Obama em Cuba: quando um “fake” se torna realidade

A frase premonitória que Fidel nunca disse sobre Obama, o Papa e CubaA frase premonitória que Fidel nunca disse sobre Obama, o Papa e CubaA frase, atribuída ao líder cubano em 1973, é boa, mas era só uma piada

Com a visita de Barack Obama a Cuba, voltou a circular na Internet um comentário sarcástico supostamente feito por Fidel Castro em 1973 e que teria de transformado em uma assombrosa premonição involuntária:

“Os Estados Unidos só irão dialogar conosco quando tiverem um presidente negro e houver no mundo um Papa latino-americano”.

O problema é que Castro nunca disse isso.

Este é um dos memes que estão sendo compartilhados no Twitter, em espanhol.

Segundo o site Snopes, que se dedica a investigar e desmentir lendas urbanas, essa frase começou a ser espalhada como verídica por causa de um artigo do escritor argentino Pedro Jorge Solans publicado no jornal El Diario, também da Argentina, há pouco mais de um ano.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Nesse texto, Solans diz que a história lhe foi contada por Eduardo de la Torre, então estudante universitário e hoje taxista em Cuba.

Fidel Castro teria dito a frase numa entrevista coletiva, em resposta a uma pergunta do jornalista britânico Bryan Davis.

– Quando o senhor acha que poderão ser restabelecidas as relações entre Cuba e Estados Unidos, dois países tão distantes apesar da proximidade geográfica?

Fidel Castro, segundo essa versão, o olhou fixamente e respondeu para todos os que estavam na sala:

– Os Estados Unidos só irão dialogar conosco quando tiverem um presidente negro e houver no mundo um Papa latino-americano.

Em meados de 2015, a frase foi publicada como verídica na imprensa da Espanha e América Latina, como recorda o site argentino Periodismo.com.

O problema é que não há nenhuma outra fonte nem qualquer registro oficial da frase, segundo o Snopes. Tampouco se sabe qualquer coisa a respeito de Bryan Davis, o jornalista que teria feito a pergunta a Castro, segundo o site Skeptics.

E tampouco há rastro dessa frase antes de dezembro de 2014, como recordam oThe Guardian e o Periodismo.com.

Ou seja, ela surgiu na mesma época em que Estados Unidos e Cuba anunciaram o restabelecimento das suas relações diplomáticas.

Na verdade, todas as referências anteriores ao artigo do El Diario apresentam a frase como uma piada que era contada naqueles dias na ilha, como no caso da coluna publicada em 22 de dezembro pelo jornalista Ortiz Tejeda, no jornal mexicano La Jornada.

Nessa versão, Castro não responde a nenhum jornalista, e sim ao próprio Che Guevara, e a conversa ocorre em 1961:

– Fidel, alguma vez voltaremos a ter relações diplomáticas com os ianques?

Fidel responde:

– Isso só será possível no dia em que o presidente dos Estados Unidos for negro e o Papa argentino, como você…

O jornal Havana Times também menciona o ocorrido alguns dias mais tarde, em 27 de dezembro de 2014, afirmando se tratar de uma piada que aproveita a coincidência de três fatos que todos antes consideravam impensáveis.

“Washington e Havana só retomarão as relações ‘no dia em que o presidente dos Estados Unidos for negro e o Papa argentino”, diz uma piada comum nos últimos dias na ilha, colocada na boca de um fictício Fidel Castro dos anos sessenta, e que resume muito bem as mudanças que ocorreram no mundo desde então e a imensa agitação política presenciada agora.
El País/Jaime Hancock

Setor privado cubano tem acesso a serviços bancários na internet pela primeira vez

O incipiente setor privado cubano, que floresceu com as reformas econômicas de Raúl Castro, poderá ter acesso aos serviços bancários via internet, uma prática que estava reservada, na ilha comunista, a pessoas jurídicas, informou nesta terça-feira a imprensa local.

Internet,Censura,Cuba,Blog do Mesquita

“Os trabalhadores por conta própria (privados) em Cuba podem ter acesso atualmente aos serviços bancários sem a necessidade de ir aos escritórios comerciais, nova facilidade promovida pelo ‘Banco Popular de Ahorro‘ (BPA) com o objetivo de se aproximar mais do setor não estatal”, afirmou o jornal oficial Granma.

