Máscaras contra o coronavírus são piores que sacolas plásticas: o impacto no meio ambiente é devastador

O descarte inadequado das máscaras — hoje usadas por um grande número de pessoas devido à emergência sanitária — está levando a novos riscos concretos de poluição marinha, um problema que já é bastante sério, dada a quantidade de resíduos plásticos que acabam nos oceanos todos os anos.

Durante uma viagem exploratória às ilhas de Soko, em Hong Kong, uma equipe da OceansAsia, organização para a conservação marinha, encontrou pilhas de máscaras depositadas na praia. Daí o alarme: se não forem descartadas adequadamente, esses instrumentos provocarão um forte impacto ambiental.

Atualmente, as máscaras são usadas em grandes quantidades em todo o mundo devido à pandemia de coronavírus, mas, como tantos outros objetos, muitas vezes acabam se tornando lixo abandonado, espalhado por todos os cantos, chegando depois ao mar.

Todo mundo de máscara. Mas será que elas funcionam mesmo?

Um primeiro exemplo concreto disso foi observado em Soko, um pequeno grupo de ilhas localizadas na costa sudoeste da ilha de Lantau, em Hong Kong. Atualmente, a OceansAsia está conduzindo alguns projetos de pesquisa sobre poluição por plásticos e, duas vezes por mês, uma equipe visita as ilhas para investigar e analisar o acúmulo de resíduos na praia.

Na última expedição, a equipe percebeu o efeito provocado pela emergência do coronavírus nesses locais, não em termos sanitários, mas ambientais. Montes de máscaras se espalharam pela costa. Como declarou Gary Stokes, fundador da OceanAsia, ao Energy Live News:

“Encontramos 70 máscaras descartadas a 100 metros da praia e outras 30 máscaras quando voltamos uma semana depois”

Outras se encontravam na corrente e estavam prestes a chegar ao mar (o que não é surpreendente, considerando que 7 milhões de pessoas as usaram na China).

“As máscaras não eram tão antigas, algumas pareciam quase novas, o que significa que elas não estão na água há muito tempo”

Mas quais são os riscos ambientais?
Teale Phelps Bondaroff, diretor de pesquisa da OceansAsia, explicou:

“Uma máscara que venha a ser ingerida por uma tartaruga local, um golfinho-cor-de-rosa ou um boto-do-índico, por exemplo, pode facilmente ficar presa no sistema digestivo desses animais, matando-os.”

Mas não apenas:

A maioria dessas máscaras contém ou é feita de polipropileno, que não se rompe rapidamente.

A poluição marinha de plásticos é um problema sério. Estima-se que mais de oito milhões de toneladas de plástico entrem em nossos oceanos a cada ano. Este plástico não desaparece, mas se decompõe lentamente em microplástico, que entra nas cadeias alimentares, com efeitos devastadores”.

A organização asiática nos lembra algo muito importante: as pessoas definitivamente devem ser informadas para conhecer as maneiras adequadas de descartar corretamente o lixo, ao mesmo tempo que os governos devem prover meios para isso, tentando ainda reduzir o descarte ao máximo possível.

Do ponto de vista tecnológico, cada vez mais novas invenções aparecem: das embalagens aos materiais para construção, um mundo sustentável é possível.

Lixo humano é irreversível. Máscaras e luvas em todo lugar

No começo da pandemia todo mundo achava que a Mãe Natureza tinha vindo dar o recado e que seus filhos teriam aprendido: é preciso preservar nossa casa, cuidar do bem comum para que todos se beneficiem de um planeta habitável e saudável, hoje e futuramente.

Ledo engano!

O lixo humano é irremediável, inexorável e imutável. Nada adianta, nem guerras nem pandemias, nada é capaz de fazer com que o Deus Dinheiro tenha menos devotos fieis:

quebrou, compra outro
usou, joga fora
não serve, se livra

E vamos nos enchendo de lixo que não tem onde jogar fora, porque o fora não existe.

Agora, máscaras e luvas são os novos cigarros que se juntam às velhas bitucas e vamos que vamos, poluindo hoje e sempre, sem que nenhuma lição tenha sido aprendida .

Que triste não é mesmo? A reclamação vem do mundo inteiro. “Esta quarentena forçada deve nos fazer refletir sobre as nossas ações, luvas e máscaras por todo o lugar. Você não pode ser assim egoísta”. Faça você mesmo sua máscara de pano contra o coronavírus, laváveis e reutlizáveis. Se tiver que usar máscaras e luvas descartáveis, descarte-as no lugar correto e em segurança para evitar a disseminação do vírus.

