Conheça Eduardo Cunha, o novo presidente da Câmara dos Deputados

Réu em diversos processos, líder evangélico Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é autor de projetos polêmicos como o que estabelece o Dia do Orgulho Heterossexual. 

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Eduardo Cunha, o novo presidente da Câmara (Imagem: Givaldo Barbosa / O Globo)

Cunha tem como padrinhos políticos Fernando Collor e Anthony Garotinho. Sua vitória, celebrada por Silas Malafaia, tende a conturbar ainda mais o cenário político nacional.

Eduardo Cunha (PMDB-RJ), 56 anos, é o novo presidente da Câmara dos Deputados; é radialista, economista e líder evangélico. Entrou na política pelas mãos do tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, o falecido PC Farias.

Cunha era o responsável pelas finanças do comitê carioca do então candidato, em 1989. Virou presidente da antiga Telerj, a companhia telefônica do Rio. Foi exonerado depois de um escândalo de corrupção na estatal.

Fundador da Igreja Sara Nossa Terra, Cunha reapareceu no centro da política carioca em 1999, com a ajuda do então governador Anthony Garotinho.

Virou presidente da Companhia Estadual de Habitação, mas ficou no cargo por apenas seis meses. Foi afastado em meio a outro escândalo de corrupção.

Em 2001, virou deputado estadual (era suplente), garantindo imunidade parlamentar em meio às investigações. Daí em diante teve uma carreira meteórica, embalada pelo bordão de seu programa de rádio “O povo merece respeito!”.

No ano seguinte, elegeu-se deputado federal. Não demorou muito para se tornar um mestre do ofício nos corredores do Congresso.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Conservadorismo

Cunha é considerado um dos parlamentares mais conservadores do Congresso Nacional e é autor de projetos como o Dia do Orgulho Heterossexual – ou ‘a criminalização da heterofobia’. No alto de sua hombridade, Cunha se sentia “descriminado” pelos LGBTs, como argumentou na época.

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Pastor Silas Malafaia parabeniza Eduardo Cunha pela vitória

Outro projeto do parlamentar regulamenta prisão de até 10 anos para médicos que auxiliarem mulheres a fazer aborto.

O deputado do PMDB afirmou ainda ser contra a regulação econômica dos meios de comunicação: “Regulamentação de mídia jamais. Eu colocaria na gaveta”. Cunha foi o principal opositor do Marco Civil da Internet no Congresso Nacional.

Entusiasta do financiamento privado de campanha, o parlamentar recebeu R$ 6,8 milhões em doações de empresas como Vale, AmBev, Bradesco, Santander, Safra e Shopping Iguatemi.

Processos

Eduardo Cunha é réu em vários processos. No STF (Supremo Tribunal Federal), Eduardo Cunha responde a dois inquéritos. O 2984/2010 apura o uso de documentação falsa e o 3056 se refere a crimes contra a ordem tributária.

No Tribunal Regional da Primeira Região ele é réu no processo 0031294-51.2004.4.01.3400. Trata-se de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual.

No Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro ele é alvo do processo 0026321-60.2006.8.19.0001, que trata de improbidade administrativa.

No Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro ele responde ao processo 59664.2011.619.0000, que se refere à captação ilícita de sufrágio. No mesmo tribunal ele é réu no processo 9488.2010.619.0153 sob a acusação de abuso de poder econômico em campanha eleitoral.

No Tribunal Superior Eleitoral, ele também responde por captação ilícita de sufrágio, no processo 707/2007.

Pragmatismo Político com CartaCapital

PC Farias – Começa o julgamento do assassinato do tesoureiro do Collor

PC Farias Blog do MesquitaAlagoas:  júri popular pela morte de PC Farias e namorada começa nessa segunda.

O julgamento dos quatro policiais militares acusados da morte do ex-empresário Paulo César Farias e a namorada dele, Suzana Marcolino, ocorridos em junho de 1996, começa às 13h desta segunda-feira no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro, em Maceió (AL). Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva irão responder por homicídio qualificado por omissão.