O jornal destacou que o serviço de “banco remoto”, uma prática comum em outros países, começou a funcionar há quase dois meses para este setor, já que “anteriormente só era ofertado a pessoas jurídicas”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A diretora do Banco de Negócios do BPA, Greicher La Nuez, explicou que “os emergentes atores econômicos podem realizar transferências de fundos, receber informação sobre o estado das contas correntes e verificar seus 10 últimos movimentos bancários”.

Os créditos bancários foram reintroduzidos em 2011 na ilha depois de quatro décadas, no âmbito das reformas destinadas a tornar eficiente o esgotado modelo econômico, mas não se converteram em fonte importante de financiamento do setor privado, como em países com economia de mercado.
AFB/Info

Quem diria hein? Obama de amizade com comunistas!

EUA anunciam restabelecimento de balsa entre Flórida e Cuba

Balseros
Durante décadas, cubanos buscaram refúgio nos EUA usando barcos improvisados

O governo americano aprovou o restabelecimento de serviços de transporte naval de cargas e passageiros entre os Estados Unidos e Cuba, interrompidos há mais de 50 anos em função do embargo econômico à ilha caribenha.

A decisão foi anunciada na noite de terça-feira, quatro meses depois de os dois países terem anunciado que reatariam relações diplomáticas. A decisão sobre os serviços marítimos está sendo vista por analistas como mais um passo rumo ao fim da política de isolamento de Cuba.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Diversas companhias de navegação afirmaram já ter recebido licenças para operar rotas entre o estado americano da Flórida e Cuba. A cidade americana de Miami e a capital cubana, Havana, ficam a cerca de 150 km de distância.

Leia mais: Cúpula das Américas começa com cumprimento entre Obama e Castro

Tal proximidade fez com que, durante décadas, milhares de cubanos tenham fugido ou tentado fugir do regime comunista cubano em embarcações improvisadas. Ficaram conhecidos como balseros.

Castro e Obama
Recentemente, os presidentes de Cuba e EUA anunciaram uma reaproximação

A expectativa é de que os serviços marítimos comecem a operar em setembro, embora o cronograma ainda dependa de negociações entre autoridades em Washington e Havana.

“É um grande passo à frente”, afirmou Joseph Hinson, presidente da companhia de navegação United Americas Shipping.

Nas últimas semanas, também foi anunciado um serviço de voo tipo charter entre Nova York e Havana, a ser operado pela companhia aérea JetBlue.

No entanto, a legislação americana ainda proíbe que cidadãos do país viajem para Cuba, salvo em casos excepcionais que dependem de aprovação em 12 diferentes categorias.

Estima-se que mais de 1 milhão de cubanos tenha se refugiado nos EUA desde a revolução de 1959, em que os rebeldes sob comando de Fidel Castro derrubaram o então ditador cubano Fulgêncio Batista.
BBC

Papa Francisco deve visitar Cuba em Setembro

Autoridades do Vaticano informaram na última sexta-feira que o pontífice estuda visitar Cuba no fim de setembro, antes de sua viagem aos Estados Unidos.

O papa Francisco está considerando a possibilidade de visitar Cuba durante sua próxima viagem aos Estados Unidos prevista para o fim de setembro, informou nesta sexta-feira (17) a assessoria de imprensa do Vaticano.

Em nota, o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, explicou que os contatos com as autoridades cubanas para a possível visita do pontífice à ilha “ainda estão em um momento muito inicial para se falar de uma decisão já tomada ou de um projeto operacional”.

O Vaticano divulgou a nota depois de o jornal americano “The Wall Street Journal” ter revelado que o Papa Francisco estava avaliando a possibilidade de visitar Cuba.

O trabalho da diplomacia vaticana foi decisivo no histórico processo de reaproximação entre as autoridades de Cuba e dos EUA.

A visita a Cuba poderia ser a primeira etapa do périplo pelos EUA, onde Francisco se tornará o primeiro papa da história a discursar no Congresso americano.

A possível viagem à ilha seria um dos temas abordados no encontro previsto com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca, no dia 23 de setembro, assim como no discurso que o pontífice fará na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A viagem será encerrada na Filadélfia, onde o papa participará do Encontro Mundial das Famílias, organizado pela Igreja Católica.