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Se as coisas continuarem como estão, talvez mereceremos sim a extinção. Somos vergonhosamente a pior espécie da Terra.

Plástico vegetal: O fim do lixo

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A Avantium, empresa holandesa de bioquímicos, lançou um projeto pioneiro para fabricar plásticos feitos de açúcares vegetais, ao invés dos combustíveis fósseis utilizados na fabricação dos plásticos poluentes. Isso significa que, muito em breve, cervejas e refrigerantes poderão ser consumidos em garrafas “all plant”.

De acordo com informações do The Guardian, cerca de 300 milhões de toneladas de plástico são fabricadas todos os anos e a maior parte não é reciclada. Isso faz com que elas virem microplásticos e tenham o oceano como destino final, ou pior, retornam para a cadeia quando são ingeridos pelos animais marinhos e, consequentemente, por nós.

Felizmente, muitos planos surgem com a intenção de substituir esse material por alternativas que não degradam o meio ambiente. Um desses projetos é o da empresa de produtos químicos renováveis, Avantium. Em parceria com a fabricante de cervejas Carlsberg, elas pretendem vender bebidas em garrafas de papelão forradas com uma camada interna de plástico vegetal.

Esse projeto conta também com o apoio de grandes empresas como a Coca-cola e a Danone, pois elas estão no ranking das empresas que possuem embalagens mais poluentes, até então. “Este plástico tem credenciais de sustentabilidade muito atraentes porque não usa combustíveis fósseis e pode ser reciclado, mas também se degrada na natureza muito mais rapidamente do que os plásticos normais”, garantiu Tom van Aken, executivo-chefe da empresa Avantium.Ecologia,Plásticos,Meio Ambiente,Ambiente,Natureza,Poluição,Crimes Ambientais,Fauna & Flora,Blog do Mesquita,Brasil

Segundo informações da empresa bioquímica, o plástico vegetal é resistente o bastante para armazenar bebidas carbonatadas, e pode se decompor em um ano usando um compostor.

Em condições externas normais, o plástico vegetal se decompõe em alguns anos, mas a ideia é que ele possa ser reciclado. A mesma tecnologia também pode produzir embalagens para alimentos, tecidos e filmes. O objetivo da Avantium é produzir cerca de 5.000 toneladas de plástico vegetal por ano.

Por que os céus claros do confinamento não são uma boa notícia para o planeta

Nem as águas limpas dos canais de Veneza. Nem as fotos de animais conquistando a cidade

Um grupo de cabras montesas anda pelas ruas de Llandudno, em Gales.

Mudaremos tanto por dentro após a vida de confinamento?
Irrelevante, insignificante, trivial. Esse é o efeito da redução dos gases poluidores (fundamentalmente, dos carros e da indústria) no aquecimento global. Aqueles que vociferam que o novo coronavírus deu um respiro ao planeta, como se espera que prove um céu azul claro poucas vezes visto em cidades poluídas, estão misturando conceitos, como o de qualidade do ar e mudança climática. “O primeiro tem a ver com emissões que nas cidades vêm, principalmente, do tráfego. Aí realmente veremos benefícios na saúde a curto prazo, pois caíram muito pelo confinamento. Mas, se o assunto é mudança climática, o importante é o CO2, cujas emissões quase não caíram a nível mundial”, diz Julio Díaz Jiménez, cientista titular na Escola Nacional de Saúde no Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII).

E continua: “De fato, há somente três dias batemos um novo recorde de PPM na atmosfera [unidade que mede a concentração de dióxido de carbono]. A pandemia não mudou nada”. E mais, foi postergada, por segurança, uma importante reunião que verdadeiramente poderia ter feito algo para evitar secas, incêndios e catástrofes, a Conferências das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP26), em que os países se dispunham a aumentar seu compromisso contra o aquecimento global (até agora, insuficiente). No melhor dos casos só ocorrerá em novembro de 2021.Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Não há copo meio cheio que chegue. Enquanto algumas previsões dizem que os estragos do coronavírus farão com que finalizemos o ano com uma queda nas emissões de CO2 de 5%, o necessário é chegar a 7,6% durante dez anos (ou, pelo menos, quedas de 10% mensais nos próximos 12 meses). As conversas para tentá-lo ―agora sepultadas pela urgência da situação― eram muito mais importantes do que essa parada forçada, concordam os especialistas. E meses de negociações foram perdidos… Também não é tão idílica essa nova imagem dos canais de Veneza com águas límpidas e transparentes (até peixes foram vistos). “Sem medições é impossível saber se é pela qualidade da água ou se, pela falta de barcos, os sedimentos não se removem e permanecem no fundo”, afirma Davide Tagliapietra, do Instituto de Ciências Marinhas da Itália.

