Por que grandes marcas estão retirando sua publicidade do Google e YouTube

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O Google, “rei” das ferramentas de busca na internet, não passa pelo melhor momento após algumas das maiores marcas do mundo decidirem retirar a publicidade que faziam no YouTube, a plataforma de vídeos do gigante da tecnologia.

A baixa mais recente foi a da rede de supermercados britânica Marks & Spencer, que seguiu a decisão de outras cerca de 250 empresas, como Audi, L’Oreal, Volkswagen, Toyota, McDonald’s, os bancos Lloyds, HSBC e RBS e clientes do Havas Group UK – braço britânico da sexta maior agência de propaganda do mundo -, e a própria BBC.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A razão comum tem a ver com uma investigação do jornal britânico The Times, que concluiu que anúncios publicitários dessas e de outras empresas eram promovidos em vídeos extremistas de conteúdo político e religioso, o que provocou tensão entre os anunciantes e a companhia de tecnologia.

O Google, no entanto, já se movimenta para tentar reverter os danos.

Nesta segunda-feira, o diretor do Google na Europa, Matt Brittin, participou da Advertising Week Europe, um dos principais encontros do setor do continente, e anunciou que a empresa assumiu o desafio de tentar reparar prejuízos à reputação após esse caso.

“Lamentamos que algo assim tenha ocorrido. Não queremos deixar passar e assumimos a responsabilidade”, disse ele logo no início de sua palestra.

Matt BrittinMatt Brittin, diretor do Google na Europa, afirmou que a empresa irá buscar reparar danos à reputação
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O executivo disse ainda que os anúncios em questão não tiveram visualização significativa. Afirmou que o Google leva o assunto a sério e está investindo milhões de dólares e empregando milhares de pessoas para garantir que a “má publicidade” fique longe da plataforma.

Apesar disso, Brittin foi evasivo ao ser questionado se a empresa iria contratar funcionários para a tarefa específica de eliminar vídeos extremistas. Afirmou que a melhor opção é combinar tecnologia inteligente e alertas de usuários sobre conteúdos abusivos.

O caso expõe dois problemas difíceis para o Google: identificar vídeos ilegais que deveriam ser removidos do YouTube e determinar quais são legais, mas não adequados para veiculação de publicidade.

Segundo o Times, as empresas estavam financiando, por meio de propaganda, não apenas vídeos de conteúdo extremista, religioso e político, como também conteúdo homofóbico, antissemita e apologia ao estupro.

O maior desafio será proporcionar mais transparência aos clientes sobre o processo de classificação de vídeos como “seguros para oferecer anúncios”. E delimitar isso não será tarefa fácil.

YouTubeO Google insiste que é uma plataforma de tecnologia, e não uma empresa de mídia
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Mas Brittin parece estar seguro de que o Google será capaz de recuperar a confiança das marcas, fazendo uma análise exaustiva de suas políticas e mostrando aos anunciantes como podem controlar o destino de suas mensagens publicitárias.

O Google insiste em se firmar como uma plataforma de tecnologia e não uma empresa de mídia, e encontra cada vez mais dificuldade em manter essa distinção.

Os meios de comunicação enfrentam normas estritas com relação à publicidade, e tais regulações poderiam chegar ao próprio Google caso a empresa não consiga resolver os problemas atuais.

Como a publicidade influi na produção de programas culturais

O objetivo do trabalho é mostrar como a teoria “A Influência do Jornalismo”, capítulo do livro Sobre a Televisão, de Pierre Bourdieu, explica a ausência de produtos/programas televisivos culturais na Rede Globo de Televisão.*

Para isso é preciso entender como funcionam os órgãos de difusão de informação e como os campos econômicos e políticos os afetam, levando em conta todos os aspectos teóricos propostos por Pierre Bourdieu no capítulo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Embora o capítulo se chame “A influência do Jornalismo”, ele não se refere ao suposto poder de influenciar os telespectadores e moldar a opinião pública ao seu favor, como no filme O 4º Poder, de Costa Gavras. No entanto, o capítulo põe em vista todas as influências que os mecanismos jornalísticos sofrem, tendo em vista a interferência de campos externos, avaliando especificamente o jornalismo televisivo.

Com o passar dos anos, a evolução do jornalismo foi adquirindo termos e regras inexplícitas; como o desenvolvimento da televisão, começando com o barateamento do custo do aparelho televisivo e tornando um bem comum na casa do brasileiro. Com o aumento dos números de públicos possíveis veio a necessidade de utilizar linguagens universais para atingi-los, o que no texto é comparado com o surgimento da literatura industrial.

Assim como um produto, os jornais e programas televisivos são comparados por números de venda, ou seja, a quantidade de pessoas que consomem aquele determinado canal, naquele determinado momento. A partir do número de pessoas que assistem ao programa é possível cobrar mais caro por propagandas, anúncios e patrocínios, pois, teoricamente, atingiria mais pessoas. A necessidade de continuar produzindo telejornais e vendendo anúncios publicitários cria a primeira interferência de campos, os interesses do campo econômico influenciam o campo jornalístico, fazendo produzir o maior número de matérias possíveis, no menor tempo possível. Sendo assim, os jornalistas são os mais propensos a adotar “os critérios de audiência” (fazer o simples, para o entendimento de todos e em um curto espaço de tempo).

