Cartel e Mensalão: Metrô de São Paulo e Banco Rural desde 1968

Mídia Manipulação Blog do MesquitaA caretice do noticiário

A acusação de que acertos corruptos para a construção do metrô paulistano remontam pelo menos ao governo de Mario Covas (1995-2001), revelada no noticiário da primeira semana de agosto sobre a suposta formação de cartel por fornecedores de bens e serviços, poderia ter criado oportunidade para retraçar as origens do finado Banco Rural, cuja extinção ocupou dois míseros dias (3 e 5/8) da imprensa, com míseros relatos tecnocráticos.

Antes de fazer uma breve recapitulação a respeito, cabe esclarecer dois pontos.

Primeiro, suspeições relativas a obras públicas não são manchas privativas dos governos da redemocratização.

Sob a ditadura militar, poucos foram os escândalos desvelados, porque havia censura e intimidação. Mas a corrupção não era menor.

Metrô começou em 1968

No caso específico, cumpre lembrar que a construção do metrô começou em dezembro de 1968, mês em que foi editado o Ato Institucional número 5.

O governador do estado (responsável pela obra) era Abreu Sodré, sucedido por Laudo Natel, Paulo Egydio Martins, Paulo Maluf, José Maria Marin, Franco Montoro, Orestes Quércia, Luiz Antônio Fleury Filho, Covas, Geraldo Alckmin, Claudio Lembo, José Serra, Alberto Goldman e Alckmin, atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Isso, na cúpula. No planalto e na planície da máquina estatal paulista houve continuidade, assim como nas empresas privadas, que não promovem rodízio geral de “cargos em comissão” a cada mudança de diretor-presidente. Os governos não podem se desfazer dos técnicos qualificados como se desfazem de mobiliário inservível. As pessoas, dos dois lados do balcão, governo e empresas, se conhecem e se entendem (e se desentendem).

Segundo ponto, tem havido reclamação a respeito do uso do termo “cartel” pelos jornais. A designação é técnica e não tem a mesma popularidade adquirida pelo mensalão.

Valerioduto serviu PSDB e PT

Parêntese: mensalão, com o sufixo aumentativo característico da linguagem brasileira (o diminutivo veio da Terrinha, de tal modo que, como escreveu Chico de Oliveira, temos jeito, jeitinho e jeitão), passou a designar até algo diferente, caixa dois da campanha eleitoral de 1998 em Minas Gerais (Eduardo Azeredo, candidato à reeleição, derrotado por Itamar Franco), por sinal sua origem.

Não houve um “mensalão” mineiro, nem tucano, porque os políticos do PSDB, saído de uma costela do PMDB, nunca hesitaram em fazer alianças políticas, colocar a mão na massa (eu ia escrevendo outra coisa) e praticar suas decorrências supostamente inevitáveis, para garantir a famigerada “governabilidade”, ao passo que os petistas tiveram a ilusão de que poderiam governar fazendo alianças “sociais” com o topo da pirâmide, bancos, grandes empreiteiras etc., e com a base, nas periferias e “grotões”.

Na hora do tranco, ou seja, de aprovar no Congresso propostas importantes e polêmicas, o Planalto não soube administrar o pepino e inaugurou algo inédito, mesada em dinheiro, propiciada pelo cordial entendimento entre Delúbio Soares, tesoureiro do PT, e Marcos Valério, apresentado a Delúbio pelo então deputado federal petista de Minas Gerais Virgílio Guimarães, sob o olhar despreocupado de José Genoíno, presidente do partido, e muito atento de José Dirceu, capitão do time, e de Lula, o líder maior.

Outro intermediário do espúrio contubérnio foi Walfrido dos Mares Guia, vice-governador de Eduardo Azeredo, filiado ao PSB, depois ministro de Lula (Turismo e Relações Institucionais). Mares Guia caiu quando estourou o mensalão.

Mas a sintaxe dos novos tempos vividos desde junho-julho no Brasil poderá transformar a palavra cartel em palavrão (esperemos que não na forma de um horrendo “cartelão”), como aconteceu na Colômbia e no México tendo como objeto as quadrilhas de traficantes de drogas.

Aliás, existe uma faixa da vida econômica em que os diferentes cartéis (da economia formal e da economia bandida) se encontram: o mercado bancário e financeiro.

Rabello, Sabino, Tratex, Rural

Parêntese fechado, vamos ao Banco Rural. A história está um pouco mais esmiuçada em “Da Novacap ao Valerioduto I”, “Da Novacap ao Valerioduto II” e “Da Novacap ao Valerioduto III” (os textos estão datados de 2011, devido a problemas técnicos de migração de servidor; são do final de 2005 e do início de 2006; no primeiro texto, escrevi que o avô de Katia Rabello era “Sabino Corrêa Rabello”; era Jacques Corrêa Rabello, sócio de Antônio Sabino na construtora Rabello & Sabino, como aparece na entrevista de Katia, logo adiante).

