Política – o Baixo Clero e a irresistível ascensão do fascismo de coalizão

Após constituir o apoio popular de conexão direta com a baixa classe média e boa parte da classe trabalhadora, Bolsonaro rompe com o modus operandi da política nacional em que o “baixo-clero” do congresso Nacional era o garantidor inescapável e necessário a qualquer gestão.

Por: Luiz C. Checchia é mestre em Ciências Humanas pela USP

Francis Bacon, Figure with Meat, 1954

A obra principal do fascismo é o aperfeiçoamento e organização do sistema ferroviário. Os comboios agora andam bem e chegam sempre à tabela. Por exemplo, você vive em Milão; seu pai vive em Roma. Os fascistas matam seu pai, mas você tem a certeza que, metendo-se no comboio, chega a tempo para o enterro.
Fernando Pessoa

A ascensão de Jair Bolsonaro inaugura um novo tempo no Brasil, a ascensão do fascismo. Nossa história é a de país que se desenvolve sob diversas formas de autoritarismo, como ditaduras militares, bonapartismos e Estados de exceção. Nada fora do lugar em uma sociedade moderna por fora e profundamente arcaica abaixo da sua superfície, cuja mentalidade colonial é a alma das relações escravocratas e patriarcais que formam nosso cotidiano.

Para manter a estabilidade dessa sociedade tão desigual e violenta, as classes dominantes têm na desmobilização popular o seu instrumento principal. Isso ocorre graças a um forte aparato ideológico que congrega a grande mídia, um sistema educacional historicamente deficitário, baixos investimentos em ensino e pesquisas acadêmicas e a valorização do entretenimento de massa em detrimento do desenvolvimento cultural popular e crítico. Quando esse aparato ideológico é insuficiente contam com o uso de forças repressivas desproporcionais capazes de lançar sem nenhum tipo de constrangimento spray de pimenta nos olhos de professores e professoras que reivindicam pacificamente aumento de salários ou indefesos estudantes secundaristas cujo crime é pedir educação de qualidade. Sejam quais forem os expedientes de controle de ocasião, a experiência autoritária brasileira fez sua história por meio da constante e quase sempre eficiente desmobilização das massas trabalhadoras.

Todavia, Bolsonaro pavimenta um percurso distinto de nossa experiência, buscando na mobilização popular a força de seu autoritarismo. E essa é uma das especificidades do fascismo: enquanto reprime preventivamente seus opositores, seja por ação de suas milícias ou dos aparatos de Estado, ele atua no sentido de mobilizar o máximo possível o apoio popular, inclusive entre amplos setores das classes trabalhadoras. Isso faz com que diferentemente de uma ditadura militar que se organiza por meio de uma burocracia estatal hierarquizada, o fascismo atue por fora das estruturas de Estado, pressionando-as com passeatas e carreatas, marchas, redes sociais e quaisquer outras formas que expressem sua força política. Por isso a agressividade é uma característica sempre presente nas manifestações de massa do fascismo, pois confere intensidade à essa força, amplifica-a deixando claro que é capaz de ir até os limites mais drásticos no embate de vida e morte contra seus inimigos, sem possibilidades de conciliação nem de capitulação. Temos visto isso desde quando Bolsonaro ainda era um possível pré-candidato, um deputado do “baixo-clero” da Câmara Federal que se tornava afamado pelo Brasil por conta de suas aparições polêmicas em programas televisivos.

Àquele tempo, quando percebeu seu potencial eleitoral e iniciou seu périplo de ponta-a-ponta do país fazendo-se cada vez mais notório, o atual presidente brasileiro começou a aglutinar ao seu redor os setores mais conservadores do país, formando um grupo heterogêneo que reúne desde líderes neopentecostais a frequentadores de clube de tiro passando por militares golpistas, monarquistas, teóricos da conspiração, “coronéis” do Brasil profundo e outros mais. Por onde passava, esse grupo se espalhava e se capilarizava, promovendo mobilizações cada vez mais amplas e mais agressivas contra seus alvos principais: a comunidade LGBT, militantes de esquerda, comunistas e socialistas, mulheres, negros, índios, beneficiários de programas sociais e globalistas (seja lá o que isso signifique). Agrediam e bradavam seus discursos que combinam esquizofrenicamente liberalismo, conservadorismo, cristianismo, anticomunismo e patriotismo.

Mobilização popular

Outra especificidade do fascismo é o fato da ampla mobilização popular que promove ter como motor o medo. Não o medo concreto e real de um perigo iminente, mas outro, fictício, voltado aos inimigos imaginários: no caso brasileiro, coisas como “kit gay” e mamadeira em forma de pênis são os mais bizarros, mas certamente não são os únicos fantasmas criados para assombrar e mobilizar as massas populares. É por isso que o meio propício para que o fascismo germine são as crises políticas e econômicas em contextos de fraqueza tanto da esquerda quanto da direita moderada, que não conseguem dar respostas críveis e suficientes ao momento.

Também não é à toa que a classe média, sobretudo seus extratos mais baixos, são o ponto de irradiação desse sentimento: sem a tradição da solidariedade da classe trabalhadora e sem as reservas econômicas da alta burguesia, a pequena classe média isolada em seu individualismo e valores personalistas sente-se como o segmento mais injustiçado em meio às crises, vendo nos grandes capitalistas e nas organizações de esquerda seus principais inimigos. Isso porque crê que as empresas de grande capital aproveitam-se de sua enorme força econômica para competir de forma agressiva e desigual no mercado sufocando o crescimento dos médios e pequenos empreendimentos; já os partidos e sindicatos aproveitam-se de sua força política para opor-lhes a classe trabalhadora exigindo direitos trabalhistas e melhores salários, diminuindo assim seus lucros.

No entanto, destaca-se ainda que os fascistas mantêm suas armas voltadas a outro alvo preferencial: os políticos. Sejam de esquerda ou de direita, os políticos tradicionais e profissionais seriam os aproveitadores da máquina estatal, inchando os impostos para depois estufar os próprios bolsos de dinheiro público seja legislando em causa própria, desviando verbas ou elaborando arranjos corruptos. Fazem toda sorte de acordo entre si, e todas as críticas que possam tecer uns aos outros são falsas, porque, ao final, sentam-se à mesma mesa para combinarem tramoias e engodos contra o povo. Por isso, embora constituam um dos movimentos políticos dos mais fortes e duradouros do século XX e agora entrando pelo XXI, os fascistas se afirmam “não-políticos”, alguns se dizem mesmo “anti-políticos”, concorrendo aos governos quase como um auto-sacrifício necessário e heroico para acabar com a bandidagem ceifando nas raízes a “velha-política”.