“O grau de autonomia de um órgão de difusão se mede, sem dúvida pela parcela de suas receitas que provém da publicidade e da ajuda do Estado (sob a forma de publicidade ou subvenção) e também pelo grau de concentração de anunciantes” (Pag.: 104 a 105 do livro Sobre a Televisão).

Também foi adotado pelo jornalismo um signo de velocidade, que é necessário transmitir as notícias em tempo real, e com o passar dos anos, o público absorveu essa ideia e criou esta fetichização da notícia, cobrando do jornalista uma produção em maior escala, mas na mesma carga horária. Isto afeta a qualidade da notícia produzida, empobrecendo a construção do texto e apuração dos fatos, levando em alguns casos a precipitação. A mecanicidade se torna habitual no jornalismo, podendo comprar o que era considerado por Otto Groth como produção cultural, hoje pode ser visto como a alienação do trabalho, teorizado por Karl Marx.

Visando satisfazer a sede por atualidades do público, e manter o seu emprego, o jornalista tem sua autonomia de criação ditada por pautas e prazos para cumprir. Seu campo de atuação também é interferido por fatores internos da própria empresa, que é afetada pelo campo econômico. Além destas, o tempo de uma notícia é estipulado pela emissora, delimitando o espaço do jornalista para trazer argumentos, pontos e contra pontos da notícia, o impedindo de aprofundar o assunto.

Outro fator que influência o modo em como os produtos culturais são desenvolvidos é a necessidade do jornalismo se auto afirmar objetivo e imparcial, com o intuito de manter a velha ideia de que o apresentado em telejornais são de fato a realidade, esquecendo que os produtores jornalísticos e os métodos utilizados na produção da notícia são um recorte do fato a partir de convicções políticas individuais. Estes auto afirmamentos são intitulados por Pierre Bourdieu como alodexia, que também pode ser observado em outros campos, como o jurídico.

Utilizando os mesmos critérios das grandes emissoras, entre todos os programas da TV aberta brasileira, o programa com maior número em audiência, segundo o Ibope, é o Jornal Nacional, que passa no horário nobre da Rede Globo. A emissora tem os melhores números que a concorrência em todos seus programas. Abaixo, os dados de audiência nas praças de Porto Alegre e Recife com base no ranking consolidado do Ibope dos dias 28/11 a 04/12.

Audiencias IBOPE Globo
Audiencias Record Ibope
Audiencias Band Ibope
Audiencias SBT Ibope

Muito dinheiro, pouca cultura

Como podemos analisar, a Globo tem o maior número de telespectadores e com isso suas receitas também são as maiores. Justamente por disponibilizar de tantos recursos, visa mantê-los, utilizando todos os métodos apresentados. Também influenciados pelo campo econômico, não há programas culturais realizados pelo Globo, tão pouco possui reportagens culturais.

Utilizaremos o conceito de cultura de Raymond Williams, que considera cultura atos de reação em relação aos acontecimentos individuais da vida de cada um, como citado no texto: “A história da ideia de cultura é a história do modo por que reagimos em pensamento e em sentimento à mudança de condições por que passou a nossa vida. Chamamos cultura a nossa resposta aos acontecimentos que constituem o que viemos a definir como indústria e democracia e que determinaram a mudança das condições humanas. […] A ideia de cultura é a resposta global que damos à grande mudança geral que ocorreu nas condições de nossa vida comum.” (1969, p. 305).

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizada em 2010, 77% dos entrevistados acreditam que o contato a programas culturais são caros, o que dificulta o acesso de grande parte da população. Com isso, vivemos em um país onde a maioria da população não tem acesso à cultura e no qual as grandes emissoras se isentam de levar cultura aos telespectadores, por comodidade e medo de “errar com a audiência” e consequentemente perder dinheiro.

Se para as pessoas ter dinheiro significa ter maior acesso à cultura (literatura, música, arte críticas), ironicamente, quanto mais dinheiro uma emissora tem menos autonomia ela tem sob si mesma, e mais engessada é sua grade de programação. Os únicos programas produzidos pela Globo, intitulados por eles mesmo como culturais (de novo alodoxia), são respectivos as próprias produções institucionais, como novelas, séries ou filmes.

Também há os programas de auditório, como o Altas Horas, que tentam disfarçar esta ausência de jornalismo cultural trazendo atores e atrizes da Globo que fazem peças de teatro fora da TV, mas com investimento da própria emissora.

Ao que parece, a Globo utiliza-se de sua forte importância no mercado para delimitar o que é cultura, fazendo com que a grande massa entenda que esta seja entretenimento. Pelo menos, a trata como se fosse.

