Esse é o golpe que vão tentar nos aplicar em 2022: vender lobo extremista em pele de cordeiro centrista

Folha, Globo e Estadão querem te convencer de que os ex-bolsonaristas Moro e Huck são ‘de centro’

Ilustração: Rodrigo Bento/The Intercept Brasil; Getty Images

Pelos próximos dois anos, a grande imprensa irá martelar que Moro-Huck e Doria-Mandetta são as únicas opções para unir o Brasil. Não chega a ser um estelionato novo.

Um novo embuste eleitoralestá sendo armado no Brasil. Luciano Huck e Sergio Moro estão articulando uma chapa para concorrer à presidência em 2022. A ideia é formar uma candidatura que seja anti-bolsonarista e anti-petista para vendê-la como uma opção moderada de centro. Moro citou também Mandetta e Doria como nomes de centro que poderiam integrar a frente.

Direitistas se vendendo como centristas não chega a ser um estelionato eleitoral novo, pelo contrário. Até a chegada do bolsonarismo, a direita tinha vergonha de se assumir. Direitistas eram liderados pelo PSDB, um partido de origem centro-esquerdista que migrou para a centro-direita, mas nunca se assumiu como tal. Essa vergonha era algo natural depois que a direita ficou marcada pelos anos de ditadura militar. Bolsonaro, que era voz única na defesa do regime militar, ajudou a resgatar o orgulho direitista. Mas, após a tragédia implantada pelo bolsonarismo no Planalto, parece que a vergonha começa a voltar – para alguns.

A grande imprensa brasileira ajudou a forjar o engodo, comprando exatamente o que Moro disse na ocasião. Noticiou o nascimento de uma terceira via moderada, como se dois dissidentes do bolsonarismo, que até ontem surfavam a onda do radicalismo, pudessem liderar um projeto moderado de centro. Criou-se, assim, um consenso no noticiário de que eles são o que realmente dizem que são. É o jornalismo declaratório e acrítico, que se limita a reproduzir as falas de políticos, mesmo as mais absurdas.

Algumas manchetes mentirosas passaram a circular na praça: “Moro, Huck e o caminho do centro contra Bolsonaro e o PT em 2022” ou “Moro Huck, Doria Mandetta: centro se articula para 22″, entre outras tantas.

Fabio Zanini, da Folha de São Paulo, escreveu que Huck e Moro são “dois dos principais nomes do centro no espectro ideológico na política”.

O que são essas frases senão a mais pura e cristalina definição de fake news? Como é que ex-apoiadores do bolsonarismo podem ser considerados de centro? Moro, Huck, Doria e Mandetta romperam com o bolsonarismo não por questões ideológicas, mas por conflitos de interesses. Entre um professor progressista e um apologista da tortura e da ditadura militar, todos eles, sem exceção, optaram pelo apologista da tortura e da ditadura militar. De repente, toda essa gente virou moderada de centro? Uma ova.

Mas como é possível enganar a população assim de maneira tão descarada? Bom, os jornais gastaram muita tinta nos últimos anos pintando Lula e Bolsonaro como dois radicais, como dois lados de uma mesma moeda. Choveram editoriais equiparando os dois nesses termos. O ex-presidente é notoriamente um homem de centro-esquerda, que liderou por oito anos um governo de coalizão que abrigava até mesmo partidos de direita. Portanto, pintá-lo como o equivalente de Bolsonaro dentro do espectro de esquerda é uma mentira grosseira. Diante desse cenário forjado, artificialmente polarizado por dois extremistas que já estiveram no poder, fica mais fácil vender a ideia de que a única saída é pelo centro. Ainda mais quando esse centro é representado por um apresentador da Globo e um ex-juiz que é o herói da imprensa lavajatista.

A única participação de Moro na política partidária foi integrando um dos principais ministérios de um governo de extrema direita. O tal centrismo de Moro fica ainda mais ridículo quando ele sugere que general Hamilton Mourão, outro defensor da ditadura militar e do torturador Ustra, é também um homem de centro apto a fazer parte da sua articulação.

Sergio Moro não abandonou o bolsonarismo por divergências ideológicas. Não rompeu porque suas ideias centristas colidiram com o radicalismo. Ele pulou fora porque Bolsonaro interveio no seu trabalho, que até então era elogiadíssimo pelos extremistas de direita. Não há nenhuma razão objetiva que justifique enquadrá-lo no centro a não ser os desejos da ala lavajatista da grande imprensa, que ainda é hegemônica. É uma bizarrice conceitual que lembra a pecha de “comunista” que Moro ganhou das redes bolsonaristas após sua saída do governo. É a ciência política aplicada no modo freestyle.

Esse é o golpe que vão tentar nos aplicar em 2022: vender lobo extremista em pele de cordeiro centrista.

Doria e Mandetta até pouco tempo atrás apoiavam o bolsonarismo. São homens de direita que toparam o radicalismo de Bolsonaro sem nenhum problema. São direitistas que estão mais próximos da extrema-direita do que do centro. E Luciano Huck? Bom, a sua trajetória não deixa dúvidas de que é um homem de direita (escrevi a respeito no ano passado). O seu voto em Bolsonaro deixou claro que ele é capaz de apoiar a extrema direita para evitar alguém de centro-esquerda.

A ideia de que Huck poderia ser presidente nasceu na cabeça de Paulo Guedes, o economista que colaborou com o regime sanguinário de Pinochet e que foi — e ainda é — o fiador da extrema direita no Brasil. O apresentador da Globo foi cabo eleitoral do seu amigo Aécio Neves e já exaltou o Bope nas redes sociais. É um histórico incompatível com a aura de centrista moderado que ganhou da grande imprensa.

Apesar de algumas pinceladas progressistas em questões envolvendo o meio ambiente, por exemplo, Huck também está mais próximo da extrema direita do que do centro. A Folha de S. Paulo tem dado enorme contribuição para a consolidação dessa imagem de centrista moderado, já que frequentemente oferece espaço para que este condenado por crime ambiental possa escrever em defesa do….meio ambiente.

