Eleição 2014 foi marcada por guerra de marketing viral

Mídia, Marketing Viral,Eleições 2014,Campanhas Políticas,Internet, Blog do MesquitaO historiador americano Robert Darnton descreveu, em seu livro “Poesia e polícia”, uma forma de comunicação criada no século XVIII, na França. Descontentes com o rei Luís XV, os franceses escreviam poemas em que criticavam o monarca – chamando-o, entre outros nomes, de monstro – e espalhavam os versos em folhas de papel manuscritas ou através de canções recitadas em praças públicas. Seria, segundo Darnton, a primeira rede de comunicação da História, criada bem antes de haver computadores, internet, redes sociais ou a eleição para presidente do Brasil em 2014.

Considerando-se, porém, o que se viu pela internet brasileira nos últimos meses, o pioneirismo francês em criar uma espécie de marketing político viral não apenas segue atual como marcou a eleição este ano no Brasil. Devido à facilidade de publicação e de capilaridade do meio, qualquer pessoa pôde se tornar um marqueteiro.

Durante a campanha, todos os dias apareciam novas montagens de fotos favorecendo um candidato ou atacando o outro. Às vezes as imagens começavam a circular a partir dos perfis oficiais dos candidatos ou de seus partidos. Às vezes, elas vinham de meros militantes sem ligação partidária. E, em muitos casos, era impossível saber sua origem, o que facilitou que se propagassem mentiras e boatos.

Na última semana, por exemplo, um texto apócrifo circulou pelo Facebook pedindo atenção aos eleitores porque os marqueteiros do PT teriam criado uma estratégia: Lula seria internado, simulando uma doença para gerar comoção e ajudar na campanha de Dilma. Por outro lado, eleitores receberam mensagens via WhatsApp sugerindo que, caso eleito, Aécio acabaria com o programa Bolsa Família.

– Como há uma liberdade muito grande, as pessoas podem escrever o que quiserem na internet – afirma Jorge Oliveira, coordenador de Marketing da campanha de Paulo Hartung (PMDB), eleito em primeiro turno ao governo do Espírito Santo. – Então o que se viu nas redes sociais foi muita sujeira. Coisas que são proibidas na campanha eleitoral foram feitas na web. O meio acabou sendo usado mais para a desconstrução dos candidatos, menos para se debaterem propostas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Segundo Oliveira, muitas das campanhas dos candidatos a presidente montaram duas equipes: uma para o programa oficial de rádio e TV, outra especificamente para a internet.

– Pela rede, o eleitor recebe um material de campanha que ele não optou por ver. Os marqueteiros sabem disso e se prepararam não apenas para espalhar as informações que conviessem para seus candidatos, como também para rebater acusações contrárias – diz ele.

Voto consolidado

A tática da desconstrução foi bastante utilizada no primeiro turno contra Marina Silva (PSB), principalmente quando a candidata retirou de seu programa de governo o apoio ao casamento de pessoas do mesmo sexo. A mudança de posicionamento rapidamente virou alvo de críticas e piadas nas redes sociais, inclusive com o perfil oficial de Dilma no Facebook publicando um post em que apontava as “contradições de Marina Silva”. O texto dizia: “Evangélica fervorosa, Marina já teve várias opiniões sobre o tema. Em 2010, era contrária e, em 2013, chegou a defender as ações de Marco Feliciano (PSC-SP), famoso pelas críticas homofóbicas”.

Na época, no fim de agosto, as intenções de voto em Marina vinham subindo nas pesquisas, muito pela comoção criada também nas redes após a morte de Eduardo Campos, e ela chegou a ficar tecnicamente empatada com Dilma no primeiro turno. Mas, já nos primeiros levantamentos feitos em setembro, a candidata do PSB começou a perder eleitores de acordo com os institutos de pesquisa Ibope e Datafolha.

– Eu acho que a principal razão de a Marina não ter ido para o segundo turno foi a repercussão daquele fato na internet – diz Marcelo Maia, coordenador de Marketing da campanha de reeleição de Cesar Maia (DEM) para prefeito do Rio em 2004. – Os próprios eleitores viralizaram que ela havia voltado atrás num ponto de seu programa, e isso foi prejudicando sua candidatura.

Já no segundo turno foi a vez de Aécio Neves sentir na pele os efeitos de como a repercussão na internet pode estremecer uma campanha. Depois de se sair bem num dos debates na TV contra Dilma, ele passou a ser tachado de machista nas redes sociais por ter chamado Dilma, e também a candidata Luciana Genro (PSOL) no primeiro turno, de leviana. O resultado foi a queda da intenção de votos de Aécio, segundo as pesquisas, entre as eleitoras brasileiras.

– Numa campanha, tudo o que acontece é planejado. Só não se planeja o erro. E um erro viraliza 300 mil vezes mais do que tudo o que você planejou – diz Marcelo Maia. – Quando o Aécio saiu daquele debate na TV achando que havia vencido por falar mais duro com Dilma, ele jamais imaginaria que seu desempenho seria transformado na internet numa situação de um machão atacando as mulheres.

Os debates, aliás, são um bom exemplo de como a internet foi utilizada na campanha de 2014.

Qualquer frase de efeito ou colocação inoportuna se transformavam quase que imediatamente em postagens para o compartilhamento da militância. Há, inclusive, um mote entre os marqueteiros de que mais importante do que vencer um debate é convencer as pessoas de que seu candidato venceu.

Por isso, os grandes temas dos debates, como corrupção, economia, privatização e a continuidade dos programas sociais, estavam sempre presentes nas redes.

Uma lógica semelhante ocorreu com as pesquisas: todas elas, independentemente de procedência e confiabilidade, foram sendo utilizadas pelos candidatos em montagens na redes sociais para mostrar alguma vantagem para um candidato.

