Demóstenes e Cacheira: as águas vão rolar. Ainda.

Fila que anda
Dora Kramer/O Estado de S.Paulo

Evidente está que a influência do contraventor Carlos Augusto Ramos no mundo da política não se circunscreve ao senador Demóstenes Torres nem ao DEM.

O “arco de alianças” inclui governadores e deputados do PSDB, PPS, PT, PTB e PP. Isso ao que se sabe até agora.

Entre os amigos parlamentares, pelo menos um – o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes – já deu a seus pares, motivo para que (no mínimo) se questionem sobre a conveniência de continuarem a privar de sua convivência.

Assim como outros quatro deputados, o petebista não negou seus vínculos com o bicheiro que gosta de receber tratamento de “empresário”.

Mas foi além: pagou para ver se a tolerância do Parlamento na preservação do decoro é ampla ou se a intolerância para com a conduta de Demóstenes guarda certo sabor de desforra por causa do rigor ético aplicado aos colegas.

Em entrevista ao jornal O Globo, Jovair Arantes traça um autorretrato: “Sou o tipo do cara que não fica procurando se a pessoa tem problema na vida dela. Não sei se ele (Cachoeira) ganhou dinheiro em jogo, se era um negócio legal ou ilegal. Não me interessa. Não sei, não me aprofundei nem quero me aprofundar”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Afirma que procurou o “empresário”, mas que não estava atrás do dinheiro dele e sim de sua influência em Goiás.

“É um cara influente, isso é inegável e está provado por essa operação”, diz, referindo-se à Operação Monte Carlo que acabou com a carreira de um senador e pôs o “cara influente” na cadeia.

Em suma: o líder do PTB não olha com quem anda, não liga que disso decorra uma avaliação negativa sobre quem ele (o deputado) é.

Não quer saber se é correta ou não a conduta de quem lhe empresta prestígio e só falta acrescentar que tem raiva de quem sabe.

Lixa-se, portanto, para a opinião pública e para o decoro exigido de um parlamentar que, aliás, já se torna suspeito só de admitir amizades com quem tem vulgo.

Se o arrazoado do líder não é o bastante para que a Câmara não se faça de surda e abra investigação para saber até onde vão suas ligações com o homem de quem o senador Demóstenes também se dizia mero amigo para revelar-se prestador de serviços, francamente nada mais é motivo.

Fica difícil até confiar na definição do termo decoro.

Segundo Houaiss, significa decência, pundonor, compostura. Pode ser que a Câmara tenha outros sinônimos que, a depender da atitude da Casa, soarão como antônimos.

Névoa seca. O PT e o governo não têm como explicar a operação casada entre a compra de lanchas (23 das 28 ainda em desuso) para o Ministério da Pesca e o pedido de doação para a seção do partido em Santa Catarina feito à empresa vendedora.

À falta de justificativa para ato que o próprio dono da Intech Boating caracteriza como uso privado do Estado “foi um pedido do ministério”, diz José Antônio Galízio Neto – busca-se confundir a cena resumindo-se os fatos a uma questão de acusação ou defesa da ministra Ideli Salvatti, ex-titular da Pesca, cuja campanha para o governo do Estado recebeu aqueles recursos.

O caso não tem a ver com Ideli em particular, mas com as práticas do PT em geral. Pedir dinheiro a fornecedor do ministério não está entre as atribuições normais de um partido, cujo dever seria manter as coisas em seus devidos lugares. Separadas.

De novo, não. Queira o respeito à paciência alheia que os políticos e partidos envolvidos com o contraventor vulgo Cachoeira não comecem a atribuir suas estripulias ilícitas à falta de reforma política, alegando que o “sistema” os obriga a recorrer à busca de recursos paralelos para financiar suas campanhas.

A história sempre se repete. Mas, de tanto ser contada, já não convence. Seja pela indisposição dos partidos e dos políticos em reformar, seja pela culpa que a lei forte não tem diante do fraco de certas excelências.

Roberto Jefferson ataca outra vez

O andar capenga da moralidade no governo atual, deixa aos analista uma descomunal dificuldade gramatical em adjetivar tal situação, sem o risco de vir a responder por ofensa à moralidade pública.

Agora aparece o caso da Casa da Moeda, onde o ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, é demitido por suspeita de receber propinas via “offshores”, que são empresas localizadas no exterior, normalmente em paraísos fiscais.

