Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Limpar o planeta com dinheiro sujo tem seus limites

Usina termelétrica na Inglaterra. Foto: Carlos Eduardo Young.

A pandemia de Covid-19 traz consequências complexas em áreas muitas vezes inesperadas. Um exemplo são os mercados de créditos transacionáveis de emissões de carbono (cap and trade). Matéria recente do Inside Climate News mostra que produtores de agricultura de baixo carbono (“climate smart”) na Califórnia estão com problemas de financiamento porque recebem recursos de programas de cap and trade que são pagos principalmente por emissões geradas pela queima de combustíveis fósseis. A retração da atividade econômica e no volume de trânsito, consequência do isolamento social, reduziu drasticamente a emissão de carbono no estado. Por isso, as receitas que eram pagas pelos emissores diminuíram porque fizeram o que se deseja na agenda das mudanças climáticas: a queima de combustíveis fósseis despencou nos últimos meses.

Esse tipo de dilema é previsto há muito tempo na literatura de economia do Meio Ambiente. Mercados de direitos transacionáveis de obrigações ambientais, como os de emissões de carbono, logística reversa de resíduos sólidos e cotas de reserva ambiental (CRA), têm como premissa o interesse em flexibilizar o cumprimento das normas ambientais. A ideia é que aqueles que não estão cumprindo os requisitos ambientais financiem terceiros que, além de cumprir seus próprios compromissos, “vão além” e têm “superávit” na sua performance ambiental. Ou seja, ao invés de reduz as suas emissões, os emissores (“poluidores”) preferem pagar para que outros o façam (“protetores”) – isso se explica porque os custos de abatimento de emissões não são homogêneos.

Para que os mercados de direitos transacionáveis de obrigações ambientais funcionem é preciso que:

(1) O regulador ambiental atue efetivamente, monitorando o desempenho ambiental de cada agente e penalize, de fato, aqueles que desobedecem a norma. É necessário mais que uma autuação, deve-se fazer que o infrator pague efetivamente (“enforcement”).

(2) Deve haver um número suficiente de agentes econômicos que estão em desacordo com as normas ambientais e com custos de atendimento à norma (“compliance“) altos. Por outro lado, é necessário existir aqueles cujo valor necessário para executar ações ambientais positivas seja baixo, para viabilizar financeiramente a compensação do déficit ambiental não atendido pelo infrator.

(3) Os direitos de propriedade devem ser bem estabelecidos, sem insegurança jurídica para que o agente em déficit ambiental (“poluidor”) pague ao que está em superávit (“protetor”), e essa ação seja oficialmente reconhecida pelo regulador como forma de cumprimento da legislação ambiental.

Ou seja, não se trata de um mercado “normal” onde o consumidor demanda um bem porque deriva utilidade de seu consumo. É uma situação especial, que não pode ocorrer em situação de “livre mercado”. Trata-se de uma flexibilização no atendimento de normas legais, cuja demanda só é estabelecida se houver pressão normativa para o cumprimento da lei por parte dos eventuais infratores.

Como essas condições variam no tempo, a demanda de “poluidores” por direitos de emissão também oscila. Portanto, em todos os mercados de direitos transacionáveis, o preço desses direitos é endógeno, ou seja, o valor das cotas de emissões também flutua.

O caso da Califórnia apresentado na matéria se explica por alteração abrupta da condição (2). A demanda de direitos de emissão caiu vertiginosamente em função da retração de fontes de lançamento de gases de efeito estufa. Por isso, reduziu-se o interesse em compensar emissões excedentes porque se aproximaram dos limites inicialmente permitidos. Diga-se de passagem, a razão pela qual esse mercado se estabeleceu na Califórnia foi uma série de avanços institucionais que permitiram o atendimento da legislação ambiental (Condição 1) e definição dos direitos e deveres para agentes privados (Condição 3). Antes da pandemia, havia um número significativo de agentes em desacordo com os limites de emissão recebidos originalmente (Condição 2), mas esse número se reduziu bastante com a retração econômica.

Um fenômeno bastante semelhante ocorreu no mercado europeu de emissões (ETS) após a crise financeira de 2008, que resultou em um colapso nos mercados de emissão em todo mundo. A queda na demanda por combustíveis, junto com o sucesso de programas de baixo carbono, fez com que o volume de emissões europeias ficasse abaixo do esperado. Como o número de emissores em déficit ambiental se reduziu, o preço dos direitos de emissão despencou junto. Somente ao final de 2019 o preço das emissões se aproximou do teto histórico pré-2008 mas, como no caso da California, houve também queda acentuada de valor após a pandemia, mas com recuperação após o seu relativo controle.

Preço dos direitos de emissão de carbono na União Europeia (EUA), 2008-2020

Fonte: EMBER.