As mortes ocorreram em uma casa de veraneio na praia de Guaxuma, na capital alagoana. PC Farias, como era conhecido o empresário, ganhou notoriedade após assumir a função de tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

O promotor de Justiça criminal Marcos Mousinho fará o papel da acusação e alega que os militares estão respondendo pelo ilícito penal porque respondem pela co-autoria dos duplo assassinato. Para o Ministério Público, que aguarda pelo julgamento há 17 anos, os réus eram os responsáveis pela segurança particular de PC Farias e, por este motivo, tinham a obrigação de zelar pela vida da vítima.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

“Eles tinham a missão de salvaguardar a integridade física do PC Farias e, se assim não o fizeram, ou é porque sabiam que o crime seria cometido e não se movimentaram para impedi-lo ou, talvez, tenham participação direta nas mortes. Os PM’s até alegaram que a Suzana teria assassinado o próprio namorado, todavia, os laudos periciais que estão acostados nos autos comprovaram que a tese de homicídio seguido de suicídio está descartada”, explicou o promotor.

Segundo ele, durante o julgamento serão usadas as provas que constam no processo para mostrar que, se os acusados não foram os autores materiais, deveriam, no mínimo, ter evitado as mortes. “Em caso de condenação, a pena varia entre 12 e 30 anos para cada crime, ou seja, o tempo de prisão deverá ser multiplicado por dois porque a ação penal envolve duas vítimas fatais”, esclareceu a autoridade ministerial.

O júri
O julgamento será iniciado após o juiz Maurício Brêda confirmar as presenças dos 15 jurados convocados para compor o Conselho de Sentença. Depois dessa etapa, será feita a chamada das testemunhas, que serão 27 ao todo. No primeiro dia, ele deverá ocorrer entre às 13h e às 20h e, durante o restante da semana – a previsão é que continue até a sexta-feira (10) -, das 8h às 20h.

“Esta promotoria criminal convocou cinco testemunhas e dois peritos. É a quantidade de pessoas suficientes para comprovar que não houve a prática de um assassinato e, depois, um suicídio”, alegou Marcos Mousinho. As demais testemunhas foram arroladas pelos quatro réus.

As primeiras pessoas a serem ouvidas serão as testemunhas. Como são 27 até o momento, o MPE acredita que os depoimentos deverão durar, pelo menos, dois dias. Na sequência, os peritos serão interrogados e, por último, sentarão no banco dos réus os acusados.

Os crimes
Paulo César Farias e Suzana Marcolino foram assassinados na madrugada do dia 26 de junho de 1996, em uma casa de praia em Guaxuma. À época, o empresário respondia a vários processos e estava em liberdade condicional. Ele era acusado dos crimes de sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. Sua morte chegou a ser investigada como queima de arquivo, haja vista que a polícia chegou a suspeitar que o ex-tesoureiro poderia revelar nomes de outras pessoas que teriam participação nos mesmos ilícitos.

Entretanto, a primeira versão do caso, que fora apresentada pelo delegado Cícero Torres e pelo legista Badan Palhares, apontou para crime passional. Suzana teria assassinado o namorado e, na sequência, tirado a própria vida. A versão foi contestada pelo médico George Sanguinetti, que descartou tal possibilidade e, mais tarde, novamente questionada por uma equipe de peritos convocados para atuar no caso. Os profissionais forneceram à polícia um contralaudo que comprovaria a impossibilidade, de acordo com a posição dos projéteis, da tese de homicídio seguido de suicídio.

Cachoeira e Cavendish revivem os esquemas do PC Farias e do Mensalão

A excelente reportagem de Cássio Bruno e Maiá Menezes, manchete principal da edição de O Globo de sexta-feira, revela em cores impressionantes e impressionistas o que Carlos Ramos Cachoeira e Fernando Cavendish, que aparentemente renunciou à presidência da Delta Construções, reviveram em 2012 esquemas fraudulentos montados por Paulo Cesar Farias, em 90, e do Mensalão, escândalo que explodiu em 2005. São semelhantes na essência.