Apesar de os contatos com as autoridades cubanas estarem na fase inicial, o Vaticano está se movimentando há muito tempo para viabilizar a visita de Francisco à ilha.

O secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, uma espécie de primeiro-ministro do Vaticano, participou da VII Cúpula das Américas, no Panamá, reunião que contou com a presença de Obama e do presidente cubano, Raúl Castro.

Além disso, a imprensa italiana informou que entre 22 e 28 de abril outro colaborador próximo ao papa, o prefeito da Congregação para o Clero, o cardeal Beniamino Stella, viajará a Cuba. Ele foi núncio da ilha entre 1993 e 1999.

Cuba e a Santa Sé também celebram em 2015 os 80 anos do início de suas relações diplomáticas.
O papa Bento VXI viajou a Cuba em março de 2012. Quatorze anos antes, João Paulo II tinha visitado à ilha.
Fonte:MPortal

Petróleo e Cuba ajudam EUA a retomar protagonismo na América Latina

Três meses após assumir a Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama afirmou, em sua primeira Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, que inauguraria um novo capítulo nas relações entre seu país e a América Latina.

Presidentes posam para foto na Cúpula das Américas (EPA)

Seis anos depois e encerrada no sábado a primeira edição da cúpula com a presença de Cuba, no Panamá, ele parece mais próximo de cumprir o objetivo, segundo analistas e diplomatas.

Eles afirmam que a reaproximação entre Washington e Havana, que culminou no sábado na primeira reunião entre os presidentes americano e cubano em mais de meio século, esfriou uma das principais contendas entre os Estados Unidos e nações latino-americanas.

Na mesma semana, a Casa Branca ainda consolidou acordos que fortalecem sua posição na América Central e no Caribe e, ao anunciar a visita de Dilma Rousseff a Washington em 30 de junho, afastou a crise com a segunda maior economia das Américas, o Brasil.

Embora avaliem que Obama mereça créditos pelos feitos, especialistas afirmam que seus gestos foram facilitados por mudanças no cenário econômico das Américas: enquanto o Brasil e a Venezuela enfrentam problemas na economia e reduzem suas operações na vizinhança, os Estados Unidos voltam a crescer e ganham mais tração para atuar na região.

Leia mais: Em reunião histórica, Obama e Raúl Castro trocam afagos

Efeitos em cadeia

Presidente do Inter-American Dialogue, um centro de pesquisas e debates em Washington, Michael Shifter diz que a retomada do diálogo entre Cuba e os Estados Unidos ajudará a melhorar as relações do governo americano com a maior parte da América Latina.

“Por décadas, a questão cubana foi bastante problemática, causando muito desgaste nos assuntos interamericanos”, diz Shifter, que acompanhou o evento no Panamá.

Especulava-se que Obama pudesse anunciar na cúpula a retirada de Cuba da lista americana de Estados patrocinadores do terrorismo, o que não ocorreu. Mesmo assim, os afagos trocados entre o americano e o líder cubano, Raúl Castro, ao longo do encontro sinalizam que os dois estão empenhados em aproximar seus países.

Shifter afirma, porém, que a mudança na política americana para Cuba “não significa que a relação de Washington com a região será livre de tensões e desconfiança”. “Suspeitas e ressentimentos antigos não desaparecem da noite para o dia”.

Leia mais: O que Che Guevara diria sobre a reaproximação EUA-Cuba

Na cúpula, muitos líderes esquerdistas – entre os quais Nicolás Maduro (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Daniel Ortega (Nicarágua) – celebraram a presença de Cuba no evento, mas fizeram duros discursos contra os Estados Unidos, destacando seu histórico de intervenções na região.

O maior alvo das críticas – endossadas inclusive por líderes mais moderados, como Dilma e Juan Manuel Santos (Colômbia) – foram as sanções que Washington aplicou no mês passado a sete autoridades venezuelanas. Segundo o governo americano, os funcionários sancionados violaram direitos humanos.

Shifter diz que criticar os Estados Unidos em eventos como esse ainda rende dividendos políticos a líderes latino-americanos, e que o tema venezuelano mostra que ainda há muitas diferenças entre Washington e a América Latina. Ele diz acreditar, no entanto, que o acerto com Cuba deve ajudar a diminuir essas diferenças.

Queda no petróleo

Analistas avaliam que os ganhos americanos na vizinhança também refletem a queda nos preços do petróleo e seus impactos na Venezuela, um dos seus maiores desafetos na região.

