Racismo em concurso público

Mais um exercício estúpido de tentar esconder a realidade da precariedade do ensino público no Brasil. À incompetência dos governos que se sucedem, alia-se a praga do politicamente correto.
A perversidade do sistema educacional brasileiro só não é pior do que a cegueira, antolhos ideológicos na maioria dos argumentos, dos que pretendem equilibrar o desequilíbrio com a extinção da meritocracia.
Haverá quem arguia o princípio isonômico grafado na constituição federal, que consiste em tratar desigualmente os desiguais, na medida das suas desigualdades.
Se o Brasil precisa de um sistema de igualdade de oportunidades para os que sofreram, por séculos, exclusão social, que seja por um parâmetro baseado na renda, e não na raça.
O Editor


Percival Puggina

O governo gaúcho anunciou a realização de um concurso público para admissão de dez mil professores e informou que 18% dessas vagas constituirão cota reservada a “afrodescendentes”.

A melhor maneira de alguém se tornar racionalmente inepto é ser politicamente correto. Incrível como a esquerda, que tanto detesta os Estados Unidos, os ianques, os anglicismos e os americanismos, gosta de macaquear toda tolice que surja por lá! A própria expressão “politicamente correto” (800 mil referências no Google) corresponde à tradução de political correctness (10 milhões de referências no Google), tendo ganho nos Estados Unidos, de tão usada, a abreviatura PC.

[ad#Retangulos – Anuncios – Esquerda]A palavra afrodescendente (263 mil referências no Google) é a forma que adquiriu no Brasil outro conceito born in USA – “afro-american” (6,6 milhões de referências).

No formato nacional, virou um neologismo ainda mais ridículo, cuja etimologia diverge do significado que lhe foi atribuído.

De um lado, porque muito provavelmente todos os humanos são afrodescendentes, originários do mesmo tronco africano. De outro, porque parcela numerosa da população daquele continente é formada por árabes, egípcios e berberes, que têm a pele clara.

Ou seja: afrodescendente não quer dizer coisa alguma. Entender tal vocábulo como significando “negro” é racismo em forma pura, não miscigenada, pois dele se infere que a palavra substituída seja, de algum modo, depreciativa. Não é. Só é para quem for racista.

Que a lei de cotas raciais (arre!) não serve à justiça é coisa que poucos haverão de negar. Numa mesma rua de um mesmo bairro pobre, dois vizinhos, estudantes da mesma escola pública, com os mesmos mal remunerados professores, jogando futebol descalços com a mesma bola de meia prestam exame vestibular e tiram as mesmas notas. Por ser negro um consegue aprovação pela lei de cotas. O outro, por ser branco, não se classifica. Isso é discriminação racial. Não acontece? Acontece até pior.

Escreveu-me outro dia um leitor relatando o caso de um vestibular para disputadíssimo curso. Havia 40 vagas ao todo. O último classificado pelas cotas fora o 142º lugar. O candidato que se classificou em 41º lugar ficou fora. De que modo isso serve à justiça? Ainda se poderia, com um senso bem elástico sobre o que seja justo, tolerar um sistema de cotas para acesso ao ensino superior que ponderasse a condição social num sentido amplo, mas ele envolveria irrealizável trabalho de investigação e classificação.

Pois bem, o governo Tarso Genro reservará 1,8 mil vagas para negros no concurso para o magistério público estadual. Neste caso, não se trata de favorecer a ascensão de um grupo social presumivelmente desfavorecido (tal presunção, tomada pela cor da pele, é realmente presunçosa).

Trata-se de outra coisa porque todos os concorrentes às posições no magistério saíram, com o canudo da mão, pelas mesmas portas escolares e universitárias. A cor da pele, nesse sentido, é tão representativa de suas diferenças quanto o penteado ou o sapato.

Anuncia-se, então, um flagrante privilégio e uma ruptura com o princípio da igualdade de todos perante a lei. Não bastasse isso, a cota racial vai na contramão das promessas do governador Tarso Genro de qualificar o ensino público para que o Rio Grande do Sul recupere as posições perdidas no contexto da educação nacional.

Como alcançar esse objetivo se a porta de entrada para o magistério vai levar em conta a cor da pele e não o desempenho nas provas do concurso de seleção? Vão ser politicamente corretos assim com o futuro deles mesmos e não com o futuro do Rio Grande do Sul!
blog de Percival Puggina – jornalista e escritor gaúcho.

Tópicos do dia – 04/12/2012

08:30:39
A face oculta do alcoolismo dos famosos
E o álcool continua não sendo considerado droga. Expoentes formadores de opinião continuam a propagandear – vendendo a alma, coração e mentes – e criminosamente incentivando os jovens ao consumo, com imagens sedutoras. Digo pro meu neto, 10 anos, que a cerveja que está no comercial da TV, não o transformará naquele personagem saudável, esportivo e bonito. O que o aguarda é o poço sem fundo do alcoolismo e da desagregação familiar.

