O “imbroglio” da biografia de Zé Dirceu

Mentiroso Blog do MesquitaCada vez fica mais difícil dar crédito à mídia tradicional, seus “jornalões” e revistas semanais, de todas as cores e ideologias.

Pelo mesmo ralo escoam a veracidade de artigos, ensaios e biografias escritas com nítido viés de parcialidades. Como pode um pretenso escritor gestar uma biografia só ouvindo adversários do biografado?

De onde surgiu esse marketing de “biografia não autorizada”? Não há censura no Brasil. Quem quiser escreve o que quiser sobre quem quiser com ou sem autorização. Os possíveis crimes cometidos na obra contra a honra do biografado – mesmo morto à propriedade da honra passa para os herdeiros – têm previsão de sanção no Código Penal, e reparação por danos morais no âmbito do Direito Civil.

Deveria receber título de leitor desvairado quem perder tempo pra ler biografia desse panaca.

Toda essa controvérsia só beneficiará Zé Dirceu, pois estará lançada uma sombra de desconfiança sobre toda a veracidade do conteúdo da tal “biografia não autorizada”.
[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Quanto à biografia, é fato acadêmico que qualquer estudo compilado a partir de 63 depoimentos não é aceito nem para o Enem.

Uma testemunha “ouvida”, a jornalista Mônica Bergamo colunista da Folha de São Paulo, e profissional de imprensa mais influente do País, nega que tenha sido ouvida:
“Otávio Cabral, de Veja, diz que entrevistou 63 pessoas. Não me entrevistou. E deu uma informação completamente errada citando meu nome”.

Aguardemos demais depoimentos que foram usados para compor essa desonestidade intelectual.

Agora a Revista Veja vem com destaque de capa matéria sobre uma biografia não autorizada sobre o nefando Zé Dirceu.

Tipo de matéria que pode ser um tiro no pé, vitimizando Dirceu. Uma biografia que só tem depoimentos de opositores do biografado, sempre irá provocar dúvidas quanto à isenção do autor.

A Revista Veja continua a cruzada para derrubar o governo e colocar Zé Dirceu na prisão. Sem análise de mérito, fica a pergunta: quando o pasquim dos Civitas de forma isonômica moverá todo seu aparato de matérias em “off” e seu denuncismo espetaculoso para vociferar pela prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira e permitirá que seu editor Policarpo Jr. apresente a tal da fita do caso Demóstenes Torres?

Cachoeira diz que vai colocar a boca no trombone

Impressionante como tudo parece modismo na taba dos Tupiniquins.

Agora todo e qualquer malfeitor – Cachoeira, Marcos Valério… – têm algo a dizer sobre a sujeira sob os tapetes da política brasileira.

Mas nenhum fala nada dos corruptores. Parece até que todo esse ervanário caiu de paraquedas no bolso dos políticos.

Simultaneamente, como que por milagre, alguns nominhos fatos e versões quase não se houve o sussurro nas sarjetas – Perillo, Policarpo Jr, Azeredo, Arruda, a pasta rosa, a fita da Veja, o grampo Gilmar Mendes X Demóstenes Torres…

Apesar das denúncias do Senado Fernando Collor, não percebo nenhum movimento do neopaladino da moralidade brasileira para investigar as relações do procurador Roberto Gurgel com a revista Veja.

Se essa Cachoeira desaguar, o PSDB e demais partidos correm o risco de afogamento.
José Mesquita – Editor


Cachoeira ameaça: “Sou o Garganta Profunda do PT”

Enigmático, contraventor deixa prisão em Goiânia dizendo que revelará tudo que sabe “amanhã”, após conversar com seu advogado.

Ele também prometeu revelações sobre a Delta.

“Vou falar de alguns personagens que a Delta tem participado da vida deles (sic). Esses personagens estão na CPI”, disparou[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O contraventor Carlinhos Cachoeira adotou um tom enigmático e ameaçou fazer revelações bombásticas ainda esta semana ao deixar a prisão em Goiânia por volta das 18h50 desta terça-feira.

De dentro do carro, em rápido contato com os jornalistas, disse que é o “Garganta profunda do PT”.

Ele também afirmou que vai falar quem está envolvido em negócios da Delta. A informação é do jornal O Popular, de Goiânia.

Garganta profunda é como ficou conhecido um informante do jornal The Washington Post na década de 70 no escândalo de Watergate que acabou derrubando o presidente dos EUA Richard Nixon.

Posteriormente foi revelado que o tal “Garganta Profunda” era o então vice-presidente do FBI W. Mark Felt.

