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Uma nova era do gelo ou uma recessão sem igual?

Ninguém dessa geração pós 1929 experimentou uma queda econômica tão repentina.Economia,Blog do Mesquita

Ainda não podemos dizer que estamos em recessão, pelo menos não formalmente. Um comitê decide essas coisas – não, realmente. O governo geralmente adota a visão de que uma contração não é uma recessão, a menos que a atividade econômica tenha caído mais de dois quartos.

Mas estamos em recessão e todo mundo sabe disso. E o que estamos experimentando é muito mais do que isso: um cisne negro, uma guerra financeira, uma praga. Talvez as coisas pareçam normais onde você está. Talvez as coisas não pareçam normais. As coisas não são normais.

Por semanas ou meses, não saberemos quanto o PIB desacelerou e quantas pessoas foram forçadas a sair do trabalho. As estatísticas do governo demoram um pouco para serem geradas. Eles olham para trás, os números mais recentes ainda mostram uma economia quente perto do pleno emprego.

Para quantificar a realidade atual, precisamos contar com histórias de empresas, pesquisas com trabalhadores, fragmentos de dados privados e alguns números de estados. Eles mostram uma economia que não está em crise, em contração ou em uma situação delicada, sem sofrer perdas ou vender ou corrigir. Eles mostram evaporação, desaparecimento no que parece uma escala religiosa.Economia,Capitalismo,Blog do Mesquita 01

O que está acontecendo é um choque para a economia americana, mais repentino e severo do que qualquer pessoa viva já experimentou. A taxa de desemprego atingiu o ápice de 9,9% 23 meses após o início formal da Grande Recessão. Apenas algumas semanas após a pandemia doméstica de coronavírus e apenas alguns dias após a imposição de medidas de emergência para detê-la, quase 20% dos trabalhadores relatam que perderam horas ou perderam o emprego.

Uma pesquisa em folha de pagamento e agendamento sugere que 22% das horas de trabalho foram evaporadas para funcionários horistas, com três em cada 10 pessoas que normalmente comparecem para o trabalho que não ocorre na terça-feira. Na ausência de uma forte resposta governamental, a taxa de desemprego parece alcançar alturas nunca vistas desde a Grande Depressão ou até o miserável final do século XIX. Uma taxa de 20% não é impossível.

Economia: O temor de uma recessão global prolongada

Larry Summers,Blog do MesquitaLarry Summers, secretário do Tesouro de William Clinton, fez pouco amigos na vida.

<=Larry Summers / Foto Wikimedia / CC

Quando ocupava aquele cargo, teve um papel decisivo na revogação da Lei Glass-Steagall, que em 1933 estabeleceu reformas bancárias para controlar a especulação, com a separação entre bancos de depósito e bancos de investimento.

A abolição dessa lei liberou uma enxurrada de dinheiro que deu origem ao atual sistema financeiro.

Summers também foi economista-chefe do Banco Mundial, de onde saiu em meio a polêmicas. Tornou-se presidente da prestigiosa Academia de Harvard, de onde foi obrigado a sair devido a um problema de gênero.

Com o presidente Barack Obama, foi diretor do Conselho Econômico Nacional, onde suas posições favoráveis aos negócios criaram novas polêmicas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Pode ser que por todos esses motivos muito poucas pessoas prestaram atenção às suas previsões a respeito da “nova economia”, uma expressão criada após a crise de 2009 para indicar que o desemprego é algo normal, que o mercado é o centro da economia e das finanças e que as medidas sociais e de bem-estar não mais seriam uma preocupação da economia.

Larry Summers adverte para uma “estagnação secular”. Em outras palavras, o crescimento anêmico nos acompanhará durante muito tempo. Seus alertas se baseavam no fato de que não existe uma ação política concreta para criar estímulos e que “num mundo que está apenas à beira de uma recessão global, muito pouco foi decidido sobre como estimular a demanda.

As autoridades dos bancos centrais comunicaram o sentimento de que pouco mais podem fazer para fortalecer o crescimento ou controlar a inflação”. Foi assim que Summers comentou a última reunião de ministros das Finanças do G20 (no dia 26 de fevereiro), quando estes não conseguiram chegar a um acordo sobre qualquer tipo de ação, concluindo com uma declaração dizendo que “os mercados estão se preocupando demais”.