* Lars Erick é estudante de jornalismo

10 estratégias de manipulação em massa utilizadas diariamente contra você

Quanto mais disperso o ratinho, mais facilmente cai na ratoeira.manipulacao-em-massa

Noam Chomsky é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como “o pai da linguística moderna“, também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica.

“Em um estado totalitário não se importa com o que as pessoas pensam, desde que o governo possa controlá-la pela força usando cassetetes.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Mas quando você não pode controlar as pessoas pela força, você tem que controlar o que as pessoas pensam, e a maneira típica de fazer isso é através da propaganda (fabricação de consentimento, criação de ilusões necessárias), marginalizando o público em geral ou reduzindo-a a alguma forma de apatia” (Chomsky, N., 1993)

Inspirado nas idéias de Noam Chomsky, o francês Sylvain Timsit elaborou a lista das “10 estratégias mais comuns de manipulação em massa através dos meios de comunicação de massa

Sylvain Timsit elenca estratégias utilizadas diariamente há dezenas de anos paramanobrar massas, criar um senso comum e conseguir fazer a população agir conforme interesses de uma pequena elite mundial.

Qualquer semelhança com a situação atual do Brasil não é mera coincidência, os grandes meios de comunicação sempre estiveram alinhados com essas elites e praticamincansavelmente várias dessas estratégias para manipular diariamente as massas, até chegar um momento que você realmente crê que o pensamento é seu.


1. A Estratégia da Distração


O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio, ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se por conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética.

Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real.

Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais.


2. Criar problemas e depois oferecer soluções


Este método também é chamado “problema-reação-solução“. Se cria um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja aceitar.

Por exemplo: Deixar que se desenvolva ou que se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas desfavoráveis à liberdade.

Ou também: Criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos. (qualquer semelhança com a atual situação do Brasil não é mera coincidência).


3. A estratégia da gradualidade


Para fazer que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Foi dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas, neoliberalismo por exemplo, foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990.

Estratégia também utilizada por Hitler e por vários líderes comunistas.  E comumente utilizada pelas grandes meios de comunicação.


4. A estratégia de diferir


Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária“, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.

Depois, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “amanhã tudo irá melhorar” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento.


5. Dirigir-se ao público como crianças


A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criança de pouca idade ou um deficiente mental.

Quanto mais se tenta enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante.

Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como as de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.”


6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão


Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e finalmente no sentido crítico dos indivíduos.

Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.


7. Manter o público na ignorância e na mediocridade


Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.

“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser revertida por estas classes mais baixas.


8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade


Promover ao público a crer que é moda o ato de ser estúpido, vulgar e inculto. Introduzir a idéia de que quem argumenta demais e pensa demais é chato e mau humorado, que lhe falta humor de sorrir das mazelas da vida.

Assim as pessoas vivem superficialmente, sem se aprofundar em nada e sempre ter uma piadinha para se safar do aprofundamento necessário a questões maiores.

A idéia é tornar qualquer aprofundamento como sendo desnecessário. Pois qualqueraprofundamento sério e lúcido sobre um assunto pode derrubar sistemas criados para enganar a multidão.


9. Reforçar a auto-culpabilidade


Fazer com que o indivíduo acredite que somente ele é culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, suas capacidades, ou de seus esforços.

Assim, no lugar de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E, sem ação, não há questionamento!


10. Conhecer aos indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem


No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes.

Graças à biologia, a neurobiologia a psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado sobre a psique do ser humano, tanto em sua forma física como psicologicamente.

O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que dos indivíduos sobre si mesmos.

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Nós do Yogui.co acreditamos que para se manter desperto e apto a tomar decisões sem sermos massa de manobra devemos nos auto-conhecer, o caminho mais profundo de auto-conhecimento é a meditação (ao nosso ver).

A simples tarefa de olharmos internamente para cada nuance de nosso ser e questionar cada célula, cada pensamento é o caminho básico para quem deseja despertar de toda essa manipulação que foi pensada e estrategiada para nos manter dispersos.

A atualidade chocante de ‘Admirável Mundo Novo’

Oito décadas depois, romance de Huxley ganha nova atualidade, ao alertar que sociedades de controle podem apoiar-se, além da repressão, na tecnologia e culto do “progresso”

Admirável Mundo Novo,Aldous Huxley,Blog do Mesquita

Breve, terão se completado 75 anos da primeira edição brasileira (1941) de Admirável Mundo Novo1, grande romance perturbador lançado em 1932, na Inglaterra, pelo visionário filósofo e escritor Aldous Huxley.

Diante de tanta “felicidade artificial” em nossos dias, tantas manipulações e tantos condicionamentos contemporâneos, cabe perguntar: seria útil reler Admirável Mundo Novo? Acaso é necessário retomar um livro escrito há mais de oito décadas, numa época tão distante que a Internet não existia e sequer a TV havia sido inventada? Seria este romance algo mais que uma curiosidade sociológica, um best-seller ordinário e efêmero, de que se venderam, em inglês, mais de um milhão de exemplares, já no ano de sua publicação?

