Ministério dos Esportes: ‘Era roubo. Eu vi maços de dinheiro distribuídos’

Parece não ter fim!

Nenhuma semana se passa sem denúncias de corrupção. Agora voltam as acusações de corrupção acontecidas no Ministério dos Esportes a época do senhor Orlando Silva.

Novamente envolvida na roubalheira, aparece uma ONG. Aliás, por que a CPI das ONGs nunca saiu do papel?

José Mesquita – Editor


Certas coisas são tão evidentes que só um cego olharia duas vezes.

No ano passado, foram tantas as evidências de malfeitos praticados por ONGs no Ministério dos Esportes que Dilma Rousseff mandou ao olho da rua o ministro da época, Orlando Silva (PCdoB).

A providência retirou a pasta das manchetes. Porém…[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Surge agora uma novidade que indica que a limpeza não chegou aos armários do ministério.

Subcontratado pelo Instituto Contato, entidade ligada ao PCdoB, o micro-empresário catarinense João Batista Machado, dono da JJ Logística Empresarial Ltda., contou ao repórter Fernando Junqueira: desviaram-se 90% das verbas de dois convênios firmados com o Ministério dos Esportes em 2009 e 2010, sob Lula.

A coisa envolvia o fornecimento de lanches para crianças atendidas pelo programa Segundo Tempo.

Sediada em Tanguá, região metropolitana do Rio, a firma de João Batista deveria fornecer os lanches que alimentariam a criançada durante atividades esportivas em períodos complementares ao horário da escola.

O ministério liberou R$ 4,65 milhões. Desse total, diz João Batista, apenas R$ 498 mil foram usados na aquisição de alimentos. Malversaram-se os outros R$ 4,15 milhões.

“Era tudo roubo. Vi maços de dinheiro serem distribuídos”, relata o dono da JJ Logística.

Beneficiaram-se dos desvios políticos de Brasília, de Santa Catarina e do Rio.

Os nomes? O denunciante não revelou.

Candidato a vereador em São Paulo, o ex-ministro Orlando Silva não foi eleito. Obteve uma suplência.

O Instituto Contato negou as acusações do seu contratado.

Hoje gerido por Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o Ministério dos Transportes rescindiu os convênios e informou que vai investigar a nova denúncia.
blog Josias de Souza 

Dilma, cadê a Faxineira Ética?

Pede-se notícias.
Pede-se a quem souber do paradeiro da Faxineira Ética que avise à sua residência no Palácio do Alvorada, sem número, Brasília.

Previna urgente mãe solitária e erma de seus cuidados.

Pede-se a quem avistar a Faxineira Ética, de 64 anos, que apareça, que escreva, que mande dizer onde está. Faz tanta falta!

Foi outro dia.

Numa sexta-feira, a revista VEJA começou a circular com uma reportagem sobre falcatruas no Ministério do Transporte.

Dizia que tudo ali parecia ter apodrecido.

E dava conta da descompostura aplicada pela presidente Dilma Rousseff naquela mesma semana em poderosos chefões do ministério.

A Faxineira Ética nasceu no dia seguinte.
Antes que os primeiros exemplares da revista desembarcassem em Brasília, Dilma cortou cabeças de funcionários graduados do ministério.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Poupou o ministro, que 10 dias depois pediu demissão. No prazo de uma ou duas semanas rolaram mais de 20 cabeças.

Dilma fechou seu primeiro ano de governo com a marca histórica de ter demitido um ministro de Estado a cada dois meses – e todos por suspeita de corrupção.

A saber: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Pedro Novais (Turismo), Orlando Silva (Esporte) e Carlos Lupi (Trabalho).

É verdade que nenhum deles até hoje foi punido e sequer processado por improbidade administrativa. Mas quem esperava que fosse? Neste país?

Alguém foi punido pela tragédia que matou mais de mil pessoas na região serrana do Rio de Janeiro no início de 2011? Quem autorizou ali construções em locais sujeitos a deslocamentos de terra?

Sob pressão dos seus aliados, a faxineira ética ensaiou sair de cena antes de decepar a última cabeça – a de Lupi. O ministro pintou, bordou, desafiou-a e ela engoliu tudo calada.

Foi grosso: “Duvido que ela me tire. Nem na reforma ministerial”. Vulgar: “Sou osso duro de roer”. E por fim, cafajeste: “Desculpe se fui agressivo. Dilma, eu te amo”.

