Mino Carta e traição do PT

E agora? Será que petistas e associados irão acusar Mino Carta de ter se convertido ao PIG?

A verdade que há tempos a fortaleza de pureza do PT começou a se desmanchar por dentro, e o jornalista em questão teria feito bem se houvesse escrito o artigo abaixo antes do julgamento do mensalão.
O texto aparenta ser um exercício de “bate e assopra”. O jornalista não cita nomes, exceto o de Lula e o colocando à margem do “imbroglio”. As críticas que faz de há tempos são de domínio público.
Entendo estar distante, a crítica, de um expressivo ‘mea culpa’.
José Mesquita – Editor

A traição do PT
Mino Carta
 (diretor de redação de Carta Capital)

Dizia um velho e caro amigo que a corrupção é igual à graxa das engrenagens: nas doses medidas põe o engenho a funcionar, quando é demais o emperra de vez.

Falava com algum cinismo e muita ironia. Está claro que a corrupção é inaceitável in limine, mas, em matéria, no Brasil passamos da conta.


Mino enfim perdeu a paciência

Permito-me outra comparação.

A corrupção à brasileira é como o solo de Roma: basta cavar um pouco e descobrimos ruínas. No caso de Roma, antigos, gloriosos testemunhos de uma grande civilização.

Infelizmente, o terreno da política nativa esconde outro gênero de ruínas, mostra as entranhas de uma forma de patrimonialismo elevado à enésima potência.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A deliberada confusão entre público e privado vem de longe na terra da casa-grande e da senzala e é doloroso verificar que, se o País cresce, o equívoco fatal se acentua. A corrupção cresce com ele. Mais doloroso ainda é que as provas da contaminação até os escalões inferiores da administração governamental confirmem o triste destino do PT. No poder, porta-se como os demais, nos quais a mazela é implacável tradição.

Assisti ao nascimento do Partido dos Trabalhadores ainda à sombra da ditadura. Vinha de uma ideia de Luiz Inácio da Silva, dito Lula, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo até ser alvejado por uma chamada Lei de Segurança Nacional. A segurança da casa-grande, obviamente.

Era o PT uma agremiação de nítida ideologia esquerdista. O tempo sugeriu retoques à plataforma inicial e a perspectiva do poder, enfim ao alcance, propôs cautelas e resguardos plausíveis. Mantinha-se, porém, a lisura dos comportamentos, a limpidez das ações. E isso tudo configurava um partido autêntico, ao contrário dos nossos habituais clubes recreativos.

Perdeu a linha

O PT atual perdeu a linha, no sentido mais amplo. Demoliu seu passado honrado. Abandonou-se ao vírus da corrupção, agora a corroê-lo como se dá, desde sempre com absoluta naturalidade, com aqueles que partidos nunca foram.

Seu maior líder, ao se tornar simplesmente Lula, fez um bom governo, e com justiça ganhou a condição de presidente mais popular da história do Brasil. Dilma segue-lhe os passos, com personalidade e firmeza. CartaCapital apoia a presidenta, bem como apoiou Lula. Entende, no entanto, que uma intervenção profunda e enérgica se faça necessária PT adentro.

Tempo perdido deitar esperança em relação a alguma mudança positiva em relação ao principal aliado da base governista, o PMDB de Michel Temer e José Sarney. E mesmo ao PDT de Miro Teixeira, o homem da Globo, a qual sempre há de ter um representante no governo, ou nas cercanias. Quanto ao PT, seria preciso recuperar a fé e os ideais perdidos.

Cabe dizer aqui que nunca me filiei ao PT como, de resto, a partido algum. Outro excelente amigo me define como anarcossocialista. De minha parte, considero-me combatente da igualdade, influenciado pelas lições de Antonio Gramsci, donde “meu ceticismo na inteligência e meu otimismo na ação”.

Na minha visão, um partido de esquerda adequado ao presente, nosso e do mundo, seria de infinda serventia para este País, e não ouso afirmar social-democrático para que não pensem tucano.

