Privatizações, FHC, Vale e o caixa do tucanato

Ahãn! Nada como a história; essa senhora implacável!

Uma das coisas boas da Internet é a possibilidade de se fazer buscas em portais de órgãos de imprensa.

Uma pesquisa nesses arquivos digitais, colunas e blogs inclusos, permite-nos comparar o ontem com o hoje, e saber quem publica notícia preocupado com a informação, e quem publica conforme a ocasião.

Não tenho nenhuma restrição ao que assumem essa ou aquela posição.

O que me espanta são os sepulcros caiados.

Há tempos que a leitura de jornais e revistas deixou de ser um ato prazeroso, para se transformar em um exercício de desvendar quem está nas entrelinhas.

Agora a notícia se resume na busca pelos holofotes, e na busca de como transformar o fato verdadeiro em argumento corporativo, partidário ou ideológico. Entendo que a publicação da informação deve fidelidade somente com a verdade.

A pior corrupção é a das mentes.

É a criminosa desinformação, que vai desde o silêncio conveniente até a distorção da verdade por penas de aluguel, e prática maior da desonestidade intelectual cometida de forma indecente no exercício nocivo de iludir corações e mentes.

PS. A matéria da capa está na edição de 07/05/2002
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Economia: Maquinaria em Colapso

A atmosfera de entusiasmo com a liberalização e a desregulamentação dos mercados financeiros transformou-se em medo e indignação.

Os sentimentos do público em geral acompanham os ânimos exaltados dos críticos da finança descontrolada.
Luiz Gonzaga Beluzzo ¹

Esse foi o clima do seminário Escolher o Crescimento – Sair da Crise, realizado em Paris e patrocinado pela Fundação Jean Jaurés e pelo Instituto Lula. Foram duras as críticas às interpretações convencionais que atribuem aos mercados financeiros as virtudes da eficiência no uso das informações disponíveis e, portanto, a melhor alocação possível dos recursos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Os analistas não comprometidos com o mundo dos negócios procuraram sublinhar as relações entre o poder das instituições bancárias e não bancárias “grandes demais para falir” e as políticas de liberalização e desregulamentação da finança. Como bem ressaltou um dos participantes, esse contubérnio não é uma conspiração, mas o resultado da derrota política, econômica e ideológica das forças sociais que impuseram os controles e as regras prudenciais aos mercados de crédito na posteridade da Segunda Guerra Mundial.

Os Estados Unidos promoveram as políticas de abertura comercial e impuseram a liberalização financeira urbi et orbi. Assim, suas empresas encontraram o caminho mais rápido e desimpedido para a migração produtiva, enquanto seus bancos foram investidos plenamente na função de gestores da finança e da moeda universais.

Isso significa que os bancos americanos estavam habilitados a: 1) Administrar em escala global a transformação da rede de relações débito-crédito, fazendo avançar o processo de securitização. 2) Comandar a circulação de capitais entre as praças financeiras e, portanto, afetar a formação das taxas de câmbio. 3) Promover as mudanças na estrutura da propriedade, ou seja, organizar o jogo da concentração patrimonial e produtiva. 4) Dar fluidez ao sistema de pagamentos em escala global.

Eliminada a separação de funções entre os bancos comerciais, de investimento, seguradoras e associações encarregadas dos empréstimos hipotecários, os grandes conglomerados financeiros americanos buscaram escapar das regras prudenciais, promovendo o processo de originar e distribuir, impulsionando a securitização dos créditos e a alavancagem das posições financiadas nos mercados monetários.

Foi esse sistema financeiro americanizado o promotor da ampliação do crédito ao consumo e da consequente “liberação” desse componente do gasto das restrições impostas às famílias pela evolução da renda corrente. Esse fenômeno aproximou a dinâmica do consumo da forma de financiamento do gasto que sustenta a expansão do investimento, adicionando combustível à instabilidade financeira.

A crise deflagrada, em 2008, demonstra de forma cabal como as transformações ocorridas nos últimos 30 anos no tamanho das instituições e nos instrumentos de mobilização do crédito ampliaram a participação do consumo na formação da demanda efetiva e, ao mesmo tempo, acentuaram a instabilidade das economias capitalistas.