Os políticos não-políticos

A aproximação entre Bolsonaro e “baixo-clero” é o enlace de políticos da mesma natureza e substância, mas isso não atenua a concorrência entre ambos. (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Em tempos como o nosso, em que a desconfiança na política se torna a tônica, muitos políticos tentam vestir a máscara de “novo”, apresentando-se distantes da “velha-política” e dizendo-se representar a renovação. Partidos de esquerda ou de direita apresentam candidatos de rostos joviais enquanto destacam a força a juventude. Outros, por falta de candidatos jovens optam por novas denominações, e assim velhas agremiações passaram a ostentar novos nomes, de preferência, sem a palavra “partido”. Mas nenhum deles obteve mais sucesso em apresentar-se como “novo” do que Jair Bolsonaro.

A despeito de seus ininterruptos vinte e oitos anos como deputado federal, um dos mais inexpressivos do “baixo-claro”, conseguiu apresentar-se como um inimigo visceral da “velha política”, alguém que estava lá mas sem ser de lá, e justamente por isso conhecia toda a podridão da política nacional sendo o único capaz de vencê-la. O sucesso de Bolsonaro nessa empreitada está no fato de que, embora outros candidatos tentassem se distanciar da “velha política”, eles ainda estavam submersos até o cocuruto nela. Já Bolsonaro verdadeiramente se distanciou dela, afastou-se de seu partido, buscou uma agremiação menor – o Partido Social Liberal –, para ajustar-se à legislação eleitoral, mas manteve-se atuando em conexão crescente, intensa e direta com a população. O desprezo do presidente com arquitetura institucional do Estado brasileiro é de tal monta que se desligou do partido pelo qual se elegeu com o mesmo desapego que nele entrou.

Acontece que a “velha política” é a mais antiga das instituições brasileiras e a principal forma de agir do chamado “baixo-clero” – também chamado de “centrão” –, nome genérico do grupo de parlamentares que integram partidos sem um verdadeiro programa para o país e que se aproveitam de sua presença no parlamento para garantir que o Estado mantenha a manutenção de seus interesses e privilégios. São políticos sem expressividade nacional, verdadeiros coronéis que ainda mantém currais eleitorais em suas regiões, são como os Magalhães na Bahia, Sarneys no Maranhão, ou Calheiros em Alagoas.

O filósofo político Marcos Nobre decifra em seu livro O Imobilismo em Movimento como o “baixo-clero”, a partir do processo de redemocratização do país, passa a utilizar do conjunto de seus votos no parlamento para formar uma “super maioria” com quem qualquer governo precisa negociar para poder governar. A essa prática Nobre dá o nome de pemedemismo, uma cultura política que se perpetua no parlamento nacional – que se reproduz nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais –, a cada nova legislatura. Os atuais parlamentares, eleitos em 2018, constituem a segunda leva de políticos que se elegem com sólido discurso conservador, prometendo a renovação tanto na Câmara Federal quanto no Senado e combater caninamente a corrupção. Segundo publicação da EBC, em 2014 houve renovação superior a 40% na Câmara Federal, já em 2018, esse índice bate recorde que perdurava mais de duas décadas, com renovação de 52% entre os deputados federais. Muita gente acreditou que o país afastaria de vez a prática do pemedebismo e toda a “velha política” graças à combinação entre expurgos de “velhos políticos”, diminuição do número de parlamentares de esquerda e a defesa intransigente de pautas conservadoras nos costumes e liberais na economia. No entanto, a experiência mostrou que a cultura política viciada nos parlamentos brasileiros é bem mais arraigada do que se acreditou e não bastam discursos histriônicos e fantasias conservadoras para pôr fim aos acordos firmados nos cantos escuros dos corredores e nas mensagens trocadas de WhatsApp.Whatsapp,Tecnologia,Redes Sociais,Internet,Privacidade,BlogdoMesquita

Após constituir o apoio popular de conexão direta com a baixa classe média e boa parte da classe trabalhadora, Bolsonaro rompe com o modus operandi da política nacional em que o “baixo-clero” do congresso Nacional era o garantidor inescapável e necessário a qualquer gestão. Quando o PSDB surgiu no horizonte político brasileiro, se apresentava como um avanço das forças progressistas brasileiras, seria o partido que nos conduziria para uma experiência social-democrática ilustrada, com políticos experientes e cultos, sendo boa parte deles intelectuais renomados. No entanto, para chegar e se manter no governo tiveram que fechar acordos com o antigo Partido Liberal, hoje DEM, desfigurando de cima a baixo o seu ideário partidário. destino semelhante teve o programa-democrático popular do petismo: embora mirasse a formação de uma democracia com amplos espaços de participação popular via com conselhos, orçamentos participativos, fóruns e conferências nacionais, para alçar o governo e lá se manter o Partido dos Trabalhadores também se aliou ao “baixo-clero” até com mais volúpia e sofreguidão que o antecessor governo tucano, já que, enquanto para o “centrão” o PSDB seria um parente rico e esnobe, o PT se afigura como um penetra na festa que lhe traz presentes caros; mas concluída a entrega dos mimos, o centrão o expulsou do salão como a violência que se faz com qualquer intruso.

Bolsonaro e o baixo-clero

Perdida a força popular por conta da necessária prática do isolamento social, e em franca luta com setores da grande mídia, com o STF e o Congresso Nacional, Bolsonaro passou justamente a buscar o apoio mais improvável: o do “baixo-clero”. A primeira ação pública e de impacto dessa aproximação foi a transmissão ao vivo promovida pelo ex-deputado Roberto Jefferson, no dia 19 de abril passado, e retransmitida em tempo real pelo presidente. Raposa velha da política nacional, responsável pela divulgação e integrante do esquema de corrupção que tornou-se conhecido pelo nome de Mensalão, Jefferson mantém a presidência do Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB, que conta atualmente 10 Deputados, e 02 senadores e 31 deputados estaduais em 19 estados da União. Em sua transmissão, o ex-deputado fez veemente defesa do presidente, colocou-se à sua disposição, e garante que é momento de “azeitar os revólveres” na defesa do Brasil que emerge graças ao governo bolsonarista.

A situação é mais complexa do que se aparenta e marca um acirramento do bolsonarismo em sua luta pela hegemonia política nacional. Primeiramente, é preciso considerar que ainda que tenha se afastado do congresso quando iniciou sua campanha eleitoral, Bolsonaro é fruto dele, tem seu DNA. Lembremos que as amarras entre Congresso Nacional e presidência é algo que faz parte da engenharia do Estado brasileiro: qualquer presidente que queira governar precisará, em algum momento, ajustar e ajustar-se a essas amarras que só poderiam ser superadas em definitivo por força de um golpe autoritário ou uma revolução popular.