Aliás, por causa desse colapso nos mercados de créditos de carbono, não faz sentido a crítica de que projetos de conservação florestal como REDD ou REDD+ teriam “enriquecido os investidores” enquanto “desapropriavam os povos da floresta”. Essa crítica não tem fundamento porque (i) não há “mercado milionário” de REDD, REDD+ e projetos de carbono florestal porque simplesmente não há demanda por isso (onde há alguma negociação, o volume é baixíssimo e os preços são muito inferiores aos praticados no ETS), e (ii) existem condições sociais bastante claras estabelecidas para a titulação de créditos de carbono, e um projeto que resulte em problemas sociais não seria elegível, e existem diversas auditorias e canais de reclamação para vigiar isso.

A análise das condições necessárias para o sucesso de mercados de direitos transacionáveis também explica o porquê da falta de vigor dos mercados de CRA no Brasil. Não há interesse por parte dos governos em penalizar proprietários rurais em déficit de Reserva Legal, conforme estabelecido pela legislação florestal. Por isso, não há porque se preocupar em buscar flexibilizar uma regra de legislação que nunca é exigida, rompendo com a Condição (2). A bagunça fundiária brasileira complica ainda mais a viabilidade do mercado de CRA porque ninguém vai buscar atender regras ambientais de Reserva Legal se os direitos de propriedade não estão bem estabelecidos (Condição 3).

Outro erro comum contra o uso de instrumentos de direitos transacionáveis é supor que direitos valem somente para a propriedade particular, resultando em crítica por uma suposta “privatização da natureza”. Isso também não é correto pois os direitos de propriedades podem ser também públicos ou comunais. O que importa é que o direito de propriedade seja bem estabelecido, não importando a natureza do proprietário. A falha está na tradição histórica de privatização das terras públicas através da concessão de direitos fundiários que, a pretexto de reforma agrária, acabam apenas estimulando a grilagem e agravando a concentração fundiária. Dessa forma, perdemos a possibilidade de conseguir recursos financeiros para a conservação dessas áreas, já que as administrações públicas não conseguem assegurar o controle do desmatamento.

O caso mais grave dessa perda de oportunidade é o das terras indígenas. Comunidades indígenas possuem alta capacidade de controle de desmatamento, maior até do que alguns órgãos ambientais. Por isso, poderiam estar recebendo recursos de REDD+, como mostra a experiência pioneira do Projeto Carbono Florestal Suruí. Mas projetos como esse acabam não tendo viabilidade por falta de segurança jurídica (por exemplo, terras ainda não demarcadas ou consolidadas) e falta de apoio institucional.

Voltando ao caso dos projetos climate smart da Califórnia, o problema está em imaginar ser possível financiar um projeto sustentável de longo prazo a partir de pagamentos gerados por infração ambiental. É algo semelhante ao uso da Compensação Ambiental estabelecida pelo Artigo 36 do SNUC, que financiam unidades de conservação a partir de fatos geradores que causam dano ambiental. No curto prazo, é correto que isso sirva de base de financiamento de projetos de desenvolvimento sustentável. No longo prazo, contudo, o ideal é que essas infrações diminuam e, portanto, o valor arrecadado por elas. Por isso, esses projetos devem buscar a viabilidade financeira de longo prazo sem a necessidade de recursos oriundos de ações predatórias (emissões de carbono, problemas no licenciamento), que devem ser encarados como recursos que irão se esgotar com o tempo.

Além do plástico descartável, Europa está pronta para proibir também as embalagens plásticas

A Comissão Europeia está pronta para proibir as embalagens plásticas e está examinando possíveis regulamentações com o objetivo de reduzir o lixo plástico e a contaminação ambiental causada pelo microplástico.

Isso é o que acaba de ser revelado por Virginijus Sinkevicius, novo comissário para o meio ambiente e oceanos da comissão von der Leyen, em entrevista ao jornal alemão Die Welt.

“Definitivamente, queremos expandir as regras para plásticos descartáveis ​​e atualmente estamos investigando qual direção seria possível. Um passo importante seria, por exemplo, proibir embalagens plásticas ou prescrever o uso de plástico reciclado”, afirmou Sinkevicius.

Segundo a Comissão Europeia, mais de 80% do lixo marinho é composto de plástico que, devido à sua lenta decomposição, se acumula no meio ambiente, ameaçando a vida selvagem. Os animais, além de serem presos e mortos no lixo, ingerem pedaços de plástico que acabam na cadeia alimentar e, consequentemente, em nossos pratos.

Animais marinhos confundem plástico com comida. Mas por que será?
Precisamente para proteger a saúde do meio ambiente, da fauna e, claro, a nossa, a União Europeia decidiu proibir artigos de mesa, cotonetes, balões e outros objetos plásticos descartáveis ​​a partir de 2021, e agora também pode proibir embalagens de plástico, exigindo o uso de soluções mais sustentáveis.

A Comissão Européia também está examinando outros possíveis regulamentos para reduzir a poluição de plásticos, do imposto sobre resíduos de plástico aos regulamentos que podem conter a liberação de microplásticos, forçando as empresas a encontrar alternativas para reduzir drasticamente o potencial de liberação de partículas poluentes dos cosméticos, pneus e outros produtos.