Também se propagou muito os apoios manifestados por celebridades, de cantores como Chico Buarque (Dilma Rousseff) e esportistas como Ronaldo (Aécio Neves).

De prejudicial, Marina Silva foi atacada nas redes sociais depois que o ator americano Mark Ruffalo retirou o apoio previamente declarado à candidata do PSB, alegando que não conhecia antes suas posições quanto ao casamento LGBT.

– Esta foi a campanha em que se planejou de maneira mais organizada a utilização das redes sociais.

Houve profissionais pensando nisso para todos os candidatos, mas também apareceram colaboradores espontâneos, formando grupos de apoio – diz Gaudêncio Torquato, autor de “Novo manual de marketing político”. – Cada frase dita por alguém era pinçada e transformada em campanha na internet.

Também se usaram muito as matérias dos jornais e das revistas para destacar pontos positivos ou promover ataques. O problema é que esta campanha foi a mais chula e adjetivada desde 1989. Então nem sempre o nível do debate na internet foi bom.

Entre os marqueteiros, ainda é impreciso, porém, o real impacto do marketing viral.

Pesquisa divulgada em junho pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) mostrou que cerca de 50% da população brasileira acima de 10 anos de idade são usuários de internet. A dúvida é saber o quanto dessas pessoas é impactado pelo que aparece nas redes.

– A base de usuários se alargou, então é natural que haja uma preocupação maior com esse marketing na internet. Mas o público que acessa as redes sociais é o meio da pirâmide demográfica, é um público com voto mais consolidado e mais racional.

A base da pirâmide, onde está quem vota pelo bolso, ainda não é afetada pelo marketing nas redes – avalia Torquato.
Andrea Miranda/Observatório da Imprensa

Renúncia fiscal destinada a custear o horário eleitoral custará R$ 839 milhões aos contribuintes

urna

Divulgada sem custos para partidos e políticos que disputam uma eleição, a chamada propaganda eleitoral gratuita custa milhões de reais aos bolsos dos contribuintes. Só este ano a estimativa é que a União deixe de arrecadar R$ 839.5 milhões em impostos com as inserções veiculadas entre 19 de agosto e 24 de outubro.

A quantia será descontada do total de tributos pagos pelas empresas de rádio e TV de sinal aberto, obrigadas a veicular a publicidade obrigatória. Prevista no Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa), a renúncia fiscal é tratada como gasto tributário. Já o horário eleitoral é descrito como direito à cidadania, ao lado de fundos como o da Criança e do Adolescente e do Idoso que, juntos, receberão, em 2014, R$ 380 milhões em isenções, anistias, subsídios e benefícios tributários e financeiros.

Os R$ 839.5 milhões de renúncia fiscal destinados a custear o horário eleitoral gratuito deste ano representam um aumento de quase 39% em relação aos R$ 604.2 milhões que deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos em 2010, quando também foram eleitos presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. O cálculo não leva em conta a inflação do período.

Em 2008, quando a eleição limitou-se a prefeitos e vereadores, as concessionárias autorizadas a explorar os serviços de radiodifusão descontaram, a título de ressarcimento pela divulgação do horário eleitoral, R$ 420.3 milhões dos impostos devidos.

O valor da restituição às empresas é calculado a partir de uma fórmula complexa, cuja aferição depende do acesso às tabelas de preços de mercado cobrados pela exibição publicitária. Valores que variam conforme a audiência do veículo, o horário de exibição, a região e a época. As variáveis estão detalhadas no Decreto nº 7.791, de 2012, que regulamenta o assunto. Os preços cobrados pelos veículos de comunicação devem ser públicos e previamente fixados.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para alguns especialistas, o valor pago para que os eleitores conheçam candidatos e propostas não é um problema, mas sim o fato de a sociedade ter pouco acesso e controle sobre os valores ressarcidos. O pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), José Roberto Afonso, por exemplo, defende a importância da divulgação do custo do horário eleitoral em renúncias fiscais. Entretanto, sugere que órgãos públicos devem aferir com regularidade os resultados alcançados com a iniciativa.

“Isso deveria valer para todos os benefícios fiscais e não só para o horário eleitoral que, em nada, é gratuito”, disse o economista, afirmando não ser contrário à publicidade partidária. “Cada incentivo fiscal deveria ter a justificativa de sua criação cotejada com os resultados, após os incentivos concedidos. No caso do horário eleitoral, sabemos que está sendo transmitida nas rádios e tvs, mas isso não dispensa uma avaliação técnica e transparente [para avaliar os resultados alcançados]”, concluiu o economista.

Em parceria com a também economista do Ibre Érica Diniz, Afonso divulgou, em janeiro deste ano, texto sobre o conjunto dos benefícios fiscais concedidos pelo governo federal e seu impacto na economia brasileira. No documento, apontam que não se pode confundir transparência fiscal com mera publicidade dos atos e números oficiais. “Além de conhecer, é preciso compreender o que está por trás das estatísticas, ou seja, uma explicação oficial sobre o porquê, quando e como o gasto foi realizado. Também deveria ser possível, a quem se interessar, repetir essa análise e formar sua própria opinião”, acrescentou José Roberto Afonso.

No fim de agosto, uma consulta do Instituto MDA, a pedido da Confederação Nacional do Transporte (CNT), constatou que apenas 11,5% dos entrevistados afirmaram que a propaganda eleitoral tem alguma influência sobre suas decisões. Já na pesquisa de intenções de voto divulgada hoje (23), o instituto revela que 34,4% dos entrevistados nunca assistem ao horário eleitoral. Conforme o resultado, 32% assistem ou ouvem a propaganda poucas vezes na semana, 18% alguns dias e 15% todos os dias.

