Eleições 2014: Como entender a ida do editor da Veja para a equipe de Aécio

Otavio Cabral,Veja,Aécio Neves,Eleições 2014,Blog do MesquitaUma pequena notícia que circulou ontem na internet é reveladora do que se passa na mídia.

O jornalista Otávio Cabral, editor executivo da Veja, deixou a revista para se juntar à campanha de Aécio Neves.

A pergunta que emerge é: quando, em outros tempos, um editor executivo deixaria a Veja para fazer uma campanha que, muito provavelmente, vai terminar em lágrimas?

Isso quer dizer: a não ser que ocorra uma surpresa espetacular, e nada até aqui sugere que possa ocorrer, Cabral arrumou um emprego de cinco meses.

É a morte da perspectiva de carreira na Veja e, de um modo geral, na mídia impressa.

Cabral provavelmente mudará de ramo.

Primeiro, porque a mídia em que é especializado é moribunda.

Segundo, porque ele se queimou consideravelmente ao fazer o serviço sujo para a Veja contra Dirceu, de quem ele escreveu uma infame biografia que se celebrizou pelo copioso número de equívocos.

Cabral estará para sempre associado ao desvario editorial da Veja dos últimos anos. É o final de linha de uma trajetória pouco edificante no jornalismo.

Seu pedido de demissão com certeza foi recebido com alívio na Veja, não por razões técnicas – mas pela economia que representa na folha de salários da Abril.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Cada pedido de demissão é boa notícia para a Veja.

A redação foi estruturada num outro mundo – em que as pessoas liam revistas, e os anunciantes eram ávidos por anunciar na Veja.

Passou. E não volta.

Daqui para a frente, é a conhecida miséria de uma mídia que se tornou, gostemos ou não, obsoleta. Quanto tempo vai transcorrer até que a Abril saia do imponente — e caríssimo — prédio da avenida das Nações Unidas, por exemplo? Ou quando vai ser fechada a próxima revista?

Do ponto de vista de atração de talentos, a Veja morreu. Que garoto brilhante hoje pode querer trabalhar num mausoléu da mídia? A efervescência na carreira jornalística está hoje na internet. Revista é o equivalente a carroça quando surgiu uma coisa chamada carro. O jovem jornalista sonha ser um Glenn Greenwald, não um editorialista do Estadão.

Quem pode sair sai da Veja e da Abril – nem que seja, como aconteceu com Cabral, para pegar uma emprego de cinco meses para cuidar de um cavalo em quem ninguém aposta.
Por: Paulo Nogueira/Diariodocentrodomundo

Protógenes Queiroz acusa jornalistas de estarem a serviço de Daniel Dantas

O delegado federal Protógenes Queiroz, que demonstra sofrer de megalomania, sai atirando pra todos os lados. Sem apresentar, ainda, nenhuma prova, vai enfileirando desafetos e personalidades públicas, numa interminável lista de cúmplices do banqueiro Daniel Dantas.

Há se confirmarem as denúncias, o depoimento do delegado na CPI dos grampos, será algo muito explosivo. Contudo, o mais crível é que o bloco dos adeptos de teorias conspiratórias, tenham em Protógenes um guru, capaz de através de factóides alimentar paranóias. E, a competência de Daniel Dantas para Catilina, acabará por levá-lo, quem sabe, à presidência do senado.

O editor

Quem são os jornalistas citados por Protógenes Queiroz.

Pelo menos 25 jornalistas de renome, que atuam em grandes veículos de comunicação, foram acusados pelo delegado federal Protógenes Queiroz de fazer parte de um esquema conspiratório a favor do banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, investigado pela Polícia Federal por supostos crimes financeiros, na chamada Operação Satiagraha. Os nomes de jornalistas constam de dois arquivos, dentre as centenas de documentos digitais confiscados pela Corregedoria da PF nos computadores de Queiroz, e são publicados pela revista Consultor Jurídico.

No relatório, o delegado parte da premissa de que o banqueiro Daniel Dantas armou um esquema para corromper jornais, revistas e jornalistas em geral para que todos trabalhassem a favor de seus objetivos escusos. A partir dessa suposição, toda ação que envolva o investigado que Protógenes transformou em inimigo pessoal, passa a ser suspeita. Nessa linha de raciocínio, jornalistas que por dever de ofício tenham de produzir notícias sobre Daniel Dantas ou sobre o Banco Opportunity, viram cúmplices do banqueiro.

Com pretensões intelectuais, o delegado se atreve a montar um case para demonstrar a malignidade da imprensa e da liberdade de expressão. Para tanto, toma como exemplo a cobertura que a revista Veja fez do presidente do Senado Renan Calheiros. Só nessa diversão aparecem os nomes de cinco jornalistas. São eles Policarpo Junior, Otávio Cabral, André Petry, Alexandre Oltramari e Diego Escosteguy. O relatório ressalva, para alívio geral, que os citados nessa parte do documento, não necessariamente estão ligados ao esquema de imprensa do banqueiro, já que se trata de um estudo teórico.

Pelo menos um deles passa da teoria à pratica. Alexandre Oltramari é citado de novo na parte do relatório dedicada a descrever a suposta cadeia de contra-informação armada por Daniel Dantas e a grande imprensa brasileira e estrangeira. Aí aparece ao lado de seu colega, o colunista Diogo Mainardi, do presidente da Rede Bandeirantes Johnny Saad, do apresentador de televisão Roberto d’Ávila, do consultor político Ney Figueiredo e da empresa de assessoria de imprensa contratada pelo Opportunity, a Abre de Página.

De Claudio Julio Tognolli, no site Consultor Jurídico