Meio ambiente. Os eco-chatos se superam

Brasil: da série “só dói quando eu rio”.

Se você pensa que já viu tudo em matéria de nonsense, sente-se. A turma que usa o conforto de tudo que a civilização “predatória” produziu, contribui para engrossar a fileira dos que Nelson Rodrigues chamou de “os idiotas da objetividade”.

>> Biografia de Nelson Rodrigues

Do Maior São João do Mundo à Maior Besteira do Mundo…
Do blog Panorama
Por Marcus Aranha
Médico e escritor paraibano

A tradição cristã conta que Isabel estava grávida do primeiro filho, que nascido seria no futuro, São João Batista. Sem ter uma parteira que lhe assistisse na hora do parto, combinou como Maria, esposa de São José, que ao sentir os primeiros sinais que iria ter o bebê, avisaria a ela para que viesse em seu auxílio.

Como àquela época não havia telefone, fax, nem e mail, Isabel acertou com Maria que esse “aviso” seria feito através de uma fogueira feita pelo marido dela no cume de um monte, passível de ser avistado da casa de São José. E assim foi…

Em tempos medievais, na Europa, iniciou-se a tradição de acender fogueiras no dia correspondente ao início do solstício de verão, coincidentemente correspondente ao dia consagrado a São João Batista.

Taí… Esse negócio de fogueira no São João é coisa secular, festa e devoção do povo ao santo. Aliás, é exatamente e somente o povo que ainda acredita em santo.

Em Campina Grande, onde se realiza “O Maior São João do Mundo”, reuniram-se em audiência no Ministério Público, representantes da Igreja Católica, Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (APAN), Associação dos Protetores da Mata Branca do Semi Árido, Agência de Notícias do Direito da Infância, Anjos Socorristas e médicos da região, evento que culminou com o Promotor do Meio Ambiente daquela cidade, proibindo a venda de lenha e queima de fogueiras durante o São João.

Esses luminares da ciência apresentaram forte argumentos científicos e legais para proibir que as fogueiras fossem acesas. Os legalistas citam a Lei dos Crimes Ambientais estabelecendo que qualquer objeto poluidor que agrida a atmosfera ou que cause dano direto a população é caracterizado como crime ambiental. Os médicos argumentaram que a fumaça traz prejuízos à saúde humana. A Diretora Técnica do Meio Ambiente frisa que o órgão abraça a causa da redução do aquecimento global e é obrigado a proteger as florestas.

E acho uma graça…

Porque o Ministério Público não proíbe vender cigarros, cigarrilhas e charutos? Eles produzem fumaça que agride a atmosfera e traz imensos prejuízos à saúde humana, notadamente o câncer de pulmão.

Uma força-tarefa já começou apreender a lenha que estava estocada para as fogueiras em homenagem a São João. Alguém do grupo, sentindo-se mais inteligente que os demais, resolveu que toda a madeira apreendida será doada às padarias de Campina Grande.

Em troca da lenha essas panificadoras irão doar pães a instituições de caridade.

Aí eu pergunto: é possível as padarias queimar a lenha sem fazer fumaça? E saída das chaminés das padarias, a fumaça não vai poluir a atmosfera? Um graça…

É preciso revisar os superpoderes dessas instâncias. Acabar com uma tradição religiosa secular assim sem mais nem menos, com frágeis argumentos, é despotismo.

Porque os protetores da Mata não cuidam dos desmatamentos feitos para implantação de pecuária? E a Agência do Direito da Infância, por que não pensa que está subtraindo das crianças o direito de brincar o São João vendo uma fogueira acesa?

O argumento da Diretora Técnica da Superintendência do Meio Ambiente é risível; com os Estados Unidos, Japão, China e outros despejando diariamente milhares de toneladas de gás carbônico na atmosfera, qual a influencia que terá no aquecimento global as fogueirinhas de Campina Grande, acesas somente na noite do dia de São João?

E com relação à proteção das florestas que o órgão está realizando, eu pergunto: na Paraíba, onde é que há floresta?

