Tucano disse a diplomatas que Alckmin é da Opus Dei

WIKILEAKS OS PAPÉIS BRASILEIROS

Matarazzo chamou alckmistas de “baixo clero” do PSDB, diz telegrama de 2006.

Texto diz que secretário recebeu diplomatas em seu gabinete; ele nega as críticas e afirma não se lembrar do encontro.

Em conversa com diplomatas americanos, o secretário de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), afirmou que o governador Geraldo Alckmin pertencia à Opus Dei, relata um telegrama obtido pelo WikiLeaks.

O diálogo ocorreu em 14 de junho de 2006, quando o tucano disputava a Presidência. Matarazzo era secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras.

Procurado pela Folha, ele negou as opiniões registradas no documento e disse não se lembrar do encontro.

De acordo com o telegrama, o secretário definiu o atual chefe como um “católico conservador” e foi categórico quanto à sua atuação na igreja:

“Obviamente Alckmin é um membro da Opus Dei, apesar das suas negativas, opinou Matarazzo”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O governador sempre negou ligação com a Opus Dei, uma das prelazias mais conservadoras do catolicismo. Ele não quis falar ontem.

Segundo o relato, Matarazzo via Alckmin como um político de “orientação direitista”, que só conseguia ver o mundo “da perspectiva de São Paulo” e “não tinha ideia de como conduzir uma campanha nacional”.

Ligado ao ex-governador José Serra (PSDB), o secretário teria afirmado que os aliados mais próximos de Alckmin, como o secretário Edson Aparecido (Desenvolvimento Metropolitano), habitavam o “baixo clero” do PSDB.

Os alckmistas poderiam demonstrar “alguma habilidade política”, mas não teriam “ideia do que é necessário para operar uma campanha em escala nacional”.

Isso também valeria para o presidenciável.

“Embora o mote do choque de gestão tenha apelo no meio empresarial, os eleitores do Nordeste, que Alckmin precisa conquistar para derrotar Lula, não têm ideia do que ele está falando”, anotaram os diplomatas após o encontro.

O telegrama afirma que o tucano foi claro ao dizer que Serra não se empenharia na campanha do aliado e que Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso participariam “sem nenhum entusiasmo”.

“Matarazzo explicou que o PSDB não está fortemente unido em torno de Alckmin, apesar das manifestações públicas em contrário”, diz o texto.

“Aos 64 anos, Serra sabe que, se Alckmin vencer, suas chances de chegar à Presidência acabam.”

CAIPIRA

Em outro telegrama de 2006, os diplomatas relatam ter ouvido do então governador Cláudio Lembo (DEM) que FHC considerava Alckmin um “caipira”.

De acordo com os documentos vazados, Matarazzo recebeu em seu gabinete o cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Christopher McMullen, e um assessor político.

O secretário disse ontem que o relato dos diplomatas “não tem o menor fundamento” e que seu teor “certamente é uma besteira”.

“Nunca falei isso de Opus Dei. É um delírio”, afirmou.

Bernardo Mello/Folha de S.Paulo

Eleições – Em São Paulo, DEM “demoniza” Alckmin

As eleições municipais na paulicéia desvairada, vai engrossando os ânimos. A garoa da divergência vai se transformando em tempestade, trazidas pelas nuvens desesperançadas do DEM – continuo achando que o nome deste partido é uma gozação à democracia.

Pobre DEM.

Do blog Coturno Noturno

Na briga entre Serra, Alckmin, Kassab e só Deus sabe mais quem, a maior indignidade, que demonstra um sério problema de caráter de quem afirma, veio de Rodrigo Maia, presidente do Democratas: “O eleitor não espera uma atitude tão agressiva de um homem de Deus, que dizem ser ligado à Opus Dei“.

Sai da briga política para usar uma mentira petralha, cantada e decantada na eleição presidencial de 2006, para atingir o lado pessoal de um ex-futuro aliado. É por isso que, após encher muita gente de esperança pela sua renovação, o DEM vai encolhendo Brasil à fora. A nova safra é decepcionante.

E para que não pensem que afirmar que o jovem filho do velho César Maia decepciona como dirigente partidário é uma injustiça, leiam a declaração do senador Jorge Bornhausen, presidente que o antecedeu: “É deplorável o comportamento do Geraldo. Nós o apoiamos com lealdade em 2002 e 2006. Primeiro, ele constrangeu seu partido, impedindo a coligação natural com o DEM. Agora, ataca injustamente o Kassab e, direta e imerecidamente, o governador Serra.” Isto sim, é uma declaração dura, mas honrada. Uma declaração política.