48, e Cook, 59, será o segundo. Apenas Bezos, aos 56 anos, estreará.

Apesar do ritual conjunto e da importância da aparência, os desafios e as estratégias de defesa de cada uma dessas empresas são diferentes. Desinformação, radicalização, comissões exageradas, obtenção ilegítima de dados da competição, decisões aleatórias sobre rivais ou a limitação da oferta são apenas alguns exemplos. Nessas empresas dominantes, há várias razões pelas quais elas podem estar explorando sua posição.

Essas são as críticas que cada uma dessas empresas recebeu. Durante a aparição, no entanto, alguns congressistas provavelmente postarão suas perguntas sobre supostos danos contra causas conservadoras ou outros problemas colaterais para ganhar pontos. No final, isso também é político.

Amazon e a nuvem

A Amazon cresceu mais, se possível, durante a pandemia. Apesar de sua reputação de ser um site de comércio digital, seu serviço de servidor em nuvem para governos e empresas, chamado Amazon Web Services (AWS), também é líder em seu setor.

Mas Bezos não estará perante o Congresso por isso, mas por abusar de seu papel dominante de fornecedor com seus fornecedores e de plataforma para terceiros. O frete grátis pelo Amazon Prime é uma opção tremendamente popular nos EUA, limitando as opções da concorrência. A Amazon possui informações detalhadas sobre o que outros produtos vendem melhor, para que possam ser fabricados com a sua marca. A empresa também controla logicamente a maneira como os produtos são exibidos na web. 49% das pesquisas de produtos começam na Amazon e apenas 22% no Google. A Amazon domina cerca de metade do comércio eletrônico nos EUA.

Apple e sua App Store

O grande debate da Apple está na App Store. Fora da China, Apple e Google, com sua plataforma Android, dominam o mercado global. A empresa Cupertino cobra uma comissão de 30% de todas as vendas de aplicativos e dentro de aplicativos de sua loja online. E publicou um relatório nesta semana em que diz que 30% é padrão no setor, sem notar que a própria empresa era um dos principais fatores desse padrão.

Mas esse não é o único problema da App Store: o Spotify iniciou uma longa guerra com a Apple sobre se a empresa beneficia seu próprio aplicativo, o Apple Music, em sua plataforma. O poder da empresa de Tim Cook se estende além da própria loja: até agora o navegador de seu sistema operacional era, por padrão, o Safari, o navegador da empresa. Com a nova versão de seu sistema, os usuários poderão escolher.

Google e um mecanismo de pesquisa em mudança

O Google é, junto com a Apple, a empresa que deve se defender mais. Seu monopólio nas plataformas móveis é quase inabalável. Além disso, ele ainda domina a pesquisa. Não apenas por causa do Google, mas porque o YouTube é o segundo mecanismo de pesquisa mais usado no mundo. O mecanismo de pesquisa do Google tradicionalmente servia para enviar usuários à web mais útil para sua pesquisa. Esse resultado ideal foi oculto ao longo dos anos sob uma ampla camada de anúncios, mapas, “coisas que as pessoas também procuram” e outros serviços que limitam a aparência dos resultados desejados.

Uma investigação do site de marcação das 15.000 pesquisas mais populares nos EUA resulta em 41% do principal espaço móvel ocupado por resultados oferecidos pelo próprio Google na mesma página, sem a necessidade de clicar para acessar outro site . O que anteriormente era um serviço para o usuário acessar o site mais adequado para sua pesquisa se tornou um espaço para o Google tentar fazer com que o usuário seguisse o Google.

O Google também possui uma plataforma essencial para colocar anúncios em sites, no navegador principal (Chrome) e na maior plataforma de vídeo (Youtube). Além disso, seu papel no Android oferece uma capacidade incrível de pressionar quando se trata de saber como outros aplicativos são usados ​​ou pressionar os desenvolvedores a usarem seu mecanismo de pesquisa em aplicativos.

Facebook e a desculpa perfeita

A empresa de Zuckerberg tem sido a mais analisada e odiada nos últimos anos. Seu principal serviço, o Facebook, é amplamente utilizado em todo o mundo, mas também tem sido um centro de críticas por razões tão diversas e terríveis quanto o suposto facilitador de genocídio ou trapaça eleitoral. Ao contrário do Amazon ou do Gmail, milhões de usuários veem o Facebook como uma ferramenta para espalhar desinformação e causar desunião, em vez de conectar pessoas.