O plástico sai de seu esconderijo

De acordo com a Bloomberg, nos EUA se passou uma semana entre o primeiro caso de covid-19 e a proibição da Starbucks de que seus clientes levem xícaras de casa para beber seus cafés. Os copos de plástico descartáveis se tornaram obrigatórios por motivos de saúde. A empresa editorial e de assessoria financeira lançou por sua vez um relatório pormenorizado no qual anuncia uma etapa dourada à indústria das embalagens do até bem pouco tempo desprezado material, “já que suas alternativas ecológicas apresentam dúvidas de higiene e segurança”.

Para não falar da altíssima demanda de máscaras, luvas, papel filme transparente e outros artigos muito procurados. O Greenpeace tem certeza de que a poluição por plásticos será um dos assuntos de sua agenda durante a gestão da crise. As corridas aos supermercados não ajudam. “Não temos dados, mas é evidente que há um aumento do consumo de produtos embalados em plásticos descartáveis”, diz a ONG.

Não está tudo perfeito aos animais

Pode parecer, pelas imagens de patos, javalis e cabras perambulando por locais até pouco tempo monopolizados pelos avarentos humanos (não acredite em todas: atenção ao fascículo, que você pode encontrar no PDF do novo número de BUENAVIDA, em espanhol, disponível grátis nesse link). São muitas as espécies, entretanto, que sofreram pela ausência de pessoas durante o confinamento (e continuarão sofrendo no que, previsivelmente, está por vir).

Como denunciou há pouco uma reportagem da revista Wired, qualquer animal com chifres na África, como é o caso dos rinocerontes, hoje corre mais riscos de ser caçado. “[Pela destruição dos empregos dos guardas florestais], se perderá todo o trabalho de conservação feito nos últimos dez anos na região”, avalia, na reportagem, um porta-voz da ONG The Nature Conservancy. É um lamento generalizado de todos os que se dedicam à conservação de espécies, de aves à fauna marina: com laboratórios fechados e fundos paralisados, seu trabalho está em perigo.

A fauna urbana, por sua vez, não está melhor. “As colônias de gatos, os patos, pavões-indianos de alguns parques e as pequenas aves que comem as sobras dos terraços estão desamparados”, afirmou Matilde Cubillo, presidenta da Federação de Associações Protetoras e de Defesa Animal da Comunidade de Madri, ao EL PAÍS. Nos abrigos de animais, não há adoções e voluntários.

Então não há esperança ao meio ambiente?Natureza,Ambiente,Meio Ambientea,Clima,Blog do Mesquita 01

O cientista Julio Díaz, chefe do departamento de Epidemiologia e Bioestatística do ISCIII, lança uma luz sobre o momento crucial ao planeta: “Aprendemos que a saúde pode vir antes da economia. E a defesa do meio ambiente é uma defesa da saúde: não se entende um sem o outro. Mas precisamos lembrar disso após a recessão, e não continuar com o ritmo de crescimento e emissões tão selvagem que fazíamos”.

A questão mais espinhosa: a crise econômica que se espera com a pandemia pode ser uma oportunidade para realizar a transição energética ou se transformará na desculpa perfeita para deixá-la para trás? Díaz tenta, com dificuldades, ser otimista… “Já tenho certa idade. E a história nos diz que ocorrerá a segunda opção.

Nos EUA, Donald Trump anunciou que relaxará as leis ambientais à indústria automotiva para diminuir a recessão. A China já emite gases poluidores pelo tráfego no mesmo nível do que antes da pandemia. Ainda assim, escolhi acreditar”. Gestos individuais? Também os espera: “Acredito que tenhamos aprendido que a bicicleta é um grande meio de transporte, e que não é preciso pegar um avião quando é possível se reunir pela Internet”.

Os microorganismos podem resolver nosso problema de resíduos de plástico?

A reciclagem de plásticos e outros materiais sintéticos costuma ser cara e nem sempre é possível.

Agora, os pesquisadores descobriram uma enzima que decompõe o PET em apenas algumas horas e permite que novas garrafas de plástico sejam produzidas com lucro.