Bolsonaro elegeu-se afirmando que seu governo é de “transição”, seu objetivo primeiro é reconstruir o Estado nacional, e para isso atua em diversas direções de forma mais rápida e intensa que a própria ditadura empresário-militar de 1964-85: Educação, Cultura, Economia, Relações Internacionais e Direitos Humanos, não há um campo da gestão pública que não esteja sendo redefinido na raiz. É claro que ainda há alguma forma de resistência, muito mais de setores da direita que não se sente contemplado em seu governo ou que ainda guardam respeito a alguma forma de institucionalidade democrática. Por isso, talvez as mudanças em curso pelo atual governo não sejam da forma como queira nem no ritmo que deseje, mas esse projeto mantém firme seu curso. Assim sendo, o fascismo de coalizão inaugurado por Bolsonaro pode ser apenas mais uma etapa em seu processo de formação de um novo Estado brasileiro, conservador, militarizado, ultraliberal e com uma casta de altíssimos funcionários públicos privilegiados destacando-se oficiais militares e magistrados. Pode não ser, como apregoam alguns, o seu enfraquecimento e sim, uma maneira de se fortalecer mais. Lembremos que a construção de uma supermaioria no Congresso seja o instrumento necessário para mais profundas mudanças constitucionais, acentuando a desfiguração pela qual padece nossa Constituição, retirando dela alguns mecanismos de proteção e garantias sociais enquanto centraliza o poder na mão da presidência.

Todavia, se essa aproximação entre Bolsonaro e “baixo-clero” é, por um lado, o enlace de políticos da mesma natureza e substância, ela não necessariamente atenua a concorrência entre ambos. Sendo concorrentes, é evidente que haverá pressões mútuas e o risco de um ser engolido pelo outro: o congresso pode virar o apêndice do bolsonarismo, ou este tornar-se a rainha da Inglaterra de um parlamentarismo branco. Quem devorará e quem será devorado ainda é cedo para se saber. O fato é que o prato principal de ambos continua sendo o povo brasileiro.

Palhaço,Tristeza,Blog do Mesquita 02

Fatos & Fotos – O dia todo sendo atualizado – 22/01/2020

Bom dia.
“O segredo de uma boa velhice nada mais é do que um pacto honesto com a solidão.” Gabriel García Márquez

Design,Veículos,Hot Roads,Blog do Mesquita PL (1) 

Parte significativa dos brasileliros que está inerte?; domada?; catequizada?; doutrinada?, assiste a edificação de uma doutrina que tem como objetivo, à socapa – “bien compris” – cercear a democracia, destruir a pluralidade, o contraditório, a liberdade de expressão e as garantias individuais.

Os fatos nos são mostrados diariamente!
Censura no cinema, nas artes, exposições, cultura popular, imprensa, livros, educação… Só não admite quem está absolutamente marginalizado a tudo isso ou corrobora, por crença ou omissão, com essa forma de governo.
O pior destes hidrófobos é que eles não ligam para a História. Não aprendem nada.
Ainda bem que há os desvairados que combatem essa horda, e que acreditam que é da natureza das coisas a luz vencer a escuridão.

Da série: “Caminhado pela cidade ou A vida como não deveria ser!”


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Segue um aperitivo do que será essa senhora no governo.

Regina Duarte diz que liberdade de expressão “tem que ter limites”Blog do Mesquita,Censura,Constituição Federal (3)


“A pior inimiga do meio ambiente é a pobreza”, disse Paulo Guedes em Davos.

Pobreza,Blog do Mesquita

Vocês prestaram à devida atenção nessa estupidez? Não? Pois então lá vai:
Declaração sem fundamento nenhum e sem provas estatistificas que sustente. Esse alucinado acordou pela manhã e resolveu falar como todos do governo falam para suas ovelhas no Brasil. O problema é que quem estava ouvido vive fora da bolha do mundo da fantasia que eles criaram. Sobre questão ambiental já culparam tantas pessoas que se alguém perguntar para eles quem são os verdadeiros culpados, nem eles sabem mais a reposta. Agora essa de culpar os pobres foi a pior de todas, mesmo por que a maioria dos pobres não tem acesso à terra, vivem da subsistência nas milhares de periferias dos povoados da região norte, com a qualidade de vida muitas vezes desumanas.
Ps. Paulo Guedes responde a três processos na justiça comum por fraude no sistema financeiro com títulos de estatais e por enriquecimento ilícito. Como pode este sujeito ser ministro?

O indiciamento do jornalista Glenn Greenwald, pelo MPFDF, além de ser uma ato descaradamente político, desrespeita a autoridade da medida cautelar concedida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 601, do Supremo Tribunal Federal; pisoteia a liberdade de imprensa; a liberdade de expressão; os direitos fundamentais;afronta o art.5º da Constituição Federal, e é uma, mais uma, ameaça à tíbia democracia brasileira.
É claro o objetivo de depreciar o trabalho jornalístico de divulgação de mensagens realizado pela equipe do The Intercept Brasil em parceria com outros veículos da mídia nacional e estrangeira. Parece-me haver em alguns porões a tentativa de se estabelecer, em Macondo, uma Patocracia.
O jornalista que não se manifestar contra essa violência do Estado, deve repensar seriamente a sua escolha profissional.Censura,Liberdade,Blog do Mesquita 07


Brasil: da série “divagações sobre a história do Brasil, enquanto estou balançando na rede”
Prudente de Moraes — Prudente José de Morais e Barros (Itu, 4 de outubro de 1841 – Piracicaba, 13 de dezembro de 1902) foi um político brasileiro, primeiro governador do estado de São Paulo (1889-1890), senador e terceiro presidente do Brasil e primeiro político civil a assumir este cargo.
Foi, também, o Primeiro Presidente eleito em eleição direta. Governou de 1894 a 1898.
Depois dele só tivemos presidentes imprudentes e imorais.


Bárbara Sotero – LitografiaBarbara Sotero,Artes Plásticas,Gravura,Lithography,ContemporaryArt,FineArt,Engrave,Blog do Mesquita PL

Estamos em um guerra contra a razão e contra a clareza.
Impressiona esse furor atávico de produzir defesa do que não tem acusação. Espinoza, o Baruch, produziu um excelente ensaio sobre o exercício da ideologia na formatação de argumentos.

Um país é reflexo de seu líder, e vice-versa. Se o líder é culto, todos se cultivam, a cultura é valorizada. Se o líder é genial, o povo se faz mais criativo, pois o exemplo estimula. Se o líder é um tosco, os toscos brotão e reproduzem como ratos no esgoto.

