Gestão Doria: investigar corrupção? Nem pensar

Saída de secretário e controladora que investigavam corrupção em SP abre crise na gestão Doria

Gestão João Doria

Saída de Natalini da Secretaria do Meio Ambiente faz conselheiros da área renunciarem. Ele havia enviado denúncias de irregularidades para controladora de São Paulo, também demitido.

A demissão de mais um secretário da gestão João Doria  na Prefeitura de São Paulo trouxe uma nova crise de imagem ao Governo municipal nesta semana. Gilberto Natalini, vereador do Partido Verde (PV), foi demitido da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente para, segundo a versão oficial, acomodar outro partido aliado da base governista na Câmara.

A saída dele acontece após a denuncia de indícios de corrupção dentro da pasta, que levaram a secretaria a adotar procedimentos mais rígidos de licenciamento ambiental desagradando construtoras.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Natalini deixa o Governo dias depois da demissão da controladora-geral do município, Laura Mendes de Barros, que investigava as denúncias feitas pela área ambiental da gestão.

Ela também liderava outra investigação relacionada a suspeitas de cobrança de propina de funcionários da prefeitura para liberar propagandas proibidas pela Lei Cidade Limpa. A prefeitura afirmou, segundo os veículos nacionais, que a demissão dela se deu “por questões administrativas operacionais”.  

O ex-secretário ambiental, que reassumiu nesta semana sua cadeira na Câmara Municipal, contou ao EL PAÍS que entregou um documento à Controladoria-Geral do Município no que indicava irregularidades encontradas na pasta.

“É um relato sobre um levantamento que nós fizemos de problemas no licenciamento ambiental em São Paulo. Encaminhamos para a controladoria para eles fazerem uma investigação e comprovar ou não os indícios que a gente descobriu”, diz ele.

Entre as irregularidades, aponta o ex-secretário, estão erros administrativos e suspeitas de facilitações para determinados tipos de processos.

“Quando eu entrei, identificamos que acontecia. Investigamos, trocamos as pessoas [envolvidas] em maio. Tudo junto à controladoria, para onde enviamos o relatório e onde continuou a investigação”, destaca ele, que diz que o número de funcionários com cargos importantes demitidos chegou a oito. 

Depois das denúncias, o vereador diz que os processos ficaram mais rígidos, e o setor imobiliário passou a pressioná-lo nos últimos dois meses.

“Depois que eu encaminhei para a investigação nós mudamos a metodologia local e imprimimos ali os ritos da lei. Lógico que cumprindo a lei, demora mais para sair a licença. E começou a ter reclamação do setor de incorporação imobiliária.

Começaram a reclamar que estava demorando muito e eu disse que estava demorando porque estávamos fazendo vistorias e não laudos fajutos com vistorias fajutas, pedindo a documentação completa”, ressalta.

“Eles ficaram muito nervosos, muito bravos, dizendo que a gente estava parando o mercado imobiliário”, ressalta ele, que afirma não ter havido conversas com Doria sobre o tema.

“O prefeito me chamou, falou que precisava fazer um rearranjo político-partidário, que estava negociando com outro partido e precisava do cargo”.

A conversa aconteceu na quinta-feira, dia 17 de agosto, depois de ele próprio ter procurado o prefeito para confirmar a informação dada por um jornalista de que seu cargo estava sendo negociado.

Natalini evita associar sua saída às pressões da construtora ou às denúncias de corrupção. O atual secretário da pasta, Fernando Von Zuben, que assumiu o lugar do vereador, ao menos por enquanto provisoriamente, diz que a secretaria está funcionando normalmente, que a demissão se deu por um rearranjo político e que a pasta está implementando um procedimento eletrônico que até outubro deve reduzir o processo de licenciamento ambiental dos 400 dias atuais para 80 dias úteis, só permitindo que eles sejam iniciados com todos os documentos corretos.

“Tudo está sendo investigado”, ressalta ele. “As pressões ocorrem aqui diariamente. Elas vêm de sindicatos de funcionários, de organizações não-governamentais, de conselhos de parques, de autoridades, de vereadores, de empreiteiras, de pequenas e médias empresas. Isso faz parte da democracia em qualquer país democrático do mundo”, diz ele.