Os três casos, como o noticiário de 25 de maio destacou, usavam pessoas e CPFS fictícios na tentativa (vã) de escapar da fiscalização da Controladoria Geral da União e do Imposto de Renda. Foram desastrosos, todos eles. As belas e dramáticas fotos são de Marcelo Piu. Obra de arte.

A dupla Cachoeira-Delta seguiu a trilha de recorrer a personagens laranjas. Não deu certo. Tampouco poderia dar. Pois como é possível que pessoas de renda menor, faxineiras e auxiliares de serviços, como é o caso de Cristina Lacerda de Almeida, Tatiana Correia Rodrigues e Maria Aparecida Correa, poderiam tornar-se do dia para noite em sócias de subsidiárias da Delta? Um crime usar trabalhadoras às vezes desempregadas para ocultar pagamentos entre os surpreendentes empresários.

Um novo propinoduto, sem dúvida. Um canal pluvial de corrupção. O mais impressionante é que as manobras financeiras eram realizadas – claro – através de procurações que deixavam assinadas nas mãos de agentes da desonestidade. Não há outro caminho possível. Cavendish e Cachoeira movimentavam contas entre si, pagavam e recebiam, repassavam recursos evidentemente para terceiros, ocultando-se atrás das faces das três mulheres identificadas pelos repórteres de O Globo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Além de as terem iludido sordidamente e as utilizarem, os responsáveis pela fraude ainda por cima as lançaram nos dentes afiados do leão do Imposto de Renda. Uma coisa inominável. Isto sob o aspecto moral. Sob o ângulo tributário, a corrupção sem rosto causou desvios enormes à arrecadação pública. Inclusive porque lesavam o Tesouro Público há algum tempo.

O sistema fraudulento não passou a existir a partir de agora. Nada disso. Já vinha funcionando correntemente há algum tempo. Esquemas dessa ordem, que causam desordem financeira, não são montados do dia para a noite ou da noite para o dia.

Tem que haver coincidências. Como, por exemplo, identificar e chegar a pessoas humildes que perderam seus documentos. Com o envolvimento de pelo menos uma autoridade oficial, outras identidades e CPFS eram emitidos. O que surpreende. Pois a Receita Federal e o Banco Central possuem a relação de todos os CPFS existentes.

Assim, para que pagamentos fossem concretizados através do propinoduto 2012 tornava-se insubstituível a conivência de funcionários de bancos, tanto estatais quanto particulares. Sim. Porque das duas uma: ou o CPF do laranja, no caso a laranja, era inexistente, ou falso o CPF de quem usava a respectiva procuração falsificada.

Neste plano, as atenções voltam-se para a Corregedoria da Justiça Estadual que tem como uma de suas obrigações a de fiscalizar os trabalhos dos cartórios e o reconhecimento de firmas. O setor não pode funcionar à deriva absoluta do Tribunal de Justiça. Em outro plano, falhou a visão sobre movimentos bancários suspeitos. E, na sequência, escaparam as ações ilegais dos doleiros. Estes personagens, inclusive, são responsáveis por remessas ilegais de recursos para o exterior, e de lavagem de dinheiro.

Impressionante o estágio em que se encontra a corrupção no país. E a falta de controle. Porque, neste último degrau, deveria chamar atenção do Banco Central e da Receita o movimento alto de contas de valor baixo. O que, por si, já ilumina, pelo menos, o desenrolar de operações atípicas. Como os especialistas chamam no fundo, a falta de explicação para a procedência do dinheiro pela corrupção e pelos ladrões.
Pedro do Coutto/Tribuna da Imprensa

Comissão da verdade e os interesses políticos entrincheirados

Fui, sou e sempre serei contra todo e qualquer regime autoritário e, caso tenha oportunidade, sempre os combaterei.

Mas esta bodega de Comissão da Verdade não passa mais um dos circos armados pelos petistas.

Estas tralhas que hoje ocupam o poder e rotulam-se de democratas naquela época defendiam e posicionavam-se dentro de concepções stalinistas e maoistas (José Serra, José Dirceu, José Genuíno, Fernando Gabeira, Wladimir Palmeira, Tarso Genro, Franklin Martins, Dilma Rousseff etc.).