Estamos em um guerra contra a razão e contra a clareza.
Impressiona esse furor atávico de produzir defesa do que não tem acusação. Espinoza, o Baruch, produziu um excelente ensaio sobre o exercício da ideologia na formatação de argumentos.
É triste observar o nepotismo, o populismo, a cretinice, a canalhice, a mediocridade que imperam no país nadarem de braçada à nossa frente.
Um país é reflexo de seu líder, e vice-versa. Se o líder é culto, todos se cultivam, a cultura é valorizada. Se o líder é genial, o povo se faz mais criativo, pois o exemplo estimula. Se o líder é um tosco, os toscos brotão e se reproduzirão como ratos no esgoto.Autorretrato,Pessimista,Blog do Mesquita

Palhaço,Tristeza,Blog do Mesquita 02

Fatos & Fotos – O dia todo sendo atualizado – 20/01/2020

Embalando o meio dia desta segunda-feira com Gal Costa “Força Estranha”, de Caetano Veloso


Embalando esta manhã de segunda-feira com Céu & Herbie Hancock “Tempo De Amor”


“Davos verde debate reforma do capitalismo” Hahahahahaha.
Reforma? Hahahahahahahaha.
Reforma do Capitalismo? Hahahahahahahahah.
Hilários esses filhotes de Hayek.
Só muito marafo para ostentar uma alucinação desta.Rodando o globo terresre,Capitalismo,Economia,Humor,Trabalho,Escravos,Blog do Mesquita


Direto da caixa de produzir idiotas

Ana Maria Braga acaba de proferir uma “pérola” na Globo: “O estreito de Gibraltar liga o Oceano Atlântico ao Pacífico!’Certamente ela dirá que o Canal do Panamá liga o Atlântico ao Mar Mediterrâneo’.”
“K-ralho!” “Imprecionante”. Diria o Sinistro da Deseducação
Nem a Roseana Collor com as Pirâmides do Egito em Paris, consegue competir com essa Ana Ameba Praga.

A grande batalha, agora, é entre autoritarismo e democracia

Esquerda e direita já não nos servem. O mundo e seus medos estão revolucionando a linguagem da política

Manifestantes contrários e favoráveis ao Impeachment da presidenta Dilma Rousseff se reúnem para assistir no telão à votação do processo, em 17 de abril de 2016.
Manifestantes contrários e favoráveis ao Impeachment da presidenta Dilma Rousseff se reúnem para assistir no telão à votação do processo, em 17 de abril de 2016.FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM

A linguística se tornou estreita para analisar as convulsões políticas que sacodem o mundo. Os velhos termos “esquerda” e “direita” não nos servem mais. Agora, o debate é entre autoritarismo e democracia. Essa é a grande batalha. Aqui no Brasil e em todo o planeta. Tanto não servem mais os velhos clichês da esquerda e da direita que criamos os termos “extrema esquerda” e “extrema direita”. Dizer que Bolsonaro, Putin ou Trump, por exemplo, são de direita significaria, na prática, fazer-lhes um elogio.

O mundo se dilacera hoje mais entre autoritarismo e democracia. Entre aqueles que lutam para cercear as liberdades individuais e coletivas e a democracia cada vez mais desprezada e ameaçada por nostalgias ditatoriais.

É de esquerda ou de direita o presidente Jair Bolsonaro, que em seus 28 anos como deputado federal quase sempre votou com o Partido dos Trabalhadores, o PT? É nacionalista ou ecumênico? E Lula é de esquerda? Era quando, em seu segundo mandato, quis impor o que chamou de “controle social” dos meios de comunicação com uma cartilha em que uma comissão de fora da mídia deveria atribuir pontos de boa ou má conduta aos jornalistas? É agora que, livre da prisão, busca de novo na sombra conexões com a direita e o centro enquanto o PT sangra?

Bolsonaro é de direita quando ataca o jornal Folha de S.Paulo, ao qual ameaça com sanções? Por que a direita tem que ser contra a liberdade de expressão? Não, Bolsonaro não é de direita ― se fosse, isso não seria um pecado. Ele é um autoritário com nostalgias de velhas ditaduras, paixão pela violência e a tortura e contrário a tudo o que cheire a direitos humanos e liberdades individuais.

Os termos direita e esquerda sempre foram ambíguos, até mesmo na religião. Na Bíblia se diz que Deus colocará “à sua direita” os justos e “à esquerda”, os condenados. Deus é de direita ou de esquerda? Na linguagem popular, quando tudo dá errado dizemos que “levantamos com o pé esquerdo”.

Não, os velhos rótulos do passado não nos servem mais. Hoje, a grande batalha mundial se dá entre o autoritarismo e o respeito à liberdade de expressão e à cultura. Entre o canibalismo político que se nutre de corrupções e privilégios vergonhosos, seja na direita ou na esquerda, e os valores da democracia cada vez mais ameaçada pelas velhas nostalgias nazifascistas.

O mundo hoje está dividido entre a fidelidade aos valores da liberdade, de todas as liberdades que nos permitam viver sem as correntes do autoritarismo que nos sufoca, e os valores que fizeram a humanidade viver em paz. A guerra e suas ditaduras são o autoritarismo em estado puro. É o ápice da tirania incensada no altar das falsas liberdades.

Que os termos direita e esquerda não nos servem mais para definir políticas concretas está cada vez mais evidente no mundo. Hoje, uma onda de autoritarismo, de negação dos direitos fundamentais, de obsessão contra as liberdades humanas que distinguem o ser racional, atravessa o planeta. Os analistas internacionais quebram a cabeça para tentar entender esse novo fenômeno que percorre o planeta e convulsiona até a velha e moderna Europa, sede dos esplendores do Renascimento.

Talvez seja preciso voltar a Freud, que analisou como poucos a necessidade que o ser humano, frágil e com medo de suas pulsões de morte, tem de segurança e de ordem. O pai da psicanálise nos explicou que a insegurança do ser humano e seus medos ancestrais fazem com que em tempos de turbulência e perda de identidade, como os que estamos vivendo, recorramos à figura paterna e autoritária, que nos oferece segurança.

Todas as grandes neuroses pessoais ou coletivas, as depressões em massa que sacodem todos os continentes, os medos da liberdade e dos diferentes derivam dessa insegurança inata do Homo sapiens, que se debate entre a nostalgia da liberdade perdida no paraíso e o medo da solidão radical, algo que projetamos diante de todos os diferentes, vistos como inimigos.

Mais que entre direita e esquerda, que já pouco significam, o mundo hoje se divide entre os anseios de liberdade, que são a essência da vida pessoal e coletiva, e os medos do autoritarismo castrador que nos corta as asas e nos impede de respirar o ar da liberdade.