As transformações na órbita financeira desataram um forte movimento especulativo, primeiro com as empresas de tecnologia, depois com os imóveis residenciais. A aventura do crédito hipotecário generalizou para a massa de consumidores o “efeito riqueza”.

Este novo momento da “inflação de ativos” estava assentado em três fatores determinantes:
1) A degradação dos critérios de avaliação do risco de crédito e o “aperfeiçoamento” dos métodos de captura dos devedores primários, as famílias de renda média e baixa, cuja capacidade de pagamento estava debilitada pela estagnação dos rendimentos nos últimos 30 anos. 2) O alargamento do espaço da securitização das hipotecas e outros recebíveis, mediante a criação e multiplicação de ativos lastreados nas dívidas contraídas pelas famílias. 3) A possibilidade de “extrair” novos empréstimos apoiados na valorização dos imóveis e destinados à aquisição de bens duráveis, passagens aéreas e até pagamento de impostos.

A história das crises financeiras é sempre a mesma: nas etapas de euforia, a confirmação das expectativas otimistas leva os possuidores de riqueza a apostas mais arriscadas, incorporando ativos de menor qualidade em suas carteiras. Este é o caso, por exemplo, dos títulos da dívida pública grega ou espanhola encarteirados pelos bancos europeus quando a crise do endividamento privado ia de mal a pior.

Nesse quadro, uma súbita alteração das expectativas pode acarretar uma onda de vendas em massa, que, aliás, começa sempre pelos ativos mais arriscados. Muitos investidores adquiriram ativos a crédito, outros foram mais ousados na alavancagem. O professor Charles Kindlelberger afirma com razão que as crises financeiras só se tornam graves quando as flutuações no valor da riqueza contaminam os bancos.

Quando isso acontece, a maquinaria econômica entra em colapso. Na ausência de uma intervenção externa, de natureza pública, não há como fazer a máquina capitalista voltar ao seu funcionamento normal.
¹ Luiz Gonzaga Belluzzo é economista e professor, consultor editorial de CartaCapital.

FHC, Lula e o engavetador geral

O ex-procurado-geral da República no governo FHC, Geraldo Brindeiro. Foto: Ana Nascimento/ABr

Há um certo ar de mistério em tudo isso.

Por que o governo Lula não investigou o governo FHC? Se o governo FHC encobria os erros, por intermédio de um procurador que engavetava, caberia ao governo posterior denunciar, processar.A roubalheira do PSDB não justifica a do PT.
José Mesquita – Editor


Nos tempos do engavetador-geral: Refrescando Henrique Cardoso

O que é mais vergonhoso para um presidente da República? Ter as ações de seu governo investigadas e os responsáveis, punidos, ou varrer tudo para debaixo do tapete?

Eis a diferença entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva: durante o governo do primeiro, nenhuma denúncia – e foram muitas – foi investigada; ninguém foi punido.

O segundo está tendo que cortar agora na própria carne por seus erros e de seu governo simplesmente porque deu autonomia aos órgãos de investigação, como a Polícia Federal e o Ministério Público.

O que é mais republicano? Descobrir malfeitos ou encobri-los

FHC, durante os oito anos de mandato, foi beneficiado, sim, ao contrário de Lula, pelo olhar condescendente dos órgãos públicos investigadores.

Seu procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, era conhecido pela alcunha vexaminosa de “engavetador-geral da República”.

O caso mais gritante de corrupção do governo FHC, em tudo similar ao “mensalão”, a compra de votos para a emenda da reeleição, nunca chegou ao Supremo Tribunal Federal nem seus responsáveis foram punidos porque o procurador-geral simplesmente arquivou o caso.

Arquivou! Um escândalo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Durante a sabatina de recondução de Brindeiro ao cargo, em 2001, vários parlamentares questionaram as atitudes do envagetador, ops, procurador. A senadora Heloísa Helena, ainda no PT, citou um levantamento do próprio MP segundo o qual havia mais de 4 mil processos parados no gabinete do procurador-geral.

Brindeiro foi questionado sobre o fato de ter sido preterido pelos colegas numa eleição feita para indicar ao presidente FHC quem deveria ser o procurador-geral da República.