Lupi só rodou porque a Comissão de Ética da presidência da República aconselhou Dilma a demiti-lo. Para não ficar mal na foto, ela aceitou o conselho, mas prometeu furiosa a seus auxiliares mais próximos que nunca mais a Comissão terá peito para fazê-la passar por outro vexame como aquele. A conferir em breve.

A aposentadoria da Faxineira Ética data do início de dezembro último quando O GLOBO denunciou que Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, havia embolsado algo como R$ 2 milhões entre 2009 e 2010 por consultorias que nunca prestou.

Pimentel é o queridinho de Dilma e seu ex-companheiro de luta armada contra a ditadura de 64. Para não demiti-lo, Dilma engoliu o que disse: “Meu governo não tem compromisso com práticas inadequadas, com malfeitos e com corrupção. É tolerância zero”. E deu forma a uma nova teoria que pode ser resumida assim:

– O que estão acusando [Pimentel], não tem nada a ver com meu governo.

Dito de outra forma: se algum ato de bandidagem macula seu passado, você não está impedido de fazer parte do governo de Dilma. Estará se tiver cometido o ato no exercício do cargo que Dilma lhe deu. De acordo?

A teoria de Dilma espera o endosso da Comissão de Ética da presidência.

Você ouviu alguma palavra de Dilma sobre a compra milionária e irregular de lanchas pelo Ministério da Pesca que depois constrangeu o vendedor a doar uma boa grana para o PT de Santa Catarina?

Ou você a ouviu falar em varrer o ministério da Saúde só por que um assessor de mais de 20 anos do ministro foi subornado por deputados cariocas?

O escândalo protagonizado pelo ex-bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) envolve, pelo menos, mais meia dúzia de deputados federais, empresários e um governador.

A oposição quer uma CPI para ir fundo no lamaçal – logo ela que tinha em Demóstenes uma de suas estrelas.

Dilma teme que a CPI desestabilize sua base de sustentação dentro do Congresso. Teme que uma eventual cassação do mandasto de Demóstenes também desestabilize.

Melhor não mexer com essas coisas. Quanto à faxineira desaparecida…

Suplica-se ao repórter-amador, ao caixeiro, ao mata-mosquitos, ao transeunte, até mesmo aos senhores ricos, que tenham pena da mãe aflita e lhe restituam a filha volatilizada ou pelo menos dêem informações. É de média altura, gordinha, morena, dentes alvos, vestidinho simples. Sumida há mais de três meses.

PS: Algumas passagens deste artigo foram claramente plagiadas do poema “Desaparecimento de Luísa Porto”, de Carlos Drummond de Andrade.
por Ricardo Noblat 

Tópicos do dia – 04/02/2012

09:18:34
Dilma, demissão de ministros e Recursos Humanos
Fosse gerente de RH em uma empresa qualquer da iniciativa privada, Dona Dilma já teria sido demitida por incompetência na seleção e recrutamento de gerentes. Ou não?
Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva, Carlos Lupi, Mário Negromonte, e um Aguinaldo a caminho da lixeira da pretensa faxineira.

09:27:32
Dilma, Cuba e Guantánamo
Impressiona, na visita de Dilma a Cuba, como algumas pessoas notáveis aqui no Brasil ainda não aceitam, a esta altura do campeonato, a democracia como um valor universal. Todo mundo tem o direito de ir e vir, divergir, de se reunir, protestar ou militar num partido que não seja o único do pedaço. Além disso, o desrespeito aos direitos humanos é hediondo, seja em Guantânamo ou Havana.
Ancelmo Gois

09:47:10
Hackers e Bancos
Sistema de pagamentos da Redecard falha em dia de ataque hacker
O sistema de pagamentos da credenciadora de cartões Redecard ficou fora do ar durante parte desta sexta-feira, 3, causando transtornos e prejuízos, segundo relatos de empresas e consumidores. O dia foi marcado por mais uma onda de ataques cibernéticos a sites de instituições financeiras e entidades, todos de autoria do grupo Anonymous.

A Redecard admite que sua página na internet apresentou intermitência ao longo do dia “em função de uma sobrecarga de acessos”, mas nega que o fato tenha interferido na funcionalidade das transações da rede de pagamentos. A credenciadora afirma ainda que não houve o comprometimento da segurança dos dados dos clientes.

O site de compras coletivas Peixe Urbano foi uma das empresas afetadas. Em nota, a companhia diz que o link para pagamento via Redecard ficou intermitente nesta sexta-feira. O impacto, segundo o site, foi minimizado pelo fato de os usuários terem outras formas de transação disponíveis.