Hoje o mundo está cada vez mais dividido de norte a sul e de leste a oeste entre os que, garroteados pelo medo, tentam erguer muros que nos separem, e os que, em nome da liberdade, que é o cerne da existência, preferem eliminar fronteiras.

Parece que estamos diante das velhas guerras ideológicas entre liberdade e escravidão, entre os que preferem viver em liberdade, embora ameaçados, do que em uma escravidão que nos oferece a miragem da segurança. Quem vencerá a batalha entre o autoritarismo que se impõe como um novo dogma e a democracia, que é o espelho dos anseios mais profundos do ser humano criado para cuidar do mundo e não para prostituí-lo?

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Brasil vive um clima de pré-nazismo enquanto a oposição emudece

O silêncio dos que deveriam defender a democracia pode acabar deixando o caminho aberto aos autoritários, que se sentem ainda mais fortes diante de tais silêncios

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Manifestante em protesto contra o presidente em São Paulo no dia 13 de agosto. AMANDA PEROBELLI (REUTERS)

O Brasil está vivendo, segundo analistas nacionais e internacionais, um clima político de pré-nazismo, enquanto a oposição progressista e democrática brasileira parece muda. Somente nos últimos 30 dias, de acordo com reportagem do jornal O Globo, o presidente Jair Bolsonaro proferiu 58 insultos dirigidos a 55 alvos diferentes da sociedade, dos políticos e partidos, das instituições, da imprensa e da cultura.

E à oposição ensimesmada, que pensa que o melhor é deixar que o presidente extremista se desgaste por si mesmo, ele acaba de lhes responder que “quem manda no Brasil” é ele e, mais do que se desfazer, cresce cada dia mais e nem os militares parecem capazes de parar seus desacatos às instituições.

Há quem acredite que o Brasil vive um clima de pré-fascismo, mas os historiadores dos movimentos autoritários preferem analisá-lo à luz do nazismo de Hitler. Lembram que o fascismo se apresentou no começo como um movimento para modernizar uma Itália empobrecida e fechada ao mundo. De modo que uma figura como Marinetti, autor do movimento futurista, acabou se transformando em um fervoroso seguidor de Mussolini que terminou por arrastar seu país à guerra.

O nazismo foi outra coisa. Foi um movimento de purga para tornar a Alemanha uma raça pura. Assim sobraram todos os diferentes, estrangeiros e indesejados, começando pelos judeus e os portadores de defeitos físicos que prejudicavam a raça. De modo que o nazismo se associa ao lúgubre vocábulo “deportação”, que evoca os trens do horror de homens, mulheres e crianças amontoados como animais a caminho dos campos de extermínio.

Talvez a lúgubre recordação de minha visita em junho de 1979 ao campo de concentração de Auschwitz com o papa João Paulo II tenha me feito ler com terror a palavra “deportação” usada em um decreto do ministro da Justiça de Bolsonaro, o ex-juiz Sérgio Moro, em que ele defenda que sejam “deportados” do Brasil os estrangeiros considerados perigosos.

Bolsonaro, em seus poucos meses de Governo, já deixou claro que em sua política de extrema direita, autoritária e com contornos nazistas, cabem somente os que se submetem às suas ordens. Todos os outros atrapalham. Para ele, por exemplo, todos os tachados de esquerda seriam os novos judeus que deveriam ser exterminados, começando por retirá-los dos postos que ocupam na administração pública. Seu guru intelectual, Olavo de Carvalho, chegou a dizer que durante a ditadura 30.000 comunistas deveriam ter sido mortos e o presidente não teve uma palavra de repulsa. Ele mesmo já disse durante a campanha eleitoral que com ele as pessoas de esquerda deveriam se exilar ou acabariam na cadeia.

Inimigo dos defensores dos direitos humanos, dos quais o governador do Rio, Witzel, no mais puro espírito bolsonarista, chegou a afirmar que são os culpados pelas mortes violentas nas favelas, Bolsonaro mal suporta os diferentes como os indígenas, os homossexuais, os pacíficos que ousam lhe criticar. Odeia todos aqueles que não pensam como ele e, ao estilo dos melhores ditadores, é inimigo declarado da imprensa e da informação livre.

Sem dúvida, o Presidente tem o direito de dizer que foi escolhido nas urnas com 53% dos votos, que significaram 57 milhões de eleitores. Nesse sentido o problema não é seu. Os que votaram nele sabiam o que pensava, ainda que talvez considerassem seus desatinos de campanha como inócuos e puramente eleitoreiros. O problema, agora que se sabe a que ele veio, e que se permite insultar impunemente gregos e troianos começando pelas instituições bases da democracia, mais do que seu, é da oposição.

Essa oposição, que está muda e parece impotente e distraída, demonstra esquecer a lição da história. Em todos os movimentos autoritários do passado moderno, os grandes sacerdotes da violência começaram sendo vistos como algo inócuo. Como simples fanfarrões que ficariam somente nas palavras. Não foi assim e diante da indiferença, quando não da cumplicidade da oposição, acabaram criando holocaustos e milhões de mortos, de uma e outra vertente ideológica.

Somente os valores democráticos, a liberdade de expressão, o respeito às minorias e aos diferentes, principalmente dos mais frágeis, sempre salvaram o mundo das novas barbáries. De modo que o silêncio dos que deveriam defender a democracia pode acabar deixando o caminho aberto aos autoritários, que se sentem ainda mais fortes diante de tais silêncios.

Nunca existiram democracias sólidas, capazes de fazer frente aos arroubos autoritários, sem uma oposição igualmente séria e forte, que detenha na raiz as tentações autoritárias. Há países nos quais assim que se cria um governo oficial, imediatamente a oposição cria um governo fictício paralelo, com os mesmos ministros, encarregados de vigiar e controlar que os novos governantes sejam fieis ao que prometeram em suas campanhas e, principalmente, que não se desviem dos valores democráticos. Sem oposição, até os melhores governos acabarão prevaricando. E o grande erro das oposições, como vimos outras vezes também no Brasil, foi esperar que um presidente que começa a prevaricar e se corromper se enfraqueça sozinho. Ocorrerá o contrário. Crescerá em seu autoritarismo e quando a oposição adormecida perceber, estará derrotada e encurralada.

Nunca em muitos anos a imagem do Brasil no mundo esteve tão deteriorada e causando tantas preocupações como com essa presidência de extrema direita que parece um vendaval que está levando pelos ares as melhores essências de um povo que sempre foi amado e respeitado fora de suas fronteiras. Hoje no exterior não existe somente apreensão sobre o destino desse continente brasileiro, há também um medo real de que possa entrar em um túnel antidemocrático e de caça às bruxas que pode condicionar gravemente seu futuro. E já se fala de possíveis sanções ao Brasil por parte da Europa, em relação ao anunciado ataque ao santuário da Amazônia.