Para benefício do leitor preguiçoso, eis o resumo da opereta:

1. Desde a construção de Belo Horizonte, na última década do século 19, houve acertos entre autoridades e empreiteiros de obras públicas. O vice-governador do estado, um tio-avô de Juscelino Kubitschek, o senador João Nepomuceno Kubitschek, teve papel importante na obra. Ressalte-se que os métodos pouco republicanos eram correntes, absolutamente naturalizados. O Brasil tinha virado República em 1889, mas o então presidente da Venezuela, Rojas Paul, entendeu algo diferente. “Se ha acabado la única Republica que existia en America: el Imperio del Brasil”, comentou, conta-nos Oliveira Lima na epígrafe de O Império Brasileiro (1821-1889). Sem ilusões quanto à lisura dos dirigentes imperiais: os intendentes do Exército na Guerra do Paraguai não eram meninas do Colégio Sion. Nem dos dirigentes coloniais, bem entendido.

2. O processo foi revigorado na reforma da capital mineira, em meados da década de 1940, quando Juscelino Kubitschek era prefeito nomeado (1940-45; todos os prefeitos e interventores nos estados eram nomeados). A empresa que realizou as obras da Pampulha foi a construtora de Jacques Corrêa Rabello, avô de Katia Rabello, última representante da família no mercado bancário, condenada a longa pena de prisão no processo do mensalão.

3. JK e as empreiteiras se cruzaram de novo durante seu mandato como governador eleito de Minas Gerais (1951-1955), cujo slogan foi o binômio “energia e transportes”.

4. O Banco Rural foi criado depois da construção de Brasília (comandada pela estatal Novacap, dirigida por Israel Pinheiro, filho de João Pinheiro, outro governador de Minas Gerais no início da República). O banco foi o caminho encontrado para fazer transitar o dinheiro haurido nas obras da nova capital pela empreiteira Tratex-Rural/Servix, depois apenas Tratex, herdeira da associação entre Jacques Rabello e Antônio Sabino na Rabello & Sabino. A Tratex comprou no Rio de Janeiro uma antiga carta bancária. Assim nasceu o Rural.

Os jornalões bem que poderiam dar uma sacudidela em seus departamentos de pesquisa. Os leitores seríamos servidos com histórias mais movimentadas, quebrando a caretice do noticiário hard, e também mais complexas, menos rasas, talvez um pouco assustadoras, na medida em que mostram como será longo e acidentado o caminho do combate (eterno) à corrupção. Está na hora de inverter criticamente o famoso e bovino “Rouba, mas faz”, de Ademar de Barros. “Fazem (quando fazem), mas…”
Por Mauro Malin/Observatório da Imprensa

Tópicos do dia – 15/11/2011

07:41:00
Ligações Perigosas: filho de FHC e a Disney

O Ministério das Comunicações investiga os meandros da sociedade de Paulo Henrique Cardoso com o grupo Disney.

Deseja-se saber se o conglomerado americano de entretenimento controla ilegalmente uma emissora de rádio cuja concessão foi emitida em nome do filho de FHC. A emissora chama-se Itapema FM. Opera em São Paulo sob o nome fantasia de ‘Rádio Disney’.

A encrenca foi noticiada pela repórter Elvira Lobato, na Folha. Ela conta que, no papel, Paulo Henrique controlaria 71% do capital da rádio.  A ser verdadeiro o percentual, a Disney estaria dentro dos limites da Constituição, que fixa em até 30% a participação de grupos estrangeiros em veículos de comunicação.

O governo suspeita que, sob a divisão acionária de aparência legal, esconda-se uma ilegalidade. Na prática, a Disney comandaria a emissora. Na origem, o dono da rádio era Orestes Quércia (PMDB), morto no ano passado. Obteve a concessão no governo de José Sarney. Em 2007, Quércia vendeu a emissora ao grupo gaúcho RBS que, posteriormente, negociou-a com Paulo Henrique e a Disney.

08:54:27
Câncer de Lula e a Federação Brasileira de Entidades de Combate ao Câncer

Desde que foi anunciado o câncer do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, observa-se uma comoção no País. De um lado, uma avalanche de brasileiros apoiando o chamado ‘força Lula’; de outro, um número enorme de anônimos e famosos reforçando o movimento conhecido como ‘Lula, vai se tratar no SUS’.

Mas, o que separa os hospitais de referência oncológica do SUS do hospital privado Sírio Libanês? A resposta, que tentaram responder no Twitter, é simples: nada. Nada separa, neste caso e no que diz respeito ao tratamento oncológico oferecido aos pacientes, o público do privado.

