Eleições 2014: Aécio dá uma mordida no recato na grande área

Política Justo Veríssimo Chico Anysio Blog do MesquitaNo futebol, costuma-se distinguir uma ‘falta necessária’ de uma ‘falta desnecessária’. A falta é tida por ‘necessária’, por exemplo, quando o zagueiro perde a bola e deixa o atacante rival na cara do gol. Troca-se o risco do cartão pela esperança de que o cobrador erre o chute ou o goleiro feche a trave.

A falta é ‘desnecessária’ quando se caracteriza pela maldade gratuita.

Nesses casos, ainda que o juiz não flagre, a infração expõe o transgressor ao julgamento instantâneo da arquibancada.

Na Copa do Mundo, nenhuma falta foi tão desnecessária quanto a dentada que o uruguaio Luiz Suárez cravou, traiçoeiramente, no ombro do italiano Chiellini.

O juiz deixou barato. Mas a execração do craque dentuço foi unânime e universal.

Pois bem. Nesta quarta-feira, Aécio Neves deu uma de Suárez. Desferiu uma mordida no recato dentro da grande área da peleja sucessória.

Mostrou os dentes ao comemorar, diante de câmeras e microfones, o drible que dera em Dilma Rousseff, atraindo para sua coligação o governista PTB, partido do presidiário Roberto Jefferson.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Muito mais gente já desembarcou e o governo ainda não percebeu”, disse o presidenciável tucano, preparando a dentada. “Vão sugar um pouco mais. E eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”, acrescentou, fechando a mandíbula.

Aécio reagia a um comentário de Dilma. Discursando horas antes na convenção do PSD de Gilberto Kassab, que confirmou a adesão à sua reeleição, a presidente da República criticara os políticos que firmam acordos por “conveniências” e não por “convicções”.

“É muito importante assumir e cumprir compromissos na política, isso é inegociável”, dissera Dilma, abespinhada com o fato de que alinhavara o apoio do PTB num almoço com a cúpula da legenda. Posara para fotos ao lado de personagens duros de roer, como Fernando Collor. E, no fim das contas, não levou o tempo de propaganda eletrônica do agora ex-aliado.

“Lealdade é uma das bases da política feita com grandeza”, queixou-se Dilma perante os convencionais do PSD, legenda nascida de uma costela do DEM. “Não é subordinação cega, é respeito mútuo e zelo pela palavra empenhada. Engana-se quem acha que essa espécie de esperteza funciona. Ela tem vida curta. Na vida política, não podemos prescindir do respeito e da civilidade”

Poucas vezes a questão de meios e fins foi tão presente como nessa fase em que os candidatos ao amor da República trocam caneladas na disputa pelo tempo de publicidade eleitoral no rádio e na tevê.

Dilma falou em “política feita com grandeza”, “convicções”, “respeito” e “civilidade” num dia em que, cedendo à chantagem do PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto, passou na lâmina o pescoço do ministro dos Transportes, César Borges. É um “acinte”, atacou Aécio. É “a mercantilização da política.”

De fato, aumentar a vitrine eletrônica devolvendo ao PR o acesso às arcas dos Transportes é um abracadabra para a caverna de Ali-Babá. Mas como qualificar o conselho de Aécio aos silvérios do governo senão como outro acinte?

Submetido à frase do candidato mais bem-posto da oposição —“Eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”— o eleitor olha ao redor e fica tentado concluir que a eleição virou uma loteria sem prêmio.

Troca-se a ilusão de que é possível começar tudo de novo pela convicção de que o voto é apenas um equívoco incontornável que se renova de quatro em quatro anos. Não chega a ser uma sucessão presidencial. No máximo, muda o chefe dos vampiros. No mínimo, nem isso.
blog Josias de Souza

Líder do DEM compara presidente do TSE a dançarina do ‘É o Tchan’

Demóstenes vê em Lewandowski dançarina do Tchan.