Não se opunham à ditadura militar defendendo o restabelecimento do Estado Democrático de Direito e sim sua substituição por uma ditadura nos moldes soviético, cubano ou chinês.

Se for para apurar, então que se apure também a atuação das organizações clandestinas que praticaram crimes semelhantes aos dos agentes do Estado (assassinato, justiciamentos, assaltos, tortura etc.).

Essa conversa “do presidenta” de contar a história em sua plenitude é uma bobagem, pois a história não possui uma verdade.

Os historiadores trabalham com fragmentos de acontecimentos do passado e, após muita pesquisa, os interpretam e, como são produtos da sociedade em que vivem, suas interpretações jamais serão neutras, imparciais.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Não existe em história o “do jeito que aconteceu”.

Pesquisem sobre alguns membros da tal Comissão e verão que, de uma forma ou de outra, não são nada isentos. Crimes são crimes e, portanto, não importa qual dos lados os cometeram.

Se é para apurar, que se faça em ambos os lados. Essa gente que se diz de esquerda e que derrotou a ditadura está mentindo. Todos sabem que foram aniquilados e que a ditadura só teve fim porque foi uma concessão dos militares fundamentada na Lei da Anistia, em que foi acordado o esquecimento entre as lideranças civis da época e os militares.

Porque não se constituiu Comissão da Verdade após março de 1985, quando todos ainda estavam bem vivos e revogou-se a Lei da Anistia.

Essa Comissão se prestará somente para o atendimento de interesses políticos e econômicos entrincheirados, além de satisfazer o ódio reprimido numa revanche que não trará contribuição alguma para o país.

De mais a mais, um país que não consegue apurar crimes de homicídio como o assassnato de PC Farias em 1996, Celso Daniel em 2002 ou julgar os réus do escândalo do Mensalão desde 2005, com certeza não apurará coisa alguma em apenas dois anos, ainda com a agravante de pretender abarcar de 1946 a 1988.
Celso Botelho/Tribuna da Imprensa

CPI do Cachoeira: No dia em que os elefantes voarem

Nem a CPI mista conseguirá iluminar todas as teias da rede de corrupção armada por Carlinhos Cachoeira em diversos estados e no Distrito Federal.

Suas proporções são desconhecidas e envolvem políticos, partidos e governantes de diversos matizes.

Governistas e oposicionistas tremem de medo diante das revelações que a investigação da Polícia Federal acumulou e que fatalmente servirá de roteiro para deputados e senadores.

O primeiro depoimento na CPI terá forçosamente que ser do próprio bicheiro, assessorado por um dos maiores criminalistas do país, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Pela lógica, Carlinhos Cachoeira será aconselhado a falar o menos possível, quem sabe apenas nome, idade e endereço.

Escapar da prisão parece sua primeira preocupação, mas também inocentar cúmplices como o senador Demóstenes Torres e esse monte de funcionários federais e estaduais envolvidos e relacionados com ele.

Alguns afastados, outros afastando-se, claro que também serão ouvidos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Sem exceção, buscarão eximir-se de qualquer culpa na liberação de contratos, tráfico de influência, recebimento de propinas e sucedâneos.

As gravações da Polícia Federal, com autorização do Judiciário, servirão como peça principal para as indagações parlamentares, ainda que cada senador ou deputado deva atenuar a situação de correligionários e atormentar adversários.

Será nesse particular que a CPI poderá contribuir para esclarecer aspectos da lambança orquestrada à sombra do poder público.

Carlinhos Cachoeira é a bola da vez, como já foram PC Farias, Delúbio Soares, Marcos Valério e outros.

Se resolvesse abrir o jogo para evitar previsíveis punições futuras, prestaria grande serviço à causa do combate à impunidade. Obviamente, só no dia em que os elefantes voarem.