São usadas para remessa ilegal de dinheiro e manter sigilo sobre as referidas operações. O Luiz Denucci e a filha, Ana Gabriela, são donos de duas contas “offshores”.

José Mesquita – Editor


O presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse hoje à Folha que o ministro Guido Mantega (Fazenda) deve ir ao Congresso explicar a indicação e a demissão de Luiz Felipe Denucci da presidência da Casa da Moeda por suspeita de corrupção.

Segundo ele, Denucci é um nome do ministro da Fazenda e o PTB fez apenas um “favor” ao chancelar a indicação.

“O ministro Mantega, que é o padrinho, deve satisfações à opinião publica. Ele foi feito presidente da Casa da Moeda pelo ministro”, disse Jefferson, reafirmando que o governo foi alertado há dois anos sobre o fato de Denucci e a filha dele, Ana Gabriela, terem montado duas offshores no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, como a Folha revelou nesta semana.

“O governo já sabia desse problema e só tomou providências ao saber de uma matéria que a Folha preparava.”

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Um relatório da empresa londrina WIT, que faz transferência de dinheiro para o exterior, apontou que, por meio de transações complexas, os Denucci receberam U$ 25 milhões de comissão de empresas contratadas da Casa da Moeda. Ele confirma ter as offshores, mas diz que o documento é falso.

Ele criticou o papel do governo na apuração de irregularidades e disse que o Planalto quer deixar a conta pela indicação no PTB.

“O Mantega chamou o Jovair [Arantes, líder do PTB na Câmara] e pediu um aval. Ele não é do PTB. Ele é do Mantega. O PTB fez um favor ao Mantega e se deu mal.”

O presidente do PTB disse que não causa surpresa o envolvimento do partido no caso. “Eu não confio no PT. O PT é um amigo que trai o outro.”

Temeroso de que Denucci envolva o partido em mais denúncias, o presidente da legenda proibiu a bancada na Câmara de indicar um substituto. Até sábado, o governo elogiava a atuação de Denucci no cargo.

Vice-líder do governo e líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF), não quis comentar o caso.

O Congresso reabre na tarde de hoje os trabalhos. Com isso, poderá ser protocolado um requerimento pedindo a presença de Mantega para tratar da demissão na Casa da Moeda.

Para que o ministro da Fazenda fale formalmente aos congressistas é necessária a aprovação de um requerimento em comissão permanente.
Tribuna da Imprensa

O dinheiro sem carimbo e os partidos: a lavanderia do PT e do PSDB

Deputado cassado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson é réu no inquérito do mensalão. Responde pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Policial Militar no Distrito Federal, João Dias está preso. Agrediu um sargento que tentava contê-lo no Palácio do Buriti onde entrou com um pacote de R$ 159 mil em espécie.

Jornalista e ex-assessor da campanha petista em 2010, Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha.

Com a denúncia de que o governo Luiz Inácio Lula da Silva pagava mesada a sua base parlamentar, Jefferson provocou um dos escândalos políticos de maior repercussão da história da República. Com a acusação, da qual voltaria atrás na defesa apresentada por seus advogados no Supremo, Jefferson pôs em risco o mandato de Lula e levou 40 réus a serem arrolados no Supremo Tribunal Federal.

Pela denúncia de que recursos públicos destinados a um programa de formação de núcleos esportivos em escolas públicas estavam sendo desviados para Ongs ligadas ao PCdoB, Dias precipitou a queda do titular do Ministério dos Esportes, Orlando Silva, um ex-presidente da UNE que estava no cargo havia cinco anos.

Tanto PSDB quanto PT mantiveram lavanderias em ação

Jefferson e Dias denunciaram esquemas ilícitos dos quais foram participantes. A valoração, pela Justiça, de depoimentos de suspeitos e até criminosos condenados, deu curso ao instituto da delação premiada.

A suspeição que recaía sobre ambos não impediu que os depoimentos de Jefferson e Dias, com ampla divulgação nos meios de comunicação, tivessem desdobramentos políticos e jurídicos significativos.

É com base nesses precedentes que cresce, na internet, a indignação com os escassos desdobramentos nos jornais e nos meios políticos das denúncias publicadas pelo jornalista Amaury Ribeiro no livro “A Privataria Tucana” (Geração Editorial, 344 páginas).