Lula, não. Atendeu ao pedido dos procuradores de nomear Claudio Fonteles, primeiro colocado na lista tríplice feita pela classe, em 2003 e, em 2005, ao escolher Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia do mensalão. Detalhe: em 2007, mesmo após o procurador-geral fazer a denúncia, Lula reconduziu-o ao cargo.

Na época, o presidente lembrou que escolheu procuradores nomeados por seus pares, e garantiu a Antonio Fernando: “Você pode ser chamado por mim para tomar café, mas nunca será procurado pelo presidente da República para pedir que engavete um processo contra quem quer que seja neste país.”
 E assim foi.

Privatizações, Proer, Sivam… Pesquisem na internet. Nada, nenhum escândalo do governo FHC foi investigado. Nenhum. O pior: após o seu governo, o ex-presidente passou a ser tratado pela imprensa com condescendência tal que nenhum jornalista lhe faz perguntas sobre a impunidade em seu governo.

Novamente, pesquisem na internet: encontrem alguma entrevista em que FHC foi confrontado com o fato de a compra de votos à reeleição ter sido engavetada por seu procurador-geral. Depois pesquisem quantas vezes Lula teve de ouvir perguntas sobre o “mensalão”. FHC, exatamente como Lula, disse que “não sabia” da compra de votos para a reeleição. Alguém questiona o príncipe?

Leia mais:
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Esta semana, o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência, colocou o dedo na ferida: “Os órgãos todos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com toda liberdade garantida pelo governo. Eu quero insistir nisso, não é uma autonomia que nasceu do nada, porque antes não havia essa autonomia, nos governos Fernando Henrique não havia autonomia, agora há autonomia, inclusive quando cortam na nossa própria carne”, disse Carvalho. É verdade.

Imediatamente FHC foi acionado pelos jornais para rebater o ministro. “Tenho 81 anos, mas tenho memória”, disse o ex-presidente. Nenhum jornalista foi capaz de refrescar suas lembranças seletivas e falar do “engavetador-geral” e da compra de votos à reeleição. Pois eu refresco: nunca antes neste País se investigou tanto e com tanta independência.

A ponto de o ministro da Justiça ser “acusado” de não ter sido informado da operação da PF que revirou a vida de uma mulher íntima do ex-presidente Lula. Imagina se isso iria acontecer na época de FHC e do seu engavetador-geral.
Cynara Menezes/Carta Capital
O erro do PT foi, fazendo diferente, agir igual.

Tópicos do dia – 07/02/2012

08:34:03
Brasil: da série: “me engana que eu gosto”!
Os aeroportos de Cumbica, Viracopos e JK, foram vendidos por R$ 24,53 Bi.
A Vale do Rio Doce, a maior mineradora do mundo foi “privatizada”, FHC, por R$3,3 Bi, valor inferior ao que foi pago, agora por Viracopos. O mais abestado desses “meninos” monta relógio Mido com luva de boxe, no escuro e embaixo d’água!

09:27:01
Vixe!!! Grana pra prefeito?
Candidato à Prefeitura de Santo André – por falar nessa cidade, como está o inquérito da morte de Celso Daniel? – tem o “sutil” nome de Carlos Grana. Isso mesmo Grana!
Ps. E é apoiado pelo Lula.

09:39:37
Feijoada à moda chinesa.
A boa e sabadina feijoada brasileira – que, aliás, não é invenção, como conta a lenda, de escravos brazucas, e sim, europeia – agora usa feijão preto importado da China. Assim, até a feijoada é “xing-ling”.

09:52:27
Fritura de ministro na manteiga.
Sei não. Tem gente em Brasília que não dá um tostão pela permanência de Guido Mantega.
Com trocadilhos, por favor.

09:54:22
Da série: “Ilações de um abestado”.
Zona do Euro! Nominho mais apropriado sô! Né não?


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Concessões de Aeroportos. Um erro.

Na onda privatizante que correu o mundo na década de 90, a venda de patrimônio público foi a ordem do dia. Passados quase 20 anos, podemos analisar com mais frieza os resultados do ocorrido.
Classifico as vendas (privatizações) no Brasil, em função dos seus resultados, de quatro maneiras, todas interligadas:
1. Valor de venda de todas elas: ridículo.
2. Compradores: amigos do Rei. Negociatas.
3. Venda de empresas produtoras de bens como CSN, Embraer, Usiminas: positivas.
4. Venda de empresas prestadoras de serviço como telefonia: um erro.