A futura integração de mensagens diretas do Messenger, Instagram e WhatsApp provavelmente será uma das chaves para a aparência. Zuckerberg é claro, no entanto, sua desculpa perfeita hoje: TikTok. Se as empresas americanas que competem nas mídias sociais forem fragmentadas, elas terão mais dificuldade em competir com seus novos rivais, que também são chineses.

“Não abrir o Twitter” e outros truques de Margaret Atwood para não procrastinar no trabalho em casa

A autora de ‘O conto da aia’ se define como uma especialista em adiar tarefas. Entretanto, tantos anos de teletrabalho lhe serviram para se impor algumas estratégias para conseguir cumprir os prazos.

A famosa escritora canadense Margaret Atwood sempre se apresentou em público como uma procrastinadora nata. Como ela mesma contou em várias ocasiões, costumava passar o dia vendo vídeos, lendo as notícias ou se preocupando com o que tinha que fazer. Entretanto, só conseguia começar a trabalhar, já de noite, quando não havia outro remédio senão correr para cumprir os prazos assumidos com os editores.

O que acontece com a autora de O conto da aia é algo muito habitual e pode virar um problema para quem não está muito habituado a se organizar, agora que o hábito do home office se generalizou em tempos de pandemia do coronavírus. Segundo os especialistas, ao contrário do que se acredita, não adiamos as tarefas para vagabundear, e sim para evitar situações que nos produzem um mal-estar emocional. É por isso que tendemos a adiar as tarefas que nos geram confusão, ansiedade ou tédio.

Como evitar isso? Margaret Atwood compartilhou alguns de seus truques em uma conversa com o psicólogo Adam M. Grant. Como se pode ouvir no podcast Ted WorkLife, o fundamental é tratar de mitigar essas emoções negativas que nos levam a adiar nossas obrigações. Atwood, que garante nunca ter perdido um prazo de entrega, se guia pelas seguintes pautas:

Seja amável com você

Em vez de nos castigarmos e repetirmos o tempo todo que somos um fracasso, é preciso pensar que esta realidade faz parte da condição humana e é mais comum do que imaginamos. Segundo Grant, em torno de 15% a 20% das pessoas adultas são procrastinadoras crônicas, e as demais também adiarão em suas obrigações de vez em quando. Para romper a tendência e mudar o hábito, temos que tratar de ser indulgentes com nosso eu procrastinador do passado em vez de nos tornarmos muito rigorosos desde o começo. A culpa, neste caso, não ajuda. Em vez de ser um sentimento motivador, a única coisa que os procrastinadores conseguem é acentuar mais a postergação.

Não julgar nosso trabalho antes de começá-lo

Algo que tampouco ajuda é fixar expectativas muito altas sobre a tarefa a atacar, porque podemos entrar no loop do perfeccionismo neurótico e não avançar. Para isso, devemos tentar analisar ou criticar nosso trabalho só depois de pronto. Atwood, por exemplo, explica que ela mesma procrastinou durante três anos antes de começar O conto da aia porque acreditava que o argumento era muito louco, e tratou de escrever um romance mais normal no seu lugar. Seu conselho: “Avance, diga algo. É possível que não seja o certo, mas depois pode você pode jogar fora e ninguém vai ficar sabendo daquela estupidez que você escreveu”. É desta forma, conta Grant no podcast, que os perfeccionistas produtivos trabalham: em vez de se preocuparem com o que os outros vão achar do seu trabalho, estabelecem objetivos elevados em função de seus próprios padrões de qualidade.

Deixar que o ‘eu do dever’ mande sobre o ‘eu do querer’

Uma ferramenta que Atwood achou útil foi promover uma espécie de desdobramento de personalidade. Para isso se valeu, por um lado, de seu nome real e, por outro, do diminutivo com o qual cresceu. “Margaret se encarrega de escrever, e a outra (Peggy) faz todo o resto”, diz a escritora. Quando uma tende a se dispersar, a outra lhe recorda o que precisa fazer.

