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Paul Verlaine – O amor por terra

O amor por terra
Paul Verlaine

O vento derrubou ontem à noite o Amor
Que, no recanto mais secreto do jardim,
Sorria retesando o arco maligno, e assim
Tanta coisa nos fez todo um dia supor!
 
O vento o derrubou ontem à noite. À aragem
Da manhã gira, esparso, o mármore alvo. E à vista
É triste o pedestal, onde o nome do artista
Já mal se pode ler à sombra da ramagem.
 
É triste ver ali de pé o pedestal
Sozinho! e pensamentos graves vêm e vão
No meu sonho em que a mais profunda comoção
Imagina um porvir solitário e fatal
 
É triste! – E tu, não é?, ficas emocionada
Ante o quadro dolente, embora olhando à toa
A borboleta de oiro e púrpura que voa
Sobre os destroços de que a aléa está juncada.
 
Tradução de Guilherme de Almeida

Paul Verlaine – Versos na tarde – 07/01/2016

Em surdina
Paul Verlaine¹

Calmo, na paz que difunde
a sombra dos altos ramos,
que o nosso amor se aprofunde
neste silêncios em que estamos.

Coração, alma e sentidos
se confundam com estes ais
que exalam, enlanguescidos,
medronheiros e pinhais.

Fecha os olhos mansamente
e cruza as mãos sobre o seio.
Do teu coração dolente
afasta qualquer anseio.

Deixemo-nos enlevar
ao embalo desta brisa
que a teus pés, doce, a arrulhar,
a relva crestada frisa.

E quando a noite sombria
dos carvalhos for baixando,
o rouxinol a agonia
da nossa alma irá cantando.

¹Paul Verlaine
Um dos maiores representantes do simbolismo francês
* Metz, França – 30 de Março de 1844 d.C
+ Paris, França – 8 de Janeiro de 1896 d.C


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Paul Verlaine – Versos na tarde – 24/04/2014

Poema
Paul Verlaine¹

Antes de qualquer coisa, música
e, para isso, prefere o Ímpar
mais vago e mais solúvel no ar,
sem nada que pese ou que pouse.

E preciso também que não vás nunca
escolher tuas palavras em ambigüidade:
nada mais caro que a canção cinzenta
onde o Indeciso se junta ao Preciso.

São belos olhos atrás dos véus,
é o grande dia trêmulo de meio-dia,
é, através do céu morno de outono,
o azul desordenado das claras estrelas!

Porque nós ainda queremos o Matiz,
nada de Cor, nada a não ser o matiz!
Oh! O matiz único que liga
o sonho ao sonho e a flauta à trompa.

Foge para longe da Piada assassina,
do Espírito cruel e do Riso impuro
que fazem chorar os olhos do Azul
e todo esse alho de baixa cozinha!

Toma a eloqüência e torce-lhe o pescoço!
Tu farás bem, já que começaste,
em tornar a rima um pouco razoável.
Se não a vigiarmos, até onde ela irá?

Oh! Quem dirá os malefícios da Rima?
Que criança surda ou que negro louco
nos forjou esta jóia barata
que soa oca e falsa sob a lima?

Ainda e sempre, música!
Que teu verso seja um bom acontecimento
esparso no vento crispado da manhã
que vai florindo a hortelã e o timo…
E tudo o mais é só literatura.

¹Paul Verlaine
* Metz, França – 30 de Março de 1844 d.C
+ Paris, França – 8 de Janeiro de 1896 d.C


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Paul Verlaine – Versos na tarde – 13/07/2013

Canção do outono
Paul Verlaine ¹

Os soluços graves
Dos violinos suaves
Do outono
Ferem a minh’alma
Num langor de calma
E sono.

Sufocado, em ânsia,
Ai! quando à distância
Soa a hora,
Meu peito magoado
Relembra o passado
E chora.