Por que esse preâmbulo ? Está no título. Desta vez não vão vender, mas ceder para usufruto por 30 anos, novamente para amigos do Rei.

Outros amigos obviamente, pois outro é o Rei, que na nossa Monarquia Republicana é chamado de Presidente, e que pelo sistema de revezamento acertado entre eles, – todos com tempo pré-determinado para poder usufruir das benesses do cargo – está há 9 anos com os sindicalistas, “representantes” do povo.

Claro, todos se esforçam para “segurar” a chave do cofre por mais tempo, mas isso é parte do principal passatempo dos comensais da Corte, o jogo de cena, mas identificado por eles como política; por nós como estupro.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Por que estão concedendo a administração dos aeroportos para os amigos, parceiros e financiadores da iniciativa privada, que os financiam com o próprio dinheiro ganho do Estado ?

1. Porque a administração pública, tendo como patrões os políticos, é um desastre.

2. Porque não têm coragem de enfrentar a questão da estabilidade no emprego dos funcionários públicos concursados e cuja aposentadoria não tem a contrapartida do governo. Desta forma, pagam uma fortuna com dinheiro dos impostos, mas conseguem romper os contratos com os mesmos. E é justamente esta negociação que emperra até agora as concessões, pois o sindicato exige que os já aposentados recebam parte igual. Para os políticos não faz muita diferença, pois o dinheiro não é deles.

3. Os amigos que vão passar a administrar os aeroportos, o farão por um prazo de 30 anos, sendo que TODAS melhorias necessárias serão bancadas pelo BNDES, com retorno pelo mesmo prazo. Juros ? De pai para filho.

4. Sendo um monopólio, como foi o das telefonias, o lucro é certo e o enriquecimento de poucos, garantido, mas não a excelência obrigatória dos serviços.

5. Quando terminar a concessão, devolverão apenas o bagaço da laranja para a árvore.

Só os amigos do Rei ganharão neste negócio e se forem “generosos”, como terão que ser, mais “gente” ganhará.

Que os políticos tenham a coragem de fazer o que foi feito em 1966 com os empregados da iniciativa privada, quando foram honrados os contratos em andamento caso o empregado não quisesse optar, e os novos contratados somente através do FGTS.

Pois tenham coragem e parem de enganar todos trabalhadores, honrando os contratos dos que não quiserem optar e aceitando (novas regras) os novos concursados somente pela CLT.

E se já estivéssemos sob um novo contrato social, num sistema que denomino de Capitalismo Social, o Estado venderia só parte dos aeroportos mas permaneceria majoritário, administrando o Conselho e fazendo as vezes das agências reguladoras mas com mão de ferro; entregaria a parte executiva da administração aos novos acionistas , não faria concessão, não precisaria do BNDES e o lucro deste negócio seria distribuído entre acionistas e trabalhadores e não apenas para os amigos do Rei e mais “alguns”.

E, importante, há dinheiro suficiente na mão de brasileiros, para honrar um negócio como esse. Não precisaríamos entregar também os aeroportos para empresas estrangeiras, e ainda financiadas com títulos do governo, via BNDES.

Empresas Sociais. Um novo paradigma. Este é o caminho. Capital e trabalho como parceiros. Metade do resultado para o capital e metade para o trabalho.
Martim Berto Fuchs/Tribuna da Imprensa
http://capitalismo-social.blogspot.com/

Eleições 2010: as oposições e os adjetivos inúteis

O articulista do texto abaixo, a par o refinamento vernacular e educação dialética ambivalentemente exposta, ao criticar, e condenar com justa razão, os impropérios com os quais o chefe dos Tupiniquins vocifera contra a oposição, esquece (?) de também descer o malho nos iracundos Arthur Virgílio e ACM Neto, que da tribuna do congresso ameaçaram aplicar surra física no presidente da república.

E quando o ‘ariano’ Jorge Bornhausen, ex PFL e atual DEM, disse com todas as letras, referindo-se ao PT que: “Felizmente nos veremos livres dessa ‘raça’ por pelo menos 30 anos” estava correto?

Essa oposição “generosa” da qual se jactam tucanos de alta plumagem foi somente para “marcar território” para Aécio Neves.