Hoje, segundo o INCA, são 490 mil novos casos por ano, com mais de 160 mil mortes, colocando a doença no segundo lugar no ranking de óbitos no País, atrás apenas do infarto, acidente vascular e hipertensão. É fato: o câncer cresce a passos largos no Brasil e tende, com o aumento da expectativa de vida e das práticas inadequadas para a saúde, a crescer ainda mais.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, a rede pública é referência no tratamento do câncer no Brasil: faz um excelente trabalho, usa a mesma técnica, os mesmos equipamentos e, do ponto de vista da junta médica, oferece equidade no tratamento ao paciente.

09:22:53
Brasil: da série “perguntar não ofende”!
O senhor conhece algum colarinho branco preso?
Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

09:44:02
Amar é bom até na Bíblia.
Tá lá na Bília, no Cântico dos cânticos:
“Beija-me com os beijos da tua boca; porque os teus amores são mais deliciosos que o vinho, e suave é a fragrância dos teus perfumes.”

09:53:43
Royalties e corupção
Quissamã, no RJ, é uma cidade turbinada por royalties e dominada por escândalos.
O prefeito fez até festa em Paris com dinheiro público. Mas alterar os royalties não é garantia de melhor gestão.
–>> Leia mais aqui

13:02:12
Crimes contra muçulmanos sobem 50% nos EUA em 2010
Os chamados “crimes de ódio” racial contra muçulmanos aumentaram quase 50% nos Estados Unidos em 2010, de acordo com estatísticas do FBI divulgadas nesta segunda-feira.
Esses dados, que são parte de um relatório sobre crimes de ódio, mostram que as ações criminosas motivadas por preconceitos contra muçulmanos aumentaram de 107 casos em 2009 para 160 em 2010.
Os crimes contra judeus registraram queda, com 887 casos em 2010 e 931 no ano anterior.

Os crimes contra católicos aumentaram levemente, com 51 casos em 2009 e 59 no ano seguinte.
O número total de incidentes classificados como crimes de ódio cresceu de forma marginal em 2010 para 6.628 casos, dos quais 47,3% estiveram motivados por ódio racial e 20% por ódio religioso, segundo o FBI.


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Mercadante e Quércia no esquema dos aloprados

Reportagem de Hugo Marques e Gustavo Ribeiro, na revista Veja desta semana, desvenda o caso dos aloprados do PT, cinco anos depois.

Em 2006, às vésperas do primeiro turno das eleições, a Polícia Federal prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com R$1,7 milhão.

O dinheiro seria usado para a compra de documentos falsos que ligariam o tucano José Serra, candidato ao governo paulista, a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde.

O bancário petista Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil e atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do DF, investigado pela Polícia Federal por participar do esquema, contou tudo em relato gravado por correligionários.

Procurado pela revista, Expedito confirmou o teor das conversas.

Segundo a revista demonstra, o mentor e principal beneficiário da farsa foi o ex-senador e atual ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), cujo nome já havia aparecido no caso e a PF chegou a indiciá-lo por considerar que era o único beneficiado pelo esquema.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mas a acusação acabou anulada por falta de provas.

O petista Expedito conta que o ministro e o PT apostavam que a estratégia de envolver Serra num escândalo lhes garantiria os votos necessários para que Mercadante conquistasse o governa de São Paulo.

Ele explica ainda que a compra do dossiê foi financiada por dinheiro do caixa dois da campanha petista e ainda, de maneira inusitada, pelo então candidato do PMDB ao governo paulista, Orestes Quércia.

“Os dois (Mercadante e Quércia) fizeram essa parceria, inclusive financeira”, revela o bancário.

“Parte vinha do PT de São Paulo. A mais significativa que eu sei era do Quércia.”

Tratava-se de um pacto.

“Em caso de vitória do PT, ele (Quércia) ficaria com um naco do governo.”

Orestes Quércia, a morte e a morte da memória

Millor Fernandes tem razão. Na morte é a única oportunidade em que todos falam bem de nós. Ou algo assim.

Vejam o caso do notório Orestes Quércia, recém falecido.

Tanto no velório, como agora na missa de 7º Dia, o mínimo que amigos (?) desafetos e opositores contumazes propuseram nas loas desfiadas ao “decujus’, foi a canonização.

Fico imaginando o necrológio de Zé Dirceu, Delúbio Soares, Marcos Valério, “et caterva”!

O Editor


Sobre a missa de Quércia e ‘canonização dos mortos’

O brasileiro nasce e cresce sob a pele de homem. Mas fenece como santo.

Entre nós, a morte é de uma eficácia promocional hedionda.[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]

A morte lava biografias. Os cemitérios do país são hortas de virtudes.

O morto com defeitos é uma utopia. Tome-se o exemplo de Orestes Quércia.

Celebrou-se em São Paulo uma missa em memória do ex-governador paulista.

Deu-se nesta quarta (5), na Catedral da Sé. A lista de políticos que foram cultuar o morto impressiona pela diversidade.

Lá estavam José Serra e Geraldo Alckmin, do PSDB –partido nascido de dissidência que largou o PMDB por suposta aversão aos métodos de Quércia.