Estas questões parecem ainda mais pertinentes porque o gênero a que pertence a obra – ficção científica, distopia, fábula de antecipação, a utopia científico-técnica – possui um grau muito elevado de obsolescência. Nada envelhece mais rápido que o futuro, sobretudo na literatura.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

No entanto quem, superando estas reticências, mergulhar nas páginas do romance ficará chocado por sua surpreendente atualidade. Ficará claro que, pelo menos uma vez, o passado capturou o presente. Recordemos que o autor, Aldous Huxley (1894-1963), narra uma história que transcorre num futuro muito distante, próxima ao ano 2500 ou, mais precisamente “no ano 600 da Era Fordiana”, em alusão satírica a Henry Ford (1863-1947), pioneiro norte-americano da indústria automobilística e inventor de um método de organização de trabalho para a fabricação em série e padronização de peças.

Tal método, conhecido como “fordismo”, transformou os trabalhadores em algo inferior a autômatos, robôs que repetiam, ao longo da jornada de trabalho, um único gesto. Sua emergência suscitou, à época, críticas violentas: pensemos, por exemplo, nos filmes Metropolis (1926), de Fritz Lang, ou Tempos Modernos (1935), de Charles Chaplin.

Aldous Huxley escreveu Admirável Mundo Novo, visão pessimista do futuro e crítica feroz do culto positivista à ciência, num momento em que as consequências sociais da grande crise de 1929 afetavam em cheio as sociedades ocidentais, e em que a crença no progresso e nos regimes democráticos parecia vacilar.

Publicado em inglês antes da chegada de Hitler ao poder na Alemanha (1933),Admirável Mundo Novo denuncia a perspectiva “de pesadelo” de uma sociedade totalitária fascinada pelo progresso científico e convencida de poder oferecer a seus cidadãos uma felicidade obrigatória.

Apresenta a visão alucinada de uma humanidade desumanizada pelo condicionamento pavloviano2 e pelo prazer ao alcance de uma pílula (o “soma”). Num mundo horrivelmente perfeito, a sociedade decide totalmente, com fins eugenistas e produtivistas, a sexualidade da procriação.

É uma situação não tão distante da que se vive hoje em alguns países (sobretudo na Europa), em que os efeitos da crise de 2008 estão provocando o ascenso de partidos de extrema direita, xenófobos e racistas. Onde os anticoncepcionais já permitem um amplo controle da natalidade. E onde novas pílulas (como o Viagra e a femininaLybrido) dopam o desejo sexual e o prolongam até além da terceira idade. Ao mesmo tempo, as manipulações genéticas permitem cada vez mais aos pais a seleção de embriões, para engendrar filhos em função de critérios pré-determinados – inclusive estéticos.

Outra relação surpreendente com a atualidade é que o romance de Huxley apresenta um mundo onde o controle social não dá espaços ao acaso, onde, formadas a partir do mesmo molde, as pessoas são “clônicas”, produzidas em série. A maioria tem garantidos o conforto e a satisfação dos únicos desejos que está condicionada a experimentar, mas perdeu-se, como diria Mercedes Sosa, a razón de vivir3.

Em Admirável Mundo Novo, a americanização do planeta está completa, a História acabou (como afirmaria, mais tarde, Francis Fukuyama4), tudo foi padronizado e “fordizado” – tanto a produção dos seres humanos, resultado de puras manipulações genético-químicas, quanto a identidade das pessoas, produzida durante o sonho por hipnose auditiva: a “hipnopedia”, qualificada por um personagem do livro como “a maior força socializante e moralizante de todos os tempos”.

Os seres humanos são “produzidos” no sentido industrial do termo, em fábricas especializadas – os “centros de incubação e condicionamento” – segundo modelos variados, que dependem das tarefas muito especializadas que serão atribuídas a cada um, e que são indispensáveis para uma sociedade obcecada pela estabilidade.

Desde seu nascimento, cada ser humano é, além disso, educado em “centros de condicionamento do Estado”. Em função dos valores específicos de seu grupo, e por meio do recurso maciço à hipnopedia, criam-se nele os “reflexos condicionados definitivos” que o fazem aceitar seu destino.

Aldous Huxley ilustrava assim os riscos implícitos na tese que vinha sendo formulada, desde 1924, por John B. Watson, o pai do “condutivismo”5, esta suposta “ciência da observação e controle do comportamento”. Watson afirmava com frieza que podia escolher na rua, ao acaso, uma criança saudável e convertê-la, à sua vontade, em médico, advogado, artista, mendigo ou ladrão, independentemente de seu talento, inclinações, capacidades, gostos e origem de seus ancestrais.

Em Admirável Mundo Novo, que é fundamentalmente um manifesto humanista, alguns viram também, com razão, uma crítica ácida à sociedade stalinista, à utopia soviética construída com mão de ferro. Mas também há, claramente, uma sátira à nova sociedade mecanizada, padronizada, automatizada que se criva à época nos Estados Unidos, em nome da modernidade técnica.