Presidente e líder do DEM, os senadores José Agripino Maia e Demóstenes Torres acompanharam cada segundo da sessão noturna do TSE, que iniciou o julgamento do pedido de registro do PSD de Gilberto Kassab.

Os dois estranharam o teor do voto da relatora, ministra Nancy Andrigui, que ignorou resolução do próprio TSE ao certificar as assinaturas de apoiadores do novo partido, nascido de uma dissidência do DEM.

Mostraram-se especialmente surpresos com o comportamento do presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowiski.

“Foi a primeira vez que eu vi um ministro de tribunal voltar aos tempos de advogado para defender abertamente a criação de um partido”, disse Demóstenes.

Sem meias palavras, ele acrescentou: “O Lewandowski fez lembrar seus tempos de advogado de sindicato.

Ele pode cobrar honorários do Kassab.”

Em conversa com o blog, Demóstenes criou uma analogia para facilitar o entendimento do modo como viu a sessão que inaugurou a análise do papelório do PSD.

Ele enxergou o plenário do TSE como o antigo grupo musical ‘É o Tchan’, aquele conjunto de axé em que a bailarina loira rivalizava com a dançarina morena.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Pense em Ricardo Lewandowski como uma das bailarinas e no ministro Marco Aurélio Mello como a outra, os dois se odiando. Foi assim que Demóstenes viu a sessão:

“Todo mundo que assitiu pela TV Justiça teve a oportunidade de ver o Lewandowski dançando na boquinha da garrafa e o Marco Aurélio se esforçando para segurar o Tchan.”

Referia-se ao debate que opôs Lewandowski a Marco Aurélio.

O primeiro tentando apressar o registro do PSD. O outro defendendo o respeito ao rito processual do TSE.

Demóstenes soou irônico também ao referir-se à relatora Nancy Andrigui.

Disse que a ministra almeja ser nomeada para o STF, na vaga da aposentada Ellen Gracie.

Daí, segundo ele, a “matemática” que levou Nancy a computar como legítimas rubricas de apoiadores do neogovernista PSD sem a necessária conferência dos TREs.

Demóstenes fez troça: “Em matéria de matemática, a ministra revelou-se adepta das cartilhas do MEC.”

Agripino e Demóstenes ainda ruminam a expectativa de que o TSE negue o registro reinvidicado pelo PSD.

O DEM é um dos partidos que tentam impugnar no TSE a criação da nova agremiação.

A legenda presidida por Agripino e liderada no Senado por Demóstenes ainda abriga em seus quadros, além de Kassab, 17 congressistas do futuro PSD.

É gente que, embora já tenha feito as malas, aguarda pela certidão de nascimento do TSE para completar a mudança.

blog Josias de Souza

Código Florestal: Kátia Abreu troca de lado e semeia apoio a Dilma

Brasil: da série “me engana que gosto!”

Como disse o grande “filósofo político” Gonzaga Mota: “a política é dinâmica”.

Pois não é que uma das mais furibundas vozes oposicionistas do senado da Taba dos Tupiniquins é agora a mais governista das criaturas?

Como dizia o hilário personagem da Escolinha do Professor Raimundo na TV – magnificamente interpretado pelo recentemente falecido ator Marcos Plonka: “Fazemos qualquer negócio”!

O Editor


De forma surpreendente, a senadora ruralista Kátia Abreu (sem partido-TO) passou a ser queridinha no Palácio do Planalto nos últimos meses.

Depois de uma atuação fortemente oposicionista nos dois mandatos do governo Lula, a senadora agora já é listada como parceira do governo Dilma.

A rápida mudança de posição chama a atenção de antigos aliados da oposição e dos novos parceiros governistas.

Kátia já anunciou sua filiação ao PSD, o partido ainda em fase de criação.

Com dificuldade para se ajustar ao novo discurso sem admitir ser adesista ou vira-casaca, a senadora, que também é presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), afirma que permanece na oposição até o fim do seu mandato, em 2014.