Cachoeira tinha um sorriso meio amarrado no rosto e disse que a justiça foi feita. Sua liberação foi concedida pelo desembargador federal Tourinho Neto.

“Justiça foi feita né… este processo vai ser trancado, pois as provas foram colhidas ilegalmente”, disse Cachoeira.
Brasil247

CPI do Cachoeira: a vitória da canalha

Leio estarrecido o vergonhoso, imoral, lastimável, corrupto, venal e demais adjetivos qualificativos depreciativos o relatório final da CPMI do Cachoeira.

A oposição também não tem interesse que ilustres, mas opacas, personagens fosse ouvidas, pois desmascarariam factoides plantados na mídia pelos tucanos e associados.

Exemplo: por que não houve desdobramentos do alardeado ‘grampo’ telefônico entre o ministro Gilmar Mendes e o cachoeirento Demóstenes Torres?

Teria que ser apurado! Afinal grampear as ligações telefônicas de um ministro do supremo é da maior gravidade. Ou não?

José Mesquita – Editor


O alto preço da covardia

O deputado Odair Cunha, relator da CPI do Cachoeira, é mineiro, mas nunca deve ter ouvido um velho ditado rural: onde passa um boi, passa uma boiada.

Cunha acabou atropelado por sua tibieza, associada à covardia da maioria da bancada petista na Câmara.

Acuado pelas críticas da oposição e, principalmente, pelas ameaças nos editoriais e colunas dos meios de comunicação, irmanados na defesa corporativa de um jornalista metido até o pescoço com o crime organizado, o parlamentar cedeu.[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

E pode pagar mais caro do que imaginava.

Na terça-feira 27, em nome da suposta busca de um consenso que permitisse a aprovação de seu relatório, Cunha aceitou a exclusão do texto das menções e pedidos de indiciamento de jornalistas envolvidos com o esquema.

Dessa forma, o diretor da sucursal de Brasília da revista Veja, Policarpo Jr., que entre outras solicitou aos arapongas a serviço de Cachoeira grampos ilegais de um parlamentar, não será obrigado a explicar suas relações incomuns e fora de qualquer parâmetro jornalístico com uma quadrilha de malfeitores.

Também sairá imune o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusado de prevaricação ao ter engavetado por um longo tempo as investigações contra o ex-senador Demóstenes Torres, um fiel serviçal do bicheiro.

Se imaginava aplacar os ânimos da oposição e de uma parte da bancada governista, o relator se enganou.

Diante do recuo, o PSDB sentiu-se fortalecido e decidiu batalhar pela exclusão do pedido de indiciamento do governador goiano Marconi Perillo, chefe de uma administração na qual Cachoeira tinha livre trânsito e poder desmedido.

E uma porção do PMDB trabalha para que também fique de fora a construtora Delta, maior beneficiária dos serviços da quadrilha. O objetivo é evitar que futuras investigações alcancem Sergio Cabral, governador do Rio de Janeiro e amigo de “baladas” de Fernando Cavendish, dono da empresa.

E há quem no Congresso fale na rejeição total do texto de Cunha, apesar da exclusão de longos trechos do relatório.
Leandro Fortes/Carta Capital

 

Mensalão: e o dos tucanos?

O STF, no meu entendimento, ao condenar os parlamentares acusados no processo do chamado “mensalão”, reconhece que tais parlamentares receberam dinheiro para votar a favor do governo, nos projetos de lei que tramitavam no Congresso Nacional a época.

Assim entendo que tais votações são nulas de pleno direito, por viciadas em função de esses parlamentares estarem corrompidos. Estariam nesse rol de votações nulas a reforma da previdência e as privatizações, entre outras aprovadas na ilegalidade da compra de parlamentares.

Será que o STF usará a mesma régua quando houver, se houver o julgamento do mensalão do Azeredo? Permanecerá o inacreditável princípio do “domínio do fato”?

Gostaria muito de ver um parlamentar do próprio governo subir à tribuna do Congresso Nacional com o livro “A Privataria Tucana” em uma mão, e a “Revista Carta Capital”, ver capa abaixo, na outra, e pedir uma CPI. Não sei se a República agüentaria.

Esse é o dilema. Ou tudo muda em relações às votações, ou tudo não passa de um grande teatro. Eu espero estar enganado.

José Mesquita – Editor


O “mensalão” tucano
Por Mino Carta, na Carta Capital

A mídia nativa entende que o processo do “mensalão” petista provou finalmente que a Justiça brasileira tarda, mas não falha. Tarda, sim, e a tal ponto que conseguiu antecipar o julgamento de José Dirceu e companhia a um escândalo bem anterior e de complexidade e gravidade bastante maiores.