Extremamente inteligente e admirador da ciência, Huxley expressa no romance, no entanto, um profundo ceticismo em relação à ideia de progresso, e desconfiança diante da razão. Frente à invasão do materialismo, o autor engendra uma interpretação feroz às ameaças do cientificismo, do maquinismo e do desprezo à dignidade individual.

Claro que a técnica assegurará aos seres humanos um conforto exterior total, de notável perfeição, estima Huxley com desesperada lucidez. Todo desejo, na medida em que possa ser expresso e sentido, será satisfeito. Os seres humanos terão, nesse ponto, perdido sua razão de ser. Terão transformado a si mesmos em maquinas. Já não se poderá falar, em sentido estrito, de “condição humana”.

Mas o “condicionamento” não cessou de se intensificar desde a época em que Huxley publicou o livro e anunciou que, no futuro, seríamos manipulados sem que nos déssemos contas. Em particular, pela publicidade. Por meio do recurso a mecanismos psicológicos e graças a técnicas muito experimentadas, nos mad men da publicidade conseguem que compremos um produto, um serviço ou uma ideia. Este modo, convertemo-nos em pessoas previsíveis, quase teledirigidas. E felizes.

Confirmando as teses de Huxley, Vance Packar publicou The Hidden Persuaders (na edição brasileira, Nova Técnica de Convencer), em meados da década de 1950 e Ernest Dichter e Louis Cheskin denunciaram que as agências de publicidade tentavam manipular o inconsciente dos consumidores. Sobretudo mediante o uso de “publicidade subliminar”, nos meios de comunicação de massas.

Em 30 de outubro de 1962, executou-se um teste que demonstrava a eficácia da publicidade subliminar.: durante a exibição de um filme, lançavam-se mensagens “invisíveis” sobre certos produtos, em intervalos regulares. As vendas de tais produtos aumentaram.

Atualmente, a “publicidade subliminar” avançou e existem técnicas mais sofisticadas e mais perversas para manipular a mente do ser humano6. Por exemplo, mediante as cores que modificam nostras percepções e influenciam nostras decisões. Os especialistas em marketing sabem disso e utilizam as técnicas para orientar nossas compras.

Num conhecido experimento de finais dos anos 1960, Louis Cheskin, diretor do Instituto de Pesquisa da Cor, pediu a um grupo de donas de casa que experimentassem três caixas de detergentes e decidissem qual delas dava melhor resultado com roupas delicadas. Apesar de as três conterem o mesmo produto, as reações foram distintas. O detergente da caixa amarela foi considerado “forte demais”, o da cor azul foi visto como não tendo “força para limpar”. Ganhou a caixa bicolor.

Em outro teste, duas amostras de cremes de beleza foram dados a um grupo de mulheres: uma num recipiente rosa; outra, num de cor azul. Quase 80% das mulheres declararam que o creme de frasco rosa era mais fino e efetivo que o de frasco azul. Ninguém sabia que a composição dos cremes era idêntica. “Não é exagero dizer que as pessoas não apenas compram o produto per se, mas também pelas cores que o acompanham. A cor penetra na psiqué do consumidor e pode converter-se em estímulo direto para a venda”, escreve Luc Dupont em seu livro 1001 truques publicitários7.

Nos anos 1950, quando a empresa produtora do sabonete Lux começou a vender seu produto nas cores rosa, verde e turquesa, substituindo o tablete habitual de cor branca, converteu-se na líder de mercado. As novas cores sugeriam delicadeza e cuidado, intimidade e carinho e os consumidores mostraram-se entusiasmados.

Mais recentemente, na Europa, o Mc Donald’s deixou sua mítica cor vermelha (uma tonalidade apreciada pelas crianças e que costuma estimular a fome), a favor do verde, numa tentativa de aproximar sua marca da comida saudável e de um estilo de vida sustentável8.

A leitura de Admirável Mundo Novo alerta contra todas estas agressões9. Sem esquecer as manipulações midiáticas10. Este romance também pode ser visto como uma sátira muito pertinente da nova sociedade delirante que está sendo construída hoje, em nome da “modernidade” ultraliberal. Pessimista e sombrio, o futuro visto por Aldous Huxley serve de advertência e anima, na época das manipulações genéticas e da clonagem, a vigiar de perto os progressos científicos atuais e seus potenciais efeitos destrutivos.