Lá estava Michel Temer, com quem Quércia travou nos últimos anos de sua existência renhida disputa pelo controle do PMDB-SP.

Lá estava Gilberto Kassab, um ‘demo’ que ronda o espólio de Quércia e achega-se ao PMDB de Temer com ganas de neogovernista.

Lá estava Eduardo Suplicy, cujo partido, o PT, um dia chegou a considerar-se a antítese da política à moda Quércia.

Lá estava, por último, Paulo Maluf. Entre todas, talvez, a única presença sincera. Unia-o a Quércia pelo menos afinidade de estilos.

A morte não parece guiar-se por critérios lógicos. Ela canoniza a todos, sem distinção. Ela perdoa as fraquezas, purifica as nódoas.

Por sorte, a morte é democrática. Ela se distribui igualitariamente. Cedo ou tarde o pó une todo mundo na santidade dos túmulos.

blog Josias de Souza

Jornal Nacional: O dia em que Serra perdeu a eleição

Para os mais apaixonados, contras e a favor, foi visível o tratamento diferenciado dado a cada um dos candidatos, à presidência da República, entrevistados na bancada do Jornal Nacional. Cada lado acha que o adversário foi beneficiado, e que seu preferido foi maliciosamente prejudicado. Será que o Jornal Nacional é tão decisivo assim? A resposta? A teremos quando as urnas forem abertas.
O Editor
Ps. Passo a reproduzir a partir de hoje, artigos de articulistas, de diversas tendências partidárias, analisando o desempenho de seus (deles) preferidos na campanha eleitoral na TV.


O dia em que Serra perdeu a eleição
Por: Eduardo Guimarães/blog da Cidadania

Na última segunda-feira, após a entrevista de Dilma Rousseff ao principal telejornal da Globo, escrevi sobre “O dilema do Jornal Nacional“. Seria o dilema de como tratar José Serra na entrevista que daria ao programa noticioso depois de o “casal-âncora” Willian Bonner e Fátima Bernardes ter sido rude com a candidata do PT. Escrevi, então, que o JN teria que optar entre duas escolhas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A primeira escolha seria a de tratar José Serra com suavidade para não prejudicá-lo fazendo questões para as quais qualquer resposta que desse seria ruim, como, por exemplo, perguntá-lo sobre contradição idêntica à que foi apontada contra Dilma, sobre seu partido estar aliado com partidos e caciques políticos que o PT, outrora, só não chamou de santo.

No caso de o JN fazer essa escolha, teria que perguntar a Serra sobre o que há de mais gritante em suas alianças, como o tucano se aliar a Orestes Quércia, pivô da saída de Fernando Henrique Cardoso, de Mário Covas e do próprio Serra do PMDB para fundarem o PSDB. Para fazer uma entrevista honesta, também haveria que perguntá-lo sobre o “mensalão” do DEM e sobre José Roberto Arruda, expoente do partido que indicou o vice de Serra e que chegou a ser preso e depois cassado por corrupção.

A outra escolha possível ao JN seria a de fazer o que efetivamente fez, ou seja, montar um teatrinho com perguntas e respostas obviamente ensaiadas entre o “casal-âncora” e o entrevistado tucano, com Willian Bonner se perdendo em meio a uma torrente de pedidos de “desculpas” ao entrevistado por ameaçar interrompê-lo. O teatrinho visou fazer parecer que Serra fora tratado com dureza igual à que foi usada contra Dilma.

O Jornal Nacional fez a segunda opção. Contudo, mal treinados em atuação teatral, Bonner e Bernardes foram tão óbvios na suavidade das perguntas e na omissão das questões mais espinhosas contra Serra, e tão escancarados ao manter o “mensalão do PT” no ar nas entrevistas com os três principais presidenciáveis, que o assunto partidarismo do telejornal chegou até às páginas da imprensa amiga, como em matérias na Folha de São Paulo levantando a polêmica.

Apesar de a Globo ter achado que a sua encenação seria uma jogada genial, as críticas foram tão vastas e tão variadas que até Roberto Jefferson, presidente do PTB e aliado de Serra, como retaliação por ter sido usado pelo JN no lugar de Quércia reconheceu que o telejornal favorecera seu candidato a presidente, o que obrigou a emissora a emitir nota oficial desmentindo que tenha favorecido alguém.

A mera leitura da transcrição das entrevistas dos candidatos não permite identificar favorecimentos. O JN perguntou a Dilma e a Serra sobre temas parecidos – sobre suas alianças, por exemplo, apesar de ter escolhido questionar a aliança errada de Serra, pois, como já disse, sua maior contradição é estar aliado ao pivô de sua saída do PMDB para fundar o PSDB.

De fato, a estratégia da Globo faz algum sentido porque a quase totalidade dos brasileiros não tem informações como essa que acabo de mencionar e, assim, não captaria diferença de tratamento entre o tucano e a petista.