O problema do microplástico

Meio Ambiente,Plásticos,Oceanos,Poluição,Blog do Mesquita 05

Os microplásticos são liberados a partir de inúmeros produtos e, como o plástico, se acumulam nos ecossistemas prejudicando solo e água e expõem a população a riscos à saúde.

Segundo Sinkevičius, até o final deste ano, a UE fornecerá uma lista muito detalhada de todos os produtos que contêm microplásticos ou feitos com microplásticos.

Nos próximos meses, a União Europeia poderá tomar medidas para eliminar o uso de plástico para embalagens e reduzir a contaminação ambiental por microplásticos. Enquanto isso, todos nós já podemos fazer muito para limitar a poluição por plásticos, por exemplo, escolhendo comprar alimentos e produtos de higiene a granel sem embalagem ou com embalagem reduzida, reciclável ou de fácil decomposição.

Baleias vivas geram bilhões de dólares ao país em serviços ecossistêmicos

Por muito tempo, o valor econômico de uma baleia poderia ser medido pelo óleo extraído do animal morto, usado para iluminar as cidades antes do advento da eletricidade.
Observação de baleia em Porto Seguro, Bahia. Foto: Projeto Baleia Jubarte.

O que pouca gente sabe é que as baleias vivas também podem ser medidas em termos de ganhos econômicos. E a cifra não é pequena. Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Universidade Duke estimou que as grandes baleias que trafegam pelas águas de jurisdição brasileira são avaliadas em cerca de 82,5 bilhões de dólares. Os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Universidade Duke (Carolina do Norte) calcularam, a pedido do Projeto Baleia Jubarte e da organização Great Whale Conservancy (GWC), o valor das baleias vivas para o Brasil levando em conta o turismo de observação que existe em torno desses animais, a captura de carbono e a fertilização marinha.

Esse mesmo grupo de economistas havia calculado, em 2019, o valor global dos serviços ecossistêmicos das baleias vivas em cerca de um trilhão de dólares norte-americanos.

Como foi feito o cálculo?

O Projeto Baleia Jubarte e a organização Great Whale Conservancy (GWC) forneceram estimativas das populações de baleias em águas brasileiras. Os economistas do FMI e da Universidade Duke pegaram essas estimativas e calcularam os valores dos serviços oferecidos pelas baleias em ecoturismo, sequestro de carbono, e estímulo ao crescimento do fitoplâncton, utilizando as ferramentas de Economia Financeira, como a Valoração.

“A principal dificuldade para nós era fazer previsões sobre as populações futuras, no caso de recursos naturais vivos, como as baleias. É especialmente difícil prever com que rapidez uma espécie ou ecossistema ameaçado crescerá. Felizmente, tivemos o apoio de outros cientistas especialistas em biologia das baleias, e uma de nossa equipe é especialista em modelagem matemática”, explica o economista Connel Fullenkamp, professor da Universidade Duke e um dos autores do estudo.

Baleia franca astral. Foto: Wikipédia

“No momento, estamos escrevendo um documento técnico que detalha os cálculos, e o publicaremos quando estiver pronto. Uma breve visão geral é que projetamos os serviços fornecidos pelas baleias no futuro e, usando estimativas dos preços de mercado desses serviços, localizamos o valor presente (o valor hoje) desses serviços”, disse, em entrevista a ((o))eco, por e-mail..

Capturadoras de carbono

As baleias acumulam carbono ao longo da vida. Cada grande baleia sequestra, em média, 33 toneladas de CO2, retirando esse carbono da atmosfera por séculos. Para efeito de comparação, uma árvore absorve, em média, apenas 7 kg de CO2 por ano.

Além do sequestro no próprio corpo, as baleias têm o poder de multiplicar a produção de fitoplâncton, criaturas microscópicas responsáveis pela captura de nada mais, nada menos, que 40% do CO2 produzido no mundo. Isso equivale à quantidade de emissões capturada por 1,70 trilhão de árvores – ou quatro florestas amazônicas. Mais fitoplâncton significa mais captura de carbono.

“A diversidade de baleias que ocorre aqui contribui para a fertilização marinha de maneiras diferentes. Por exemplo, os cachalotes, que vivem na borda da plataforma continental, se alimentam a grandes profundidades e depois defecam nas águas superficiais, promovendo aumento do fitoplâncton que está na base da cadeia alimentar.

Já espécies grande-migratórias, como as baleias-jubarte, se alimentam nas regiões polares no verão e trazem nutrientes para as regiões tropicais no verão. São literalmente centenas de milhares de toneladas de fertilizante natural que, em última análise, torna a pesca possível em nossa costa em volumes muito maiores do que se não houvesse esse serviço prestado pelas baleias”, explica José Truda Palazzo, Jr, ex-chefe da delegação científica do Brasil à Comissão Internacional da Baleia e atual Coordenador de Desenvolvimento do Instituto Baleia Jubarte.