O fato é que o centro na política brasileira é uma ficção. Ele é a direita que se pretende moderada, mas que topa apoiar um candidato fascistoide se o seu adversário for um homem com perfil moderado de centro-esquerda. A grande imprensa está tratando esse oportunismo como uma alternativa para o país que chegará em 2022 arrasado pelo bolsonarismo. Durante as últimas eleições, a Folha emitiu um comunicado interno exigindo que seus jornalistas não classificassem Bolsonaro como alguém de extrema direita. Isso significa que a direção do jornal não quis contar a verdade para o eleitor. Tudo indica que esse ilusionismo continuará com a fabricação dessa chapa centrista e moderada formada por legítimos direitistas que suportaram um projeto neofascista.

As chances dessa terceira via fake não vingar são grandes. As pretensões dos envolvidos são grandes demais. Moro, Huck ou Doria aceitariam ser o vice dessa chapa? Difícil, mas a tática direitista de se camuflar de centro deverá ser aplicada, mesmo que com outros personagens.
Blog do João Filho

O PT caminha para perder a sua importância social e política

Golpe e a eleição do Bolsonaro são vitórias impactantes e contundentes de uma camada da população que semeia e dissemina o ódio ao PT.

Junho 2013. Há exatos sete anos, uma onda de protestos tomava as principais ruas do Brasil. Após a agressão da Polícia Militar de São Paulo contra os manifestantes, o que fora conclamado para ser um protesto sobre a gratuidade do transporte público na cidade se tornou uma miríade de reivindicações com interpretações variadas e inconclusivas. Neste ensaio, vale a pena destacar que, naquele momento, de maneira desorganizada, já estava presente o sentimento de mal-estar em relação à forma como a política vinha sendo feita no Brasil e à precária efetividade das políticas públicas de saúde, educação e segurança pública. Por forma, entende-se que as coligações multipartidárias de ocasião, não ideológicas e pouco republicanas davam corpo à base aliada dos governos. Naquele cenário, ante um público majoritariamente de classe média ressentida, o principal partido de esquerda da América Latina estava na berlinda. Alguns dirigentes, congressistas e governantes do Partido dos Trabalhadores levaram isso a sério.

PSDB. De forma oportunista e não republicana, o principal partido de oposição à época apostou no quanto pior, melhor. A reeleição da presidenta Dilma Rousseff não só evidenciava que as políticas do governo do PT resultaram em benefícios para a maioria dos eleitores, como a proposta empunhada pelo candidato de oposição não estava à altura do que o país necessitava. O PSDB se prestou a um serviço mesquinho, que a história nunca esquecerá: questionou a legitimidade da eleição, pediu a cassação da presidenta Dilma e a posse de Aécio Neves como presidente. Certamente, esse foi o maior ato contra a democracia brasileira pós-redemocratização do país. O PSDB, sem nenhum pudor, questionou formalmente o pacto democrático que vigorava no Brasil. Observando o cenário se agravar, o PT foi da berlinda para o corner.

Golpistas. Flanando em um cenário de sonhos, toda a oposição, parte do que era a situação e o então vice-presidente da República, Michel Temer, se aproveitaram do clima incendiário proveniente da Operação Lava Jato e da crise econômica e derrubaram o governo. O “grande acordo nacional”, “com o Supremo, com tudo”, se concretizou. Dilma Rousseff, a presidenta mais republicana que este país já elegeu, teve o seu segundo mandato interrompido, a partir de uma nova modalidade de golpe, aquele realizado por mera vontade política, sem crime de responsabilidade, com a conveniência do Supremo Tribunal Federal e dentro dos ritos e da aparência das instituições do Estado. Naquele momento, de forma trágica, o Partido dos Trabalhadores foi golpeado por um oportunismo que, ironicamente, todos no partido sabiam que fazia parte do DNA de setores político, econômico e financeiro do Brasil. É importante destacar que o PT estava ciente de que tal cena seria possível, mas, nem por isso, foi capaz de interromper aquela crônica de uma morte anunciada.

Do ódio à glória. O golpe e a eleição do Bolsonaro são vitórias impactantes e contundentes de uma camada da população que semeia e dissemina o ódio ao PT. A luta de classes dá origem a esse ódio, são os acertos do PT que o derrubam. Embora a mobilidade social promovida pelas políticas dos governos Lula e Dilma explique uma parte majoritária desse sentimento em relação ao PT, ela não explica a sua disseminação. As acusações – e os casos – de desvio de dinheiro público para financiamento de campanha, estas, sim, explicam a forma como o ódio contamina e se mantém latente em parte da população. O diálogo com quem teve a percepção de estar sendo enganado pelo desvio de dinheiro público, o qual, de certa forma, também estava presente em junho de 2013, nunca foi realizado à altura das expectativas criadas. O PT não deveria se ajoelhar no milho, mas para nada serviu dizer que o sistema estava viciado e que agiu de acordo com as regras informais do jogo. O melhor presidente que este país já teve, Luiz Inácio Lula da Silva, disse, em 2004, que na política “nós [o PT] não podemos errar, não temos o direito de errar”. Em 2006, ao ser reeleito, repetiu: “nós não temos o direito moral, ético e político de cometer erros daqui para frente”. De fato, isso era verdade. Ao errar em suas práticas, o peso foi avassalador, a reconstrução de uma narrativa política que pare em pé ainda é esperada pelos seus militantes. O PT errou e não soube dialogar com esse erro. Esse fato, como o espectro do capitalismo, ronda o Partido até os dias de hoje e tem consequências nefastas para a sua sobrevivência moral.