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Contratado como elo da assessoria de comunicação da campanha petista e o universo da arapongagem, o jornalista foi indiciado no inquérito que apura a violação do sigilo fiscal de dirigentes tucanos e familiares do ex-candidato à Presidência, José Serra.

O livro é uma compilação de documentos que sugerem lavagem de dinheiro da privatização. O autor revela vínculos entre muitos dos personagens que estiveram ligados à venda das estatais, às campanhas do PSDB e à família de Serra, mas, apesar da farta documentação, não encontra carimbo no dinheiro lavado. Talvez pela simples razão de que o jornalismo não é dotado de meios policiais e jurídicos para identificar o carimbo.

Muitos personagens dos governos do PSDB e do PT que enriqueceram às custas de tráfico de influência e informação privilegiada passaram incólumes pela imprensa porque embolsaram dinheiro lavado. Uma única operação da Polícia Federal apurou que entre 1996 e 2002, no auge das privatizações, evadiram-se U$ 30 milhões pelas chamadas contas CC5, criadas pelo Real para liberalizar o fluxo de capitais.

Muito mais fácil do que identificar o carimbo nesse dinheiro é descobrir e, com toda razão publicar, a história de um ministro que um dia teve duplo emprego.

A indignação de internautas questiona por que os jornais que já execraram a família de Lula não se ocupam em seguir as pistas dos familiares de Serra que o livro revela.

Num tempo em que se derrubam ministros como quem preenche uma cartela de bingo talvez esteja fora de moda lembrar que o jornalista pode achar que apura como um promotor e julga como um magistrado, mas o jornal não tem como abrigar plenamente o direito de defesa e, por isso, não substitui a Justiça.

Isso não desmerece a reportagem. Muito pelo contrário. O valor do jornalismo investigativo está em identificar os interesses em disputa e revelá-los ao público. Propagar unicamente a munição que vem de um dos lados é partidarismo.

O livro é menos partidário do que o uso que se faz – e não se faz – dele. Depois de ter chegado às livrarias na última sexta-feira, teve sua primeira edição esgotada em 48 horas. O espaço que lhe dedicam os blogs é inversamente proporcional à centimetragem impressa. No fosso entre uma e outra abordagem está a constatação de que face às chances de se identificar o dinheiro carimbado, tanto tucanos quanto petistas preferiram deixar as lavanderias funcionando.

Boa parte da documentação de que se vale o livro é originária da CPI do Banestado, instalada no primeiro ano do governo Lula. Se houvesse real interesse em pôr freio à lavagem, ali teria sido o momento.

O volume de informações fiscais, bancárias e telefônicas levantado por aquela comissão foi mais do que suficiente para se fechar o ralo. Mas o relator (José Mentor), petista, ocupou-se em tentar incriminar o ex-diretor do BC, Gustavo Franco, pela liberação da remessa de recursos para o exterior sem a identificação do remetente. Deparou-se com o presidente da comissão (Antero Paes de Barros), tucano, disposto a sugerir o indiciamento do então presidente do BC, Henrique Meirelles, por ter se utilizado de uma conta de doleiros para transferir U$ 50 mil para o exterior. O resultado é que dois relatórios foram apresentados e nenhum foi aprovado.

Nos documentos da CPI já se viam as digitais do Rural, o que não impediu que o banco fosse o escolhido para a lavanderia do mensalão. Visadas, as agências de publicidade pouco a pouco foram cedendo espaço aos escritórios de advocacia na intermediação do dinheiro que a política busca esquentar.

No projeto de lei sobre lavagem de dinheiro que tramita no Congresso, a OAB faz pressão contra o artigo que obriga os advogados a revelar a origem dos recursos com que seus clientes pagam os honorários advocatícios. E encontra defensores de PT a PSDB.

Mesa de ontem no Casserole, centro de São Paulo, reunia o ex-diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, um dos principais personagens do livro, o ex-ministro da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso, Clóvis Carvalho, e o advogado José Carlos Dias.

Por Maria Cristina Fernandes – VALOR
Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras
E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

Sob Alckmin, SP libera verba para obra sem utilidade

Brasil: da série “O tamanho do buraco!”

Só não entendo por que o jornal não apurou/divulgou qual a empresa responsável pela construção da inutilidade. No texto abaixo, fica claro que não só não há definição quanto ao nome – múltiplo uso – como não há utilidade e função para tal “galpão”.