Ocorre que há um fator subjetivo ao qual a “inteligência” global não deu atenção. Clicando aqui, o leitor será enviado a matéria do portal de internet da Globo contendo o vídeo e a transcrição da entrevista de Dilma ao JN. Clicando aqui, encontrará o mesmo em relação a Serra. Para os menos atentos, vale ler as transcrições das entrevistas e, depois, assistir aos vídeos, porque contêm um dado que aquelas transcrições escondem.

Há uma capacidade que os desprovidos de conhecimento político e até de instrução têm de sobra, ou seja, a capacidade natural das pessoas de notarem aspectos subjetivos como o tom de voz e a linguagem corporal dos entrevistados, quando tais aspectos são gritantes.

Faça um teste, leitor: retire o som dos vídeos das entrevistas de Dilma e de Serra e aprecie o balé subliminar das expressões faciais e dos gestos dos atores. Depois, ouça a entrevista sem ver as suas imagens. O que você captará, se for suficientemente honesto consigo mesmo para se abrir à realidade mesmo que ela contrarie as suas idiossincrasias, será a diferente disposição dos entrevistadores com cada entrevistado.

PSDB e Globo, de um lado, e o PT, de outro, fazem apostas, respectivamente, sobre a incapacidade e a capacidade do público. Por mais que tucanos e mídia assumam uma atitude de quem conseguiu o que pretendia, trata-se de uma aposta da qual estamos longe de saber se realmente foi vencida pela coalizão conservadora.

Em minha opinião, a linguagem subliminar gritante de imagens e sons, a persistência no tema “mensalão do PT” nas três entrevistas de candidatos e a polêmica sobre a diferença de tratamento a Dilma e a Serra provaram que a Globo integra a campanha do tucano.

Embora ainda não se possa dizer quem está certo – se eu ou a Globo –, que fique registrado que considero a série de entrevistas do Jornal Nacional com os candidatos Dilma Rousseff, Marina Silva e José Serra como o momento em que o favorito da Globo e da grande mídia efetivamente começou a perder a eleição de forma irreversível, e no qual a emissora sepultou suas aspirações de se posicionar como “isenta”.

11 de agosto de 2010, data da entrevista de Serra ao JN, ainda será considerado o dia em que o tucano efetivamente perdeu a eleição presidencial.

Eleições 2010: Serra no Jornal Nacional

Análise de jornalistas de diversos jornais sobre a participação de José Serra em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo.

Foi mais fácil do que para os adversários.
João Bosco Rabello – O Estado de S.Paulo

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Foi o candidato que passou menos tensão. Manteve a estratégia de colocar sua principal adversária como fantoche de Lula (“vai na garupa”) e não aceitou a provocação de comparar os governos Lula e FHC. Reconheceu os avanços da gestão do PT, mas tentou afirmar-se como candidato do futuro. Confrontado com as alianças indesejáveis, procurou demonstrar que delas tem o controle. “Todos os que me apoiam conhecem meu estilo contra o fisiologismo.” Serra foi facilitado pelas perguntas. Para além de entender por que o mensalão foi tema para ele e Marina – e não para Dilma -, respondeu à questão das alianças por não negá-las como fator eleitoral indispensável. Teve espaço para desenvolver sua gestão e suas ideias na saúde e foi contemplado pelos apresentadores com o bônus de discorrer sobre as vantagens de um sistema de pedágio que premia os resultados das rodovias estaduais. Não foi pressionado nos temas mais delicados. Foi mais fácil para ele que para seus antecessores os 12 minutos na bancada do Jornal Nacional.

Tucano dá seu recado para o eleitorado
Marcus Figueiredo – O Estado de S.Paulo

José Serra foi bem na entrevista, de maneira geral. Embora pressionado pela situação, porque havia 40 milhões de pessoas olhando, mostrou a segurança de quem tem uma vida pública e parlamentar extensa. Aproveitou boa parte da entrevista para criticar aspectos do governo Lula, o que é papel da oposição. Apresentou dados sobre estradas federais e mostrou que, no setor, o desempenho continua ruim – como sempre foi. Sobre a questão política de fazer alianças passíveis de críticas, o que ele disse não teve diferença nenhuma em relação ao que Dilma afirmou. Nas alianças entra gente que não necessariamente está nas prioridades dos candidatos. Serra, que escondeu Fernando Henrique Cardoso na campanha de 2002, não tinha como não mencionar o ex-presidente no evento. Serra tem como usar como estratégia de comunicação a ideia de que Lula conseguiu fazer o que fez porque FHC preparou o terreno. Em resumo, Serra aproveitou muito bem o tempo da entrevista para dar seu recado ao eleitorado, com exceção da parte final, quando se perdeu e não conseguiu se despedir – o que não é tão importante.

