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David Mourão-Ferreira – Presídio – Poesia

Presídio
David Mourão-Ferreira

Nem todo o corpo é de carne…Não ,nem todo.
Que dizer do pescoço,às vezes mármore,
às linho,lago,tronco de árvore,
nuvem,ou ave,ao tato sempre pouco…?
e o ventre,incosistente como o lodo?…

e o morno gradeamento dos teus braços?
Não,meu amor…Nem todo o corpo é carne:
é também água ,terra,vento,fogo..
É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;

no parque da memória o fugidio
vulto da Primavera em pleno Outono…
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!

Fotografia de KattyMonsmert

Brasil: da série “Só dói quando eu rio”

O que dá pra rir dá pra chorar
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