Fico com o desconfiômetro ligado, uma vez que o autor da emenda é um deputado que também é pastor.
Um galpão desses serve com uma luva para uma possível posterior instalação de mais um templo arrecadador do dinheiro dos incautos fieis.
Aguardo a possível declaração do governador Alckmin dizendo que “não sabia de nada”. Igual ao que acontecia com barbudo de Garanhuns.

O Editor


Em São Paulo, o caminho mais longo entre o governo e o ato de governar pode ser uma emenda de deputado estadual.

Assentada no noroeste paulista, Lourdes, uma cidade rural de 2 mil habitantes, oferece um exemplo dos tortuosos caminhos a que estão sujeitas as verbas públicas.

Ergue-se em Lourdes um galpão que custou ao contribuinte de São Paulo R$ 150 mil. Dinheiro liberado pelo governo tucano de Geraldo Alckmin.

A obra inútil - Foto: Rodrigo Vizeu/Folha

Deve-se ao deputado estadual Dilmo dos Santos (PV) a emenda que propiciou a migração dos recusos das arcas estaduais para a caixa da prefeitura.

Justificou a destinação assim: “A construção desse centro de múltiplo uso em muito ajudará a cidade, pois proporcionará melhor qualidade de vida.”

Em visita ao local da obra, o repórter Rodrigo Vizeu constatou um fenômeno inusitado. Ninguém sabe dizer qual será a serventia do galpão “de múltiplo uso.”

O repórter foi de autoridade em autoridade. Relata, na Folha, o resultado do périplo. “Pode ser várias coisas”, disse o prefeito Franklin Querino da Silva Neto (DEM).

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Como assim? Talvez sirva para “geração de renda”. Heimm? “Se eu conseguir uma fábrica, alguma coisinha pequena aqui dentro da comunidade, vou priorizar.”

Presidente da Câmara Municipal de Lourdes e aliado do prefeito, o vereador João Ranucci (DEM) declarou que a obra “não tem definição.”

Hã? “Pode ser qualquer fim, uma fabriquinha que gere emprego para 10, 15 pessoas.”

A servidora Carla Ferreira, responsável pelas licitações da prefeitura, divaga: “A gente já tem um barracão que serve de academia, não sei se esse também vai ser para isso”.

Edevaldo Contel, engenheiro da prefeitura, reveste o inusitado com uma ossatura vocacional:

“Tem que ver a aptidão das pessoas. Você não pode forçar uma atividade. Tem que ver qual vai ser o despertar de cada um.”

No gabinete do deputado Dilmo, o autor da emenda, a assessoria assume o papel de Pilatos. Informa que o parlamentar atendeu a um ofício do prefeito.

“O papel dele é indicar”, sustenta a assessoria do deputado. Quanto aos “detalhes, o emprego [da obra], fogem à alçada dele.”

Mencionava-se no ofício, segundo Declara que o parlamentar como Instado , afirmou.

A assessoria do deputado disse que ele apenas atendeu a um ofício do prefeito, que pediu um centro para “geração de empregos”.

Procurado na noite passada, o governo de São Paulo alegou que, diante do avançado da hora, seria “impossível levantar dados sobre o convênio específico.”

As paredes da obra inútil de Lourdes, ainda nos alicerces, vão subir contra um pano de fundo envenenado.

Membro do condomínio partidário que dá suporte ao governo Alckmin, o deputado Roque Barbiere (PTB) denunciou a existência de um comércio de emendas.

Comparou a Assembléia Legislativa de São Paulo a um camelódromo e os colegas a camelôs.

“Cada um vende de um jeito. Cada um tem uma maneira, cada um tem um preço”, disse Roque.

Ele se nega a citar os nomes dos malfeitores. “Nem com um revolver na cabeça.” Mas oferece um fio de meada a quem quiser investigar.

Afirma que não faz nexo um deputado destinar verbas a municípios nos quais não tenha obtido votos.

“O deputado não pode destinar emenda para lugar que nem sabe onde fica. Tem algo de estranho nisso.”

O colega Dilmo dos Santos, informam os mapas de votação disponíveis no TSE, não amealhou na cidade de Lourdes um mísero voto.

Pastor evangélico e membro do Conselho de Ética da Assembléia, Dilmo toma distância do modelo fixado pelo colega Roque: “Tenho compromisso com o Estado todo”, diz.

Nesta quarta (5), Alckmin disse que o denunciante Roque “tem o dever, como homem público, de, tendo conhecimento de um fato errado, denunciar” os envolvidos.