Admirável Mundo Novo ajuda a compreender melhor o alcance e os riscos e perigos que surgem quando, de novo e por todos os lados, “progressos científicos e técnicos” nos chocam com riscos ecológicos11 que põem em perigo o futuro do planeta. E da espécie humana.
Por Ignacio Ramonet, com tradução de Antonio Martin, no Outras Palavras

1No texto original, Ramonet faz alusão aos 80 anos da primeira edição em língua espanhola, publicada em 1935 pelo editor catalão Luís Miracle. No Brasil, a Editora Globo foi pioneira em lançar Admirável Mundo Novo, em 1941, com tradução de Lino Vallandro e Vidal Serrano. Há em catálogo uma edição brasileira (312 páginas, R$ 21). A obra também está disponível, gratuitamente, na Internet. (Nota do Tradutor)

2Referência a Ivan Pavlov, médico russo, Prêmio Nobel de Medicina em 1904 por seus trabalhos experimentais sobre os “reflexos condicionados”, o mais célebre dos quais é o do “cão de Pavlov”.

3 https://www.youtube.com/watch?v=-qdIO-0aZk8

4Em uma obra extremamente huxleyana, O fim da História e o último homem (1992).

5Ver http://www.ilustrados.com/tema/1298/Psicologia-evolutiva-conductismo-John-Broadus-Watson.html

6Ler, de Ignacio Ramonet, Propagandas silenciosas, La Habana, 2002; e, de Noam Chomsky e Ignacio Ramonet, Cómo nos venden la moto, Icaria, Barcelona, 1995.

7Luc Dupont,1001 trucos publicitarios, Lectorum, México, 2004

8Ler La Vanguardia, Barcelona, 13 de enero de 2012.

9Ler também, por exemplo, de Mertxe Pasamontes, “Una docena de modos en que nos manipulan para que estemos insatisfechos”. http://unadocenade.com/una-docena-de-modos-en-que-nos-manipulan-para-que-estemos-insatisfechos/

10Ler também, de Noam Chomsky, Diez estrategias de manipulación a través de los medios.http://www.revistacomunicar.com/pdf/noam-chomsky-la-manipulacion.pdf

11Ler Laudato sí, a Encíclica “verde” del Papa Francisco, Vaticano, 16/6/2015http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html

Marketing Digital para pequenos negócios

Economia,Publicidade,Negócios,Marketing Digital, Blog do MesquitaO relacionamento é a melhor estratégia para vender mais através da internet. Já contei muitas das experiências que tive com cases de sucesso em que empresas de variados segmentos do mercado aumentaram a lucratividade dos seus negócios e se tornaram mais competitivas diante da concorrência, apostando em marketing digital.
Por Roberto Soares Costa

Agora venho falar principalmente aos empreendedores de negócios locais como é possível desenvolver o negócio, alcançar novos clientes e aumentar lucros investindo muito pouco em campanhas estratégicas de marketing digital.

Como promover meu negócio na internet e lucrar mais?

No meu artigo anterior compartilhei a experiência que tive ao ajudar um amigo a encontrar o drone que ele havia perdido. Ofereci ajuda, publiquei sobre o equipamento perdido em minha página no Facebook, patrocinei a postagem e com investimento exato de R$ 4,92, alcancei mais de 3 mil visualizações que trouxeram notícia e a entrega do objeto perdido. O reflexo desta ação foi maior do que esperava, depois disso, com a mesma estratégia de anúncio patrocinado e bem direcionado, passei ajudar a encontrar animais de estimação perdidos e promover vendas para pequenos negócios locais.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Com isso, reafirmo que estratégias bem pensadas trazem grandes resultados sem a necessidade de investir grandes cifras. O Facebook dentro deste contexto é um canal a se explorar sem medo de apostar, pois com muito pouco você tem a chance de ganhar muito. E é simples, para isso basta que você tenha dados de acesso à internet no Brasil e conheça seu público.

De acordo com números do Banco Mundial 51,6% da população brasileira usa internet. Com estes dados e alguns outros números demográficos é possível desenvolver uma campanha barata e extremamente assertiva. Este número é muito importante para a segmentação das suas campanhas e vai ajudar você a definir periodicidade, impressões e o investimento que você precisa realizar para alcançar a sua audiência.

Identifique o seu público e comunique-se com ele

Comunicação significa “dizer algo a alguém” e ser “entendido”. Conhecendo seu público você pode segmentar sua oferta. Segmentando de forma correta é possível através de um percentual da população economicamente ativa expor uma marca, produto ou serviço a toda a população de uma cidade ou região.

Quando o cliente busca a oferta, estamos trabalhando com marketing de intenção. Ele precisa, ele busca. Quando induzimos, trabalhamos com marketing de indução, exposição. É sempre mais fácil vender para quem precisa e por isso a comunicação deve ser diferente para cada tipo de público. Em ambas as situações é perfeitamente possível conquistar atenção, visibilidade e atrair consumidores através de links patrocinados no Google ou facebook .

Propaganda espontânea é resposta de uma boa estratégia

Além das estratégias patrocinadas a autoridade do seu cliente é tão importante para o seu negócio quanto você é para os seus amigos. Você quer que ele fale bem de você e traga os seus amigos? Existem técnicas simples e muito baratas pra isso. Você pode fazer com que o seu cliente trabalhe para você e isso pode ser feito de uma forma natural, divertida, simples, barata e muito eficiente, ampliando assim o potencial das suas ações de marketing.