A ciclagem de carbono e a fertilização dos oceanos são dois serviços ecossistêmicos de maior relevância prestada pelos grandes cetáceos, animais que tiveram redução drástica de população em todo mundo por causa da caça. Apesar da proibição na década de 80, e do anúncio recente do fim da captura “científica” de baleias pelo Japão, que restringirá a caça ao seu próprio território marinho, as grandes populações de cetáceos ainda se recuperam de séculos de caça indiscriminada.

Atividade não extrativa em Abrolhos. Foto: Projeto Baleia Jubarte.
Ainda segundo Truda, que também é colunista de ((o))eco, a fertilização dos oceanos promovida pelas grandes baleias beneficia diretamente a pesca. “Esse fenômeno é ainda mais importante em mares tropicais, relativamente pobres de nutrientes, como no Brasil”.

Outro importante serviço fornecido pelas grandes baleias, principalmente as mais exibidas, como a jubarte (Megaptera novaeangliae) e a franca (Eubalaena australis), é o turismo de observação, um dos maiores aliados da conservação destas espécies.

“[O turismo de observação de baleias] é uma atividade muito próspera, principalmente porque agrega a conservação do animal, gera pesquisa científica e aproximação das pessoas com os animais marinhos”, explica Sergio Cipolotti, coordenador operacional do Instituto Baleia Jubarte.

O turismo de observação de cetáceos movimenta, no mundo, cerca de 2 bilhões de dólares anuais. São mais de 130 países que promovem a atividade.

No Bahia, a visitação embarcada para observação ocorre principalmente no inverno, na época de reprodução das jubartes.

“A baleia fomenta o turismo no momento de baixa temporada e atrai pessoas do mundo inteiro. É uma atividade muito emocionante, todos têm um feedback muito positivo e, principalmente, aproxima as pessoas da questão da conservação dos oceanos. É uma forma única de sensibilização para essas questões, com as pessoas em um ambiente natural observando esses animais majestosos”, diz Cipolotti, que é encarregado da área de turismo do Instituto Baleia Jubarte.

Máscaras contra o coronavírus são piores que sacolas plásticas: o impacto no meio ambiente é devastador

O descarte inadequado das máscaras — hoje usadas por um grande número de pessoas devido à emergência sanitária — está levando a novos riscos concretos de poluição marinha, um problema que já é bastante sério, dada a quantidade de resíduos plásticos que acabam nos oceanos todos os anos.

Durante uma viagem exploratória às ilhas de Soko, em Hong Kong, uma equipe da OceansAsia, organização para a conservação marinha, encontrou pilhas de máscaras depositadas na praia. Daí o alarme: se não forem descartadas adequadamente, esses instrumentos provocarão um forte impacto ambiental.

Atualmente, as máscaras são usadas em grandes quantidades em todo o mundo devido à pandemia de coronavírus, mas, como tantos outros objetos, muitas vezes acabam se tornando lixo abandonado, espalhado por todos os cantos, chegando depois ao mar.

Todo mundo de máscara. Mas será que elas funcionam mesmo?

Um primeiro exemplo concreto disso foi observado em Soko, um pequeno grupo de ilhas localizadas na costa sudoeste da ilha de Lantau, em Hong Kong. Atualmente, a OceansAsia está conduzindo alguns projetos de pesquisa sobre poluição por plásticos e, duas vezes por mês, uma equipe visita as ilhas para investigar e analisar o acúmulo de resíduos na praia.

Na última expedição, a equipe percebeu o efeito provocado pela emergência do coronavírus nesses locais, não em termos sanitários, mas ambientais. Montes de máscaras se espalharam pela costa. Como declarou Gary Stokes, fundador da OceanAsia, ao Energy Live News:

“Encontramos 70 máscaras descartadas a 100 metros da praia e outras 30 máscaras quando voltamos uma semana depois”

Outras se encontravam na corrente e estavam prestes a chegar ao mar (o que não é surpreendente, considerando que 7 milhões de pessoas as usaram na China).

“As máscaras não eram tão antigas, algumas pareciam quase novas, o que significa que elas não estão na água há muito tempo”

Mas quais são os riscos ambientais?
Teale Phelps Bondaroff, diretor de pesquisa da OceansAsia, explicou:

“Uma máscara que venha a ser ingerida por uma tartaruga local, um golfinho-cor-de-rosa ou um boto-do-índico, por exemplo, pode facilmente ficar presa no sistema digestivo desses animais, matando-os.”

Mas não apenas:

A maioria dessas máscaras contém ou é feita de polipropileno, que não se rompe rapidamente.

A poluição marinha de plásticos é um problema sério. Estima-se que mais de oito milhões de toneladas de plástico entrem em nossos oceanos a cada ano. Este plástico não desaparece, mas se decompõe lentamente em microplástico, que entra nas cadeias alimentares, com efeitos devastadores”.