Mas sua argumentação a respeito de vários temas já é de uma integrante da base aliada.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Perguntada sobre o movimento de recuo da faxina da presidente Dilma no primeiro escalão do governo, a senadora foi só elogios:

– A presidente Dilma não refluiu na faxina. Em toda batalha, há um recuo estratégico.

Mas ela vai persistir nisso. Não vai tolerar corrupção.

O que tem sido feito é para aplaudir. Se fosse no governo Lula, não cairia ninguém.

Esse combate à corrupção vai ser um marco.

O primeiro encontro da senadora com Dilma aconteceu em junho.

Em agosto, chamou a atenção do núcleo palaciano o discurso que Kátia Abreu fez na Exporinter – exposição agropecuária internacional no Rio Grande do Sul – com elogios não só à presidente Dilma, mas também ao ex-presidente Lula.

Gerson Camarotti/O Globo

Eleições 2014: PT e PSDB começam o jogo

PT e PSDB armam tabuleiro de 2014
Raymundo Costa ¹/VALOR

PT e PSDB antecipam largada para 2012. Lula articula palanques até 2014; tucanos tentam tirar Serra da disputa presidencial.

PT e PSDB anteciparam a largada às eleições municipais de 2012. O centro da disputa é o território de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, portanto, decisivo na eleição para presidente de 2014. A rigor, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, queimou a largada ao decidir fundar o PSD. Mas a partida valeu, a corrida seguiu e PT e PSDB entraram na pista com disposição de início de campanha.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta repetir a mesma fórmula que o levou a eleger a presidente Dilma Rousseff. Seu candidato é o ministro da Educação, Fernando Haddad, um técnico que nunca antes disputou eleição, como Dilma, e que assim como a atual presidente, à época, também acumula polêmicas.

Nessa lista estão os fiascos do Enem, as cartilhas com erros de português e o “kit gay”, como foi batizado no Congresso o pacote contra a homofobia.

Tucanos forçam Serra em SP para dar passagem a Aécio.

Na campanha de 2010, como se recorda, Dilma foi acusada de defender o desenvolvimento a qualquer custo (meio ambiente) e a legalização do aborto, assunto que contaminou o segundo turno da eleição presidencial. E assim como Dilma, o ministro Haddad é um nome técnico de fora do aparelho petista, tem bom relacionamento com Lula e é digerível por boa parte da classe média paulistana.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Lula articula as principais candidaturas para 2012 tendo em vista as alianças com os outros partidos. O ex-presidente costuma lembrar que somente venceu em 2002, após três tentativas, ao ampliar o leque de alianças do PT juntando-se ao PL do empresário e depois vice José Alencar, morto em março passado. No que se refere a São Paulo, Haddad leva vantagens diversas em relação aos outros pretendentes do PT, sob o ponto de vista de Lula.

Em primeiro lugar, é uma novidade. Apesar das polêmicas em que esteve envolvido, deve capturar o eleitorado histórico do PT na capital. E tem espaço para crescer, sobretudo com o apoio que Lula costuma dar a seus “candidatos do peito”, como ficou demonstrado nas eleições do ano passado. Se Haddad ganhar, o PT terá aberto uma brecha na muralha da cidadela tucana em São Paulo – Kassab não é do PSDB, mas é ligado e fiel ao tucano José Serra.

Na hipótese de Haddad perder, é certo que Lula não terá dificuldade para conseguir seu apoio para o eventual candidato do PMDB, Gabriel Chalita, se ele for um dos dois candidatos no segundo turno. Algo que seria difícil de tirar de Marta Suplicy – que é pré-candidata – ou Aloizio Mercadante, atual ministro da Ciência e Tecnologia, também potencial candidato à indicação. Lula joga com as alianças de 2012 tendo em vista a disputa de 2014.

