Um olhar fora da bolha: Fatos & Fotos 12/07/2020

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Pintura de Floriano Teixeira

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Grafitti – Autor Desconhecido

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Da série: “Fique em Casa”

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Arquitetura – Residências
Capadócia,Turquia

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Grafitti

– Série Sereníssima – XII
Escultor inglês vive West Sussex, UK.

William Knight (British,1872-1958)
“At Sunset” s/d

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Da série: “FiqueEmCasa”

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Brasil da série:
“Sem humor não dá para agüentar
o tranco neste hospício”

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Sonho de ditaduras: “A Escola sem Patido”.
Com partidos, permitidos só os que lambem rabos.

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Com todas a vênias, Ministro Gilmar Mendes, discordo. Não é o exército, mas os nanicos de pijama subordinados ao capetão.
O Exército está se associando a “genocídio” na pandemia do novo coronavírus,” diz Gilmar Mendes – Ministro do STF participou de debate neste sábado (11) ao lado de Luiz Henrique Mandetta e Drauzio Varella.

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Da série:”Assim é se lhe parece”!

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Entenda como o Facebook relacionou
fake news à família Bolsonaro.

Envolvimento direto de funcionário do presidente. A investigação, que partiu da Atlantic Council’s Digital Forensic Research Lab (DFRLab), descobriu que administradores dessas redes estavam diretamente ligados aos gabinetes dos filhos do presidente, Eduardo e Flávio Bolsonaro e a outros deputados do Partido Social Liberal (PSL). Essa ação do Facebook e DRFLab é inédita no Brasil e exigiu a colaboração de pesquisadores associados na América Latina.

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Emil Nolde
Rain over a Marsh, c. 1938

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PANDEMIA DE CORONAVÍRUS

Dois cientistas vinculam maior gravidade da covid-19 a DNA herdado dos neandertais. Os suecos Svante Pääbo, ganhador do Princesa de Astúrias, e Hugo Zeberg sustentam que uma variante genética de origem neandertal tem “trágicas consequências” hoje.

Um estudo preliminar com 35.000 pacientes detectou uma taxa de mortalidade por covid 19% maior nesses cidadãos originários do sul da Ásia em comparação com os grupos classificados como “brancos”.

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Gravura de Hiromi Sumida

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Uma país que acha linda a primeira criança e quer exterminar a segunda, não deu certo!

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Francis Bacon – Superficialidade Popular

Como se a multidão ou os mais sábios em nome da multidão não estivessem prontos a dar passagem muito mais àquilo que é popular e superficial do que ao que é substancial e profundo; pois a verdade é que o tempo parece ter a natureza de um rio ou correnteza, que carrega até nós tudo o que é leve e inflado, mas afunda e afoga tudo aquilo que tem peso e solidez.

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Breve em uma escola perto de você

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Trump livra a cara do amigo do peito.

O presidente Donald J. Trump ordenou uma clemência executiva para comutar a injusta sentença de “Roger Stone“, acrescentando que Roger Stone “já sofreu muito” Hahaha.
“Com essa comutação, Trump deixa claro que existem dois sistemas de Justiça na América: um para seus amigos criminosos e outro para todos os outros”, disse Adam Schiff, presidente do Comitê de Inteligência da Câmara.

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Da série: “Fique em Casa”

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Mortes crescentes entre Xavantes

A situação é tensa também entre os Xavantes, etnia de 23 mil pessoas que vive em uma área fragmentada em nove terras indígenas no Mato Grosso. Já são mais de 200 casos de infecção confirmados e 23 óbitos em decorrência da Covid-19, segundo dados do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei).

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Da série: “Fique em Casa”

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Em um mês, terra indígena do Vale do Javari registra aumento de 630% em casos confirmados de Covid-19

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O lado acumulador de Pablo Picasso

Picasso vivia cercado de confusão na casa dele, com diversos objetos velhos

Picasso teria pouco tempo para os ambientes elegantes e minimalistas de hoje. Ele se cercou de confusão, considerando que mesmo os itens mundanos e esfarrapados que outras pessoas jogavam fora podiam ter interesse artístico.

Ele guardava tudo: jornais velhos, pedaços de papel de embrulho e envelopes usados, maços de cigarros, passagens de ônibus e guardanapos de papel.