Observador não participante. A história do Brasil, de forma trágica, terá de lidar com o fato de o seu 38º presidente ser Jair Bolsonaro. Um indivíduo sem nenhuma qualificação para ocupar o cargo de chefe de Estado, fruto de uma eleição pautada por uma leitura messiânica sobre o capitão da reserva, aliada ao ódio mortal contra o PT, às preferências de uma classe dominante rentista e à incapacidade das forças políticas de centro e progressistas de viabilizarem nomes alternativos. Se parte significativa dos eleitores arrependidos do Bolsonaro veem com surpresa a tragédia que acomete as políticas públicas que vinham sendo implementadas por governos passados, assim como o fortalecimento da estrutura do Estado que estava sendo realizado; o comportamento errático do presidente, sua visão de mundo torpe e falta de lucidez não podem ser considerados novidades. Estava tudo lá, mesmo antes das eleições. A ironia da história, para não dizer capricho, está em registrar o enfraquecimento de um representante de extrema direita, sem o menor protagonismo do maior partido de esquerda da América Latina. O PT não pauta essa inflexão na análise social e política que está sendo feita sobre o atual presidente. O PT parece estar alijado desse significativo capítulo da história.

O desejo por liderança política. As organizações sociais, alguns setores da sociedade e 70% da população brasileira não suportam as ideias do desgoverno Bolsonaro e delas não partilham. A ausência de perspectiva da classe trabalhadora, a crise econômica internacional, a forma desqualificada como se enfrenta a Covid-19 e o não honrar o principal cargo público de uma República presidencialista levaram o presidente a ser uma persona non grata para a ampla maioria da população. Porém, a conjuntura brasileira está desafiando uma das máximas da política, qual seja, “não há vácuo de poder”. Sim, no Brasil atual, há! A oposição não tem novas lideranças políticas. Não há uma única pessoa de esquerda – exceto o ex-presidente Lula, ainda que a sua capacidade de liderar venha sendo recorrentemente questionada – que coadune desejos políticos de diversos setores sociais, isto é, que tenha legitimidade para expressar conflitos e articular acordos. Essa escassez (ou inexistência) de novas lideranças também é um elemento que intensifica a cobrança sobre o PT. Ao longo de seu percurso, o Partido reuniu dezenas de lideranças políticas; mas, pelas mais diversas circunstâncias, não foi capaz de oferecê-las para a sociedade brasileira. Para os dias de hoje, a questão que se coloca é: o PT não exerce essa liderança por não se sentir à vontade, por não saber como agir ou por não querer se reinventar? Vale lembrar que sua reinvenção deveria dialogar com o que é esperado pelos seus milhares de militantes e milhões de simpatizantes, não apenas por quem pertence a sua estrutura interna.

Partido dos Trabalhadores. Há uma legião de pessoas que valoriza e reconhece os resultados obtidos durante os governos do PT. Segmentos e classes sociais concordam não ser possível que o país mantenha a sua (de)composição social. Jovens, mulheres e ativistas exigem maior equilíbrio de gênero, raça e diversidade sexual. A pauta da equidade social e econômica tende a ganhar cada vez mais aderência nas agendas de ativistas sociais que aprenderam a fazer política não via partidos, mas via coletivos. A importância dos partidos e sindicatos tem sido questionada e isso não é um problema em si. A desconexão social se dá quando os dirigentes políticos desqualificam esses questionamentos e não se colocam em um lugar de parceria e aprendizado mútuo. A presunção do saber é mortal para o conhecimento. Novamente, o PT se esforça mais para defender o seu passado do que para se readequar e pautar o futuro. Em relação a esse aspecto, ironicamente, a máxima do setor financeiro se aplica ao PT: rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

Lula e o “eu não tenho mais idade para ser maria vai com as outras”. Não será trivial para o ex-presidente aderir a uma frente ampla pró-impeachment, uma vez que terá que dialogar com uma vasta parcela de seus carcereiros. Vale lembrar que o presidente Lula ficou 580 dias preso, com a anuência e conveniência de boa parte dos que precisam estar ao lado do PT para derrubar um governo que tem traços, vestes e pensamentos fascistas. O fato de ainda ser o maior líder de massas da América Latina e, quiçá, do mundo, o coloca em uma situação extremamente desafiadora. Há muita expectativa para que ele se comporte como um estadista e ignore as suas marcas pessoais. Porém, a partir de outra perspectiva, em função da privação de liberdade que Lula passou, ele tem o direito de não querer fazer aliança com nenhum setor que o deixou na prisão. Haja síndrome de Estocolmo para ele sair de braços dados com essa corja. O mesmo raciocínio serve para a presidenta Dilma. Não se trata de cultivar o ressentimento, mas, sim, de dar o tempo necessário para que essas figuras de enorme relevância para a história do PT e do Brasil cicatrizem as suas feridas. Faz sentido diferenciar o presidente Lula do Partido dos Trabalhadores. Diga-se de passagem, não fazer essa diferenciação é um dos grandes equívocos do PT.

Frente ampla pró-impeachment. Diferente de Lula e Dilma, o PT tem a obrigação moral e histórica de fazer parte de uma frente ampla. Mais do que isso, de ser um dos protagonistas dessa frente. A instituição PT não deve se melindrar. Não deve usar de discursos supostamente fiéis à classe trabalhadora para se manter alijado da história. Argumentar que estar em uma frente ampla é confundir a classe trabalhadora, dando sinais contraditórios do seu lugar na história, é desqualificar a inteligência de quem ocupa lugares menos privilegiados na dinâmica econômica. Dizer que todos são golpistas é acreditar que não é possível fazer política com autenticidade; em contrapartida, pode-se declarar com todas as letras que tal união tem um objetivo específico e que, nas próximas eleições, o PT estará em campo distinto. Não fazer parte de uma frente ampla é perder a oportunidade que a história volta a dar ao PT de estar em uma posição de coadjuvante num de seus capítulos mais importantes.