O PT não é o que prometia ser. Foi envolvido antes por oportunistas audaciosos, depois por incompetentes covardes. Neste exato instante a exibição de velhacaria proporcionada pelo relator da CPI do Cachoeira, o deputado petista Odair Cunha, é algo magistral no seu gênero. Leiam nesta edição como se deu que ele entregasse a alma ao demônio da pusilanimidade. Ou ele não acredita mesmo no que faz, ou deveria fazer?

Fanfarrões

Há heróis indiscutíveis na trajetória da esquerda brasileira, poucos, a bem da sacrossanta verdade factual. No mais, há inúmeros fanfarrões exibicionistas, arrivistas hipócritas e radical-chiques enfatuados. Nem todos pareceram assim de saída, alguns enganaram crédulos e nem tanto.

Na hora azada, mostraram a que vieram. E se prestaram a figurar no deprimente espetáculo que o PT proporciona hoje, igualado aos herdeiros traidores do partido do doutor Ulysses, ou do partido do engenheiro Leonel Brizola, ¬obrigados, certamente, a não descansar em paz.

Seria preciso pôr ordem nesta orgia, como recomendaria o Marquês de Sade, sem descurar do fato que algo de sadomasoquista vibra no espetáculo. Não basta mandar para casa este ou aquele funcionário subalterno. Outros hão de ser o rigor, a determinação, a severidade. Para deixar, inclusive, de oferecer de graça munição tão preciosa aos predadores da casa-grande.

Seria muito bom se pudéssemos construir/participar de uma grande mesa redonda (ou quadrada que fosse) para aprofundarmos as “mazelas” de nosso Pais e de nossa sociedade. Com certeza, todos teríamos com o que contribuir.

Como quem dá a ideia deve ser o primeiro a se colocar a disposição, faço-o desde já.
Tribuna da Imprensa

Advocacia Geral da União: Aparelhamento pelo PT é ameaça

Criada pela Constituição de 88 para defender o Executivo nos tribunais e assessorar juridicamente o presidente da República, a Advocacia-Geral da União (AGU) está vivendo a maior crise de sua história.

Instalado em 1993, o órgão tem 7.481 integrantes, entre advogados da União, procuradores federais e procuradores da Fazenda Nacional – todos selecionados por concurso público. Mas, numa decisão tomada sem consulta a esses profissionais, o chefe do órgão, Luís Inácio Adams, elaborou um projeto de lei complementar que prevê a nomeação, como advogados federais, de pessoas de fora da carreira e sem concurso.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O projeto foi encaminhado ao Congresso no dia 29 de agosto pela presidente Dilma Rousseff. O Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal – integrado por sete entidades de procuradores da Fazenda, Previdência Social, do Banco Central e de procuradores lotados em autarquias e ministérios – acusa Dilma e Adams de tentar aparelhar politicamente a AGU, colocando-a a serviço do Partido dos Trabalhadores (PT).

Para os dirigentes do Fórum, a partir do momento em que Adams assumiu a AGU, em outubro de 2009, ela deixou de ser um órgão de Estado, convertendo-se em órgão de assessoria jurídica e política dos ocupantes do Palácio do Planalto e dos líderes da base aliada na Câmara e no Senado.

Os dirigentes do Fórum também alegam que a gestão de Adams é “caótica”, do ponto de vista do interesse público, e afirmam que o polêmico projeto de lei foi elaborado na surdina, para criar um fato consumado. Pela legislação em vigor, apenas o advogado-geral da União pode ser de fora do quadro de profissionais do órgão.

Todos os demais cargos são exclusivos de servidores concursados.

Pelo projeto de lei complementar enviado por Dilma ao Congresso, os postos de procurador-geral da União, procurador-geral da Fazenda Nacional, procurador-geral federal, procurador-chefe do Banco Central, consultor-geral e consultores jurídicos dos Ministérios são de livre indicação do chefe da AGU – que, por sua vez, exerce um cargo de confiança do chefe do Executivo.

O projeto de Adams tem outros pontos polêmicos. Ao redefinir as atribuições do chefe da AGU, ele aumenta significativamente seus poderes decisórios, esvaziando parte das competências dos advogados públicos concursados. E também tipifica como infração funcional o parecer do advogado público que contrariar as ordens de seus superiores hierárquicos. Assim, a vontade dos procuradores-chefes, indicados com base em conveniências políticas, prevaleceria sobre o entendimento técnico dos advogados de carreira.