Vitória na eleição na capital de São Paulo é uma variável que não se discute na equação eleitoral do PSDB, pelo menos por enquanto. A discussão entre grande parte dos tucanos é outra: como fazer José Serra decidir logo se é ou não candidato a prefeito de São Paulo. A decisão de Serra é importante para Aécio Neves e seus correligionários resolverem o encaminhamento da candidatura presidencial do mineiro.

É nesse contexto que deve ser entendida a proposta de realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB a prefeito, de preferência até dezembro deste ano. Isso forçaria Serra a uma decisão já. Na hipótese de ele ser candidato, Aécio teria a segurança de contar com o caminho livre para começar a trabalhar sua candidatura para 2014, sem receio de que alguém possa lhe tirar a bola no meio do jogo.

Serra já disse que não será candidato a prefeito. Em particular, afirma que não disputaria de novo nem que esta fosse a última eleição de sua vida – só não diz o mesmo publicamente para não “ofender” os paulistanos, insinuando algum tipo de menosprezo pela prefeitura. Mas os adversários do tucano paulista ou não acreditam que ele consiga ficar sem um cargo até 2014 ou acham que podem convencê-lo com o argumento de que é a única alternativa viável do PSDB, sob pena de a sigla começar a desmoronar em São Paulo.

Por trás desse argumento, está o mesmo raciocínio defendido na convenção que elegeu os novos dirigentes tucanos, no final de maio, segundo o qual o PSDB deveria escolher logo o candidato a presidente. Para Serra, não interessa decidir nada agora. O tempo joga a seu favor, ao contrário do que ocorreu nas duas vezes em que disputou a Presidência da República, quando teve de deixar os cargos que então ocupava (ministro da Saúde e governador de São Paulo) no início de 2002 e de 2010.

O tempo está a favor até em relação à prefeitura de São Paulo: Serra não precisará dizer se é ou não candidato no início de maio de 2012, prazo para a desincompatibilização de pré-candidatos que tiverem cargos executivos. Um exemplo: o secretário de Energia, José Aníbal. No limite, Serra pode até deixar a decisão para o final de junho de 2012.

A exemplo de um número cada vez maior da chamada elite política do Congresso, independentemente de partido, José Serra também supõe que o candidato do PT, nas eleições de 2014, será o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste cenário, talvez o PSDB se convença de que o candidato ideal é o próprio Serra – o contraponto de Lula no partido..

A tese segundo a qual Aécio deveria disputar com Lula em 2014 para encorpar uma recandidatura em 2018 enfrenta problemas. O próprio Aécio tem dificuldades para enfrentar Lula, com o qual manteve excelente relacionamento no governo. Além disso, a concorrência para daqui a sete anos deve ser maior.

Sem falar do PT, cujo candidato deve ser Lula (para a eleição ou para a reeleição), o PMDB, por exemplo, contará com o nome do atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, se os Jogos Olímpicos de 2016 forem o sucesso. Não há porque duvidar das possibilidades do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), nome que, por sinal, anda às turras com o PT. E no terreiro do PSDB já haverá outro candidato a cantar de galo – Beto Richa, atual governador do Paraná, filho de um dos fundadores tucanos, José Richa.

Os políticos gostam de dizer que as eleições municipais são diferentes das eleições para os governos de Estado e a Presidência da República. Mas nunca deixam de disputar uma sem pensar na outra.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. E-mail raymundo.costa@valor.com.br

Índio da Costa, ex-candidato a vice presidente recusa teste do bafômetro

Mais uma vestal, que ao contrário da Norma da ópera, revela-se uma vestal nada coerente. O pregador moralista do DEM, que durante a última campanha eleitoral, vociferava moralismo por todos os dedos apontadores de pecados alheios, foi pego com a boca, – quer dizer não colocou a boca no bafômetro – exalando o aroma de água que passarinho não bebe. Assim como o ipanemense das Alterosas, o Índio em questão está mais para Caramuru que para professor de moral e ética.