Em suma, a CPI é necessária na tentativa de elucidação dessa nova maracutaia nacional, ainda que as reuniões paralelas do Conselho de Ética do Senado venham a ser mais profícuas, na medida em que poderão chegar à cassação do mandato de Demóstenes Torres.
Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Collor, o valentão, ameaça agredir jornalista da revista Isto É

Elle voltou. Bravo, elegante, refinado, o notório Fernando Collor recrudesceu na quinta-feira (29), invadindo corajosamente – pelo telefone – a sucursal em Brasília da revista IstoÉ. Seu alvo era o repórter Hugo Marques, que ousou relembrar a dificuldade do senador do PTB em conseguir um “nada consta” na Justiça para confirmar sua candidatura ao governo de Alagoas.Irritado como sempre, desbocado como nunca, Collor avisou:[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

− Se eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu filho de uma puta!…

O mimo foi gravado pelo repórter e o doce recado collorido ganhou a internet para relembrar aos brasileiros que elle voltou, com toda sua graça, charme e veneno.

Collor perdeu a compostura, outra vez, pela tensão da campanha alagoana, onde a Justiça Eleitoral acaba de proibir o jingle onde faz uma geléia geral misturando velhos adversários para surfar na onda de popularidade do presidente da República: “É Lula apoiando Collor/ e Collor apoiando Dilma / pelos mais carentes / e os três para o bem da gente”, diz a letra da música vetada pelos juízes.

O valentão Collor cerrou o punho contra o jornalista porque, numa edição anterior, Marques ouviu a ex-mulher do senador, Rosane Malta, dizer entre outras coisas que o ex-marido sonegava impostos. Collor, qualificado por Rosane na entrevista como “prepotente e arrogante”, fica especialmente injuriado diante de jornalistas altivos e independentes.

Um ano atrás, ele cometeu um dos mais inacreditáveis discursos da história do Senado. Incomodado com um artigo do colunista da revista Veja Roberto Pompeu de Toledo, um dos mais respeitados profissionais da imprensa brasileira, Collor tomou o microfone para confessar ao país, em termos indecorosos, o que vinha fazendo: “Eu tenho obrado em sua cabeça nesses últimos dias, venho obrando, obrando, obrando em sua cabeça”.

Ninguém, na Mesa Diretora ou no complacente plenário do Senado, exigiu a imediata assepsia do texto − e a escatológica frase expelida pela cabeça desarranjada de Collor ficou depositada, para sempre, nos anais daquela Casa do Congresso.

No desbocado telefonema para o repórter da IstoÉ, Collor diz que ele é um “mau jornalista”, prova de que, além de mal educado, o senador é mal informado. Hugo Marques é um excelente repórter, com passagens por algumas das principais redações do país.

A coragem que Collor bravateou pelo telefone lhe faltou, em 1992, quando o Senado aprovou o impeachment pelas malfeitorias pilotadas em seu meteórico governo pelo ex-tesoureiro PC Farias. Momentos antes do julgamento, Collor tentou renunciar à presidência para escapar à sentença pela porta dos fundos. O Senado obrou em sua cabeça, manteve a sessão e concluiu o juízo político que o manteve oito assépticos anos longe da política.

Se os eleitores de Alagoas agora o deixarem só, como temia no auge da crise do impeachment, Collor voltará ao Senado para concluir seu mandato. Ali certamente terá a oportunidade de cruzar casualmente com o repórter Hugo Marques, que tem no Congresso também o seu espaço de trabalho.

Collor poderá enfim consumar sua fanfarronice e meter a mão na cara do repórter. Mas terá que fazer o mesmo com todos os outros jornalistas, colegas de profissão de Marques, que compartilham com ele sua dignidade, sua independência, sua altivez.

Na democracia brasileira, não deve existir espaço para valentão que acredita na força bruta e que desacredita da boa educação para afirmar suas idéias, até as malcheirosas. O bravo povo das Alagoas tem agora a chance de enfiar o seu voto na cara de Fernando Collor.

Educadamente. Democraticamente.