Durante a tarde, o Twitter do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do Peixe Urbano orientou os clientes a usarem outros meios de pagamento, uma vez que “toda a Redecard está fora do ar”, segundo escreveu a empresa no microblog.
Bianca Pinto Lima/Estadão.com.br 


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Corrupção saqueia o Brasil repetindo ação dos corsários do passado

A excelente reportagem de Leandro Colón, O Estado de São Paulo de quinta-feira 24, iluminando para a opinião pública um incrível escândalo que explodiu no Ministério das Cidades, responsabilidade maior do titular da pasta, Mário Negromonte, acrescenta mais um episódio à sequência de corrupção que saqueia o Brasil. Impressionante como é tratado o dinheiro público. Só tem paralelo na ação dos corsários do século XVI que tinham base no Caribe e nas Antilhas.

Os corsários de hoje, como os de ontem, que inspiraram várias lendas, não respeitam limites. Roubam freneticamente e, com isso, desfecham bofetadas na face da população. A fraude homologada pelo ministro Mário Negromonte, referente a obras da Copa do Mundo em Cuiabá, eleva-se a 700 milhões de reais. Caso de demissão imediata de seus principais auxiliares.

Depois de Carlos Lupi, que balança, mas vai terminar caindo, Negromonte será o sétimo a ser demitido por corrupção. E o oitavo a sair da equipe da presidente Dilma Roussef, já que Nelson Jobim foi demitido por insubordinação. É demais? Sim. Mas isso só na esfera do Palácio do Planalto. Porque as fraudes proliferam de maneira incessante em quase todas as áreas, incluindo as estaduais e municipais.

Os cargos que possuem verbas altas são disputadas, não como instrumento de realização coletiva, sentido maior da política, mas sim como chave para o roubo e o assalto, passando pela farsa e atravessando o plano da chantagem, imunda por natureza. Chantagem sim. Porque o pretexto apresentado hipocritamente é o de tornar cada vez mais sólida a maioria parlamentar do governo no Congresso. Algo repugnante.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Nenhum dos desonestos consegue falar sobre seu verdadeiro papel na ópera que encenam e da qual se tornam personagem sombrios. Nem podem se olhar no espelho da demissão, pois como dizia Santiago Dantas, nenhuma posição é legítima se aquele que a ocupa não puder dizer seu verdadeiro nome.

Mais impressionante ainda é que os acusados tentam resistir à realidade das denúncias e custam a tomar a iniciativa de tomar o elevador para ir embora. Insensibilidade aí entra em cena. Pois Palocci, Wagner Rossi, Alfredo Nascimento, Pedro Novais, Orlando Silva e agora, no fim da escala, Carlos Lupi e Mário Negromonte, deviam pelo menos considerar a perspectiva de que a fonte de divulgação contra todos eles é uma só: o Palácio do Planalto.

Claro. Pois todas as reportagens partem de investigações da Polícia Federal, inclusive com base em escutas telefônicas com autorização judicial. Ora, a Polícia Federal está diretamente subordinada ao Ministério da Justiça. E o titular da pasta, Eduardo Cardoso, à presidente Dilma Roussef. Assim se jornais e jornalistas tiveram acesso e informações captadas pela PF, como esta não as passou antes, ao Planalto? Não pode ser. Não teria a menor lógica. Representaria até uma insubordinação a chefe do Poder Executivo ela tomar conhecimento pelos jornais e revistas de crimes de corrupção por ministros que desempenham cargos de sua confiança direta.

Se tal processo fosse lógico, ela passaria, aí sim, a desconfiar do Ministério da Justiça e da própria Polícia Federal. Não pode haver outra interpretação. Os atores da corrupção, apanhados em flagrante, deveriam logo se demitir para que a presidente Dilma não seja obrigada a fazê-lo.Mas esta é outra questão.

No entanto, como esperar o mínimo de ética pelos antiéticos? Se não fossem antiéticos, não seriam corruptos. A corrupção, como os fatos revelam a cores firmes, assumiu entre nós, um caráter alarmante e sobretudo ameaçador como um maremoto. Sufoca e destrói os valores sociais e corroi a própria economia brasileira.

Falta dinheiro para a saúde, educação, transporte, segurança pública, exatamente pela transferência dos recursos pilhados. Em vez de irem para a sociedade, em forma de serviços, vão para as contas nacionais e internacionais dos ladrões.
Pedro do Coutto/Tribuna da Imprensa

Tópicos do dia – 01/11/2011

10:39:03
Brasil: da série “Óleo de Peroba nele”
Olhem só que gracinha da lavra do presidente do PCdoBolso:
“O nosso partido sai engrandecido desses últimos acontecimentos.”
Renato Rabelo, presidente do PC do B, partido do ex-ministro Orlando Silva, do Esporte.