A abordagem pela policia de transito é a Única oportunidade de assistirmos a comprovação de que os políticos são cidadãos comuns, e que o indecente “sabe com quem está falando”, não livra a carantonha dessa turma.
O Editor


Índio da Costa refuga bafômetro e tem carteira retida

Ex-candidato a vice na chapa de José Serra, ex-deputado federal do DEM, hoje mandachuva do PSD no Rio, Índio da Costa foi parado numa blitz.

Índio dirigia uma Hilux.

Os policiais pediram-lhe que soprasse um bafômetro.

Ele peferiu se abster. Teve a carteira retida. Arrostou multa de R$ 957,70.

O carro só foi liberado depois que Índio apresentou aos inspetores um motorista habilitado a assumir o volante.

A coisa toda se passou num cruzamento do Leblon, bairro chique do Rio.

Há dois meses, ali mesmo, o tucano Aécio Neves protagonizara cena análoga.

Ouvido, Índio disse que havia tomado vinho na hora do almoço.

Foi retido na blitz quando a noite já ia alta – mais para o café da manhã que para o jantar.

Mas Índio alega que, como não sabia a duração dos efeitos do vinho no organismo humano, preferiu esquivar-se do teste do bafômetro.

A emenda faz lembrar um “soneto” de Tim Maia.

O velho Tim dizia que não bebia, não fumava nem etc…

Seu único defeito era mentir um pouco.

blog Josias de Souza


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Marco Maciel e a engenharia de trânsito

Brasil: da série “O tamanho do Buraco”!

Não há escapatória, Tupiniquins. De onde menos se espera é que não vem nada mesmo, que não seja com odor se sarjeta. Agora é a vez do longilíneo, “ex-tudo”, Marco Maciel, derrotado à reeleição ao senado, e que trafega no poder desde Cabral, mas está sempre em alguma boquinha, comendo as migalhas do poder.

Aliás, talvez seja mesmo por essa capacidade de trafegar pelas amplas avenidas do nepotismo, é que o prefeito Kassab — Gilberto Kassab usa a prefeitura para homenagear políticos de outros estados, e a paulicéia desvairada paga a conta — tenha nomeado o derrotado Marco Maciel para conselheiro da Companhia de Engenharia de Tráfego e da SPTuris.

Mais que o mimetismo ideológico o que mais me impressiona é a capacidade “técnica” dos políticos brasileiros. Dormem, por exemplo, fazendeiros, e acordam especialistas em energia nuclear, para daí a pouco se revelarem especialistas em varicocele dos nativos da Bora-Bora.

O Editor

O mimetismo ideológico dos políticos brasileiros.

PS. Informa o colunista Ilimar Franco do O Globo:

O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), e o líder na Câmara, ACM Neto (BA), estão chocados com o ex-senador Marco Maciel (PE), que aceitou integrar dois conselhos de órgãos ligados à prefeitura de São Paulo. Ocorre que Maciel é presidente do Conselho Político do DEM, e Kassab, o principal articulador do PSD. José Agripino e ACM Neto fizeram um pacto de silêncio e só vão se manifestar após ouvir as explicações de Maciel.


Marco Maciel pisou na bola

Do ex-senador Marco Maciel (DEM-PE) sempre se disse que era o vice ideal para qualquer presidente da República. Conquistou a fama durante os oito anos em que foi vice de Fernando Henrique Cardoso.

Ajudou-o em tudo o que pode sem cobiçar-lhe o cargo.

De Maciel, antes e depois de ser vice, sempre também se disse que era dono de uma folha corrida imaculada.

Político de formação conservadora, ocupante de cargos de relevo durante o regime militar de 64, dele se afastou somente no fim.

Mas seu nome jamais figurou em episódios que pusessem em xeque sua honra pessoal.

Nem mesmo de leve ou de forma indireta.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Nada há de ilegal no fato de Maciel ter sido agora nomeado pelo prefeito Gilberto Kassab para o cargo de conselheiro da Companhia de Engenharia de Tráfego e da SPTuris, empresas que cuidam do trânsito em São Paulo.