O trem da história. Desde junho de 2013, passando pelo golpe político e pela disseminação do ódio, o Partido dos Trabalhadores deixou de escutar o que a população tem trazido com constância e fúria. Há espaço a ser ocupado, há setores sociais que clamam por lideranças que compreendam as suas necessidades. O PT não pode crer que a sua história seja suficiente para lhe assegurar prestígio sociopolítico no momento presente. Se o Partido não conseguir se reinventar, ele tende a entrar para o museu da história. Os principais dirigentes que o PT já teve exerceram um papel fundamental para a história desse país. No entanto, se queremos que o PT reverta a tendência que o tem levado à perda de importância social e política numa velocidade avassaladora, é fundamental que todas as dirigentes tenham uma narrativa coerente sobre os erros do passado, se conectem com o que os novos grupos sociais estão trazendo para a arena política, incorporem de fato a pauta da equidade racial em sua agenda e renovem suas estruturas partidárias. Esse é o único caminho para evitar que o PT passe de um Partido que teve um protagonismo singular na história para ocupar um lugar-comum sem precedentes.

Cassio França é cientista político e doutor em Administração Pública e Governo.

Dawisson Belém Lopes,Blog do Mesquita

“Do PSDB para o PT mudaram um pouco a receita do bolo, agora há uma ruptura drástica da política externa”

Para o professor de relações internacionais Dawisson Belém Lopes, Brasil chega ao encontro da elite financeira mundial em Davos com uma equipe de governo com discursos conflitantes

Dawisson Belém Lopes,Blog do MesquitaDawisson Belém Lopes, professor e diretor adjunto de Relações Internacionais da UFMG.ARQUIVO PESSOAL

O presidente Jair Bolsnaro desembarcou, nesta semana, na Suíça, para apresentar sua agenda liberal de reformas e privatizações no Fórum Econômico Mundial de Davos, numa edição de forte ausência de líderes internacionais. Seu aguardado discurso de abertura do evento, no entanto, foi mais curto —apenas 8 minutos— e surperficial do que o esperado por líderes e investidores. Na avaliação de Dawisson Belém Lopes, professor e diretor adjunto de Relações Internacionais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Bolsonaro parece não ter entendido a importância do encontro da elite financeira mundial, ao ter brindado um discurso “fraco” e desconectado das dinâmicas internacionais. Nem mesmo o tema do evento, a globalização 4.0, compareceu em sua fala de estreia.

Apesar do aparente consenso entre os dirigentes políticos que acompanham o presidente no evento, o Brasil também chegou ao encontro da elite financeira mundial com uma equipe de Governo com discursos conflitantes. Ao mesmo tempo que o superministro de Economia, o liberal Paulo Guedes, prega a adoção de uma maior abertura do país, o chanceler Ernesto Araújo defende constantemente um discurso antiglobalista. Para Lopes, enquanto as falas continuarem em rota de colisão, dificilmente se terá clareza do que de fato será implementado no Governo sob o comando de Bolsonaro, uma gestão que ainda é vista com desconfiança internacionalmente. O professor aposta, no entanto, numa maior atuação do vice-presidente Hamilton Mourão e dos militares do Governo, alinhados aos anseios liberais, na política externa, segurança internacional e defesa nacional.

Pergunta. O que o senhor achou do curto discurso de Bolsonaro em Davos?

Resposta. Foi mais do mesmo. Ele parece não ter entendido a especificidade do momento, a importância do fórum. Os americanos costumam dizer que, quando em campanha, o indivíduo vai ganhando um tom presidencial, mas até hoje Bolsonaro não parece presidente, ele continua convocando as massas, usando de recursos baratos, fáceis, como, por exemplo, falar de bolivarianos e coisas inespecíficas. Minha impressão é que ele ainda precisa ganhar postura de presidente. A audiência que estava em Davos não está de brincadeira, estamos falando de um dos fóruns mais bem frequentados do mundo e se esperava mais. As pessoas sentiram uma certa decepção, elas não conheciam Jair Bolsonaro, então, algumas delas, esperavam um indivíduo mais antenado e conectado com as dinâmicas internacionais. Ao fim e ao cabo, ele não apareceu tão à vontade em Davos. Acho que é muito eloquente a respeito disso que ele tenha sido fotografado comendo isoladamente sem ter usado a ocasião para se ter encontrado com chefes do Estado, lideranças. Foi um discurso fraco, que não deixou marca e que, inclusive, deixa uma impressão negativa.

P. E como  avalia os primeiros movimentos do Governo em relação à política exterior?

R. Ela já se apresenta como algo novo. Para usar uma metáfora que escutei de um embaixador do Governo anterior, é como se na época do PT houvesse mudança nos ingredientes para fazer o bolo, mas agora alteraram a forma do bolo. Isso gera uma incompreensão profunda e uma dificuldade de articular a corporação diplomática e os demais atores —para além do Itamaraty— que também têm papéis na produção da política externa brasileira. É algo muito novidadeiro em termos conceituais, essa política externa não se apoia nos tradicionais pressupostos de apoio ao multilateralismo ou no direito internacional. Do governo do PSDB para o PT mudaram um pouquinho a receita do bolo, mas agora há uma ruptura drástica.

P. Essa nova política internacional não parece estar em sintonia com o discurso de outras alas do Governo. Enquanto o chanceler Ernesto Araújo fala em antiglobalismo, o superministro da economia, Paulo Guedes, afirma que quer abrir os mercados. Os dois estão essa semana juntos apresentando o novo Governo na cúpula de Davos…

R. O Fórum Econômico de Davos é um evento organizado e pensado exatamente por pessoas que estão sendo hostilizadas por Bolsonaro e por assessores mais próximos, como o da presidência para assuntos internacionais [Filipe Martins] e o guru do presidente, Olavo de Carvalho. Quem está a cargo do Fórum de Davos são os globalistas. Essa é a contradição mais interessante, pessoas que acreditam em uma ordem liberal. Há de fato um desencontro entre as alas do Governo, a equipe econômica está muito à vontade com o discurso de Davos, que ecoa daqueles resorts elegantes e das elites financeiras econômicas globais. Uma fala que está em sintonia com Paulo Guedes e seus colaboradores. Ao passo que o discurso de Araújo, Bolsonaro e Martins vai em rota de colisão, em direção oposta. A verdade é que ainda não há clareza sobre qual será o desenho da formulação desse Governo, o que de fato será implementado.