Quando suas pilhas de papéis cresciam demais para os tampos das mesas, ele as prendia com grampos e as pendurava no teto, como candelabros.

Quando morreu em 1973, aos 91 anos, ele já havia acumulado milhares de objetos, alguns dos quais estão expostos na Royal Academy de Londres como parte de uma exposição dedicada à paixão dele pelo papel.

Trezentas obras de arte e itens de sua coleção, com mais de 80 anos, revelam a extensão de sua acumulação — e de sua visão.

Picasso gostava de bagunça. O estúdio na Villa La Californie, em Cannes, na França, estava cheio de coisas — rolos de papel, caixas e potes de tinta preenchendo todas as superfícies imagináveis, inclusive as cadeiras.

Picasso na Villa La Californie, em Cannes: local era cheio de objetos

“Picasso disse certa vez: ‘Você é o que guarda’, e acho que ele tinha muito senso de posteridade”, diz Ann Dumas, co-curadora da exposição Picasso e Papel. “Ele se preocupava muito com guardar e registrar as coisas, então acho que isso fazia parte de sua definição da própria identidade.”

Ele pegava os jornais e respondia às histórias publicadas neles fazendo desenhos a lápis ou tinta. Havia pouco, de fato, que ele não rabiscasse. Se uma folha de embalagem estivesse coberta por uma estampa ou texto, ele desenhava sobre ela.

Sua própria obra se fundia com a gravura até que as duas mal se distinguissem. O efeito poderia ser cômico, como quando ele usou uma caneta tinteiro para desenhar sobre a fotografia de uma modelo da Vogue e estendeu as pernas dela para que saíssem por baixo do vestido de festa.

Direito de imagemRMN-GRAND PALAIS, MUSÉE NATIONAL PICASSO/ MATHIEU
Image captionAuto-retrato (1918) a lápis e carvão está entre as exposições incluídas em Picasso e Papel na Royal Academy de Londres

Para muitos artistas, o caos significava criatividade e, em seus tesouros, Picasso encontrou os objetos perfeitos para animar suas naturezas-mortas. Seu amigo, o artista Georges Braque, geralmente é creditado com a invenção da colagem moderna em Sorgues, ao norte de Avignon, em 1912. Mas Picasso foi rápido em assumir a forma de arte.

‘Violino’ (1912) mostra como Picasso encontrou os materiais perfeitos em seus tesouros para criar suas colagens

Para muitos artistas, o papel era apenas um meio preparatório, uma base sobre a qual poderiam elaborar ideias antes de traduzi-las em tela ou bronze. Para Picasso, o papel não era apenas para rascunho, nem simplesmente um meio para atingir um fim.

Com Femmes à leur Toilette (1937-8), ele demonstrou a eficácia da colagem em grande escala. Medindo 4,48 metros de largura, a colagem é pintada com guache e apresenta pedaços de papel de parede colados na tela para evocar o drama de uma cena doméstica.

Mais tarde, Picasso olhou para Le Déjeuner sur lherbe (1863), de Manet, e recriou suas figuras em papelão.

Naquele ano, ele montou sua célebre Natureza Morta com a Cadeira Caning, usando um pedaço de toalha de mesa para o assento da cadeira. Sua genialidade era encontrar o objeto certo para cada espaço e manter a forma enquanto perturbava o plano da imagem.

Em 1914, jornais e embalagens de tabaco estavam entre os materiais que ele usou para criar sua colagem Copo, Garrafa de Vinho, Pacote de Tabaco, Jornal. Havia, frequentemente, um relacionamento entre o material e o objeto que ele representava.

Copiar e colar

Muito antes da reciclagem se tornar uma preocupação ambiental, Picasso mostrou que havia beleza no lixo da vida cotidiana. Um exemplo foram os restos de velhas unhas, pedaços de pano e barbante que ele colocou em suas pinturas de violões. Ninguém daria pela falta do botão que serviu tão perfeitamente como um buraco para seu Violão de Maio de 1926.

Picasso até criou do papelão um violão em três dimensões, deixando a fita com a qual ele construiu a obra claramente visível.

Na linogravura ‘Le Déjeuner sur l’herbe d’après Manet’ (1962), Picasso recriou as figuras da pintura original e as transferiu da tela para o papelão

Em suas formas, essas figuras remontam aos recortes de papel que Picasso havia feito desde sua juventude.