O governador tem razão. Ao sonegar os nomes, Roque converte-se de denunciante em cúmplice. Porém…

Porém, o inacreditável de Lourdes demonstra que o governo estadual também tem explicações a dar e apurações a realizar.

Além dos R$ 150 mil que carreou para Lourdes, o pastor Dilmo é autor de emenda que destinou cifra idêntica a outro galpão, em Nova Castilho, onde também não teve votos.

Seria outra construção “de múltiplo uso?” Sabe-se lá! Deus sabe! “O papel dele é indicar”. Os “detalhes, o emprego [da obra], fogem à alçada dele.”

Na atmosfera conspurcada do maior e mais rico Estado do país só há duas certezas:

1) Os impostos servem para tirar dinheiro de bolsos indefesos; 2) O pranto serve para o contribuinre chorar.

blog Josias de Souza

Mensalão Paulista: a mídia continuará ignorando?

Deputado Estadual Roque Barbiere - PTB - São Paulo

O deputado estadual paulista Roque Barbiere (PTB), conhecido como Roquinho, concedeu entrevista ao programa “Questão de Opinião”, no site do Jornal “Folha da Região” de Araçatuba, e soltou a seguinte bomba:

Entrevistador: – É verdade que tá cheio de deputado que vende emenda, trabalha para empreiteira, faz lobby com prefeitura vendendo, inclusive, projetos educacionais?

Deputado: – É! Não que tá cheio, tem bastante que faz isso. Não é a maioria, mas tem um belo de um grupo que vive, sobrevive e enriquece fazendo isso.

Entrevistador: – De 100%, você chutaria um tanto?

Deputado: – 25 a 30%.

Entrevistador: – 25 a 30%… você pode citar um?

Deputado: – Poderia, mas não vou ser dedo-duro e não vou citar. Mas existe! Existe ao meu lado, existe de vizinho, vejo acontecer, falo para eles, inclusive, para parar. Aviso que se um dia vier cassação do mandato deles, não vir me pedir o voto que eu vou votar para cassá-los, mas não vou dedurar.

Em 2004, Roberto Jefferson fez denúncia semelhante e resultou em três CPI’s, na maior cobertura midiática promovida pela imprensa dia-e-noite, sem parar, da história do Brasil.

E agora, governador Alckmin (PSDB/SP)?

Vai deixar a ALESP (Assembléia Legislativa) abrir uma CPI só que seja, para os supostos 70% “honestos”, investigarem os “supostos 30%” corruptos denunciados pelo deputado Roquinho?

Ou tem medo desse mensalão bater na porta do Palácio dos Bandeirantes?

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]E agora, Globo? E agora, Veja? E agora, Folha (¹)? Vão ficar caladas, protegendo a corrupção tucana, jogando a sujeira para baixo do tapete, só porque o governador Alckmin comprou com dinheiro público do contribuinte paulista R$ 9 milhões de assinaturas de seus jornais e revistas?

Na gestão anterior de Geraldo Alckmin no governo do Estado, já houve uma grave denúncia de um mensalão da Nossa Caixa (o banco do governo do estado de SP na época, depois vendido) para comprar apoio de deputados estaduais mediante anúncios superfaturados em jornais e rádios pertencentes aos deputados.

Foi tudo abafado e engavetado. Dessa vez será diferente?

Por sinal, cadê a OAB? Cadê a indignação do Ophir Cavalcanti?

Em tempo: Essa denúncia do deputado já virou alvo de investigação do Ministério Público Estadual.

Pizza de xuxu expressa: Geraldo Alckmin (PSDB) já correu na imprensa amiga para engavetar as denúncias.O deputado Roquinho é da base aliada do governador tucano (e não é dissidente).

¹ O Estadão, por enquanto, se dignou a publicar a notícia, apesar de já estar aceitando as “explicações” de Alckmin de forma acrítica.