De fato, conforme apontam os psicólogos como Grant, todos nós temos um eu dominado pelas emoções (eu do querer) e outro eu que se encarrega de fazer o certo (eu do dever), assim, quando temos que cumprir tarefas que nos dão preguiça, convém que o segundo prepondere sobre o primeiro. Para treinar o eu do dever, basta planejar e organizar nosso tempo com antecipação. Também ajuda tomar medidas para evitar distrações, ou acionar despertadores para recordar ao nosso cérebro que é hora de funcionar. Como aponta Grant, estabelecer sessões de 15 minutos diários para realizar uma tarefa deveria ser suficiente para começar a vencer a procrastinação.

Fazer uma lista de coisas a evitar enquanto se trabalha.

As redes sociais, fora
O habitual é criar listas de coisas pendentes, mas os especialistas recomendam também fazer o mesmo com aquilo com que não devemos nos distrair quando queremos levar um trabalho adiante: não fazer scroll infinito numa rede social depois de publicar, não ligar a televisão se não for para ver algo concreto etc. No caso de Atwood, essa lista de proibições inclui não olhar o Twitter nem tuitar enquanto está escrevendo. O truque que usa para conseguir é se despedir publicamente por um momento.

Twitter testa mensagens de áudio em tweets de até 140 segundos

O Twitter liberou uma novidade nesta quarta-feira (17) para alguns usuários do iPhone: os tweets de voz permitem gravar áudios e publicá-los diretamente na timeline. Cada mensagem tem limite de 140 segundos e aparece na linha do tempo com a foto de perfil e um reprodutor de mídia.

Twitter permite publicar tweets de voz através do iPhone; app permite publicar mensagens de áudio com até 140 segundos.

Twitter e mensagem de voz

Funciona assim: ao criar um novo tweet no app para iOS, há uma opção com o aviso “Grave o que está acontecendo”. Ao tocar nela, surge uma interface de gravador para criar a mensagem de áudio; basta tocar no botão vermelho de microfone. Por enquanto, não há um recurso nativo para enviar áudios pré-gravados.

A novidade será liberada “nas próximas semanas” para todos os usuários do Twitter no iOS; a rede social não menciona outras plataformas, como Android e web.

Twitter tem limite de 140 segundos para tweets de áudio
Como explica o Twitter, os áudios têm limite de 140 segundos (refletindo o antigo limite de 140 caracteres no Twitter). Você pode gravar mensagens mais longas que isso, mas elas serão cortadas em dois ou mais tweets publicados em sequência.

“Quando você atinge o limite de tempo para um tweet, um novo tweet de voz começa automaticamente a criar uma sequência de mensagens”, diz o Twitter em comunicado.

Twitter e mensagem de voz
O áudio é exibido na timeline com a foto de perfil e a duração. Ao tocar nele, o app para iPhone mostra uma barra na parte inferior para reproduzir e pausar; é possível ouvir tweets de voz com o app em segundo plano.

Na web, no Android e em tweets incorporados (exemplo abaixo), a mensagem aparece no formato tradicional de vídeo:

Vale lembrar que o Periscope, ferramenta de vídeos ao vivo do Twitter, permite incluir convidados para comentar transmissões através de mensagens de voz. Agora, também será possível postar áudios na linha do tempo; só ficou faltando ter esse recurso nas mensagens diretas (DMs), como no Instagram.

Tecnologia,Crimes Cibernéticos,Internet,Redes Sociais,Hackers,Privacidade,Malware,Stalkware,WhatsApp,Facebook,Instagram,Twitter

Twitter bane mais de 170 mil perfis ligados ao governo da China

Segundo a rede social, perfis disseminavam informações falsas para difamar movimento pró-democracia em Hong Kong e espalhar críticas aos EUA e Taiwan.

Contas também publicavam notícias falsas sobre pandemia de covid-19.

Twitter cancelou mais de 170 mil perfis associados a campanhas chinesas de desinformação

O Twitter informou nesta sexta-feira (12/06) que cancelou mais de 170 mil perfis ligados ao governo da China que propagavam campanhas de desinformação que tinham como alvo o movimento pró-democracia em Hong Kong, além de disseminar propagandas antiamericanas.