“Uma expropriação gigantesca do norte para beneficiar o sul”

A dimensão da recente volatilidade do mercado não refletiu os fundamentos subjacentes do pântano em que está atolada a economia mundial, declarou Lou Jiwei, ministro das Finanças da China, que acolheu a reunião do G20 em Xangai.

O rígido ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, bloqueou uma proposta em favor do estímulo das reformas, defendida pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, insistindo que agora é um momento para reformas exclusivamente estruturais, e não para uma política fiscal e monetária de estímulo.

O caso da Grécia estava presente na cabeça de todo mundo. Mais tarde, ao comentar a enorme carga de refugiados bloqueados numa Grécia exausta, Schäuble declarou que embora esta tragédia humana necessite atenção, “não deveria desviar Atenas da aplicação de seu programa de reformas estruturais”.

Alguns dias depois, Mario Draghi [banqueiro e economista italiano e atual presidente do Banco Central Europeu – BCE] apresentou um grande programa de estímulo fiscal do BCE que está adotando o custo zero do dinheiro, ao mesmo tempo em que pretende aumentar a injeção de dinheiro de 60 a 80 bilhões de euros [de R$ 250 bilhões a 340 bilhões] por mês. De início, os mercados reagiram positivamente, em seguida desceram e agora estão novamente positivos.

Entretanto, Draghi advertiu, como sempre, que os bancos centrais não podem fazer o trabalho dos governos. A inflação faz parte do crescimento desde que não exceda 2%, mas até agora vem sendo de 0,1%. Avalia-se que o crescimento na zona do euro será de 1,4% em 2016 e espera-se que seja de 1,7% em 2017. Passaram-se cinco anos que, na prática, se entrou na estagnação e a Europa ainda não recuperou o nível econômico de antes da crise.

É claro que isto provocou enorme gritaria na Alemanha. Wolfgang Schäuble, que transformou a economia num ramo da ciência moral, declarou que “o dinheiro fácil leva à perdição”.

A choradeira geral é que o BCE está adotando uma política para resgatar os países endividados do sul da Europa às custas da Alemanha e dos demais países do norte da Europa, que não necessitam uma política monetária de custo zero.

O ministro alemão do Comércio Externo, Anton Börner, declarou: “Para a população alemã é uma catástrofe. Sua poupança foi expropriada. Trata-se de uma expropriação gigantesca do norte para beneficiar o sul”.

Maior país europeu só olha para seus interesses imediatos

É verdade que os alemães são grandes poupadores. Em suas contas, há mais de 2 bilhões de euros (R$ 8,4 bilhões), um terço do total da zona do euro. Com juro zero, o Union Investment [braço de investimentos do DZ Bank AG] calculou que irá perder 224 bilhões [R$ 940 bilhões], numa comparação com o que iria ganhar se fosse mantida a média do juro histórico dos depósitos.

O DZ Bank publicou um estudo segundo o qual o Tesouro italiano poupa 53 bilhões de euros [R$ 220 bilhões], em comparação com 9,5 bilhões [40 bilhões] da Alemanha. A Espanha também pouparia uma quantia semelhante: 42 bilhões de euros [R$ 175 bilhões].

O diretor do prestigioso Instituto de Pesquisa Econômica [Institut für Wirtschaftsforschung], de Munique, declarou: “Estamos diante de uma política de subsídios a bancos zumbis e aos Estado à beira da bancarrota.”

Tudo isso é mais uma prova de como o sonho de um projeto europeu está desaparecendo.

As queixas dos alemães são lógicas, mas unicamente a partir de um ponto de vista muito míope e egocêntrico. A Alemanha não pode ignorar que não é uma receita para o futuro: ela é uma ilha de prosperidade numa região que lhe proporciona um superávit constante na balança comercial e uma permanente fonte de receita de custo inferior ao de pedir dinheiro emprestado devido a seu saldo positivo em relação a outros países europeus.

Foto Flickr / CC

Se a zona do euro continuar com um índice de crescimento anêmico e uma taxa de inflação muito baixa, a estagnação se estabelecerá por muito tempo.