P. Bolsonaro fez seu debut internacional nesta semana e o vice Hamilton Mourão assumiu, pela primeira vez, a Presidência por uns dias. Qual acredita que será o papel do general da reserva?

R. Assim que foram anunciados os nomes do primeiro escalão do Bolsonaro, alguns analistas cogitaram que haveria três núcleos principais no Governo: um nacionalista religioso, onde está inserido Ernesto Araújo, um núcleo econômico, protagonizado por Paulo Guedes, e um núcleo militar, com os militares que também são nacionalistas, de alta patente e com experiência internacional, muitos deles participaram de missões da ONU. Não estamos lidando com militares xucros. São pessoas que têm rodagem e também ficam à vontade nesses salões internacionais. São cosmopolitas e, assim como os economistas, também globalistas. Entre esses três núcleos, eu diria que apenas um deles tem capacidade institucional, coerência, coesão interna e respaldo popular hoje alto: os militares. Na história do Brasil, eles têm participado de momentos críticos e capitais e mostrado capacidade de agir de forma coordenada. Tenho dúvida se o núcleo religioso, nacionalista e antiglobalista consegue se organizar e articular e produzir coisa efetivas. Também tenho dúvida sobre o núcleo econômico financeiro. Não sei se eles estão tão afinados. Os militares, por outro lado, são uma corporação. Eu tendo a achar que aquela imagem que se formou que haveria três núcleos medindo força é ilusória e aparente. A verdade é que tem apenas um núcleo duro forte com capacidade de agência que são os militares e outros são mais frágeis. O Mourão claramente tem uma agenda e desejo de implementar ações que não vão nessa onda antiglobalista. Os militares terão papel de esteio, de uma reserva, quando a coisa começar a sair um pouco do trilho, eles vão puxar o freio de mão.

P. O senhor avalia que Mourão tem mais chances de assumir as decisões no âmbito da política exterior? Diferentemente de outros vices, ele terá um papel de maior protagonismo?

R. Acho que sim, ele está em condições melhores de ação nas questões críticas. Particularmente nos assuntos de política externa, segurança internacional e defesa nacional, eu vislumbro um vice-presidente bastante atuante. O Ernesto pode fazer mil discursos, pode inventar conceitos, escrever no blog dele, mas, para as questões capitais do Estado brasileiro, entendo que Mourão, Augusto Heleno, Santos Cruz [ministro da Secretaria de Governo] e o primeiro escalão militar do Governo irão prevalecer. Mourão deve, inclusive, fazer a defesa de um papel mais protagônico para a China na política externa. O vice parece mais consciente que o país asiático é responsável por 28% do nosso mercado exterior e de que a China precisa estar mais presente do que o Bolsonaro dava a entender na campanha. O presidente usava um discurso xenofóbico. “Chinês não vai comprar terra aqui não”. A realidade, no entanto, é que hoje você não governa sem o capital chinês.

P. Bolsonaro tem tentando seguir os passos de Donald Trump em alguns temas. Um modelo “trumpista” de Governo tem alguma chance de funcionar no Brasil atual?

R. Não cabe, esse é um contrabando acrítico e fadado a dar errado. Essa aproximação de Israel, que pode ser vista como um alinhamento aos EUA, pode ser um erro… As relações de Brasil com Israel são boas historicamente, mas na tensão que se estabelece entre israelenses e a comunidade árabe, o Brasil esteve sempre mais próximo do mundo árabe, da comunidade islamizada. Agora vemos outra mudança radical de discurso: de distanciamento dos árabes e uma aproximação meio sem precedente e sem ter porquê de Israel. Se apoiam em argumentos do modelo de dessalinização, da tecnologia militar de Israel como argumento. O Mourão deixa muito claro, em entrevista à revista Época [ em janeiro], que está contrário a esta aproximação. Ele até brinca: “Agora todos vamos ter que bater palma pra Israel? Todo mundo vai ter que gostar de Israel e dos EUA?”. Essa fala aponta para um questionamento importante de por que objetivamente e estrategicamente o Brasil está fazendo isso. Acho que essa interpelação os militares vão fazer.

P. O que está em jogo nessa aproximação proposta por Bolsonaro?

R. A estimativa conservadora que é feita é de que, se o Brasil de fato mudar sua embaixada para Jerusalém, poderemos ter perdas por força de algum tipo de boicote da Liga Árabe de cerca de 15 bilhões de dólares por ano. E o Brasil não está em condições de perder essa quantia.

P. Quais as chances dessa transferência da embaixada não acontecer de fato?

R. Já não está acontecendo tão rapidamente. O general Santos Cruz [Carlos Alberto], mesmo fez uma ressalva que é necessário esperar com calma. Eu não tenho essa convicção toda que isso sairá. Se o vice-presidente se opõe publicamente para a grande imprensa é difícil acreditar que o general será atropelado nessa questão, eu não apostaria nisso não. É preciso enfatizar que essa escolha por Israel também prejudica os foros internacionais. Para essa nova política antiglobalista isso pode não significar muita coisa. Note, entretanto, que isso gera um isolamento do Brasil que já se traduziu, por exemplo, na baixa presença de chefe de Estados na posse de Bolsonaro. Quando você provoca os árabes, você está provocando um bloco de 60 países, multilateralmente isso já é muito ruim. O Brasil já sai perdendo pois ganha antipatia de 60 países num mundo de 200. São muitas coisas envolvidas, perdas econômicas, perdas do ponto de vista político-diplomático. Isso ainda não está muito dimensionado pela equipe, digamos, religiosa nacionalista de Ernesto Araújo.