A organização asiática nos lembra algo muito importante: as pessoas definitivamente devem ser informadas para conhecer as maneiras adequadas de descartar corretamente o lixo, ao mesmo tempo que os governos devem prover meios para isso, tentando ainda reduzir o descarte ao máximo possível.

Do ponto de vista tecnológico, cada vez mais novas invenções aparecem: das embalagens aos materiais para construção, um mundo sustentável é possível.

Lixo humano é irreversível. Máscaras e luvas em todo lugar

No começo da pandemia todo mundo achava que a Mãe Natureza tinha vindo dar o recado e que seus filhos teriam aprendido: é preciso preservar nossa casa, cuidar do bem comum para que todos se beneficiem de um planeta habitável e saudável, hoje e futuramente.

Ledo engano!

O lixo humano é irremediável, inexorável e imutável. Nada adianta, nem guerras nem pandemias, nada é capaz de fazer com que o Deus Dinheiro tenha menos devotos fieis:

quebrou, compra outro
usou, joga fora
não serve, se livra

E vamos nos enchendo de lixo que não tem onde jogar fora, porque o fora não existe.

Agora, máscaras e luvas são os novos cigarros que se juntam às velhas bitucas e vamos que vamos, poluindo hoje e sempre, sem que nenhuma lição tenha sido aprendida .

Que triste não é mesmo? A reclamação vem do mundo inteiro. “Esta quarentena forçada deve nos fazer refletir sobre as nossas ações, luvas e máscaras por todo o lugar. Você não pode ser assim egoísta”. Faça você mesmo sua máscara de pano contra o coronavírus, laváveis e reutlizáveis. Se tiver que usar máscaras e luvas descartáveis, descarte-as no lugar correto e em segurança para evitar a disseminação do vírus.

Lixo Urbano,Poluição,Blog do Mesquita

Se as coisas continuarem como estão, talvez mereceremos sim a extinção. Somos vergonhosamente a pior espécie da Terra.

Meio Ambiente: Protejam as metrópoles dos carros

Em muitos países, o confinamento está sendo relaxado, e a população, voltando ao trabalho. Uma oportunidade única de mudar radicalmente as grandes cidades: em paraísos para ciclistas e pedestres.

Como muitas outras cidades atingidas pelo coronavírus, Londres se tornou um oásis de paz nas últimas semanas. Mal se vê um carro nas ruas principais, onde o trânsito geralmente é tão intenso que os cruzamentos ficam regularmente congestionados.

Mesmo no centro da cidade a primeira visão matinal pela janela é agradável: um céu realmente azul! Não aquele azul urbano nublado por smog, pela mistura de neblina e poluição como de costume, mas um azul de férias. Nem mesmo rastros de condensação das aeronaves encobrem a paisagem de cartão-postal.

Em vez de carros, veem-se agora ciclistas por todos os lados, inclusive muitos novatos que ainda trafegam um pouco inseguros e trêmulos pelas ruas. Eles agora se atrevem a sair para onde costumavam ter medo. Porque, embora existam ciclovias e essas também tenham sido ampliadas nos últimos anos, Londres ainda é uma cidade voltada principalmente para os motoristas.

Os ciclistas precisam estar constantemente alertas, são odiados por carros e, principalmente, por taxistas, sendo até atacados. Geralmente, as ciclovias são demarcadas apenas simbolicamente nas ruas ou terminam sem aviso: o ciclista é repentinamente jogado no meio do tráfego de uma via principal, porque o distrito vizinho não considera necessário continuar a demarcação.

Os pedestres também precisam temer por suas vidas em muitos lugares, mesmo vizinho às escolas de meus filhos, os semáforos são direcionados apenas para motoristas. Não há sinalização para a passagem de pedestres, de forma que as crianças precisam se apressar e atravessar o trânsito pelas brechas. Dificilmente um aluno vai à escola de bicicleta em Londres, especialmente sem os pais.

Agora, durante o confinamento, as crianças se movimentam mais, meus filhos adolescentes também estão se aventurando pela cidade por conta própria de bicicleta, desfrutando suas novas liberdades. Há longas filas em frente às lojas de bicicletas, que mal conseguem dar conta das encomendas. Quero que o final do bloqueio não seja o fim do boom desse meio de transporte. Pois o trânsito nas vias principais já está aumentando novamente.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, prometeu agora fechar para carros algumas ruas principais e abrir mais vias para ciclistas e pedestres. Alguns distritos londrinos já entraram em ação, acalmando o tráfego com grandes jarros de flores, alargando as calçadas. No distrito financeiro, a chamada City, os carros quase não têm vez. Outras grandes cidades como Paris ou Milão têm projetos semelhantes. Eles precisam agora ser implementados rapidamente antes que cada vez pessoas retornem motorizadas ao trabalho, por medo de contrair o vírus em ônibus e trens.