Apesar dos resultados, o coordenador das pesquisas, Marcelo Costa Souza, informou à Agência Brasil que o horário eleitoral gratuito é importante e afeta a decisão do eleitor. “Principalmente dos que, inicialmente, estavam indecisos. Além disso, a propaganda gratuita é uma importante ferramenta para a democracia representativa”, assinalou Souza.
Por Alex Rodrigues, da Agência Brasil

Eleições 2014: Horário político tem mistificação, não informação

República das Bananas, Blog do MesquitaTeve início nesta terça-feira o horário político eleitoral, aquele período do dia em que o brasileiro foge da televisão durante 50 minutos —metade de manhã, a outra metade à noite, atrasando o início da novela.

Foram ao ar os primeiros programas dos candidatos à Presidência da República. Disseram coisas definitivas sem definir as coisas. Quem assistiu voluntariamente à procura de informações decepcionou-se. Como de hábito, as campanhas pobres são feitas de indigência. Nas ricas, a matéria-prima é a mistificação.

Dilma Rousseff e Aécio Neves deram especial atenção à economia. Como se sabe, a economia compreende todas as atividades do país.

Mas nenhuma atividade do país compreende a economia tal como ela foi apresentada na propaganda governista de Dilma. Na peça, a crise é 100% internacional. E o governo impediu que ela entrasse porta adentro da casa dos brasileiros.

A crise invadiu o bolso, na forma de uma inflação de 6,5%. Mas essa é outra história. Invadiu também as fornalhas da indústria, apagando-as. Lula entregou para Dilma uma economia crescendo a 7,5%. Hoje, o PIB roda abaixo de 1%. Não somos uma ilha, justificou a propaganda de Dilma.

Por isso, a crise também nos afetou. E “reduziu um pouco o nosso ritmo de crescimento.” Mas não há de ser nada. Lula, que vendera Dilma como gestora infalível em 2010, jura que o segundo mandato será bem melhor. Ah, bom!

Na sua publicidade, Aécio prescreveu doenças, não remédios. A inflação já está aí de novo, batendo na sua porta, entrando na sua casa, disse o candidato. Na economia, o Brasil parou de crescer… Os empregos começam a desaparecer. O Brasil, que vinha bem, que vinha avançando, perdeu o rumo.

O que fazer? Bem, tem outro jeito de governar, diz o candidato. Basta gastar menos com o governo e mais com as pessoas. Lindo. Mas é empulhação, como demonstra o repórter Gustavo Patu: nos últimos anos, a quase totalidade da escalada das despesas federais está vinculada às “pessoas” que se beneficiam de programas sociais.

A marquetagem de Dilma dispõe de boa quantidade de minutos —o triplo do tempo de Aécio. Por isso, não faltaram ao programa os truques já tradicionais no trabalho do marqueteiro João Santana: horizontes luminosos, sobrevoos cinematográficos, obras públicas e fábricas fervilhando e um interminável etcétera.

Cruzando-se a publicidade de Aécio com a de Dilma verifica-se com quantos lugares-comuns se faz uma originalidade. As duas equipes de marketing recorreram ao mesmo tipo de recurso.

Num simulacro de transmissão ao vivo, brasileiros filmados em diferentes partes do país acompanham o discurso de Aécio e a execução do jingle de Dilma (repare no vídeo lá do alto). No mundo dos comerciais eleitorais, como no resto da política, nada se cria, nada se transforma, tudo se conspurca.
Blog Josias de Souza

O labirinto da internet e as eleições

Eleição,Internet,blog do MesquitaOs deputados erraram onde não poderiam. Mas era um erro previsível. A internet é o meio mais perturbador que já surgiu na comunicação.
Por João Santana ¹

UM PARADOXO da cultura contemporânea é a incapacidade da maioria dos políticos de entender a comunicação política. Essa disfunção provoca, muitas vezes, resultados trágicos.

É o caso da lei votada pela Câmara dos Deputados para regular o uso da internet nas eleições. Se aprovada sem mudanças pelo Senado, vai provocar um forte retrocesso numa área em que o Brasil, quase milagrosamente, se destaca no mundo -sua legislação de comunicação eleitoral. Sim, a despeito da má vontade de alguns e, a partir daí, de certos equívocos interpretativos, o Brasil tem uma das mais modernas legislações de comunicação eleitoral do mundo.

O nosso modelo de propaganda gratuita, via renúncia fiscal, é tão conceitualmente poderoso que se sobressai a alguns anacronismos da lei, como o excesso de propaganda partidária em anos não eleitorais ou a ridícula proibição de imagens externas em comerciais de TV.

Os deputados decidiram errar onde não poderiam. Mas era um erro previsível. A internet é o meio mais perturbador que já surgiu na comunicação.

Para nós da área, ela abre fronteiras tão imprevisíveis e desconcertantes como foram a Teoria da Relatividade para a física, a descoberta do código genético para a biologia, o inconsciente para a psicologia ou a atonalidade para a música.

Na comunicação política, a internet é rota ainda difícil de navegar. Somos neogrumetes de Sagres em mares bravios. Não por acaso, o mundo está infestado de curandeiros internáuticos a apregoar milagres. E a mídia potencializa resultados reais ou imaginários – ”Ah, a campanha do Obama!”, “Ah, as eleições no Irã” – sem que se consiga aferir a real dimensão do fenômeno.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Se é perturbadora para nós do meio, por que não o seria para legisladores e juízes? Principalmente para os políticos, que, como se sabe, sofrem desconforto com a comunicação política desde o surgimento dos meios modernos.

Desde sua origem nas cavernas, o modo de expressão política tem dado pulos evolutivos sempre que surge um novo meio.

De Aristóteles, patrono dos marqueteiros, passando pelos áureos tempos da santa madre igreja, que já deteve a mais poderosa máquina de propaganda política – é a criadora do termo com sua “Congregatio de Propaganda Fide”-, até os dias de hoje, a comunicação politica é feita por meio de uma simbiose entre o que se diz – o conteúdo retórico-persuasivo – e seu suporte de expressão, as ferramentas comunicacionais. Um influenciando o outro e os dois influenciando, sem parar, as sociedades e instituições.