Sem correria, mas com contradições
Carlos Melo – O Estado de S.Paulo

Como era evidente, José Serra seria comparado às adversárias que o antecederam. E assim, calejado pelo tempo, soube conduzir sua participação no JN num ritmo pausado, professoral; distinguindo-se da correria das demais, ora dirigia-se aos entrevistadores, ora ao telespectador. Como se esperava, comunicou-se eficientemente. Já no que tange ao conteúdo propriamente político, viu-se, também, em saias mais ou menos justas e contradições: não briga com a popularidade de Lula. Antes, pretende desde já remeter o presidente ao passado. “Lula não é candidato”, diz quase num apelo. Prefere olhar para frente, mas não se furta em recorrer ao passado que lhe interessa: “FHC fez o Plano Real“. Enfatiza o vice “ficha limpa”, mas releva a participação de aliados incômodos no mensalão; ressalta a qualidade das estradas paulistas, mas desconversa quanto aos pedágios. Realmente, “não tem compromisso com o erro”. O candidato racional e centralizador – o que ele nega – busca a emoção, ainda que contida: recorre à figura dos pais, do menino de origem modesta. De algum modo, precisa se identificar com Lula.

Serra evoca o samba de Noel: “Com que roupa”?
Análise – Folha de São Paulo

A estratégia de campanha de José Serra está escorada numa ilusão. Na entrevista ao “Jornal Nacional”, o presidenciável tucano deu asas à quimera: “O Lula não é candidato a presidente”, disse.

“Meu foco não é o Lula”, repetiu mais adiante. Revelou-se capaz de tudo, menos de dirigir uma crítica a Lula.

Restou evidenciado que, há uma semana do início da propaganda eleitoral televisiva, Serra ainda não logrou construir um discurso de oposição. Sabe que Lula, não sendo candidato, comanda o baile da sucessão. Sem ele, a candidatura da petista Dilma Rousseff, sua principal antagonista, não existiria.

Quem convida Serra para o samba é Lula, não Dilma. E ele roda em círculos, como se entoasse Noel Rosa: “Esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa? Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?”

Dos três presidenciáveis, Serra foi o menos fustigado pelo “casal JN”. Ainda assim, não se livrou de falar sobre o apoio de Roberto Jefferson.

Apresentou-o como “denunciante” do mensalão. Meia verdade. Denunciou depois que os holofotes focaram o esquema que o PTB montara nos Correios.

Como José Dirceu (PT), Jefferson teve o mandato de deputado cassado. E desceu ao banco de réus em que o STF acomodou a “quadrilha”.

Serra disse que não lhe cabe julgar. Afirmou que Jefferson conhece o seu estilo de governar. Se está com ele, é porque se sujeita. Talvez dissesse o mesmo sobre Orestes Quércia (PMDB). Mas não foi inquirido a respeito.

Por que foge da comparação de FHC com Lula? “Não estamos fazendo disputa do passado”, rodeou.

Insinuou que, eleita, Dilma governaria “na garupa”. A questão é que, para seduzir o eleitor que Lula transfere para Dilma, Serra teria de apregoar um sonho novo. Antes, precisa responder à pergunta: “Com que roupa?” 

Eleições 2010. Fazemos qualquer negócio: Quércia e Serra são aliados

O contorcionismo ideológico dos políticos brasileiros é de causar inveja a artistas circenses. Pior ainda é a desfaçatez de jogar ao léu os mínimos pruridos de vergonha e de moral.

O PSDB que surgiu de uma dissidência do PMDB – os então ainda não emplumados tucanos, não admitiam conviver com o inefável Quércia – agora têm nesse mesmo Orestes Quércia um “esteio” para angariar votos em São Paulo.

Argh!

O Editor


Quércia diz que PMDB estará unido com Serra na disputa pela Presidência

O presidente do Diretório Estadual do PMDB de São Paulo, Orestes Quércia, disse nesta quinta-feira que o partido estará unido com o governador José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República nas eleições de 2010.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

“Estaremos juntos com o governador José Serra na disputa pela Presidência”, disse Quércia após encontro com Serra e 63 prefeitos paulistas do PMDB.

A declaração de Quércia contraria a decisão do comando nacional do PMDB, que fechou um pré-acordo com o PT para apoiar a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República. Pela proposta, o PMDB ficará com a vaga de vice na chapa de Dilma.

Favorável à candidatura de Serra, Quércia criticou o pré-acordo. “Não se pode fazer alianças visando cargos, o que contraria a história e a ideologia do PMDB”, disse.

Quércia admitiu que a reunião teve uma “dimensão política importante”. “O encontro mostra a força da união do PMDB com o PSDB e o DEM, que traz grandes benefícios para São Paulo”, disse.

Quércia não é o único no PMDB contrário a aliança PT-PMDB. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) subiu à tribuna do Senado para classificar de “insana” a decisão da cúpula peemedebista de apoiar a candidatura de Dilma.

Jarbas disse que, se o PMDB não mudar de ideia em relação ao acordo nacional com o PT, haverá um “confronto político desnecessário” dentro do partido.