É fácil receitar reformas econômicas, mas de acordo com a União Europeia, os Estados Unidos, a China, os Brics e todos os outros, a |Alemanha deveria utilizar seu superávit pelo menos para investir em custos estruturais, como infraestruturas, para, dessa forma, estimular o crescimento. Por seu lado, o governo alemão mantém firmemente seus benefícios e considera que seu destino não tem nada a ver com o dos outros.

Está pronto para forçar a União Europeia a desembolsar 6 bilhões de euros [R$ 25 bilhões] para a Turquia, para que este país mantenha os refugiados fora até que a porta de admissão volte a ser aberta – algo que até agora foi rejeitado pela população alemã. A diferença entre o norte e o sul da Europa não é apenas o resultado da falta de disciplina do sul: é também resultado de que o maior país europeu olha unicamente, e cada vez mais, para seus interesses imediatos.

O que se discute são as contas de poupança

A opinião de Larry Summers parece cada vez mais realista. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o custo do petróleo vai aumentar. O número de plataformas de petróleo nos Estados Unidos caiu a seu nível mais baixo nos últimos seis anos, pois o preço baixo faz com que os equipamentos de alto custo sejam antieconômicos. O número de plataformas de petróleo e de gáschegou a 1.761, o número mais baixo desde 2002.

Isso em nada irá a ajudar a África, como um todo, à essencial recuperação chinesa e a um grande número de países latino-americanos e asiáticos, além da Europa. O comércio, que é um indicador econômicos fundamental, estagnou durante os últimos cinco anos. Tudo isto representa um conjunto de dados sem precedentes.

O debate sobre as reformas estruturais, por oposição ao dos estímulos econômicos e financeiros, parece um beco sem saída que está paralisando a comunidade internacional. O que acontecerá se “o principal choque produzido por uma recessão global” passa agora a ter origem na paralisia europeia? Estamos entrando na quarta revolução industrial, aquela em que os robôs substituirão os trabalhadores.

Segundo o último livro de Klaus Schwab, engenheiro e economista alemão e também fundador do Fórum Econômico Mundial de Davos, dentro de uma década os robôs representarão 52% da produção industrial, em relação aos atuais 12%. Isto irá aumentar a concentração da riqueza e a desigualdade social.

O debate sobre o nosso futuro simplesmente não existe nos círculos políticos. O que se discute agora são as contas de poupança…

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Roberto Savio é  jornalista ítalo-argentino, co-fundador e ex-diretor-geral da Inter Press Service e criador do projeto Other News, jornalismo sem fins lucrativos

Economia: Brasil, mesmo em recessão, vira um negócio da China

A venda de fatia do BTG Pactual na Rede D’Or São Luiz para o Government of Singapore Investment Corporation (GIC) esta semana representa a mais recente investida do capital estrangeiro no País e reforça uma ideia alentadora: a de que nem a recessão, nem a crise política estão sendo suficientes para afastar o interesse dos investidores pelos ativos brasileiros, que são vistos como relativamente baratos.

Quarto do hospital de alto padrão da Rede D'Or

Hospital da Rede D’Or: os asiáticos, principalmente os chineses, parecem ser a onda da vez

E os asiáticos, principalmente os chineses, parecem ser a onda da vez.

Dados compilados pela Bloomberg sobre participação de países asiáticos selecionados nas operações de Fusão & Aquisição no Brasil mostram um aumento de 222% do volume financeiro nos últimos três meses quando comparado ao mesmo período do ano passado.

O apetite asiático contrasta com o desempenho de outras regiões que tradicionalmente são fortes como origem de investimentos. As compras originadas da Europa caíram 68% e as dos Estados Unidos 28% no mesmo período, embora seus números absolutos ainda sejam maiores do que os da Ásia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset Corretora no Brasil, a percepção de que o Brasil ficou barato após a desvalorização do real ajuda a atrair os investidores. Ainda que alguns prefiram esperar altas adicionais do dólar por verem riscos de mais turbulências, outros não querem perder oportunidades, pois sabem que a oferta de boas empresas é finita. Ele observa que há “muito apetite”, sobretudo por parte de investidores chineses, coreanos, japoneses e de Cingapura.