Luiz Cláudio Cunha é jornalista e não vota em Collor

blog do Noblat

Eleições 2010: Lula e Dilma não podem participar da campanha de Collor em Alagoas

Nem que fique com ‘aquilo roxo’ o marajá das Alagoas poderá pegar carona na popularidade do ex-desafeto Lula. Com a popularidade mais alta que as comissões cobrados pelo inefável PC. Farias – lembram?, “Comissão de 10% é coisa de garçom” – o chefe dos Tupiniquins não poderá ajudar na alegoria da campanha de Collor ao governo de Alagoas.
O Editor
PS. Não sei se o uso da imagem de dona Dilma faria muita diferença. Para mais ou para menos!


Justiça proíbe Collor de usar Lula e Dilma em campanha

O senador e candidato ao governo de Alagoas pelo PTB, Fernando Collor de Mello, foi proibido hoje de citar o nome e usar, em sua campanha, imagens ou mesmo a voz da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A decisão é do juiz auxiliar da propaganda eleitoral do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Alagoas, Antônio Gouveia.

Collor deverá retirar de circulação, em até 24 horas a partir da notificação da Justiça Eleitoral, o jingle que relaciona o apoio da candidata petista e do presidente ao seu nome na disputa pelo governo de Alagoas.

O autor da representação foi o advogado Marcelo Brabo, que responde pelo departamento jurídico da “Frente Popular por Alagoas”, encabeçada pela candidatura de Ronaldo Lessa (PDT) ao governo.

Em uma primeira decisão, o juiz Antônio Gouveia havia negado o pedido de liminar apresentado por Brabo para a retirada do jingle. No entanto, hoje, no julgamento do mérito da representação, o magistrado decidiu em favor dos argumentos apresentados por Brabo.

O argumento utilizado na representação foi o de que, como o PTB de Collor integra, em nível nacional, a coligação que apoia a candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência, o senador não poderia associar seu nome a Dilma Rousseff. Collor, no entanto, declara abertamente seu apoio à candidatura petista.

“EXCLUSIVIDADE”

Desde o lançamento de sua candidatura, Lessa afirma que tem exclusividade no apoio de Dilma e Lula na disputa pelo governo de Alagoas. A candidata petista, por outro lado, já declarou que considera Collor um “ex-adversário” e que não rejeita o apoio do senador na disputa pelo Palácio do Planalto.

Petrônio Viana/Folha.com

Rosane, ex Collor: ‘Sou um arquivo vivo’

A ex ‘primeira dama’ do agreste parece até que esta depondo em CPI. Não pode responder a nada, mas ameaça deixar ‘aquilo roxo’ roxo de raiva. Contudo, não exista nada que ‘ella’ possa saber que os Tupiniquins não imaginem ser pior.
Uma entrevista do tipo transcrita abaixo, cheia de “não possa falar” é na melhor das hipóteses um anúncio do tipo “vende-se”!
Na realidade é uma clara atitude de obstrução da lei. Em qualquer país decente essa senhora seria convocada pela polícia a prestar esclarecimentos sobre os “não posso falar sobre isso”.
Ex-mulher, é para sempre!
O Editor

Separada de Fernando Collor há quatro anos e meio, a ex-primeira dama Rosane Malta Collor se autodefine assim:

“Eu sou um arquivo vivo. Faço parte do passado. Sou um arquivo vivo”. A julgar pelo que diz, Rosane condenou-se ao convívio com o medo:

“Eu disse que qualquer coisa que acontecesse comigo eu culparia ele. Já disse na Justiça: qualquer coisa que acontecer com a minha vida a responsabilidade é dele”.

Rosane falou ao diário carioca Extra. Não é a primeira vez que ele se achega aos holofotes. Ela trava com Collor, hoje senador pelo PTB, uma disputa judicial.

Reivindica metade do patrimônio do ex-marido. Collor não a deixou propriamente desamparada. Rosane vive numa confortável casa de quatro quartos, em Maceió.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Para encher a geladeira e tocar a vida, recebe de Collor pensão mensal de R$ 13 mil. Mas Rosane quer mais.