Pesquisadores da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, examinaram cerca de 100.000 microorganismos diferentes e finalmente encontraram o que procuravam em uma pilha de folhas. A enzima bacteriana mutada, agora presente na revista “Nature”, decompõe o tereftalato de polietileno (PET)  Em suas partes constituintes em um curto espaço de tempo: em apenas 10 horas, a enzima mutada decompôs 1 tonelada (1,1 tonelada de US) de velhas garrafas plásticas em 90% de seus componentes.

Solução para o problema global de resíduos?

Há muita esperança de que os microrganismos sejam capazes de resolver nosso problema de plástico em um futuro próximo. Afinal, a reciclagem eficaz de plásticos ainda é apenas um mito. Em todo o mundo, são produzidas anualmente cerca de 359 milhões de toneladas de plásticos, das quais cerca de 150 a 200 milhões de toneladas acabam em aterros sanitários ou no meio ambiente.Afinal, a reciclagem eficaz de plásticos ainda é apenas um mito.

O tereftalato de polietileno (PET) é o plástico de poliéster mais difundido, com quase 70 milhões de toneladas usadas a cada ano. Na sua forma mais pura, o PET é usado na indústria de alimentos, por exemplo, na produção de garrafas, filmes e embalagens de alimentos. O poliéster resistente a rasgões, intempéries e sem rugas também é usado para fabricar fibras têxteis.

No entanto, o PET não pode realmente ser reciclado, apenas reduzido. Durante esse processo termomecânico, o material perde muitas de suas propriedades e pode ser usado apenas para produtos inferiores, como tecidos de lã ou tapetes.

Resultados da pesquisa japonesa

Pesquisadores japoneses do Instituto de Tecnologia de Kyoto descobriram em 2016 que certas enzimas podem quebrar os plásticos. Ao examinar as águas residuais, sedimentos e lodo ativo em uma planta de reciclagem de garrafas PET, eles encontraram a bactéria Ideonella sakaisensis 201-F6. Duas enzimas anteriormente desconhecidas da bactéria são responsáveis ​​pelo processo de decomposição natural. A enzima ISF6_4831 converte PET em um produto intermediário, e a outra enzima, ISF6_0224, converte ainda mais esse produto intermediário para que, no final, restem apenas ácido tereftálico e glicol inofensivos.

No entanto, como esse processo de decomposição natural leva mais de um ano, cientistas da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA continuaram suas pesquisas e, acidentalmente, criaram a nova enzima mencionada acima, que decompõe o PET muito mais rapidamente. Os resultados foram publicados pela primeira vez em 2018 na revista “Proceedings of the American Academy of Sciences” (PNAS).

Há muito se sabe que certos fungos podem decompor não apenas o PET, mas também o alsopoliuretano. Milhões de toneladas desse plástico também são produzidas anualmente, principalmente como espuma macia usada para itens como isolamento de espuma, esponjas de cozinha e fraldas, ou como espuma rígida em calçados esportivos, por exemplo. Geralmente, o poliuretano é descartado em aterros, porque o material é muito resistente para ser reciclado.

Quando o poliuretano se degrada, podem ser liberados produtos químicos tóxicos e cancerígenos que matariam a maioria das bactérias. No entanto, a bactéria encontrada em um aterro sanitário e apresentada ao público em março pelo Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ) em Leipzig não é afetada.Geralmente, o poliuretano é descartado em aterros, porque o material é muito resistente para ser reciclado.

Provém da cepa das bactérias Pseudomonas, que são capazes de sobreviver mesmo sob condições adversas, como altas temperaturas e ambientes ácidos.

Embora seja muito mais fácil usar bactérias do que fungos para aplicações industriais, Hermann Heipieper, da equipe de pesquisa Helmholtz, estima que ainda levaria 10 anos para que a bactéria pudesse ser empregada em larga escala. Enquanto isso, é importante diminuir o uso de plásticos difíceis de reciclar e reduzir a quantidade de plásticos no ambiente, diz Heipieper.

Perspectivas lucrativas

A enzima recentemente apresentada pode ser de grande benefício não apenas para o meio ambiente, mas também para a empresa francesa Carbios, que trabalha intensamente há anos na decomposição em larga escala de PET usando enzimas e que também financiou esse desenvolvimento.

Em cinco anos, a Carbios pretende trazer o novo processo de reciclagem para o mercado em escala industrial. Isso pode valer a pena porque o custo da enzima é de apenas 4% do custo do petróleo necessário para produzir uma quantidade comparável de novas garrafas de plástico.

Embora as garrafas de PET ainda precisem ser trituradas e aquecidas, o novo processo é lucrativo, disse Martin Stephan, vice-diretor da Carbios. Para garantir que o desenvolvimento de enzimas possa ganhar rapidamente impulso, a Carbios recebe forte apoio financeiro de grandes empresas como Pepsi e L’Oreal.