P. A recusa do Brasil em sediar a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP25, e a retirada do país do Pacto Global para Migração também impactam na imagem do Brasil internacionalmente?

R. É inevitável que o Brasil seja, no discurso internacional, associado a outros governos e regimes não liberais e isso já está acontecendo. Na mídia internacional, o país vem sendo associado a Viktor Orbán, na Hungria, a Rodrigo Duterte, nas Filipinas, ao atual presidente da Polônia… Isso não é bom, significa danos à reputação brasileira. São referências de um conjunto de líderes que são ostensivamente contrários a essa fórmula liberal, em certo sentido, de lidar com as relações internacionais. E essa é a fórmula vencedora da segunda guerra mundial. Quando os aliados venceram, EUA, Reino Unido, França, União Soviética, isso foi um símbolo, um marco muito forte de certa intolerância ao que chegasse próximo ao fascismo e o nazismo. Foi nesta época que se criou a maioria das instituições globalistas (ONU, FMI, Banco Mundial…) Na medida que Bolsonaro se associa a esse grupo de novos governantes que não têm crenças liberais tão fortes isso traz danos reputacionais para o Brasil, já que eles põe em xeque as instituições criadas no pós-guerra. O país acaba ficando para escanteio. O meio ambiente e as migrações são parte desses temas caros ao consenso liberal, e o Brasil está desafiando com uma atitude que não condiz ao que se espera dele.

P. Quais são as consequências que o senhor vislumbra para a nova postura do Brasil?

R. O Brasil vai perder voz nas instituições internacionais e atualmente ele possui uma presença forte nestes organismos. Hoje o país está entre os dez do mundo em presença nas chefias de organismo internacionais, isso evidentemente gera capacidade de moldar a ordem das relações internacionais, ele vai perder isso. De ser um ator com alguma relevância no cenário global. Isso pode também ser reverter em perdas no comércio e turismo. O Brasil não pode desprezar as dinâmicas da indústria e do mercado externo. Mas estão tratando essa atividade econômica com um certo simplismo. A nova postura do Brasil pode gerar perdas na economia. Ele pode se isolar do mundo.
ElPais

Dilma,Antônio Hamilton Rossell,Ética,Dilma,PT,General Mourão,Nepotismo,Brasil,Vice Presidente,Governo Bolsonaro,Banco do Brasil

Filho de Mourão foi promovido oito vezes nos governos do PT; ascensão na carreira contradiz vice-presidente

Dilma,Antônio Hamilton Rossell,Ética,Dilma,PT,General Mourão,Nepotismo,Brasil,Vice Presidente,Governo Bolsonaro,Banco do Brasil

Mourão diz que filho foi promovido por mérito, competência e honestidade, e que não havia alcançado cargo de destaque antes por perseguição do PT – :Antônio Cruz/ABrAntônio Cruz/ABr

O novo assessor especial da presidência do Banco do Brasil Antônio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, foi promovido oito vezes nos governos Lula e Dilma (2003-2016). As constantes ascensões internas de Antônio ao longo de 18 anos de Banco do Brasil contradizem a justificativa do vice-presidente de que ele havia sido preterido nas gestões petistas por ser seu filho e que, só agora, estava sendo valorizado.

De acordo com a jornalista Madeleine Lacsko, do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, Antônio Mourão ainda teve a oportunidade de se candidatar a uma promoção no governo de Michel Temer, mas não o fez porque preferiu ficar no cargo de assessor empresarial na área de agronegócios do banco.

Concursado, Antônio Mourão está no Banco do Brasil desde 2001
Dilma,Antônio Hamilton Rossell,Ética,Dilma,PT,General Mourão,Nepotismo,Brasil,Vice Presidente,Governo Bolsonaro,Banco do BrasilA promoção do filho do vice-presidente ao cargo de assessor especial da presidência do Banco do Brasil causou polêmica e obrigou Mourão e o novo comandante do BB, Rubem Novaes, a se explicarem publicamente. Ambos alegam que Antônio foi escolhido pela competência e que ele já devia ocupar um cargo de destaque na instituição há mais tempo.

Como mostra a Gazeta do Povo, Antônio Mourão pulou três degraus com a nomeação. No novo cargo, o filho do vice-presidente receberá cerca de R$ 36 mil, quase três vezes mais do que ganhava na área de agronegócios do banco.

Veja a lista de promoções de Antônio Mourão no Banco do Brasil:

1 – 21 de janeiro de 2003: passa de gerente de Expediente em Campo Novo (RS) para gerente de Contas II em Brasília, na Asa Sul;
2 – 5 de março de 2003: operador financeiro Jr., já fora de agência e na estrutura do banco;
3 – 9 de agosto de 2004: analista pleno na Diretoria de Agronegócio;
4 – 14 de maio de 2007: gerente negocial na Superintendência de Varejo do BB em Mato Grosso do Sul;
5 – 18 de junho de 2007: analista na mesma Superintendência em Mato Grosso do Sul;
6 – 21 de julho de 2008: de volta a Brasília, assume como analista sênior;
7 – 10 de dezembro de 2012: vira analista sênior na Gerência de Negócios;
8 – 28 de maio de 2013: promovido a analista empresarial na Gerência de Negócios

Honestidade e competência

Tela mostra promoções obtidas pelo filho do vice-presidente no Banco do BrasilDilma,Antônio Hamilton Rossell,Ética,Dilma,PT,General Mourão,Nepotismo,Brasil,Vice Presidente,Governo Bolsonaro,Banco do Brasil
Na última terça-feira (8), Hamilton Mourão foi ao Twitter defender a promoção do filho, o que, segundo ele, ocorreu por mérito. “Meu filho, Antônio, ingressou por concurso no BB há 19 anos. Com excelentes serviços, conduta irrepreensível e por absoluta confiança pessoal do presidente do Banco do Brasil, foi escolhido por ele para a sua assessoria. Em governos anteriores, honestidade e competência não eram valorizados.”