“Não aceitarei, de forma alguma, que esse caciquismo lulista do PT seja implantado também dentro do PMDB. Existem hoje três tendências dentro do partido: os que defendem a aliança com o PSDB, os que querem se unir ao PT e os que defendem a candidatura própria. Ou essas diferenças são respeitadas, ou haverá um desnecessário confronto político dentro do Partido do Movimento Democrático Brasileiro”, afirmou.

Serra não comentou as declarações de Quércia. Em recentes entrevistas, Serra tem demonstrado irritação quando questionado sobre sua candidatura à Presidência. Ele admitiu que era impaciente para esperar em filas ou no trânsito, mas que em política tinha “nervos de aço” e que ainda era cedo para definir candidaturas.

com informações da Folha On Line

Eleições 2010: Partidos sitiados pela corrupção

A democracia no Brasil foi vencida pela corrupção. De todas as matizes ideologias, a sarfanagem campeia solta nas pradarias desavergonhadas de todos os partidos, ditos políticos, mas que na realidade são feudos “coronelistas” para a perpetuação de uma elite sem moral e sem nenhum escrúpulo.

Alguns nefelibatas argumentam que no meio do joio existem grãos puros. Falácia!

Se os há, são coniventes e/ou omissos, o que os torna tão putrefatos quanto os demais componentes da corja política que nos infelicita e que nos tunga 38% de impostos para sustentar os infames discursos moralistas, verborreia contumaz expelida das tribunas e palanques.

Em boa parcela os Tupiniquins somos responsáveis também. Como nosso pequenos/grandes pecadilhos e na ânsia de levar vantagens, terminamos por nos igualar à essa turma na sarjeta onde não habitam a moral e a decência!

O Editor


País assiste à flexibilização das fronteiras ideológicas

Prisioneiros do próprio impudor, PSDB e PT baniram do debate eleitoral de 2010 um tema antes obrigatório: corrupção.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Desapareceu da cena política brasileira a presunção de superioridade moral. As legendas que polarizam a disputa integraram-se à perversão comum a todas as siglas.

Nos últimos 16 anos – dois mandatos de Fernando Henrique e dois de Lula – o brasileiro assistiu a uma notável flexibilização das fronteiras éticas e ideológicas.

A “social-democracia” tucana e o “socialismo” petista provaram-se capazes de ceder a todas as tentações -da maleabilidade nos costumes às alianças esdrúxulas.

Impossível, por exemplo, mencionar o mensalão sem especificar o sobrenome. Há o mensalão do PT, o mensalão do PSDB mineiro, o mensalão do DEM de Brasília.

Na composição das alianças, a integridade dos ovos não vale mais nada. Só importa o proveito da omelete, convertida em tempo de TV.

Os candidatos nem se preocupam em varrer as cascas para baixo do tapete. Acham que não devem nada para o eleitor, muito menos explicações.

A união do impensável com o inacreditável não assusta mais. Até a imprensa trata as coligações com notável indulgência.

Sobre o pano de fundo da decomposição, a ex-militante Dilma Rousseff é uma nova mulher. Dá as mãos a José Sarney, um sobrevivente da ditadura que ela se jacta de ter combatido.

José Serra abraça Orestes Quércia. E esquece que, junto com FHC, Franco Montoro e Mario Covas, deixara o PMDB para não chamar de companheiro quem agora admite como aliado.

O PT de Dilma converte em heróis da resistência políticos incontroversos como Renan Calheiros e Jader Barbalho. O PSDB de Serra silencia.

A reação soaria a pantomima. Renan foi ministro de FHC. Da Justiça! Jader mandou e, sobretudo, desmandou na Sudam e no Senado da era tucana.

Quem observa a sucessão de 2010 tem a impressão de que a política perdeu pelo caminho algo essencial: o recato. Quem se assombra com o já visto não imagina o que está por vir.

Institucionalizou-se a impudência sem culpa. A adesão de ex-puros a ex-inimigos, mais que estratégia, tornou-se comunhão de estilos.

A corrupção virou uma bandeira órfã porque, generalizada, a desfaçatez fez da anomalia algo, por assim dizer, normal. Formou-se um insuperável deficit estético.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: entre as urnas e os tribunais

De Fernando Henrique Cardoso a Lula da Silva, nada mudou na emporcalhada classe política brasileira. São 16 anos de impunidade, nepotismo e corrupção na taba dos sofridos Tupiniquins. Entre cuecas, meias e Panetones a tragédia eleitoral se repete. Aqui, onde o fundo do poço é somente um estágio, nem a urna corrige!

O Editor


Estrelas de escândalos enfrentam tribunal das urnas

Submetido a escândalos em série, o brasileiro habituou-se a reclamar da impunidade que viceja no país.

Em outubro de 2010, o eleitor terá mais uma chance de provar que é um cidadão, não um nome inútil impresso no título eleitoral.

Se quiser, o brasileiro pode fazer justiça com as próprias mãos. Vão às urnas algumas das principais estrelas de novos e de antigos escândalos.

