Garcia Lorca – Versos na tarde – 26/09/2017

Se as minhas mãos pudessem desfolhar
Garcia Lorca¹

Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

¹Federico García Lorca
* Fuente Vaqueros, Espanha – 05 de Junho de 1898 d.C
+ Granada, Espanha – 19 de Agosto de 1936 d.C
Poeta e dramaturgo espanhol.
Fuzilado e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanho
la

>> biografia de Garcia Lorca

Lope de Vega – Versos na tarde – 08/08/2016

Soneto de repente
Lope de Vega¹

Um soneto me pede Violante,
nunca na vida estive em tal aperto;
quatorze versos dizem que é soneto:
brinca brincando lá vão três avante.

Não pensei que encontrasse consoante,
e na metade estou de outro quarteto;
mas, se me vem o início de um terceto,
cá nos quartetos nada há que me espante.

No primeiro terceto vou entrando,
e parece que entrei com o pé direito,
pois fim com este verso lhe vou dando.

Estou já no segundo, e ainda suspeito
que vou os treze versos acabando;
contai se são quatorze, e ei-lo: está feito.

¹Félix Lope de Vega Carpio ou Lope Félix de Vega Carpio
* Espanha – 25 de Novembro de 1562 d.C
+ Espanha – 27 de Agosto de 1635 d.C
Dramaturgo, autor de peças teatrais e poeta espanhol.


[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Versos na tarde – Antonio Machado – 08/04/2015

Tenho andado muitos caminhos
Antonio Machado¹

Tenho andado muitos caminhos
tenho aberto muitas veredas;
tenho navegado em cem mares
e atracado em cem ribeiras
Em todas partes tenho visto
caravanas de tristeza
orgulhosos e melancólicos
borrachos de sombra negra.
E pedantes ao pano
que olham, calam e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho das tabernas
Má gente que caminha
e vai empestando a terra…
E em todas partes tenho visto
pessoas que dançam ou […]

¹ Antonio Machado
* Sevilha, Espanha – 26 de julho de 1875 d.C
+ Colliure, França – 22 de fevereiro de 1939 d.C


[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Garcia Lorca – Versos na tarde – 09/02/2015

O poeta pede a seu amor que lhe escreva
Garcia Lorca ¹

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

¹ Federico García Lorca
* Fuente Vaqueros, Espanha – 05 de Junho de 1898 d.C
+ Granada, Espanha – 19 de Agosto de 1936 d.C

Poeta e dramaturgo espanhol.
Fuzilado e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola

>> biografia de Garcia Lorca


[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Lope de Vega – Versos na tarde – 26/12/2014

Letra para cantar
Lope de Vega ¹

Não serem, Lucinda, estrelas
as tuas pupilas belas,
bem pode ser;
mas que em sua claridade
não haja alguma deidade,
não pode ser.

Que a boca celestial
não seja o próprio coral,
bem pode ser;
mas que não exceda a rosa
em ser vermelha e cheirosa,
não pode ser.

Que não seja o branco peito
de cristais ou neve feito,
bem pode ser;
mas que não vença em brancura
os cristais e a neve pura,
não pode ser.

Que não seja um anjo, o colo
da Fênix, o próprio Apolo,
bem pode ser;
porém que de anjo não tenha
o que com anjo convenha,
não pode ser.

Não teres flores nas veias
nem de lírios as mãos cheias,
bem pode ser;
mas que nelas não se vejam
quantas graças se desejam,
não pode ser.

¹ Félix Lope de Vega Carpio ou Lope Félix de Vega Carpio
* Espanha – 25 de Novembro de 1562 d.C
+ Espanha – 27 de Agosto de 1635 d.C
Dramaturgo, autor de peças teatrais e poeta espanhol


[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Garcia Lorca – Versos na tarde – 23/11/2014

Se as minhas mãos pudessem desfolhar
Garcia Lorca¹

Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

¹Federico García Lorca
* Fuente Vaqueros, Espanha – 05 de Junho de 1898 d.C
+ Granada, Espanha – 19 de Agosto de 1936 d.C
Poeta e dramaturgo espanhol.
Fuzilado e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola

>> Biografia de Garcia Lorca


[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Garcia Lorca – Versos na tarde

O poeta pede a seu amor que lhe escreva
Garcia Lorca ¹

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.

Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

¹ Federico García Lorca
* Fuente Vaqueros, Espanha – 05 de Junho de 1898 d.C
+ Granada, Espanha – 19 de Agosto de 1936 d.C

Poeta e dramaturgo espanhol.
Fuzilado e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola.
>> biografia