Dona das maiores reservas petrolíferas do mundo e valendo-se dos altos preços da matéria-prima na última década, Caracas forjou uma aliança com vizinhos caribenhos, entre os quais Cuba, baseada na venda subsidiada do bem.

Em 2013, essa aliança – batizada de Petrocaribe – se associou à Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), bloco fundado uma década antes pelo então presidente venezuelano Hugo Chávez e que se tornara o principal bastião antiamericano da região.

A drástica queda no preço do petróleo nos últimos dez meses, porém, afetou a assistência venezuelana aos vizinhos e fragilizou a lealdade deles ao projeto político de Caracas, diz Ted Piccone, analista da Brookings Institution, em Washington.

Em artigo publicado em fevereiro, ele diz que a crise na Venezuela facilitou a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos ao forçar Havana a buscar alternativas à sua aliança econômica com Caracas. A Venezuela vende a Cuba cerca de 100 mil barris de petróleo ao dia por preços preferenciais.

Segundo um relatório do Banco Barclays, o colapso econômico na Venezuela também tem afetado o envio de petróleo subsidiado a outras nações caribenhas.

Atentos ao cenário, os Estados Unidos mexem suas peças. Em janeiro, o vice-presidente americano recebeu líderes caribenhos em Washington para discutir segurança energética. E na véspera da cúpula no Panamá, Obama anunciou na Jamaica programas para financiar e transferir tecnologias em energia limpa e reduzir a dependência por combustíveis fósseis entre países da região.

Além de minar a “diplomacia petroleira” de Caracas, a iniciativa se alinha com uma das principais bandeiras do presidente americano: a necessidade de combater as mudanças climáticas e privilegiar fontes de energia limpa.

Leia mais: Favorita entre democratas, Hillary anuncia pré-candidatura à Presidência dos EUA

Acredita-se ainda que o fraco desempenho da economia brasileira nos últimos anos e a desaceleração na China tenha facilitado a superação das diferenças entre Brasília e Washington, causadas pelas denúncias de que Dilma fora espionada pela agência de segurança americana.

O episódio fez com que ela cancelasse uma visita que faria aos Estados Unidos em 2013, agora reagendada para o fim de junho. Entre empresários brasileiros, vinham crescendo as cobranças para que o país se voltasse aos Estados Unidos para voltar a crescer.

O governo brasileiro chegou a condicionar a remarcação da visita a um pedido de desculpas da Casa Branca, mas acabou cedendo na posição.

Mudanças demográficas

Segundo um diplomata brasileiro nos Estados Unidos, a mudança da política americana para a região reflete ainda mudanças demográficas no país.

Há 50 anos, havia poucos milhões de hispânicos ou latinos nos Estados Unidos. Por causa da imigração e de taxas de natalidade acima da média, o grupo hoje soma 57 milhões, ou 17% da população total. E o número deve continuar a crescer.

Esse movimento interno, diz o diplomata, força os Estados Unidos a olhar mais para a América Latina, apesar de preocupações mais urgentes no Oriente Médio, na China e no Chifre da África.

Outra transformação demográfica que favorece a nova postura da Casa Branca, diz ele, é o envelhecimento da geração de cubanos que migraram para os Estados Unidos e tradicionalmente defende uma linha dura contra Havana para forçar uma mudança de governo.

Essa visão, que influenciou gerações de políticos americanos, tem dado lugar às posições mais conciliatórias adotadas por cubano-americanos mais jovens e imigrantes latinos em geral.
João Fellet/BBC

Por que o ‘New York Times’ quer fim do embargo a Cuba?

Prédio do 'NYT' (Reuters)O jornal americano The New York Times (NYT) publicou cinco editoriais a respeito de Cuba em cinco semanas consecutivas, todos em suas edições de fim de semana, escritos em inglês e em espanhol.

Jornal publicou cinco textos recentes sobre Cuba.Nos textos, o jornal pede que os Estados Unidos deem fim ao embargo que impõem sobre a ilha desde 1960, retirem Havana da lista de “patrocinadores de terrorismo”, abandonem os “esforços ocultos para derrubar o governo” cubano e restaurem as relações diplomáticas bilaterais de alto nível, rompidas desde 1961.