Foram enormes os pulos causados pela imprensa, pelo rádio, pelo cinema e pela TV na forma e no modo de fazer política. Mas nada perto dos efeitos que trará a internet.

Não só por ser uma multimídia de altíssima concentração, mas também porque sua capilaridade e interatividade planetária farão dela não apenas uma transformadora das técnicas de indução do voto mas o primeiro meio na história a mudar a maneira de votar. Ou seja, vai transformar o formato e a cara da democracia.

No futuro, o eleitor não vai ser apenas persuadido, por meio da internet, a votar naquele ou naquela candidata.

Ele simplesmente vai votar pela internet de forma contínua e constante.

Com as vantagens e desvantagens que isso pode trazer.

As cibervias não estão criando só “novas ágoras”. Criam também novas urnas. Do tamanho do mundo. Vão ajudar a produzir uma nova democracia tão radicalmente diferente que não poderá ser adjetivada ou definida com termos do nosso presente-passado, tipo “representativa” ou “direta”.

Sendo assim, creio que nossos legisladores não vão querer passar para a história como os que imprimiram um sinete medieval em ondas cibernéticas. Não é só o erro, como já se disse, de encarar um meio novo com modelos de regulação tradicional. É porque a internet, no caso da comunicação política, nasceu indomável. E sua força libertadora tem de ser estimulada, e não equivocadamente reprimida.

Já há um consenso do que deve ser modificado na proposta da Câmara. O Senado, que vive profunda crise de imagem, tem um bom tema de agenda positiva. Mas não é por oportunismo que urge corrigir os equívocos da Câmara. É simplesmente pelo prazer de estar conectado com o futuro.

Folha de S. Paulo

¹ JOÃO SANTANA, 56, é jornalista, publicitário e consultor político. Já coordenou o marketing de dezenas de campanhas estaduais e municipais (como a de Marta Suplicy em 2008), além de três campanhas presidenciais, no Brasil (Lula em 2006), na Argentina e em El Salvador.

Eleições e reforma eleitoral

O sistema eleitoral brasileiro precisa de reformulações.

A reforma política é urgente e, se continuar pendente, pode acarretar sérios prejuízos à democracia brasileira.

O sistema de votação para o Poder Legislativo é um dos pontos que precisam ser repensados. O sistema de financiamento das campanhas é outro ponto que merece atenção.

Mas, encerrado o primeiro turno das eleições municipais, fica evidente a necessidade de se estudar também a propaganda eleitoral na mídia eletrônica (rádio e televisão).

O primeiro questionamento que se faz é a necessidade de realmente a propaganda ser gratuita e obrigatória para todas as emissoras. Alternativas como a exibição apenas nas emissoras públicas não podem ser desprezadas.

O eleitor precisa ter o direito de decidir se quer o não assistir a campanha.

Como, atualmente, a propaganda é exibida por todas as emissoras da TV aberta, a única opção do eleitor que não quer saber da campanha é desligar seu aparelho, exceto no caso de ele possuir uma assinatura de TV a cabo.

Essa obrigatoriedade parece ser mesmo uma herança do período de ditadura, quando a cidadania está relacionada apenas aos deveres e havia reconhecimento do direito, exceto o de ficar calado.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mas o programas eleitorais ainda têm outros pontos questionáveis.

A divisão de tempo entre os partidos segue uma lógica que oprime os partidos menores. Hoje que tem mais representatividade tem mais tempo, o que impõe um ciclo vicioso, no qual os que já possuem muito têm mais oportunidades de ter mais.

Ou seja, partidos grandes conseguem crescer mais do que os pequenos. É uma lógica predatória, parecida com a famosa cláusula de barreira, que foi tão combatida pelas legendas menores.

PROPAGANDA ENGANOSA

Mas ainda existem outros pontos nessa discussão. Além do tempo, o conteúdo dos programas também precisa ser questionado. O caráter ficcional das imagens externas, embora já seja inibido pela atual legislação, persiste.

Imagens de hospitais e postos de saúde vazios – sem nenhuma fila -, escolas perfeitas – com mobiliário novo, material escolar abundante espalhado pelas mesas, merenda farta e colorida nos pratos e tigelas dos alunos e professores felizes – ainda são predominantes nos programas.

Os personagens, quase sempre depoentes, são só elogios. É como se o mundo do candidato fosse algum muito diferente daquele em que está inserido o eleitor.

As mazelas, que são apresentadas somente pelos candidatos oposicionistas, não rendem boas imagens e programas atrativos, apesar de estarem muito mais próximas das realidade.

A questão é determinar se ficção é apenas a montagem de uma cena ou a escolha de situações específicas que podem beneficiar um ou outro candidato.
Carla Kreefft
(Transcrito do jornal O Tempo)

Eleições 2012: PT apesar do mensalão

E apesar do mensalão o PT ainda não morreu

Levantamento da Folha de S. Paulo nas 85 maiores cidades do País mostra que o Partido dos Trabalhadores é a sigla com maiores chances de vitória nas eleições deste domingo; aprovação aos oito anos de governo Lula é a principal explicação para o fenômeno; leia texto de Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.

Os boatos sobre minha morte são precipitados, já disse certa vez o escritor americano Mark Twain. Da mesma maneira, foram também prematuros os prognósticos sobre uma derrota acachapante do PT nas eleições municipais deste ano, o que, segundo o procurador-geral da República, seria “salutar”. Um levantamento da Folha de S. Paulo nas 85 maiores cidades do País revela que o PT é favorito na maioria deles – o que se deve, em grande medida, à aprovação dos oito anos de governo Lula. Leia, abaixo, a análise de Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania:

Urnas dirão que o povo desconfia do julgamento do mensalão

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda] Foram no mínimo exageradas as notícias sobre a “morte” política do PT que decorreria do golpe jurídico-midiático que o partido está sofrendo no âmbito do julgamento do mensalão. Segundo a Folha de São Paulo deste sábado (6 de outubro de 2012), o PT é o partido que mais tem chances de vitória nas 85 maiores cidades brasileiras.