11:47:38
É a crise!
Informe da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima):
Existem atualmente no Brasil, sil, sil, 64.866 pessoas com mais de R$ 1 milhão aplicado nos bancos, o que representa um aumento de 2,6% em relação a dezembro do ano passado.


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Orlando Silva: “blindagem” do ministro é prato cheio pra imprensa internacional

Penso não se aplicar a presunção de inocência para afastar alguém de um cargo político enquanto se procede a apuração dos fatos.

Itamar Franco, quando Presidente da República, o afastou o seu amigo Henrique Hargreaves, então Ministro da Casa Civil, que foi investigado, e quando isento de qualquer culpa voltou ao governo.

Será tão difícil Dona Dilma agir assim no caso do Ministro Orlando Silva? Não se trata de linchamento, nem moral, nem político, mas uma simples tomada de posição em nome da ética e da moralidade da coisa pública.

A propósito de falcatruas, provas e presunções lembro-me de duas frases emblemáticas;
“Os políticos acreditam que uma tolice se torna fato se for espalhada aos berros”. Charles Pierce;
“A ausência da evidência não significa evidência da ausência”. Carl Sagan

O Editor


Blindagem do ministro Orlando Silva representa mais uma desmoralização para o Brasil na imprensa internacional.

A preservação do ministro do Esporte, Orlando Silva, no cargo, em meio a gravíssimas acusações de corrupção que envolvem também seu antecessor, Agnelo Queiroz, hoje governador do Distrito Federal, representam mais um vexame internacional para os brasileiros.

Sem ter como responder, somos obrigados a aturar importantes jornais estrangeiros, como o espanhol “El Paíz” e o inglês “Financial Times”, a publicarem matérias que nos desmoralizam, dizendo que o governo do Brasil precisa combater a corrupção, o que significa afirmar que atualmente não o faz.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O pior é que, como dizia o genial cineasta Orson Welles quando esteve no Brasil, “it’s all true”, ou seja, é tudo verdade. Não há dúvida de que Lula fez um bom governo, superando inclusive uma grave crise internacional, e a sucessora Dilma Rousseff também está indo bem, administrativamente, se não levarmos em conta o problema da corrupção sistemática. E é tudo verdade.

A desmoralização do país se agrava em função da Copa do Mundo de 2014, que torna ainda mais escandalosas as notícias sobre gravíssimas irregularidades justamente no setor que cuida dos preparativos do campeonato esportivo mais importante do mundo. A imprensa britânica, ainda mordida porque a Fifa não aceitou fazer as próximas Copas na Inglaterra, vai deitar e rolar. Sexta-feira, o jornal “The Guardian” já repercutia as más notícias sobre o Brasil.

Os britânicos, que deveriam se contentar em difamar o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, nos últimos tempos vivem a acusar também João Havelange, o dirigente esportivo internacional mais importante da História, como se ele fosse tão corrupto quanto seu ex-genro. Não sabem (ou não querem saber) que Havelange sempre foi um empresário de sucesso, um homem rico, dono da Viação Cometa, uma das maiores transportadoras do país, e de várias outras empresas. Jamais precisou se corromper para ganhar dinheiro, o maior erro de sua vida foi colocar o genro na CBF, e hoje paga caro por essa falha.

Na sexta-feira, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, já considerava decidida a demissão do ministro Orlando Silva. Em coletiva para jornalistas de vários países, na sede da entidade em Zurique, Valcke disse que está pronto para conversar com um novo interlocutor da presidente Dilma, em novembro, quando virá ao Brasil para discutir a organização da Copa do Mundo de 2014.

“Terei um encontro com a nova pessoa indicada pela presidente para conduzir a Copa no plano governamental. Tenho a confiança de que a presidente tomará a decisão correta, independentemente do que acontecer com o ministro Orlando Silva”, anunciou.

O maior escândalo esportivo do Brasil, na verdade, não são as fraudes com as ONGs no Ministério do Esporte. O que mais nos desmoraliza são os inacreditáveis gastos com a construção e reforma dos estádios de futebol, que sairão quatro ou cinco vezes mais caros do que obras semelhantes que acabam de ser realizadas na Itália e na Alemanha.

