Economia: Classe C troca geladeira por TV a cabo e poupança

Pode ser que seja mesmo um ranzinza e esteja sempre na contramão do oba-oba. Mas não me parece compatível com o que estudei de economia e sociologia, chamar de classe média o assalariado que ganha a porcaria de um salário mínimo e meio por mês.
Esse ‘novo’ consumidor, acredito, em breve estará trocando as delícias do consumo pelo inferno do Serasa.
José Mesquita – Editor


Após sucessivos estímulos do governo para baratear o preço de geladeiras, fogões, máquinas de lavar roupas – a chamada linha branca – e aumentar o consumo, esses produtos vêm deixando a lista de prioridades da nova classe média, mais disposta a poupar ou gastar com TV a cabo, telefonia e educação.

A renovação da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) foi uma das primeiras medidas anunciadas para tentar impulsionar a indústria e melhorar o desempenho da economia, considerado fraco neste ano.

Como esse instrumento vem sendo usado pelo governo desde 2009, sua eficácia começa a ser questionada.

Apesar de afirmarem que ainda há espaço para o consumo, especialistas creem que o ritmo de crescimento das vendas tende a ser menor, mesmo com incentivo fiscal.

Levantamentos do Data Popular, instituto com foco na nova classe média, público-alvo da medida, mostram que serviços – o que inclui o conserto de eletrodomésticos – representam a maior parte dos gastos das famílias.

O item “serviços”, que representava 49,5% dos gastos efetuados em 2002 por esse público, já responde por 65%, segundo a pesquisa do Data Popular, de setembro de 2011.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O trabalho, que indica também que as despesas com a compra de produtos caíram de 50,5% para 34,8% no período, é baseado em projeções feitas a partir do cruzamento de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), ambas do IBGE.

Para especialistas, não há dúvidas de que a nova classe média continua consumindo, mas o perfil está gradualmente mudando, pois a prioridade mudou. “Quem comprou uma TV nova quer TV a cabo; a máquina precisa de manutenção”, diz Renato Meirelles, dono do Data Popular.

Para o professor Luiz Alberto Machado, do Conselho Federal de Economia, o impacto inicial da redução do IPI foi absorvido e o nível elevado do emprego está garantindo renda para consumir.

“Ainda há espaço a ser explorado, mas o crescimento marginal desse consumo tende a ser cada vez menor.”

Professor de economia da UnB (Universidade de Brasília), João Carlos de Oliveira diz que a redução do IPI não terá impacto “para a vida toda”. Ele argumenta que o sucesso da medida também depende da oferta de crédito.

POUPANÇA

Recebendo R$ 800 mensais como diarista, Neide Batista de Moraes, 32, de Águas Lindas de Goiás, comprou um micro-ondas e uma TV nova recentemente.

Ainda quer trocar a geladeira, “que está bem velha, soltando os pedaços”. Mas, se recebesse dinheiro extra, diz que pouparia para comprar à vista.

“As lojas falam em redução de imposto, mas nem sempre vejo isso”, diz. “Anunciam a geladeira como se estivesse com preço menor, mas acompanho e o preço não mudou.

Com dinheiro na mão, tenho como negociar melhor.”
SHEILA D’AMORIM/FLÁVIA FOREQUE/Folha.com

Internet: Lan houses viram local de trabalho

No Brasil, lan houses desbancam local de trabalho no acesso à web

Pnad 2008 indica que 35,2% dos internautas usaram acesso público pago.

Principal motivo para acesso à web é conexão com outras pessoas.Lan House Acesso Índio 01Foto: Renato Bueno/G1

As lan houses já representam o segundo lugar no Brasil onde mais se acessa a internet. Em 2008, 47,5% das 56 milhões de pessoas que se conectaram à web disseram ter acessado a rede em mais de um local. Esse ranking é liderado pelo ambiente doméstico (57,1%), seguido pelas lan houses (35,2%) e trabalho (31%). Em 2005, a ordem era diferente: ambiente doméstico, local de trabalho e lan houses.

As informações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2008 sobre acesso à internet e posse de telefone móvel celular para uso pessoal, divulgada nesta sexta-feira (11). Os 56 milhões de usuários de internet com 10 anos ou mais tiveram acesso à web durante o período de três meses anteriores à pesquisa.

Lan House Acesso Local

No Norte e Nordeste, os centros públicos de acesso pago não ficaram em segundo lugar, mas lideraram a navegação entre pessoas com acesso à internet em diferentes lugares. No Norte a porcentagem chegou a 56,3%, enquanto no Nordeste chegou a 52,9%. Nessas mesmas regiões, o uso da web residencial ficou em 34,1% e 40%, respectivamente.

Lan House Acesso Tempo

Os 56 milhões de internautas representam 34,8% da população com 10 anos ou mais – em 2005, o percentual de conectados era de 20,9%. Os maiores percentuais de usuários de internet estão na região Sudeste (40,3%), Centro-Oeste (39,4%) e Sul (38,7%), enquanto as regiões Norte (27,5%) e Nordeste (25,1%) têm os menores percentuais.

Entre aqueles que, em 2008, acessaram a internet somente em um local (52,2% dos 56 milhões), 45,9% navegaram de suas residências, 29,5% de centros públicos de acesso pago, 12,1% do local de trabalho, 4,8% do estabelecimento de ensino, 0,8% de um centro público de acesso gratuito (como telecentro) e 6,9% de outro local.

Idade

A faixa etária do internauta está associada ao local de conexão, de acordo com a Pnad. As lan houses apareceram no topo da lista dos usuários com idades entre 10 e 17 anos, com 53,3%. Atrás delas ficaram os domicílios onde eles moravam, com 43,1%. A ordem foi diferente entre aqueles com mais de 40 anos: domicílio (78,6%) e local de trabalho (50,9%).

Em 2008, o grupo de 15 a 17 anos foi o que apresentou maior percentual de utilização da internet (62,9%), além de maior aumento em relação a 2005 (quando somava 33,7%). O percentual de usuários diminuiu com a idade, chegando a 11,2% entre as pessoas com 50 anos ou mais (o grupo representa 24,8% da população total, mas apenas 8% daqueles que acessaram a internet).

Em 2008, a idade média dos internautas era de 27,6 anos. Na imagem, um participante do evento Campus Party, realizado em São Paulo em janeiro de 2009.

Em 2008, a idade média dos internautas era de 27,6 anos. Entre aqueles que acessaram de casa, essa média subiu para 30,6 anos, enquanto entre o público que navegou no local de trabalho, foi para 34,6 anos. Em 2005, a idade média dos internautas ficou em 28,1 anos.

O rendimento per capta das pessoas que acessaram a web no trabalho foi de R$ 1.523, enquanto o dos internautas domésticos ficou em R$ 1.336 – os mais elevados. Os menores rendimentos per capta foram os dos usuários de centros públicos de acesso gratuito (825) e de lan houses (R$ 536).

Escolaridade

O uso de internet também está associado à escolaridade: aqueles que acessam a web têm 10 anos de estudo em média, contra 5,5 anos de estudo das pessoas sem conexão.

Lan House Acesso Uso

Quanto maior a escolaridade, maior a proporção de pessoas conectadas: 80,4% entre aqueles com mais de 15 anos de estudo; 57,8% entre pessoas com 11 a 14 anos de estudo, 38,7% entre aqueles com 8 a 10 anos de estudo; 23,4% para os que têm entre 4 e 7 anos de estudo e, por fim, 7,2% entre aqueles sem instrução ou com menos de 4 anos de estudo.

Motivo de acesso

Em 2005, o principal motivo para os internautas se conectarem (71,7% dos internautas) foram os fins educacionais e de aprendizado. Em 2008, essa motivação ficou em terceiro lugar (65,9%), atrás dos “líderes” comunicação com outras pessoas (83,2%) e atividades de lazer (68,6%).

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A lista de finalidades de 2008 também incluiu leitura de jornais e revistas (48,6%), busca de informações e outros serviços (25,5%), compra ou encomenda de bens e serviços (15,4%), interação com autoridades públicas ou órgãos do governo (15,2%) e transações bancárias ou financeiras (13,1%).

As mulheres consideraram mais do que os homens o uso da web para se comunicar com outras pessoas (84% para elas, 82,3% para eles). A segunda e terceira posições divergem entre os sexos: para elas o segundo principal motivo para usar a web eram educação e aprendizado (69,4%), enquanto para eles eram atividades de lazer (72,8%).

Banda larga

Em 2005, 41,2% dos internautas que navegaram no ambiente doméstico o fizeram somente via banda larga. Esse percentual dobrou em 2008, chegando a 80,3%. No ano passado, 18% dos usuários navegaram de suas casas somente via conexão discada e 1,7% o fizeram das duas formas.

Regionalmente, o Centro-Oeste tem a maior disseminação de uso exclusivo de internet rápida, sendo usada por 93,4% das pessoas (em 2005, eram 57,1% delas). Na contramão, a região Norte teve a menor proporção de usuários que se conectam somente via banda larga: 70,4% (40,5% em 2005).

Sem acesso

De acordo com a Pnad, 104,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais anos não tiveram acesso à internet no período de três meses anteriores à pesquisa (65,2% do total). Os principais motivos para a não utilização foram não achar necessário ou não querer (32,8%); não saber utilizar a internet (31,6%) e não ter acesso a computador (30%).

Em relação a 2005, o percentual de pessoas que não navegavam porque não achavam necessário ou não queriam foi o que mais aumentou: subiu de 20,9% para 32,8% (no Rio de Janeiro, 45,1% dos desconectados apresentaram esse motivo). Por outro lado, houve redução no número de pessoas que disseram não acessar por não ter computador (de 37,2% para 30%) e entre aqueles que alegaram o custo elevado do PC (de 9,1% para 1,7%).

Aqueles que não demonstram interesse na internet apresentaram idades médias mais elevadas (44,1 anos em 2005; 45,2 anos em 2008) do que aqueles que apresentaram outros motivos para não se conectarem. Entre os estudantes, a principal razão para estarem desconectados é o fato de não terem acesso a um computador (46,9%).

G1

32 milhões de brasileiros ascenderam para a classe média

FGV: sob Lula, 32 milhões subiram para classe média

A Fundação Getúlio Vargas trouxe à luz novos números para compor a vitrine social da era Lula. São dois os dados mais vistosos:

Entre 2003 e 2008, algo como 32 milhões de brasileiros ascenderam à classe média no Brasil (classes A, B e C).

O estudo da FGV está escorado em da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE.

Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políicas Sociais da FGV, diz: “A Pnad coroa um ciclo de cinco anos de melhorias nos indicadores sociais…”

“…A meta do milênio tem como objetivo reduzir a pobreza em 50%, durante 25 anos. O Brasil fez quase isso em cinco anos”.

Logo que concluir o seu penúltimo périplo internacional, Lula vai reunir os seus ministros da área social.

Decidido a descer à enciclopépia com cara de neo-Getúlio, o presidente quer pôr de pé a sua CLS (Consolidação das Leis Sociais).

blog Josias de Souza