Segundo matéria publicada por esse jornal, pesquisas eleitorais realizadas nos 85 maiores municípios do país mostram o PT com chances de vitória em 33 cidades. O PSDB aparece em segundo lugar, com chances em 30 cidades, e o PMDB aparece em terceiro, com chances em 22.

Depois de a mídia tucana passar a campanha eleitoral inteirinha dizendo que o PT sofreria forte baque eleitoral por conta do julgamento do mensalão, a Folha, na matéria em questão, admite que, “No caso de os prognósticos atuais se confirmarem nas urnas, não ficará comprovada a tese de que o PT estaria sendo expelido dos grandes centros urbanos”.

A tese em questão, diga-se, foi alardeada principalmente por esse jornal durante toda a campanha do primeiro turno. Você que se informa sobre política, portanto, deve estar surpreso com o que acaba de ler.

Outra notícia surpreendente, dada pelo mesmo jornal que durante os últimos meses anunciou tantas vezes que o PT seria trucidado eleitoralmente pelo julgamento do mensalão – com direito a torcida explícita do procurador-geral da República –, é sobre uma cidade emblemática: São José dos Campos. Lá, após 16 anos, o PSDB deve ser desalojado pelo PT.

SJC é emblemática porque foi lá que cerca de cinco mil famílias foram alvo de uma cinematográfica e truculenta operação de “reintegração de posse”. Na operação que desalojou aquelas famílias do bairro Pinheirinho, um idoso de 70 anos foi espancado pela polícia por se rebelar contra seus abusos e, em decorrência disso, veio a falecer.

Pois bem: em SJC, segundo o Ibope, o candidato do PT, Carlinhos Almeida, tem 52% das intenções de voto, enquanto que o candidato Alexandre Blanco, do PSDB, tem 31%. Essa cidade, segundo a Folha, é considerada reduto eleitoral de Geraldo Alckmin. Vem sendo administrada por tucanos desde 1997.

Este blogueiro, aliás, acompanhou de perto o sofrimento de milhares e milhares de homens, mulheres, crianças e idosos, expulsos de suas casas por ação do prefeito tucano de SJC, Eduardo Cury, em benefício do mega especulador Naji Nahas, dono da área em que ficava o bairro do Pinheirinho.

Participei de força-tarefa do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – Condepe, formada por jornalistas e advogados para ir a SJC colher depoimentos e denúncias das vítimas de um nível de violência policial que, além do assassinato de um idoso, deu curso a estupro de moradoras jovens daquele bairro.

Nem em seus piores pesadelos a direita demo-tucana, a mídia, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e a maioria dos ministros do STF – os quais, repito, vão operando uma tentativa explícita de golpe eleitoral contra o PT – poderiam imaginar o quadro acima descrito.

Do procurador-geral da República a certos ministros do Supremo, passando pelo PSDB, pelo DEM, pelo PPS e pela mídia, todos vinham comemorando publicamente a expectativa de o julgamento do mensalão produzir “efeitos políticos”. Todavia, parece que a alegria deles irá durar pouco.

Como se vê, a direita demo-tucana pode ter o procurador-geral da República e os ministros do STF nas mãos – ou no bolso –, mas o PT tem o povo, que, em última análise, é quem manda no país, pois tem a prerrogativa de ignorar todo esse esforço reacionário e antidemocrático e eleger quem essas forças do atraso não querem.
Eduardo Guimarães/Blog da Cidadania

Eleições 2012: candidatos fazem mau uso da internet

Ilustração do site pernambuco.com

Candidatos repetem erro de eleição em 2010 e desperdiçam potencial da internet.

Projeto oferece internet de graça em alguns pontos de ônibus em Brasília

O peso da internet na campanha que elegeu Dilma Rousseff fez especialistas preverem um papel crucial para a web nas eleições municipais deste ano, como na eleição de Barack Obama em 2008. Mas ainda não foi dessa vez.

“Os candidatos estão apenas replicando o que fizeram na internet nas últimas eleições, usando a web apenas como uma via de mão única, em que o político apresenta a sua agenda, sem uma real interação”, diz Pollyana Ferrari, que é a pesquisadora em mídia social e professora de jornalismo multimídia da PUC-SP.

Para ela, alguns candidatos aprimoraram seus vídeos e entraram em redes sociais que estão se popularizando, como o Instagram, mas sem uma estratégia específica. “Em geral, eles usam essas ferramentas muito mal, porque poderiam, por exemplo, monitorar o que está se falando online e tentar capitalizar em cima disso.”[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Se em 2010 vários ignoraram o potencial da internet, agora, esse mesmo “erro” pode ter consequências graves, por causa da penetração da internet na chamada nova classe média.

Esta corresponde hoje a 53% da população ou 104 milhões de pessoas, segundo o governo. Atualmente, mais de 60% da classe C está na internet, sendo que mais da metade entra online diariamente e 76% está nas redes sociais, de acordo com dados do instituto Data Popular, que faz pesquisas entre essa fatia da sociedade.

“Diferentemente dos outros canais de comunicação como jornais, rádio e TV – que têm empresas atuando junto a todos os segmentos da sociedade – a indústria da internet ainda rejeita trabalhar para a classe C”, diz o pesquisador de internet, Juliano Spyer, que já trabalhou na estratégia online das campanhas da Marina Silva (2010) e Gilberto Kassab (2008).

Preconceito?