O Brasil foi forjado e misturado com o sangue de meio mundo que o fizeram mais rico e livre. Querer ressuscitar das tumbas as essências de morte do nazismo e fascismo, com a vã tentativa da busca da essência e pureza da brasilidade é uma tarefa inútil. Seria a busca de uma pureza que jamais poderá existir em um país tão rico em sua multiplicidade étnica, cultural e religiosa. Seria, além de uma quimera, um crime.

Urge que a oposição democrática e progressista brasileira desperte para colocar um freio nessa loucura que estamos vivendo e que os psicanalistas confirmam que está criando tantas vítimas de depressão ao sentirem-se esmagadas por um clima de medo e de quebra de valores que a nova força política realiza impunemente. Que a oposição se enrole em suas pequenezas partidárias e lute para ver quem vai liderar a oposição em um momento tão grave, além de mesquinho e perigoso é pueril e provinciano.

Há momentos na história de um país em que se os que deveriam defender os princípios da liberdade e da igualdade cruzam os braços diante da chegada da tirania, incapazes até de denunciá-la, amanhã pode ser tarde demais. E então de nada servirá chorar diante dos túmulos dos inocentes.

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Yuval Noah Harari contra o ultranacionalismo

Leia trecho do livro ’21 lições para o século 21′ em que o historiador israelense reflete sobre os atuais riscos do nacionalismo.

Manifestantes anti e pró saída do Reino Unido da União Europeia discutem fora do parlamento britânico.
Manifestantes anti e pró saída do Reino Unido da União Europeia discutem fora do parlamento britânico. JACK TAYLOR (GETTY IMAGES)

Nacionalismo

Problemas globais exigem respostas globais

Dado que o gênero humano constitui agora uma única civilização, todos os povos compartilhando desafios e oportunidades comuns, por que britânicos, americanos, russos e diversos outros grupos voltam‐se para o isolamento nacionalista? Será que o retorno ao nacionalismo oferece soluções reais para os problemas inéditos de nosso mundo global, ou é uma indulgência escapista que pode condenar o gênero humano e a biosfera à catástrofe?

Para responder a essa pergunta devemos primeiro dissipar um mito muito difundido. Ao contrário do que diz o senso comum, o nacionalismo não é inato à psique humana e não tem raízes biológicas. É verdade que os humanos são animais integralmente sociais, e a lealdade ao grupo está impressa em seus genes. No entanto, por centenas de milhares de anos o Homo sapiens e seus ancestrais hominídeos viveram em comunidades pequenas e íntimas, com não mais que algumas dezenas de pessoas. Humanos desenvolvem facilmente lealdade a grupos pequenos e íntimos como a tribo, um batalhão de infantaria ou um negócio familiar, mas a lealdade a milhões de pessoas totalmente estranhas não é natural para humanos. Essas lealdades em massa só apareceram nos últimos poucos milhares de anos — em termos evolutivos, ontem de manhã — e exigem imensos esforços de construção social.

As pessoas se deram ao trabalho de construir coletividades nacionais porque se confrontavam com desafios que não podiam ser resolvidos por uma única tribo. Tomem‐se, por exemplo, as antigas tribos que viviam ao longo do rio Nilo milhares de anos atrás. O rio era sua força vital. Ele irrigava os campos e transportava o comércio. Mas era um aliado imprevisível. Se havia pouca chuva, as pessoas morriam de fome; se havia chuva demais, o rio transbordava e destruía aldeias inteiras. Nenhuma tribo poderia resolver sozinha seus problemas, porque cada tribo só dominava uma pequena seção do rio e não poderia mobilizar mais do que poucas centenas de trabalhadores. Somente um esforço comum para construir enormes barragens e cavar centenas de quilômetros de canais poderia conter e controlar o poderoso rio. Esse foi um dos motivos pelos quais as tribos aos poucos coalesceram numa única nação que teve o poder de construir barragens e canais, regular o fluxo do rio, construir reservatórios de grãos para os anos magros e estabelecer um sistema de transporte e comunicação abrangendo todo o país.

Apesar dessas vantagens, transformar tribos e clãs em uma única nação nunca foi fácil, em tempos passados ou hoje em dia. Para se dar conta de como é difícil identificar‐se com essa nação, você só precisa se perguntar: “Eu conheço essas pessoas?”. Sei o nome de minhas duas irmãs e de meus onze primos, e sou capaz de falar um dia inteiro sobre suas personalidades, seus caprichos e seus relacionamentos. Não sei o nome das 8 milhões de pessoas que compartilham comigo a cidadania israelense, nunca me encontrei com a maioria delas, e é muito pouco provável que as encontre no futuro. Minha capacidade de, apesar disso, sentir que sou leal a essa massa nebulosa não é um legado de meus ancestrais caçadores‐coletores, e sim um milagre da história recente. Um biólogo marciano que conhecesse apenas a anatomia e a evolução do Homo sapiens seria incapaz de adivinhar que esses macacos são capazes de desenvolver laços comunitários com milhões de estranhos. Para convencer‐me a ser leal a “Israel” e seus 8 milhões de habitantes, o movimento sionista e o Estado israelense tiveram de criar um gigantesco aparelho de educação, propaganda e patriotismo, assim como sistemas nacionais de segurança, saúde e bem‐estar social.

Isso não quer dizer que haja algo de errado com vínculos nacionais. Sistemas imensos não são capazes de funcionar sem lealdades de massa, e expandir o círculo de empatia humana tem seus méritos. As formas mais amenas de patriotismo têm estado entre as mais benevolentes criações humanas. Acreditar que minha nação é única, que ela merece minha lealdade e que eu tenho obrigações especiais com seus membros inspira‐me a me importar com os outros e a fazer sacrifícios por eles. É perigoso acreditar que sem nacionalismos estaríamos todos vivendo em paraísos liberais. Mais provavelmente, estaríamos vivendo num caos tribal. Países pacíficos, prósperos e liberais, como a Suécia, a Alemanha e a Suíça, cultivam todos um forte senso de nacionalismo. A lista de países aos quais faltam ligações nacionais robustas inclui o Afeganistão, a Somália, o Congo e muitos outros Estados falidos.