A participação da Three Gorges no último leilão de hidrelétricas mostra que o interesse chinês por alvos tradicionais, como infraestrutura, segue elevado. Mas o horizonte é mais amplo. A Azul acertou a venda de fatia de 23,7% para HNA Group, por R$ 1,7 bi. Pablo Spyer lembra que apenas uma pequena parcela da população na China tem passaporte. Isso sugere elevada demanda reprimida, o que deve se refletir também em outros investimentos relacionados à aviação e ao turismo, como em hotéis. Bancos, hospitais, alimentos e transportes são outros segmentos que interessariam ao país.

A China tem US$ 3,5 trilhões em reservas e a desaceleração do crescimento no país amplia a busca por diversificação, segundo o diretor da Mirae. “Desde 2008, o real state é um investimento persistentemente negativo na China, o que também está levando os chineses a procurar as mais diversas alternativas. Parte desse fluxo está sendo direcionada para cá.”

Os investidores asiáticos têm uma visão de longo prazo e não se assustam com notícias negativas no curto prazo, como a queda profunda do PIB no terceiro trimestre, diz Spyer. “Todos acreditam que, no longo prazo, o Brasil vai melhorar e muito.”|

O fluxo cambial reflete parcialmente esta realidade ambígua, em que pelo menos parte dos investidores parece não se deixar levar pelos riscos imediatos que têm gerado volatilidade na bolsa e no dólar. Apesar da crise, o Brasil recebeu, em termos líquidos, US$ 11,7 bilhões no acumulado deste ano. Só em novembro, até o dia 27, o fluxo foi positivo US$ 4,1 bilhões.

No Ocidente, popularizou-se a ideia de que palavra “crise”, em chinês, seria escrita com dois ideogramas, um significando “perigo” e o outro, “oportunidade”. Com um dólar comprando quase quatro reais, o segundo significado parece estar sendo levado a sério.

Josué Leonel, da Bloomberg
Com a colaboração de George Lei, Jorge Xavier De Oliveira e Davison Santana.

Levy defende volta da CPMF e cita Grécia

Ministro da Fazenda Joquim Levy participa de evento com empresários em São PauloO ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendeu neste sábado a volta da cobrança da CPMF e alertou que o Brasil precisa lidar com a piora do quadro fiscal para não enfrentar uma situação parecida com a da Grécia.

“Acho que ninguém concorda que o aumento da despesa sem aumento de impostos é um caminho viável”, disse Levy, durante o 7o Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, promovido pela BM&FBovespa.

“Se a gente quiser dar uma de Grécia e disser não a todo tipo de imposto, vai ter consequências”, alertou. Em junho, o ministro havia dito que não estava cogitando a volta da CPMF.

Nesta semana, o governo federal começou a discutir a possibilidade de retomada da cobrança da CPMF, um tributo que ficou conhecido como imposto do cheque.

Instituída no ano 2000, a contribuição tinha alíquota de 0,38 por cento sobre movimentação em conta corrente e foi criada com o argumento de que os recursos seriam destinados a financiar gastos com saúde. Em 2007, a renovação da CPMF foi derrubada pelo Congresso Nacional.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para Levy, o principal motivo das dificuldades da Grécia, que há anos enfrenta uma grave crise fiscal e está alinhavando um novo socorro financeiro com a União Europeia, é a recusa do país em aceitar aumento de impostos. Segundo o ministro, essa é uma situação que deve ser evitada pelo Brasil.

Na sexta-feira o Banco Central anunciou que em 12 meses até julho, o setor público brasileiro registrou déficit primário equivalente a 0,89 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A meta do governo para 2015 é um superávit de 0,15 por cento do PIB.

“O que a gente tem que fazer é isso, enfrentar nossa realidade fiscal e ainda criar as bases para o crescimento”, disse Levy logo após o evento a jornalistas.

Para o ministro, se a CPMF puder ser uma fonte estável pelo menos por alguns anos para a saúde, “pode ser bom”. Ele evitou falar em alíquota para o tributo, mas disse que várias alternativas estão sendo avaliadas e que considera possível a aprovação pelo Congresso Nacional.

Porém lideranças do Congresso encaram nesta semana com ceticismo a possibilidade de um retorno da CPMF e a indústria avaliou como “absurda” a proposta em análise pelo governo de recriar o tributo.

PIB

Levy afirmou que recessão da economia brasileira reflete as incertezas dos agentes econômicos e que não decorre principalmente de medidas de ajuste das contas públicas.