Fonte: Minuto Notícias

Roberto Jefferson critica ataques de Serra contra Collor

Tá feia coisa pras bandas da candidatura Serra. Roberto Jefferson, cujo vozeirão tanto serve para cantar árias de óperas como pra denunciar o mensalão, voltou a a abrir o ‘bocão’. Dessa vez, e já é a segundo desde que começou a propaganda eleitoral na televisão, o alvo é José Serra. Jefferson reclama que, embora aliado ao PSDB no plano nacional, seu (dele) PTB é escamoteado da propaganda eleitoral e agora seu (dele) candidato ao governo de Alagoas, Fernando Collor, vem sendo sistematicamente atacado nos programas televisivos de Serra.
Para mim o esperto Roberto Jefferson está se preparando para pula fora da canoa da candidatura Serra, que está fazendo água e ameaça afundar antes de atracar no cais. O irônico, ou cômico, ou estúpido nisso tudo é que no vídeo usado para atacar Collor, Serra coloca em sua (dele) propaganda eleitoral Collor pedindo voto pra Dilma. Vá entender a cabeça desses marqueteiros!
O Editor


Serra ataca Collor na TV e Jefferson fala em ‘ruptura’

O comercial acima, levado à TV pelo marketing da campanha de José Serra, irritou presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ).

O que deixou Jefferson apoquentado foram os ataques feitos na peça a Fernando Collor, candidato do PTB ao governo de Alagoas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Numa nota pendurada no seu blog, neste domingo (5), Jefferson estranhou:

“Desconheço os motivos pelos quais o tucano José Serra passou a desferir golpes abaixo da linha da cintura na TV contra Fernando Collor”.

Queixou-se: “Nós, do PTB, estamos coligados ao PSDB na campanha nacional e, além de sistematicamente deixados de lado, […] ainda somos vítimas de ataques”.

Jefferson recorda que, ao se coligar com Serra, o PTB federal adensou o tempo de TV do candidato. “Contribuímos”, diz ele.

Na sequência, Jefferson acomoda no texto uma reprimenda e uma interrogação com cheiro de ameaça:

“Repudiamos as agressões contra um dos nossos. O que os tucanos estão querendo com os insultos, uma ruptura?”

Collor foi injetado na propaganda de Serra em meio a ataques à violação do sigilo fiscal de Verônica, a filha do presidenciável tucano.

Faz-se no comercial uma analogia entre o caso de Verônica e a “baixaria” do Collor de 1989, que levara à TV Lurian, a filha de Lula, seu rival à época.

No miolo da propaganda de Serra, recorda-se que, em sua versão 2010, Collor está associado a Dilma Rousseff. Ele é exibido num comício, pedindo votos para a neoaliada.

Há duas semanas, Jefferson criticara o marqueteiro tucano, Luiz Gonzales, por ter associado Serra a Lula na propaganda televisiva. Fez-se “mau uso” do tempo cedido pelo PTB, reclamara.

Agora, Jefferson enxerga nas estocadas em Collor um quê de vingança: “Ocorre-me que os ataques contra o senador alagoano podem ser revide pelas críticas que fiz”.

Pergunta: “Será que não são admitidas críticas aos erros cometidos pelo candidato e seus assessores?”

E lava em público a roupa suja da coligação de Serra: “[…] Não vi, em nenhum momento, a campanha tucana criticar envolvidos no mensalão do DEM”.

Formula maus uma trinca de indagações: “Por que o PTB? Estão fazendo uma operação-casada – atacam a candidata petista e ao mesmo tempo turbinam a reeleição do governador tucano Teotônio Vilela? E em cima do PTB?”

Teotônio Vilela é o govenador tucano de Alagoas. Concorre à reeleição, contra Collor.

De acordo com o último Ibope, o quadro em Alagoas é de bololô. Collor (28%) está tecnicamente empatado com Ronaldo Lessa (29%), do PDT. Teotônio tem 24%.

Jefferson empurrara o PTB para dentro da coligação de Serra a contragosto de um pedaço do partido.

Para acomodar as divergências, combinara que o naco da legenda simpático a Lula ficaria liberado para pedir votos para Dilma.

Num par de notas levadas ao twitter, o presidente do PTB expõe como deveria funcionar o jogo de Alagoas.

Primeiro, revela: “Fiz um acordo com o Collor. Eu não interviria em Alagoas e ele não criaria problema para coligação PTB/PSDB”.

Depois, constata: “O Collor em momento algum falou contra o Serra. Para que Serra esta falando contra Collor? Me deixa mal”.

Alheio aos queixumes de Jefferson, Serra não parece disposto a privar-se das comparações colloridas.

Continuará explorando as equações que considera próprias: Verônica = Lurian e Collor 1989 + Dilma 2010 = incoerência de Lula.

Resta agora saber como Jefferson responderá à pergunta que ele próprio formulou: “O que os tucanos estão querendo com os insultos, uma ruptura?”