Falemos então daquilo que poderíamos definir genericamente como “mensalão” tucano. Trata-se de um compromisso de CartaCapital insistir para que, se for verdadeira a inauguração de um tempo novo e justo, também o pássaro incapaz de voar compareça ao banco dos réus.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A privataria
Não adianta denunciar os graúdos: a mídia nativa cuida de acobertá-los

Réu mais esperto, matreiro, duradouro. A tigrada atuou impune por uma temporada apinhada de oportunidades excelentes. Quem quiser puxar pela memória em uma sociedade deliberadamente desmemoriada, pode desatar o entrecho a partir do propósito exposto por Serjão Motta de assegurar o poder ao tucanato por 20 anos.

Pelo menos. Cabem com folga no enredo desde a compra dos votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, até a fase das grandes privatizações na segunda metade da década de 90, bem como a fraude do Banestado, desenrolada entre 1996 e 2002.

Um best seller intitulado A Privataria Tucanaexpõe em detalhes, e com provas irrefutáveis, o processo criminoso da desestatização da telefonia e da energia elétrica. Letra morta o livro, publicado em 2011, e sem resultado a denúncia, feita muito antes, por CartaCapital, edição de 25 de novembro de 1998. Tivemos acesso então a grampos executados no BNDES, e logo nas capas estampávamos as frases de alguns envolvidos no episódio.

Um exemplo apenas. Dizia Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do banco, para André Lara Rezende: “Temos de fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Fala pro Pio (Borges) que vamos fechar daquele jeito que só nós sabemos fazer”.

Afirmavam os protagonistas do episódio que, caso fosse preciso para alcançar o resultado desejado, valeria usar “a bomba atômica”, ou seja, FHC, transformado em arma letal. Veja eÉpoca foram o antídoto à nossa capa, divulgaram uma versão, editada no Planalto e bondosamente fornecida pelo ministro José Serra e pelo secretário da Presidência Eduardo Jorge. O arco-da-velha ficou rubro de vergonha, aposentadas as demais cores das quais costuma se servir.

Ah, o Opportunity de Daniel Dantas, sempre ele, onipresente, generoso na disposição de financiar a todos, sem contar a de enganar os tais italianos. Como não observar o perene envolvimento desse monumental vilão tão premiado por inúmeros privilégios? Várias perguntas temperam o guisado.

Por que nunca foi aberto pelo mesmo Supremo que agora louvamos o disco rígido do Opportunity sequestrado pela PF por ocasião da Operação Chacal? Por que adernou miseravelmente a Operação Satiagraha? E por que Romeu Tuma Jr. saiu da Secretaria do Ministério da Justiça na gestão de  Tarso Genro? Tuma saberia demais? Nunca esquecerei uma frase que ouvi de Paulo Lacerda, quando diretor da PF, fim de 2005: “Se abrirem o disco rígido do Opportunity, a República acaba”. Qual República? A do Brasil, da nação brasileira? Ou de uma minoria dita impropriamente elite?

Daniel Dantas é poliédrico, polivalente, universal. E eis que está por trás de Marcos Valério, personagem central de dois “mensalões”. Nesta edição, Leandro Fortes tece a reportagem de capa em torno de Valério, figura que nem Hollywood conseguiria excogitar para um policial noir. Sua característica principal é a de se prestar a qualquer jogo desde que garanta retorno condizente. Vocação de sicário qualificado, servo de amos eventualmente díspares, Arlequim feroz pronto à pirueta mais sinistra. Não se surpreendam os leitores se a mídia nativa ainda lhe proporcionar um papel a favor da intriga falaciosa, da armação funesta, para o mal do País.

Pois é, hora do dilema. Ou há uma mudança positiva em andamento ou tudo não passa de palavras, palavras, palavras. Ao vento. É hora da Justiça? Prove-se, de direito e de fato. E me permito perguntar, in extremis: como vai acabar a CPI do Cachoeira? E qual será o destino de quem se mancomunou com o contraventor a fim de executar tarefas pretensamente jornalísticas, como a Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo.

CPMI do Cachoeira: Os bons companheiros

De “caçador de marajás” Fernando Collor transfigurou-se em caçador de jornalistas. Na CPI do Cachoeira seu alvo é Policarpo Jr., da revista Veja, a quem acusa de se associar ao contraventor “para obter informações e lhe prestar favores de toda ordem”. Collor calunia, covardemente protegido pela cápsula da imunidade parlamentar.