“Não é o ajuste fiscal que está acabando com o PIB”, afirmou durante palestra no evento.

Em conversa com jornalistas na sequência, ele acrescentou que “se há um ambiente que não gera confiança, as pessoas obviamente vão ser mais cautelosas”.

Na sexta-feira, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país contraiu 1,9 por cento entre abril e junho sobre os três meses anteriores, configurando recessão técnica.

O ministro disse não acreditar em recessão por dois anos, citando principalmente o efeito de recomposição de estoques das indústrias, que vinham caindo. “Acho que a gente tem tudo para ir mais rápido…”, disse a jornalistas.

Na palestra, Levy também afirmou que as empresas vão começar a produzir de novo, exceto se houver uma grande incerteza.

“Já estamos vendo alguns setores da indústria retomando. Papel e celulose, metais não ferrosos, vidro (…) Até o final do ano, vários setores vão ter uma virada. Se não houver ruptura, uma coisa muito complicada, é isso que vai acontecer”, disse.

De acordo com o ministro, o que não pode acontecer é todo mundo ficar parado, “fazendo apostas” de quando o Brasil vai perder o rating grau de investimento, algo que, se acontecer, terá consequências muito duras para toda a população.

“Todo mundo ficar fazendo bingo do investment grade, não pode ser essa a nossa conversa”, disse Levy.
Aluísio Alves e Paula Arend Laier/Reuters

O Futuro Frugal – Neofrugalismo: Modismo ou tendência do consumo?

consumismo-consumo-compras-frugal-tendencia-2009Em um cenário de crise econômica, recessão e gastos comedidos, David Rosenberg, autor do relatório “O Futuro Frugal”, prevê que a farra consumista dos últimos anos está definitivamente sepultada e em 2009 os consumidores valorizarão cada centavo gasto nos produtos que compram – seja um frasco de xampu, seja num aparelho de TV.

Segundo este relatório, o neofrugalismo como tendência de comportamento que começou a ser observada por especialistas americanos em marketing e consumo após a crise das hipotecas podres, no final de 2007, não é algo episódico, mas veio para ficar.

Nesta tendência, consumidores têm adotado comportamento semelhante em países europeus em recessão.

Por exemplo, os consumidores tornaram-se mais seletivos e passaram a buscar produtos e serviços com diferenciais tangíveis.

Seguindo esta lógica, as pessoas devem passar mais tempo em casa como forma de economizar em despesas supérfluas e isso abre uma perspectiva a toda uma gama de produtos voltados para a diversão doméstica – vasta categoria que envolve de computadores que funcionam como central de entretenimento a videogames e sistemas de som digital.

Os consumidores neofrugais, ao que parece, deverão fazer com que empresas de todos os ramos, reajustem e repensem suas estratégias de marketing, e ressignifiquem os produtos e serviços que oferecem à seus clientes.

Bem, vamos tentar aproximar um pouco mais este conceito do nosso dia-a-dia, pois o fato é que alguns aspectos são fundamentais para o entendimento desta nova tendência de consumo: busca por benefícios tangíveis e maior seletividade.

Neste ponto é interessante pensarmos que o conceito de benefício tangível não deve restringir-se apenas ao fato de ser um benefício “palpável”, “corpóreo”, e sim, principalmente um benefício que seja sensível e perceptível ao consumidor.

A partir deste entendimento podemos fazer alguns ensaios dos ajustes que empresas de alguns ramos podem fazer para acompanhar esta tendência. Mas independente deste ensaio, é importante que as empresas foquem na resposta à seguinte pergunta: “Qual é o benefício tangível para o meu público?“.

Fonte: Omelhordomarketing

Economia: A pequena depressão

As negociações de dívida, se derem certo, repetirão o grande erro de 1937: opção prematura por contração fiscal freará a recuperação.

Estes são tempos interessantes – no pior sentido. Estamos diante não de uma crise iminente, mas de duas, com riscos de desastre global.

Nos EUA, fanáticos de direita no Congresso podem bloquear a elevação necessária do teto da dívida.

E, se o plano que acaba de ser acordado por chefes de Estado europeus não acalmar os mercados mundiais, poderemos ver dominós caindo em todo o sul da Europa. Potencialmente, as duas semeariam o caos.