09:15:45
A praga do politicamente correto, avança.
Ouço entrevista na TV na qual representante de um, argh!, Ong chama anão de “pessoa verticalmente prejudicada”.
Se vero, uma estupidez. Se piada, de profundo mau gosto e extremamente preconceituosa.

09:33:49
Imprensa, alcoolismo e verbas publicitárias.
A imprensa, dependente das gordas verbas publicitárias dos fabricantes da droga etílica, está dando ênfase a morte do Sócrates como sendo “infecção generalizada” ou “cirrose” minimizado o alcoolismo do grande jogador. Já vi jornais, virtuais, impressos e televisivos, dizendo que a infecção que matou o jogador foi oriunda de um “strogonoff” contaminado.
Putz!

19:26:48
Lupi? Foi-se!
Um a menos!
Carlos Lupi foi desfenestrado por Gepetto.
O mentiroso, é o 7º a sair. Sete não é o número do mentiroso?


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A praga do politicamente correto e o encontro com velhos amigos

“Outro dia estava no mercado quando vi no final do corredor um amigo da época da escola, que não encontrava há séculos.

Feliz com o reencontro me aproximei já falando alto:

– Oswaldo, sua bichona! Quanto tempo!!!!

E fui com a mão estendida para cumprimentá-lo.

Percebi que o Oswaldo me reconheceu, mas antes mesmo que pudesse chegar perto dele só vi o meu braço sendo algemado.

– Você vai pra delegacia! – Disse o policial que costuma frequentar o mercado.

Eu sem entender nada perguntei:

– Mas o que que eu fiz?

– HOMOFOBIA!
Bichona é pejorativo, o correto seria chamá-lo de grande homosexual.

Nessa hora antes mesmo de eu me defender o Oswaldo interferiu tentando argumentar:

– Que isso doutor, o quatro-olhos aí é meu amigo antigo de escola, a gente se chama assim na camaradagem mesmo!!!

– Ah, então você estudou vários anos com ele e sempre se trataram assim?

– Isso doutor, é coisa de criança!

E nessa hora o policial já emendou a outra ponta da algema no Oswaldo:

– Então você tá detido também.

Aí foi minha vez de intervir:

– Mas meu Deus, o que foi que ele fez?

– BULLYING! Te chamando de quatro-olhos por vários anos durante a escola.

Oswaldo então se desesperou:

– Que isso seu policial! A gente é amigo de infância!
Tem amigo que eu não perdi o contato até hoje.
Vim aqui comprar umas carnes prum churrasco com outro camarada que pode confirmar tudo!

E nessa hora eu vi o Jairzinho Pé-de-pato chegando perto da gente com 2 quilos de alcatra na mão.

Eu já vendo o circo armado nem mencionei o Pé-de-pato pra não piorar as coisas, mas ele sem entender nada ao ver o Oswaldo algemado já chegou falando:

– Que p***a é essa negão, que que tu aprontou aí?

E aí não teve jeito, foram os três parar na delegacia e hoje estamos respondendo processo por Homofobia, Bullyng e Racismo.

*Moral da história: Nos dias de hoje é um perigo encontrar velhos amigos!

A praga do politicamente correto

Contra o ”politicamente correto”!
João Mellão Neto – O Estado de S.Paulo

Iniciei minha vida profissional, como jornalista, em 1980. Ainda estávamos no regime militar – que hoje é conhecido como ditadura.

Não havia mais censura.

O cerceamento da nossa liberdade de expressão era mais sutil.

E provinha dos dois lados.

Num deles estava o poder. No outro, a “patrulha ideológica” da oposição.

O pessoal do poder achava que tudo o que fazia era certo.

Se alguém discordasse, só podia ser por ignorância ou má-fé. Já a patrulha entendia o mesmo, só que com os sinais trocados.

Mas havia ao menos certa ética na lide. Mil vezes ouvimos de nossos mestres do jornalismo: “Informação é informação; opinião é opinião. Misturar as duas coisas é antiprofissional. Distorcer a primeira para valorizar a segunda, então, é imoral”.

Tudo bem. Em momentos de exceção, como aqueles, o maniqueísmo brotava naturalmente. Ser radical parecia ser a única saída. Era comum ouvir frases do tipo: “Quem não é meu amigo é meu inimigo”. Ou até: “Quem é inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Era preto ou branco. Não existia cinza.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O que me surpreende hoje em dia é que, depois de 26 anos de convivência democrática, ainda haja gente que pense assim. A “patrulha” agora tem um nome mais pomposo: “correção política”. Quer dizer, abolição do nosso vocabulário de todas as palavras que tragam embutidos algum preconceito ou discriminação. Ou seja, quase tudo.