Alta concentração microplástica encontrada no fundo do oceano

O que acontece com os microplásticos no oceano?

Os cientistas identificaram os níveis mais altos de microplásticos já registrados no fundo do mar.

A contaminação foi encontrada em sedimentos retirados do fundo do Mediterrâneo, perto da Itália.

A análise, liderada pela Universidade de Manchester, encontrou até 1,9 milhão de peças plásticas por metro quadrado.

Esses itens provavelmente incluíam fibras de roupas e outros tecidos sintéticos e pequenos fragmentos de objetos maiores que haviam se quebrado ao longo do tempo.

As investigações dos pesquisadores os levam a acreditar que os microplásticos (menores que 1 mm) estão sendo concentrados em locais específicos no fundo do oceano por poderosas correntes de fundo.

“Essas correntes constroem o que chamamos de depósitos à deriva; pense nas dunas subaquáticas”, explicou o Dr. Ian Kane, que liderou a equipe internacional.

“Eles podem ter dezenas de quilômetros de comprimento e centenas de metros de altura. Eles estão entre os maiores acúmulos de sedimentos da Terra. Eles são feitos predominantemente de lodo muito fino, por isso é intuitivo esperar que microplásticos sejam encontrados dentro deles”.

‘Híbridos horríveis’: os produtos plásticos que dão pesadelos aos recicladores

De cartões de aniversário a bolsas de comida para bebê, uma tendência crescente de misturar materiais está tornando a reciclagem ainda mais difícil.

Estudos têm demonstrado que a proliferação de plásticos descartáveis ​​está acelerando as mudanças climáticas. Ilustração: Cat Finnie / The Guardian

A voz alegre e cantante dentro do seu cartão musical de “feliz aniversário” é suficiente para causar horror no coração do reciclador local.

Os cartões musicais, que tocam uma gravação quando abertos, parecem papelão comum, facilitando o lançamento acidental da lixeira. Mas especialistas dizem que o interior está repleto de eletrônicos baratos e baterias tóxicas – tornando-os um pesadelo para se desfazer.

Esses cartões são apenas um exemplo do que os recicladores dizem ser uma tendência crescente na mistura de diferentes materiais para criar novos tipos de produtos e embalagens, o que dificulta muito o trabalho de recuperação de produtos reutilizáveis.

“Eu os chamo de ‘híbridos horríveis'”, disse Heidi Sanborn, que chefia o Conselho Nacional de Ação de Administração, uma rede de grupos que busca fazer com que os fabricantes assumam a responsabilidade pelo descarte adequado dos produtos que vendem. “Eles são feitos de vários materiais ou materiais impossíveis de reciclar. É um monte de coisas. ”

Os plásticos descartáveis ​​de uso único tornaram-se um ponto de exclamação ambiental internacional, pois apareceram nas barrigas de pássaros e peixes, inundaram praias intocadas em países remotos com lixo e até foram detectados em quantidades microscópicas na água da chuva. Os produtos plásticos projetados para serem usados ​​por alguns minutos podem levar décadas ou mais para se decompor.Meio Ambiente,Oceanos,Plásticos,Poluição,Blog do Mesquita

Estudos também mostraram que a proliferação de plásticos descartáveis ​​está acelerando as mudanças climáticas através das emissões de gases de efeito estufa em todas as etapas do seu ciclo de vida. Enquanto grupos ambientais que lutam para reduzir o uso de plásticos descartáveis ​​ganharam visibilidade nos últimos anos, a indústria de petróleo está investindo pesadamente em uma enorme onda de produção de plástico – que a indústria espera crescer 40% até 2030. O aumento de plásticos a produção deve ser alimentada pelo gás de xisto ultra-barato que flui do boom de fracking dos EUA. A indústria petroquímica já investiu US $ 200 bilhões na construção de novas usinas de craqueamento que separam etano do gás para produzir o eteno necessário para a fabricação de plásticos. Outros US $ 100 bilhões em investimentos estão planejados.

A indústria costuma apontar a reciclagem como a solução para todos os novos plásticos. No entanto, apenas uma fração dos produtos plásticos acaba sendo reciclada, um problema que foi exacerbado quando a China fechou suas portas em 2018 para o dilúvio de plásticos de outros países que anteriormente reciclava.