Após uma análise realizada juntamente com grupos de pesquisadores, o Twitter disse que desmantelou redes associadas ao governo chinês administradas por um núcleo bastante ativo de 23.750 contas, além de outros 150 mil perfis que funcionavam como “amplificadores” desse conteúdo.

“Eles tuitavam predominantemente no idioma chinês e disseminavam narrativas geopolíticas favoráveis ao Partido Comunista da China, ao mesmo tempo em que empurravam narrativas sobre a dinâmica política em Hong Kong”, afirmou a rede social em sua análise.

O Twitter foi banido na China, assim como as plataformas Youtube, Google, Instagram e Facebook, com a imposição do chamado “Grande Firewall”, que restringe o acesso a sites de notícias e de informação de fora do país. Mesmo assim, diplomatas chineses e a imprensa estatal do país costumam recorrer a esses meios para difundir a narrativa de Pequim.

Além de disseminar a narrativa chinesa sobre os protestos em Hong Kong, os tuítes chineses também espalhavam informações falsas sobre a pandemia de covid-19 e críticas ao governo de Taiwan. Analistas e alguns governos ocidentais já vinham alertando sobre as suspeitas de que a China manipula perfis e contas controladas pelo Estado, disfarçados de usuários normais, para disseminar os pontos de vista do governo e espalhar desinformação.

Um analista do Instituto Australiano de Políticas Estratégicas (Aspi), que estudou os dados antes do anúncio feito pelo Twitter, disse que os perfis chineses lançavam críticas à reação do governo americano aos protestos antirracistas no país, no intuito de “criar uma percepção de equivalência moral com a supressão dos protestos em Hong Kong”.

“Nossa análise mostra que, ao mesmo tempo em que não permite que os cidadãos utilizem o Twitter, o Partido Comunista chinês gosta de utilizá-lo para disseminar propaganda e desinformação internacionalmente”, disse Fergus Hanson, diretor do Aspi.

O especialista observou também que as postagens da rede chinesa eram feitas, na maioria das vezes, durante o horário de expediente no país e nos dias úteis. Esse padrão, segundo Hanson, “demonstra claramente a não autenticidade e a coordenação” da divulgação de informações falsas.

O anúncio do Twitter veio no mesmo dia que o aplicativo Zoom, de conversas em grupo, acatou exigências impostas pelo governo chinês e fechou contas de ativistas pró-democracia dos Estados Unidos e de Hong Kong. A plataforma, que ganhou milhões de novos usuários durante a pandemia do novo coronavírus, foi utilizada para relembrar o massacre promovido pelo regime na Praça da Paz Celestial, em Pequim.

Twitter esconde tuíte de Trump por ‘glorificar a violência’

O Twitter ocultou um tweet do presidente Donald Trump de seu perfil, dizendo que ele viola regras sobre a glorificação da violência.

O mesmo aconteceu mais tarde, quando a conta oficial da Casa Branca twittou uma cópia das palavras do presidente.

Ele diz que “o Twitter determinou que pode ser do interesse do público que o Tweet permaneça acessível”.

Esta é a última controvérsia consecutiva entre o Twitter e a Casa Branca.

O presidente dos EUA se encontra em companhia inesperada ao lado de outros líderes mundiais cujos tweets foram censurados. Em fevereiro de 2019, o Twitter removeu um tweet do líder supremo aiatolá Ali Khamenei após parecer ameaçar o autor Salman Rushdie. Também no ano passado, várias contas associadas ao presidente cubano Raul Castro e a membros de seu governo foram suspensas, citando violações de política.

Trump estava twittando sobre a cidade americana de Minneapolis, que passou noites consecutivas de protestos após a morte de um negro sob custódia policial.O presidente disse que “enviaria a Guarda Nacional” e seguiu com um aviso de que “quando a pilhagem começa, o tiroteio começa”.

Esse segundo tweet foi escondido pelo Twitter por “glorificar a violência”.

A política do Twitter de adicionar um aviso a, em vez de excluir, tweets que violam suas regras quando se trata de grandes figuras públicas foi anunciada em meados de 2019. Mas a rede social nunca a usou em Trump – nem apagou nenhum de seus tweets antes.