Exemplo de investimento em Facebook – Divulgação nas imediações

Em uma cidade de 300.000 habitantes, levando em consideração o Facebook, e um público de 20 a 30 anos masculino, considerando que 51% da população utiliza a internet diariamente é possível garantir que com um investimento inferior a R$ 100,00 seja possível atingir todos os internautas ativos  neste raio de ação. Você leva uma oferta que atenda a necessidade deste público, entrega naturalmente o que ele está buscando e se a experiência dele com o seu “produto” for satisfatória  naturalmente ele vai participar da ação.

Segmentar para conquistar

Esta estratégia de segmentação serve  tanto para objetivos sociais quanto comerciais, faz com que seja fácil encontrar animais e bens perdidos, expor produtos e serviços com qualidade e menor custo.

Se você tem um negócio local invista na estratégia e na identificação do seu cliente. Nas  redes sociais a propaganda se propaga naturalmente, basta direcionar para o público certo. Se você tem uma oferta aderente às necessidades do seu público, anuncie, a resposta é rápida.

Quer saber mais sobre marketing digital e conhecer estratégias de segmentação, aprender a definir valor a ser investido em uma campanha, número de Impressões e estratégias para que seu cliente trabalhe para você?

Para ler mais dicas acompanhe o site: www.osempreendedores.com.br  e a minha página no Facebook: www.facebook.com/robertoscosta.

Eleições 2012: candidatos fazem mau uso da internet

Ilustração do site pernambuco.com

Candidatos repetem erro de eleição em 2010 e desperdiçam potencial da internet.

Projeto oferece internet de graça em alguns pontos de ônibus em Brasília

O peso da internet na campanha que elegeu Dilma Rousseff fez especialistas preverem um papel crucial para a web nas eleições municipais deste ano, como na eleição de Barack Obama em 2008. Mas ainda não foi dessa vez.

“Os candidatos estão apenas replicando o que fizeram na internet nas últimas eleições, usando a web apenas como uma via de mão única, em que o político apresenta a sua agenda, sem uma real interação”, diz Pollyana Ferrari, que é a pesquisadora em mídia social e professora de jornalismo multimídia da PUC-SP.

Para ela, alguns candidatos aprimoraram seus vídeos e entraram em redes sociais que estão se popularizando, como o Instagram, mas sem uma estratégia específica. “Em geral, eles usam essas ferramentas muito mal, porque poderiam, por exemplo, monitorar o que está se falando online e tentar capitalizar em cima disso.”[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Se em 2010 vários ignoraram o potencial da internet, agora, esse mesmo “erro” pode ter consequências graves, por causa da penetração da internet na chamada nova classe média.

Esta corresponde hoje a 53% da população ou 104 milhões de pessoas, segundo o governo. Atualmente, mais de 60% da classe C está na internet, sendo que mais da metade entra online diariamente e 76% está nas redes sociais, de acordo com dados do instituto Data Popular, que faz pesquisas entre essa fatia da sociedade.

“Diferentemente dos outros canais de comunicação como jornais, rádio e TV – que têm empresas atuando junto a todos os segmentos da sociedade – a indústria da internet ainda rejeita trabalhar para a classe C”, diz o pesquisador de internet, Juliano Spyer, que já trabalhou na estratégia online das campanhas da Marina Silva (2010) e Gilberto Kassab (2008).

Preconceito?

Na opinião de Spyer, o motivo pode estar relacionado a preconceito, uma vez que a classe C é acusada de “orkutizar” diversos ambientes online. “A internet talvez seja vista como um demarcador de classes e, na medida em que a distância entre as classes encurta, a antiga classe média sente que está perdendo seu prestígio e reage desprezando a maneira como esses novos usuários atuam na internet.”

Entender que a internet é hoje sinônimo de interatividade parece óbvio, mas na opinião do sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, é justamente isso que falta à maioria dos candidatos.

“Não tem nada a ver com o horário eleitoral, em que o político falava e o eleitor ouvia. Na democracia 2.0, o eleitor quer falar e também compartilhar. E não adianta apenas estar nas mídias sociais e dar respostas padrões, porque isso não cola mais”, diz.

Os integrantes da nova classe média aprenderam nas redes sociais, segundo Meirelles, que a opinião dela conta e ela sabe usar isso a seu favor, inclusive como eleitor.

O analista e professor de comunicação política da USP Gaudêncio Torquato também vê essa apropriação: “Essa nova classe C é imediatista, pragmática, reivindica coisas da micropolítica – melhor sistema de transporte, escolas mais próximas, bom atendimento na saúde, segurança. Já a classe média tradicional é atraída por conceitos mais abstratos.”

Como aproveitar

E como os candidatos podem aproveitar melhor a internet nesse ano eleitoral (e nos próximos)? Os especialistas ouvidos pela BBC Brasil mostram outros caminhos, além de interagir de verdade com usuário/eleitor.