Os municípios e recicladores dos EUA estão se esforçando para aumentar a quantidade de reciclagem que podem fazer no mercado interno. Mas essas novas formulações de embalagens híbridas – itens que misturam materiais como papel alumínio, papel e, às vezes, vários tipos de plásticos – impedem as soluções de reciclagem e, na maioria das vezes, acabam no lixo.

Exemplos incluem sapatos e roupas embutidos com eletrônicos; as bolsas de plástico flexível cada vez mais populares usadas para embalar coisas como vagens de detergente, arroz e comida para bebê; e garrafas e latas recicláveis firmemente embrulhadas em etiquetas de plástico extras.

Cartões de canto e outros produtos com pequenos componentes eletrônicos dentro deles são especialmente irritantes para os recicladores. Eles não apenas incluem lixo eletrônico tóxico, mas quando as pequenas baterias são esmagadas nas máquinas dentro das usinas de reciclagem, é sabido que elas causam incêndios.

“Um dos maiores problemas para os recicladores atualmente são todos os produtos que contêm baterias de íon de lítio, como cartões de canto, balões e outros produtos inovadores”, disse Kate Bailey, diretora de pesquisa da Eco-Cycle, em Boulder, Colorado, reciclador. “Essas baterias podem acender facilmente quando são apanhadas no equipamento de processamento ou atropeladas por uma carregadora frontal, e essas faíscas podem levar a incêndios desastrosos no centro de reciclagem”.

Os recicladores estão pedindo aos fabricantes que simplifiquem os produtos que fabricam para facilitar a reciclagem. Mas eles dizem que os consumidores também podem ajudar procurando produtos mais recicláveis – e depois votando com seus dólares.

Bolsas de plástico

Outra ameaça crescente para os recicladores são as bolsas de plástico cada vez mais usadas para armazenar tudo, desde vagens de detergente para roupas a cereais e sucos. Esta embalagem flexível é feita com muitas camadas finas de diferentes tipos e cores de plástico e, às vezes, é revestida com papel alumínio e cera.

Fabricantes e produtores de plásticos divulgam essas bolsas para diminuir o tamanho das embalagens, reduzir os custos de remessa e aumentar a vida útil dos alimentos. “Algumas camadas finas e cuidadosamente escolhidas significam mais valor, menos espaço ocupado”, diz um vídeo do grupo de lobby de produtores de plástico, o American Chemistry Council, que promove essas bolsas.

Mas os recicladores dizem que são praticamente impossíveis de reciclar. E eles tendem a acabar no oceano e levar décadas para se biodegradar. Ao escolher o detergente para a roupa, eles dizem, os consumidores podem procurar produtos em caixas sem revestimento ou tentar novas formulações, como tiras de detergente concentradas, que não exigem embalagem plástica.

Etiquetas plásticas

Outro problemão para recicladores é o uso crescente de embalagens não recicláveis ​​em torno de garrafas e latas perfeitamente recicláveis. Por exemplo, a maioria dos produtos de limpeza com spray vem em garrafas de polietileno de alta densidade, que podem ser prontamente recicladas. Mas primeiro os consumidores devem remover as borrifadoras, pois elas são feitas de plásticos diferentes e não são recicláveis. Em seguida, os consumidores precisam encontrar uma maneira de extrair as embalagens plásticas coloridas impressas que os embaladores estão cada vez mais enrolando em garrafas para tornar a etiqueta mais atraente.

“Quem faz tudo isso? Ninguém – disse Sanborn. “Tornamos a reciclagem muito complicada. Quem tem tempo para ler um manual de tudo o que se livrar?

Em vez disso, os consumidores podem procurar garrafas de cores claras ou brancas com a etiqueta impressa na própria garrafa. É ainda melhor se eles escolherem marcas comprometidas com o uso de plástico reciclado para fabricar essas garrafas, como os produtos de limpeza Method. Outra ótima opção é que os clientes misturem seus próprios produtos de limpeza e reutilizem as garrafas de plástico.

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Caribe: uma paraíso… de plástico!

Um paraíso, um lugar dos sonhos que sempre foi considerado o símbolo da beleza natural.

Mas o Caribe está escondendo uma sua outra face. Um verdadeiro mar de lixo envolvendo suas ilhas, mostrado pelas fotos tiradas da Reserva Marinha dos Cayos Cochinos pela fotógrafa Caroline Power.

Cayos Cochinos é um grupo de ilhas formado por duas pequenas ilhas e 13 cayos (ilhas rasas, pequenas, arenosas, formadas na superfície por um arrecife de coral).

Localizada a cerca de 30 km a nordeste de La Ceiba, na costa norte de Honduras, estas ilhas fazem parte de uma reserva marinha protegida. O recife de coral do qual fazem parte é o segundo maior do mundo e é conhecido como a Barreira de Coral Mesoamericana.