“A pressão existe e todas as que eu presenciei foram de grupos querendo que as coisas andassem, mas nunca nenhum tipo fora da normalidade.”

Após a demissão do ex-secretário, entretanto, cinco dos sete membros do Conselho Gestor da secretaria ambiental renunciaram a seus cargos. Segundo o site G1, que teve acesso à carta de renúncia coletiva, o grupo afirmou que discorda “da demonstração de desprestígio da área ambiental da Prefeitura de São Paulo nos últimos quatro anos”.

Sob Alckmin, SP libera verba para obra sem utilidade

Brasil: da série “O tamanho do buraco!”

Só não entendo por que o jornal não apurou/divulgou qual a empresa responsável pela construção da inutilidade. No texto abaixo, fica claro que não só não há definição quanto ao nome – múltiplo uso – como não há utilidade e função para tal “galpão”.

Fico com o desconfiômetro ligado, uma vez que o autor da emenda é um deputado que também é pastor.
Um galpão desses serve com uma luva para uma possível posterior instalação de mais um templo arrecadador do dinheiro dos incautos fieis.
Aguardo a possível declaração do governador Alckmin dizendo que “não sabia de nada”. Igual ao que acontecia com barbudo de Garanhuns.

O Editor


Em São Paulo, o caminho mais longo entre o governo e o ato de governar pode ser uma emenda de deputado estadual.

Assentada no noroeste paulista, Lourdes, uma cidade rural de 2 mil habitantes, oferece um exemplo dos tortuosos caminhos a que estão sujeitas as verbas públicas.

Ergue-se em Lourdes um galpão que custou ao contribuinte de São Paulo R$ 150 mil. Dinheiro liberado pelo governo tucano de Geraldo Alckmin.

A obra inútil - Foto: Rodrigo Vizeu/Folha

Deve-se ao deputado estadual Dilmo dos Santos (PV) a emenda que propiciou a migração dos recusos das arcas estaduais para a caixa da prefeitura.

Justificou a destinação assim: “A construção desse centro de múltiplo uso em muito ajudará a cidade, pois proporcionará melhor qualidade de vida.”

Em visita ao local da obra, o repórter Rodrigo Vizeu constatou um fenômeno inusitado. Ninguém sabe dizer qual será a serventia do galpão “de múltiplo uso.”

O repórter foi de autoridade em autoridade. Relata, na Folha, o resultado do périplo. “Pode ser várias coisas”, disse o prefeito Franklin Querino da Silva Neto (DEM).

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Como assim? Talvez sirva para “geração de renda”. Heimm? “Se eu conseguir uma fábrica, alguma coisinha pequena aqui dentro da comunidade, vou priorizar.”

Presidente da Câmara Municipal de Lourdes e aliado do prefeito, o vereador João Ranucci (DEM) declarou que a obra “não tem definição.”

Hã? “Pode ser qualquer fim, uma fabriquinha que gere emprego para 10, 15 pessoas.”

A servidora Carla Ferreira, responsável pelas licitações da prefeitura, divaga: “A gente já tem um barracão que serve de academia, não sei se esse também vai ser para isso”.

Edevaldo Contel, engenheiro da prefeitura, reveste o inusitado com uma ossatura vocacional:

“Tem que ver a aptidão das pessoas. Você não pode forçar uma atividade. Tem que ver qual vai ser o despertar de cada um.”

No gabinete do deputado Dilmo, o autor da emenda, a assessoria assume o papel de Pilatos. Informa que o parlamentar atendeu a um ofício do prefeito.

“O papel dele é indicar”, sustenta a assessoria do deputado. Quanto aos “detalhes, o emprego [da obra], fogem à alçada dele.”

Mencionava-se no ofício, segundo Declara que o parlamentar como Instado , afirmou.

A assessoria do deputado disse que ele apenas atendeu a um ofício do prefeito, que pediu um centro para “geração de empregos”.

Procurado na noite passada, o governo de São Paulo alegou que, diante do avançado da hora, seria “impossível levantar dados sobre o convênio específico.”

As paredes da obra inútil de Lourdes, ainda nos alicerces, vão subir contra um pano de fundo envenenado.

Membro do condomínio partidário que dá suporte ao governo Alckmin, o deputado Roque Barbiere (PTB) denunciou a existência de um comércio de emendas.