Os áudios das investigações policiais circulam entre políticos e jornalistas – e quase tudo se encontra na internet.

Eles atestam que o jornalista não intercambiou favores com Cachoeira.

A relação entre os dois era, exclusivamente, de jornalista e fonte – algo, aliás, registrado pelo delegado que conduziu as investigações.

Jornalistas obtêm informações de inúmeras fontes, inclusive de criminosos. Seu dever é publicar as notícias verdadeiras de interesse público.

Criminosos passam informações – verdadeiras ou falsas – com a finalidade de atingir inimigos, que muitas vezes também são bandidos.

O jornalismo não tem o direito de oferecer nada às fontes, exceto o sigilo, assegurado pela lei.

Mas não tem, também, o direito de sonegar ao público notícias relevantes, mesmo que sua divulgação seja do interesse circunstancial de uma facção criminosa.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Os áudios em circulação comprovam que Policarpo Jr. seguiu rigorosamente os critérios da ética jornalística. Informações vazadas por fontes diversas, até mesmo pela quadrilha de Cachoeira, expuseram escândalos reais de corrupção na esfera federal. Dilma Rousseff demitiu ministros com base nessas notícias, atendendo ao interesse público.

A revista em que trabalha o jornalista foi a primeira a publicar as notícias sobre a associação criminosa entre Demóstenes Torres e a quadrilha de Cachoeira – uma prova suplementar de que não havia conluio com a fonte. Quando Collor calunia Policarpo Jr., age sob o impulso da mola da vingança: duas décadas depois da renúncia desonrosa, pretende ferir a imprensa que revelou à sociedade a podridão de seu governo.

Inteligência e tortura

A vingança, porém, não é tudo. O senador almeja concluir sua reinvenção política inscrevendo-se no sistema de poder do lulopetismo. Na CPI opera como porta-voz de José Dirceu, cujo blog difunde a calúnia contra o jornalista. Às vésperas do julgamento do caso do mensalão, o réu principal, definido pelo procurador-geral da República como “chefe da quadrilha”, engaja-se na tentativa de desqualificar a imprensa – e, com ela, as informações que o incriminam.

O mensalão, porém, não é tudo. A sujeição da imprensa ao poder político entrou no radar de Lula justamente após a crise que abalou seu primeiro mandato. Franklin Martins foi alçado à chefia do Ministério das Comunicações [N. da R.: Na realidade, da Secretaria da Comunicação Social da Presidência da República, com status de ministro] para articular a criação de uma imprensa chapa-branca e, paralelamente, erguer o edifício do “controle social da mídia”.

A sucessão, contudo, representou uma descontinuidade parcial, que se traduziu pelo afastamento de Martins e pela renúncia ao ensaio de cerceamento da imprensa. Dirceu não admitiu a derrota, persistindo numa campanha que encontra eco em correntes do PT e mobiliza jornalistas financiados por empresas estatais. Policarpo Jr. ocupa, no momento, o lugar de alvo casual da artilharia dirigida contra a liberdade de informar.

No jogo da calúnia, um papel instrumental é desempenhado pela revista Carta Capital. A publicação noticiou falsamente que Policarpo Jr. teria feito “200 ligações” telefônicas para Cachoeira. Em princípio, nada haveria de errado nisso, pois a ética nas relações de jornalistas com fontes não pode ser medida pela quantidade de contatos.

Entretanto, por si mesmo, o número cumpria a função de arar o terreno da suspeita, preparando a etapa do plantio da acusação, a ser realizado pela palavra sem freios de Collor. Os áudios, entretanto, evidenciaram a magnitude da mentira: o jornalista trocou duas – não 200 – ligações com sua fonte.

A revista não se circunscreveu à mentira factual. Um editorial, assinado por Mino Carta, classificou a suposta “parceria Cachoeira-Policarpo Jr.” como “bandidagem em comum” (ver “Trevas ao meio-dia”).

Editoriais de Mino Carta formam um capítulo sombrio do jornalismo brasileiro. Nos anos seguintes ao AI-5, o atual diretor de redação da CartaCapital ocupava o cargo de editor de Veja, a publicação em que hoje trabalha o alvo de suas falsas denúncias. Os editoriais com a sua assinatura eram peças de louvação da ditadura militar e da guerra suja conduzida nos calabouços.