Convém lembrar que enquanto o governo Lula lutava em todos as áreas para conseguir trazer as olimpíadas e a copa do mundo para o Brasil, a ‘generosa’ oposição sempre se manifestou contra.

Basta consultar os anais do congresso.
O Editor


Uma das peculiaridades do Brasil, além da inevitável jaboticaba, é que aqui nem o governo e nem a oposição sabem exatamente o que significa ser oposição, e qual o seu verdadeiro papel institucional num regime democrático.

A “soi disant” oposição, formada basicamente pelo PSDB,o DEM e o PPS, passou quatro e depois mais quatro anos brincando de esconde-esconde com as suas próprias convicções, se é que tinha algumas, e até mesmo com as suas próprias realizações,como se se envergonhasse de ter eliminado a inflação, de ter privatizado velhos e ineficientes elefantes brancos, de ter saneado o sistema bancário, de ter estabelecido regras civilizadas de responsabilidade fiscal – enfim, de ter plantado as sementes de uma estabilidade econômica sólida e sustentável e com ela os fundamentos para a modernização do País.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Deixando-se acuar covardemente pela avassaladora popularidade do presidente da República, a oposição, nas duas tentativas que fez de substitui-lo no governo, se acomodou à agenda que interessava a ele e ao seu partido, de tal forma que, em 2006, seu candidato, Geraldo Alckmin, não se constrangeu em usar um macacão cheio de logotipos de estatais para mostrar que não pretendia privatizá-las, e na tentativa deste ano, José Serra chegou a ensaiar um anódino pós-lulismo, colocando a imagem do presidente em seu horário eleitoral.

Além disso, encaixou o golpe da propaganda governista que transformou as concessões de exploração de petróleo em privatizações, e acabou tentando devolver ao governo a acusação de “privatizador”, transformando esquizofrenicamente uma virtude em pecado.

Essa é a parte que cabe à oposição.

No que diz respeito ao governo, o presidente Lula não se cansou de maltratar a oposição durante a campanha eleitoral, chegando quase a lhe negar a legitimidade, ao chamá-la de “turma do contra”, ao pedir a “extirpação” de um dos partidos que a compõem, e a chamar o futuro governador eleito de São Paulo de “aquele sujeito”,entre outras delicadezas.

No dia em que a presidente eleita,ao lado dele, deu a sua primeira entrevista coletiva – por sinal tranqüila, ponderada e civilizada, muito longe dos arranques quase apopléticos da campanha eleitoral- Lula não perdeu a chance de reiterar a sua estranha forma de encarar o papel da oposição numa democracia.

Ele pediu para ela um tratamento melhor daquele que deram a ele durante os oitos anos de seu governo.Pela estranha noção de democracia do presidente, considerando aquilo que de fato aconteceu durante os oito anos,só a unanimidade lhe serve.

“Contra mim,não tem problema, podem continuar raivosos, do jeito que sempre foram.Mas a partir de 1º de janeiro, que eles olhassem um pouco mais para o Brasil, que eles torcessem para que o Brasil desse certo”.

Além de ser uma acusação sobre cuja gravidade o presidente parece não ter refletido- dizer que a oposição torce para o Brasil dar errado é uma figura de retórica irresponsável e desmedida, como foram muitas das falas do presidente ao longo dos oito anos – é muito irônico que venham da boca do patrono de um partido que votou contra rigorosamente todas as propostas que colocaram o País nos trilhos, desde o Plano Real até o Proer, sem falar da recusa em votar em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral na eleição que marcou o fim da ditadura, e em homologar a Constituição de 1988.

O Brasil tem muito a aprender para chegar à plenitude da democracia, até que um presidente deixe de chamar a oposição de “raivosa” e que um dos mais destacados líderes dessa oposição, o vitorioso senador eleito Aécio Neves, deixe de prometer uma “oposição responsável e generosa”.

Uma democracia de verdade não precisa ser condicionada por adjetivos inúteis.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

Deputado do PSDB quer privatizar o Pré-sal

Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES) Foto: Gabriel Lordello/Folhapress

Petrobras não tem como explorar sozinha o pré-sal

DEPUTADO TUCANO DEFENDE ADOÇÃO DE MODELO CRIADO NO GOVERNO FHC E ENTRADA DE GRUPOS ESTRANGEIROS EM NOVOS CAMPOS DE PETRÓLEO

A Petrobras não tem como explorar sozinha as gigantescas reservas de petróleo do pré-sal e o governo deveria trabalhar para atrair grupos estrangeiros em vez de inibir sua entrada nos novos campos, diz o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES).