Comparou a Assembléia Legislativa de São Paulo a um camelódromo e os colegas a camelôs.

“Cada um vende de um jeito. Cada um tem uma maneira, cada um tem um preço”, disse Roque.

Ele se nega a citar os nomes dos malfeitores. “Nem com um revolver na cabeça.” Mas oferece um fio de meada a quem quiser investigar.

Afirma que não faz nexo um deputado destinar verbas a municípios nos quais não tenha obtido votos.

“O deputado não pode destinar emenda para lugar que nem sabe onde fica. Tem algo de estranho nisso.”

O colega Dilmo dos Santos, informam os mapas de votação disponíveis no TSE, não amealhou na cidade de Lourdes um mísero voto.

Pastor evangélico e membro do Conselho de Ética da Assembléia, Dilmo toma distância do modelo fixado pelo colega Roque: “Tenho compromisso com o Estado todo”, diz.

Nesta quarta (5), Alckmin disse que o denunciante Roque “tem o dever, como homem público, de, tendo conhecimento de um fato errado, denunciar” os envolvidos.

O governador tem razão. Ao sonegar os nomes, Roque converte-se de denunciante em cúmplice. Porém…

Porém, o inacreditável de Lourdes demonstra que o governo estadual também tem explicações a dar e apurações a realizar.

Além dos R$ 150 mil que carreou para Lourdes, o pastor Dilmo é autor de emenda que destinou cifra idêntica a outro galpão, em Nova Castilho, onde também não teve votos.

Seria outra construção “de múltiplo uso?” Sabe-se lá! Deus sabe! “O papel dele é indicar”. Os “detalhes, o emprego [da obra], fogem à alçada dele.”

Na atmosfera conspurcada do maior e mais rico Estado do país só há duas certezas:

1) Os impostos servem para tirar dinheiro de bolsos indefesos; 2) O pranto serve para o contribuinre chorar.

blog Josias de Souza

Internet e eleições: Disputa presidencial de 2010 foi mais acirrada, aponta Ibope

Estudo elaborado a partir de pesquisas realizadas na eleição mostra diferença menor entre candidatos.

A disputa eleitoral foi mais acirrada na internet que no eleitorado em geral, mostra estudo divulgado pelo Ibope nesta segunda-feira, 25.

O estudo, elaborado pelos pesquisadores João Francisco Resende, do Ibope Inteligência, e Juliana Sawaia Cassiano Chagas, do Ibope Mídia, cruzou dados das pesquisas eleitorais realizadas pelo instituto entre 30 de junho e 30 de outubro de 2010.

O trabalho apontou que a diferença na intenção de votos entre os principais candidatos à Presidência da República – Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) – era menor entre os eleitores conectados que entre o eleitorado em geral.

Dilma, que venceria a disputa, aparece em todas as pesquisas realizadas com porcentuais mais baixos que os apresentados no eleitorado geral.

Já o tucano José Serra e a então candidata do PV apareciam com números mais altos.

No início do período, os dois apareciam empatados entre os conectados – em 30 de junho os dois somavam 36%, em 29 de julho e em 15 de agosto, 37% -, enquanto no eleitorado geral, Dilma já começava a abrir dianteira, em função do maior conhecimento que as pessoas passaram a ter sobre ela – 39% a 34% em 29 de julho, 43% a 32% em 15 de agosto.

No início do segundo turno, Serra se aproximou de Dilma no eleitorado geral, chegando a 43%, ante 49% de Dilma. Entre os conectados, Serra assumiu a liderança, com 50% a 41% em 13 de outubro.

Em 20 de outubro, o tucano tinha 48% contra 42% e no dia 28 de outubro, Dilma virava o resultado: 49% a 43% entre os conectados e 52% a 40% no eleitorado geral.

A alteração no cenário eleitoral entre o final do no início do segundo turno se deve a boatos que passaram a circular pela internet, dando conta que Dilma apoiaria a legalização do aborto e criticando sua participação em grupos armados que lutaram contra o regime militar e o seu suposto ateísmo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Ainda no primeiro turno, uma declaração de Monica Serra, mulher do presidenciável tucano, contribuiu para o acirramento da guerra virtual entre PT e PSDB.