Para Spyer, é preciso combater os preconceitos da “orkutização”: de um lado, a campanha precisa se comunicar com a classe C sem infantilizá-la e, por outro, os emergentes devem reduzir a desconfiança nas instituições.

Explorar melhor as redes sociais também foi citado. Pollyana acredita que o Facebook poderia ser usado com uma palco para discussões sobre programas de governo e afins.

Já para Spyer, o desafio é o político falar de maneira centralizada no Facebook, individualizando cada grupo, já que hoje se vê inúmeros conglomerado da vida real se reunindo no site de Mark Zuckerberg.

Outra dica constante é investir em conteúdo compatível com celular. “Tudo caminha para o celular, é a grande tendência”, diz Pollyana. “Todo conteúdo online hoje deveria ter versões para smartphones, mas muitos sites de candidatos nem rodam em celular.”

Fora isso, uma pesquisa realizada pela empresa de tecnologia Intel mostrou que os brasileiros têm o costume de compartilhar informações pelo celular. E, mais que isso, são os que mais compartilham opiniões políticas entre os países avaliados: Austrália, China, França, Índia, Indonésia, Japão e EUA.

Mais uma vez, a classe emergente ganha relevância nesse quesito. Uma pesquisa do grupo Mobi mostrou que 19% dos integrantes da classe C têm smartphones e, desses, 45% pretendem trocar de aparelho nos próximos seis meses.

“Candidatos precisam passar a ver o celular como uma maneira de transformar uma pessoa em um agente da sua campanha”, diz Spyer, que sugere o uso de aplicativos (apps) para isso.
Mariana Della Barba e Jessica Fiorelli/BBC Brasil

Como enlouquecer um operador de tele-marketing

COMO ENLOUQUECER UM OPERADOR DE TELEMARKETING!

Você tem recebido com freqüência ligações de operadoras de telemarketing para lhe tentar vender assinaturas de jornais, planos de saúde, cartões de crédito, abertura de conta em banco, livros, etc… Você já está cansado dessas ligações?

Eis aqui 10 meios de “atormentar” a pessoa que está do outro lado da linha…

    1. Quando a pessoa lhe perguntar “como vai?” Responda: “Estou tão feliz que você esteja me perguntando isso! Hoje em dia ninguém mais se preocupa comigo e preciso tanto conversar com alguém… Minha artrite está me matando e meu cachorro acaba de morrer. O pior é o meu médico que me disse…”.
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    2. Peça um tempo, dizendo que vai pegar uma caneta e um bloco de papel e fale a pessoa para falar MUITO devagar porque você estará escrevendo tudo o que ela disser.
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    3. Quando a pessoa disser:”Bom dia, meu nome é Francisco da empresa X”, peça-lhe para soletrar o nome e sobrenome, e o nome da empresa. Faça-o repetir. Pergunte o endereço, faça soletrar o nome da rua, o CEP. E faça-o repetir novamente. Peça-lhe o nome do chefe dele, o nº do CGC da empresa dele. Faça pausas longas como se você estivesse escrevendo tudo num papel. Continue a fazer perguntas pelo tempo que for necessário. [ad#Retangulo – Anuncios – Direita]
  1. Quando a pessoa se apresentar (ex: “eu sou Júlia”), dê um grito:
    -“Júlia? Oi. Querida! É você mesma? Faz tanto tempo que não tenho notícias suas! Como é que você foi na faculdade? Você não lembra mais de mim?”
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  2. Se uma empresa de telefonia ligar para lhe oferecer descontos nos interurbanos, responda com voz sinistra:
    “-Não tenho amigos. Ninguém quer ser meu amigo! Ninguém quer falar comigo. Você quer ser meu amigo? Eu poderia ligar para você… Qual e teu nº?”
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  3. Se uma administradora de cartão de crédito ligar para lhe oferecer um cartão, responda que esta oferta caiu do céu, você acabou de ficar desempregado e está com um monte de dívidas, seu cheque especial foi cortado e que finalmente você vai poder fazer as compras de supermercado.
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  4. Ou então diga que voce está em liberdade condicional, num programa de reabilitação social para detentos e que você precisa pedir à assistente social a autorização dela.
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  5. Depois de ter ouvido tudo o que a pessoa tem a dizer, peça-a em casamento, porque você só dá seu nº de cartão de crédito à sua esposa.
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  6. Dependendo do sexo da pessoa que te liga, diga a pessoa: “Nem tente, André (ou Andrea, se for mulher), eu já conheci tua voz! Essa brincadeira é boa, mas agora não tem mais graça. E como vai a tia Palmira?” Não importa o que a pessoa lhe disser, repita: “Pára com isso, André, você não percebeu que eu já te reconheci?
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  7. E… finalmente, esta é a melhor resposta…Diga a pessoa que você está muito ocupado no momento, mas que lhe dê seu nº particular que você irá ligar mais tarde para a casa dela. A pessoa evidentemente não vai querer lhe dar o nº. Responda então:”- Eu imagino que você não queira ser importunado na sua casa… Eu também não!”