Participará de suas reuniões mensais.

Embolsará R$ 12 mil.

É razoável, contudo, que se ponha em dúvida o valor da contribuição que Maciel poderá dar para a melhoria do trânsito na maior cidade do país.

Ele não é especialista em trânsito.

Os anais do Congresso não registram discursos nem projetos de Maciel com idéias originais sobre o trânsito em São Paulo ou fora dali.

A essa altura da vida, e sem nenhuma necessidade, o ex-senador corre o risco de ser apontado como alguém premiado com uma sinecura.

E premiado por quem?

Pelo principal líder de um partido em formação, interessado no passe futuro de Maciel.

Alguns políticos ligados a Maciel em Pernambuco trocaram o DEM pelo PSD de Kassab.

Por ora, Maciel ainda se mantém como presidente do Conselho Político do DEM.

E se um dia ele também migrar para o PSD?

O que não dirão seus adversários?

blog do Noblat

Senadora Kátia Abreu afirma que o PSD de Kassab “não tem dono”

Oposicionista de carteirinha, até ontem critica feroz do governo, PT e de tudo que não estivesse na cartilha da iracunda do DEM e da direita mais conservadora brasileira, eis que , numa demonstração de que fidelidade partidária, ideologia e coerência são coisa pra inglês ver, a senadora Kátia Abreu agora começa um voo em direção às plagas “acolhedoras” do governo, nas asas do oportunista PSD de Gilberto Kassab.

O Editor


A senadora Kátia Abreu (TO) entrega hoje sua carta de desfiliação do DEM, onde era uma das principais lideranças nacionais, para aderir ao projeto do PSD, lançado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

A migração para a nova legenda será oficializada amanhã, em discurso no plenário do Senado.

A filiação ocorre em meio ao descrédito provocado pelo anúncio de fusão com o PSB, ideia que não vingou, e a leitura de que a nova sigla será linha auxiliar do governo.

Ela garante que a fusão com o PSB jamais existiu como proposta séria e que o PSD será de oposição, mas afirma: “Oposição não é empresa de demolição: não precisa de adjetivos, mas de caráter”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Por que deixar o DEM?

Em busca de uma tribuna mais eficaz para defender meu ideário. O DEM cumpriu missão histórica admirável, viabilizando a transição democrática com Tancredo Neves e José Sarney, e garantindo a estabilidade dos três governos seguintes. Mas vive turbulência interna. Deixo o partido, mas não mudo: as ideias e objetivos são os mesmos.

Se é assim por que não foi possível uma solução interna?

O convívio partidário é como um casamento. Quando o desgaste ultrapassa determinado ponto, em que a confiança é atingida, não adianta insistir. O DEM não pratica internamente a democracia que prega externamente. Se mostra constrangido em assumir o ideário liberal.

O PSD surge num contexto que já abriga 27 legendas. Não há partidos demais?

Não é questão de quantidade, mas de qualidade. O quadro partidário brasileiro passará inevitavelmente por um rearranjo. O PSD apenas deu a partida. Outras siglas surgirão, outras desaparecerão. É questão de tempo.

Mas o PSD já nasceu provisório, anunciando fusão com o PSB.

O PSD nasce com ânimo definitivo, para ocupar um espaço que precisa ser preenchido no cenário partidário: os ideais da economia de mercado e do Estado de Direito. Será o partido da classe média, que se expandiu desde o Plano Real e hoje reúne mais de 100 milhões de brasileiros.

Por que o PSD desistiu da fusão com o PSB?

A ideia de fusão foi apenas uma hipótese inicialmente colocada, em ambiente de tempestade de ideias, em decorrência das dificuldades operacionais de se criar uma nova legenda. Mas, na medida em que se aprofundou a discussão, foi posta de lado. Eu mesma jamais pensei em ingressar num partido cujo ideário é bem distinto do meu.