Na opinião de Spyer, o motivo pode estar relacionado a preconceito, uma vez que a classe C é acusada de “orkutizar” diversos ambientes online. “A internet talvez seja vista como um demarcador de classes e, na medida em que a distância entre as classes encurta, a antiga classe média sente que está perdendo seu prestígio e reage desprezando a maneira como esses novos usuários atuam na internet.”

Entender que a internet é hoje sinônimo de interatividade parece óbvio, mas na opinião do sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, é justamente isso que falta à maioria dos candidatos.

“Não tem nada a ver com o horário eleitoral, em que o político falava e o eleitor ouvia. Na democracia 2.0, o eleitor quer falar e também compartilhar. E não adianta apenas estar nas mídias sociais e dar respostas padrões, porque isso não cola mais”, diz.

Os integrantes da nova classe média aprenderam nas redes sociais, segundo Meirelles, que a opinião dela conta e ela sabe usar isso a seu favor, inclusive como eleitor.

O analista e professor de comunicação política da USP Gaudêncio Torquato também vê essa apropriação: “Essa nova classe C é imediatista, pragmática, reivindica coisas da micropolítica – melhor sistema de transporte, escolas mais próximas, bom atendimento na saúde, segurança. Já a classe média tradicional é atraída por conceitos mais abstratos.”

Como aproveitar

E como os candidatos podem aproveitar melhor a internet nesse ano eleitoral (e nos próximos)? Os especialistas ouvidos pela BBC Brasil mostram outros caminhos, além de interagir de verdade com usuário/eleitor.

Para Spyer, é preciso combater os preconceitos da “orkutização”: de um lado, a campanha precisa se comunicar com a classe C sem infantilizá-la e, por outro, os emergentes devem reduzir a desconfiança nas instituições.

Explorar melhor as redes sociais também foi citado. Pollyana acredita que o Facebook poderia ser usado com uma palco para discussões sobre programas de governo e afins.

Já para Spyer, o desafio é o político falar de maneira centralizada no Facebook, individualizando cada grupo, já que hoje se vê inúmeros conglomerado da vida real se reunindo no site de Mark Zuckerberg.

Outra dica constante é investir em conteúdo compatível com celular. “Tudo caminha para o celular, é a grande tendência”, diz Pollyana. “Todo conteúdo online hoje deveria ter versões para smartphones, mas muitos sites de candidatos nem rodam em celular.”

Fora isso, uma pesquisa realizada pela empresa de tecnologia Intel mostrou que os brasileiros têm o costume de compartilhar informações pelo celular. E, mais que isso, são os que mais compartilham opiniões políticas entre os países avaliados: Austrália, China, França, Índia, Indonésia, Japão e EUA.

Mais uma vez, a classe emergente ganha relevância nesse quesito. Uma pesquisa do grupo Mobi mostrou que 19% dos integrantes da classe C têm smartphones e, desses, 45% pretendem trocar de aparelho nos próximos seis meses.

“Candidatos precisam passar a ver o celular como uma maneira de transformar uma pessoa em um agente da sua campanha”, diz Spyer, que sugere o uso de aplicativos (apps) para isso.
Mariana Della Barba e Jessica Fiorelli/BBC Brasil

Tópicos do dia – 21/09/2012

08:56:53
Análise: Se a posição de Lewandowski prevalecer, todo caixa 2 é crime
Pedro Abramovay ¹ 

A grande disputa entre defesa e acusação no mensalão foi se houve compra de votos ou caixa 2. Discussão importante para configurar o crime de corrupção. A jurisprudência do STF dizia que era necessário ligação entre o recebimento do dinheiro por um funcionário e um ato que ele pudesse praticar. Só haveria corrupção se provado que o dinheiro teve por objetivo garantir votos para o governo.

Por isso a acusação e Joaquim Barbosa se esforçaram em provar que houve compra de votos. Mas Lewandowski muda o foco do debate.

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Roberto Jefferson cometeu corrupção e foi beneficiado no mensalão, diz Joaquim Barbosa
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Diz que, devido à interpretação do STF no julgamento de João Paulo Cunha, não é mais necessária a relação entre recebimento de dinheiro e ato concreto: se há pagamento ao deputado e quem paga tem interesse em atos que pudessem ser praticados pelo deputado, há corrupção.

Se um parlamentar receber dinheiro de alguém com interesse em votações já há corrupção. O que é o caixa 2 senão o recebimento de dinheiro de pessoas com interesse em ato de um parlamentar?

No debate entre caixa 2 e corrupção, a posição de Lewandowski parece ser: há corrupção de toda maneira. Se o entendimento prevalecer, o STF criminaliza o caixa 2.

¹ Pedro Abramovay é ex-secretário nacional de Justiça e professor da FGV-Direito Rio.

15:28:40
Dilma Rousseff escalare declaração do Ministro Joaquim Barbosa no processo do mensalão

“Na leitura de relatório, na sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal, o senhor ministro Joaquim Barbosa se referiu a depoimento que fiz à Justiça, em outubro de 2009. Creio ser necessário alguns esclarecimentos que eliminem qualquer sombra de dúvidas acerca das minhas declarações, dentro dos princípios do absoluto respeito que marcam as relações entre os Poderes Executivo e Judiciário.
Entre junho de 2001 e fevereiro de 2002, o Brasil atravessou uma histórica crise na geração e transmissão de energia elétrica, conhecida como “apagão”.
Em dezembro de 2003, o presidente Lula enviou ao Congresso as Medidas Provisórias 144 e 145, criando um marco regulatório para o setor de energia, com o objetivo de garantir segurança do abastecimento de energia elétrica e modicidade tarifária. Estas MPs foram votadas e aprovadas na Câmara dos Deputados, onde receberam 797 emendas, sendo 128 acatadas pelos relatores, deputados Fernando Ferro e Salvador Zimbaldi.
No Senado, as MPs foram aprovadas em março, sendo que o relator, senador Delcídio Amaral, construiu um histórico acordo entre os líderes de partidos, inclusive os da oposição. Por este acordo, o Marco Regulatório do setor de Energia Elétrica foi aprovado pelo Senado em votação simbólica, com apoio dos líderes de todos os partidos da Casa.
Na sessão do STF, o senhor ministro Joaquim Barbosa destacou a ‘surpresa’ que manifestei no meu depoimento judicial com a agilidade do processo legislativo sobre as MPs. Surpresa, conforme afirmei no depoimento de 2009 e repito hoje, por termos conseguido uma rápida aprovação por parte de todas as forças políticas que compreenderam a gravidade do tema. Como disse no meu depoimento, em função do funcionamento equivocado do setor até então, “ou se reformava ou o setor quebrava. E quando se está em situações limites como esta, as coisas ficam muito urgentes e claras”.