O novo presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, endossou os elogios feitos pelo vice ao seu assessor e disse não entender por que Antônio Mourão não ocupava cargo de mais destaque no BB. “Mourão [o filho] é de minha absoluta confiança. Foi escolhido para minha assessoria e nela continuará, em função de sua competência. O que é de se estranhar é que não tenha, no passado, alcançado postos mais destacados no banco”, afirmou.

Segundo Novaes, o filho do presidente possui “excelente formação e capacidade técnica” e será mantido no cargo. Em nota, o banco informou que o cargo é de “livre provimento da Presidência do BB e a nomeação atende aos critérios previstos em normas internas e no estatuto do Banco”.
Fonte: Congresso em foco

Brasil, corrupção e divagações filosóficas

Imaginem que um marciano, desses que visitam a terra com frequência a convite dos teóricos dos antigos astronautas, pousem no Brasil com a incumbência de estudar a realidade política e sociológica do país.

 Teriam que se basear em paradigmas preliminares, presentes em todo o universo, como o silogismo elementar segundo o qual se A implica B e B implica C, A implica C!
A regra clássica seria: se o PSDB pediu a cassação da chapa Dilma-Temer, e se Temer, do PMDB, pertencia à chapa como aliado do PT, é óbvio que Temer, agora aliado do PSDB, teria efetivamente que ser cassado se a chapa encabeçada pelo PT o fosse.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
Haveria, obviamente, um embrulho dos diabos no que se refere à sucessão. Contudo, lei é lei. Não se diz que ela é feita para todo mundo?
Em termos práticos, o que o marciano observou foi o seguinte: o PSDB pediu a cassação da chapa Dilma-Temer para atacar o PT, e a então possível cassação de Temer, do PMDB, agora em aliança com o PSDB, acabou batendo nos novos interesses do PSDB.
Aliaram-se assim, efetivamente, ao PT, o que acabou numa curiosa situação em que os três grandes partidos inimigos se viram do mesmo lado, entregues ao arbítrio do TSE.
Suponhamos agora que Gilmar Mendes dirigisse seu voto de minerva para a cassação.
Ele teria batido de frente com o PMDB, o PSDB e o PT, simultaneamente. Atenderia, por outro lado, ao reclame das massas em favor das eleições diretas. Com isso um dos ministros do STM mais odiados pela população em função de sua atuação heterodoxa dentro e fora do Supremo Tribunal Federal assumiria imediatamente a função de grande defensor do povo.
Outras coisas surpreenderiam os marcianos. Como o PT, inequivocamente o partido político brasileiro que mais se aproximou do povo e que mais significativos programas sociais realizou em seu tempo de gestão, pode ter nomeado Henrique Meirelles presidente do Banco Central, Antônio Palocci ministro plenipotenciário da Fazenda, e Joaquim Levy para esse posto? Por certo que não foi por maldade. Mas foi uma ingenuidade que nos custou caro demais.
Por que o Governo, com a cumplicidade da grande imprensa, insiste em sustentar que a economia retomou o crescimento quando os dados atuais, e as analises prospectivas, revelam inteiramente o contrário? Por que os idiotas da TV Globo insistem em dizer que o projeto de lei de abuso da autoridade é contra a Lava Jato, como se, para existir livremente, promotores e juiz da Lava Jato dependem de poder cometer abusos de autoridade impunemente?
Enfim, no meio de tantas contradições, fica evidente que mergulhamos mesmo no caos. Dele só se sai, milagrosamente, pela ação de um Atrator Estranho. Sua função será, no momento devido, devolver ao país alguma racionalidade.
E não se diga que, nas circunstâncias mundiais, essa seja característica apenas do Brasil. Donald Truman acabou com o Acordo Transpacífico de Cooperação com 11 países em defesa dos trabalhadores americanos, mas o que fez mesmo foi proteger da devastadora tecnologia americana os mercados dos demais signatários.
José Carlos de Assis/Tribuna da Imprensa

Corrupção – Mantega vendia informações privilegiadas

Tutti buona gente – ‘Italiano’ revela que Mantega vendia informações sobre juros e câmbio a bancos, diz Palocci

Gleise Hoffmann “presidenta” do PT?

Carvalho! Nada no PT está tão ruim que a cambada não consiga piorar.

A “tchurma” parece que habita em Plutão!
Não havia “unzinho” membro do partido com ficha limpa – mesmo que para ser testa de ferra do Lula – para ser presidente da sigla?
PQP! Logo a mulher do Bernardo, atolada até a pontinha do nariz ‘Pitanguiano’ na Odebrecht?
Ps. Qual será os cargos destinados ao Vacari?[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Lava Jato – Moro e a direita da direita com medo da seringa

Não há inocentes no jogo político, tando os atores principais, como os coadjuvantes, em época alguma, em nenhum lugar ou em qualquer parte do espectro ideológico.

Já cansei de escrever aqui que, pior que um comunista de boutique, tipo Roberto Freire, é menos nocivo do que um anti-comunista convertido ao fascismo. Esse é um equilibrista.

Nota-se claramente, a enxurrada de ‘direitopatas‘, ou patos, que de repente não mais que de repente, como cantava o poetinha, abrem espaço em suas colunas e blogs declaradamente anti-PT, uma súbita epidemia de “Lavajatus corruptus” estranho e pernicioso vírus que infesta a nação Tapuia.

Abaixo um texto do mais festejados adoradores do, hahaha, vá lá que seja – Estado Liberal, e guardião Templário de poleiros e aves plumadas de azul Yves Klein, – revela-se um crítico ácido e contumaz do novo “Bezerro de Ouro” dos contaminados pelo também letal Vírus ‘direitauspatus’. O articulista criador do neologismo “petralha”, estará sofrendo, ainda, das sequelas de um aneurisma que teve em 2016? Difícil saber.