Hoje, mesmo não sendo aprovados pelos chefes, os pareceres dos advogados e procuradores são anexados aos processos administrativos e judiciais – o que permite à população conhecer as discussões jurídicas travadas dentro de órgãos e autarquias.

“Vai ser falta grave o profissional concursado da AGU contrariar a orientação administrativa de seu chefe. É o outro lado do aparelhamento, ao tirar a independência funcional dos advogados de carreira”, diz Marcos Luiz Silva, presidente da Associação Nacional dos Advogados da União.

“A possibilidade de eliminação de pareceres contrários ao entendimento do superior hierárquico fulmina a independência que se exige para o exercício de uma advocacia de Estado, possibilitando intervenção política em diversas matérias sensíveis à sociedade, como os pareceres em licitações e convênios. O projeto é um atentado ao Estado Democrático de Direito e põe em risco a existência da própria AGU”, afirmam os dirigentes do Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal.

Após a condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) pelo Supremo Tribunal Federal, por crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, o presidente do PT, Rui Falcão, afirmou que o mensalão foi um “golpe da elite”, que recorreu a “setores conservadores da Justiça para derrotar o partido”.

O projeto de lei complementar que abre caminho para o aparelhamento da AGU é a primeira tentativa efetiva do PT de interferir no universo jurídico, esvaziando sua independência e atrelando-o aos interesses do partido.
O Estado de S.Paulo

Waldomiro Diniz e José Dirceu nasceram um para o outro

Os fatos ocorridos nas últimas semanas testemunham que Waldomiro Diniz e José Dirceu nasceram um para o outro. Realçam a convivência mais que fraternal dos amigos que partilharam a mesma residência, o mesmo teto em Brasília, antes de se tornarem vizinhos de sala no 4° andar do Palácio do Planalto no governo Lula.

Inseparável amigo e homem de confiança do então ministro da Casa Civil José Dirceu, para quem labutou como assessor direto na Câmara dos Deputados desde o início dos anos 90, Waldomiro Diniz foi seu fiel escudeiro por quase 12 anos (1992-2004). Uma amizade pura.

Waldomiro Diniz exerceu o cargo de ultraconfiança de subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República no início do governo Lula (2002-2004), provavelmente fase de preparação do terreno e semeadura do Mensalão – pois era o homem certo para essa tarefa -, que viria a amadurecer e ser colocado no mercado em 2005 pelo mascate Roberto Jefferson, que se julgava prejudicado em seus negócios por “concorrência desleal”.

O popularíssimo “escândalo dos bingos” é a denominação de um evento criminoso que veio à tona após denúncias de que o então assessor de Dirceu praticava o santo ofício de extorquir empresários, com a patriótica finalidade de arrecadar dinheiro para o imaculado PT.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A diligente atividade arrecadatória emergiu e assumiu notoriedade após a divulgação de uma gravação feita pelo empresário do ramo zoológico Carlinhos Cachoeira.

A gravação mostra Cachoeira levando uma amável e íntima “cobrantina” de Waldomiro Diniz, a pretexto de apoio à campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores, aquela agremiação onde tem de tudo, menos trabalhador.

A gravação foi produzida em 2002, quando Waldomiro Diniz presidia a Loteria Estadual do Rio de Janeiro, durante o governo de Benedita da Silva, também do tradicionalmente moralista PT.

O dinheiro resultante da “cobrantina” de Waldomiro Diniz seria investido nas campanhas eleitorais dos então candidatos a governador Geraldo Magela (PT-DF), Rosinha Garotinho (na época no PSB-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ). Seria um reforço da popular “Caixa 2”. Isso, antes das eleições; depois, passaria a ser “Sobras de Campanha”, segundo juristas ricos e famosos.

Waldomiro Diniz sempre bateu um bolão na sua “especialidade”, por isso foi convocado e prestigiado por Dirceu.

Waldomiro também mostrou seus dotes profissionais insuperáveis na renovação de contratos entre a Caixa Econômica Federal (CEF) e a empresa que gerencia loterias federais GTech.