A oportunidade é única. A crise mostrou que nossa sociedade pode mudar radicalmente, quase da noite para o dia, caso reconheça a necessidade para tal. O céu também está azul em Nova Délhi, as emissões de CO2 da Índia caíram pela primeira vez em 40 anos. O ar também está mais limpo em muitas cidades do Sudeste Asiático, como Cingapura, Jacarta e Bangcoc.

Já estamos vendo efeitos positivos: o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (Crea) estima que, desde o início da crise de covid-19, seis mil crianças em toda a Europa não desenvolveram asma, que 1,9 mil pessoas não tiveram de ser atendidas nos serviços de emergência e que 600 bebês não chegaram prematuramente ao mundo.

A economia também sairá ganhando se a política agir agora com rapidez e no interesse do meio ambiente. Especialistas em todo o mundo exigem que os governos promovam principalmente projetos de responsabilidade ambiental para revitalizar a economia após a crise de coronavírus.

Um novo estudo da Universidade de Oxford concluiu que projetos ecológicos criam mais empregos e maiores retornos do que a promoção de tecnologias e produtos tradicionais. Isso também inclui a criação de uma nova infraestrutura mais verde de transporte.

Não há mais desculpas!

Plástico vegetal: O fim do lixo

Lixo,Plástico,Poluição,Blog do Mesquita

A Avantium, empresa holandesa de bioquímicos, lançou um projeto pioneiro para fabricar plásticos feitos de açúcares vegetais, ao invés dos combustíveis fósseis utilizados na fabricação dos plásticos poluentes. Isso significa que, muito em breve, cervejas e refrigerantes poderão ser consumidos em garrafas “all plant”.

De acordo com informações do The Guardian, cerca de 300 milhões de toneladas de plástico são fabricadas todos os anos e a maior parte não é reciclada. Isso faz com que elas virem microplásticos e tenham o oceano como destino final, ou pior, retornam para a cadeia quando são ingeridos pelos animais marinhos e, consequentemente, por nós.

Felizmente, muitos planos surgem com a intenção de substituir esse material por alternativas que não degradam o meio ambiente. Um desses projetos é o da empresa de produtos químicos renováveis, Avantium. Em parceria com a fabricante de cervejas Carlsberg, elas pretendem vender bebidas em garrafas de papelão forradas com uma camada interna de plástico vegetal.

Esse projeto conta também com o apoio de grandes empresas como a Coca-cola e a Danone, pois elas estão no ranking das empresas que possuem embalagens mais poluentes, até então. “Este plástico tem credenciais de sustentabilidade muito atraentes porque não usa combustíveis fósseis e pode ser reciclado, mas também se degrada na natureza muito mais rapidamente do que os plásticos normais”, garantiu Tom van Aken, executivo-chefe da empresa Avantium.Ecologia,Plásticos,Meio Ambiente,Ambiente,Natureza,Poluição,Crimes Ambientais,Fauna & Flora,Blog do Mesquita,Brasil

Segundo informações da empresa bioquímica, o plástico vegetal é resistente o bastante para armazenar bebidas carbonatadas, e pode se decompor em um ano usando um compostor.

Em condições externas normais, o plástico vegetal se decompõe em alguns anos, mas a ideia é que ele possa ser reciclado. A mesma tecnologia também pode produzir embalagens para alimentos, tecidos e filmes. O objetivo da Avantium é produzir cerca de 5.000 toneladas de plástico vegetal por ano.

Carros elétricos – As baterias secretas da Tesla visam refazer a matemática dos carros elétricos e da rede

Os veículos Modelo 3 fabricados pela Tesla China são vistos durante um evento de entrega em sua fábrica em Xangai, na China, em 7 de janeiro de 2020. REUTERS / Aly Song / File Photo

A fabricante de carros elétricos Tesla planeja introduzir uma nova bateria de longa duração e de baixo custo em seu sedã Modelo 3 na China ainda este ano ou no início do ano que espera que trará o custo de veículos elétricos de acordo com os modelos a gasolina e permita que as baterias EV tenham segunda e terceira vidas na rede elétrica.

Durante meses, o presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, vem provocando investidores e rivais, com promessas de revelar avanços significativos na tecnologia de baterias durante um “Dia da Bateria” no final de maio. Novas baterias de baixo custo projetadas para durar um milhão de quilômetros de uso e permitir que a Teslas elétrica seja vendida com lucro pelo mesmo preço ou menos do que um veículo a gasolina são apenas parte da agenda de Musk, disseram à Reuters pessoas familiarizadas com os planos.

Com uma frota global de mais de 1 milhão de veículos elétricos capazes de conectar e compartilhar energia com a rede, o objetivo da Tesla é alcançar o status de uma empresa de energia, competindo com fornecedores de energia tradicionais como a Pacific Gas & Electric (PCG_pa. A) e a Tokyo Electric Power (9501.T), disseram essas fontes.