Caroline, especialista em fotografia subaquática, dedica sua carreira a destacar os danos que o lixo plástico vem causando aos nossos oceanos e águas. Assim, recentemente, ela imortalizou uma cena de horror que se encontra ao largo da costa de Honduras, entre as ilhas Roatan e Cayos Cochinos.

O barco em que ela estava passou por uma extensão de lixo, principalmente feito de plástico.

“Ver algo que eu amo assim tão profundamente, danificado, lentamente sufocado até a morte por causa do lixo humano, tem sido devastador”, disse a fotógrafa ao Telegraph. “Uma vez que o lixo acaba no oceano, é incrivelmente difícil e caro removê-lo”.

A solução seria evitar isso, melhorando a gestão dos resíduos, a educação ambiental e a abertura de fábricas de reciclagem no mundo inteiro.

As imagens abaixo mostram o que você pode encontrar visitando um dos locais de mergulho mais lindos do Caribe. A fotógrafa atravessou uma lixeira marinha de cerca de 10 km de largura:

“Em todo lugar que olhamos, havia sacolas de plástico de todas as formas e tamanhos e outras embalagens. Algumas estavam cheias e outras rasgadas. Infelizmente, muitas tartarugas, peixes, baleias e aves marinhas não sabem que é lixo e as confundem por comida”.

Blue Planet Society, uma organização que pretende por fim à pesca e à super exploração dos oceanos, acredita que os resíduos vieram do rio Motágua na Guatemala, terminando no mar durante chuvas intensas.

A fotógrafa colocou suas fotos nas redes sociais para mostrar o que estamos fazendo com o nosso planeta.


“Se não mudarmos nosso comportamento agora, teremos mais plástico do que peixes no oceano”.

 

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O mundo está viciado em lixo plástico

Celia Talbot Tobin

As praias na Guatemala e em Honduras localizadas perto da foz do rio Montagua, vistas aqui, são alguns dos piores exemplos de acúmulo de lixo.

Quando você começa a procurar lixo, passa a vê-lo em todo lugar. Ele passa por você todos os dias, um fluxo infinito de sacolas, embalagens de delivery e garfos descartáveis, plásticos e papéis-alumínio que vêm enrolados em todo tubo de pasta de dente, brinquedo ou carregador que você compra e, posteriormente, os próprios tubos, brinquedos e carregadores. Até mesmo as roupas que você está vestindo e os sapatos que está calçando. O lixo está ao nosso redor o tempo todo, por um momento, antes de desaparecer em um lixão distante – o que não é visto, não é lembrado.

Na Guatemala, essas correntes movem-se pelo rio Motagua. O maior rio do país cobre dois terços do caminho até o istmo do Panamá, 483 quilômetros de sua nascente nos remotos planaltos centrais da Guatemala até sua foz no Recife Mesoamericano, no Caribe, a segunda maior barreira de corais do mundo. Ao longo do caminho, passa pela Cidade da Guatemala, a movimentada capital do país, apinhada com 3 milhões de pessoas e marcada por ravinas profundas que, na época das chuvas, conduzem as águas de enchentes repletas de lixos e detritos até o rio.

Durante anos as ondas de lixo chegavam até as praias da Guatemala e da vizinha Honduras, enterrando as pequenas comunidades de peixes em montes de isopor e outros plásticos: pentes, escovas de dente, tubos de rímel, Crocs, chinelos, serpentes coloridas de cordas plásticas, tapetes moldados de espuma, bolas de borracha, bonequinhos, garrafas de refrigerante, seringas, bolsas intravenosas, garrafas de desinfetante pela metade. Ao largo da costa, recifes de bolsas plásticas flutuam nas ondas, como icebergs com a ponta projetada acima da superfície e ocultando muito mais embaixo d’água.

Celia Talbot Tobin

Em El Quetzalito, os habitantes locais são responsáveis pela manutenção das “bio cercas”, instaladas recentemente pelo governo. Construídas a partir de grandes garrafas plásticas unidas com malhas, elas agem como barreiras superficiais, impedindo que o lixo flutuante chegue à foz do rio Montagua enquanto ele deságua no Mar do Caribe.

Na pequena comunidade de El Quetzalito, os habitantes locais limpam as praias com ancinhos e carrinhos de mão. A maioria deles ganhava a vida com a pesca ou a agricultura de subsistência anteriormente, porém agora eles trabalham para o governo, mais especificamente para o Ministério do Meio Ambiente, que vem lutando para enfrentar o problema da poluição ao longo do Montagua.