Um deles, de 4 de fevereiro de 1970, consagrava-se ao elogio da “eficiência” da Operação Bandeirante (Oban), braço paramilitar do aparelho de inteligência e tortura do regime, cuja atuação “tranquilizava o povo”. O material documental está disponível no blog do jornalista Fábio Pannunzio,sob a rubrica “Quem foi quem na ditadura”.

Interesse vitais

Na Veja de então, sob a orientação de Carta, trabalhava o editor de Economia Paulo Henrique Amorim. A cooperação entre os cortesãos do regime militar renovou-se, décadas depois, pela adesão de ambos ao lulismo. Hoje Amorim faz de seu blog uma caixa de ressonância da calúnia de Carta dirigida a Policarpo Jr.

O fato teria apenas relevância jurídica se o blog não fosse financiado por empresas estatais: nos últimos três anos, tais fontes públicas transferiram bem mais de R$ 1 milhão para a página eletrônica, distribuídos entre a Caixa Econômica Federal (R$ 833 mil), o Banco do Brasil (R$ 147 mil), os Correios (R$ 120 mil) e a Petrobrás (que, violando a Lei da Transparência, se recusa a prestar a informação).

Dilma não deu curso à estratégia de ataque à liberdade de imprensa organizada no segundo mandato de Lula. Mas, como se evidencia pelo patrocínio estatal da calúnia contra Policarpo Jr., a presidente não controla as rédeas de seu governo – ao menos no que concerne aos interesses vitais de Dirceu. A trama dos bons companheiros revela a existência de um governo paralelo, que ninguém elegeu.
Por Demétrio Magnoli/O Estado de S.Paulo
Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP.

Carlinhos Cachoeira e a Veja

Sites e blogs questionam as ligações de diretor da Veja com Carlinhos Cachoeira

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Em vários sites e blogs surge avassaladoramente mais um detalhe do escândalo do empresário-bicheiro Carlinhos Cachoeira: questiona-se por que a revista Veja noticia em sua edição online a infiltração política do contraventor, esquece de imprimir na própria revista.

E a explicação certamente está nas 200 ligações entre o jornalista Policarpo Jr., diretor da sucursal de Brasília, e o próprio Cachoeira.

O primeiro blog a noticiar foi o jornalista Luis Nassif, que divulgou a existência dos registros das gravações em que Policarpo passava a Cachoeira informações sobre o que iria sair na revista, ouvia ideias de pautas e recebia elogios de sua fonte.

Segundo o site 247, “na prática, ambos compunham um circuito privilegiado de relações entre o submundo da ilegalidade e a alta mídia acima de qualquer suspeita”. Mas será mesmo?

Detalhe: Policarpo foi recém-nomeado para a cúpula da publicação, no cargo de redator-chefe, dividido com outros dois profissionais e o diretor da sucursal da revista em Brasília.

A notícia sobre o flagrante nas relações entre um de seus profissionais de ponta e um criminoso procurado pela Justiça, preso na Operação Monte Carlo, da PF, parece ter assustado o comando da Veja.

Procurado pelo site 247, o diretor de redação Eurípedes Alcântara não quis dar entrevista.

“Ele não tem dado muita sorte com redatores-chefes ultimamente.

Em dezembro, precisou demitir do cargo seu antigo parceiro Mario Sabino, abatido por traquinagens como a de coordenar uma reportagem que terminou numa delegacia de polícia, sob acusação de invasão de domicílio.

O profissional que deveria substituí-lo, o jornalista André Petry, chefe do escritório da revista em Nova York, foi barrado por Eurípedes que, no melhor estilo dividir para reinar, conseguiu a nomeação de três colaboradores para a mesma função.

Entre eles, o grampeado Policarpo”, informa o site 247.

A verdade é que os sites e blog ligados ao Planalto (e custeados pelo governo, por coincidência, é claro) estão fazendo um carnaval.

Mas é preciso saber se Cachoeira era apenas um informante do jornalista ou se as relações entre os dois eram mais “profissionais” como as do senador Demóstenes Torres, se é que vocês estão me entendendo, como dizia o colunista Maneco Muller.

Vamos aguardar para ver até aonde isso chega.

É preciso ouvir e publicar as transcrições das gravações e tudo o mais, antes de massacrar o jornalista.

Como se sabe, o blog de Nassif é sustentado pelo governo e o jornalista é detentor de uma pesada dívida no BNDES.

Já o site 247 tem entre seus colabodores fixos o ex-ministro José Dirceu e outras figuras do PT, inclusive o intelectual Delúbio Soares.

No meio dessa bagunça, uma constatação: como é bom trabalhar num Blog independente como o da Tribuna, hein?
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa