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China proibirá plástico não biodegradável

País asiático quer reduzir o uso de produtos como talheres e sacolas descartáveis em 30% até 2025. Plano prevê proibições escalonadas em hotéis, restaurantes e serviços de entrega do comércio eletrônico em áreas urbanas.

    
Mais de 31 toneladas de plástico são usadas diariamente na China, sendo que 74% não são processadas adequadamente. Mais de 31 toneladas de plástico são usadas diariamente na China. Destas, 74% não são processadas corretamente.

As autoridades chinesas aprovaram nesta segunda-feira (20/01) um plano para reduzir drasticamente a utilização de plástico não biodegradável nas principais cidades do país, que inclui também as sacolas plásticas, em um período de cinco anos.

Segundo o Ministério da Ecologia e do Meio Ambiente e a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o órgão chinês encarregado do planejamento econômico, a proibição deve ser válida para grande parte das áreas urbanas e comunidades costeiras desenvolvidas do país.

Também será proibida a produção e venda de talheres e pratos descartáveis. Os canudos de plástico deverão ser banidos dos restaurantes até o final deste ano. A intenção do governo é reduzir o uso dos produtos de plástico descartável em 30%, até 2025.

Os hotéis de categoria superior serão proibidos de fornecer gratuitamente esses produtos a seus clientes até o final de 2022, podendo apenas vendê-los. Em 2025, essa medida passará a valer para todos os tipos de estabelecimentos como hotéis de categorias simples e hospedarias.

A partir de 2022, os serviços de entrega a domicílio nas principais províncias do país não poderão mais usar embalagens de plástico ou sacolas não biodegradáveis. A medida passará a valer para todas as empresas de comércio eletrônico no país em 2025.

Segundo a ONU, mais de 31 toneladas de plástico são utilizadas diariamente na China, sendo que 74% desse total não são processadas adequadamente. Dos dez rios que transportam mais de 90% do plástico para os oceanos, seis correm parcial ou totalmente através do país.

Como evitar o consumo de plástico?

As medidas para reduzir a poluição na China vêm após décadas de crescimento econômico rápido, com um aumento exponencial de produtos em embalagens plásticas que geram enormes quantidades de lixo. Dados do Banco Mundial afirmam que, em 2017, a China produziu 210 milhões de toneladas de lixo, que poderiam chegar a 500 toneladas por ano até 2030.

Em 2018, a China proibiu a importação de resíduos de plástico não industriais, uma decisão que gerou impacto global, uma vez que o país era o principal importador de plástico para reciclagem, vindo de países mais ricos.

As importações e exportações mundiais de resíduos de plástico dispararam em 1993, aumentando em 800% até 2016. Em 1992, a China recebeu cerca de 106 milhões de toneladas de resíduos de plástico, o que representava em torno de 50% das importações mundiais.

RC/lusa/afp

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Os oceanos apelam todos os dias: #plásticosnão

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A imagem é desconcertante e dramática. Olhamos de um lado e de outro e os oceanos têm mais plásticos do que peixes. O ano é 2050. Cena de filme de ficção? Longe disso. Este é um prognóstico mais próximo do real descrito em estudo da fundação da navegadora Ellen MacArthur e da consultoria McKinsey, se o modelo de desenvolvimento e comportamento das sociedades no planeta permanecer do jeito que está.

Por Sucena Shkrada Resk*
O anúncio foi feito no Fórum Econômico Mundial de Davos, em 2016, e é reforçado por pesquisadores em um dos alertas principais da Campanha “Mares Limpos” da ONU Meio Ambiente, que começou em 2017 e deverá vigorar por cinco anos. Como suportar 8 milhões de tonenadas de plásticos despejadas anualmente?

De acordo com estudo realizado por cientistas das Universidades da Geórgia, da Califórnia e da organização oceanográfica Sea Education Association publicado na Science Advances, desde 1950 a 2015, a humanidade já produziu de 8,3 bilhões de toneladas de plásticos, que seguem para os mares e oceanos no mundo, além dos 2 bi de toneladas estimados provenientes de navios, como redes de pescas, de acordo com o Instituto Francês de Pesquisa para a Exploração do Mar. Fica difícil dimensionar o impacto deste volume, não é? Entretanto, este quadro é derivado de algo mais perto do nosso dia a dia, que é a nossa relação de produção, consumo e descarte.

Argumentos não faltam, mas apesar disso, os processos de mudança quanto à produção sustentável e consumo consciente são extremamente lentos. Primeiramente é necessário lembrar que a matéria-prima da maior parte dos plásticos utilizada é o petróleo, pertence ao grupo dos polímeros (polipropileno/polietileno) que são difíceis de se decompor, podendo levar décadas a 200 anos para se biodegradar. Nas águas oceânicas e nos estômagos dos animais são encontrados de tudo: sacolas, embalagens, tampas, canudos plásticos (sétimo item mais coletado nos oceanos), segundo a ONG Ocean Conservancy), …

Segundo a ONU Meio Ambiente, em um período de 150 anos, mais de 40% dos plásticos produzidos foram usados uma única vez, e somente 9% são reciclados. No Brasil são produzidos anualmente cerca de 10,5 mi toneladas de plásticos. Segundo o Sindicato Nacional de Empresas de Limpeza Urbana (Selurb), se tudo fosse reciclado, poderia haver um retorno de R$ 5,7 bi com relação ao comprometimento de gastos no ciclo.

Efeitos a olho nu

Neste roteiro dos “oceanos de plásticos” não é necessário esperar mais algumas décadas, já existem cenas atuais que sinalizam a gravidade do problema. No Golfo de Omã, por exemplo, os cientistas descobriram em 2018 uma zona morta asfixiada por todos os tipos de poluição, incluindo o plástico. No Oceano Pacífico, entre a costa Oeste dos EUA e o Havaí, existe uma zona conhecida como continente de plástico com mais de 80 mil toneladas de resíduos, segundo a Scientific Reports, com tamanho proporcional a um pouco mais do estado do Amazonas. Estima-se que mais de 800 espécies oceânicas e costeiras são diretamente afetadas, segundo a ONU. O custo estimado da poluição originada pelos detritos marinhos é de US$ 13 bilhões.

Para intensificar a gravidade, estudo coordenado pelo médico Philipp Schwabl, da Universidade de Medicina de Viena em parceria com a Agência Ambiental da Áustria revela que podemos estar contaminados com os microplásticos (aqueles com menos de 5 milímetros). Este tipo está presente em roupas sintéticas a escovas de dente. O comprometimento deste material já pesquisado também em animais chega ao intestino como também provoca estresse hepáticos. São confundidos com plânctons, que está na base alimentar nos ecossistemas marinhos.

Por que não ouvimos os apelos dos oceanos? Talvez porque não saibamos e reconheçamos sua importância como fornecedor de 60% dos serviços ecossistêmicos e para o controle da pressão cada vez maior dos Gases de Efeito Estufa (GEEs) que contribuem para o Aquecimento Global e para o avanço das mudanças climáticas, ao absorver 93% do calor aprisionado por estes gases. Será que vai suportar exercer este papel até quando? De acordo com pesquisa publicada na Science, os oceanos estão cada vez mais aquecidos. Em miúdos, uma bomba-relógio foi ligada.

Filosofia do meio copo cheio

Depois de ler os parágrafos anteriores, você pode pensar – “está tudo perdido”. Seguindo a filosofia do copo cheio, há mobilizações por todo planeta para reverter esta situação. Além da Campanha Mares Limpos, existe o movimento mundial Let´s do It (Limpa Brasil, aqui no país) e do Ecosurf. A União Europeia estará proibindo o uso de alguns tipos de plásticos, a partir de 2021; um grupo de pesquisadores da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, criaram uma enzima mutante (ainda em estudo) que tem a capacidade de “comer” o plástico de Garrafas PET.

O jovem holandês Boyan Slat, da The Ocean Cleanup, é idealizador do Sistema 001, chamado também de serpente gigante. A iniciativa consiste em uma barreira com 600 metros de comprimento destinada à limpeza de plásticos. Em setembro passado, foi utilizada na baía de São Francisco, nos EUA.

Fazendo uma retrospectiva, no ano de 2013, a empresa CBPAK e pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI/USP) criaram um filme plástico biodegradável de amido de mandioca e açúcares. Em 2018, estava em execução a elaboração do Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, que agora depende da condução da atual gestão do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Alguns municípios brasileiros estão proibindo a distribuição de canudos em comércios. Entre eles, Rio de Janeiro (RJ, Cataguases (MG); em 2019, Santos (SP). Ao mesmo tempo, novas tecnologias estão sendo criadas, como canudos comestíveis, de material lavável e reutilizável, sacolas biodegradáveis já há alguns anos, entre outras. Grandes comércios estão substituindo os plásticos por caixas ou com a opção de sacolas retornáveis.

E como começar? Nada mais eficaz do que as medidas caseiras, que qualquer um de nós pode ter, partindo da redução de consumo de plásticos na rotina doméstica e da racionalização no descarte preferencialmente com a separação (onde há coleta seletiva e/ou cooperativas). E que 2050 chegue e possamos contar que há peixes e uma vasto ecossistema oceânico, não é?

*Sucena Shkrada Resk é jornalista, formada há 27 anos, pela PUC-SP, com especializações lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP, e autora do Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk (https://www.cidadaosdomundo.webnode.com), desde 2007, voltado às áreas de cidadania, socioambientalismo e sustentabilidade.

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Como tijolos de urina e fungos remodelados podem ajudar no combate à poluição por plástico

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JENJIRA INDON/GETTY IMAGES
Plástico tem efeitos tóxicos para o meio ambiente

Canudos, sacolas e garrafas pet são os plásticos descartáveis mais vilanizados atualmente em campanhas de defesa do meio ambiente, mas o problema maior é a grande dependência humana do polietileno. Do transporte aos serviços de alimentação, o plástico está em toda parte, e o combate a essa “poluição branca” levará a uma mudança radical no próprio material.

Felizmente, cientistas, engenheiros e designers estão mudando o foco para alternativas sustentáveis que criam ecossistemas circulares com menos desperdício – madeira líquida, uso de algas marinhas em sistemas de isolamento térmico e substitutos para polímeros feitos de amido de plantas fermentadas, a exemplo do milho e da batata.

Veja abaixo algumas alternativas que apontam para novos caminhos em questões como abrigar adequadamente uma população crescente, compensar as emissões de carbono e devolver nutrientes à terra.

Lã de pedra

A lã de pedra surge da rocha magmática – que se forma depois que a lava esfria – e de um produto descartado na produção do aço chamado escória; essas substâncias são fundidas e transformadas em fibras, que se parecem com um algodão doce.

Ao contrário do isolamento térmico à base de fibra de vidro (feito com vidro reciclado) ou espuma de poliuretanto (materiais geralmente usados para bloquear a transferência de calor em sótãos e telhados), a lã de pedra pode ter propriedades especiais, incluindo resiliência ao fogo, capacidades acústicas e térmicas, resistência à água e durabilidade em condições climáticas extremas.

Nos últimos anos, a lã de pedra ganhou força entre arquitetos e designers preocupados com o meio ambiente em busca de materiais de construção sustentáveis e que sejam econômicos e estéticos.

O Grupo Rockwool é um dos principais fabricantes de isolamento de lã de pedra e gerencia unidades na Europa, América do Norte e Ásia. A empresa instalou o material em edifícios comerciais e industriais ao redor do mundo, incluindo a O2 Arena, de Londres, e o Aeroporto de Hong Kong.

Fungos remodelados

Cogumelos não são apenas ingredientes saborosos refogados ou em molhos. Em breve, fungos que crescem em árvores e cogumelos do solo da floresta poderão substituir materiais de poliestireno, embalagens, isolamento acústico, móveis, materiais aquáticos e até artigos de couro.

Na MycoWorks, uma equipe de engenheiros criativos, designers e cientistas trabalha para extrair tecidos de cogumelos e solidificá-los em novas estruturas. O objetivo é moldar fungos em outros materiais orgânicos, a exemplo da borracha ou cortiça. Outra empresa, a Evocative Design, sediada em Nova York, utiliza o micélio – o caule – como agente aglutinante na produção de painéis de madeira e para embalagens retardantes de chamas.

plásticoDireito de imagem GETTY IMAGES
Substitutos naturais para plásticos podem ajudar a reverter a maré crescente de resíduos plásticos nos oceanos

Cogumelos consistem em uma rede de filamentos chamados hifas. Em condições adequadas, seus corpos frutíferos – as estruturas especializadas na produção de esporos – se multiplicam rapidamente. Enquanto isso, o micélio pode ser cultivado em praticamente qualquer resíduo agrícola, da serragem a cascas de pistache. E pode ser moldado em qualquer formato, criando polímeros naturais tão aderentes quanto a cola mais forte do mercado. Além disso, esquentados em temperaturas precisas, eles se tornam inertes, param de se multiplicar.

Enquanto cantarelo, shitake e portobello vão melhor com uma pizza do que um gesso de cogumelos, uma coisa é certa: o futuro é do fungos.

Tijolos de urina

A fabricação do cimento, principal ingrediente do concreto, é responsável por cerca de 5% das emissões de dióxido de carbono do mundo. Por isso, pesquisadores e engenheiros trabalham para criar alternativas com menos gasto de energia. Entre as opções estão tijolos feitos a partir dos restos de produção de cerveja, concreto modelado a partir de quebra-mares romanos (misturas de cal e rocha vulcânica que formam um material altamente estável) e tijolos feitos de… urina.

Como parte de sua monografia, o estudante da Faculdade de Arte de Edimburgo Peter Trimble trabalhava em uma exposição que tratava de sustentabilidade. Quase que por acidente, ele criou o Biostone, uma mistura de areia, nutrientes e ureia – substância da urina humana.

cal e rocha vulcânicaDireito de imagem GETTY IMAGES
Os romanos criaram uma argamassa de cal e rocha vulcânica duradoura – e que não libera gases de efeito estufa

Por um ano, Trimble testou centenas de fórmulas em que acrescentava uma solução bacteriana a areia em um molde. Eventualmente, os microrganismos metabolizaram a mistura de areia, ureia e cloreto de cálcio, colando as moléculas de areia.

O design de Trimble substituiria métodos de uso intensivo de energia por um processo biológico que não produz gases de efeito estufa. O material ainda precisaria ser reforçado para ter a mesma resistência que o concreto, e, se for possível, ele poderia se tornar uma opção barata para se construir estruturas temporárias.

De todo modo, a Biostone já gerou uma discussão sobre maneiras pelas quais a manufatura industrial pode se tornar mais sustentável. Isso seria particularmente relevante na África Subsaariana e em outros países em desenvolvimento onde a areia está prontamente disponível.

Esses tijolos biológicos têm, no entanto, uma desvantagem ambiental: o mesmo metabolismo bacteriano que os solidifica também transforma a ureia em amônia, o que pode poluir as águas subterrâneas se vazarem para o meio ambiente.

Um compensado mais verde

Apesar do que parece, o compensado de madeira, usado em móveis em todo o mundo, não tem assento no panteão da construção verde. A cola usada para aglutinar as fibras de madeira contém formaldeído – uma substância incolor, inflamável, de cheiro forte e conhecida como irritante respiratório e carcinogênico. Isso significa que sua prateleira de madeira falsa está silenciosamente liberando toxinas no ar.

A empresa NU Green criou um material feito de resíduos industriais ou fibras de madeira recuperadas. O Uniboard, como é chamado, preserva árvores e reduz o lixo de aterros sanitários enquanto produz menos gases do efeito estufa do que o tradicional compensado de madeira – e não contém toxinas. A empresa é pioneira no uso de fibras renováveis como caules de milho e lúpulo e sem adição de resina de formaldeído para servir de cola.

Placa de madeiraDireito de imagem RICHVINTAGE
Placas de madeira contém colas que podem liberar vapor tóxico de formaldeído

Não é segredo que a extração de petróleo, necessária para produzir plástico, traz consequências ambientais devastadoras. Mas ainda pior é como esse plástico é descartado, pois os produtos químicos nele contidos acabam chegando a alimentos, bebidas e águas subterrâneas. E o mais chocante é que a reciclagem apenas retarda a chegada do plástico aos aterros sanitários ou oceanos, uma vez que o material é apenas quebrado em fragmentos cada vez menores, mas nunca completamente degradados.

Alguns relatórios preveem que, até 2030, 111 milhões de toneladas de plástico vão acabar em aterros sanitários e oceanos. Reciclar é um passo na direção certa, mas para reverter de fato esse curso é preciso buscar alternativas ao plástico.

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Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo

Ecologia,Plásticos,Meio Ambiente,Ambiente,Natureza,Poluição,Crimes Ambientais,Fauna & Flora,Blog do Mesquita,BrasilÍndice de reciclagem de plástico no Brasil está bem abaixo da média mundial

No ranking dos maiores poluidores do planeta, o Brasil aparece em quarto lugar quanto à produção de lixo plástico. Por ano, o país gera 11,3 milhões de toneladas desse resíduo – número três vezes maior que sua produção anual de café, por exemplo.

No ranking dos maiores produtores de lixo plástico, o Brasil é precedido apenas por Estados Unidos (70,8 milhões de toneladas), China (54,7 milhões) e Índia (19,3 milhões). Na Europa Ocidental, a liderança é da Alemanha (8,2 milhões).

Os dados fazem parte do relatório internacional Global Plastics Report, levantamento do WWF divulgado nesta terça-feira (05/03), que aborda o impacto do plástico no meio ambiente, na economia e na sociedade. Para o estudo, a organização foi além dos números da geração desse tipo de lixo nas residências.

“Esse trabalho foi feito com base nas premissas do Banco Mundial, que engloba também os resíduos plásticos industriais, da construção civil, lixo eletrônico e agrícolas”, detalha Gabriela Yamaguchi, do WWF Brasil.

Segundo o relatório, o brasileiro produz um quilo de lixo plástico por semana – uma das maiores médias mundiais.

“É uma produção alta porque, assim como China, Índia, Indonésia, o Brasil é um país de dimensões continentais, com uma sociedade de consumo em ascensão, onde também há um certo crescimento da infraestrutura”, analisa Yamaguchi.

Fabricado para ser usado apenas uma vez na grande maioria dos casos, o plástico é em grande parte descartado na natureza e acaba chegando aos oceanos. Estima-se que 10 milhões de toneladas vão parar nos mares a cada ano – o que equivale a 417 mil contêineres com capacidade máxima.

Além de matar e contaminar animais marinhos, pequenos fragmentos do material, os chamados microplásticos, já são encontrados até em humanos. Um estudo científico divulgado no fim de 2018 estimou que até 50% da população mundial tenha microplásticos no intestino, incorporado por meio da ingestão de alimentos e água.

Uso e reciclagem

Embora esteja entre os maiores poluidores, o Brasil ainda está abaixo da média mundial de reciclagem. O relatório calcula que o país recicla apenas 1,28% do total de plástico produzido no país – índice inferior aos à média global de 9%.

Entre os diferentes tipos de material, o PET é o que se sai melhor: cerca de 60% do que é produzido é reciclado, sendo transformado em fios para a indústria têxtil, por exemplo.

“Os números gerais ainda são tímidos. Não avançamos muito na implantação da coleta seletiva, dos programas de inserção de catadores, de acordos setoriais”, avalia Sylmara Gonçalves Dias, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).

Quase dez anos depois da criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Brasil está aquém do que era esperado no combate ao lixo plástico, pontua Dias.

“As fontes de poluição são múltiplas. Não adianta nada restringir um tipo de uso e achar que está fazendo alguma coisa”, diz, fazendo referência a leis recentes que banem canudos de plástico, por exemplo.

“É uma enganação que só mascara a complexidade do problema. É preciso olhar para tudo: copo, fralda descartável, sacolinha, garrafas, partes plásticas de produtos maiores.”

Antes do consumo

Na avaliação de Yamaguchi, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei de 2010, é positiva, mas insuficiente. “O Brasil e o mundo têm um déficit legal em que a responsabilização pela coleta e o tratamento do resíduo não estão bem definidos para quem produz esses materiais”, afirma.

A representante do WWF defende uma mudança de paradigma e leis mais rígidas. “Não é suficiente cuidar só do pós-consumo, da reciclagem. É preciso reduzir a produção de plástico no planeta, substituir por outros materiais, inovar.”

Mesmo que toda a geração desse material fosse interrompida de imediato, o volume já despejado na natureza levaria centenas de anos para ser degradado. “Estamos nos afogando com tanto lixo. O plástico é um barato que saiu caro: o valor dele não condiz com o impacto que causa em todos nós”, afirma Yamaguchi.

Na próxima semana, a assembleia do Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (PNUMA) discute em Nairóbi, no Quênia, um acordo global para banir plásticos e microplásticos dos oceanos.

Para o WWF, seria um primeiro passo para responsabilizar produtores de plástico no que diz respeito aos custos de tratamento e coleta dos resíduos.

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A empresa brasileira que produz canudos de inox como alternativa aos de plástico

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Aparentemente inofensiva, a utilização do canudinho plástico virou um grande problema ambiental no mundo. Por ter um baixo custo de produção, é fabricado em grande quantidade. Entretanto, não costuma ser reciclado e grande parte deles, após sua curta vida útil, vai parar em aterros sanitários, rios, lagoas ou até no mar.

Um exemplo do que isso pode provocar é a Ilha de Plástico, como ficou conhecida uma região no Oceano Pacífico coberta por uma mancha de lixo, resultado do acúmulo de detritos plásticos, com quase 80 mil toneladas de lixo plástico. De acordo com estudo realizado pela Scientific Reports, a extensão de lixo do local tem uma área equivalente ao dobro do território da França.

Consciente desses dados e visando a sustentabilidade, a empresa curitibana Beegreen iniciou a produção de canudos reutilizáveis feitos de inox. “Surgiu como uma demanda do mercado brasileiro como uma alternativa aos canudos descartáveis. O canudo de inox é extremamente reutilizável, não enferruja, não amassa e é praticamente inquebrável. Então ele é um produto que é comprado uma única vez, mas pode ser reutilizado milhares de vezes e, se bem cuidado, pode ser até eterno”, explica a mentora do projeto, Jessica Pertile.

Conforme estudos do Fórum Econômico Mundial de Davos na Suíça, até o ano de 2050, o Oceano Pacífico abrigará mais detritos plásticos do que peixes e animais marinhos. Isso deve acontecer porque o plástico nunca se decompõe. Já foram encontradas partículas de plástico em diversos animais marinhos, como ostras e peixes. E esses animais são consumidos por outros animais e pelos seres humanos.

Quanto à polêmica parte de higienização dos canudos de inox, a empresa Beegreen garante que é confiável. “Eles já vêm com uma com uma escovinha higiênica e essa escovinha alcança toda a extensão interna do canudo, de forma que não é possível deixar resíduos internos. Além disso, o inox não possui ranhuras, ou seja, os resíduos não param no canudo internamente

Antes de nós enviarmos os produtos para os clientes, eles já são utilizados a 90ºC em uma máquina industrial e os restaurantes e estabelecimentos podem fazer isso no dia a dia. Outra dica é sempre deixar de molho após o uso, para que os resíduos de polpas de frutas, por exemplo, não sequem na parte interna, facilitando assim a limpeza”, completa Jessica.

Para conhecer o trabalho da empresa, acesse clique aqui.

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França anuncia plano para incentivar uso de plástico reciclado

Proposta prevê variação em imposto sobre produtos dependendo do uso ou não de material reaproveitado na embalagem. “Declarar guerra contra o plástico não basta. Precisamos transformar a economia”, diz ministra.Crimes Ambientais,Ambiente & Ecologia,França,Plásticos,Reciclar,Poluição

Contêineres com plástico
França também pretende reduzir tarifas sobre processos de reciclagem

A França pretende aplicar diferentes taxas sobre produtos com embalagem feita de plástico reciclado ou não a partir de 2019. A medida é parte do plano anunciado pelo governo do presidente Emmanuel Macron de utilizar apenas plástico reciclado no país até 2025.

De acordo com a proposta, até 10% do preço do produto seriam adicionados ou subtraídos do imposto sobre o valor agregado (IVA) dependendo do uso ou não de plástico reciclado, disse a secretária de Estado de Transição Ecológica, Brune Poirson, em entrevista publicada neste domingo (12/08) no Le Journal du Dimanche.

“Quando o plástico não reciclado custar mais, grande parte do excesso de embalagens será eliminado”, disse Poirson. “Declarar guerra contra o plástico não basta. Precisamos transformar a economia francesa.”

O consumidor poderá identificar se a embalagem do produto vem de fontes recicláveis ou não por meio de uma etiqueta. A medida é parte de uma série de iniciativas a serem implementadas nos próximos anos, incluindo um esquema de restituição de depósitos pagos por garrafas de plástico.

Atualmente, a França recicla cerca de 25% do plástico descartado no país, segundo a revista 60 Million Consumers. Em sua companha eleitoral, Macron, prometeu alcançar uma porcentagem de 100% até 2025.

Cortar o uso de plástico descartável é uma prioridade da Comissão Europeia, que anunciou em maio medidas para promover o uso de materiais alternativos e incentivos para empresas.

Escolha ao consumidor

Flore Berlingen, da associação Zero Waste France, disse esperar que as empresas adotem as medidas para que os consumidores não sejam penalizados.

Emmanuel Guichard, da federação de fabricantes de embalagens de plástico Elipso, vê o plano com cautela. “Para as garrafas, é possível dar uma escolha ao consumidor. Mas não podemos esquecer outros itens – hoje não há plástico reciclado disponível para potes de iogurte”, exemplificou.

O país já eliminou o uso de sacolas plásticas descartáveis em supermercados a menos que elas possam passar por compostagem, buscando estimular consumidores a usarem suas próprias sacolas reutilizáveis.

O governo francês também pretende aumentar os impostos para o depósito de lixo em aterros, além de cortar tarifas para processos de reciclagem. Os supermercados Carrefour e Leclerc pretendem deixar de vender canudos de plástico nos próximos meses, antecipando-se a uma lei que proíbe seu uso a partir de 2020.

O movimento pelo fim do plástico vem em meio à difusão em massa de imagens de oceanos e praias lotados de embalagens e garrafas de plástico, assim como de animais marinhos sufocando por conta de resíduos como canudos e sacolas plásticas.

Além disso, iniciativas como os chamados “ataques ao plástico” – nos quais consumidores despejam suas embalagens plásticas na saída dos supermercados – começam a gerar respostas políticas.

Fanny Vismara, que participa da organização dos ataques ao plástico na França, disse que o plano do país para o imposto sobre o plástico não reciclado é parte da solução, “porém incompleto, uma vez que só trata da reciclagem, e não da redução do uso do plástico”. Uma melhor opção para ela seria o vidro, que, diferentemente do plástico, é “infinitamente reciclável”.

A produção global de plástico aumentou mais de 40% nos últimos dez anos, impulsionada principalmente pelo uso de embalagens.

Meio Ambiente e Poluição: Microplásticos estão virando o “fast food” dos peixes

Larva que ingeriu microplástico referente a artigo publicado na revista Science.

Fotografia de: Oona M. Lönnstedt e Peter Eklöv

Vanessa BarbosaVanessa Barbosa

A poluição por lixo plástico nos oceanos vem ganhando contornos cada vez mais sombrios. Agora, os pesquisadores descobriram que as micropartículas de plástico, filamentos com menos de cinco milímetros, parecem ter um efeito “fast food” sobre os peixes.

Na pesquisa, os cientistas identificaram uma espécie que pode realmente tornar-se viciada em comer microplásticos ao confundi-los com um alimento nutritivo.

O estudo completo, publicado na revista Science e liderado por pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, é um dos primeiros a avaliar os impactos sobre a vida marinha desse material, bastante comum em produtos esfoliantes e outros cosméticos. [ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Realizada no mar Báltico, na Europa, onde existem altas concentrações de micropartículas de polietileno, a pesquisa descobriu que os espécimes mais jovens, em fase de crescimento, são os mais vulneráveis ao “pseudoalimento” indigesto.

É como se eles fossem iludidos ao julgar que se trata de um recurso de alta energia que eles precisam comer aos montes.

Naturalmente, esse tipo de dieta é um convite ao desastre: segundo a pesquisa, os peixes em águas com maior presença de plástico são fisicamente menores do que o grupo de controle de águas limpas, além de serem mais lentos e mais “burros”, demorando para fugir de predadores potenciais.

Para agravar, os pesquisadores notaram que, não raro, os peixes optavam por comer microplástico mesmo quando opções naturais, como o planctôn, estavam prontamente disponíveis.

O estudo alerta que, apesar de muitos contaminantes químicos serem conhecidos da Ciência, pouco se sabe sobre seus impactos ecológicos.

“Os mecanismos pelos quais os microplásticos podem afetar embriões e larvas de organismos aquáticos, que são particularmente vulneráveis aos poluentes, são especialmente obscuros”, observam os pesquisadores.

O aumento da utilização de plásticos é de tal forma significativo que, em 2050, os oceanos terão mais detritos desse material do que peixes, alertou um estudo recente da fundação da reconhecida velejadora britânica Ellen MacArthur, em parceria com a consultora McKinsey.

No final, a poluição marinha por plástico expõe não apenas os animais marinhos e seus ecossistemas, como nós, humanos.

Uma pesquisa divulgada em outubro passado mostrou que nada menos do que um quarto dos peixes vendidos nos mercados na Califórnia e na Indonésia contém, em suas entranhas, detritos plásticos. Pois é, o mundo dá voltas.