A nova bateria de “milhão de milhas” no centro da estratégia da Tesla foi desenvolvida em conjunto com a Contemporary Amperex Technology Ltd da China (CATL) (300750.SZ) e implementa a tecnologia desenvolvida pela Tesla em colaboração com uma equipe de especialistas acadêmicos em baterias recrutados por Musk, três pessoas familiarizadas com o esforço disseram.

O plano da Tesla de lançar a nova bateria primeiro na China e sua estratégia mais ampla de reposicionar a empresa não foram relatadas anteriormente. Tesla se recusou a comentar.

As novas baterias da Tesla contarão com inovações como químicas com baixo teor de cobalto e sem cobalto e o uso de aditivos, materiais e revestimentos químicos que reduzirão o estresse interno e permitirão que as baterias armazenem mais energia por períodos mais longos, disseram fontes.

A Tesla também planeja implementar novos processos de fabricação de baterias altamente automatizados e de alta velocidade, projetados para reduzir os custos de mão-de-obra e aumentar a produção em “terafábricas” maciças, cerca de 30 vezes o tamanho da extensa “gigafactory” de Nevada – uma estratégia telegrafada no final de abril para analistas por Musk.

A Tesla está trabalhando na reciclagem e recuperação de metais caros como níquel, cobalto e lítio, por meio de sua afiliada Redwood Materials, bem como em novas aplicações de “segunda vida” de baterias de veículos elétricos em sistemas de armazenamento em grade, como o que a Tesla construiu no sul Austrália em 2017. A montadora também disse que quer fornecer eletricidade a consumidores e empresas, mas não forneceu detalhes.

A Reuters informou exclusivamente em fevereiro que Tesla estava em negociações avançadas para usar as baterias de fosfato de ferro e lítio da CATL, que não usam cobalto, o metal mais caro das baterias EV.

A CATL também desenvolveu uma maneira mais simples e mais barata de empacotar células da bateria, chamada célula-para-embalagem, que elimina o passo intermediário da agregação de células. Espera-se que a Tesla use a tecnologia para ajudar a reduzir o peso e o custo da bateria.

As fontes disseram que a CATL também planeja fornecer à Tesla na China no próximo ano uma bateria melhorada de longa vida de níquel-manganês-cobalto (NMC), cujo cátodo é de 50% de níquel e apenas 20% de cobalto.

A Tesla agora produz conjuntamente baterias de níquel-cobalto-alumínio (NCA) com a Panasonic (6752.T) em uma “fábrica de giga” em Nevada e compra baterias NMC da LG Chem (051910.KS) na China. A Panasonic se recusou a comentar.

Juntos, os avanços na tecnologia de baterias, a estratégia de expandir as maneiras pelas quais as baterias de veículos elétricos podem ser usados ​​e a automação da fabricação em grande escala, todos visam o mesmo objetivo: reformular a matemática financeira que até agora havia comprado um carro elétrico mais caro para a maioria dos consumidores do que ficar com veículos de combustão interna emissores de carbono.

“Precisamos realmente garantir uma rampa muito íngreme na produção de baterias e continuar melhorando o custo por quilowatt-hora das baterias – isso é muito fundamental e extremamente difícil”, disse Musk aos investidores em janeiro. “Temos que escalar a produção de baterias para níveis loucos que as pessoas nem conseguem entender hoje.”

A Tesla divulgou lucros operacionais por três trimestres consecutivos, impulsionando quase o dobro do preço de suas ações este ano. Ainda assim, os ambiciosos planos de expansão de Musk dependem do aumento das margens de lucro e do volume de vendas.

Vários dos avanços técnicos feitos pela Tesla e pelo CATL em

Por que os céus claros do confinamento não são uma boa notícia para o planeta

Nem as águas limpas dos canais de Veneza. Nem as fotos de animais conquistando a cidade

Um grupo de cabras montesas anda pelas ruas de Llandudno, em Gales.

Mudaremos tanto por dentro após a vida de confinamento?
Irrelevante, insignificante, trivial. Esse é o efeito da redução dos gases poluidores (fundamentalmente, dos carros e da indústria) no aquecimento global. Aqueles que vociferam que o novo coronavírus deu um respiro ao planeta, como se espera que prove um céu azul claro poucas vezes visto em cidades poluídas, estão misturando conceitos, como o de qualidade do ar e mudança climática. “O primeiro tem a ver com emissões que nas cidades vêm, principalmente, do tráfego. Aí realmente veremos benefícios na saúde a curto prazo, pois caíram muito pelo confinamento. Mas, se o assunto é mudança climática, o importante é o CO2, cujas emissões quase não caíram a nível mundial”, diz Julio Díaz Jiménez, cientista titular na Escola Nacional de Saúde no Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII).

