Carlos Drummond de Andrade – Versos na tarde – 30/07/2017

Ausência Carlos Drummond de Andrade ¹ Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, … Continued

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Murilo Mendes – Versos na tarde – 29/07/2017

O fósforo Murilo Mendes ¹ Acendendo um fósforo acendeu Prometeu, o futuro, a liquidação dos falsos deuses, o trabalho do homem. O fósforo: tão radioso quanto secreto. Furioso, deli- cado. Encolhe-se no seu casulo marrom; mas quando cha- mado e provocado, polêmico estoura, esclarecendo tudo. O século é polêmico. O gás não funciona hoje. Temos … Continued

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Shakespeare – Versos na tarde – 20/04/2017

Soneto I Shakespeare¹ Dentre os mais belos seres que desejamos enaltecer, Jamais venha a rosa da beleza a fenecer, Porém mais madura com o tempo desfaleça, Seu suave herdeiro ostentará a sua lembrança; Mas tu, contrito aos teus olhos claros, Alimenta a chama de tua luz com teu próprio alento, Atraindo a fome onde grassa … Continued

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Fernando Pessoa – Versos na tarde – 25/03/2017

Ficções do Interlúdio – extrato Fernando Pessoa¹ Sentir a poesia é a maneira figurada de se viver Eu não sinto a poesia não porque não saiba o que ela é Mas porque não posso viver figuradamente E se o conseguisse tinha de seguir outro modo de me acondicionar A condição da poesia é ignorar como … Continued

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Amparo Jimenez – Versos na tarde – 09/03/2017

Ilusión Marina Amparo Jimenez¹ Tu lengua, pececillo inquieto en mi rostro. Tu boca, ostra que juega con mis labios. Tu piel, arena ardiente sobre mi cuerpo todo. Tu voz, canto de sirena que me llama y espera. Mi piel y mi alma responden pero tú, sirena mía, te esfumas con el sol al bajar la … Continued

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Demócrito Rocha – Versos na tarde – 08/03/2017

O Rio Jaguaribe Demócrito Rocha¹ O Rio Jaguaribe é uma artéria aberta por onde escorre e se perde o sangue do Ceará. O mar não se tinge de vermelho porque o sangue do Ceará é azul … Todo plasma toda essa hemoglobina na sístole dos invernos vai perder-se no mar. Há milênios… desde que se … Continued

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Rui Pires Cabral – Versos na tarde – 26/11/2016

O rei dos olhos fechados Rui Pires Cabral ¹ Fazes entrar em Fevereiro o rei dos olhos fechados, o das escadas rolantes. Quanta luz desperdiçada, quanto desconsolo nas grandes superfícies da memória. Ouves o vinho rolar nos ouvidos, a realidade defenderá até à morte os seus mistérios. Fazes uma vênia ao rei destituído e morto, … Continued

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