A exposição em Londres apresenta um cão e um pombo que ele parece ter recortado com perfeição do papel sem usar nenhum tipo de recurso adicional já aos 8 ou 9 anos de idade.

Uma década e meia depois, ele ainda estava recortando formas de papel, só que dessa vez eram um pouco mais ambiciosas — como uma lula, uma pera e o traste de um violão.

Picasso fez recortes de papel ao longo de toda a sua carreira, incluindo ‘Cabeça de Mulher’ (1962)

Era difícil encontrar materiais em Paris durante a ocupação alemã, mas por trás das cortinas opacas de seu estúdio, Picasso fabricou, a partir de seu estoque de restos, uma faca e um garfo, uma cabra, um pássaro, luva, uma fileira de dançarinos e o mais surpreendente de todos, uma série de caveiras, que ele também pintou.

Um guardanapo de papel queimado serviu para representar o falecido cão branco da raça bichon de seu amor, Dora Maar. Não foi por acaso que muitas dessas formas de guerra se assemelhavam a fantasmas.

Um guardanapo velho com buracos nos olhos pode não ter o impacto imediato ou o apelo das Demoiselles d’Avignon ou La Vie. De fato, seria fácil descartar grande parte das coisas efêmeras de Picasso como insignificantes.

O fato de ele ter se dedicado a manter, preservar e datar com dia, mês, ano, às vezes até horário mesmo seus esboços rápidos no papel indica que ele queria ser lembrado por muito mais do que suas obras-primas acabadas.

As pilhas que Picasso deixou para trás documentam sua existência diária. São os pensamentos, os meios pensamentos, as distrações das quais tantas de suas ideias cresceram.

Para Picasso, o papel não era apenas para esboços preparatórios, mas obras de arte completas – por exemplo, ‘Mulher Sentada (Dora)’ (1938)

Picasso sempre foi engenhoso. Seu desenho mais antigo que ainda está intacto, o Toureiro Visto por Trás (1900), foi feito gravando e aquecendo a base de uma saladeira de madeira.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Picasso precisou se adaptar aos materiais e condições disponíveis.

As maravilhosas bailarinas de Edgar Degas

Edgar Degas Auto-retrato

Edgar Degas, na íntegra Hilaire-Germain-Edgar De Gas, De Gas mais tarde soletrou Degas (nascido em 19 de julho de 1834, Paris, França – morreu em 27 de setembro de 1917, Paris), pintor, escultor e gravador francês que se destacou em impressionista e amplamente comemorado por suas imagens da vida parisiense.

A pequena bailarina

O principal assunto de Degas era a figura humana – especialmente a feminina -, que ele explorou em trabalhos que vão desde os sombrios retratos de seus primeiros anos até os estudos de lavadeiras, cantores de cabaré, moinhos e prostitutas de seu período impressionista. Dançarinas de balé e mulheres em seus banheiros o preocupariam ao longo de sua carreira.

Dance rose, 1878

Degas foi o único impressionista a realmente preencher a lacuna entre a arte acadêmica tradicional e os movimentos radicais do início do século XX, um inovador inquieto que frequentemente define o ritmo de seus colegas mais jovens. Reconhecido como um dos melhores desenhistas de sua época, Degas experimentou uma grande variedade de mídias, incluindo óleo, pastel, guache, gravura, gravura, litografia, monótipo, modelagem com cera e fotografia. Nas últimas décadas, o assunto e a técnica foram simplificados, resultando em uma nova arte de cores vivas e forma expressiva e em longas sequências de composições estreitamente ligadas. Uma vez marginalizado como um “pintor de dançarinos”, Degas agora é considerado uma das figuras mais complexas e inovadoras de sua geração, creditada por influenciar Pablo Picasso, Henri Matisse e muitos dos principais artistas figurativos do século XX.

Bailarina no espelho,1894

Começos
Nascido em Paris, ao sul de Montmartre, Degas sempre foi um parisiense orgulhoso, vivendo e trabalhando na mesma área da cidade ao longo de sua carreira. Embora o conhecimento detalhado de sua família de classe média seja limitado, sabe-se que eles mantiveram as formas externas da sociedade educada e que estavam relacionados à aristocracia menor na Itália e à comunidade empresarial em Nova Orleans, Louisiana, EUA. A família também era próspero o suficiente para enviar Degas, em 1845, para uma escola importante para meninos, o Lycée Louis-le-Grand, onde recebeu uma educação clássica convencional. A música apareceu com destaque na casa de Degas, onde a mãe do artista cantou árias de ópera e seu pai arranjou recitais ocasionais, um dos quais está representado na pintura de Degas de 1872, Lorenzo Pagans e Auguste De Gas.

The Dance Studio,1878

A mãe do artista morreu quando ele tinha 13 anos, deixando três filhos e duas filhas para serem criados por seu pai, um banqueiro de profissão. Conhecedor de arte, mas conservador em suas preferências, o pai de Degas ajudou a desenvolver o interesse de seu filho pela pintura e em 1855 o encorajou a se registrar na École des Beaux-Arts, sob a supervisão de Louis Lamothe, um seguidor menor de J.-A.- D. Ingres. Os trabalhos sobreviventes daquele período mostram a aptidão de Degas para desenhar e sua atenção aos precedentes históricos que ele viu no Louvre. Ele também começou suas primeiras explorações solenes do auto-retrato.

Dancers Wearing Green Skirts

Em 1856, Degas surpreendentemente abandonou seus estudos em Paris, usando os fundos de seu pai para embarcar em um período de três anos de viagens e estudos na Itália, onde mergulhou na pintura e escultura da antiguidade, do trecento e do Renascimento. Permanecendo em primeiro lugar com parentes em Nápoles, trabalhou mais tarde em Roma e Florença, preenchendo cadernos com esboços de rostos, edifícios históricos e a paisagem, e com centenas de cópias rápidas a lápis de afrescos e pinturas a óleo que ele admirava. Entre eles, cópias de Giotto, Michelangelo, Leonardo da Vinci e Ticiano, artistas que ecoariam em suas composições por décadas; a inclusão de obras menos esperadas, no entanto, como as de Sir Anthony van Dyck e Frans Snyders, sugeria interesses mais amplos. Os mesmos cadernos de esboços incluem notas e reflexões escritas, bem como rascunhos para suas próprias pinturas baseadas em figuras, em uma variedade de estilos ecléticos. Juntos, eles sugerem um jovem artista letrado e sério, com grandes ambições, mas que ainda carecia de direção.

The Ballet,1891

Cor e linha
Desde o início, Degas parecia igualmente atraído pela severidade da linha e pelas sensuais delícias da cor, ecoando uma tensão histórica que ainda era muito debatida em seu tempo. Na Itália, ele conscientemente modelou alguns desenhos sobre a restrição linear dos mestres florentinos, como Michelangelo, embora gradualmente reconhecesse a atração dos pintores venezianos, como Ticiano, e suas superfícies densamente coloridas. Caracteristicamente, o jovem Degas desenvolveu uma quase reverência por Ingres, o campeão da linha Clássica do século 19, enquanto quase imitava com culpa Eugène Delacroix, que era o principal defensor da cor lírica no século e considerado a antítese de Ingres. Muitas das fotos da maturidade de Degas surgiram de um confronto entre esses impulsos, que sem dúvida encontrou resolução nos pastéis vigorosamente desenhados e brilhantemente coloridos de seus últimos anos.

Bailarina S/T

Retornando a Paris em abril de 1859, Degas tentou se lançar pelos canais estabelecidos do mundo da arte da época, embora com pouco sucesso. Ele pintou grandes retratos de membros da família e telas grandiosas de inspiração histórica, como A Filha de Jefté (1859 a 1860) e Semiramis Building Babylon (1861), com a intenção de enviá-las ao Salão anual patrocinado pelo estado.

Semiramis Building Babylon, 1861

Cada obra foi meticulosamente preparada em desenhos que ainda figuram entre os mais bonitos de sua carreira, mas ele achou as pinturas difíceis de concluir para sua satisfação.

Dancer At The Barre, 1877

Em 1865, sua Cena de Guerra mais simples, executada na Idade Média, foi aceita pelo júri do Salon, mas permaneceu quase despercebida nas salas de exposições. No ano seguinte, sua dramática pintura Scene from the Steeplechase: The Fallen Jockey foi novamente recebida com indiferença, apesar de sua visão surpreendentemente aproximada de uma corrida de cavalos contemporânea que parece, em retrospecto, como o anúncio público de uma transformação em sua arte.

Scene from the Steeplechase:
The Fallen Jockey

Talvez humilhado por sua exposição aos mestres italianos, Degas raspou e retrabalhou partes de suas próprias telas, iniciando um hábito de autocrítica técnica que duraria uma vida.

Group of Dancers, Tree Decor

“Chamam-me o pintor das bailarinas”, dizia Degas com tristeza, “não compreendem que a bailarina é um pretexto para reproduzir o movimento fluido.”

Two Dancers in the Studio

Realismo e impressionismo
A transição de Degas para o assunto moderno, evidente em Scene from the Steeplechase, foi longa e gradual, não uma conversão noturna. Antes de deixar a Itália, fizera desenhos de personagens de rua e pinturas de cavaleiros da moda, mas sempre em pequena escala. Em Paris, no início da década de 1860, suas fotos dos eventos de corrida franceses abriram novos caminhos, tanto por seu assunto decididamente contemporâneo quanto por seus pontos de vista surpreendentes e cores fortes, que precederam as telas de cenas semelhantes de seu renomado contemporâneo Édouard Manet.

Os retratos de Degas também se tornaram menos remotos e se envolveram mais ativamente com o mundo inquieto de cartola em que ele vivia. Quando ele conheceu Manet, por volta de 1862, Degas desenvolveu uma rivalidade afetuosa, mas acentuada, com o homem um pouco mais velho e logo compartilhou um pouco da posição de oposição de Manet em relação ao establishment artístico e seu assunto tradicional. Os cadernos de Degas desses anos estão repletos de possibilidades contrárias para a direção de sua arte, enquanto esboços do campo seguem vislumbres de performances teatrais, e estudos de objetos no Louvre são intercalados entre caricaturas de tópicos. Depois de meados da década, ele abandonou temas históricos, enviando um retrato de uma atual estrela de balé na Ópera de Paris, Eugénie Fiocre, ao Salão de 1868; ele logo rejeitaria completamente tais exposições oficiais.

Bailarina Ajustando sua sapatilha

Em 1870, Degas era uma figura familiar nos círculos de arte independentes de Paris, em casa com realistas como James Tissot e Henri Fantin-Latour, familiarizados com os críticos de vanguarda Edmond Duranty e Champfleury, e envolvido como uma presença ocasional, mas forte, no Café Guérbois , onde artistas de vanguarda como Pierre-Auguste Renoir, Camille Pissarro e Claude Monet também se encontrariam. Ele era famoso por opinar, apoiando a crença compartilhada por esses artistas radicais de que a pintura deveria se envolver com as vistas e os assuntos do mundo moderno. Como parte de seu próprio processo de engajamento com a modernidade, ele conscientemente se alinhou com romancistas realistas como Émile Zola e Edmond e Jules Goncourt, desenhando ilustrações para seus romances e adotando brevemente uma descritividade social semelhante.

Como a maioria dos futuros impressionistas, Degas iluminou sua paleta e adotou composições mais abruptas e simplificadas durante esse período, em parte sob a influência de gravuras japonesas, muito populares entre os artistas contemporâneos. Mas, diferentemente de seus colegas, que estavam experimentando pintar ao ar livre, Degas afetou o desdém pelos estudos improvisados ​​de paisagens ao ar livre, pelos quais muitos dos impressionistas se tornaram conhecidos. Embora ele se apegasse ao hábito de desenhar em preparação para suas fotos e insistisse em trabalhar no estúdio, e não ao ar livre, em 1869 Degas experimentou em particular uma série de paisagens em tons pastel executadas na costa da Normandia. Enquanto ele não é geralmente associado com eles, ele se voltaria para outros assuntos rurais em várias ocasiões, mais tarde na vida. O avanço da autoconfiança de Degas nesta data, impulsionado pelos primeiros sinais de reconhecimento público, é palpável em suas cartas e no alcance de sua realização técnica.

The Pink Dancers, Before the Ballet (detail)

O início da década de 1870 foi fundamental para definir a trajetória pessoal e artística de Degas, assim como para os outros artistas que seriam conhecidos como impressionistas. Entre 1870 e 1873, ele pintou um grupo pioneiro de cenas de ensaios e apresentações de balé, como sua aula de dança de 1871, encontrando compradores ansiosos por muitos deles e logo se identificando com o seu tema.

Em 1874, ele foi um dos principais organizadores da primeira exposição impressionista (que ele chamou de “um salão de realistas”), mostrando seu repertório exclusivo de dançarinos e corridas de cavalos.

The Ballet dancers

Degas baseou-se em seu conhecimento de arte passada, mas ele inteligentemente o dirigiu ao público de seus dias na escolha de assuntos; seus pontos de vista sobre a atividade nos bastidores são notoriamente casuais e ocasionalmente grosseiros.

Dancer Stretching, c 1882-1885
Pastel on paper. 46.7 x 29.7 cm

Surpreendentemente, esses desenvolvimentos coincidiram ou acompanharam os terríveis meses da Guerra Franco-Alemã, quando Paris foi sitiada e Degas e vários de seus colegas se alistaram na Guarda Nacional para defender a cidade. Escapando dos piores horrores da Comuna de Paris, Degas partiu em 1872 para uma visita prolongada a seus parentes em Nova Orleans, onde realizou suas experiências em retratos de família em obras espetaculares, como o Cotton Office de Nova Orleans (1873). Nesse mesmo período, ele começou a descrever uma deterioração em sua visão, reclamando de intolerância à luz forte e se perguntando se ele poderia logo ser cego.

The Dancers

As imagens que Degas mostrou na série de oito exposições impressionistas, realizadas entre 1874 e 1886, revelaram-no o mais inventivo possível. Enquanto as pinturas de Claude Monet, Alfred Sisley, Paul Cézanne, Berthe Morisot, Mary Cassatt, Camille Pissarro e Pierre-Auguste Renoir se preocupavam amplamente com a paisagem ou com figuras de labuta rural e glamour urbano, Degas se especializou em cenas surpreendentes e enigmáticas da vida parisiense.

Os visitantes ficavam freqüentemente desconcertados com suas imagens de entretenimento popular ou miséria nas ruas, retratadas com aguçada atenção ao gesto tópico e intensificadas por um uso radical da perspectiva, que encarnava os pontos de vista extremos de uma sociedade recém-móvel.

Já famoso por seu humor seco, Degas parecia provocar seus espectadores ao optar pela ambiguidade, revelando uma glamourosa cantora de boate com todo seu constrangimento, enquanto elevava uma lavadeira cansada à grandeza quase clássica. Degas era visto como o líder de uma facção mais tradicionalmente qualificada dentro do grupo, e suas fotos eram procuradas por colecionadores. Os críticos apontaram com aprovação que seu trabalho estava fundamentado no conhecimento dos Velhos Mestres e em uma linha firme, qualidades que eles achavam ausentes em alguns dos colegas de Degas.

Um artista de técnicas versáteis

Three Dancers before Exercise 1880

Durante grande parte de sua longa vida profissional, Degas foi atraído pelos prazeres e dificuldades dos materiais do artista. Seus desenhos incluem exemplos em caneta, tinta, lápis, giz, pastel, carvão e óleo sobre papel, muitas vezes combinados entre si, enquanto suas pinturas foram realizadas em aquarela, guache, destemper, pigmentos metálicos e óleos, em superfícies incluindo cartão, seda, cerâmica, azulejo e painel de madeira, bem como texturas de tela amplamente variadas. Havia algo contraditório em grande parte dessa atividade: Degas invocou as técnicas dos Velhos Mestres ao criar seus próprios métodos anárquicos.

Ele efetivamente desenvolveu o monótipo em preto e branco como um meio independente, por exemplo, às vezes com uma camada adicional de pastel ou guache, como em Dancer with a Bouquet Bowing (1877). Os resultados podem ser emocionantes, principalmente quando os efeitos da luz e da textura são sutilmente expressivos do sujeito escolhido, mas ele logo se cansou da técnica.

Dancer with a Bouquet Bowing,1877

Ele efetivamente desenvolveu o monótipo em preto e branco como um meio independente, por exemplo, às vezes com uma camada adicional de pastel ou guache, como em Dancer with a Bouquet Bowing (1877). Os resultados podem ser emocionantes, principalmente quando os efeitos da luz e da textura são sutilmente expressivos do sujeito escolhido, mas ele logo se cansou da técnica. O final da década de 1870 marcou o auge da experimentação gráfica de Degas, após o que ele se afastou da gravura para se concentrar em enriquecer o uso de pastel. Entre 1890 e 1892, ele retornou brevemente ao monótipo, aperfeiçoando um novo procedimento de cores em uma série deslumbrante de paisagens, muitas – como Wheat Field e Green Hill – com enfeites em tons pastel.