Quase todas as reformas estão sendo feitas sem projeto previamente detalhados. Consequentemente, sem licitações sérias e disputadas com lisura. Os aditivos aos contratos se multiplicam, impunemente, enquanto os órgãos responsáveis pela fiscalização (os Tribunais de Contas da União e dos Estados) fazem seguidas denúncias que não adiantarão nada.

Em matéria de corrupção, ninguém tirará do Brasil o título de campeão mundial. Neste particular, a Copa de 2014 realmente está destinada a ficar na História. E repetindo Orson Welles, é tudo verdade.

Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

Dilma Rousseff e a limpeza nos ministérios

Conduta uniforme

Ideal mesmo seria que a presidente Dilma Rousseff aproveitasse o ensejo de mais um escândalo para dar um jeito no festival de condutas desviantes que assola a Esplanada dos Ministérios.

Ao todo, até agora, aos dez meses incompletos de governo, foram seis: Antonio Palocci e o espetáculo do crescimento patrimonial; Alfredo Nascimento e as obras superfaturadas nos Transportes; Wagner Rossi e o direcionamento de licitações na Agricultura; Pedro Novais e o uso particular de dinheiro público; o Ministério do Turismo e a prisão de 35 servidores acusados de corrupção; Orlando Silva e os convênios fraudulentos no Esporte.

Se somados à lista os episódios temporariamente arquivados de favorecimento partidário na distribuição de verbas públicas no Ministério do Trabalho e da denúncia contra o ministro das Cidades de pagamento de mesada a deputados em troca de apoio, a conclusão é a de que os partidos que compõem a coalizão do governo se equivalem no quesito produção de escândalos.

São dois do PMDB, um do PC do B, um do PR, um do PP, um do PDT e um do PT. Como se vê, há uniformidade de conduta no primeiro escalão. Por enquanto, só ficou de fora o PSB, que ocupa a pasta da Integração Nacional.

E que não se diga que o “dedo podre” pertence ao ex-presidente Lula porque, não obstante a coincidência de os atingidos terem sido todos, direta ou indiretamente, apadrinhados por ele, nesse caso não há hipótese de se transferir responsabilidade: além de ter aceitado nomear cada um deles, Dilma Rousseff era, no dizer do próprio Lula, a “alma” da gestão anterior que, no dizer da propaganda eleitoral, seguiria em ritmo de continuidade.

O problema é a regra que precisa vir de cima. A presidente não impôs uma nova norma pela qual toda transgressão seria castigada. Tanto é que a “base” entrou em estado de prontidão ameaçando revolta quando houve o ensaio de “faxina” e de imediato se avisou aos navegantes que as trocas de ministros ficavam automaticamente adiadas para a reforma de janeiro.

A rigor, as demissões não podem ser consideradas uma punição em regra. Rendem a perda do emprego aos alvos principais, mas a engrenagem continua funcionando como antes de os fatos consumados terem sido postos à porta do gabinete presidencial pela imprensa.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Falou-se ontem o dia inteiro que Orlando Silva estava fora do ministério. Teria uma conversa com a presidente assim que ela chegasse do exterior e tudo se resolveria ali.

A questão é: tudo o quê, a demissão do ministro? Francamente, chega a ser irrelevante. Soa, antes, como o cumprimento de um ritual conhecido, cujo objetivo principal é tirar o foco da denúncia da vez.

Demitido o ministro, o assunto perde o interesse, protestos o sentido, todo mundo se dá mais ou menos por satisfeito e mais cedo ou mais tarde começa tudo outra vez.

A imprensa denuncia, o governo alega presunção de inocência, o acusado se defende, o acusador é desqualificado, os fatos atropelam o palácio, que, por sua vez, os coloca no escaninho do esquecimento com mais uma demissão que renderá à presidente Dilma dividendos públicos pela intransigência em relação a “malfeitorias”.

E assim a enganação vira regra geral: o governo finge que toma providências, o País finge que acredita e a farra continua.

Notáveis. A presidente não comenta nem com os próximos os nomes que teria em mente para compor a Comissão da Verdade, cujo relatório de autoria do senador Aloysio Nunes Ferreira foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Pelo projeto, que o governo gostaria de ver votado até dezembro, não podem participar dirigentes partidários. Excetuados, no entanto, os ocupantes de cargos honoríficos.

De onde um ministro aventa a possibilidade de Dilma vir a convidar o ex-presidente Fernando Henrique para integrar o grupo que durante dois anos trabalhará na recuperação da história das agressões aos direitos humanos durante o regime militar de 1964.

A ideia da presidente é escalar um elenco suprapartidário.

Dora Kramer/O Estado de S.Paulo