Então será um partido de centro-direita?

Essa nomenclatura está inteiramente ultrapassada. O PSD não vem estabelecer um duelo ideológico, esquerda versus direita. Não vem lutar contra, mas a favor – não do governo, mas do País. Essa classificação é falsa, anacrônica. Basta lembrar que o PT, que se define como de esquerda, aliou-se ao Partido Liberal, que estaria à direita, para eleger Lula e José Alencar em 2002.

O prefeito Kassab se definiu como um político “de centro, com uma leve tendência para a esquerda”. E a sra.?

Kassab, ao mencionar essa tendência à esquerda, quis enfatizar sua preocupação com o social, não estabelecer um vínculo ideológico. Ele é um homem da economia de mercado, que sabe dos benefícios sociais que ela gera onde é de fato praticada. Esse é um mito que precisa ser desfeito: o de que a preocupação com o social é monopólio dos socialistas, da esquerda. Não é.

Mas seu vínculo com o agronegócio é frequentemente interpretado como uma contradição com o discurso social.

Essa é mais uma falácia dos que querem atribuir aos socialistas o monopólio do bem e vilanizar seus adversários. Os produtores rurais, que tenho a honra de representar, são muito mais eficazes na erradicação da pobreza que os seus críticos. São responsáveis pela produção da melhor e mais barata comida do mundo, gerando emprego e renda.

Outra leitura é a de que o partido será linha auxiliar do governo.

Faremos oposição, mas não como um fim em si mesmo. Oposição não é empresa de demolição. Quem assim pensava e agia era o PT. Oposição é parte da ação governativa.

Numa linha “oposição generosa”, como alguns propuseram?

Oposição não precisa de adjetivos, mas de caráter. É preciso compromisso com princípios e metas. Quando o governo estiver em consonância com nosso programa, terá nosso apoio. Quando não estiver, não terá. Ter caráter é ser fiel a si mesmo e aos próprios princípios.

Como fica a relação com o PSDB, parceiro histórico do DEM? Com Serra ou com Aécio?

Manteremos a interlocução, com certeza. Construímos etapa fundamental da história contemporânea do País, que foram os dois governos de FHC. Mas não seremos satélite de ninguém.

Diz-se que uma das condições de seu ingresso no PSD foi a garantia de presidi-lo.

O PSD não terá dono. Queremos um partido que tenha nas prévias um instrumento para decisões.

QUEM É

Formada em psicologia, foi presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins, de 1995 a 2005. Em 2008 foi eleita presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ingressou na política em 1998, como primeira suplente na Câmara. Assumiu a vaga duas vezes entre abril de 2000 e abril de 2002. Foi escolhida para presidir a bancada ruralista no Congresso. Em 2006 venceu a eleição para o Senado.

João Bosco Rabello/O Estado de S.Paulo

Kassab se apossa da marca JK

JK - Foto Gervasio Batista

Kassab se apossa das iniciais JK e registra site

O prefeito de São Paulo agora é “Jilberto Kassab”. Ele registrou na internet o domínio www.JK.org.br, tentando se apossar da imagem positiva do ex-presidente do Brasil, que foi do PSD, sigla da “nova” agremiação que GK fundou, o Partido Social Democrático.

O site está em nome de uma Comissão Provisória Estadual do seu ex-partido, o DEM, mas o prefeito aparece como o “responsável” pelo domínio.

Briga judicial

A família do ex-presidente Juscelino Kubitschek ficou injuriada com a iniciativa de Kassab, e considera recorrer à Justiça contra ele.

coluna Claudio Humberto


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Kassab: “o melhor para o Brasil é ajudar Dilma”

E ainda há os que se espantam com incrível habilidade (?) camaleônica dos políticos que trafegam – com trocadilhos, por favor – nos corredores das, como diz o poeta, tenebrosas transações.