O problema começa quando o patriotismo benigno se transforma em ultranacionalismo chauvinista. Em vez de acreditar que minha nação é única — o que é verdadeiro para todas as nações —, eu poderia começar a sentir que minha nação é suprema, que devo a ela toda a minha lealdade e que não tenho obrigações relevantes com mais ninguém. Esse é um terreno fértil para conflitos violentos. Durante gerações a crítica mais básica ao nacionalismo era que ele levava à guerra. Mas a constatação de que havia relação entre nacionalismo e violência dificilmente era capaz de conter os excessos nacionalistas, particularmente quando toda nação justificava sua própria expansão militar alegando a necessidade de se proteger contra as armações de seus vizinhos. Enquanto a nação provia a maior parte de seus cidadãos com níveis inéditos de segurança e prosperidade, eles estavam dispostos a pagar o preço com sangue. No século XIX e início do século XX esse compromisso nacionalista ainda parecia muito atraente. Embora o nacionalismo estivesse levando a terríveis conflitos numa escala sem precedente, os Estados‐nação modernos também construíam sistemas robustos de saúde, educação e bem‐estar social. Os serviços nacionais de saúde faziam com que as batalhas de Ipres e de Verdun parecessem ter valido a pena.

Tudo mudou em 1945. A invenção de armas nucleares abalou fortemente o equilíbrio do arranjo nacionalista. Depois de Hiroshima, as pessoas não temiam que o nacionalismo pudesse levar meramente à guerra — começaram a temer que levaria a uma guerra nuclear. A aniquilação total serviu para aguçar a mente das pessoas, e graças, não em pequena medida, à bomba atômica, o impossível aconteceu e o gênio do nacionalismo foi espremido, ao menos em parte, de volta para sua garrafa. Assim como os antigos aldeões da bacia do Nilo redirecionaram parte de sua lealdade dos clãs locais para um reino muito maior capaz de conter o perigoso rio, na era nuclear uma comunidade global aos poucos se desenvolveu além e acima das várias nações, porque somente uma comunidade desse tipo seria capaz de conter o demônio nuclear.

Na campanha presidencial de 1964, Lyndon B. Johnson pôs no ar o famoso “anúncio da margarida”, uma das mais bem‐sucedidas peças de propaganda nos anais da televisão. O anúncio começa com uma garotinha colhendo e contando as pétalas de uma margarida, mas quando chega a dez uma voz metálica assume a contagem regressiva, de dez a zero, como num lançamento de míssil. Ao chegar a zero o clarão de uma explosão nuclear enche a tela, e o candidato Johnson dirige‐se ao público americano e diz: “É isto que está em jogo. Criar um mundo no qual todos os filhos de Deus podem viver ou entrar na escuridão. Devemos ou amar uns aos outros ou morrer”. Tendemos a associar o mote “faça amor, não faça guerra” à contracultura do final da década de 1960, mas na verdade já em 1964 era consenso até mesmo entre políticos durões como Johnson.

Consequentemente, durante a Guerra Fria o nacionalismo cedeu lugar a uma abordagem mais global da política internacional, e quando a Guerra Fria acabou a globalização parecia ser a irresistível onda do futuro. Esperava‐se que o gênero humano abandonasse a política nacionalista, como se fosse uma relíquia de tempos mais primitivos que atrairia no máximo os mal informados habitantes de alguns países subdesenvolvidos. Acontecimentos em anos recentes provaram, no entanto, que o nacionalismo ainda é capaz de seduzir até mesmo cidadãos da Europa e dos Estados Unidos, mais ainda da Rússia, da Índia e da China. Alienadas pelas forças impessoais do capitalismo global, e temendo pelo destino de seus sistemas nacionais de saúde, educação e bem‐estar social, pessoas em todo o mundo vão buscar conforto e sentido no seio da nação.

Porém a questão levantada por Johnson no anúncio da margarida é ainda mais pertinente hoje em dia do que em 1964. Vamos criar um mundo no qual todos os humanos possam viver juntos ou vamos entrar na escuridão? Donald Trump, Theresa May, Vladimir Putin, Narendra Modi e seus colegas serão capazes de salvar o mundo apelando para nossos sentimentos nacionais, ou será a atual torrente nacionalista uma forma de evadir o intratável problema global que enfrentamos?

Yuval Noah Harari é historiador e autor, entre outros livros, de Sapiens – Uma breve história da humanidade (L&PM). O trecho acima foi extraído de 21 lições para o século 21 (Companhia das Letras).

Economia,Blog-do-Mesquita,Bancos,Finanças 02

E viva a farofa do capitalismo anárquico.

marxadam-smithblog-do-mesquitaEu só não concordo 100% é com essa estória de direita X esquerda

Esse paradigma, posto e martelado diuturnamente pela “grande mídia” da dicotomia conservadores X liberais, esquerda X direita, já está ultrapassado de há muito.

Os libertários não são liberais. Os libertários defendem os direitos individuais, e a liberdade individual (liberty); e defedem os princípios pregados pelos pais fundadores dos EUA, que criaram a Constituição americana que é toda baseada nas liberdades individuais. Já os globalistas, a maioria sem o saber, defendem essas politicas globalistas que irão culminar com um governo global totalitário. Esse é o objetivo final: uma ditadura global tecnocrata.

O Trumpete, por exemplo, não é direita. E ele nem é republicano também, apesar de ter sido eleito pelo partido.

Ele é libertário (libertarian). A maior parte do eleitorado dele se intitula libertário e patriotas. Libertário é diferente de liberal.

Na verdade, toda a cúpula do partido republicano boicotou a candidatura do Trumpete. Ele se candidadou na marra mesmo contra tudo e contra todos.

Por exemplo; o partido republicano gastou zero dólares no financiamento de ‘advertisement’ na camapanha do Trumpete; e foi a primeira vez que isso aconteceu.

Deem uma olhada no ‘feed’ no Twitter do Paul Watson Eu sempre entro no ‘feed” dele no Twitter. Ele trabalha pro site infowars (ponto com) e tem um site também, o prisonplanet (ponto com).

O cara tem mais de 600mil seguidores no Twitter. Tem mais de 20 milhões de visualizações no Twitter dele por mês. O cara tem mais audiência do que a CNN, ABC, NBC e CBS somados. Hahahaha.

E tem mais; há um punhado de garotos que também estão ganhando popularidade, mas que têm trabalhado nas redes sociais desde os anos 2000. São os “youtubers”.

Agora eles explodiram e tomaram toda a audiência, porque o público está faminto pela verdade, e essa mídia alternativa é que mostra as notícias que realmente importam.

Por isso que eu sempre escrevo que a mídia tradicional morreu, e a audiência está toda na mídia alternativa: zerohedge, infowars, prisonplanet, breitbart, milo yiannopoulos, etc, etc, etc.

Há o Milo que é o editor do breitbart. E ele é homosexual, e ai não dá nem pros esquerdopatas o chamarem de homofóbico.

Há uma entrevista recente dele para a BBC que ele destruiu o entrevistador.

O Paul Joseph Watson foi convidado também para uma entrevista na BBC, porque ele teve uma influência enorme nas eleições, mas ele rejeitou.
Disse que não iria e mandou a BBC &%*$&/#.