O NYT também defende a ideia de um intercâmbio de presos que permita a libertação do americano Alan Gross, preso em Cuba há cinco anos, em troca de três agentes de inteligência cubanos condenados pelos EUA por espionagem.

“Uma troca poderia abrir caminho à retomada de laços diplomáticos, dando aos EUA mais oportunidades de fomentar mudanças positivas na ilha mediante a expansão do comércio, do turismo e o maior contato entre cubanos e americanos”, opina o editoral publicado em 2 de novembro.

“Caso contrário, se perpetuará a inimizade que reina há mais de 50 anos, continuando um ciclo de desconfiança e atos de sabotagem de ambos os lados.”

O editor das páginas editoriais do jornal, Andrew Rosenthal, disse à BBC Mundo que os cinco artigos do último mês seguem a postura histórica do New York Timesquanto a Cuba e ao embargo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Momento favorável

Mas não deixa de chamar atenção que o periódico esteja publicando tantos editoriais sobre Cuba, e com intervalos claramente definidos.

O motivo é que o NYT avalia que, “pela primeira vez em mais de 50 anos”, a situação política de ambos está favorável para que suas relações sejam reatadas.

O jornal destaca que Cuba, com as reformas que implementou, está se preparando para uma “era pós-embargo”, e há um crescente número de vozes nos EUA que advogam por uma aproximação maior com Havana.

Além disso, em Washington se debate como o presidente Barack Obama tem a oportunidade de destacar significativas mudanças políticas em Cuba nos próximos meses, antes da Cúpula das Américas, em abril – onde pode se deparar com o líder cubano Raúl Castro, convidado pelo país-sede do evento, Panamá.

Segundo Rosenthal, o principal objetivo do New York Times é “influenciar os legisladores americanos” com relação “às políticas sobre Cuba” e “fomentar reformas na ilha, para empoderar os cubanos comuns e aumentar as liberdades pessoais”.

Essa aposta coincide com a chegada à equipe que cuida de editoriais de Ernesto Londoño, jornalista colombiano que havia trabalhado no Washington Post.

Desde a contratação de Londoño, em setembro, o NYT não apenas começou a publicar alguns de seus editoriais em espanhol, como também aumentou sua ênfase em América Latina com editoriais sobre Colômbia, Bolívia e Venezuela.

Influência

Havana (Getty)
Um dos editoriais destaca as reformas políticas implementadas por Havana

O New York Times é considerado por muitos como o jornal mais influente dos EUA. Seus editoriais tendem a ressoar em círculos políticos de Washington e com frequência têm repercussão internacional.

Rosenthal se diz satisfeito de ter “fortalecido o debate aqui (nos EUA), em Cuba e na América Latina” com os cinco textos.

Nesta segunda-feira, o jornal estatal cubano Granma destacou, em seu site, que oNYT reconheceu a “política de ingerência dos EUA contra Cuba”.

Fidel Castro também citou, em uma de suas colunas em veículos estatais, quase todo o editoral americano que pedia o fim do embargo.

E os textos chamaram atenção em Miami, onde organizações de exilados cubanos criticaram, por exemplo, a proposta de trocar Gross por três agentes de inteligência cubana.

Mas alguns comentaristas são um pouco céticos sobre o efeito real dos editoriais.

“Eu não esperaria demais (dos textos) do NYT, ainda que sejam um pilar a mais de apoio para que a Casa Branca tome atitudes”, disse à BBC Mundo Ted Piccone, analista de América Latina do Instituto Brookings, centro de estudos em Washington.

Piccone agrega que o New York Times “às vezes tem uma sensação inflada de poder e influência” e opinou que, por si só, não acredita que os editoriais tenham um impacto tão expressivo.

Independentemente disso, o editor Andrew Rosenthal se diz satisfeito com a repercussão e diz que o jornal seguirá buscando ângulos que “alimentem o debate” sobre Cuba.

‘New York Times’ diz que ‘história vai provar que Obama está certo’

Discurso de Obama sobre reaproximação com Cuba repercutiu no mundo inteiro

Crédito: AP
A reaproximação diplomática dos Estados Unidos com Cuba repercutiu mundialmente como um marco na história dos dois países. Uma das principais publicações americanas, o New York Times dedicou um editorial para elogiar a postura da Casa Branca e escreveu que “a história vai provar que (o presidente Barack) Obama está certo”.