Imaginemos, por exemplo, o diálogo num hotel.

“Boa noite, senhor, queira, por favor, preencher a ficha.”

“Hum… Não vai dar! Chamou-me de senhor, isso quer dizer que me prejulgou, tachando-me de idoso. Ou, no mínimo, de alguém com status social superior ao seu…”

“Desculpe-me, quis apenas ser respeitoso…”

“Eu vim aqui à procura de um quarto, não de respeito. Quem gosta de tratamento cerimonioso ou é aristocrata ou, pior, burguês metido a nobre.”

“Como, então, devo chamá-lo?”

“Cidadão, camarada, companheiro, qualquer coisa assim… Ah, e a sua ficha está incorreta. No item sexo constam apenas duas alternativas.”

“E existe alguma outra?”

“Várias! Escreva apenas “orientação sexual” e deixe um espaço em branco para ser preenchido.”

“A coisa está ficando preta!”

“Você não deve usar essa expressão. Ela define um quadro confuso, aludindo aos negros. Perdão, afrodescendentes.”

“Ai, meu Deus!”

“Essa sua exclamação também é excludente. Tem muita gente no mundo que acredita em outro deus. Como outros que cultuam vários deuses e também os que não acreditam em deus nenhum. De mais a mais, por que o seu deus atenderia, particularmente ao seu chamado?”

“E chamar alguém de t. d., isso pode?”

“Só se não for com sentido ofensivo ou depreciativo.”

“Com licença. Eu tenho de trabalhar.”

“O que você quis dizer com isso? Que eu não tenho trabalho? Só porque me visto como um estudante?”

Qual é a razão da minha implicância com o conceito de “politicamente correto”?

É que, no Brasil, o que era só uma recomendação acabou por se tornar um dogma. Não se pode chamar sequer de religião. Isso porque, apesar de cada uma delas reivindicar exclusividade sobre a palavra divina, todas aceitam coexistir de maneira pacífica. Já os fiéis do “politicamente correto”, não! Eles primam pela intolerância.

Não é porque não se concorda com uma pessoa que se adquire o direito de excomungá-la. A campanha difamatória que alguns órgãos da imprensa fizeram, dias atrás, contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um bom exemplo disso. Tratou-se, a meu ver, de mais um caso de má conduta profissional. Simplesmente lhe atribuíram palavras que não eram dele e foram ao Congresso perguntar a opinião dos inquilinos que lá se encontravam: “Excelência, o que achou de FHC afirmar que não quer mais saber do povão?”.

A resposta era previsível. Já estava implícita na pergunta. Acontece que ele jamais afirmou isso. É incrível que até experientes políticos aliados tenham caído nessa armadilha.

Li e reli várias vezes o longo artigo que ele publicou. O que pude entender é que o que ele pretendeu foi dar um belo pito na oposição: quem a exerce não pode lutar com as mesmas armas que o governo. Vai perder, porque o poder sempre tem os melhores instrumentos. Não se trata de fazer mais, mas de fazer diferente. E FHC apresentou várias sugestões nesse sentido. Em nenhum trecho de seu texto ele afirmou que a população mais carente devia ser deixada de lado. Resumiu-se a recomendar a seu partido que procurasse conhecer melhor o pensamento e os hábitos da nova classe C – ou “novas camadas possuidoras”, no dialeto uspiano.

Mas foi essa a interpretação leviana que os tais “politicamente corretos” da imprensa repassaram ao público. Tentaram induzir a ideia de que o ex-presidente não passa de um “liberal com propensões elitistas”.

Ora, se disserem isso de mim, é verdade! Mas FHC não cabe nesse figurino. Ele é e sempre foi um convicto social-democrata.

Ah, não é correto uma pessoa pública, como Fernando Henrique Cardoso, referir-se ao povo como “povão”? Então, por que nunca protestaram contra as abundantes expressões “politicamente incorretas” de Lula? Como se pertencer ao PT fosse desculpa para alguma coisa…

Ora, pessoal, numa democracia é fundamental que os que estão no governo governem, que os opositores se oponham e que a imprensa noticiosa noticie. Somente assim o “povão” se torna apto a julgar. Embaralhar tudo isso só dá confusão: o discurso dos governistas é de oposição, os oposicionistas não se assumem. E os repórteres distorcem as reportagens.

É por isso que ninguém pode ter o direito de policiar as ideias de ninguém. Abaixo a ditadura! E abaixo o “politicamente correto”, também!