Mesmo que consigamos evitar uma catástrofe imediata, é praticamente garantido que os acordos que estão sendo fechados de cada lado do Atlântico agravem a depressão.

Os responsáveis pelas decisões econômicas parecem determinados a perpetuar algo que chamo de a Pequena Depressão – o período prolongado de desemprego alto que começou com a Grande Recessão de 2007-2009 e continua até hoje.

A grande bolha imobiliária da década passada, fenômeno americano e europeu, foi acompanhada por um aumento enorme na dívida das famílias.

Quando a bolha estourou, a construção imobiliária residencial caiu vertiginosamente, assim como os gastos dos consumidores.

Tudo ainda poderia ter dado certo se outros atores econômicos importantes tivessem elevado gastos.

Mas ninguém o fez.

E os governos tampouco fazem muito para ajudar.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Alguns foram, pelo contrário, obrigados a reduzir gastos em vista da queda das receitas.

Os esforços modestos de governos fortes (incluindo o plano de estímulo de Obama) mal foram suficientes para contrabalançar essa austeridade forçada.

Portanto, estamos com economias enfraquecidas. O que os governantes propõem? Menos que nada.

Anteontem, os “chefes de Estado ou governo da área do euro” divulgaram seu grande acordo. Não foi tranquilizador.

É difícil acreditar que a engenharia financeira que o comunicado propõe resolva a crise grega, que dirá a europeia.

Mas, mesmo que resolva, o que vai acontecer a seguir?

O comunicado prevê fortes reduções do deficit “em todos os países exceto os que estão em um programa”, a acontecer “até 2013 no mais tardar”.

Como os países “que estão em um programa” estão sendo forçados a aderir à austeridade fiscal drástica, isso equivale a planejar que toda a Europa reduza gastos ao mesmo tempo.

E nada sugere que em menos de dois anos o setor privado estará preparado para tomar medidas para que a economia cresça.

Para quem conhece a história dos anos 30, soa muito familiar. Se alguma das duas negociações de dívida fracassar, é possível que estejamos perto de um replay de 1931, o colapso global dos bancos que fez a Grande Depressão ser tão grande.

Mas, se elas derem certo, estaremos prestes a repetir o grande erro de 1937: a opção prematura por contração fiscal que fez a recuperação descarrilar e garantiu que a Depressão continuasse até que a Segunda Guerra finalmente deu à economia o incentivo de que ela precisava.

Há um ditado antigo:
“Você não sabe, meu filho, com quão pouca sabedoria o mundo é governado”.

As elites de ambos os lados do Atlântico mostram incompetência em sua resposta ao trauma econômico, ignorando todas as lições da história.

Paul Krugman/Folha SP
Tradução de Clara Allain

Crise Econômica; vamos falar de gastos públicos

Paul Krugman *O Estado de São Paulo

O índice Dow Jones está subindo até as alturas! Não, está em queda livre! Não, está em forte alta! Não, está…

Deixemos isso de lado. Enquanto o mercado de ações maníaco-depressivo domina as manchetes, a história mais importante está nas desanimadoras notícias sobre a economia real. Agora, está claro que o resgate dos bancos é apenas o começo: a economia não-financeira também precisa desesperadamente de ajuda.

E para oferecer essa ajuda, teremos de deixar de lado alguns preconceitos. Na política, está na moda falar contra os gastos do governo e exigir responsabilidade fiscal. Mas no momento, um aumento nos gastos do governo é exatamente o que o médico receitou e a preocupação com o déficit orçamentário deve ser adiada.

Antes de chegar nesse ponto, vamos falar da situação econômica. Nesta semana, aprendemos que as vendas no varejo despencaram de um precipício e o mesmo ocorreu com a produção industrial. O número de desempregados está num patamar associado a recessões graves e o índice de manufaturados medido pelo escritório do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) da Filadélfia está caindo no ritmo mais rápido em quase 20 anos. Todos os sinais apontam para um declínio econômico terrível, brutal e longo.

Quão terrível? A taxa de desemprego já está acima dos 6% (e critérios mais amplos de medição do desemprego já registram valores de dois dígitos). É agora praticamente certo que o desemprego vá superar os 7% e, possivelmente, até os 8%, fazendo desta a pior recessão do último quarto de século.

E quanto vai durar? Poderia de fato durar bastante tempo.

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