Ao anunciar novas políticas para lidar com Cuba após cinco décadas de distanciamento, Obama disse que “o isolamento fracassou. É hora de uma nova abordagem”. A notícia agradou especialmente o New York Times, que já havia declarado claramente o apoio a uma reaproximação com a ilha em diversos editoriais nos últimos meses.

No editorial desta quarta, que “comemora” a atitude de Barack Obama e do presidente cubano Raúl Castro, o jornal fala em uma “nova era” para os dois países.

“A Casa Branca está inaugurando uma era de transformação para milhões de cubanos que sofreram como resultado de mais de 50 anos de hostilidade entre as duas nações”, diz o editorial.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Leia Mais: No que consiste o plano para a reaproximação entre EUA e Cuba

“Obama poderia ter dado um passo mais modesto e gradual para o fim do degelo. Em vez disso, ele corajosamente foi tão longe quanto pôde, dentro dos limites de uma lei ultrapassada de 1996 que impõe sanções rígidas sobre Cuba na busca da mudança do regime do país.”

Em editoriais anteriores – publicados em inglês e espanhol -, o New York Timesdefendia o fim do embargo econômico a Cuba e a retirada do país da lista americana de “patrocinadores do terrorismo”.

Pelo discurso de Obama nesta quarta, as duas coisas podem estar em vias de se concretizar – o presidente anunciou que pedirá ao secretário de Estado, John Kerry, para rever essa denominação de Cuba e avisou que tentará engajar o Congresso na discussão sobre o fim do embargo à ilha após mais de 50 anos.

No texto desta quarta-feira, o NYT chama a atitude dos EUA perante Cuba de “contraproducente”. “Os Estados Unidos estão certos ao pressionar por mais liberdades pessoais e por uma mudança democrática. Mas sua abordagem punitiva tem sido extremamente contraproducente.”

O New York Times ainda elogia Raúl Castro pelos avanços conquistados no país nos últimos anos e por seu “pragmatismo”.

Leia mais: O americano que foi chave na reaproximação com Cuba

Repercussão mundial

Ainda nos Estados Unidos, a notícia repercutiu como um momento histórico para o país. O Washington Post ressaltou o “fim de uma era de Guerra Fria contra Cuba”.

A revista Newsweek chamou o anúncio como “fim de uma queda de braço de décadas entre EUA e Cuba”. Análise publicada no site da revista dizia que “Obama fez a coisa certa com Cuba” e considerou a iniciativa desta quarta “transformadora” para os dois países.

Reprodução
Washington Post destaca ‘fim de uma era de Guerra Fria entre EUA e Cuba’
Em Cuba, porém, a repercussão foi bem diferente. O destaque maior era para o retorno dos três cubanos que estavam presos nos EUA – parte de um grupo conhecido como “Cinco heróis” em Havana – acusados de espionagem.

Um dos principais jornais, o Granma destacou a fala de Raúl Castro sobre o retorno dos cubanos e, em seguida, a reaproximação diplomática. “O presidente cubano anunciou oficialmente a chegada de Gerardo, Antonio e Ramon, e o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos.”

O Juventud Rebelde também dá espaço à comemoração do retorno dos cubanos que estavam nos EUA e não menciona na capa a mudança na política com os americanos.Reprodução
Granma dá destaque para retorno de cubanos e deixa reaproximação com EUA no segundo plano

A notícia também estampou as manchetes dos jornais do mundo inteiro e foi destacada como “o começo de uma nova era” por algumas publicações.

O britânico The Guardian falou em “avanço surpreendente” nas relações entre EUA e Cuba e também considerou o fato como o fim de uma “guerra fria” entre os dois países.

Reprodução
Le Monde cita ‘reaproximação histórica’ para falar sobre as novas políticas diplomáticas entre EUA e Cuba

O jornal italiano Corriere Della Serra cita o momento como um “ponto de virada” após 55 anos de uma “relação perigosa”. O francês Le Monde destaca a “reaproximação histórica”. Já o espanhol El País ressalta o fim de décadas de distancimento e o início de uma nova etapa para os dois países.

“Com o restabelecimento das relações diplomáticas, os Estados Unidos tentam encerrar um conflito que durava 53 anos. A Guerra Fria terminou hoje na América”, finaliza a publicação.
BBC