15:37:21
Lula não será denunciado pelo MPF

O Ministério Público Federal não pode mais denunciar o ex-presidente Lula, segundo entendimento do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Ele explica que qualquer investigação sobre o processo do mensalão cabe aos ministérios públicos estaduais não à Procuradoria-Geral da República. “O presidente Lula já não detém prerrogativas de foro. Então a eventual investigação da sua participação já não competirá ao PGR, mas ao órgão do Ministério Público de primeiro grau”, explicou. Seis dos principais partidos políticos brasileiros se reuniram e divulgaram uma nota oficial em defesa de Lula, entre eles, o PT, PSB, PMDB, PCdoB, PDT e PRB. A nota repudia reportagem da revista Veja, que afirma que Lula sabia e chefiava o esquema do mensalão.

15:40:41
Eleições 2012. Prefeitura de Manaus: comunista empata com tucano
Grazziotin empata com Virgílio, informa o Ibope

A duas semanas da eleição, o Ibope captou um empate na disputa pela prefeitura de Manaus. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) alcançou o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB). Ambos têm agora 29% das intenções de voto.

Os pesquisadores do instituto foram ao meio-fio na segunda (17) e na terça-feira (18). Verificaram que Vanessa cresceu dez pontos desde a última sondagem, feita na semana passada, entre quinta (13) e sábado (15). Virgílio ficou estacionado.

A nova pesquisa veio à luz na noite passada. Na véspera, Lula voara até a capital amazonense para participar de um comício ao lado de Vanessa. O ex-soberano enxerga Virgílio com os olhos do fígado.

Ao discursar, Lula recordou que, em 2005, Virgílio ameaçara dar-lhe “uma surra.” Deixou claro que, em 2012, sua prioridade não é eleger Vanessa, mas derrotar o ex-líder tucano no Senado.

“O adversário de Vanessa parece que não gosta do cheiro do povo pobre”, disse. “Vanessa, se eu nunca tivesse te visto e alguém me pedisse para vim (sic) aqui e, eu soubesse que o teu adversário é quem é, eu não vou falar o nome em respeito a você, eu viria aqui te apoiar para derrotá-lo.”
Josias de Souza

15:56:46
ACM Neto barra em Salvador exibição do vídeo no qual diz que vai dar uma surra no Lula.


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Eleições 2012: propaganda eleitoral gera bloqueios nas redes sociais

Por excesso de propaganda eleitoral, usuários bloqueiam amigos na web
Anúncio de candidato ‘polui’ timeline do Facebook, reclama internauta.
Rede social divulga cartilha com ‘melhores práticas’ para candidatos.

Paulo Suzuki, professor de pilates, diz já ter apagado dois contatos do Facebook por causa de propaganda eleitoral (Foto: Flavio Moraes/G1)

Facebook vem se tornando campo fértil para a propaganda eleitoral, mas os usuários que insistem em fazer campanha para um candidato acabam sendo bloqueados ou até mesmo excluídos pelos amigos. É o que dizem internautas e especialistas ouvidos pelo G1.

“Eu já eliminei dois contatos, porque a propaganda fica poluindo a minha timeline do Facebook. Os candidatos divulgados não são nem da minha cidade”, conta Paulo Suzuki, de 30 anos, que trabalha como professor de pilates e vota em Santos, no litoral de São Paulo.

Suzuki lembra que começou a ver as propagandas “poluindo” seu Facebook há cerca de dois meses. “Tudo me irrita nesse tipo de propaganda, principalmente a quantidade, com pessoas colocando as mesmas fotos e frases várias vezes seguidas”, explica.

Já a administradora Silvana Puccinelli Tomé, de 27 anos, bloqueou dois amigos que estavam fazendo propaganda política no Facebook – ela decidiu não eliminar os contatos, apenas fez com que as atualizações deles não apareçam mais em sua timeline. “Eles ficavam postando para eu votar nos candidatos”, lembra. “Eu até aceito quando o pessoal comenta política, faz críticas e tudo mais, mas ficar fazendo propaganda é ruim.”[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Os dois veem outros tipos de uso para o Facebook. “O Facebook para mim é relacionamento, eu uso para manter contato com outras pessoas”, diz Suzuki. “Para mim, o Facebook é para lazer, descontração, encontrar amigos ou outras coisas úteis”, completa Silvana.

Aos que querem divulgar seus candidatos em plataformas sociais, Silvana aconselha a divulgar ideias e propostas, sem copiar e colar o que é propalado pelos candidatos.

Suzuki é mais radical: “Não divulgue, porque você está incomodando outras pessoas”. O professor de pilates conta que não baseia seu voto em propagandas, e sim no histórico e nos projetos dos candidatos.

A pesquisadora Mel Oliveira, que trabalha com publicidade, conta que não vê problemas em pessoas divulgarem nas redes sociais o que quiserem sobre seus candidatos, desde que não sejam ligadas a partidos. “O militante, como pessoa física, vai defender o que é dele. Uma das vantagens das redes sociais é que você pode ter voz”, conta. “Eu sou a favor da militância.”