O prefeito de S. Paulo, que até a pouco era papagaio de pirata dos tucanos, “de repente não mais que de repente”, como disse o outro poeta, avermelha-se de petista desde criancinha.

Abaixo a salada promíscua ideológica que sua (dele) ex-celência está  temperando.

O Editor


”O melhor será ajudar a Dilma”, diz Kassab

Na Bahia, prefeito ganha adesões para criar PSD, inclusive do vice-governador

Ao formalizar ontem, em Salvador, a adesão do vice-governador da Bahia, Otto Alencar, ao novo partido que vai criar, o Partido Social Democrático (PSD), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi ambíguo sobre o lado político que a sigla assumirá, se será aliada do governo ou oposição.

Apesar de ter defendido a independência da sigla, Kassab afirmou que “o melhor para o Brasil será ajudar a presidente Dilma Rousseff e o governador Jaques Wagner, na Bahia”, ambos petistas. O prefeito anuncia oficialmente hoje, em São Paulo, a criação do partido.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Na Bahia, o DEM – antigo PFL ao qual pertenceu Antonio Carlos Magalhães, e partido que Kassab abandona a partir de hoje – é oposição ao PT. Ontem, Kassab coletou assinaturas para a abertura da legenda, em evento concorrido, que reuniu deputados e ex-deputados, vereadores, prefeitos e ex-prefeitos, além de lideranças da base aliada, sobretudo petistas, dos governos federal e estadual, no Estado.

Futuro comandante da legenda no Estado, Alencar – que chegou a governar a Bahia sob a liderança do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (morto em 2007), foi mais direto: “Aqui na Bahia não terá essa história de independência. Eu sou vice-governador e nós estaremos na base. Acredito que em Brasília também será assim”.

Kassab e Otto destacaram o caráter democrático e flexível da nova legenda afirmando que uma cláusula do estatuto dará ao filiado amplo direito de se desfiliar quando desejar.

“No momento em que qualquer um se sentir desconfortável dentro do partido, terá liberdade para seguir o rumo que bem desejar. Não prenderemos ninguém”, garantiu o líder baiano. “Aqui não funcionará a lei do passe, do futebol, agiremos como a lei do divórcio, que permite a separação consensual”, comparou.

O prefeito negou que a fundação da nova sigla esteja atrelada a pretensões eleitorais suas. “Sou candidato a ser um bom prefeito de São Paulo”, disse.

Mas garantiu que no próximo ano o partido estará preparado para disputar as eleições municipais com candidaturas próprias em todos os municípios.

Ele tranquilizou os que temem deixar seus atuais partidos e ficarem impedidos de participar do pleito de 2012. “Não há riscos, estamos nos organizando para conseguir as assinaturas necessárias e consolidar juridicamente o partido”, garantiu.

Contra o relógio. Estão agendados outros nove atos de coleta de assinaturas nos Estados de São Paulo, Amazonas, Acre, Alagoas, Goiás, Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Kassab acredita que até julho o PSD estará formalizado.

Na Bahia a legenda já arregimentou quadros históricos do DEM, originários do extinto PFL, como o deputado federal e primo do deputado federal ACM Neto, Paulo Magalhães, e o deputado estadual Gildásio Penedo, um dos nomes que mais fortemente faziam oposição ao governo de Jaques Wagner até 2010.

Dos seis deputados federais do DEM baiano, dois já decidiram marchar com o PSD e um terceiro ainda está indeciso. Dos cinco estaduais, dois estão migrando para a nova legenda.

No PMDB, metade da bancada, formada por seis parlamentares, aderiu ao PSD. “Não queremos esvaziar nenhuma partido. Todos que aqui estão, vieram por livre e espontânea vontade”, ressaltou Otto.

Ao final do evento, Kassab e outras lideranças almoçaram com o governador Wagner, no Palácio de Ondina, residência oficial do governo baiano.

Eliana Lima/O Estado de S.Paulo