Já há algum tempo, Reinaldo Azevedo vem, digamos metaforicamente – tenho sempre, infelizmente que explicar metáforas elementares – escorregando para a esquerda, atacando o tão antes incensado MBL, a Lava Jato, o juiz Sergio Moro, os conservadores, e agora chegou a endossar até o desarmamento dos cidadãos de bem. O que se passa?

Reconheço, por não ser um cego intelectual, a capacidade de sua argumentação, sua memória, seu embasamento cultural. O problema tem sido mesmo o mau uso dessa habilidade toda.
Por que essa inversão tão radical, de 180 graus, sem aviso prévio ou sinais que pudessem insinuar a guinada?

“Alguns louvam de manhã o que criticam de noite, mas têm sempre por certa a última opinião.” Alexander Pope


Nem Moro esmagou Lula nem o inverso. Mas só um feriu a lei ontem

Infelizmente, a maioria das perguntas do juiz nada tinha a ver com processo no qual depunha o petista. Isso é ruim para a democracia e bom para as esquerdas

Os dias andam agitados demais. Coisas em excesso, demandas as mais variadas. Mas vamos lá. É claro que eu iria, como faço agora, escrever um texto com a minha avaliação sobre o depoimento prestado pelo ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro, em Curitiba.

A minha síntese? Pois não! Sem poder apresentar as provas, que deveriam ter sido fornecidas pelo Ministério Público Federal, de que o tríplex pertence a Lula, Moro optou por uma condução da audiência que fez picadinho do devido processo legal.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Acho que o apartamento é de Lula? Acho. Mas não sou juiz. E o meu achar é irrelevante. No estado de direito, condena-se com provas. E Moro não as tinha. Ao contrário, as evidências materiais apontam que o imóvel pertence à OAS.

Sem ter como dar o xeque-mate ou deixar o depoente numa sinuca, Moro optou por um comportamento lamentável, que agride o devido processo legal. Resolveu fazer perguntas a Lula que diziam respeito aos quatro outros inquéritos a que o petista responde.

Entre as perguntas impróprias, a maioria buscava demonstrar que o petista, afinal, era o verdadeiro chefe da estrutura criminosa que operava na Petrobras.

Observem: no inquérito em questão, há três contratos da OAS com a estatal sob suspeita; eles teriam gerado a propina que o MPF diz ter sido paga a Lula na forma do apartamento de Guarujá e do transporte e armazenamento de seu acervo. Não! Moro não se referiu a nenhum deles em particular.

Na verdade, ele tratava Lula como o chefe da organização criminosa. Ora, posso até concordar com isso. Mas esse é o inquérito que tramita no Supremo.

Mais: o juiz insistiu em fazer indagações sobre o sítio — afinal, as obras nesse imóvel e no apartamento estariam ligadas. Tudo indica que estão mesmo. Mas por que há, então, um inquérito para cuidar de cada caso? Por que não estão juntos?

Mais: o juiz demonstrou incômodo com a liderança política de Lula, o que é um despropósito. Quis saber por que o ex-mandatário emitiu juízos contraditórios sobre o… mensalão!!! O que a dita Ação Penal 470 tinha a ver com o apartamento de Guarujá? Nada!

Teve o desplante de dizer, ainda que o tenha feito de forma interrogativa, que o depoente, ao processar um delegado, um procurador e um juiz (sim, ele próprio: Moro!), estava tentando intimidar as pessoas encarregadas da investigação.

Trata-se de uma afirmação absurda. Apresentar petições ao poder público — e isso inclui recorrer à Justiça — é um direito fundamental das democracias. Vejam a Primeira Emenda da Constituição Americana, por exemplo.

Na era da pós-verdade e das verdades alternativas, versões se espalham na cloaca do capeta: as redes sociais. Petistas dizem que seu líder esmagou Moro. Os fanáticos do juiz sustentam o contrário.

Vamos botar os pingos nos is. Lula não esmagou ninguém. Deu-se mal, por exemplo, ao explicar suas relações com Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, e deste com João Vaccari, tesoureiro do PT. E digo que se deu mal porque se atrapalhou.

Sergio Moro esmagou, sim, o devido processo legal, mas não o petista, que não foi confrontado com nenhuma prova inequívoca.  Mais: nós o vimos obrigando-se a dizer que nada tem de pessoal contra o presidente e de que nunca foi verdadeira a máxima “Lula vai ser preso amanhã”.

Ao tentar explicar por que fazia perguntas que nada tinha a ver com o processo, o juiz apelou, mais de uma vez, ao “contexto”. Não pode ser. A ser assim, a gente precisa ensinar o teorema de Pitágoras a partir do Big Bang. Já recomendava o poeta latino Horácio: não conte em seu poema a origem das musas…

Moro vai condenar Lula? A sua condução da audiência indica que sim. Se nada de novo aparecer, vai fazê-lo com base na convicção formada a partir do depoimento de delatores, sem as provas. É claro que isso é um mau exemplo.

Reação posterior de um procurador que é estrela da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos, evidencia que a própria Lava Jato avalia que Lula venceu o embate também no tribunal. Na ocupação das ruas, já havia vencido.

A Lava Jato, com o apoio entusiasmado da direita xucra, está, acreditem, cometendo erros em penca. E isso tem seu preço: fortalecimento da esquerda.

Sim, eu considero que Lula era o chefe máximo de um monstrengo criado para assaltar os cofres e a institucionalidade. Acho que tem de ser investigado, processado, julgado e condenado por isso.

Mas que as coisas se façam segundo o devido processo legal. Não darei nem a Moro nem a ninguém a prerrogativa de se comportar e de decidir ao arrepio da lei.