Daqui, dali, pelo
Vento em atropelo
Seguido,
Vou de porta em porta,
Como a folha morta
Batido…

Tradução: Alphonsus de Guimaraens

¹ Paul Verlaine
* Metz, França – 30 de Março de 1844 d.C
+ Paris, França – 8 de Janeiro de 1896 d.C


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Paul Verlaine – Versos na tarde – 16/01/2013

Seguidilla
Paul Verlaine ¹

Morena aún no teñida,
yo te quiero casi desnuda
sobre um sofá negro
en um salón amarillo
como em mil ochocientos treinta.

Casi desnuda y no tan desnuda,
um desnudo a través
de encajes que muestren
tu carne por donde va corriendo
mi boca que delira.

Yo te quiero muy sonriente
y mui dominante,
maliciosa y perversa y
peor si eso te gusta
pero tan lujuriosa!

Ah, tu cuerpo, que repose
sobre mim alma taciturna
y la ahogue, si puede,
si tu capricho lo desea,
más, y más, y más!

Espléndidas, gloriosas,
bellamente furiosas
en sus jóvenes retozos,
abates mi orgullo
bajo tus jubilosas nalgas!

¹ Paul Verlaine
* Metz, França – 30 de Março de 1844 d.C
+ Paris, França – 8 de Janeiro de 1896 d.C


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Paul Verlaine – Versos na tarde

Arieta
Paul Verlaine ¹

Chora o meu coração
Como chove na rua;
Que lânguida emoção
Me invade o coração?

Ó frio murmúrio
Nas telhas e no chão!
Para um coração vazio,
Ó aquele murmúrio

Chora não sei que mal
Meu coração cansado.
Um desengano? – Qual!
É sem causa este mal

É a maior dor – dói tanto –
Não se saber por que,
Sem ódio ou amor, no entando,
O coração dói tanto.

tradução de Guilherme de Almeida

¹ Paul Verlaine
* Metz, França – 30 de Março de 1844 d.C
+ Paris, França – 8 de Janeiro de 1896 d.C


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Paul Verlaine – Versos na tarde

A batalhas de amor campo de pluma
Paul Verlaine ¹

Languidez, languidez! tem paciência, formosa!
Acalma esse febril e indômito desejo;
A amante deve ter, no embate mais sobejo.
o abandono da irmã, tímida e carinhosa.

Em teus afagos, pois, sê branda e langorosa,
como do teu olhar o dormente lampejo,
que embora fementido, um prolongado beijo
vale mais que a expressão da carne luxuriosa.

Tu me dizes, porém, que no teu seio ardente,
ruge a fulva paixão, famulenta e bravia;
pois deixá-la rugir desenfreadamente!

A fronte em minha fronte e a mão na minha presa,
choremos, doce amor, até que venha o dia,
jurando o que amanhã negarás com certeza!

Tradução de Baptista Capellos

¹ Paul Verlaine
* Metz, França – 30 de Março de 1844 d.C
+ Paris, França – 8 de Janeiro de 1896 d.C



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Paul Verlaine – Versos na tarde

A batalhas de amor campo de pluma.
Paul Verlaine ¹

Languidez, languidez! tem paciência, formosa!
Acalma esse febril e indômito desejo;
A amante deve ter, no embate mais sobejo.
o abandono da irmã, tímida e carinhosa.

Em teus afagos, pois, sê branda e langorosa,
como do teu olhar o dormente lampejo,
que embora fementido, um prolongado beijo
vale mais que a expressão da carne luxuriosa.

Tu me dizes, porém, que no teu seio ardente,
ruge a fulva paixão, famulenta e bravia;
pois deixá-la rugir desenfreadamente!

A fronte em minha fronte e a mão na minha presa,
choremos, doce amor, até que venha o dia,
jurando o que amanhã negarás com certeza!

Tradução de Baptista Capellos

¹ Paul Verlaine
* Metz, França – 30 de Março de 1844 d.C
+ Paris, França – 8 de Janeiro de 1896 d.C