“Esta é a coisa mais corajosa e arriscada que eu já vi o Twitter – ou qualquer gigante das mídias sociais -“, ​​disse Carl Miller, do Centro de Análise de Mídias Sociais do think tank Demos, sediado no Reino Unido.

“Isso joga combustível de foguete sobre o debate de danos online versus liberdade de expressão. A política de conteúdo online não fica mais incendiária do que isso”.

A mesma publicação permanece inalterada no Facebook, sem nenhum aviso anexado.

Na sexta-feira, o presidente procurou esclarecer os tweets dizendo que era mal interpretado.

“Saques levam a tiros, e é por isso que um homem foi morto a tiros em Minneapolis na noite de quarta-feira – ou veja o que aconteceu em Louisville com 7 pessoas baleadas”, ele twittou.

Sete pessoas foram baleadas em Louisville, Kentucky, em um protesto pela morte de Breonna Taylor, que foi baleada por três policiais brancos em março.

“Não quero que isso aconteça, e é isso que a expressão divulgada na noite passada significa”, escreveu ele.

A medida significa que outros usuários não poderão gostar, responder ou simplesmente retweetar a publicação de Trump, disse o Twitter. No entanto, eles ainda poderão retuí-lo com um comentário anexado.

Em um tópico do Twitter, a rede social afirmou: “Este tweet viola nossas políticas sobre a glorificação da violência com base no contexto histórico da última linha, sua conexão com a violência e o risco de que possa inspirar ações semelhantes hoje”.

O “contexto histórico” é uma referência à frase “quando o saque começa, o tiroteio começa”, cunhado pelo chefe de polícia de Miami, Walter Headley, em 1967, em referência às suas políticas agressivas de policiamento em bairros negros.

Um relatório posterior apresentado à Comissão Nacional de Causas e Prevenção da Violência descobriu que sua política de “endurecer”, envolvendo “a exibição frequente de espingardas e cães pela polícia de Miami em bairros negros”, contribuiu para um estado de agitação na comunidade negra. até a erupção do motim de Miami em 1968, oito meses depois.

O Twitter disse: “Agimos com o intuito de impedir que outros se inspirassem a cometer atos violentos, mas mantivemos o tweet no Twitter porque é importante que o público ainda possa ver o tweet, dada sua relevância para os assuntos em andamento. de importância pública “.

Horas depois que o aviso foi adicionado, o presidente Trump twittou: “O Twitter não está fazendo nada sobre todas as mentiras e propaganda divulgadas pela China ou pelo Partido Democrata da Esquerda Radical” e alegou que a rede social estava mirando republicanos.

Ele se referiu diretamente a ordem executiva que assinou na noite anterior, com o objetivo de remover algumas das proteções legais dadas às plataformas de mídia social.

No início desta semana, o Twitter usou sua função de verificação de fatos para anexar avisos aos tweets do presidente pela primeira vez. Isso levou o presidente a ameaçar “desligar” as redes sociais por supostamente sufocar a liberdade de expressão.

A ordem executiva assinada por Trump não tem efeito imediato nas redes sociais, no entanto – em vez disso, inicia um processo demorado que pode resultar em mudanças na linha.

Facebook cria órgão independente que decidirá o que seus usuários podem ver

Uma ganhadora do Nobel da Paz, uma ex-primeira-ministra dinamarquesa, um ex-diretor do ‘The Guardian’ e um professor da UERJ estão entre os membros do novo conselho moderadorFacebook,Zuckerberg,Tecnologia,Redes Sociais,Internet,Privacidade

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg.

Nick Clegg: “O Facebook não pode ser a polícia da Internet”

Tribunais europeus podem obrigar Facebook a apagar comentários ofensivos em todo o mundo

Facebook amplia restrições de conteúdos políticos no Vietnã e nos EUA

O Facebook anunciou a composição de um novo organismo que moderará conteúdos, uma instância independente à qual os usuários e a própria companhia podem recorrer para tomar decisões sobre publicações que afetam a liberdade de expressão e os direitos humanos.