Chomsky e governantes

Em filme, Chomsky explica como governantes passam por cima de direitos

Foto: A Requiem for the American Dream

O que é uma situação muito parecida como a que vivemos no Brasil, um dos intelectuais mais importantes do século XX explica em documentário como governantes iguais aos que temos, utilizam da máquina do Estado para enfraquecer direitos trabalhistas, sem qualquer resistência dos trabalhadores.

Noam Chomsky é linguista e considerado um dos maiores intelectuais do século XX. Mas como relata no documentário A Requiem for the American Dream, ele não foi capaz de desvendar a resposta dos governantes e empresários contra a onda democratizante dos anos 60.

Assista ao oitavo tópico do documentário legendado:

Para assistir o documentário completo, basta acessar o Netflix, disponível com legendas em português.

E essa resposta drástica dura até os dias de hoje.

Divido em dez princípios, o documentário mostra em seu oitavo tópico como os governantes conseguem “manter a ralé na linha”. Ou seja, como 1% da população controla os direitos dos demais 99% da sociedade, para impedir avanços trabalhistas e conquistas.

Na realidade, o discurso de Chomsky no filme se parece com um modelo pré-moldado pela maioria dos países que hoje passam por crises de austeridade, onde a economia já não parece mais sustentável, e a única forma de “solucionar” tal situação seria passando por cima da classe trabalhadora e da população em geral — principalmente a marginalizada.

Trata-se da mesma lógica apresentada recentemente pelos políticos no Brasil.

Nesta parte do documentário, Chomsky cita a importância dos sindicatos trabalhistas na luta por direitos e igualdade ao redor do mundo — apesar de suas diversas falhas. Por exemplo, o fato dos Estados Unidos não contarem com sindicatos fortalecidos e regulamentados, o que implicou na grande perda de trabalhos na Indústria, que até os anos 70 se consolidava como a maior força econômica do país, sendo ultrapassada pelos “bancos de investimento” posteriormente — o que explica o aumento do desemprego e a precarização de cidades ao redor do país.

“Um dos motivos principais dos ataques concentrados, quase fanáticos, a sindicatos e movimentos trabalhistas, é que eles são uma força democratizante”, diz o linguista. No Brasil, com projetos como a PEC 241, a Reforma Trabalhista e da Previdência, além da ampliação da terceirização, os principais atingidos são os sindicatos - e claro, a própria classe trabalhadora.

Segundo Chomsky, o início do movimento trabalhista nos Estados Unidos em meados dos anos 30 “aterrorizou os empresários”: “A imprensa comercial falava, em meados dos anos 30, sobre o ‘perigo que ameaçava os industrialistas’ e o ‘crescente poder político das massas’, que tinha de ser reprimido”.

Algo parecido com o lobby praticado pelos grandes meios de comunicação, que fazem pressão atualmente no Brasil em defesa das reformas, como uma forma de “estancar a crise”, ou seja, algo que inicialmente pode atingir negativamente a maior parcela da população, mas que seria necessário para o país voltar a crescer.

O linguista ainda retrata como é uma sociedade despolitizada entre a classe trabalhadora, como se tornou os Estados Unidos após a “financeirização” de sua economia: “Agora, se você tem uma posição de poder, é melhor manter sua consciência de classe para você, e eliminá-la em todos os outros locais”.

Algo parecido com o objetivo dos setores mais conservadores em aprovar nacionalmente o projeto Escola sem Partido, que visa limitar a discussão política e ideológica nas salas de aula.

Agência Democratize

Impunidade,Brasil,Justiça,Blog do Mesquita

Impunidade dos poderosos no Brasil

Parece haver um acordo, velado, entre a sociedade brasileira e a impunidade.

Até o mais ingênuo cidadão já sabe que o Estado, em todas suas instâncias, somente se move quando pressionado pela sociedade.

Mas, parece não haver interesse, à maioria dessa mesma sociedade, em que a mão pesada da justiça desça sobre os maus feitos de certo estrato social.E o que é mais maléfico: o conjunto da elite assimila a convivência social com esses indivíduos que têm os costados na ilegalidade, seja por interesse corporativo, seja pela possibilidade de visualizar vantagens futuras.

A cobrança veemente da ação punitiva do Estado se materializa somente em relação à raia miúda.

Quanto às ilegalidades que acontecem na estratosfera do tecido social, a indignação da sociedade estaciona somente na indignação.
O Editor
Ps. Mário Quintana, o excepcional poeta tem um poema, no qual expressa em um verso: ” …perdoar primeiro, julgar depois…”
Quintana, a meu ver, poetisa o impensável. Moralmente, em benefício da sociedade, “perdoar primeiro e julgar depois” é um dano ao tecido social, e uma “boutade” fruto da alma generosa do poeta. Que não se condene antes de julgar é justo.


Uma das características mais interessantes do Brasil é a impunidade dos poderosos, seja no sentido político, econômico ou social.

Como todos sabem, o problema da impunidade começa na base, ou seja, na Polícia, seja de que tipo for, e no Ministério Público. Os inquéritos demoram a ser abertos, as investigações não andam. Quando acontece de um inquérito chegar ao fim, por coincidência sempre existem brechas para os advogados de defesa trafegarem à vontade.

Em 2004, foi divulgado um vídeo no qual o petista Waldomiro Diniz, encarregado do relacionamento entre a chefia da Casa Civil do presidente Lula e o Congresso Nacional, achacava um empresário da jogatina, Carlinhos Cachoeira, para financiar campanhas nas eleições estaduais de 2002. Os beneficiários seriam Rosinha Matheus, que na época estava no PMDB, Benedita da Silva, do PT; e Geraldo Magela, também do PT.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

É justamente por isso que se pode dizer que no Brasil, sem a menor dúvida, os escândalos hoje são virtuais. Circulam na internet, são publicados em jornais e revistas, aparecem nos noticiários do rádio e da televisão. E fica nisso. A perda do cargo tem sido, quase invariavelmente, a única punição aplicada aos corruptos.

Portanto, fica patente que não há vontade política ou administrativa para punir corrupção no país. Se corrupção fosse considerado crime grave, como ocorre na China e em outros países, a situação seria outra. Mas no Brasil, salvo as raríssimas honrosas exceções, os poderosos não são punidos. A começar pelos próprios magistrados.

Quase invariavelmente, juiz corrupto não é recebe condenação. O máximo que lhe acontece é ser premiado com aposentadoria antecipada, mas com salários integrais e o direito de seguir trabalhando como advogado e exercendo tráfico de influência nos tribunais. “E la nave va, fellinianamente,” com o país crescendo somente à noite, quando os políticos e governantes estão dormindo e não conseguem atrapalhar.