Wheat Field e Green Hill

No início da década de 1880, a variedade de arte exibida de Degas parecia interminável, abrangendo retratos e cenas de teatro, pastéis de mulheres em seus banheiros e criminosos notórios e uma série de desenhos e gravuras. Durante esse período, Degas começou a experimentar fazer desenhos como desenhos a carvão em papel vegetal e refazê-los várias vezes antes de adicionar pastéis para produzir uma “família” de composições relacionadas, análoga às pinturas em série de Monet.

Pinky Dancers

Essas seqüências desafiavam profundamente os exercícios artísticos, permitindo que ele ultrapassasse o assunto e manipulasse as mais finas nuances de gesto ou detalhe, enquanto parecia elevar os fundamentos da criação de imagens – cor, forma e composição – a um nível recém-independente.

Por alguns anos, Degas também vinha explorando silenciosamente o meio da escultura, usando cera e outros materiais para fazer estatuetas modestas de cavalos e um grupo de figuras que culminaram na escultura de cera tentadora e realista, The Little Dancer Aged 14 (1878–1881). Mostrado na exposição impressionista de 1881, este trabalho levou as possibilidades do realismo visual a novos extremos, incorporando um tutu real em escala reduzida, sapatilhas de balé, uma peruca de cabelo humano e uma fita de seda.

Little Dancer Aged Fourteen
Escultura em cera,1878/1881

Anos Finais
Em 1884, Degas alcançou a idade de 50 anos e confessou a seus amigos que sentia alguma decepção com sua carreira. Já conhecido por sua abrasividade em relação aos visitantes durante o horário de trabalho, tornou-se notório por sua dedicação obstinada à criação de arte e por sua hostilidade a jornalistas e meramente curiosos.

Edgar Degas – Yellow Dancers, 1876
Art Institute of Chicago

A década seguinte foi uma invenção contínua, pois ele gradualmente refinou suas ambições artísticas e eliminou as preocupações de seus anos intermediários.

Sem título

Ele abandonou muitos dos temas atuais da década de 1870 – concertos de café, cenas de lojas e bordéis, por exemplo – e os substituiu por uma nova fase de concentração na figura humana em ambientes íntimos, se não mais indistintos.

Dançarina em verde

Embora algumas das cenas anteriores tenham sido consideradas voyeurísticas e os modelos identificados como prostitutas, esses números posteriores evitam uma classificação fácil. A figura de The Morning Bath (c. 1892-1895) é quase monumental à maneira da escultura antiga que ele admirava, enquanto outras parecem abertamente sensuais ou sobrecarregadas por sua maciça.

The Morning Bath (c. 1892-1895)

Depois de uma polêmica sequência de pastéis na exposição impressionista de 1886, que mostrava mulheres tomando banho e secando-se em ambientes fechados e ao ar livre, Degas produziu centenas de estudos obsessivos da forma feminina nua em papel e tela ou em cera e argila.

The Ballet dancers

O segundo grande tema dos últimos anos de Degas foi o dançarino, agora pouco frequente no palco ou em situações comprometedoras, mas com mais frequência esperando nos bastidores. Ele contratou modelos para posar em seu estúdio para as cenas de balé e de banho, frequentemente improvisando livremente suas configurações ou utilizando adereços familiares. Embora nunca tenham se tornado abstratos em qualquer sentido que Degas teria entendido, os trabalhos desse período se afastaram significativamente do contexto urbano que o inspirara anteriormente.

Suas fotos tardias de dançarinos são essencialmente compromissos com a forma humana, às vezes em relacionamentos rítmicos com os corpos uns dos outros e, às vezes, expressando uma presença individual forte. Em uma grande pintura a óleo de cerca de 1900, Dancers at the Barre, por exemplo, Degas criou um equilíbrio vital entre a energia das duas mulheres em uma composição tensa de verticais e diagonais e de saias verdes e paredes alaranjadas.

Legado
A grandeza de Degas é resumida em sua capacidade de explorar a linguagem da arte – sua complexidade técnica e tátil, seu refinamento e sua energia implícita – em um grau mais extremo do que qualquer um de seus contemporâneos, mas sem perder de vista o sujeito humano. animal em seus momentos mais públicos e privados. Ele combinou uma sensibilidade romântica com um comando clássico de seus meios, fundindo sensualidade com observação imparável e uma insistência na estrutura visual.