Mark Zuckerberg, fundador da rede social, anunciou sua intenção de criar uma entidade à margem da estrutura da empresa para moderar os conteúdos mais polêmicos. O resultado é um conselho formado, até o momento, por 20 personalidades de todo o mundo, que selecionará e ponderará sobre os limites globais da liberdade de expressão. Suas decisões serão transparentes e de cumprimento obrigatório para a rede, desde que não entrem em conflito com leis locais. Os conteúdos suscetíveis de serem moderados serão os do Facebook e Instagram. O conselho não terá, ao menos por enquanto, capacidade sobre o WhatsApp, outra plataforma pertencente à companhia.

Esta nova instância depende de uma organização alheia à empresa, embora tenha sido criada pela matriz com uma doação irrevogável de 130 milhões de dólares (800 milhões de reais). Os membros do conselho, composto por 10 mulheres e 10 homens, não são funcionários do Facebook nem podem ser demitidos por Zuckerberg. Nesta quarta-feira, foi anunciada a composição desse órgão, que incluirá personalidades como a ativista iemenita Tawakul Kerman, ganhadora do Nobel da Paz de 2011, a ex-primeira-ministra dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt e o jornalista britânico Alan Rusbridger, que dirigiu o jornal The Guardian durante duas décadas.

Ronaldo Lemos, advogado de propriedade tecnológica e intelectual e professor de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), é um dos dois únicos latino-americanos da lista, ao lado da jurista colombiana Catalina Botero-Marino, diretora da Faculdade de Direito da Universidade de Los Andes e, entre 2008 e 2014, relatora para a liberdade de expressão na Organização dos Estados Americanos.

O nome oficial é conselho assessor de conteúdo, ou oversight board, e seus membros têm, sobretudo, perfis vinculados ao mundo do direito, ao ativismo digital e aos meios de comunicação. Ao todo serão 40, o dobro dos atuais, embora o processo de seleção deva se prolongar até 2021. O órgão tem quatro copresidentes, que são os que se encarregaram, junto ao Facebook, de recrutar os outros 16 convidados. Além de Botero-Marino e Thorning-Schmidt, os outros dois copresidentes serão os norte-americanos Jamal Greene, catedrático da Universidade Columbia, e Michael McConnell, ex-juiz federal dos EUA e hoje professor em Stanford.

“Isso representa uma mudança fundamental quanto à forma como as decisões difíceis são tomadas no Facebook”, disse Brent Harris, diretor de Assuntos Globais da empresa, em uma entrevista coletiva para jornalistas de todo o mundo, à qual o EL PAÍS assistiu e que teve a participação dos quatro copresidentes e de Thomas Hughes, diretor-administrativo do conselho. Embora sua fundação já seja oficial, só começará a analisar casos dentro de alguns meses. Nas próximas semanas, e com as dificuldades acrescentadas pela pandemia, a instituição contratará pessoal e decidirá a melhor forma de se coordenar e trabalhar.

Outros encarregados

 

Com esse conselho, a intenção da empresa é terceirizar um dos aspectos que mais lhe causam problemas em seu trabalho: os limites à liberdade de expressão dos usuários, levando em conta seus contextos nacionais. O Facebook já transferiu a verificação rotineira de conteúdos para organizações externas, que são as que assumem a avaliação sobre a veracidade de determinada publicação. O Facebook então só acrescenta esse veredicto ao conteúdo questionado e faz que essas mensagens sejam menos visíveis nas contas dos outros usuários.

Com o novo tribunal supremo ocorrerá algo semelhante. As atribuições difíceis não ficarão nas mãos dos funcionários da companhia, que assim se isolarão de decisões que frequentemente dependem de sensibilidades ideológicas ou regionais. Os veredictos deliberados do tribunal, que inclui gente muito diversificada, evitarão a sensação de que um grupo de executivos em Palo Alto decide o que centenas de milhões de pessoas veem ou deixam de ver. Por outro lado, o Facebook se comprometeu publicamente a cumprir as decisões do conselho. “Se não fizerem isso, o custo para a reputação seria muito alto”, disse Botero-Marino.