A lista é longa e suprapartidária. Eis alguns exemplos: Renan Calheiros, Jader Barbalho, Orestes Quércia, Paulo Maluf

Fernando Collor, Eduardo Azeredo, Marconi Perillo, Joaquim Roriz, Orestes Quércia, Roseana Sarney, Jackson Lago e um interminável etc.

São candidatos ao Senado, à Câmara e a governos estaduais. Disputas que costumam ser ofuscadas pela gincana presidencial.

Abra-se aqui um parêntese. Corta para fevereiro de 1996. Joguem-se os holofotes sobre um velho conhecido do eleitor: Lula.

Cruzava a região Sul, numa das incursões de sua Caravana da Cidadania. Dava aulas de civismo político. Dizia coisas assim:

1. “Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas. Com uma parte do Congresso sob suspeita da população, ele tem pouca legitimidade”.

2. “Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões no Congresso”.

O Lula-1994 tinha algo em comum com o Lula-2010. Adorava fustigar o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

Ouça-se o que dizia: “Sempre desconfiei de que havia um grupo que fazia do Congresso um balcão de negócios…”

“…[…] O Fernando Henrique foi eleito com embalagem de novo, mas não inovou nem na fisiologia…”

“…[…] O Congresso está funcionando como uma bolsa de valores fomentada pelo Executivo. Precisamos investigar essa corrupção”. Fecha parêntese.

Experimente reler o raciocínio acima. Troque o nome de Fernando Henrique pelo de Lula. Percebeu?[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Decorridos 16 anos, o país está submetido, sob Lula, ao mesmo flagelo que azeitou a corrupção na era FHC.

Culpa dos eleitos? Claro que sim. Mas só um tolo poderia isentar o eleitor de suas próprias responsabilidades.

Em 2010, o brasileiro será submetido a mais um desses momentos mágicos. O poder está na ponta do seu dedo indicador.

A magia do instante está em poder recomeçar a partir de uma simples pressão exercida sobre o teclado da urna eletrônica. Chance igual, só daqui a quatro anos.

Assim, melhor não desperdiçar, de novo, a hora. Ainda não foi inventado melhor remédio contra o eleito inconsciente do que o eleitor impaciente.

Pegue-se uma carona no prestígio do Lula-2010 para ecoar o Lula-1994: “Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas”.

“Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões”.

Na presidência, Lula esqueceu o que dissera do mesmo modo que FHC dera de ombros para o que escrevera. Você não precisa imitá-los.

blog Josias de Souza

Eleições 2010. Ciro Gomes e as metáforas

O deputado Ciro Gomes (CE), pré-candidato do PSB à Presidência da República, criticou nesta quarta-feira a formalização da aliança entre o PT e o PMDB em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto. Ciro disse que os peemedebistas podem prejudicar a campanha da ministra uma vez que o PMDB é um partido rachado.

“Você não vai remover do PMDB de São Paulo uma aliança com o governador José Serra [PSDB]. Isso é tradição do PMDB. Por isso me preocupo com a Dilma, uma pessoa decente, trabalhadora, mas essas companhias políticas podem mais prejudicá-la do que ajudá-la”, afirmou.

Ao citar nomes de peemedebistas como os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP), Ciro disse que “faz mal ao Brasil” o PMDB ter quadros tão divergentes na legenda. “O Sarney e o Renan estão com a Dilma. O [Orestes] Quércia está com o Serra. Eu me incomodo com isso, faz mal para o Brasil”, afirmou.

Ciro minimizou o fato de Dilma ter conquistado o apoio de uma série de partidos da base governista à sua candidatura, enquanto o PSB caminha isolado rumo à disputa pelo Palácio do Planalto. “É da natureza da minha candidatura”, afirmou.

O deputado negou sua disposição em concorrer ao governo de São Paulo, mesmo depois de transferir o seu domicílio eleitoral para o Estado. “Repito: sou candidato a presidente. Não tenho mancha na minha vida pública.”

Corrida

Questionado sobre a vantagem nas pesquisas de intenção de voto frente à ministra Dilma, Ciro usou a Fórmula 1 para afirmar que não se pauta pelas consultas pré-eleitorais.

“Eu não acho que ela [Dilma] tenha um teto [na candidatura]. Já perdi eleição saindo na frente, já venci saindo do zero. Ainda temos o grid de largada que vai marcar a partida, e depois teremos a corrida”, disse.

Ao lembrar de pilotos da Fórmula 1, Ciro mencionou Rubens Barrichelo –que, segundo o deputado, muitas vezes larga na frente, mas não completa a corrida. Questionado por jornalistas se Dilma seria o Barrichello da disputa de 2010, Ciro desconversou.

“Quem sabe [o Barrichelo] não sou eu? Agora eu, o Senna, mas eu espero que não naquela corrida fatídica”, afirmou.

Gabriela Guerreiro/Folha Online