E continua: “De fato, há somente três dias batemos um novo recorde de PPM na atmosfera [unidade que mede a concentração de dióxido de carbono]. A pandemia não mudou nada”. E mais, foi postergada, por segurança, uma importante reunião que verdadeiramente poderia ter feito algo para evitar secas, incêndios e catástrofes, a Conferências das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP26), em que os países se dispunham a aumentar seu compromisso contra o aquecimento global (até agora, insuficiente). No melhor dos casos só ocorrerá em novembro de 2021.Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Não há copo meio cheio que chegue. Enquanto algumas previsões dizem que os estragos do coronavírus farão com que finalizemos o ano com uma queda nas emissões de CO2 de 5%, o necessário é chegar a 7,6% durante dez anos (ou, pelo menos, quedas de 10% mensais nos próximos 12 meses). As conversas para tentá-lo ―agora sepultadas pela urgência da situação― eram muito mais importantes do que essa parada forçada, concordam os especialistas. E meses de negociações foram perdidos… Também não é tão idílica essa nova imagem dos canais de Veneza com águas límpidas e transparentes (até peixes foram vistos). “Sem medições é impossível saber se é pela qualidade da água ou se, pela falta de barcos, os sedimentos não se removem e permanecem no fundo”, afirma Davide Tagliapietra, do Instituto de Ciências Marinhas da Itália.

O plástico sai de seu esconderijo

De acordo com a Bloomberg, nos EUA se passou uma semana entre o primeiro caso de covid-19 e a proibição da Starbucks de que seus clientes levem xícaras de casa para beber seus cafés. Os copos de plástico descartáveis se tornaram obrigatórios por motivos de saúde. A empresa editorial e de assessoria financeira lançou por sua vez um relatório pormenorizado no qual anuncia uma etapa dourada à indústria das embalagens do até bem pouco tempo desprezado material, “já que suas alternativas ecológicas apresentam dúvidas de higiene e segurança”.

Para não falar da altíssima demanda de máscaras, luvas, papel filme transparente e outros artigos muito procurados. O Greenpeace tem certeza de que a poluição por plásticos será um dos assuntos de sua agenda durante a gestão da crise. As corridas aos supermercados não ajudam. “Não temos dados, mas é evidente que há um aumento do consumo de produtos embalados em plásticos descartáveis”, diz a ONG.

Não está tudo perfeito aos animais

Pode parecer, pelas imagens de patos, javalis e cabras perambulando por locais até pouco tempo monopolizados pelos avarentos humanos (não acredite em todas: atenção ao fascículo, que você pode encontrar no PDF do novo número de BUENAVIDA, em espanhol, disponível grátis nesse link). São muitas as espécies, entretanto, que sofreram pela ausência de pessoas durante o confinamento (e continuarão sofrendo no que, previsivelmente, está por vir).

Como denunciou há pouco uma reportagem da revista Wired, qualquer animal com chifres na África, como é o caso dos rinocerontes, hoje corre mais riscos de ser caçado. “[Pela destruição dos empregos dos guardas florestais], se perderá todo o trabalho de conservação feito nos últimos dez anos na região”, avalia, na reportagem, um porta-voz da ONG The Nature Conservancy. É um lamento generalizado de todos os que se dedicam à conservação de espécies, de aves à fauna marina: com laboratórios fechados e fundos paralisados, seu trabalho está em perigo.

A fauna urbana, por sua vez, não está melhor. “As colônias de gatos, os patos, pavões-indianos de alguns parques e as pequenas aves que comem as sobras dos terraços estão desamparados”, afirmou Matilde Cubillo, presidenta da Federação de Associações Protetoras e de Defesa Animal da Comunidade de Madri, ao EL PAÍS. Nos abrigos de animais, não há adoções e voluntários.

Então não há esperança ao meio ambiente?Natureza,Ambiente,Meio Ambientea,Clima,Blog do Mesquita 01

O cientista Julio Díaz, chefe do departamento de Epidemiologia e Bioestatística do ISCIII, lança uma luz sobre o momento crucial ao planeta: “Aprendemos que a saúde pode vir antes da economia. E a defesa do meio ambiente é uma defesa da saúde: não se entende um sem o outro. Mas precisamos lembrar disso após a recessão, e não continuar com o ritmo de crescimento e emissões tão selvagem que fazíamos”.

A questão mais espinhosa: a crise econômica que se espera com a pandemia pode ser uma oportunidade para realizar a transição energética ou se transformará na desculpa perfeita para deixá-la para trás? Díaz tenta, com dificuldades, ser otimista… “Já tenho certa idade. E a história nos diz que ocorrerá a segunda opção.

Nos EUA, Donald Trump anunciou que relaxará as leis ambientais à indústria automotiva para diminuir a recessão. A China já emite gases poluidores pelo tráfego no mesmo nível do que antes da pandemia. Ainda assim, escolhi acreditar”. Gestos individuais? Também os espera: “Acredito que tenhamos aprendido que a bicicleta é um grande meio de transporte, e que não é preciso pegar um avião quando é possível se reunir pela Internet”.