“Não seremos a polícia da Internet”, quis esclarecer McConnell. “Não será algo rápido, será mais uma corte de recursos que delibera depois do fato. O objetivo é promover a justiça, a neutralidade”, acrescentou. Serão três os critérios para selecionar os casos entre os milhares que chegarão, segundo McConnell: que afetem muita gente, que tenham muita importância por suas consequências, ou que possam afetar as políticas do Facebook. “Não haverá respostas corretas. Ninguém estará sempre satisfeito com nossas decisões”, acrescentou. Como empresa privada, o Facebook pode decidir sobre seu conteúdo. “O direito público vai por outro caminho”, explicou McConnell.

Inicialmente, o tribunal verá casos denunciados por usuários que tiveram conteúdo apagado pelo Facebook, mas depois permitirá os recursos de usuários que queiram pedir que se apague um conteúdo determinado. O conselho poderá decidir não só sobre publicações, também sobre anúncios ou grupos. Poderá também recomendar políticas ao Facebook baseadas nos veredictos.

“Sempre estive comprometido com a liberdade de expressão e de pensamento, mas o crescimento do Facebook criou novas oportunidades e desafios”, diz o juiz húngaro András Sajo, ex-vice-presidente do Tribunal Europeu de Direitos Humanos e um dos membros do conselho, numa mensagem de apresentação no site do organismo.

A rede social do mundo

Tecnologia,Internet,Redes,Computadores,Blog do Mesquita,Informática

Este novo tribunal dará mais peso à imagem do Facebook como a grande rede social do mundo. A metáfora que fala do Facebook como um país próprio ganha agora um pouco mais de fundamento: já tem seu poder judiciário independente. É difícil pensar em redes concorrentes que tenham a capacidade de instituir organismos que incluam personalidades de tanto nível e com capacidade de decisão real sobre os limites da liberdade de expressão em lugares com tradições diferentes. O tribunal se centrará no conteúdo do Facebook e Instagram, mas está aberto a assumir outras redes sociais, como o Twitter, conforme disse Thomas Hughes, seu diretor-administrativo.

O conselho permitirá, segundo Botero-Marino, que os Estados pensem duas vezes sobre a conveniência de regular a rede: “A melhor maneira de manter a arquitetura atual da Internet e evitar a regulação de Estados é que as companhias se autorregulem”, disse. “Este é um bom exemplo porque inclui independência, transparência e diversidade.”

“As sociedades não podem funcionar se seus cidadãos não chegarem a um acordo sobre que significa prova, fato e verdade”, diz Rusbridger em uma mensagem na Internet. “Talvez tenhamos demorado demais para percebermos isso. O conselho assessor de conteúdo parece ser o primeiro passo ousado e imaginativo da parte de um dos principais atores para encontrar um modo de conciliar a necessidade de impor algum tipo de padrão ou julgamento do que é publicado, ao mesmo tempo em que mantêm as coisas que são maravilhosas nas redes sociais e necessárias para a liberdade de expressão”, acrescenta.

Faltando ainda a definição de metade de seus membros, o conselho também tem lacunas. O Facebook não está presente na China, então a única integrante de fala chinesa é a taiwanesa Katharine Chen, catedrática de Comunicação na Universidade Nacional Chengchi. E a única pessoa vinculada à Rússia é a camaronesa Julie Owono, diretora-executiva da organização Internet Sem Fronteiras, que cresceu nesse país.

Há também cinco membros norte-americanos contra apenas três europeus (Sajo, Rusbridger e Thorning-Schmidt). Esse número de norte-americanos se deve, segundo Harris, ao fato de que havia muitos candidatos de lá que os impressionaram, e que a maioria dos casos mais polêmicos para a rede começaram nesse país.Internet,Tecnologia,Vírus,Malware,WhatsApp,Blog do Mesquita

Ao menos por enquanto, os membros trabalharão em tempo parcial e receberão uma compensação compatível “com os conselhos do setor tecnológico”, segundo Hughes. O trabalho deste tribunal não tem em princípio por que interferir na atuação dos verificadores de informação, embora seja provável que eventualmente ocorram conflitos. Durante a pandemia do coronavírus, a Espanha viveu uma polêmica substancial sobre a suposta censura nas redes sociais, embora centrada sobretudo no aplicativo de mensagens WhatsApp.