Todos sabem que o pum do boi libera metano na atmosfera, fazendo crescer o buraco na camada de ozônio e o aquecimento global; já vejo a hora em que a promotoria de Meio Ambiente de Campina Grande, zelosa na proteção da natureza, baixar norma proibindo boi peidar.

Campina Grande, agora, além do Maior São João, tem a “Maior Besteira do Mundo”.

Brasil – Da série “só dói quando eu rio” – Paraíba, Kafka e Sucupira

Hoje, “nun tá fácil”!

O surrealismo verde-amarelo se manifesta de uma forma que nem Kafka imaginaria em suas (dele) mais delirantes tramas, nem Dias Gomes faria acontecer algo parecido na impagável e hilária Sucupira.

Será o poema “Quadrilha” de Drummond, redivivo?

Então, lá vai.

O atual senador José Maranhão foi derrotado para governador da Paraíba. O vencedor, Cassio Cunha Lima, está indiciado na Justiça Eleitoral por crime de abuso financeiro, uso de máquina pública, etc., e portando ameaçado de perder o mandato.

Caso Cunha Lima venha a perder o mandato, sabem quem assume? Quem? Quem?

Ele mesmo. O derrotado Maranhão, que apesar de derrotado foi o segundo mais votado nas últimas eleições paraibanas.

Como diz a letra da música da extinta Banda Blitz “tá tudo muito bem, tá tudo muito bom, mas…” se o mesmo Maranhão, que estava cotado para suceder Renan Calheiros na presidência do senado, não tivesse sido alijado da disputa por “possíveis ou supostas irregularidades”.

Entenderam?

O cidadão não pode ser Presidente do Senado Federal mas pode ser Governador de Estado!

Simples assim.

Argh!

Versos na tarde – Ronaldo Cunha Lima.

O medo e a falta
Ronaldo Cunha Lima¹

Você me faz medo,
mas você me faz falta.

A diferença entre o medo e a falta
é que o medo você sabe quando tem,
e na falta você sente que não tem.

A falta, com o medo, sobressalta.
Entre o medo que você me traz
e a falta que você me faz,
você é o medo que me falta.

 ¹Ronaldo José da Cunha Lima
* Guarabira, PB. – 18 de Março de 1936 d.C
O poema acima está no CD
“50 Canções de amor e um poema de espera”,
recitados pelo autor.

Opinião – Enfim alguém da elite abre mão de privilégios?

O ex-Govenador da Paraíba e atual Deputado Federal Ronaldo Cunha Lima – PSDB,PB – apresentou hoje renúncia ao mandato.

Quando Governador, Ronaldo Cunha Lima tentou assassinar, em 1993, o ex-Governador Tarcísio Burity, desfechando-lhe dois tiros, quando o mesmo se encontrava em um restaurante de João Pessoa.

Cunha Lima não aceitou as duras críticas que Burity fez ao seu filho Cássio Cunha Lima, que na época do fato era superintendente da antiga SUDENE. Tarcísio Burity ficou vários dias em coma, mas conseguiu sobreviver ao ataque, vindo a falecer dez anos depois no dia 8 de julho de 2003, vítima de falência múltipla dos órgãos e de parada cardiocirculatória.

Ronaldo Cunha Lima surpreendeu à todos com esse rompante de violência, pois sempre foi uma pessoa afável, e reconhecido poeta e trovador da cultura nordestina. Com a renúncia, ele abdica de ter foro privilegiado para o julgamento que seria feito no Supremo Tribunal Federal, tendo como relator o Ministro Joaquim Barbosa.

Sem o foro privilegiado – tinha direito constitucional ao foro porque à época da tentativa de homicídio era Governador – o processo seguirá para a primeira instância estadual na qual são julgadas as pessoas comuns.

Leia, abaixo, trecho da carta de renúncia de Ronaldo Cunha Lima.

– “Em caráter irrevogável e irretratável, renuncio ao mandato de deputado federal, representando o povo da Paraíba, a fim de possibilitar que esse povo me julgue, sem prerrogativa de foro como um igual que sempre fui”.

Ps. Alguns juristas identificam uma manobra “esperta” para jogar o julgamento para as calendas.