Para, o PT a GTech é uma empresa idônea, acima de qualquer suspeita; porém, para a mídia está atolada nos escândalos envolvendo o ex-prefeito de Ribeirão Preto – também ex-deputado pelo PT, ex-ministro de Lula e de Dilma e “consultor de negócios” – o médico sanitarista (ramo da medicina que, dentre outras atividades, mexe com excrementos) Antônio Pallocci (PT-SP).
Jorge Brennand/Tribuna da Imprensa

Eleições 2010. Donos da Valisère se filiam ao PT. Acreditem!

Brasil: da série “cuméquié?”

Tupiniquins, Tapebas, Tupinambás, Timbiras e demais tribos desse Brasil varonil, que acreditam em Saci-Pererê, Mula sem Cabeça, Boi Tatá, Caipora, e todos aqueles que acreditam que “a crise não é minha. A crise é do Senado!”

“Ôceis nun tão sabendo?” Então lá vai!

Tá “assim” de capitalistas, empresários e “socialites” — esse é o nome sofisticado que agora se dá pra dondoca — virando petista de carteirinha. Todos jurando amor eterno pela estrela vermelha, e que são amigos do ‘cara’ desde criancinha.

Quer dizer então que essa turma não tem mais ‘nadica’ de medo do sapo barbudo? Ou, para os adeptos de teorias conspiratórias, esse não será um plano maquiavélico para se infiltrarem nas hostes petralhas e avacalharem, com todo o respeito às vacas, com os barbudinhos de língua ‘plesa’?

Bom, depois do dono da Natura Cosméticos, Guilherme Leal, se filiar ao PV da Marina Silva, — aliás, será que esse neo ecológico político do PV, assim como Gabeira, será também um defensor do ‘mato’? — é bem possível acontecer a filiação de Antonio Ermírio de Moraes a PSOL da esgoelada Heloísa Helena.

Mesmo Zé Bêdêu, o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, em Fortaleza — para a ingênua e alencarina criatura, o mensalão não existiu, o Paulo Coelho e o Sarney são escritores, o DEM não tem nada a ver com o PFL… — não entendendo nada desses neo-socialistas perguntou: “será que a Daslu passará a abrigar a sede do PT?”

O editor

PS 1. Qual foi mesmo o compositor que cantou “parem o mundo que eu quero descer?”


Ivo e Eleonora Rosset filiam-se ao PT

O presidente da Valisère, Ivo Rosset, e sua mulher, a psicanalista Eleonora Rosset (ex-Mendes Caldeira), vão se filiar amanhã ao Partido dos Trabalhadores. O evento está marcado para as 11 horas na Câmara Municipal de São Paulo e está sendo organizado pelo Diretório Municipal da legenda.

As principais lideranças do PT, inclusive o presidente nacional, Ricardo Berzoini, devem marcar presença na cerimônia que marca a entrada oficial do casal no partido.

Ivo Rosset foi um dos primeiros empresários de peso a apoiar publicamente o então candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva na campanha presidencial de 2002. Já sua mulher Eleonora é reconhecida no partido como uma antiga militante ’sem ficha’, em razão de ter capitaneado ao longo de anos eventos em prol de candidaturas petistas, como a da ex-prefeita Marta Suplicy.

O casal organizou em setembro de 2002, em pleno auge da campanha presidencial, um dos mais badalados jantares em apoio a Lula, reunindo em sua residência centenas de convidados da alta sociedade paulistana e boa parte do PIB do País, como Benjamin Steinbruch, Horácio Lafer Piva, José Mindlin, Cláudio Bardella e Eugênio Staub.

O casal também apoiou Lula na campanha pela reeleição em 2006. De acordo com lideranças petistas, o dono da Valisère sempre externou seu apoio à condução da política econômica nos dois mandatos do presidente Lula, principalmente em razão das medidas de estímulo ao crescimento econômico promovidas pela equipe do governo petista.

O próximo dia 03 de outubro é a data limite imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a filiação partidária e transferência de domicílio eleitoral para quem deseja concorrer a algum cargo nas eleições gerais de 2010.

Agência Estado