Dancer Leaving Her Dressing Room

Mais do que qualquer outro impressionista, a arte de Degas há muito tempo é simplificada ou supercategorizada: na realidade, a evolução do acadêmico sombrio de sua juventude ao realismo social de pleno sangue da década de 1870 e depois à amplitude pirotécnica e desafiadora de seu último trabalho bidimensional e tridimensional, é um dos mais inspiradores do período moderno. Em uma única vida, Degas abandonou as certezas de uma cultura histórica controlada pelo estado para uma arte de crise individual, chegando até ao niilismo da geração seguinte.

Dançarina amarrando a sapatilha

A reputação de Degas seguiu uma trajetória incomum, subindo acentuadamente em sua maturidade, mas sofrendo com a retirada furiosa de sua velhice e com a preferência por modos não configuráveis ​​no novo século. Embora respeitado nas décadas subsequentes, ele foi deixado de lado pelas críticas formalistas e relegado com muita frequência ao papel de mero comentarista social. As décadas de 1960 e 1970 assistiram ao início de uma grande reavaliação do significado de Degas, com publicações especializadas em seus retratos, desenhos, gravuras, monotipos, cadernos e esculturas, e uma onda crescente de exposições populares.

Dancer Seated (study), 1872

Suas imagens se tornaram um campo de batalha para as críticas feministas, que se concentraram na suposta misoginia do artista e na perceptibilidade de suas cenas de bordel e bastidores. Mais recentemente, a qualidade conscientemente ilusória de grande parte da representação de Degas tem sido cada vez mais reconhecida, bem como sua subestimada mudança da atualidade nos últimos anos.

A pequena bailarina

Tais debates e descobertas continuam atraindo multidões e estimulando curadores, acadêmicos e artistas praticantes, sugerindo que a estatura total de Degas ainda não foi totalmente medida.

Two Ballet dancers

Incomum para um artista de renome, Degas desistiu de trabalhar na velhice depois de ser obrigado a se mudar de seu último estúdio em 1912. Sofrendo de visão e audição reduzidas, ele se cercou de fotos que havia feito e colecionado, retirando-se para suas memórias. Sua reputação na França e além cresceu constantemente, com seu trabalho alcançando preços de alturas sem precedentes e começando a entrar nos principais museus.

At the Milliner, 1910 91x75cm pastel/paper
Musée d’Orsay, Paris, France

Com sua cooperação, revendedores como Paul Durand-Ruel e Ambroise Vollard colocaram obras de todos os períodos com os principais colecionadores, entre eles a americana Louisine Havemeyer, a família russa Shchukin e o conde alemão Harry Kessler. Degas foi idolatrado por artistas de várias persuasões do início do século XX – incluindo Suzanne Valadon, Walter Richard Sickert, Maurice Denis, Georges Rouault, Pablo Picasso, Henri Matisse e Edward Hopper – que visitaram seu estúdio ou o emularam de longe.

As 10 obras mais importantes de Pablo Picasso

Quem gosta de arte tem o seu, ou os seus artistas preferidos, e entre eles, as obras mais admiradas.

 Guernica (1937) Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid

Embora eu seja um fanático por Caravaggio, reconheço em Picasso um dos quatro maiores artistas da história. Tanto pela qualidade, multiplicidade de meios,e pela quantidade da produção. Como tal, me arvoro o prazer de selecionar os meus dez Picassos preferidos. Dessas, sete eu tive o prazer de as contemplars ao vivo.

Picasso – Pro dia nascer melhor – 09/04/2017

Retratos de Olga Koklova¹
Quinzena Pablo Picasso

1919

1919

1929

1932

1932

1932

1932

1934

¹Olga Koklova foi uma bailarina do Ballets Russes que conheceu o pintor espanhol Pablo Picasso quando este elaborava os cenários para um espectáculo da sua companhia. Wikipédia
* Nizhyn, Ucrânia – 17 de junho de 1891
+ Cannes, França – 11 de fevereiro de 1955
Casada com Picasso de 1918 a 1955
Filho: Paul Joseph Picasso
Neto / Neta: Marina Picasso, Pablito Picasso
Bisneto / Bisneta: Florian Picass0
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