Mas quem é ligado aos candidatos ou partidos precisa tomar cuidados e evitar alguns “erros”, defende Oliveira. Segundo ela, um dos problemas dos políticos brasileiros é querer pedir voto na internet.

“É importante que, nas redes sociais, eles sejam neutros. Eles precisam apresentar seus projetos, mas não de forma invasiva ou muito incisiva”, explica a pesquisadora.

Procurado pelo G1, o Facebook diz ter divulgado uma cartilha para que os políticos façam o melhor uso de sua plataforma (leia aqui, em inglês).
Mel Oliveira, publicitária que pesquisa o uso das redes sociais em
eleições no Brasil (Foto: Divulgação) 

Oliveira também vê problemas nos candidatos que querem entrar no Twitter e, imediatamente, estarem engajados com o público. “Não é assim que acontece, é preciso tempo. É preciso trabalhar isso pelo menos desde um ano antes das eleições”, conta.

A publicitária diz ainda que o envio de SMS para os eleitores pode ser mal visto. “Muitos dos candidatos não fazem o trabalho de perguntar se a pessoa aceita receber as mensagens”, conta. “Eles também chegam a usar o telefone, para enviar uma mensagem gravada de áudio e isso invade a privacidade do eleitorado.”

Conselhos dos EUA
A publicitária conta que a eleição de Barack Obama, nos Estados Unidos, em 2008, foi um marco sobre o uso das mídias sociais em eleições. “Isso mostrou para as pessoas que as redes podiam ser usadas”, conta. “De lá pra cá, o mercado político começou a acordar sobre o uso das redes sociais para as eleições.”

Zachary Green, que trabalha como CEO na 140Elect, construiu seu negócio em cima da tendência do uso de mídias sociais nas eleições. Baseado nos Estados Unidos, ele conta que sua empresa rastreia as eleições usando o Twitter.

É recomendado que os candidatos respondam aos comentários do público”
Zachary Green, CEO da 140 Elect, que monitora as eleições dos EUA no Twitter

Segundo ele, é preciso que os candidatos entendam os níveis em que é possível usar o microblog.

“Se você quer usar o Twitter da melhor maneira, recomendo explorar essa comunicação em várias direções. É recomendado que os candidatos respondam aos comentários do público e coloquem sua mensagem no Twitter”, conta. Ele explica que a criação de um canal de comunicação humaniza o candidato, deixando ele com menos “cara de produto”.

Green explica que, nos Estados Unidos, o Twitter já é muito usado para as “conversas nacionais”.

Já o pesquisador Daniel Gayo, que estudou o impacto do Twitter nas eleições americanas de 2008, afirma que não há muito o que os “americanos possam ensinar aos brasileiros” quando o assunto é política e redes sociais.

“Não houve um debate efetivo político com os cidadãos nas mídias sociais em 2008”, afirma. “Foi mais uma guerra de slogans e os usuários tendem a seguir outros usuários que compartilham da mesma ideologia”, conta, completando que “nesse ponto, as redes sociais não são tão diferentes de comícios políticos”.

Gayo conta que gostaria de ver uma nova abordagem na governança digital e uma tentativa séria de explorar as preocupações da opinião pública a partir das redes sociais. “Também é preciso levar em conta que os usuários de redes sociais não são toda a população”, diz.

Facebook recomenda que os candidatos criem conteúdos que possam ser compartilhados (Foto: Reprodução)

Regras do TSE
A propaganda eleitoral na internet está permitida desde o dia 5 de julho, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Nas condições propostas pela lei, ela também pode ser feita por meio de blogs, redes sociais e sites de mensagens instantâneas, sendo ela feita pelo candidato, por partidos ou por qualquer outra pessoa.

Apesar disso, a publicação de mensagens ofensivas pode gerar polêmicas, como a decisão de um juiz em Santa Catarina que, em agosto, determinou o bloqueio do Facebook por 24 horas. A ação foi gerada porque a rede social não cumpriu a decisão de suspensão de uma página, acusada de ofender um candidato – a rede social recorreu e o bloqueio foi suspenso.

Continua sendo reconhecida a livre manifestação de pensamento na internet, mas não se admite o anonimato”
Carlos Henrique Braga, secretário-geral do TSE

Segundo Carlos Henrique Braga, juiz e secretário-geral do TSE, se a mensagem publicada pelo usuário nas redes sociais for ofensiva, ele poderá responder por acusações de injúria, difamação e calúnia. “Continua sendo reconhecida a livre manifestação de pensamento na internet, mas não se admite o anonimato”, afirma o juiz.

Sobre mensagens de e-mail ou celular enviadas aos eleitores, o secretário-geral do TSE diz que elas são permitidas, desde que tragam mecanismos que permitam o descredenciamento do destinatário. “Após o eleitor pedir que seu número de celular ou e-mail seja removido da lista, o candidato tem um prazo de 48 horas para tirar”, explica. “Se forem enviadas mensagens após o período de 48 horas, existe uma multa de R$ 100 por mensagem.”

Braga afirma que qualquer cidadão pode denunciar práticas irregulares durante as eleições. Para fazer isso, é possível procurar o juiz eleitoral da cidade, os partidos políticos ou até mesmo a polícia local. Feita a denúncia, a investigação e a retirada da propaganda irregular ficam a cargo da Justiça Eleitoral.

A retirada de propaganda eleitoral também se aplica à internet, segundo o relato do ministro Henrique Neves, do TSE. “Se for comprovada a irregularidade eleitoral, a Justiça Eleitoral pode, por meio de decisão fundamentada, determinar a suspensão de conteúdo veiculado na internet”, diz o texto, disponibilizado no site do órgão.
Amanda Demetrio/G1