Em campanha na Baixada Fluminense, Monica afirmou que Dilma “é a favor de matar as criancinhas”, referência ao fato de que a petista seria a favor do aborto.

Em resposta, blog ligado ao PT divulgou documento assinado por Serra quando ministro da Saúde que regulamenta a realização do aborto em casos previstos na legislação, como estupro e em casos de risco de morte da mãe e indicou que a versão do Plano Nacional de Direitos Humanos feito na gestão FHC “defende a ampliação da legalização do aborto”.

Jair Stangler/O Estado de S.Paulo

Eleições 2010: Código Florestal e o apoio de Marina Silva à Serra

Na realidade a ex-ministra do governo do mensalão do PT, quer impor condições que ela não cupriu e não teria competência, nem apoio, para fazê-las
O Editor


Código Florestal dificulta apoio do PV a Serra

Partido de Marina Silva quer garantia de veto a proposta de redução de áreas de reserva legal e anistia a desmatadores

Pedido põe tucanos em saia justa, por causa da força da base ruralista em bolsões aliados do Sul e do Centro-Oeste

A exigência do PV para que José Serra (PSDB) se comprometa a barrar o novo Código Florestal tornou-se o principal entrave na campanha tucana para incorporar o programa de governo de Marina Silva (PV).[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O documento do PV chegou ontem ao comitê de campanha de Serra, enviado por e-mail pelo presidente do PV, José Luiz Penna (SP).

“Com as melhores saudações verdes, encaminho propostas do PV e da senadora Marina Silva ao programa de governo”, diz o e-mail enviado por Penna.

Nas seis páginas, o sétimo item da “Agenda por um Brasil justo e sustentável” cobra “o veto a propostas de alteração do Código Florestal que reduzem áreas de reserva legal, preservação permanente ou promovam anistia a desmatadores”.

Segundo a Folha apurou, os tucanos já descartaram a possibilidade de adesão integral ao programa.

Segundo integrantes do comando da campanha, o compromisso de Serra é não permitir a aprovação imediata do novo Código Florestal, comprometendo-se a construir uma fórmula de consenso nos seis primeiros meses de seu eventual governo.

blog do Noblat

Eleições 2010: ‘Lula prevalecerá’ em 2011, diz revista ‘The Economist’

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A revista britânica “The Economist” reafirma na edição desta semana que a candidata Dilma Rousseff (PT) será provavelmente a próxima presidente do Brasil e diz que o atual, Luiz Inácio Lula da Silva, deve continuar influente em 2011. O fato de a eleição ter ido para o segundo turno, avalia a revista, serviu para Lula perceber que seu poder tem limite.

“Lula, que transformou a senhora Rousseff de uma tecnocrata de bastidores em uma vitoriosa eleitoral ao fazer campanha ao lado dela, percebeu que o seu poder de fazer uma rainha tem limite. Mas no final ele provavelmente prevalecerá”, diz a “Economist”.

Para a revista, Dilma terá um Congresso “mais amigável” do que o atual governo tem, mas ela pode ter dificuldade para manter os petistas mais esquerdistas em linha com o seu programa de governo, e aí entraria o papel de Lula.

As afirmações estão em uma das duas reportagens que a revista traz sobre o Brasil nesta semana. O hebdomadário repete uma análise que tem sido feita no Brasil, a de que foi Marina Silva (PV), e não José Serra (PSDB), a responsável pela queda de Dilma nas eleições, e avalia que essa é uma “má notícia” para o tucano.

“Ele [Serra] não conseguiu atrair jovens que não se lembram da hiperinflação que o seu partido resolveu nos anos 1990, nem os pobres do Nordeste em cujos corações Lula reina”, diz a reportagem.

O outro texto da revista sobre o Brasil critica a Justiça devido à demora no julgamento sobre a Lei Ficha Limpa, além de outros recursos de parlamentares, o que faz com que as eleições permaneçam incertas até agora.

No total, 11 milhões de votos foram para postulantes cuja candidatura estava indeferida. Se a Justiça as deferir, pessoas que já comemoraram a vitória acabarão ficando de fora do Legislativo.

Estado grande, populismo baixo

O Brasil foi o tema principal também da análise que a Economist Intelligence Unit, empresa do mesmo grupo da revista “The Economist”, divulga semanalmente a seus clientes. O relatório parte do pressuposto de que Dilma será eleita e analisa como tende a ser o seu governo.