Apesar de as vítimas dessa poluição serem locais, o problema é verdadeiramente global: estima-se que 80% do plástico nos oceanos é resultado da “má gestão dos lixos”, assim como os que transbordam do lixão da Cidade da Guatemala todos os anos. Enquanto as cidades americanas proíbem sacolas e canudos plásticos, nenhuma medida é tomada para combater essa grande fonte de poluição.

Ao fim das três semanas que passamos na América Central, tentamos calcular todo o lixo que deixamos para trás: 15 garrafas plásticas de água, de tamanhos variados, 15 tampas de garrafas plásticas, de cores variadas, 8 garrafas de vidro, 22 latas de alumínio, 12 copos plásticos incolores, 5 copinhos de isopor para café, 3 tampas de plástico para café, 7 canudos de plástico, 1 par de chinelos de microfibra e espuma do hotel, usado duas vezes, 4 lenços umedecidos de limpeza facial, 1 porta remédios de plástico, que armazenou anteriormente um suprimento de um antimalárico para seis dias, 1 garrafinha com solução para lentes de contato, 3 mini frascos de xampu, condicionador e sabonete líquido, parcialmente vazios. Quanto às sacolas plásticas, oferecidas em todos os lugares apesar de fazermos de tudo para evitá-las, perdemos as contas.

Começamos a perceber o plástico não como algo que é irresponsavelmente descartado, mas como algo que é, antes de mais nada, irresponsavelmente criado. O plástico, em especial, é onipresente e inevitável, produzido tão casualmente quanto é descartado: um canudo cortado ao meio e servido com nossos cafés matinais, um par barato de sapatos que não dura muito tempo, uma sacola plástica para armazenar a fruta que compramos no mercado. A “nascente” do plástico fica em algum lugar muito distante, invisível, mas sua corrente é interminável.

Celia Talbot Tobin
El Quetzalito fica na foz do rio Montagua, onde ele deságua no Mar do Caribe. Aqui, como em algumas outras poucas comunidades locais, são realizados alguns pequenos projetos educacionais. Alguns deles adotam uma abordagem mais artística, como a construção de estruturas para atividades escolares extracurriculares a partir de garrafas plásticas coletadas, que são preenchidas com mais plástico flexível recolhido.
Celia Talbot Tobin

Como muitos países da América Central, a Guatemala possui poucas usinas de reciclagem. Na pequena comunidade de El Quetzalito – a última parada antes de o lixo chegar ao mar –, a maior parte do lixo reciclado coletado é levado de caminhão para a Cidade da Guatemala, 300 km a oeste, fazendo o caminho de volta ao lado do mesmo rio que o levou até ali.

Celia Talbot Tobin

 

No país, há instalações particulares de coleta de resíduos apenas na Cidade da Guatemala, onde materiais recicláveis, como o papel visto aqui, são separados por tipo e compactados.

Celia Talbot Tobin

 

Papel em uma instalação de coleta de recicláveis.

Celia Talbot Tobin

O papel é separado por tipo e peso em uma instalação de coleta na Cidade da Guatemala.

Celia Talbot Tobin

Piscinas naturais formam-se nas praias ao longo da foz do Motagua, onde o lixo – parte dele tendo viajado por toda a extensão do rio – deságua no Mar do Caribe, pertinho do Recife Mesoamericano.

Celia Talbot Tobin

Durante quase toda a sua existência, os vilarejos na costa do Mar do Caribe na Guatemala ganharam a vida com a pesca. Com os ecossistemas cada vez mais vulneráveis, esse futuro não parece mais tão certo.

Celia Talbot Tobin

Montes de plástico e isopor empilhados nas praias da Guatemala e repletos de garrafas de refrigerante, pentes, escovas de dente, Crocs, bonequinhos, seringas e bolsas intravenosas.

Celia Talbot Tobin

O único lixão oficial da Guatemala, localizado na movimentada capital do país, que possui 3 milhões de habitantes, é o maior da América Central. O Motagua nasce nos planaltos a oeste e passa pela cidade, marcada por ravinas profundas que, na época das chuvas, conduzem as águas de enchente repletas de lixos e detritos até o rio.

Celia Talbot Tobin

Em El Quetzalito, na foz do rio, os habitantes locais limpam as praias com ancinhos e carrinhos de mão, uma pequena equipe recrutada pelo governo para atuar como a última barreira entre o restante do lixo do país e o oceano.
Via BuzzFeed