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Serra só falta pedir voto pra Dilma!

Todas as vezes que assisto ao programa de José Serra na televisão, imagino como deverá estar a confusão na cabeça do eleitor, principalmente dos indecisos. Impressiona-me a insistência, quase doutrinária, de querer-se ligar a candidatura de Serra à imagem do presidente Lula. Serra quer ser oposição ao PT e a Dilma Rousseff, preservando a imagem de Lula com seu 85% de aprovação. Parece àquela estória de querer assoviar e chupar cana!

No último programa que assisti, novamente, uma voz em ‘off’ diz: “Serra e Lula. Dois homens de história, dois líderes experientes”, enquanto são exibidas imagens de Serra e Lula se cumprimentando num clima de franca camaradagem. O apresentador continua: “Serra. A vivência que Dilma não tem”. Para o eleitor é confuso ver Serra durante o dia em palanques, carreatas e entrevistas, descendo a borduna em Lula para a noite colocar Lula em seu (dele) programa.

O PT pretende entrar com representação junto ao TSE contra o PSDB, por utilização indevida da imagem de Lula, uma vez que tal uso da imagem do presidente fere o disposto no art.54 da Lei Eleitoral – o dispositivo da Lei 9.504 “proíbe a aparição, nos programas de rádio e TV, de pessoas filiadas à outra agremiação partidária ou a partido integrante de outra coligação”.
O Editor


Serra age como candidato a ministro de Dilma

Dirigentes do PSDB, do DEM e do PTB estão inconformados com a campanha de José Serra no horário gratuito: além de não criticar falhas e escândalos do governo Lula, é monotemático: só fala em Saúde.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Para aliados como o presidente do PTB, Roberto Jefferson, Serra e seus marqueteiros erram feio.

Ele não se comporta como candidato a presidente, mas sim a ministro da Saúde do governo Dilma Rousseff.

Olho nas pesquisas

Assessores lembram que Serra prioriza o tema Saúde porque as pesquisa mostram que esta é a principal preocupação do eleitorado.

Que adversário?

A patética tentativa de vinculação de Serra a Lula virou motivo de chacota.

Já tem gente apostando que ele ainda pedirá voto para Dilma.

coluna Claudio Humberto

Eleições 2010: Roberto Jefferson diz que não conhece José Serra

O tenor do mensalão, o inefável Roberto Jefferson, atual presidente do PTB e aliado de primeira hora da candidatura de José Serra, candidamente confessa que só conhece o tucano ‘ de ouvir falar’.
Uáu!
Com um vice brandindo um tacape maluco, e um aliado mensaleiro desse tipo, fica difícil Serra vencer.
Uáu!
O Editor


Pelo Twitter, Roberto Jefferson diz que só conhece Serra de ‘ouvir falar’

Presidente do PTB critica tucano por não reunir partidos coligados.
‘Sem unidade das oposições ninguém, nem Cristo, venceria’, escreveu.

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, disse nesta quinta-feira (19), por meio de sua página no Twitter, que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, é responsável pela “dispersão” dos partidos coligados de oposição. “[Ele] Nunca nos reuniu.”[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Nas mensagens postadas em seu perfil na rede de microblogging, Jefferson diz que quando vai a São Paulo conversa com lideranças tucanas, como Sergio Guerra (presidente do PSDB), Eduardo Jorge (vice-presidente do partido) e o deputado Marcio Fortes (PSDB-RJ). “E para aí. Nunca conversei com o Serra”, escreveu.

Jefferson diz que teve apenas dois encontros com o candidato tucano. “Eu encontrei com o Serra duas vezes. Uma na convenção do PTB. Outra na casa do Geraldo Alckmin“, escreveu.

Ele critica também a suposta falta de união entre os aliados do PSDB: “Sem unidade das oposições ninguém, nem Cristo, venceria.”

O presidente do PTB diz ainda que seu apoio ao tucano se deve ao candidato do partido ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Eu apoio Serra a pedido do Geraldo Alckmin. Sou Geraldo, não conheço o Serra. Só de ouvir falar.”

Apesar das críticas, Jefferson diz que Serra ainda pode vencer as eleições, apesar de todas as pesquisas eleitorais colocarem a petista Dilma Rousseff em vantagem na preferência do eleitorado. “Se o Serra quiser virar o jogo , ele vira. Dá tempo.”