Com o título “Política no Brasil: rumo à presidência de Rousseff”, texto diz que a EIU “não prevê que ela [Dilma] persiga políticas significativamente populistas a ponto de colocar em perigo a estabilidade macroeconômica que o Brasil conquistou duramente”.

A análise, no entanto, afirma que a tendência de crescimento do Estado, vista recentemente, deve continuar.

Em um governo Dilma, o setor privado continuaria avançando em áreas que antes eram totalmente controladas pelo setor público, como rodovias, portos e aeroportos, mas o Estado tende a aumentar sua influência em indústrias estratégicas, a exemplo do avanço da participação estatal na Petrobrás verificada após a capitalização.

Sílvio Guedes Crespo/Radar Econômico

Eleições 2010: Pra Marina, Serra intimida jornalistas

Marina diz que Serra intimida jornalistas

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, afirmou nesta segunda-feira em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, que o tucano José Serra “constrange jornalistas”.

Na véspera, em debate da Rede Record , a verde já havia feito ataques mais duros aos seus adversários.

– Existem duas formas de tentar intimidar a imprensa: uma é aquela que vem a público e coloca de forma infeliz uma série de críticas, e outras são aquelas que, de forma velada, tentam agredir jornalistas, pedir cabeça de jornalista, o que dá na mesma coisa, porque o respeito pela democracia e pela liberdade de imprensa é permitir que a informação circule – afirmou a candidata.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Perguntada a quem estava se referindo, Marina respondeu:

– Vocês têm reclamado que o governador Serra nos últimos tempos, tem ficado nervoso quando fazem perguntas que ele não gosta.

A verde foi questionada, em seguida, de que forma Serra intimidaria o trabalho dos jornalistas.

– Tenho visto relatos de algumas pessoas que cobrem as campanhas de que existem momentos que, quando são feitas perguntas que não são consideradas agradáveis, há uma atitude às vezes de intimidação dos jornalistas – afirmou a candidata do PV.

Sérgio Roxo/O Globo

Eleições 2010: Avanço de Marina ameaça Dilma e beneficia Serra

Marina virou o pesadelo de Dilma e o sonho de Serra

A principal novidade da reta final da eleição se chama Marina Silva. A presidenciável do PV divide o estrelado com Erenice Guerra.

Marina tornou-se a principal beneficiária do ‘Erenicegate’. Recolhe a maioria dos votos que o escândalo suga do cesto de Dilma Rousseff.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A seis dias da eleição, Marina não exibe musculatura eleitoral capaz de içá-la ao segundo turno. Opera contra ela o relógio. Porém…

Porém, ao escalar sobre Dilma, Marina termina por favorecer José Serra, o segundo colocado das sondagens eleitorais.

A chance de a eleição migrar para o segundo turno –pesadelo de Dilma e sonho de Serra— parece escorada, por ora, no “fator Marina”.

Em duas semanas, a candidata do PV subiu três pontos percentuais no Datafolha. Foi de 11% para 13%. E daí para os atuais 14%.

No mesmo perído, Dilma escorregou cinco pontos. Na semana passada, descera de 51% para 49%. Agora, foi 46%.

Serra, que oscilara positivamente de 27% para 28% manteve-se no mesmo patamar no Datafolha que veio à luz nesta terça.

Considerando-se apenas os votos válidos, Marina já soma 16%. Empurrada por Erenice, ela subverte todas as previsões de Lula.

O patrono de Dilma estimara que Marina chegaria ao dia da eleição como uma espécie de sub-Heloisa Helena. Dá-se o oposto.

Em vez de definhar, Marina cresce. Pior: para desassossego de Lula, a ex-petista belisca votos de Dilma, não de Serra.

Vem daí, sobretudo, o fantasma que acomoda no caminho de Dilma o risco do segundo turno –uma pedra que parecia improvável antes de Erenice.

Se mantiver a curva de alta, a ambientalista Marina pode levar ao prato da balança eleitoral a folha que vai mover o pêndulo.

Num cenário assim, de votação apertada, os ataques a Marina podem surtir o efeito de um bumerangue.