Por isso, ela irrompe no noticiário de tempos em tempos. Só para lembrar ao ex-marido que existe. E que é portadora de segredos insondáveis, colecionados em 22 anos de convívio matrimonial.

Até aqui, Rosane mantém fechadas as gavetas mais comprometedoras do seu “arquivo”.

Antes dessa nova aparição, a ex de Collor falara ao repórter Alexandre Oltramari, em dezembro de 2007.

Discorrera sobre quase tudo: brigas, traições, inveja, macumba… Só não falara sobre o essencial.

Vale a pena ouvir de novo as últimas respostas que a Rosane de 2007 dera ao repórter Oltramari:

– Entre o impeachment, em 1992, e a sua eleição para o Senado, o ex-presidente praticamente não trabalhou. Como ele bancava seus gastos pessoais com uma renda de R$ 25,8 mil reais?

Não posso falar sobre isso.

– Estima-se que a parceria entre PC Farias e o ex-presidente tenha deixado um saldo de 60 milhões de dólares em contas secretas no exterior. A senhora tem alguma idéia de onde foi parar esse dinheiro?

Não posso falar sobre isso.

– A senhora acredita que o presidente tenha contas secretas no exterior?

Não posso falar sobre isso.

– A senhora não pode responder porque não sabe ou porque tem medo de sofrer alguma retaliação?

Não posso falar sobre isso.

Na nova entrevista, Rosane continuou guardando silêncio “sobre isso”.

blog Josias de Souza

Collor ganha ação judicial contra Franklin Martins. Como?

Lembram do Franklin Martins? E do Collor de Melo? Continuam os mesmos.

Aquele, jornalista, era comentarista da Globo. Antes foi terrorista e participou de ações como o sequestro do embaixador americano no Brasil. Agora, durante o governo do apedeuta do agreste, foi catapultado para o pomposo cargo ‘goebeliano’ de ministro da propaganda. É o ‘cara’ que controla a grana da publicidade milionária do governo.

Esse, era o caçador de marajás. Depois foi presidente da república. Das Alagoas para Brasília, se elegeu afirmando ser o Lula a encarnação do demo. Depois caçou a poupança dos Tupiniquins, cassou a ética e foi cassado.

Agora é senador da República! Que república!

Isto posto, vamos aos fatos.

Em 2005 o então comentarista da Globo, Franklin Martins, durante uma entrevista, certamente com “aquilo roxo”, brindou Collor de Melo com os singelos adjetivos de “ladrão e chefe de quadrilha”.

Aí, ‘obrando’ ira por todos os intumescidos olhos, o ex-chefe de PC Farias processou Franklin Martins por injúria, calúnia e difamação, exigindo, na justiça, uma indenização por danos morais no valor de R$50 mil reais. E ganhou! Em primeira instância.

O lindo vem agora.

Os dois, Franklin Martins e Fernando Collor, estão juntos na mesma canoa. Isso mesmo! Ambos fazem parte do mesmo governo. São aliados num governo que carrega um mensalão nas costas e que Franklin Martins insistia em negar que existiu. Por seu turno Collor de Mello segue “obrando” furibundas intervenções no senado em defesa do governo petista — lembrai-vos da intervenção que fez contra o Senador Pedro Simon —, mostrando assim que digeriu palatavelmente o antes indeglutível Lula. Na mesma comédia do ‘é mentira Terta?’, Collor, à época, afirmava que o episódio PC Farias era uma armação da mídia contra o ocupante da Casa da Dinda.

Mais iguais impossível se imaginar.

A lógica, embora perversa, explica então porque tais figurinhas estejam agora defendendo o mesmo governo. Diante da tibieza apresentada ao longo de suas trajetórias (sic), é bem possível que estejam agora a jurar amor eterno.

Uáu!

PS 1. Será que o processo continuará em instâncias superiores ou, em nome sei lá de que, ou de quem, a ação judicial será retirada?

PS 2. Caso a ação não seja retirada, Delúbio Soares e Marcos Valério voltarão à ribalta para providenciar “recursos não contabilizados”?