“Vamos precisar de centenas de bilhões de dólares para explorar o pré-sal e é uma sandice completa achar que a Petrobras e o Estado brasileiro terão dinheiro para tudo”, disse na semana passada, em entrevista à Folha.

A entrada da Petrobras na batalha do segundo turno deixou os tucanos numa posição desconfortável.

A petista Dilma Rousseff acusa o rival José Serra de defender a privatização da maior empresa do país e entregar as riquezas nacionais a estrangeiros.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Serra nega a intenção, mas é vago sempre que lhe pedem para expor seus planos para o setor. “O PT propôs ao país um debate mentiroso e ficou difícil discutir assim”, diz Vellozo Lucas, aliado de Serra.

Folha – Que avaliação o sr. faz dos resultados obtidos com o fim do monopólio da Petrobras na exploração de petróleo e a abertura do setor? Luiz Paulo Vellozo Lucas – Foi a mais bem sucedida política de desenvolvimento setorial da história do país. A abertura atraiu capital para novos investimentos, sem privatizar nem vender nada. A produção dobrou. Nossas reservas de petróleo quintuplicaram. A receita obtida pelo governo com a exploração das nossas riquezas minerais cresceu mais de cem vezes.

É verdade que o governo Fernando Henrique Cardoso tinha a intenção de privatizar a Petrobras, como diz o PT?

Isso nunca passou pela cabeça de ninguém. Com a abertura, a Petrobras passou a operar num ambiente competitivo e cresceu. Era fundamental que continuasse estatal, porque no início os grupos estrangeiros que vieram para o país entraram associados à Petrobras. Ninguém teria vindo sem a segurança que ela oferecia. Não era necessário privatizá-la, e teria sido um tiro no pé fazer isso.

A entrada de multinacionais no setor gerou benefícios?

Hoje as companhias estrangeiras têm uns 5% da exploração de petróleo no Brasil. Seria interessante, e oportuno, que tivessem um pouco mais. Haveria mais investimentos, mais produção. O que importa é maximizar a geração de riqueza no país.

O modelo de concessões em vigor atualmente é adequado para a exploração das reservas encontradas no pré-sal?

Não há nada errado com esse modelo. O PT está no poder desde 2003 e fez seis leilões seguindo as regras desse modelo. Agora dizem que concessão é privatização, porque querem fazer desse troço uma bandeira eleitoral.

O governo argumenta que precisa de outro modelo para a exploração do pré-sal porque os riscos são menores nos novos campos, onde não há dúvidas sobre a existência de grandes reservas de óleo.

O argumento é falso. Não se pode dizer que não há risco nenhum numa atividade como essa. Há riscos ambientais, desafios tecnológicos a superar, riscos empresariais.

O que justifica então a decisão do governo de propor um novo modelo de exploração?

O PT mudou de ideia nesse assunto em 2007, quando a descoberta do campo de Tupi mostrou o tamanho das reservas existentes no pré-sal. Havia um leilão previsto para o fim do ano e vários blocos próximos de Tupi seriam oferecidos. O interesse por essas áreas era enorme e grupos brasileiros e multinacionais estavam se preparando para pagar caro por elas. A Petrobras não ia ter dinheiro para disputar todos os blocos e certamente ia perder alguma coisa para o Eike Batista, a Shell e outras companhias.

Qual seria a consequência?

Em vez de ter 95% do mercado como hoje, a Petrobras ficaria com 92, 93%. Qual o problema para o Brasil? Nenhum. Estaríamos trazendo dinheiro, investimentos, criando empregos do mesmo jeito. Mas o que estava em jogo era a entrega dos novos campos para a Petrobras sem licitação, e sem que eles precisassem pagar o bônus elevado que teriam que desembolsar no leilão. Foi por isso que o governo tirou a maioria dos blocos do leilão e decidiu mudar as regras no pré- sal.

Por que o governo deveria permitir que as multinacionais ficassem com esses blocos em vez da Petrobras?