No penúltimo debate, levado ao ar pela Record na véspera da nova pesquisa, Marina mostrou-se mais desenvolta que o habitual.

Fustigou Serra e Dilma. Defendeu-se de Plínio de Arruda Sampaio. Contra Dilma, Marina levou aos holofotes Erenice, mola de seu crescimento.

Evocou o mensalão. E disse que, sob Lula, a Casa Civil tornou-se escândalo recorrente. Pespegou: Que providências você adotou para evitar, Dilma?

Ao responder, a protegida de Lula levou a mão ao tacape. Lembrou a Marina sua condição de ex-ministra.

Afirmou que, sob a gestão da ex-colega de Esplanada, servidores da pasta do Meio Ambiente foram pilhados mercadejando madeira ilegalente.

“Tomei as mesmas providências que você”, Dilma devolveu, lembrando que a reação vigorosa nem sempre oferece garantias contra a reincidência.

Festejado pelos operadores de sua campanha, o contraataque de Dilma pode, a essa altura, funcionar como gol contra. Por quê?

Dilma não perdeu a condição de favorita. Mas a hipótese do segundo turno, antes improvável, deixou de ser negligenciável.

Marina tampouco perdeu o semblante de zebra. Mas, confirmando-se o segundo round, o apoio dela será mercadoria das mais cobiçadas.

De concreto, por ora, apenas uma evidência: seja qual for o resultado da eleição, com um turno ou com dois, Marina sairá da disputa maior do que entrou.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Dilma, Serra e Marina prometem paraíso impossível para enganar eleitores

Afinal por que o Tiririca é que é o palhaço? Ele fala sério quando diz que não sabe o que faz um depufede federal. Por outro lado os presidenciáveis, Serra, Marina e Dilma, sabem muito bem o que fazem. Promessas enganadoras. Ao final, o palhaço é o eleitor.

Pinóquios, os candidatos à presidência com suas (deles) propostas hilárias transformam a taba dos Tupiniquins em picadeiro.

Algumas ficções, sem interlúdios, dos nefelibatas, que na vida privada são mais realistas que o rei:
– asfaltar a transamazônica;
– construir 400 km de linhas de metro – até hoje só foram construídas 900 metros por ano em São Paulo;
– 3 milhões de casas
– salário mínimo de R$ 600,00 a partir de 2011
– desenvolvimento sustentável. Essa é mais que hilária. Não existe preservação do ambiente sem mexer no lucro! Então…

O Editor


Caras e inviáveis. Assim especialistas classificaram as principais promessas dos candidatos à Presidência.

O GLOBO levantou o custo para tirar do papel algumas das propostas apresentadas na campanha, e os números são exorbitantes. Os valores superam em muitas vezes, por exemplo, o dinheiro necessário para a construção do trem-bala (R$ 34 bilhões) ou o orçamento anual da educação (R$ 56 bilhões).[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

E, mesmo que não falte dinheiro, não há projetos, licenciamento ambiental e tempo para transformar em realidade algumas das promessas nos quatro anos do próximo mandato.

Dez medidas anunciadas por Dilma Rousseff (PT), por exemplo, custariam R$ 287,8 bilhões em quatro anos de governo, o que representa dez vezes mais o que o governo investiu no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2009.

Para cumprir a mesma quantidade de promessas de José Serra (PSDB), o custo seria de R$ 206 bilhões no período, ou quatro vezes o orçamento do ano passado da saúde (R$ 72,9 bilhões).

E apenas três promessas de Marina Silva (PV) demandariam R$ 238 bilhões, somente com custeio, o que equivale a aproximadamente 8% de tudo o que é produzido no Brasil em um ano.

As promessas analisadas foram escolhidas do Promessômetro (www.oglobo.com.br/eleicoes2010), onde os internautas votam nas promessas feitas pelos presidenciáveis e só descobrem depois de votar quem assumiu tal compromisso.

É possível aprovar ou rejeitar as propostas, e, ao todo, desde o começo da campanha, 14.428 leitores já participaram.

Para calcular os custos dessas propostas, foram utilizados os valores divulgados pelos candidatos. Quando o dado não era disponível, se utilizou custo de obras/serviços semelhantes.

Entrou na conta o custo de manutenção das promessas.

Carolina Benevides e Henrique Gomes Batista/O Globo