Roberto Jefferson também teceu críticas à campanha de Serra. Dirigindo-se ao publicitário Luiz Gonzalez, responsável pelos programas eleitorais do tucano, ele questionou o uso de uma favela cenográfica na propaganda do candidato e o uso do apelido “Zé”. “Se o Gonzalez ouvisse um pouco os políticos, não poria no ar uma favela ‘fake’, nem o bobajol do Zé”, postou.

O G1 entrou em contato com a assessoria de José Serra e aguarda retorno. O candidato tucano cumpriu agenda pela manhã no Rio de Janeiro.

Campanha petista

Jefferson atacou também a campanha da candidata Dilma Rousseff. “Dilma vai sendo vendida no horário eleitoral como um Lula sem barba e com dez dedos”, escreveu o presidente do PTB em seu Twitter.

G1

Eleições 2010: PTB pode fechar aliança com tucanos

E agora José?

Tremei puristas críticos das alianças, para obter a tal da indecente governabilidade, feitas entre Lula e os Renans e Calheiros.

Atentai bem inconspícuos! Plumas dividirão o poleiro eleitoral com o barítono dos mensaleiros e aloprados.

“Meu coração tende pelo PSDB e o sentimento da base partidária é ficar com os tucanos, seja Serra ou Aécio o candidato” Roberto Jefferson. Lindo não? No duro, no duro, esse é que é o cara! De pau. Boia em qualquer mar!

O editor


PTB pode fechar aliança com tucanos

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]PTB e PSDB fecham aliança para a candidatura de Serra

O PTB deve fechar aliança nacional com o PSDB para apoiar a candidatura do governador de São Paulo, José Serra. O presidente nacional do partido, Roberto Jefferson, já conversou com o candidato tucano sobre a parceria no primeiro turno, ampliando a coligação dos partidos de oposição, hoje composta apenas pelo DEM e pelo PPS, além do PSDB.

O acordo não está sacramentado, mas Jefferson antecipou ao Grupo Estado que esse é seu desejo e a tendência natural da base petebista. “Meu coração tende pelo PSDB e o sentimento da base partidária é ficar com os tucanos, seja Serra ou Aécio o candidato”, revelou o presidente do PTB.

blog Política Livre com Informações do G1

Senador Pedro Simon diz que teve medo do olhar de Fenando Collor

“Elle” está de volta à ira insana. Não sei se “aquilo” está roxo.Fernando Collor Campanha em 1989Elle durante a campanha de 1989

Fernando Collor Olhar Furioso

Elle ontem no senado.
Mas o olhar está cor de sangue. Será por causa do mês de Agosto?

Simon diz que teve medo do olhar de Collor

Um dia depois de enfrentar a ira da dupla Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL) no plenário, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) confessou nesta terça-feira que teve medo do olhar transtornado do ex-presidente da República, que durante as quase duas horas de embate, ficou logo abaixo da tribuna olhando diretamente em sua direção, com o semblante muito crispado. Ele disse que em vários momentos lhe passou na memória a cena da tragédia que abalou Brasília na década de 60, quando o pai de Collor, o então senador Arnon de Mello, assassinou, com um tiro no peito, o senador acreano José Kairala, em plena tribuna.

Segundo os registros da época, o senador alagoano disparou três tiros contra seu inimigo político, o senador Silvestre Péricles, a 5 metros de distância. Errou todos, mas atingiu sem querer Kairala, suplente que estava em seu último dia de mandato. Apesar do flagrante, a imunidade de Arnon de Mello o livrou de qualquer punição.

– É incrível! Me veio a imagem do pai dele, que atirou e matou o senador Kairala. Foi assustador, saia fogo dos olhos do senador Fernando Collor ali logo embaixo de mim. E eu não falei nada de mais dele, quando vi ele entrou correndo, completamente transtornado ! – lembrou Simon.

Daqui a pouco o senador gaúcho vai á tribuna explicar que não tem nada com a empresa de microcrédito Pôr do Sol, que Renan Calheiros insinuou que ele teria algum negócio escuso.

– É uma empresa muito bacana de microcrédito. Vou mostrar que não tem nada a ver comigo – disse Simon.

Ele adiantou também que não adianta a cúpula do PMDB pressionar para ele deixar o partido.

– Eu sou o verdadeiro PMDB! Eu não vou renunciar. Eles que peçam minha cassação e assumam isso publicamente – disse.

O Globo – Maria Lima