Mas não se trata de entregar a riqueza nacional como o PT diz. Nós estaríamos pegando o dinheiro dos grupos estrangeiros para desenvolver nossas jazidas e gerar recursos para o país. Vamos precisar de centenas de bilhões de dólares para explorar o pré-sal e é uma sandice completa achar que a Petrobras e o Estado brasileiro terão dinheiro para fazer tudo.

O governo argumenta que, com o novo modelo, poderá controlar melhor o ritmo de exploração do pré-sal e usar os novos campos para desenvolver a indústria naval e outros fornecedores do setor.

Bobagem. O ritmo de exploração poderia ser determinado pelo ritmo dos leilões, sem mudar regra nenhuma. Se o que eles querem é desenvolver a indústria nacional, bastaria exigir nos leilões que os interessados fizessem aqui uma parcela maior das suas encomendas. A mudança da lei é o maior erro estratégico de política econômica da nossa história.

Por quê?

O Tesouro se endividou para capitalizar a Petrobras. O setor de petróleo deveria estar gerando recursos para os investimentos que precisamos fazer em aeroportos, estradas e escolas. Em vez disso, o governo se endividou para financiar a Petrobras, para que ela assuma a responsabilidade de ser a única operadora nos novos campos. Não tem sentido.

O governo diz que as companhias estrangeiras virão mesmo assim porque não há oportunidades tão boas para investir em outros países.

Precisamos ver se vão entrar com capital, assumindo riscos. Se o modelo defendido pelo governo for aprovado, uma nova empresa estatal vai controlar os custos de cada projeto e dizer o que vai poder ser fabricado aqui ou ali. Os petistas garantem que a empresa será formada apenas por técnicos, sem ingerência política. Só se a sede for em Frankfurt. Quem vai mandar nessa empresa vai ser o PMDB do Maranhão.

As ações da Petrobras se desvalorizaram muito neste ano, apesar do futuro promissor que o pré-sal garante à empresa. O mercado tem razão?

A Petrobras está desviando recursos para investimentos de rentabilidade duvidosa, como as refinarias do Nordeste. A empresa contrata serviços e equipamentos pagando três, cinco vezes mais caro que as concorrentes. É isso o que o mercado olha.

Ricardo Balthazar/Folha de S.Paulo

Eleições 2010.Porque o PSDB não quer Fernando Henrique Cardoso na campanha?

A jornalista Dora Kramer, tucana assumida, na minha percepção, — e aí não vai nenhuma crítica à jornalista.Ao contrário, seria o ideal que jornais e jornalistas assumissem claramente suas (deles) posições em favor desse ou daquele candidato — manifesta a estranheza ao constatar o esforço dos tucanos em dissociar FHC da campanha de José Serra.

É, digamos, inquietante, perceber que a cúpula do PSDB quer conduzir a campanha eleitoral negando tudo que combateram nesses anos da era Lula, ao mesmo tempo, que de forma, digamos, sofismática, pregando o contrário do que fizeram e disseram na era FHC.

O que será que leva um sem voto, como Sérgio Guerra presidente do PSDB, a achar que as certeiras observações de FHC atrapalham a candidatura de Serra?

Uma leitura das entrelinhas do artigo “Gente Insolente” remete para a possibilidade de o PSDB estar aplicando um estelionato eleitoral.

Será esse o motivo para a pretendida “solução Stalinista” de apagar FHC das fotografias tucanas?

O Editor


Gente insolente

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O PSDB nasceu em 1988, oito anos depois do PT. Chegou ao poder em 1994, oito anos antes do PT que passou 22 anos na oposição até chegar ao ponto que os tucanos levaram apenas seis para alcançar. Graças ao Plano Real.

A uma circunstância particularmente favorável. Uma ascensão acidental, já que o PSDB não trabalhou por ela, limitou-se a estar no lugar certo na hora exata.

Ou melhor, a ser o partido do homem certo no momento em que o então presidente Itamar Franco não deixou ao chanceler Fernando Henrique Cardoso alternativa, praticamente o nomeando à revelia seu quarto ministro da Economia.

Contra todas as expectativas, FH deu conta da missão, reuniu o grupo adequado e estava feito o caminho do PSDB rumo ao Palácio do Planalto. Durante oito anos o partido governou o Brasil.

Fernando Henrique Cardoso não foi o rei do espetáculo, mas ajudou a mudar o perfil do País. Fez reformas, privatizou a telefonia, profissionalizou as estatais, organizou as contas públicas, acabou com a inflação, devolveu a moeda ao País, inseriu o Brasil no mercado mundial, conquistou respeito internacional, continua sendo dos mais argutos pensadores e observadores da cena nacional.

Suas análises sobre o comportamento dos políticos, as razões do distanciamento da sociedade dos partidos, as ações para promover a aproximação são precisos diagnósticos. Tão certeiros que a reação de seus adversários é sempre o apelo arrebatado para que se cale.

E o surpreendente é que os ditos correligionários fazem pior: o ignoram. Faz palestras no mundo inteiro e pelo País afora, mas o tucanatinho acha que ele não fica bem na fotografia do vigoroso partido onde vicejam próceres cuja capacidade de distinguir credibilidade de popularidade é nenhuma.

Sabe o cunhado que vive dando vexame? Pois é. Os tucanos agora resolveram tratar Fernando Henrique nessa base. Segundo eles, “pesquisas internas” indicam que FH não é benquisto pelo eleitorado.

Atrapalha quando fala. E isso é dito tanto por pessoas com algum grau de discernimento quanto por gente que não faz um ó com um copo. Exato, o PSDB não é partido só de “quadros qualificados”.

Esse pessoal lê umas pesquisas, ouve um boboca de um analista, se assusta com os arreganhos de meia dúzia de adversários e acha que isso os autoriza a jogar no lixo o respeito devido a quem permitiu que o partido iniciasse sua trajetória de vida pela rampa do Palácio do Planalto.

Para não falar dos comprovados serviços prestados ao País, que em nações civilizadas costumam ser patrimônio preservado.

Lula perdeu três eleições presidenciais, foi muito criticado no PT, mas nos momentos difíceis nunca se viu movimento orquestrado para escondê-lo, tirá-lo de cena como se fosse um criminoso ou portador de doença contagiosa grave.

Se é sobre esse tipo de caráter que o candidato José Serra falou quando se referiu a brio, índole e solidariedade em seu discurso de despedida do governo de São Paulo, há incoerência no conceito.

Segura peão. Do presidente Lula diretamente o deputado Ciro Gomes não recebeu nenhum pedido nem recado para retirar sua candidatura. Houve uma conversa nesse sentido com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB, partido de Ciro. Foi na segunda-feira passada. Eduardo começou convencido da necessidade da retirada e terminou balançado.

Pelos seguintes argumentos: 1. Para o partido é negócio uma plataforma nacional de 12% de votos; 2. Se Ciro se retirar, nove seções do PSB, é certo, vão aderir à candidatura de José Serra; 3. Pesquisas internas indicam um potencial de crescimento de até 20 milhões de votos; 4. Todas as perguntas mostram que o eleitor reconhece nele competência semelhante à identificada em Dilma Rousseff e José Serra; 5. Ciro é a segunda opção dos eleitores dos dois principais candidatos, sendo que é majoritariamente o preferido dos eleitores de Serra.

Ou seja, se sair, favorece o tucano. Por isso deixa Serra sossegado e bate tanto no PT, porque disputa o eleitor potencial do PSDB.

Dora Kramer/O Estado de S.Paulo

PSDB propõe que Petrobras jamais seja privatizada

O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) protocolou na noite de ontem junto à Secretaria-Geral da Câmara Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que impede a qualquer tempo a privatização da Petrobras.

A PEC, que ganhou o número 370, acrescenta um quinto parágrafo ao artigo 177 da Constituição. O parágrafo diz assim:

“A empresa estatal de petróleo brasileiro, Petrobras, cujas atividades econômicas se relacionam ao disposto no presente artigo, terá o controle exclusivo da União, sendo vedada alienação que implique na perda do mesmo”.

Até há pouco, 225 deputados haviam assinado a PEC de Leite – 44 do PMDB, 38 do PSDB, 29 do PT, e os demais de outros partidos.

Há uma intenção por trás da PEC: acabar com a história espalhada pelo PT de que a Petrobras será privatizada caso no próximo ano se eleja presidente da República o candidato do PSDB.

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